A Guardiã

21 Capítulo Dois: Nascido


Eu já estava ficando um pouco maluca. Aquele esconderijo embaixo da terra havia sido divertido no começo, mas agora... Agora tudo o que eu via eram paredes, portas e coisas brancas.

Estava com uma barriga enorme, e fazia apenas dois meses que estávamos ali. Aquela criança crescia mais rápido do que eu poderia ter imaginado e aquele barrigão só me deixava mais impaciente.

Se estava assim em apenas dois meses, quanto tempo faltaria para que ela nascesse?

A guardiã: A morte é apenas o princípio...

Capítulo Dois: Nascido

– Eu não sei, Isie. Como eu poderia saber? – Alice falou, depois que eu perguntei pela milésima vez. Estávamos em uma chamada de vídeo na cabine de comando.

– Tem que haver um jeito de saber. Eu não aguento mais! – Falei, nervosa. Meu corpo estava tendo todo o tipo de reações estranhas.

Sentia vontade de comer as coisas mais absurdas, e depois vomitava tudo. Ficava com raiva, ou super feliz em questão de segundos. Uma hora estava rindo e na outra, morrendo de chorar. E eu não sou mulher de ficar chorando por ai.

Tinha certeza de que Edward, Jacob e Renesme já não me suportavam mais, trancafiados aqui comigo. Nem eu mesma me aguentava esses dias.

– Sinto muito Isie. Acho que não há, talvez nunca tenha havido, alguém vivo que passou pelo mesmo que você. – Ela falou, consternada.

– E a Esme? Você perguntou a ela? – Quis saber.

– Ela disse que a gestação do Edward foi como a de qualquer humano ou vampiro normal. Durou nove meses. – Alice respondeu. Xinguei e depois me arrependi, imaginando se meu bebê tinha capacidade de entender aquilo.

– O que você está fazendo? – Edward perguntou, chegando pelo elevador naquele exato momento. Jacob e Renesme estavam com ele. – Estávamos procurando por você.

– Por quê? Deviam aproveitar os poucos momentos de sossego sem mim. – Falei, mal-humorada.

– Não seja assim... – Edward tentou me adular.

– Eu sei que vocês me odeiam! – Exclamei. Além de tudo, ainda estava ficando paranoica.

Comecei então a me debulhar em lágrimas mais uma vez. Edward me abraçou, me consolando. Ele estava sendo tão carinhoso e compreensivo comigo, que às vezes dava raiva. Ele devia era me dar umas tapas e mandar que eu me controlasse.

– Ela veio novamente perguntar se eu sabia quando a criança vai nascer. – Alice explicou. Senti Edward suspirar.

– Eu nunca ouvi falar numa gravidez tão maluca quanto essa. – Renesme comentou.

– Nem eu. – Alice concordou.

– Vocês estão me chamando de maluca? – Exigi, começando a ficar com raiva.

– Claro que não, Isie. – Alice respondeu rapidamente. Rápido demais.

– Eu não sou maluca! Vocês apenas não... – Parei no meio da frase ao sentir uma contração engraçada na barriga. Coloquei a mão sobre ela, esperando.

– O que foi? – Edward perguntou.

Senti outra contração, agora mais forte. Tão forte que fiquei sem ar.

– Acho... Acho que está nascendo... – Comentei, arregalando os olhos para Alice.

– Agora? – Jake perguntou, parecendo em pânico.

– Claro que é agora, se eu estou falando! – Exclamei irritada.

Outra contração me fez trincar os dentes. Tentei respirar como as mulheres fazem nos filmes, bem devagar. Ajudou um pouco, mas a dor era maior.

– Vocês tem que levá-la para o quarto. – Alice mandou.

– Quem vai fazer o parto? – Jake perguntou, a voz ligeiramente esganiçada. Ele parecia apavorado. Muito mais do que quando nós quatro enfrentamos um exercito sozinhos. Eu entendia o cara. Um bebê nascendo parecia algo muito mais assustador.

– Eu vou fazer. – Renesme falou. – Todas as vampiras aprendem a fazer isso um hora ou outra da vida. Agora temos que levar a Isie para o quarto. Jake, esquente uma panela com água e Edward, pegue toalhas limpas. Vamos Isie, você precisa se deitar.

– Vou torcer para tudo dar certo. – Alice falou e se desconectou logo em seguida. Tinha certeza de que ela já ia espalhar a notícia de que meu filho estava nascendo. Pelo menos para todos que sabiam que eu ia ter um filho, o que se resumia a Jasper, Emmet, Rosalie, Carlisle e Esme.

