A Guardiã

16 Capítulo Quinze: Invasão Parte I


Notas iniciais
NOTINHA NO FINAL!!!! É IMPORTANTE! LEIAM POR FAVOR!!!

POV Jake

Renesme e Edward.

Aquilo era uma coisa que eu não conseguia engolir. Renesme carregando um filho de outro homem...

Eu saí do ginásio atordoado, sem ter ideia de para onde estava indo. Mas meus pés automaticamente me levaram de volta ao quarto.

Renesme estava dormindo.

Observei seu rosto sereno, sentindo a raiva crescer dentro de mim. Eu não podia deixar aquilo acontecer.

Sentei-me numa poltrona e esperei até que ela acordasse.

Ela começou a despertar perto do anoitecer. Espreguiçou-se e olhou para mim, sorrindo. Apenas a encarei, resignado.

– O que foi Jake? – Ela viu a minha expressão e sentou-se para me observar melhor.

– É verdade que você precisa procriar com seu primo Edward? – Perguntei sem mais delongas. Seus olhos se arregalaram, provando para mim que eu estava certo.

– Como você ficou sabendo disso? – Ela questionou.

– Isso não importa. O que importa é: você vai mesmo fazer isso? – Eu quis saber revoltado. Ela abaixou a cabeça e olhou para suas mãos entrelaçadas.

– Eu não tenho escolha, Jacob. Não é minha decisão. – Ela falou baixinho, mas ainda assim pude ouvir.

– Claro que é sua decisão. É a sua vida e o seu corpo, você sempre tem uma escolha. – Eu insisti, ficando de pé.

– Não é tão fácil assim. Você não consegue entender como nossa sociedade funciona. É injusta sim, mas é injusta pra todos. Não há escapatória. – Renesme falou triste. Aproximei-me da cama.

– E se você falasse com Edward? Eu aposto que a Isie deve ter ficado uma fera com ele quando soube. Vocês podem conversar. Se vocês dois desistirem, eles não vão poder fazer nada. – Falei com paciência.

– Você não sabe do que está falando. Edward é muito certinho, ele sempre foi assim. – Ela disse.

– Ou será que ele tem sentimentos por você? – Eu perguntei desconfiado. – E você? Tem sentimentos por ele?

– Você está sendo paranoico, Jacob. – Ela negou com a cabeça, olhando para mim.

– Estou? Estou mesmo? Por que eu não acho. Eu acho que eu sou um brinquedinho pra você. Sou seu animalzinho de estimação, mas no fim, você vai escolher o vampiro pra ser o pai dos seus filhos! – Falei amargurado.

– Jake... Mesmo que quiséssemos, não podemos ter filhos... Isso não vai acontecer. – Renesme falou parecendo desesperada.

– Mas isso não quer dizer que você tem que procriar com ele. – Eu insisti ainda mais. Estreitei os olhos. – A menos que você queira, claro. Você quer tanto assim ter um filho?

– Não! Eu nunca quis isso, mas não tem nada que eu possa fazer... Por favor, Jake, tente entender... – Ela pediu.

– Se você nem se quer tem o desejo de ter um filho, não entendo por que estamos tendo esta conversa. Você não é obrigada a fazer nada, Renesme. O que irão fazer com você, caso não procriar? Te matar? — Eu falei com incredulidade.

– Bom, não. Apenas... — Ela mordeu o lábio com pesar.

– Não consigo acreditar que seja tão covarde! — Finalizei, balançando a cabeça com desgosto. Ela tentou me segurar, mas eu já me dirigia à porta, batendo os pés com raiva. Eu estava fazendo uma grande cena, claro. Se Renesme resolvesse realmente procriar com Edward, não havia nada que eu pudesse fazer, apenas sofrer em silêncio.

– Espere. Jake espere! Eu vou falar com o Edward. — Ela gritou para mim.

– Vai mesmo? – Perguntei me voltando surpreso para ela. Creio que no fundo, não acreditava que pudesse mudar isso.

– Vou sim. Vamos, é melhor irmos agora antes que eu desista dessa loucura. – Ela resmungou levantando-se da cama e indo trocar de roupa.

