A Guardiã
17 Capítulo Dezesseis: Invasão Parte II
Notas iniciais
Ficamos os quatro em fila, ombro a ombro.
Os sons de rachaduras aumentavam de volume. Ficamos apenas parados, esperando. Esperava que o reforço chegasse antes que os vampiros atingissem a cidade. Talvez não rápido o bastante para nos salvar, mas pelo menos para salvar as pessoas inocentes ali dentro. Incluindo meu pai.
Pensei nele com força, esperando que ele pudesse me ouvir agora.
Eu te amo, meu velho. Disse mentalmente, com todas as minhas forças.
Pow.
Um pedaço do portão desmoronou.
E depois outro pedaço. E mais outro.
Estavam quase dentro agora. A hora da verdade estava próxima.
A guardiã: Nosso destino é a eternidade...
Capítulo Dezesseis: Invasão Parte II
Zero no tsukaima – I say Yes – Musica on
I say yes zutto kimi no soba ni iru yo
Donna mirai ga bokura wo tameshitatte kitto
Eu digo sim, ficarei ao seu lado pra sempre
Não importa como o futuro nos teste, certamente...
Boa parte do portão já havia caído. Podia sentir os músculos do meu corpo retesados em expectativa. Apertei a empunhadura de minhas espadas com mais força, esperando. Minha respiração estava rasa e superficial.
Eu estava apavorada.
Mas enfrentar a morte não era o que me dava medo. Eu estava assustada com a possibilidade de Edward se machucar.
Eu queria que ele fosse embora, que se salvasse.
Jacob e eu provavelmente seríamos suficientes para retardá-los até que os outros conseguissem ajuda. Eu, com certeza, não desistiria enquanto conseguisse me manter de pé.
Mas Edward era teimoso demais e, como ele mesmo havia dito: Vivos ou mortos, estaríamos juntos pela eternidade. (Trecho do prólogo).
Ah futari no unmei meguri aeta no ha
Kimi no koe kikoeta kara
Sou pinchi na dekigoto oshiyosete kitemo
Kimi to ireba nori koerareru
Ah, foi o nosso destino, eu pude encontrá-lo
Porque ouvi sua voz
Sim, mesmo nas situações críticas deixe isso comigo
Se estiver com você, eu posso superá-las
Com um barulho de trituração de arrepiar os pelos na nuca, o portão desabou completamente. Os gritos de alegria do outro lado foram quase ensurdecedores.
Trinquei os dentes.
– Estão prontos? – Edward perguntou.
– Claro, já nasci pronto. – Jacob respondeu. Ele olhou para Renesme, que estava muito pálida e apenas acenou que sim com a cabeça. Jake segurou sua mão com força por um momento, consolando-a.
Edward voltou então seu olhar para mim.
– Vamos acabar com eles. – Foi o que eu disse.
Os invasores começaram a correr por cima dos destroços do portão em nossa direção. Eram mais de quarenta na linha de frente e com certeza havia mais vindo logo depois.
– Haja o que houver, não devemos deixar nenhum deles transpor os portões. – Eu falei com firmeza.
– Vamos nessa. – Jake falou quando os atacantes estavam mais perto.
Então partimos para o ataque.
O primeiro a vir para cima de mim foi uma mulher com cara de maluca. Ela manejava uma lança e veio com tudo, certa de que me atingiria. Passei direto pelo lado de sua lança, cravando minha espada no lado de seu pescoço.
Depois dela, outros tantos vieram.
O som de espadas tinindo era pouco. A maior parte do barulho eram gritos. Gritos animados de guerra ou grunhidos de dor. Nós não parávamos para trocar golpes idiotas de espadas. Atingíamos logo nos pontos fracos de cada um, transformando-os em cinzas.
Tokimekito maken kito
Uraharade HARA HARA suru kedo
Palpitações e espírito competitivo
Excitam-me ao contrário, mas...
Eu estava me esforçando ao máximo. Apesar de ter detestado a sensação de falta de controle, rezei para que voltasse a virar um zumbi assassino e pudesse ajudar os meus amigos.
