A Guardiã
23 Capítulo Quatro: Roubado
– Temos que voltar para a cidade. Agora já estamos comprometidos. Emmet pode proteger Caleb. – Edward falou.
– E se ele não puder? – Eu quis saber, nervosa.
– Nós não temos outra escolha. – Edward sentenciou.
Senti como se o chão desabasse sob os meus pés.
Quando eu começava a me sentir segura, tudo começava a ruir novamente. Se fossem apenas nós, eu não teria medo. Sairia de braços abertos e espadas nas mãos. Mas com Caleb aqui... Se havia uma coisa no mundo pela qual eu estava disposta a fazer de tudo para proteger, era ele.
A guardiã: A morte é apenas o princípio...
Capítulo Quatro: Roubado
Outro estrondo soou sobre nossas cabeças, soltando poeira do teto acima de nós.
– Nós podemos usar o carro e fugir pela saída. Eles estão longe, podemos ter uma chance de escapar. – Jake falou.
– É muito perigoso. – Eu disse.
– Ficar aqui é ainda mais perigoso. – Edward replicou.
Olhei para os meus companheiros e percebi que eles estavam com tanto medo quanto eu. Por fim, concordei.
– Mas você leva o Caleb, Renesme. – Eu disse determinada.
– Por quê? – Ela perguntou.
– Se alguém tiver que lutar, vai ser eu. – Eu disse.
– Não vai não. – Edward reclamou.
– Eu sou a única de nós que não pode ser morrer, Edward, e se alguém vai arriscar a vida aqui sou eu. – Eu disse, olhando para ele em desafio. Edward bufou desgostoso, mas ele sabia que eu tinha razão.
Em poucos minutos arrumamos nossas coisas para partir, com o teto sacudindo acima de nós. Colocamos tudo no carro e eu sentei no banco do passageiro ao lado de Jake, que estava ao volante. Olhei para ele e acenei com a cabeça. Acionamos então o botão e abrimos a porta que dava para o exterior.
Jake acelerou ao máximo pela saída. Percebemos que as explosões imediatamente pararam. Vimos as sombras se moverem na escuridão, mas estavam longe demais para nos alcançar.
O carro ia a toda pela estrada de terra que levava até abaixo da colina, rumo à estrada principal novamente. Quando chegamos ao entroncamento que levava à rodovia, no entanto, fileiras de Vampiros Vermelhos nos esperavam.
Com um giro do volante, Jake tentou mudar de direção, mas como a estrada de terra estava bastante esburacada, ele perdeu o controle do carro, que capotou.
Eu estava sem cinto, preparada para lutar com as espadas na mão. Por isso fui arremessada pelo para-brisa. No impacto contra o chão, pude ouvir vários dos meus ossos quebrarem e senti uma dor excruciante no peito, me tirando o ar. Então perdi a consciência.
POV Edward
O carro havia capotado, mas graças ao cinto de segurança, estávamos bem. Renesme havia agarrado Caleb com todas as forças, protegendo-o do impacto. Isie, no entanto, havia sido jogada para fora do carro. Só de pensar no que havia acontecido com ela eu sentia a minha garganta apertar.
Soltei-me do cinto de segurança e fui até Renesme. Jacob já havia se livrado do cinto dele. Eu segurei Caleb enquanto ele a ajudava. Eu podia ouvir o movimento de pessoas ao longe, aproximando-se de nós.
– O que vamos fazer? – Jacob perguntou.
– Temos que sair daqui. – Eu disse.
Renesme voltou a segurar Caleb e Jacob e eu a ajudamos a sair do carro. Olhei ao redor, tentando ver onde Isie havia ido parar.
– Temos que procurar a Isie. – Eu disse.
– Não podemos ficar aqui com Caleb. – Renesme falou.
– Eu vou procurá-la. – Falei.
– Se nos separarmos ficaremos mais fracos, Edward. – Jacob argumentou.
– Mas eu não posso deixá-la. – Insisti.
– Ela pode se cuidar. Você sabe que pode. – Renesme falou.
Eu não podia acreditar que estava se quer cogitando deixar a Isie para trás. Caleb havia nascido há apenas um dia e já havia mudado tudo em nossas vidas. Ele era mais importante agora, e Isie seria a primeira a concordar. Trinquei os dentes.
– Vamos. – Falei, com um aperto no coração. Começamos a correr por entre as arvores ao nosso redor, tentando chegar à rodovia por uma rota diferente, bem longe de onde o grupo nos esperava. Já estávamos com as armas nas mãos, prontos para lutar se fosse preciso.
Ouvimos gritos ao longe ao sairmos para a pista principal. Ao olhar na direção dos sons, vimos um risco vermelho movendo-se entre as linhas inimigas, deixando apenas cinzas para trás.
– Isie! – Exclamei, aliviado.
Eram muitos vampiros para ela enfrentar sozinha, mesmo sendo uma Death Knight. Não pude me controlar e comecei a correr em sua direção.