Ao sairmos do quarto, creio que eu brilhava de alegria.

A guardiã: Nosso destino é a eternidade...

Capítulo Quinze: Invasão Parte I

Edward e eu voltamos ao pátio. A correria já havia diminuído por ali. As pessoas começavam a tomar seus postos. O nosso lugar, de Edward e meu, era perto da torre da sentinela, vigiando o exterior de cima do muro.

Jacob e Renesme ficavam do lado oposto ao nosso. Já Alice e o Rei não participavam da proteção do forte. Eles eram importantes demais. Eles é que deviam ser protegidos. Haviam sido levados para o castelo do Rei e postos sob vigilância.

Vigiamos a noite inteira, mas nenhum ataque mais forte aconteceu. As sirenes continuaram a tocar aqui e ali.

Aro estava cada vez mais bravo. Ele passava pelos postos de tempos em tempos, com ar revoltado.

– Por que esses infelizes não atacam logo? – Ele perguntava para quem quisesse ouvir, com raiva.

– Talvez o senhor devesse mandar uma patrulha lá fora, General. – Sugeri mais uma vez, como quem não quer nada. Edward, ao meu lado, fez uma carranca para mim. Eu fingi que não vi.

– Não agora. O amanhecer está próximo. Se continuar assim na próxima noite, acho que é isso mesmo que terei de fazer. – Ele disse distraído. Fiquei decepcionada, claro. Mas como ele disse que talvez mandasse uma patrulha na noite seguinte, mantive as minhas esperanças.

Quando o sol formou uma linha esverdeada no horizonte, os vampiros tiveram que se recolher. Fui com Edward até o quarto meramente para alimentá-lo, mas tive que voltar ao meu posto em seguida.

Não que os Vampiros Vermelhos fossem atacar durante o dia, mas isso fora uma ordem do General. Não sabíamos que planos eles tinha para a nossa cidade. E se eles resolvessem dar uma de suicidas e atacar com roupas protetoras contra o sol? Com Laurent, nós vimos que eles estavam mesmo dispostos a morrer.

Tínhamos que nos precaver.

E assim foi. Vigiamos o dia inteiro, nos revezando na hora das refeições. Quando finalmente a noite caiu, nós não tínhamos ideia do que nos esperava.

Edward apareceu poucos segundos após o sol desaparecer. Talvez ele estivesse esperando que eu tivesse feito alguma besteira durante o dia, com ele fora, mesmo depois de eu prometer que não o faria. Não que eu fosse mesmo seguir aquela promessa, mas a falta de confiança dele me exasperava.

Bom, talvez eu não fosse mesmo confiável quando se tratava de se meter em problemas, mas enfim...

– Alguma novidade? – Ele quis saber assim que se postou ao meu lado.

– Até agora, nenhuma. – Eu respondi entediada.

Mas bastou que eu dissesse estas palavras para os alarmes voltarem a soar. O General apareceu em poucos segundos, parecendo mais controlado do que na noite anterior.

– Esses desgraçados estão brincando conosco. Andei pensando... Isso é tudo muito estranho... Acho que eles querem que mandemos uma patrulha, para poderem ter uma chance de invadir pelos portões. – Ele comentou preocupado.

Pensei no assunto. Bom, era uma possibilidade.

– O que o senhor vai fazer? – Edward quis saber.

– Vamos esperar. Não podemos nos arriscar assim e estamos seguros dentro dos muros da cidade. – Ele disse com os olhos chispando pela escuridão na base do muro.

Foi nessa hora que ouvimos o estrondo. Gritos ecoaram pela noite ao longe. O General desceu correndo do muro. Edward e eu o seguimos de perto.

Todos no pátio estavam atordoados, mas nada havia ocorrido no forte. Havia acontecido algo longe daqui.

– O que foi isso? – Ele questionou, mas ninguém soube dizer. Em seguida o telefone interno tocou. Era uma linha que ligava todos os fortes da cidade. O General atendeu. – O que está acontecendo?