Eu tentava não tirar os olhos deles em momento algum e, principalmente, tentava não sair de perto de Edward. Eu era a única aqui que não precisava me preocupar comigo mesma. Eu podia me dar ao luxo de me preocupar apenas com os outros.
Não deixei, também, de vigiar o portão.
Dois vampiros com expressões sedentas haviam escapado de nossas investidas e se dirigiam ao portão esperançosamente. Ninguém mais prestou atenção nisso, logo, lancei-me em sua direção, me colocando no caminho deles. Os dois rosnaram para mim, as presas à mostra.
Eles queriam me assustar?
Sorri cinicamente, girando minhas espadas no ar.
Os dois avançaram raivosamente para mim, um segurando um machado e o outro, uma espada.
Girei ao redor de mim mesma, escapando de um golpe do machado e aparando uma investida da espada. Empurrei o espadachim para longe, enquanto atravessava peito do outro com minha Katana. Ao virar de lado, aparei mais um golpe de espada e, por fim, atravessei o pescoço de meu atacante com minha Wakisashi.
Stay with me tada kimi wo mamoritai yo
Tooi sekai de umareta futari dakedo
I SAY YES zutto kimi no soba ni iru yo
Donna mirai mo kibou ni kae you
Forever
Fique comigo, eu só quero protegê-lo
Mesmo que tenhamos nascido em mundos distantes
Eu digo sim, Estarei sempre ao seu lado
Não importa o futuro que virá
Ele pode ser transformado com a nossa esperança
Pra sempre
Corri então de volta para perto de Edward. Minha mente estava dividida, mas eu não perdia minha concentração na batalha.
Eu não via o rosto de nenhum de meus novos atacantes, apenas via o vulto dos corpos que se jogavam sobre mim e suas cinzas depois que eu acabava com eles.
Eram muitos vampiros e nós quatro não estávamos dando conta.
Depois dos quarenta primeiros, outros tantos vieram sem que eu pudesse contá-los.
Eu acumulava cortes nos meus braços e rosto, mas eles não me incomodavam. Eu começava a ficar cansada.
Por que aquela droga de Death Knight não se ativava agora? Será que tinha um botão de On e Off? Se tivesse, alguém ia ter que me dizer onde é.
Ah tatoeba kono koi mahou datto shitemo
Eien ni kokenai hazu
Sou modore yashinai yo haru kana ano hi ni
Kimi to deau mae no jibun ni
Ah, se este amor é mágica
Ele certamente durará eternamente
Sim, não volte para aqueles dias distantes
Antes de eu ter te encontrado
Meu corpo reclamava. Já fazia o quê? Meia hora? Uma hora que estávamos lutando dando o máximo de nós? Eu havia perdido a noção de tempo. Eu era resistente, sim, mas também precisava recuperar minhas forças.
Vigiava meus amigos pelos cantos dos olhos. Via o cabelo acobreado de Edward logo ao meu lado, se movendo mais rápido do que o olho humano poderia acompanhar.
Nessa hora senti um empurrão nas minhas costas e me virei pronta para atacar, mas percebi que era apenas o Jake. Ele estava de costas para mim, lutando com dois vampiros ao mesmo tempo, uma mulher desgrenhada e um homem enorme.
Hitamukide namaikide
Tokidoki wa dokidoki suru kedo
Sincero e Insolente
Mas às vezes isso faz meu coração bater
O que eu não percebi de imediato é que Jake estava perdendo. Ele estava exausto e começando a perder a concentração.
Logo, o que eu fiz a seguir não foi um ato pensado. Foi puro instinto de proteção. Eu apenas vi a espada indo em direção ao peito de Jake. Agarrei-o pelos ombros e o puxei para as minhas costas.
– Mas o que... – Jake perguntou enquanto eu o empurrava para trás, sem entender. – Isie!
Ele gritou tarde demais.
A espada destinada a ele se cravou em meu ombro direito até a bainha.
A dor foi insuportável. A vampira que havia me atingido puxou a espada de volta, mas virou cinzas na mesma hora. Logo atrás dela estava Renesme com sua espada levantada. Ela havia abatido a infeliz.
Olhei para o ferimento em meu ombro e apertei minha pele para parar o sangramento. Minhas roupas estavam empapadas de sangue.
