A Guardiã
20 Capítulo Um: Refúgio sob a colina
Notas iniciais
Edward e eu estávamos colocando nossas malas no furgão, nos preparando para partir antes do amanhecer. Partir não era mais tão difícil. Emmet prometera que cuidaria do meu pai enquanto eu estivesse fora e, acima de tudo, Edward estava comigo. Eu não precisava de mais nada.
Quero dizer, quase nada.
– Ainda tem espaço ai? – Jake perguntou aproximando-se de nós com duas malas nas mãos. Renesme o seguia de perto, parecendo determinada.
– O que você está fazendo? – Eu perguntei olhando-o sem entender.
– Você acha que vamos deixar vocês dois ficarem com toda a diversão só para vocês? – Jake perguntou sorrindo de lado.
– Não mesmo. – Renesme confirmou.
Eu sorri e olhei para Edward, que sorriu de volta para mim.
– Vamos logo, então. Vocês vão nos atrasar. – Falei tentando parecer eficiente, mas estragando o efeito por não conseguir deixar de sorrir, me sentindo completa.
Estava feliz que não estaríamos sozinhos nessa.
Logo em seguida partimos pela mesma estrada por onde havíamos ido para resgatar Alice. Senti um arrepio ao me lembrar daquela missão. Esperava que esta não terminasse conosco enfrentando mais um exercito e quase morrendo...
Como sempre.
A guardiã: A morte é apenas o princípio...
Capítulo Um: Refúgio sob a colina
Estávamos na estrada havia dois dias. Não parávamos para nada, exceto quando a natureza fazia seu chamado, e por pouquíssimo tempo. Comíamos no carro e muitas vezes eu acabava tendo que segurar a comida na boca de Jake enquanto ele dirigia. Por vezes eu tomei o seu lugar na direção, para que ele pudesse relaxar um pouco.
Todo cuidado era pouco, em se tratando da nossa situação delicada. Éramos apenas dois Patrulheiros e dois Guardiões contra qualquer um que viesse.
Na noite do segundo dia, Edward mandou Jake sair da estrada principal. O carro foi direcionado para uma estrada estreita feita principalmente de cascalho. Ela subia levemente, e no fim, nos deparamos com exatamente... Nada.
Estávamos no topo de uma colina que descortinava várias cidades abandonadas ao longe.
– O que exatamente deveríamos encontrar aqui? – Perguntei duvidosamente.
– Espere. – Edward disse apenas.
Troquei um olhar intrigado com Jake, mas ficamos em silencio. Esperamos por um minuto antes que algo acontecesse Por fim um pedestal subiu da terra sem qualquer aviso, logo ao lado da janela do motorista. Jake olhou, sem saber o que fazer. Já Edward se esticou para frente.
– Sou Edward Cullen. – Ele disse para o objeto, que repetiu a sua voz como em uma gravação, para afundar novamente na terra logo em seguida.
– O que foi isso? – Eu quis saber.
Edward não disse nada, por que neste exato momento o barulho de engrenagens trabalhando invadiu os nossos ouvidos. Então, logo à nossa frente, uma rampa surgiu, afundando no chão.
– Vamos, é lá que ficaremos. – Edward falou.
Jake dirigiu o carro para a rampa e acabamos em um imenso salão de pedra iluminado com luzes fluorescentes bem fortes. Ouvimos o ruído da rampa se fechando às nossas costas.
À nossa frente, grossos vidros transparentes nos davam a visão completa do aposento do outro lado. O lugar parecia ser uma sala de comando, nela havia computadores e equipamentos de todos os gêneros.
Descemos do carro e olhei ao redor. Estávamos num estacionamento bem grande. Deviam caber uns dez carros ali com folga. Depois da sala de comando, havia apenas uma parede lisa de pedra e as portas de um elevador.
– Que lugar é esse? – Eu perguntei impressionada.
– É um lugar que Emmet construiu para nós há alguns anos, quando se tornou Rei. Ele gostava de fugir para cá, para se esconder das pessoas. Sempre nos divertíamos aqui, eu, Renesme, Emmet e Alice. Era divertido. – Edward explicou.