Aro ficou em silêncio por alguns segundos, apenas ouvindo quem quer que fosse do outro lado da linha.

– Claro. – Respondeu por fim. Então desligou. – Eles atacaram o Forte Dez. Ele é o menor e o mais desprotegido. Eles querem nos vencer atacando o elo mais fraco da corrente. O Capitão está pedindo por reforços.

– Claro, vamos. – Eu disse logo.

– Não, vocês não. – O General falou. Olhei para ele estupefata. – Vocês dois são os melhores do meu exército. Vou deixá-los aqui com alguns soldados para protegeram o forte. Isso também pode ser uma armadilha. Esse é o maior e mais bem equipado forte. Precisamos defendê-lo.

– Isso não é justo! O senhor está me deixando longe da emoção! – Reclamei.

– Não ligue para ela, General. Faremos como mandar. – Edward se apressou a me ignorar. Fiz uma careta para ele.

– Vou preparar as tropas. – O General anunciou, lançando um olhar divertido para mim e saindo em seguida.

– Não seja irritante, Isie. Não vê quanta confiança o General depositou em nós? – Edward perguntou colocando as mãos nos meus ombros. Cruzei os braços, insatisfeita.

– Tanto faz. – Respondi.

Em pouco tempo a tropa, liderada pelo General Aro e pelo Capitão Caius, deixou o forte.

Edward e eu ficamos no comando. Aro deixou Jacob e Renesme, Erik e Jessica, Mike e Alec, Tyler e Lauren, e Angela e Ben sob nosso comando. Basicamente: ele deixou o forte nas mãos dos alunos da Academia.

Colocamos Mike e Alec nos portões que davam para o interior da cidade, para vigiá-los. Os outros, nós dividimos ao longo das torres de vigia.

Nós dois ficamos na torre da sentinela, observando.

Estava muito escuro fora dos muros. Deveria ser umas nove horas agora e não havia lua para iluminar o exterior, embora ainda houvesse luz suficiente para a nossa supervisão. Tudo estava calmo.

Aproximei-me de Edward pelas suas costas e o abracei, meus braços envolvendo o seu peito. Ele colocou suas mãos sobre as minhas com delicadeza.

– Você gosta de ser minha Guardiã, Isie? – Ele perguntou de repente.

– Que pergunta idiota, Edward. Claro que eu gosto. Eu sempre quis ser uma Guardiã. Era meu sonho. – Eu falei calmamente.

– Não foi isso que eu perguntei. O que eu quero saber é se você gosta de ser a minha Guardiã. – Ele explicou. Dei a volta e fiquei de frente para ele. Joguei meus braços em seu pescoço e sorri.

– Bom... Você não é muito ruim não. – Eu falei fazendo uma cara pensativa. Edward pareceu magoado por um instante, mas depois riu.

– Você está brincando comigo! – Ele afirmou. Eu revirei os olhos.

Se nós íamos passar a eternidade juntos, eu teria que trabalhar o senso de humor do Edward. Eu estava desperdiçando todas as minhas piadas e doses de sarcasmo com esse cara.

– Claro que estou, Edward. Chama-se piada. Mas já que você só entende de forma objetiva, então me deixe te dizer uma coisa: você é o Mestre perfeito para mim. Você é bobo, brigão e no fim, me deixa fazer o que eu quiser. – Sorri tentando ser charmosa e Edward fez uma careta divertida.

– Vou entender isso como um elogio. – Ele decidiu por fim. Eu ri apenas. – Mas sabe, eu não deixo você fazer tudo o que quiser no fim, eu apenas...

Mas o que quer que ele fosse dizer foi interrompido quando uma bola alaranjada voou por cima do muro e caiu no pátio com barulho de vidro quebrado. Saímos da guarita para olhar.

Outras tantas bolas foram jogadas depois da primeira. Então eu ouvi Mike gritar.

– É fogo! – O pátio estava em chamas.

Estavam jogando coquetéis Molotov por sobre o muro.

Poucos segundos depois ouvi o barulho de extintores de incêndio sendo acionados lá embaixo, no pátio.