Mas então, sem aviso, uma luz negra emanou do ferimento e ele sumiu. E junto com ele se foi o meu controle. Mais uma vez eu senti a criatura tomar conta do meu corpo.
Eu começava a chamar aquilo de criatura, por que não era eu que estava no comando. Era uma entidade muito mais forte, centenária. Apesar de medo, me senti também grata. Assim seria mais fácil de proteger os meus amigos. Aquele poder tomou conta de mim de forma plena. Senti-me invencível. Edward, vendo o que estava acontecendo, não esperou que eu me ajoelhasse e dissesse as palavras de praxe.
– Acabe com eles, Isie! — Ele gritou. E foi o que fiz.
Eu parti pelo campo de batalha como um raio. Quero dizer, eu não. O meu corpo. Os vampiros caíam sob a minha espada em número cada vez maior.
Jake, Renesme e Edward continuaram a lutar.
E foi nessa hora que ouvimos os nossos reforços chegando.
Stay with me mou hitori ni hashinaiyo
kiseki mitai ni deaeta bokura dakara
I say yes zutto kimi wo sosaetai yo
toki ga subete no keshiki wo kaetemo
Forever
Fique comigo, não te deixarei mais sozinho
Porque nosso encontro foi como um milagre
Eu digo sim, vou sempre auxiliá-lo
Mesmo que o tempo mude todo o cenário
Pra sempre
– Ataquem! – O General gritou, tendo chegado à frente de todos.
O exército passou correndo por nós, se lançando sobre os invasores. Continuamos na luta. Agora havia bem menos Vampiros Vermelhos e as tropas estavam em maior número.
Parte dos atacantes começava a bater retirada.
Quando a batalha se acalmou, senti meu corpo relaxar e cai sentada no chão, sem forças. Eu me sentia exausta, trêmula. Edward correu até mim. Ele largou a espada ao meu lado e se ajoelhou, afastando os cabelos do meu rosto.
– Isie? – Ele chamou.
– Estou bem. – Falei fracamente.
– Vem. Vem comigo. – Ele falou tentando passar o braço sob os meus para me levantar. Esquivei-me.
– Pegue sua espada. Não pode abaixar a guarda agora. – Eu falei me apoiando no chão para me levantar sozinha. Edward fez o que eu disse e me ajudou com apenas uma mão, segurando na outra a espada e olhando em volta.
Ben e Angela apareceram do nada correndo em nossa direção, bem na hora em que eu me levantei.
– Vocês estão vivos! – Ben gritou em um misto de surpresa e satisfação.
– Estamos. – Edward riu.
– Ainda bem que chegamos a tempo. – Angela tremia de alívio ao meu lado.
– Como o Tyler está? – Eu perguntei me apoiando nos ombros de Edward. Ele agarrou minha cintura, me segurando de pé.
– Está bem. Deixamos Lauren com ele no hospital, mas não tinha muito que pudessem fazer por um Guardião. Colocaram o braço dele numa tipoia bem apertada e deram alguns analgésicos, mas estava se curando bem rápido. – Ben explicou.
– Que bom. – Eu falei.
– O que houve aqui? – O General perguntou se aproximando de nós.
– Eles derrubaram o portão para invadir o forte. Mandamos os outros embora para pedirem ajuda e tentamos adiá-los o máximo possível. – Edward contou.
– Apenas vocês quatro? – Ele perguntou chocado. Edward deu de ombros. – Bom... Vocês foram muito bem. Aquele ataque de hoje cedo foi uma armadilha. Eles concentraram uma pequena parte de suas forças no menor forte, fazendo parecer que a situação era pior do que realmente era. Então nos atacaram com tudo.
– Foi um plano inteligente. – Eu comentei irritada.
– Inteligente demais. – Aro comentou pensativo, se afastando de nós.
Olhei significativamente para Edward e ele concordou com a cabeça.
Quem quer que fosse o tal Tirano, ele estava indo muito bem. Quase tomara a maior cidade humana existente neste continente em uma única noite.
Tínhamos que nos preparar para uma guerra ainda maior. E eu tinha a impressão de que isso não demoraria muito.
