A Guerra Do Amor
28 Ao resgate
Notas iniciais
Capítulo 28 – Ao resgaste
POV Dimitri
– Podíamos levar Victor para lutar na planície de Campbell, as montanhas podem ser úteis para meus arqueiros. – Mazur e eu estávamos na sua sala analisando vários mapas da região.
– Ou para o abismo de Valar, poderíamos encurralá-los em último caso. – eu apontei.
Trombetas soaram anunciando a chegada de notícias. E nas condições em que estávamos não poderiam ser boas.
Saímos da tenda e nos deparamos com o marechal que acompanhou Rose até o castelo de Menfis.
– Espero que esteja aqui para me dizer que a minha filha chegou em segurança, senhor marechal. – Mazur disse. O homem engoliu em seco e tinha cara de culpado.
– Vossa majestade quando nos aproximávamos do castelo a princesa simplesmente virou o cavalo e galopou na direção contraria, íamos atrás dela, mas Sir Mason disse que cuidava disso, assim como a princesa Viktoria. Levamos a senhorita Tasha para o castelo e esperamos por eles, mas eles nunca apareceram. – o marechal parecia com medo. E ele realmente deveria estar, porque dessa vez não apenas eu estava furioso, mas Mazur também.
– Você está me dizendo que não sabe onde a minha filha está até agora? – já estava escurecendo. E meu coração se apertou em preocupação, eu não me preocupei em esconder isso. Afinal minha irmã também estava desaparecida, novamente.
– Ela está com o guardião dela vossa...
– Eu não quero ouvir mais nada, arranje uma equipe de busca e traga minha filha agora mesmo. – Mazur gritou, respirando com dificuldade.
Eu corri para alcançar o marechal. Por que Rose iria simplesmente se virar e ir embora? Isso não fazia sentido.
– Senhor. – eu chamei o fazendo parar e ter minha atenção. – Me conte em detalhes o que aconteceu.
Ele disse que Rose parou e começou a conversar com Viktoria e que de uma hora para outra virou o cavalo e voltou. Ele não sabia dizer mais nada. Algo me dizia que por enquanto Rose estava bem, e assim era a minha irmã. Mas eu podia apostar que elas estavam aprontando alguma coisa, eu deveria saber que coloca-las juntas não era uma boa ideia.
– Eu estou indo com você. – ele acenou e disse que estavam partindo imediatamente. E corri para preparar minha armadura e espada e conseguir ajuda extra.
POV Rose
– Você consegue ver alguma movimentação? – perguntei para Mason. Estávamos na extremidade do acampamento russo que dava para o estábulo, escondidos em um monte de neve. Nossos cavalos tinham ficado um pouco afastados, presos em uma árvore. Não queríamos arriscar que eles fizessem barulho.
– Não há ninguém lá. – Droga, eu esperava pegar Russell aqui sozinho e ir embora, mas a sorte não estava ao nosso lado.
Depois que eu contei toda a historia para os meus amigos eles estavam mais do que decididos a me ajudar.
– Temos que entrar no acampamento. – eu dei um passo a frente apenas para ser puxada de volta pelos braços fortes do Mason.
– Ficou maluca? Não estamos aqui para cometer suicídio. Vamos esperar até amanhã, quando a oportunidade aparecer.
– Sim claro, esperamos e morremos congelados. Você não está pensando em fazer uma fogueira não é? Seria como dizer, hey senhores russos estamos bem aqui!
Mason parou por um tempo pensando.
– Então vamos voltar e trazer ajuda. – ele disse decidido.
– O que? – eu e Viktoria dissemos juntas. – Escuta Mason, eu não vou voltar agora que estou tão perto, mesmo que eu goste muito de você. – terminei.
– Então o que você pretende fazer? – ele perguntou exasperado.
– Entrar no acampamento, como eu já disse. Russell deve estar na grande fogueira que fica no centro. Eu posso chegar até lá e dar sinal para ele. É fácil. – sorri pro meu plano.
– Você faz parecer fácil Rose, e se alguém te vê? – Mason estava preocupado, afinal ele era meu guardião.
– Eu dou cobertura, se alguém me reconhecer não haverá problema, o máximo que vai acontecer será eu voltar para casa. – Vikka disse.
– E eu faço o que? – Mason questionou.
– Você deixa os cavalos preparados. Agora vamos depressa, não podemos perder tempo.
Eu fui à frente, tentando me ocultar por entre as tendas verdes e Vikka me seguia atrás, caso algo acontecesse. Muitos homens estavam andando pelo acampamento há essa hora, mas ao menos a escuridão me ocultava.
Andando nas pontas dos pés e cautelosamente eu finalmente avistei a enorme fogueira e a sua volta vários homens bebendo e comendo. Eu me lembrava de alguns deles, incluindo Sir Vanig e Mikhail.