Edward e eu tentamos olhar para fora dos muros, mas muitas garrafas estavam sendo jogadas agora. Pela quantidade, percebemos que havia muitos Vampiros Vermelhos lá embaixo.

– O que vamos fazer? – Perguntei atordoada.

– Precisamos revidar. Vamos ligar o sistema de defesa do forte. – Edward falou.

– Mas o General não deu permissão para isso. – Falei, mas me sentindo muito animada em poder entrar em ação.

– O General nos deixou no comando e é isso que vamos fazer. – Edward disse muito sério. Ele pareceu tão autoritário naquele momento que tive vontade de agarrá-lo ali mesmo, sem me importar com as bombas sendo jogadas por cima de nossas cabeças. Mas graças à minha força de vontade, consegui me controlar.

Descemos o murro correndo até a sala de comando. Havia um painel cheio de botões. Um deles era grande e vermelho, protegido por uma caixinha de vidro. Edward girou uma chave no painel, fazendo a caixinha se abrir e apertou o botão.

Eu sabia o que estava acontecendo lá fora, embora não pudesse ver daqui de baixo. Vários lança-chamas deviam estar agora mesmo cuspindo labaredas aos pés do muro. Qualquer um que estivesse próximo seria reduzido a cinzas.

Voltamos então correndo para cima do muro. Ouvíamos gritos lá embaixo e víamos pessoas correndo com as roupas em chamas. Mas havia outros atrás que não haviam sido atingidos. Estes lançaram ganchos com cordas nas beiradas do muro, tentando subir por elas.

Edward, eu e os outros que estávamos na vigia do muro começamos a cortar as cordas com nossas espadas. Vez por outra ouvíamos um urro de alguém caindo. Mas eram muitas cordas e nós éramos poucos.

Alguns Vampiros Vermelhos conseguiram transpor as aparas, chegando ao nosso posto de vigia.

Lancei-me, então, à luta.

Um vampiro portando um grande machado desfechou um golpe contra Edward, que estava ocupado cortando mais cordas.

Eu corri e empurrei o homem antes que o golpe atingisse Edward. Ele então voltou sua fúria para mim. Ele me atacou com aquele machado pesado e era difícil aparar seus golpes com a minha espada, mas eu tinha a vantagem de ser pequena e rápida.

Foi fácil para mim passar por sua guarda alta e enfiar minha espada em seu peito.

Nesse meio tempo, outros vampiros haviam conseguido descer até o pátio e eu podia ouvir o tinido de espadas. Mike e Alec estavam lutando para não deixar que os vampiros entrassem na cidade.

Pensei em Mike. Ele havia melhorado com a espada, mas ainda era meio inexperiente.

– Edward, precisamos ajudá-los. – Eu falei apressadamente.

– Continuem cortando as cordas e cuidado com os vampiros que passarem. – Edward falou para os outros.

Nós dois descemos novamente.

Havia uns dez vampiros tentando transpor a resistência de Mike e Alec.

– Vou ligar o sistema de defesa novamente, já deve estar recarregado. – Edward falou correndo em direção à sala de comando. Eu me dirigi aos meus dois amigos, que lutavam bravamente contra os invasores.

Já me aproximei com a espada descendo em cima de qualquer um que estivesse pela frente. Um, dois, três... Eu só via as cinzas se acumulando. Não havia tempo para joguinhos e golpes calculados.

Vi Mike atravessar um vampiro com sua espada bem no coração. Fiquei orgulhosa dele, por estar progredindo como Guardião.

Não havia mais vampiros no pátio. Virei-me para Mike.

– Algum deles conseguiu atravessar o portão? – Perguntei, verificando a tranca.

– Não, ninguém. – Ele respondeu muito sério.

– Bom trabalho. – Falei feliz.

Bum.

– O que foi isso? – Alec perguntou de olhos arregalados.

Bum. Bum.

– Eles estão atacando o portão com um aríete. – Jake falou tendo descido as escadas correndo com Renesme em seu encalço.

O barulho que ouvíamos era do ataque ao portão principal.

– Por que vocês não estão lá em cima? – Perguntei.