O amanhecer não demorou a chegar e os vampiros tiveram que se recolher. Os Guardiões, junto com alguns humanos do exército e mais alguns voluntários, passaram o dia reconstruindo os portões do forte.
Mesmo exausta, eu tive que ajudar. Precisávamos de toda a mão de obra disponível para terminar isso antes do anoitecer. Não seria fácil, e o portão que construiríamos seria apenas temporário, mas ia servir, agora que o forte tinha todo o contingente de soldados para protegê-lo. E mais, os Vampiros Vermelhos haviam perdido a vantagem da surpresa.
Estávamos preparados para eles, caso quisessem voltar. E duvido que eles façam isso tão cedo.
Mais para o meio da tarde, o Capitão me dispensou. Eu estava quase caindo de tão cansada. Eu queria poder dormir, mas acho que só me deitar um pouco já me ajudaria a melhorar a dor nos meus músculos.
Edward estava dormindo como um bebê quando eu cheguei. Senti muita inveja dele naquele momento, mas me contentei em me deitar ao seu lado e aconchegar o meu corpo ao seu.
Ele parecia estar esperando por mim, por que ao sentir o calor do meu corpo, Edward se virou e me abraçou. Suspirei e relaxei em seus braços, pensando.
Estava tudo uma bagunça neste momento, mas nós havíamos vencido. Nós havíamos lutado sozinhos contra um exército inteiro e sobrevivido para contar a história. Senti-me eufórica, sabe como é né? Se não sentisse isso não seria eu.
Não sei quanto tempo se passou, mas foi o suficiente para eu recuperar boa parte de minhas forças. Edward foi acordando aos poucos, me apertando mais em seus braços.
Ele apertou o rosto em meus cabelos, suspirando.
– Não faz isso, Edward. – Eu disse, tentando me afastar.
– Por quê? – Ele perguntou soando confuso.
– Eu ainda estou toda suja de sangue seco. Até o meu cabelo. – Respondi. Eu devia ter tomado um banho antes de me deitar, mas estava tão cansada que havia me esquecido disso.
– Eu não me importo. – Edward falou, me virando de barriga para cima e se apoiando no cotovelo para me olhar melhor. Ele acariciou o meu rosto com seus dedos calejados de manejar a espada.
– Mas eu me importo. Não gosto que você me veja imunda desse jeito. – Eu disse fazendo uma careta.
– Como se eu nunca tivesse visto você assim. – Ele riu. – Além do mais. Você fica linda do mesmo jeito.
Corei, sem graça. Enfrentaria outro exército sem nem piscar, mas um elogio? Ah, um elogio me fazia tremer nas bases, principalmente vindo de Edward.
– Vou preparar um banho para mim, tudo bem? — Perguntei, me afastando delicadamente.
– Tudo bem. – Ele suspirou e se jogou de costas na cama.
Fui até o banheiro e liguei a água morna para encher a banheira. Joguei um sabão cheiroso na água e comecei a tirar a roupa para entrar. Olhei-me no espelho por um segundo. Eu parecia muito pálida debaixo de todas aquelas cinzas e manchas de sangue.
Fui então em direção à banheira, mas quando me preparava para entrar na água, senti os dedos de Edward deslizar por minhas costas.
– Se importa se eu me juntar a você? – Ele perguntou em voz baixa, pertinho do meu ouvido. Estremeci, suspirando em seguida e acenei que não com a cabeça.
Então nós dois entramos na água.
Edward sentou-se às minhas costas, me puxando para encostar-me ao seu peito. Ele puxou meus cabelos para trás com uma mão enquanto a outra acariciava minha clavícula.
Minha respiração automaticamente se acelerou. Acomodei-me em seu peito e virei a cabeça de lado para permitir que ele me beijasse. Foi um beijo calmo, meio que aliviado por estarmos vivos ainda.
Senti a esponja passando por meu braço.
– Eu vou dar banho em você. Tudo bem? – Edward sussurrou para mim. Seus olhos azuis brilhavam como duas safiras perfeitamente lapidadas. Era como olhar para o fundo do oceano e poder respirar debaixo d’água.