– Isso está parecendo mais um forte subterrâneo para mim. – Eu falei.
– Bom, aqui no mundo exterior não é muito seguro. Além do mais, é o nosso lugar secreto. Tínhamos que ficar seguros e ter certeza de que ninguém se meteria aqui. – Edward falou. – Temos sistema de defesa e de vigilância, para sabermos quando alguém se aproximar daqui.
– Uau. – Foi tudo que Jake conseguiu proferir.
– Super legal. – Eu afirmei.
– Vamos pegar nossas malas e nos instalar lá embaixo. – Renesme falou energicamente.
Pegamos a nossa bagagem e nos dirigimos aos vidros que separavam o estacionamento e a sala de comando. Renesme foi à frente e parou perto da porta.
– Sou Renesme Cullen. – Ela disse para a porta, que pareceu reconhecer sua voz e se abriu para nos dar passagem.
– Eu vou programar a voz de vocês também, por precaução. – Edward falou enquanto atravessávamos a sala.
Chegamos ao elevador e Edward apertou o botão. Em segundos a porta se abriu à nossa frente. Entramos e o elevador nos levou ao subsolo.
A porta se abriu novamente em um pequeno salão quadrado e bem iluminado. Tanto o chão quanto as paredes eram acinzentadas e bastante brilhantes, mas eu não tinha a menor ideia de qual material eram feitas. Provavelmente de mármore. Havia três portas de mesma cor ali, apenas diferenciadas das paredes pelo alto relevo das bordas.
– Aquela porta leva ao corredor dos quartos. – Edward disse, apontando diretamente à nossa frente. – A da direita vai dar na cozinha e a da esquerda nas outras salas. Sala de jogos, piscina, sala de treinamento, essas coisas.
– Esconderijo legal esse de vocês. – Falei animada, pensando na sala de treinamento. Eu o Jake íamos nos divertir a valer lá.
– Tudo ideia do Emmet. – Renesme falou dando de ombros.
– Agora vamos comer, que eu estou morrendo de fome. – Eu disse olhando para o Jake.
– Eu também. – Ele concordou.
– Eu vou deixar nossa bagagem no quarto e encontro vocês na cozinha. – Edward disse e Renesme concordou. Eles foram em direção aos quartos enquanto Jacob e eu fomos para a porta da direita, que Edward dissera ir até a cozinha.
Perguntei-me como abrir aquela porta. Não havia maçaneta nem nada. Olhei de lado e vi Edward pressionar a porta do meio um pouco. Ela se abriu automaticamente, deslizando para dentro da parede.
O imitei e a minha porta fez o mesmo.
Logo depois dela havia um salão gigantesco, que era a cozinha. As luzes eram automáticas, precisamos apenas pisar na entrada e elas acenderam. Tudo ali era branco ou cromado, brilhando tanto que me deixou atordoada.
Havia uma grande pia com balcão de mármore na parede da direita. Logo ao lado estavam encostados uma geladeira e um fogão. Na parede oposta ficavam os armários com louça e todo o tipo de utensílios de cozinha. E bem no centro do aposento se encontrava uma grande mesa com tampo de granito.
Uma porta do outro lado da mesa tinha uma plaquinha prateada indicando a despensa.
– Bom... Você sabe cozinhar? – Jacob olhou para mim, coçando o queixo e olhando para tudo parecendo meio perdido. Eu o olhei da mesma forma.
– Hmm... Eu sei fritar praticamente tudo e acho que consigo fazer um macarrão. E você? – Eu perguntei duvidosamente. Charlie nunca estava em casa, então ou eu comia fora ou comia alguma besteira fácil de fazer. Estava mais preocupada com os meus treinos do que em ser uma dona de casa.
– Eu consigo fazer o suco. – Jake disse sem graça.
Então nós dois nos olhamos com cara de quem não tem a mínima ideia do que está fazendo... Então começamos a rir loucamente.