Eu me aproximei um pouco mais, me escondendo nas sombras que o fogo fazia em uma árvore grande. Maldição, onde Russell estava? Eu fiz sinal para Viktoria dizendo que ia esperar um pouco, afinal, ele tinha que comer em algum momento.
Os homens comeram, beberam vários barris de cerveja e até cantaram algumas canções. Mas nada do Russell aparecer, eu já estava me dando por vencida quando ouvi uma voz atrás de mim.
– Minha senhora? – eu só não pulei de alegria porque isso chamaria a atenção.
– Russell! Eu estava te procurando. – seu rosto inteiro se enrugou em confusão. E seus olhos? Como eu nunca reparei que eram do mesmo verde que os de Victor.
– Minha senhora, eu lembro-me perfeitamente de ajuda-la na fuga. Por que você voltaria?
– É importante, mas precisamos ir agora. Eu te explico no caminho.
– Ir aonde minha senhora? – confusão foi substituída por surpresa.
– Você vai entender quando eu explicar, confie em mim. Mas agora precisamos sair daqui. – eu o puxei, fazendo o mesmo caminho de volta. A movimentação já tinha diminuído, e a maioria dos guardas já se retirava para suas tendas.
– Espere! – eu sussurrei quando dois guardas apareceram no nosso campo de visão. Eles estavam vindo em nossa direção.
– Entre nessa tenda, depressa. – eu pedi para Russell, o seguindo também. Foi a tempo, pois os guardas passaram exatamente por onde estávamos. Eu respirei aliviada. Foi por po...
– O que vocês estão fazendo aqui? – uma terceira voz disse. Eu me virei assustada ficando cara-a-cara com um soldado vestindo nada mais do que suas calças de brim. – Um momento. – ele me encarou. – Você é a princesa do oeste. – realização o bateu e ele correu para alcançar sua trombeta.
– Corre. – eu gritei puxando Russell atrás de mim quando ouvi o som da trombeta, que significava que um inimigo estava no acampamento.
Vendo que fomos descobertos Vikka também saiu do seu esconderijo e passamos a correr o quanto nossas pernas podiam em direção aos cavalos.
– Corram! Nós temos que sair daqui. – Mason nos encontrou, já com os cavalos prontos.
Ele deu um para Russell e eu dividi Snow com Viktoria que era menor.
– Depressa! Eles estão nos alcançando. – Mason gritou em desespero.
Uma perseguição começou e a luz da perolada da lua era a única iluminação que nos guiava por entre montes de neves e árvores secas.
Apenas uns quinze homens estavam nos seguindo, mas suas flechas sendo disparadas constantemente já contribuíam em muito.
– Ah! – eu ouvi Mason gritar e olhei em alarmei.
– O que aconteceu? – então eu vi através do pouco luar uma flecha atravessando seu ombro. Vikka deu um grito estrangulado quando também percebeu.
– Rose saia daqui, leve todos em segurança enquanto eu distraio os soldados. – Mason disse virando seu cavalo.
– Eu não posso fazer isso. – gritei pedindo que ele voltasse.
– Saia agora Rose. – Não! Eu não podia deixar que ele fizesse isso.
Então eu escutei sons de cavalos e algumas tochas se fizeram visíveis na escuridão. Droga, eles estavam mandando mais homens? Eu olhei para onde Mason estava lutando contra dois cavaleiros e pânico me consumiu. O que eu fiz?
– Rose! São os cavaleiros de Teremur. – Vikka gritou tendo a minha atenção. E na nossa frente vários cavaleiros do meu pai se aproximavam e entre eles eu reconheci Dimitri e... Celeste e Yuri?
Eu ouvi um grito agonizante e sabia que era Mason, meu coração parecia ter parado.
– Minha senhora, eu não posso lutar. Mas você pode. – Russell disse me jogando uma pequena espada, mas ao menos estava afiada.
Eu deixei Viktoria com Russell e corri para ajudar Mason, os cavaleiros já estavam se aproximando, mas não o suficiente.
Mason tinha um braço sangrando muito e estava usando apenas o direito para atacar e se defender. Eu acertei em cheio a perna do homem que tentava mata-lo o fazendo cair do cavalo, agonizando. Nesse momento eu não precisei fazer mais nada porque os cavaleiros chegaram matando os outros homens. O tilintar de espadas e o balançar do arco eram seguidos pelo som da luta.
Mason estava pálido e cambaleou do cavalo até cair. Eu pulei do meu e corri para ajuda-lo.
– Mason? – segurei sua cabeça no meu colo. Ele me deu um sorriso triste, segurando seu braço com força.
– Eu é que deveria salva-la. – ele sussurrou e com uma rápida olhada nele vi que ele ficaria bem. Só precisaria estancar o sangramento o quanto antes.
– Você me salvou. – eu dei um beijo em sua testa branca, afastando o cabelo ruivo que caia sobre o seu olho claro.