Acenei que sim com a cabeça. Estava difícil para eu falar nesse momento.
Edward me empurrou levemente para frente e eu me inclinei, enquanto ele passava a esponja lentamente por minhas costas. Ele jogava água devagar e a sensação era deliciosa. Ele usou os dedos para pentear o meu cabelo, soltando as partes onde ele estava grudado pelo sangue. Sua mão então deslizou pelo meu ombro e Edward se inclinou, beijando-o.
Levei minha mão aos seus cabelos, acariciando-os. Edward passou o braço por minha cintura, subindo seus beijos pelo meu pescoço. Ele em seguida subiu ainda mais, parando em minha orelha para dar uma mordida de leve, enquanto sua mão acariciava um de meus seios.
Suspirei novamente. Minha mente estava totalmente embaralhada e o calor emanava em ondas, subindo pelo meu pescoço. Eu começava a ficar corada e inebriada de desejo.
Vire-me e sentei no colo de Edward, uma perna de cala lado de seu corpo. Afastei seus cabelos do rosto enquanto admirava seus lábios rosados. Aproximei-me devagar. Edward infiltrou seus dedos em meus cabelos, ansioso, me puxando para perto. Parei a centímetros dele e mordisquei seu lábio inferior.
Edward gemeu, puxando meu rosto com violência em direção ao seu. Sorri em meio ao beijo. Não havia nada melhor do que provocá-lo. Deixei que sua língua explorasse a minha boca e se enroscasse com a minha. Ele me segurou com firmeza pela cintura, colando nossos corpos.
Pude sentir toda a potência de sua ereção entre minhas pernas e isso me desconcentrou. Eu só conseguia pensar em tê-lo dentro de mim nesse momento. Movi meus quadris, deixando que Edward deslizasse por minha entrada. Afastei meus lábios dos seus, respirando com dificuldade. Seus lábios estavam colados em meu queixo e eu podia sentir sua respiração tão descompassada quanto a minha.
Levei minhas mãos aos seus ombros fortes, começando a me movimentar devagar, sem descolar nossos rostos. Edward apertou minha cintura, se impulsionando cada vez mais fundo em meu interior.
O ritmo era devagar, vigoroso e extremamente sensual. As mãos de Edward passeavam pelo meu corpo, parando nos lugares certos, nas horas certas. Levei uma de minhas mãos aos seus cabelos, apertando-os, enquanto deixava a outra permanecer em seu ombro.
Gemidos sôfregos me escapavam dos lábios, bem como arfadas em busca de ar. Nossos corpos estavam quentes e embaçavam todas as superfícies espelhadas do banheiro.
– Não... Está com fome? – Perguntei ofegante.
Edward meramente suspirou e levou seus lábios ao meu pescoço, enquanto eu inclinava a cabeça para o lado. Lambeu longamente a minha pele arrepiada antes de cravar suas presas ali. Um gemido gutural escapou de meus lábios. O prazer que eu já sentia pareceu se multiplicar infinitamente ao sentir meu sangue fluir para dentro de Edward. Estávamos conectados de todas as formas possíveis.
Depois disso, não demorou para que chegássemos ao nosso ápice juntos, relaxando um nos braços do outro.
Edward afastou o rosto de meu pescoço, lambendo os lábios rubros, e me segurou apertado contra seu peito. Eu cravei meu rosto em seu pescoço, me deliciando por estar em seus braços fortes.
Era o único lugar no mundo em que eu me sentia frágil, ao mesmo tempo em que sabia que estava segura, mesmo que eu realmente não precisasse de proteção. Era bom ser uma donzela delicada pelo menos aqui.
Quando a noite caiu, o Rei e Alice foram trazidos de volta.
Edward e eu, bem como Jacob e Renesme, já estávamos bem dispostos e trocados de roupa, esperando-os no pátio.
Eles observaram, chocados, os estragos que foram deixados para trás pelos invasores.
– Vocês quatro sozinhos lutaram contra todo um exército de vampiros? – Alice perguntou incrédula enquanto estávamos parados no pátio.
– Quando você fala assim, faz parecer que somos anormais. – Renesme resmungou.