– Qual é a graça? – Edward perguntou. Ele e Renesme haviam acabado de entrar pela porta da cozinha livres da bagagem.
– Nós dois estamos meio perdidos aqui... – Eu falei sorrindo.
– É, nenhum de nós sabe cozinhar. – Jake respondeu divertido.
– Ah, eu sei cozinhar. – Edward falou dando de ombros.
– É, eu também. – Renesme disse.
– Vocês? – Eu perguntei meio confusa.
– Esqueceu que antes de entrar para a Academia a gente comia comida humana? – Edward perguntou revirando os olhos.
– Ah, é. Eu tinha me esquecido disso. – Jake disse olhando animado para mim.
– Bom... Então você pode cozinhar para mim, não é, Edward? Eu estou com tanta fome... E agora eu tenho um bebê pra alimentar também né? – Eu perguntei inocentemente, com uma voz suave, totalmente diferente do meu jeito normal.
– Cara, como você é aproveitadora! – Ele exclamou divertido, vindo para perto de mim e bagunçando o meu cabelo.
– Ah, faz logo. Estou morrendo de fome. – Voltei ao meu jeito normal, afastando a mão dele da minha cabeça. Edward riu e chegou perto.
– Eu faço, mas você vai ter que pagar por isso mais tarde. – Ele sussurrou no meu ouvido. Estreitei os olhos para ele e Edward piscou para mim. Fiz uma careta envergonhada, imaginando se os outros tinham ouvido isso. Renesme pigarreou.
– Hmm... Mas na verdade, a gente nem precisa cozinhar mesmo. – Ela disse se adiantando em direção à despensa.
– Como assim? – Eu perguntei. Edward riu.
– O Emmet deixou apenas comida congelada aí, por que ele não sabia quando alguém que come comida humana ia voltar aqui. – Ele disse divertido. Adiantei-me e dei-lhe uma tapa.
– Você estava se aproveitando da minha inocência! – Falei, revoltada.
– Inocência? – E riu. Rosnei e segui Renesme em direção à porta da despensa. Ainda pude ouvir as risadas de Jacob se juntando às de Edward. Ah, ele ia me pagar mais tarde, na sala de treinamento.
A despensa nada mais era do que um grande freezer. Havia todo o tipo de comida congelada ali: lasanha, estrogonofe, pizza, sanduiches... Essas coisas.
Escolhi uma lasanha aos quatro queijos. De repente senti que poderia comer tudo ali num piscar de olhos. Jacob pegou lasanha também e então esquentamos no microondas. Edward e Renesme nos fizeram companhia, apenas para conversar mesmo.
– Hum... Vocês ainda gostam de comida humana? – Eu perguntei interessada, de boca cheia.
– No começo, logo depois do Pacto, eu ainda gostava do cheiro da comida humana. Agora, nem isso. – Renesme explicou.
– É repugnante. – Edward completou franzindo o nariz.
– Estranho. Isso aqui está uma delícia para mim, não é Jake? – Perguntei animada. Jake apenas acenou com a cabeça, a boca totalmente cheia.
– Você não ia gostar de beber sangue. Dá no mesmo. – Renesme deu de ombros.
Olhei para Edward, lembrando de todas as vezes em que ele me fizera beber meu sangue de sua boca e do gosto delicioso que tivera para mim. Ele, aparentemente, estava lembrando o mesmo, pois sorriu levemente para mim e eu, por minha vez, senti o calor tomar conta do meu rosto.
Depois que nós comemos, fomos descansar na sala da TV. Estávamos vendo a programação humana e Edward não parava de perguntar para quê servia uma telenovela. Tentei explicar, mas nem mesmo eu conseguia entender, então deixei para lá.
Passamos algum tempo lá e então fomos para a sala de treinamento. Só por que estávamos afastados do exército, não significava que poderíamos deixar o treinamento de lado. A luta com certeza ainda não havia acabado e nos acomodar apenas nos traria a morte mais rápido.
Treinamos arduamente.