– Não estão mais lançando cordas. – Jake falou. Vi a desconfiança nos olhos dele. Talvez aquilo fosse uma distração.

Bum.

Corri em direção à sala de comando para ver se tudo estava bem. Lá, encontrei Edward lutando com dois vampiros ao mesmo tempo. Meu coração se apertou e eu corri, espada em punho, para ajudar.

– Isie, o portão! – Edward gritou, me fazendo parar.

Olhei na direção do portão que dava para o mundo exterior. Tyler e Lauren estavam lutando com cinco vampiros, que tentavam chegar até a tranca. Fiquei na dúvida.

Bum.

Resolvi ajudar Edward. Se ele morresse, eu não poderia ajudar mais ninguém, de qualquer forma.

Ataquei sem piedade. Um dos atacantes de Edward virou cinzas bem em cima dele devido à minha espada. Já o outro, Edward mesmo abateu.

– Por que não foi ajudá-los? – Ele perguntou enquanto apertava o botão vermelho mais uma vez.

– Não podia deixar você. – Eu disse simplesmente.

Bum.

– Tudo bem. – Ele disse apenas. Então me puxou para fora da cabine. — Tentei ligar para os outros fortes, mas ninguém atende.

Corremos em direção aos portões. Agora havia uns vinte vampiros ali. Eles deviam ter passado pelo muro antes e se escondido para atacar depois. Erik, Jessica, Angela e Ben estavam ajudando agora.

– Onde estão os outros? – Edward perguntou.

– Protegendo o portão da frente. – Ben gritou.

Nós dois nos lançamos à luta, ajudando-os.

Ouvi um grito doloroso e olhei para trás. Tyler havia sido atingido. Ele estava caído no chão, coberto de sangue. Lauren tentava protegê-lo, mas estava perdendo. Jessica correu para ajudá-la e as duas começaram a fazer progresso.

Continuei lutando, tentando a todo custo manter os vampiros longe de Edward.

Bum.

Eu golpeava sem descanso, matando todos ao meu alcance.

Foi então que aconteceu.

Erik estava um pouco mais à frente e o vi gritar, embora não tivesse sido atingido. Olhei para trás a tempo de ver a espada atravessando o pescoço de Jessica. Tanto ela quando Erik se desintegraram em pó no mesmo instante.

Senti o ar me faltar.

Uma cor vermelha coloriu a minha visão. Erik. Erik, o meu amigo. Erik com seu sotaque fofo. Erik havia... Havia morrido.

Bum.

Dessa vez eu pude sentir a coisa chegando.

Eu não estava ferida nem inconsciente, então minha mente estava preparada quando o formigamento e o ardor tomaram conta do meu corpo. Eu senti, tão nítido quanto podia sentir o vento soprando, a onda de poder que tomou o meu corpo.

Bum.

Edward percebeu meu corpo rígido e se aproximou de mim. Ele se colocou à minha frente e segurou os meus ombros, que tremiam.

– Isie! Isie, você está bem? – Ele perguntou.

Tentei falar, tentei dizer que estava bem, mas não consegui. Eu não tinha controle sobre o meu corpo. Olhando em seus olhos, eu pude ver os meus, totalmente negros, refletidos nele.

Ajoelhei-me diante de meu Mestre.

– Ao seu dispor, Mestre. – Foi o que saiu de minha boca em uma voz mecânica e assustadora.

Bum.

– Mate nossos inimigos. – Edward comandou.

Eu sentia meu corpo se mover, mas não tinha controle sobre nada do que fazia. O poder que sentia era impressionante, mas sensação de não ter controle sobre mim mesma me deixou apavorada.

Minha mão puxou a minha Wakisashi sem o meu comando para juntá-la à minha Katana. Então comecei a atacar.

Bum. Bum. Bum.

Em poucos segundos todos estavam parados em meio a uma névoa de cinzas, que eram os restos dos Vampiros Vermelhos que haviam conseguido transpor o muro do forte.

Senti meu corpo enfraquecer e caí de joelhos, respirando com dificuldade. Ergui as mãos para apoiá-las no chão e meu corpo me obedeceu. Eu estava de volta.