– Vocês são heróis. Protegeram a cidade como ninguém mais faria. – O Rei elogiou.
Corei, sem graça.
– Essa coisa de heróis parece meio exagerada, Emmet. Fizemos o que tínhamos que fazer. – Edward comentou constrangido.
– Bom, eu digo que são heróis, e garanto que muitas pessoas concordariam comigo. – Alice sorriu. Em seguida olhou para mim com atenção e uma intensidade que me deixou ainda mais desconfortável. – Como se sente, Isie?
– Bem. – Respondi. Então, incomodada, perguntei: — Por que a pergunta?
– Precisamos conversar. Agora. – Ela anunciou para todos no círculo.
Entramos pelo forte em direção ao quarto do Rei. Lá, trancamos a porta e esperamos.
– Preciso verificar uma coisa. – Foi o que ela disse.
Então Alice veio até mim, colocou uma mão no meu ombro e a outra em minha barriga. Então fechou os olhos e ficou em silêncio. Olhei para os outros, as sobrancelhas erguidas.
Agora sim Alice tinha ficado maluca!
Mas então ela se afastou de repente, como se tivesse levado um choque. Do nada, o corpo pequeno daquela garota se enrijeceu e sua voz saiu de uma forma assustadora. Grossa, impessoal.
Um tributo de sangue será reclamado,
Para que um fim na batalha seja dado.
Pelas mãos de sua família tirada,
A vida do inocente estará findada.
O poder do amor será testado,
A dor da perda findará o legado.
E aquele há muito Perdido,
Finalmente encontrará o fim merecido.
Olhei para Alice, chocada. Ela cambaleou para trás, abrindo os olhos devagar. Jasper veio se postar ao seu lado, segurando-a.
– O que aconteceu? – Ela perguntou meio confusa.
Todos nos entreolhamos e, em seguida, olhamos para ela.
– Você acabou de fazer uma profecia, Alice. – Jasper falou com a voz abafada.
Ela arregalou os olhos.
– E o que eu disse? – Ela quis saber.
Jasper repetiu as palavras para ela e eu senti um frio subir por minha espinha. Nada de bom poderia vir de uma profecia que falava em sacrifício de sangue e vida findada.
Depois de ouvir os versos, Alice olhou para mim, assustada.
– Vocês têm que sair daqui. – Ela disse, se empertigando e se livrando dos braços de Jasper. – Agora!
– Por que Alice? – Edward perguntou preocupado.
– Eu toquei na Bella para saber se ela estava grávida, Edward. E ela está. Eu pude sentir a energia de um ser em crescimento dentro dela. – Alice afirmou. Ela não parecia feliz por ter acabado de fazer uma profecia. – Essa criança está correndo perigo. Você ouviu aquela droga de profecia. Alguém vai tentar tirar a vida de um inocente.
– Espera aí! Eu não estou grávida, Alice. Isso não é possível! – Eu neguei. Nunca havia me imaginado sendo mãe de alguém. Não conseguira cuidar nem de um porquinho-da-índia que meu pai me dera dois anos atrás!
– Não, não é. O Edward está aqui para provar isso e o futuro desta criança está ligado com o fim desta guerra, bem como o de vocês dois. Vocês têm que se esconder agora. – Alice falou apressada.
– Mas Alice... Isso... Isso é loucura. Vamos pensar com calma. – Emmet começou.
Eu concordava com ele. Estava tudo acontecendo rápido demais.
– Se o General souber que uma criança assim está sendo gerada, quem sabe o que ele poderia fazer? – Alice perguntou.
– Mas o General não é mal. – Eu falei convicta. Tá bom que ele não era lá a pessoa mais simpática do mundo, mas eu havia aprendido a respeitá-lo ao longo do tempo.
– Será que “Pelas mãos de sua família tirada” significa algo para vocês? – Alice perguntou exasperada.
– Eu... Eu acho que Alice está certa. Se tem uma coisa da qual o meu pai tem medo, é do desconhecido. – Renesme se pronunciou.
– Mas para onde iríamos, Alice? – Edward perguntou preocupado.
– Mas eu não estou grávida! – Exasperei-me. Que povo mais maluco!