– Edward! – Jacob chamou.
Parei por alguns segundos, sem saber o que fazer. Eu sabia que Caleb tinha que ser a nossa prioridade agora, mas o que iríamos fazer? Não tínhamos para onde ir. A estrada que dava para a cidade estava bloqueada e Isie lutava sozinha para nos salvar.
Não pude tomar uma decisão, afinal. Fomos cercados naquele exato momento, sem que soubéssemos de onde aquelas criaturas haviam vindo. Corri para junto de Jacob e Renesme. Tinha que manter Caleb a salvo.
Os vampiros então atacaram. Eles vinham de todos os lados e éramos apenas Jacob e eu lutando. Renesme tinha uma espada na mão, mas tinha que segurar Caleb com o outro braço, por isso tão tinha como lutar direito.
Coloquei toda a minha força e vontade naqueles golpes. Eu não sabia o que aqueles monstros queriam, mas eu não pretendia deixar que eles conseguissem. Eu girava, bloqueava, atacava e deixava o chão coberto de cinzas, mas quantos mais eu derrubava, mais apareciam para lutar conosco.
Não sei por quanto tempo lutamos, mas eu estava exausto. Um dos Vampiros Vermelhos que nos atacavam aproveitou-se do meu cansaço e acertou um golpe em meu ombro. Tudo ficou borrado ao meu redor, devido à dor agonizante que me atingiu, mas não parei de lutar. Eu não podia desistir.
Não sei o que aconteceu, então. Apenas ouvi gritos e do nada os Vampiros Vermelhos começaram a debandar. Em poucos segundos, todos eles haviam sumido.
Caí de joelhos, exausto e cheio de dor. Olhei ao redor, temeroso, e vi Isie a alguns metros de nós, caída no chão. Levantei-me rapidamente e fui até ela. Abaixei-me e acariciei seu rosto.
– Isie... Isie, você está bem? – Chamei, nervoso. Ela abriu os olhos devagar, confusa.
– O que aconteceu? – Ela quis saber.
– Você foi arremessada do carro, então seus poderes despertaram. Nós tivemos que lutar, mas todos eles foram embora de repente. – Eu falei.
– E Caleb? Onde está Caleb? – Ela perguntou, sentando-se bruscamente.
– Sinto muito, Isie. – Renesme e Jacob haviam se aproximado de nós sem serem percebidos. Jake amparava Renesme, que tinha um corte fundo na barriga. Ele próprio tinha uma perna do jeans rasgada e ensopada de sangue.
– O que houve? Onde está o meu filho? – Isie perguntou, o pânico transparecendo em sua voz.
– Eles o levaram. – Jacob falou. – Depois que conseguiram pegar o menino, eles simplesmente foram embora.
POV Isie
Eu não podia acreditar no que estava ouvindo. Minha cabeça estava girando e eu tinha a impressão de que poderia vomitar a qualquer segundo.
– Eles o levaram? Os Vampiros Vermelhos levaram o meu bebê? – Perguntei, sem acreditar.
– Sinto muito, não tive como impedir. – Renesme falou, parecendo querer morrer ali mesmo.
– Para onde eles foram? Por que levaram Caleb? – Eu quis saber, levantando-me do chão e olhando à nossa volta.
– Não sei. Eles simplesmente se dispersaram por todos os lados depois que pegaram o menino. – Jacob falou.
Eu girei em volta de mim mesma, sem saber o que fazer. Nem se quer sabíamos para que lado eles haviam ido com Caleb.
– Temos que fazer alguma coisa, Edward. – Eu disse, com os olhos ardendo.
Edward nada disse. Ele estava muito silencioso, os olhos correndo de um lado a outro da estrada com extrema velocidade.
– Isso foi uma emboscada. Eles sabiam que estávamos escondidos e sabiam que Caleb estava conosco. Fizeram-nos sair do esconderijo com aqueles explosivos e nos esperaram aqui, para pegar o menino. – Edward falou com a testa franzida.
Tentei processar o que ele estava dizendo. Por que alguém teria todo aquele trabalho para pegar aquele menino? Era apenas um bebê, com um dia de nascido. Por que fariam algo assim?
– Temos que ir atrás deles. – Eu falei, meio descontrolada. Comecei a andar na direção contrária a da cidade, mas Edward segurou o meu braço.
– Precisamos voltar e pedir a ajuda de Emmet, Isie. – Ele disse.
– Mas eles poderiam ganhar milhares de quilômetros de dianteira se formos embora agora. – Falei, tentando me livrar do seu aperto com força. Por que ele não entendia? Eu tinha que buscar o meu filho agora!
– Não há nada que possamos fazer agora, Isie. – Edward falou.
– Claro que há. Podemos ir atrás deles, podemos lutar. – Eu insisti. Percebi então que meu rosto estava molhado. Quando eu havia começado a chorar?
– Não, não podemos. – Edward falou. Sua voz estava carregada de dor, tanto física quando emocional. Olhei para os meus companheiros e vi a dor em seus rostos também. Estávamos feridos e exaustos. Solucei.