Renesme, a mais calma dentre nós quatro, me ajudou a levantar da cadeira e entrar no elevador. Ali, senti água quente escorrer por minhas pernas. A princípio achei que tinha feito xixi nas calças e fiquei envergonhada, mas depois reparei que não era bem isso.

– A bolsa estourou. Não vai demorar muito, então. – Edward resmungou, parecendo pálido. Ou tão pálido quanto um vampiro pode ficar.

Renesme me levou direto para o quarto que eu dividia com Edward enquanto os outros dois iam obedecer suas ordens. Ela me deitou na cama, enrolou as mangas e me olhou obstinadamente.

– Vamos ao trabalho. – Ela disse.

Cinco horas depois, eu gritava como um animal enfurecido. A dor era imensa e tudo o que eu sentia agora era raiva.

– A culpa é sua, seu vampiro maldito! Você colocou isso dentro de mim! – Eu gritava, apertando a mão que Edward usava para segurar a minha, enquanto continuava fazendo força.

Na verdade Edward havia vindo segurar a minha mão, mas quando eu comecei a apertar, ele tentou se soltar. Agora ele e Jacob tentavam impedir que eu quebrasse os ossos da mão dele, tentando livrá-lo de mim.

– Mais um pouco Isie, já estou vendo a cabeça. – Renesme incentivou. Bufei, soltando a mão de Edward e agarrando a cabeceira da cama. Respirei bem fundo e fiz toda a força que conseguia naquele momento. Então senti certo alívio, e em seguida ouvi um choro.

– É um menino! – Jake gritou, parecendo tão aliviado que poderia desmaiar ali mesmo.

Chorei. Sério, chorei mesmo. Eu não sou de chorar não, mas ao escutar aquele chorinho baixo e assustado, chorei também.

– Eu quero vê-lo. – Pedi.

Renesme estava tentando tirar parte do sangue com uma toalha úmida. Enrolou aquela coisinha em outra toalha e veio me entregar o embrulhinho. O que eu segurei em meus braços era uma coisinha minúscula e toda mole, com uma cabeça esquisita e totalmente banguela, mas era a coisa mais linda que eu já havia visto na vida.

– Eu não acredito que ele é nosso. – Edward falou, sentando-se ao meu lado na cama e afastando a toalha para ver melhor a coisinha.

– Nem eu. – Falei, ainda chorosa.

– Agora precisamos dar um banho nele. Isie, você vai ter que me dar o bebê. Eu tenho que limpá-lo. Você tem que descansar um pouco. Garanto que daqui a pouco você já vai estar pronta pra outra. – Renesme falou, sorrindo.

– Nem morta! – Exclamei, fazendo todos rirem.

Renesme pegou o embrulhinho dos meus braços e saiu do quarto, com Jacob a seguindo, olhando para o bebê como se nunca tivesse visto algo como aquilo.

Joguei-me sobre os travesseiros, relaxando. Eu sabia que em alguns minutos estaria totalmente regenerada. Até por que eu era uma Guardiã. Mais do que isso, eu era uma Death Knight.

– No que você está pensando? – Edward perguntou cautelosamente, sentado ao meu lado e me olhando como se eu fosse uma bomba relógio.

– No nome que vamos dar à coisinha. – Eu falei, olhando para ele pensativa.

– Coisinha? – Edward riu das minhas palavras, mas também parou para pensar.

– Eu sempre gostei de Caleb. – Falei.

– É um nome legal. Eu acho que ele tem cara de Caleb. – Edward falou logo.

– Ele não tem cara de nada, Edward. Você só está dizendo isso com medo de me contrariar. – Eu disse, perspicaz. Edward dessa vez gargalhou.

– E você pode me culpar? – Ele perguntou fazendo cara de coitado.

– Eu sei que eu não tenho sido muito racional, mas eram os hormônios, misturados com o meu gênio difícil. Já me sinto quase normal agora que a coisinha saiu. – Falei meio que me desculpando. Estava mesmo me sentindo melhor, como se um peso que eu nem havia percebido houvesse saído do meu peito.

– Eu sei, Isie. – Ele acariciou meu rosto com delicadeza.

Acima de tudo, eu sentia falta de estar com Edward. Estar no sentido sexual, se é que vocês me entendem. Em determinado momento da gravidez, eu fiquei grande demais para que a coisa fosse prática e me sentia muito desconfortável o tempo inteiro.

– Mas mesmo assim, eu gostei de Caleb. Acho que é um bom nome. – Edward falou, segurando minha mão novamente.

– Então chamamos a coisinha de Caleb? – Perguntei, animada. Era como dar nome a um filhotinho que você acabou de ganhar, só que muito mais dramático.

– Caleb! – Edward afirmou. Eu ri, feliz.