Crack.

Ergui a cabeça.

– Isie, você está bem? – Edward estava ajoelhado à minha frente.

– O que foi isso? – Perguntei enquanto me levantava ajudada por Edward.

– O portão está rachando! – Lauren gritou.

Olhei para ela e vi que segurava Tyler em seus braços. Ele tinha o ombro empapado de sangue.

– Temos que conseguir reforços! – Ben exclamou. Ele correu em direção à cabine de comando para pegar o telefone. Eu fui em direção a Tyler para olhar seu ferimento enquanto Edward gritava para Ben que o telefone não adiantaria, mas ele não escutou.

Meu estômago revirou quando vi o ferimento. Seu braço esquerdo estava quase totalmente solto do corpo. Estava seguro apenas por alguns músculos e tendões. Ele se recuperaria, claro. O braço se ligaria de volta ao lugar, mas sua cura demoraria tempo demais.

– O telefone não está funcionando. – Ben voltou correndo para o nosso lado.

– Vocês vão ter que ir buscar ajuda. – Eu falei na mesma hora

Bum.

Crack.

– Mas o portão está quebrando. – Ben falou atordoado.

– Nós vamos ficar aqui. Você viu o que eu posso fazer, podemos adiá-los até a ajuda chegar. – Eu falei convicta, me levantando e afastando meus olhos da visão repugnante do ferimento de Tyler.

– Ben, leve Tyler embora daqui. Ele não pode lutar desse jeito. Leve Angela, Mike e Alec com você. – Edward mandou.

– Não posso abandonar meu posto. – Ben insistiu. Edward pôs a mão no ombro dele.

– Você é o líder. Você vai buscar ajuda e proteger os outros. Agora se apresse, não temos muito tempo. – Edward falou.

Pude ver a relutância nos olhos de Ben, mas ele obedeceu. Ele pegou Tyler nos braços e começou a correr, com Angela e Lauren em seu encalço.

Bum.

Jake e Renesme se aproximaram de nós.

– Qual é o plano? – Jake quis saber.

– Não temos nenhum. Vamos resistir até o reforço chegar. – Eu falei girando as espadas em mãos e olhando em direção ao portão.

– Ótimo, estou dentro. – Jake falou na hora.

– Edward, vá embora. – Eu disse sem olhá-lo.

– Claro que não. – Ele replicou. Suspirei.

– Matar você é o único jeito de me derrotar, quero que você fique a salvo. – Eu disse olhando fundo em seus olhos.

– E eu já disse que não há a menor chance. – Ele respondeu muito sério. – Vivos ou mortos, Isie, estaremos juntos pela eternidade.

Crack.

Encarei-o e não vi sinal de fraqueza. Por fim, desisti e voltei a mirar o portão. Estaríamos juntos até o fim.

Jake olhou para Renesme. Ela o encarou de volta com as sobrancelhas erguidas.

– A resposta é não. – Ela disse séria.

Jake bufou e veio se posicionar ao meu lado.

Ficamos os quatro em fila, ombro a ombro.

Os sons de rachaduras aumentavam de volume. Ficamos apenas parados, esperando. Esperava que o reforço chegasse antes que os vampiros atingissem a cidade. Talvez não rápido o bastante para nos salvar, mas pelo menos para salvar as pessoas inocentes ali dentro. Incluindo meu pai.

Pensei nele com força, esperando que ele pudesse me ouvir agora.

Eu te amo, meu velho. Disse mentalmente, com todas as minhas forças.

Craaaaack!

Um pedaço do portão desmoronou.

E depois outro pedaço. E mais outro.

Estavam quase dentro agora. A hora da verdade estava próxima.

Continua...

Notas finais
Gente, A Guardiã está dividida em duas partes!! Esta primeira parte, "Nosso destino é a eterninade", só tem mais um cap depois desse e mais um epílogo. Depois começa a segunda parte, "A morte é apenas o princípio". Então se preparem que esses próximos capítulos vão ter muitas emoções!!! ;* Até a próxima!!