Iríamos continuar com o boxe, Kung Fu, esgrima e estratégia, que havíamos começado a estudar quando entramos para o exército, dentre outras coisas. A estratégia era um bom meio de nos organizarmos em um campo de batalha e dessa forma, sempre sabíamos onde cada um estaria posicionado.
Então, ao fim da noite, estávamos todos exaustos.
Fomos em direção ao corredor dos quartos. Este era cinzento como o salão de entrada e havia várias portas ali. Edward e Renesme haviam colocado nossas coisas nos dois primeiros quartos do corredor, frente a frente.
– Treino mais tarde, Jake? – Perguntei antes de entrar no quarto com Edward.
– Fechado. – Jake concordou sorrindo. Então Renesme o puxou para dentro, e Edward fez o mesmo comigo. Ele fechou a porta com o pé, me segurando em seus braços com força.
– Estava demorando demais! – Ele disse pressionando os lábios no meu pescoço.
– E pra quê a pressa? Temos o resto da eternidade para ficar juntos. – Falei apenas para provocá-lo, já que eu também estava doida para ficar com ele.
– Mas eu estou com vontade. Agora. – Ele disse olhando para mim e quase me devorando com o olhar. Edward puxou minha blusa pela cabeça no mesmo momento, sem fazer esforço algum. Direcionei meus dedos à sua camisa também, com pressa. Edward riu e me puxou para um beijo ávido.
~~
– Eu não acredito que vou ser pai. – Edward falou com a cabeça deitada sobre a minha barriga como se estivesse tentando ouvir algo.
– É? Agora imagine você o que eu sinto quando penso que vou ser... Mãe! – Eu falei e estremeci.
Mãe.
Eu nunca me imaginei sendo mãe de alguém. Era surreal, como se não fosse eu. Além do mais, eu tinha apenas dezessete anos. Bom, eu era uma garota de dezessete anos que fazia parte do exército vampírico, vivia para lutar e já havia visto a morte de perto mais de uma vez.
Mas isso não significava que eu estava pronta para esse tipo de responsabilidade. Entretanto, a ideia de não ficar com essa criança se quer havia se passado pela minha cabeça. Não era uma opção, ela era minha, fosse o que fosse.
Olhei para Edward, deitado sobre a minha barriga. Ainda estávamos nus e eu adorava a visão que tinha dele. Estendi a mão a desarrumei seus cabelos, observando sua cor peculiar e maravilhosa. Ele olhou para mim, sorrindo.
– Sabe que eu acho que você vai ser uma ótima mãe? – Ele perguntou.
– Acha?
– Claro que acho. Se você proteger essa criança do jeito que você protege a mim... Bom, nada de mal pode acontecer com ela. – Ele disse e beijou a minha barriga, subindo por ela até o vão entre meus seios. Então apoiou o queixo ali e ficou me olhando.
– Obrigada. E eu acho que você será um pai perfeito. – Eu disse, me sentindo mais sentimental agora do que em toda a minha vida. Tinha que aproveitar esse meu momento de fraqueza para fazer com que Edward entendesse o que ele significava para mim, embora não tivesse certeza se poderia colocar tudo em palavras exatamente.
– Você tem ideia do que nós estamos compartilhando agora, Isie? – Ele perguntou, parecendo pensativo. – Eu nunca havia imaginado isso para nós. Quero dizer, nos conhecemos há tão pouco tempo!
– Eu sei, mas já parece que faz séculos. – Eu falei. Em seguida mordi os lábios. – Edward... Você sabe que eu gosto de você, não é?
– Mais ou menos. Eu não te irrito? – Ele quis saber, sorrindo.
– Não muito. – Fiz uma careta engraçada e ele riu. Fiquei séria novamente. – Eu gosto mesmo de você.
– Eu também gosto de você. Mais do que tudo na minha vida. – Ele disse, seus grandes olhos azuis enxergando a minha alma por trás dos meus olhos.
Então Edward voltou a me beijar, mais apaixonadamente do que nunca antes. Creio que ele havia entendido o que eu queria dizer muito bem.
Fale com o autor