– Fique quietinha, Isie! – Jacob pediu. Até ele estava contra mim?
Lancei-lhe um olhar fulminante.
– Vocês estarão em perigo enquanto estiverem dentro dos muros da cidade, Edward. – Alice disse, lançando-lhe um olhar significativo. Tanto Edward quanto Renesme e Emmet pareceram entender. O resto ficou boiando, incluindo eu.
– Claro, partiremos agora mesmo. – Edward afirmou.
– Espere. Vamos sair da cidade? — Eu perguntei chocada.
– Sim. Há um lugar para onde podemos ir em segurança. – Edward afirmou.
– Eu não vou sair sem antes me despedir do meu pai. – Afirmei categoricamente.
– Mas Isie... – Alice começou.
– Alice, minha barriga não está grande... Isso se eu estiver grávida mesmo... Ninguém vai saber. Não precisamos sair correndo. – Eu falei tentando ser racional. Alice e Edward suspiraram ao mesmo tempo.
– Você pode ir se despedir do seu pai. Mas depois, partirão imediatamente. – Emmet comandou.
– Obrigada. – Falei sorrindo contente para ele.
Não me importava para onde eu fosse depois, contanto que meu velho estivesse bem. Edward fez questão de me acompanhar. Pegamos um carro do forte e saímos pela cidade quando já passava da meia-noite. Edward dirigia bem rápido pelas ruas muito conhecidas suas.
– Como isso foi acontecer? – Ele perguntou distraído.
– Eu não estou grávida, Edward. – Afirmei mais uma vez.
– Não seja teimosa, Isie. Alice sentiu a vida crescendo em você. – Ele disse cansado.
– Mas eu não posso ter um filho. Eu não vou conseguir! – Falei assustada com a possibilidade de ter outra vida que dependia da minha.
Eu era maluca e sabia disso. O que eu ia fazer com um ser que dependia de mim para continuar viva?
– Claro que vai conseguir, você pode fazer qualquer coisa. – Edward falou sorrindo ternamente para mim. – E eu vou ser pai!
Ok, eu não tinha pensado nisso.
Edward era o pai do meu filho! Você é um gênio, Isie! Um gênio mesmo! Pensei com ironia.
– Espero que se pareça mais com você. – Eu falei esperançosa.
– Eu também. Se for louco como você, vamos ter muito trabalho. – Edward afirmou. Em vez de ficar ofendida, concordei internamente. Era a mais pura verdade.
– É ali. – Falei, vendo a minha casa quando viramos a esquina. Estava totalmente escura. Charlie deveria estar dormindo.
Edward parou o carro na calçada e descemos. Ele se postou ao meu lado, segurando a minha mão. Seguimos pelo passeio até a porta de casa.
Olhar para ela fez meu coração ficar apertado. Era tão familiar e ao mesmo tempo tão desconhecida. Parecia fazer anos que eu saíra dali, quando na verdade fazia apenas uns poucos meses.
Bati na porta com delicadeza. Charlie tinha um sono leve. Ele acordaria logo.
Bati mais uma vez e uma luz se acendeu no andar de cima. Então ouvimos passos descendo as escadas e vindo pelo corredor.
– Quem é? – Charlie perguntou com a voz soando desconfiada.
Claro que ele estava desconfiado. Que tipo de pessoa bate na porta dos outros à uma da madrugada?
– Isabella. – Respondi calmamente.
Ouvi Charlie correr em direção à porta e, um segundo depois, ele estava parado à minha frente, com rugas de preocupação muito fundas em seu rosto redondo.
– Isie! – Ele exclamou me puxando para um abraço apertado.
– Pai! – Eu resmunguei, correspondendo ao abraço. Senti as lágrimas aflorarem aos meus olhos, mas resisti a deixá-las caírem.
– Estive tão preocupado, Isabella. Com todos esses ataques, os alunos da Academia sendo postos no exército sem treinamento adequado. E aquela loucura noite passada! Tive tanto medo! – Charlie derramou tudo em cima de mim, se afastando para olhar o meu rosto.
– Eu estou bem pai, eu sou forte, lembra? – Eu falei sorrindo de lado.