– Mas é o meu filho, Edward. Aquela coisinha está sozinha com um monte de vampiros assassinos. – Eu falei, a voz embargada, mais lágrimas fluindo livremente pelo meu rosto.
– Eu sei. Eu sei. – Ele falou. Seu rosto estava contorcido de pesar quando ele me puxou com força para os seus braços e me apertou ali. Bom, pelo menos com um braço. – Nós vamos encontrá-lo. Vamos pegar Caleb de volta, mas não podemos fazer isso agora.
Solucei novamente. Sentia como se uma mão de ferro estivesse apertando meu coração, me sufocando aos poucos. Eu não queria, eu não podia admitir que Edward estivesse certo. Eu não podia virar as costas e deixar que levassem Caleb embora.
Eu não podia, mas era isso que eu precisava fazer.
– O dia vai amanhecer em algumas horas. Precisamos sair daqui e encontrar um esconderijo para chegarmos à cidade o mais rápido possível. – Jacob falou baixinho, mais parecendo falar com ele mesmo.
– Jacob está certo. Precisamos nos mover agora. – Edward falou, afastando-se e me olhando nos olhos. – Temos que nos reagrupar e curar as nossas feridas.
Eu nada disse, apenas assenti com a cabeça.
Fomos até o carro capotado e tiramos de lá os suprimentos de que precisaríamos. Começamos então a nos mover de volta à cidade.
Avançávamos devagar. Jake tinha uma ferida profunda na coxa direita, que o fazia mancar e cada movimento parecia penoso. Renesme não estava melhor. Uma espada havia transpassado sua barriga no lado direito. Não fora um ferimento tão grave que algumas horas de descanso não pudessem curar, mas mesmo assim era doloroso, ainda mais por que não pretendíamos parar para descansar até que amanhecesse o dia.
Edward não estava muito melhor. Seu braço havia quase sido arrancado do ombro e ele parecia pálido e fraco. Eu era a única que estava bem. Tinha apenas alguns arranhões, embora tivesse certeza de que quando eu havia sido jogada para fora do carro, a dor excruciante que havia sentido fora uma costela perfurando um de meus pulmões. Mas graças às minhas habilidades de Death Knight, havia curado em apenas alguns segundos.
Perto do amanhecer, decidi que era hora de pararmos. O nosso avanço estava muito lento e os meus amigos pareciam estar prestes a perecer a qualquer instante.
Já que todos eles estavam feridos, eu tomei a liderança.
Saímos da estrada principal e nos abrigamos em uma clareira meio escondida pelas arvores laterais. Montei uma barraca de acampamento para que Edward e Renesme se abrigassem do sol e obriguei os dois a se alimentarem. Jacob estava muito fraco, por isso ofereci meu pulso a Renesme, enquanto Edward se alimentava no outro. Então eles se recolheram para descansar.
Arrumei um saco de dormir e fiz Jacob se deitar ali para descansar. Sentei-me em um tronco ao lado dele e comecei a revirar as bolsas em busca de comida.
Eu tentava me manter ocupada. Eu não queria pensar, eu não podia deixar que aquele sentimento de derrota se apoderasse de mim agora. Não quando todos dependiam de mim, principalmente o meu Caleb.
– Isie, eu sinto muito. – Jacob falou, me encarando com aqueles seus olhos negros cheios de culpa.
– Você não tem pelo que se desculpar, Jake. – Eu falei.
– Tenho sim. Não havia nada que eu pudesse fazer para impedir que eles o levassem. Eu me senti tão impotente... – Ele disse.
– Eu sei, Jake. Eu sei. Eu estou feliz que você esteja bem, não poderia ter te perdido lá. – Eu falei, apertando sua mão com carinho.
Eu sabia que tanto Jake quanto Renesme teriam feito de tudo para salvar Caleb. Eles já haviam provado mais de uma vez que estavam dispostos a se sacrificar pela nossa amizade, e eu me sentia grata por isso. Não havia como eu culpá-los pelo que havia acontecido. Nenhum de nós havia esperado por um ataque como aquele.
Na bagagem que levávamos, achei alguns pães e queijo. Preparei alguns sanduiches e dividi-os com Jake. Depois de alimentados, analisei o ferimento em sua perna. Havia sido realmente profundo, na parte interna da coxa direita e por sorte não havia atingido a artéria, mas já começava a cicatrizar. Limpei a ferida com água e rasguei algumas roupas para servirem de ataduras.
Arrumei para mim outro saco de dormir e deitei-me ao lado de Jake para descansar. Tentei não pensar, mas não pude deixar de imaginar o meu bebê nas mãos daqueles monstros. As lágrimas vieram sem serem convidadas, fazendo meu corpo inteiro sacudir. Jake me apertou em seus braços, tentando me acalmar. Mas nada poderia me acalmar até que eu tivesse Caleb nos meus braços novamente.
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