Renesme voltou então com a coisinha, ou melhor, Caleb, todo tomado banho e vestido.

– Onde você conseguiu essas roupas? – Perguntei, intrigada. Eu nunca havia visto roupas de bebê no nosso esconderijo.

– A Alice havia me dado uma bolsa cheia delas. Depois eu trago para cá. Ela sempre pensa nesses detalhes práticos. – Renesme falou, me entregando a cois... Caleb.

– Ainda bem, por que se dependesse de mim, Caleb ia ficar nu até conseguirmos comprar alguma coisa pra ele. – Falei, pegando o menino e vendo-o abrir os olhos para mim. Olhos azuis profundos como os do pai.

– Caleb? – Jake perguntou, interessado.

– Foi o nome que demos para ele. – Edward explicou.

– É bonito. – Renesme disse, com os olhos brilhando.

– É normal os recém-nascidos abrirem logo os olhos? – Perguntei, intrigada.

– Às vezes. Mas como a gravidez durou apenas dois meses, acho que é razoável imaginar que ele cresce mais rápido que os bebês normais. – Renesme falou.

– Bebês normais? Mas ele é normal, não é? – Perguntei, assustada, olhando as mãozinhas e os pezinhos dele, a pele e tudo para ver se estava tudo no lugar.

– Não foi isso que eu quis dizer. Apenas quis dizer diferente dos bebês que não são filhos de uma Death Knight e de um vampiro mestiço, o que é praticamente todos os outros bebês da face da Terra, de todos os tempos. – Ela disse divertida.

– Ufa, pensei que ele fosse mais anormal. – Falei rindo e os outros me acompanharam.

Caleb começou a se remexer no meu colo, agarrando a minha roupa e fazendo um barulhinho irritado.

– O que foi, coisinha? – Perguntei, tentando imaginar o que ele queria.

– Você não tem que dar de comer a ele? – Edward perguntou, intrigado. Aí está uma coisa na qual eu nunca pensei. Amamentar a coisinha, mesmo que meus seios tenham crescido quase o dobro do tamanho durante a gravidez.

Abri os botões da frente do vestido que usava e permiti que Caleb agarrasse meu mamilo com sua gengiva molinha. Ele sugou com vontade, fechando os olhos e parecendo pronto para uma soneca agora mesmo.

– O que você sente? – Jacob perguntou, interessado.

– Não sei, é estranho. Sabe o que você sente quando seu mestre se alimenta? É a mesma coisa, mas totalmente diferente. Não sei explicar. – Eu disse. Era uma das melhores sensações do mundo. E tê-lo em meus braços me fazia sentir a pessoa mais forte que existia, como se nada pudesse nos atingir enquanto Caleb estivesse ali, comigo.

Depois de um tempo Caleb começou a dormir tão profundamente que a boca abriu e ele parou de sugar o leite. Fechei o vestido e o segurei nos braços, embalando-o.

– Ei... Ele dorme! – Jacob falou. Parecia que ele estava apontando o óbvio, mas era realmente um bom ponto.

– É mesmo! Então ele é um vampiro? – Perguntei, intrigada.

– Não acho que seja tão simples assim. Se ele fosse apenas um vampiro normal, a gestação não teria durado tão pouco. – Edward falou, mas parecia realmente intrigado.

Todos ficaram em silêncio por um tempo. Resolvi então mudar de assunto.

– Está tudo muito bom, tudo muito bem, mas eu tenho que tomar um banho, né? Estou toda suja de sangue. – Falei. Eu já me sentia forte o suficiente para me levantar. De fato, me sentia como antes, como se nada tivesse acontecido.

– Está certa. Temos que trocar os lençóis também. – Renesme falou.

Entreguei Caleb para Edward e me levantei. Realmente já sentia meu corpo totalmente normal, exceto pelos seios enormes que nunca tive. Peguei uma roupa e fui para o banheiro enquanto os outros se encarregavam de limpar o quarto.

Enchi a banheira e fiquei um bom tempo mergulhada na água quente, pensando que agora é que o perigo ia realmente começar. Agora que Caleb estava fora de mim, quem quer que fosse que quisesse machucá-lo poderia tirá-lo de nós.

E era certo que alguém realmente queria machucá-lo. A profecia dizia que a vida do inocente seria tirada, ainda mais por alguém com o mesmo sangue que ele. Era a parte mais sombria de todas, achar que alguém da nossa família o machucaria. Mas se dependesse de mim isso nunca, jamais aconteceria.

Notas finais
OI GENTE!! MAIS UM CAP POSTADO. ESPERO QUE GOSTEM!! NÃO ESQUEÇAM DE COMENTAR E RECOMENDAR A FIC!! =P BJS