– É sim. – Ele sorriu feliz. Em seguida olhou por cima de minha cabeça. – Hum...
Olhei para trás. Eu havia esquecido completamente de Edward, parado ali, desconfortável.
– Pai, esse é o Edward Cullen, meu Mestre. – Falei evitando dar muitos detalhes.
Eu tinha plena certeza de que Charlie nem se quer desconfiava sobre o que acontecia entre as quatro paredes do quarto de um vampiro e seu Guardião. Talvez ele nem soubesse que ficávamos no mesmo quarto. Eu é que não ia explicar isso pra ele.
– Cullen? Você é filho de... – Charlie começou arregalando os olhos.
– Sou sim. – Edward afirmou dando alguns passos à frente.
Charlie avançou e puxou Edward para um abraço. Edward ficou ali parado, exasperado, sem saber o que fazer. Eu ri baixinho. Charlie era assim mesmo.
– Muito obrigado. – Charlie falou emocionado.
– Claro, claro. – Foi o que Edward disse, dando tapinhas constrangidas nas costas de Charlie.
Charlie então o soltou e nos guiou até a sala.
– Pensei que não fosse vê-la por pelo menos seis meses, filha. – Ele falou parecendo aliviado que eu tivesse aparecido antes.
– As coisas mudaram no mundo vampiro pai. – Eu falei. Então respirei fundo e evitei o seu olhar. – Estamos saindo em uma missão. De novo.
– Missão? De novo? – Charlie perguntou desconfiado.
– Sim, no mundo exterior. – Expliquei.
– Isabella Swan! Você esteve em uma missão no mundo exterior? – Ele perguntou exasperado.
– Sim. E deu tudo certo. Estamos vivos né? – Eu falei na defensiva.
– E você vai ter que ir novamente? – Ele quis saber.
– Sim. – Respondi.
– Mas por quê? Por que você? – Charlie exigiu.
– Aparentemente sua filha é uma das melhores guerreiras do nosso exército, Sr. Swan. – Edward explicou.
– É verdade, Isie? – Charlie perguntou impressionado. Olhei para ele devagar.
– Parece que sim pai. – Eu dei de ombros.
– Bom... Bom, nesse caso, eu preferia que você não fosse tão boa. – Charlie falou fazendo uma careta. Eu ri.
– Eu sei pai. – Eu falei. Então o sorriso sumiu do meu rosto. – Eu vim me despedir. Não sei quanto tempo vamos ficar fora.
– Isso é um adeus? – Charlie perguntou com lágrimas nos olhos.
– É um até logo. – Afirmei com segurança. Charlie apertou os lábios.
– Vou sentir sua falta, garota. – Ele falou vindo me abraçar.
– E eu a sua, pai. – Falei, finalmente deixando uma lágrima escapar pela minha bochecha.
– Cuide-se. – Ele pediu.
– Eu digo o mesmo. A cidade não é mais tão segura quanto antes. – Eu falei muito séria.
– Claro. – Ele concordou.
– Sr. Swan, o senhor não precisa se preocupar com a Isie. Ela já salvou a minha vida mais do que eu poderia contar. Ela estará segura. – Edward afirmou.
– Quero que cuidem um do outro. – Charlie mandou.
– Pode deixar. – Eu afirmei.
– Nos vemos em breve, senhor. – Edward prometeu.
Então deixamos a casa onde eu cresci. Olhei para trás uma vez, deixando mais lágrimas vazarem de meus olhos.
Eu não havia contado a Charlie sobre o bebê. Eu sabia que ele correria perigo caso soubesse de algo. Eu não sabia no que eu estava me metendo agora e tinha certeza de que, fosse o que fosse, ele estaria melhor sabendo o mínimo possível.
– Vai ficar tudo bem, Isie. – Edward falou me abraçando pelas costas. – Emmet vai cuidar dele.
– Espero que sim. – Eu disse, enxugando o rosto com as costas das mãos.
Voltamos então ao carro e Edward dirigiu de volta até o forte.
Eu não sabia para onde estávamos indo, mas se Edward estava comigo, eu tinha certeza de que não precisava me preocupar com nada.
Tudo se arranjaria no final.
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