– Me deixe vê-lo. – Russell apareceu, se ajoelhando ao nosso lado. Eu dei espaço e então notei algo, o homem que eu tinha derrubado tinha um arco na mão e estava atirando flechas contra os soldados do meu pai. Bastardo. Eu pensei quando eu me levantei para acabar com a festa.
– Dimitri! – eu reconheci a voz de Celeste gritando, ela estava ocupada lutando com um soldado. Então eu vi o porquê do grito. Uma das flechas tinha acertado Dimitri que estava distraído com outro soldado não muito longe de mim, isso o fez cair de joelhos dando a chance para seu oponente derrota-lo.
Eu dei um soco muito bem dado na cara do homem que ousou acerta-lo com uma flecha, então peguei o seu próprio arco e mirei no homem que lutava com Dimitri caído, eu o acertei exatamente no peito.
– Dimitri! – eu corri para seu corpo tentando se levantar e o ajudei. Então vi que o motivo da sua queda era uma flecha atravessando sua coxa. Eu arregalei meus olhos.
– Roza, eu estou bem meu amor. – ele garantiu fazendo uma careta enquanto se apoiava no meu ombro. Eu estava chocada com a grande quantidade de sangue que o homem que eu amava estava perdendo.
– Você está bem vossa alteza? – um homem parou na nossa frente, eu o reconheci como uns dos marechais do sul. Eu não sabia se ele se referia a mim ou a Dimitri, de qualquer forma nós respondemos um sim em uníssono.
– Obrigada por trazer seus cavaleiros consigo, Mazur teria minha cabeça se eu voltasse sem a princesa. – O marechal agradeceu Dimitri. Cavaleiros?
– Não foi nada. – Dimitri ignorou a dor e agora parecia desconfortável.
– Que cavaleiros Dimitri? – eu perguntei e o senti enrijecer ao meu lado.
– Hm... Eu...
– Os cavaleiros da alvorada, você deve conhecê-los princesa. Tínhamos medo e receio deles, até eu saber que o príncipe era o próprio mandante. – o marechal terminou. Eu poderia ficar mais surpresa e chocada em apenas um dia? Então esse era o motivo de Celeste e Yuri estarem aqui.
– Você mentiu para mim? – eu disse empurrando Dimitri para fora do meu ombro. Ele caiu no chão e o gemido de dor que ele soltou quase me fez correr para abraça-lo. O marechal tinha os olhos arregalados e cuidadosos na minha direção, e com medo virou as costas e discretamente se afastou. Eu observei que Celeste também queria se aproximar, mas optou por ajudar seu marido que tinha a bochecha sangrando.
– Roza, eu queria te dizer, mas tive medo de que você pudesse me odiar. Você acharia que eu tinha matado os pais da Duquesa Vasilisa. – ele mal conseguia falar de dor. Argh! Eu estava com tanta raiva e ao mesmo tempo com tanta pena dele.
– Quer dizer que você matou o velho Barton? – eu gritei. Ele era o mentiroso com os olhos mais bonitos, não vá por esse caminho Rose, eu me repreendi mentalmente.
– Ele não colaborou muito Roza, e mereceu. Você não foi a primeira que o bastardo violentou. – eu tremi com a memória. Talvez ele tenha merecido, até porque abusar de uma mulher era punido com a morte em Teremur.
– Quem mais está nisso? – eu estreitei meus olhos tentando manter o foco na minha raiva.
– Ivan, Eddie, Celeste e Yuri. – ele respondeu sem vacilar. Ele estava sendo sincero, eu sempre sabia quando ele estava arrependido.
– Então você mata pessoas nas horas vagas?
– Não Roza, você está entendendo errado. Nós só matamos bandidos e homens que perderam sua honra. Nosso objetivo é ajudar os desprivilegiados. Eu não sou ninguém para julgar, principalmente quando eu faltei com honra com a mulher que eu amo. – Droga, ele precisava me lembrar disso.
– Anda logo seu idiota, me deixe dar uma olhada nisso. – eu me abaixei e sem aviso quebrei a ponta da flecha a puxando para fora do seu corpo. O grito que ele soltou fez todos nos olharem. Sua testa estava suando e seus olhos moles.
Eu rasquei um pedaço da minha camisa de lã e a amarrei em volta do ferimento, tentando estancar o sangramento. Dimitri me olhava atento.
– Você salvou a minha vida Roza. – ele disse com um sorriso fraco.
– Cala a boca, eu ainda estou brava por você ter mentindo. – resmunguei.
– Eu sinto muito Rose. Mentir para você estava me consumindo, mas eu tive medo de perdê-la. – ele disse acariciando minha bochecha. Eu não conseguia me concentrar na minha raiva assim.
– Você está me distraindo. – eu gritei enfurecida e o bastardo sorriu.
– Me perdoa?
– Você vai ter que fazer mais do que isso contendedor. – eu me levantei, mas não sem antes dar um tapinha na sua coxa o fazendo suspirar de dor. Isso já era o suficiente, por enquanto.
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