A Guardiã

24 Capítulo Cinco: A Lenda


A guardiã: A morte é apenas o princípio...

Capítulo Cinco: A lenda

No fim da tarde, comecei a arrumar as coisas para que partíssemos novamente. A ferida de Jacob ainda não estava totalmente fechada, mas estava muito melhor. Quando o sol se pôs, Edward e Renesme emergiram da barraca, completamente curados.

O olhar de Edward imediatamente procurou o meu. Olhamos-nos por alguns segundos, até que ele veio me abraçar com força. Aquele abraço era tudo de que eu precisava. Eu estava tentando parecer determinada, como sempre, mas já não havia forças em mim.

O que você faz quando deixa de acreditar em si mesmo?

Coloquei então a minha fé naqueles três e no meu Caleb. Eu precisava apenas acreditar neles, se eu queria continuar em pé.

– Temos que ir agora. – Eu falei, me afastando de Edward. – Eu quero chegar à cidade ainda esta noite.

Todos concordaram e partimos. Tentamos ir o mais rápido possível, mas Jake ainda mancava. Não podíamos nos separar, tampouco. Juntos, éramos mais fortes, caso fôssemos atacados de surpresa, embora eu achasse que aquilo não iria acontecer.

Eu tinha a nítida impressão de que tudo o que eles queriam era o Caleb. Mas se o que realmente queriam era ele, por que não nos mataram? Poderiam ter matado todos nós naquela hora. Estávamos fracos, feridos e em menor número. Talvez não se importassem o suficiente.

E por que eles vieram atrás do meu bebê?

Eu havia passado o dia inteiro com aquelas perguntas na minha cabeça, sem conseguir chegar a conclusão alguma.

Andamos durante toda a noite e quando o amanhecer se aproximou, vimos os muros da cidade ao longe. Edward colocou Jake nas costas e então corremos o resto do caminho. Os guardas no muro viram a nossa aproximação e pareceram nos reconhecer, pois abriram o portão para nós. Quem nos recebeu foram James e Victoria.

– O que houve com vocês? – James quis saber.

– É uma longa história. Precisamos falar com o rei. – Eu disse.

– Já mandamos avisar que vocês chegaram. – Victoria falou, enquanto Edward colocava Jake no chão.

– Obrigada. – Eu disse.

Entramos no forte e fomos em direção aos quartos. Alice nos encontrou no corredor, com Jasper. Ela olhou assustada para nós.

– O que houve? – Ela perguntou.

– Precisamos falar com vocês. – Edward disse. Fomos até o quarto de Emmet e chegamos lá no momento em que Rosalie abria a porta.

– Íamos encontrar vocês. – Emmet disse, logo atrás dela. – Entrem.

Jake imediatamente sentou-se à mesa, exausto. Ele suava e estava pálido. Rosalie ofereceu água a ele. Enquanto Jake bebia, Emmet se voltou para nós e perguntou o que havia acontecido.

– Levaram Caleb. – Eu disse logo, querendo tirar aquilo do caminho. Minha ferida estava aberta e exposta para todos verem, um buraco onde Caleb estivera. – Fomos atacados e levaram o meu filho.

Edward então se adiantou e explicou os detalhes. A cada palavra que ele dizia, Alice e Emmet ficavam mais chocados.

– Mas ninguém sabia do esconderijo, apenas nós. – Emmet falou, sem acreditar.

– Mais alguém sabia. Eles armaram uma cilada para nos fazer sair do esconderijo, por que obviamente não podiam entrar. – Renesme argumentou.

– Quem poderia ter sido? – Alice quis saber.

– Algum de nós deu com a língua nos dentes e não fui eu nem a Isie. – Edward falou irritado.

– Edward, nós nunca... – Alice falou, com a mão no peito.

– Edward, nossos amigos nunca nos trairiam. – Eu disse, pousando a mão em seu braço para acalmá-lo. Ele suspirou e desarrumou os cabelos.

– Eu sei, eu sei... É só que... Isso é tudo muito estressante. E Caleb... – Ele disse, esfregando a nuca com nervosismo.

– Nós entendemos, Edward. – Emmet falou, colocando a mão no ombro do primo.

– Quem foi não é o importante agora. – Jake continuou a discussão, parecendo melhor agora. – O que importa é para onde levaram o menino e o que querem com ele.

– Eu estive pensando nisso o dia inteiro. Eles tiveram a chance de matar todos nós, mas não o fizeram. Pegaram Caleb e fugiram. Alguém sabia que ele havia nascido naquele dia. Alguém sabia onde estávamos e sabiam que Caleb estava fora de mim. – Eu disse.

– Mas isso... Isso é muito perturbador. Quem teria todas essas informações? Nenhum de nós se quer tinha ideia de quando Caleb iria nascer. – Alice falou, pela primeira vez parecendo assustada.

– Não sei, Alice. Mas alguma coisa está muito errada aqui. – Eu disse.

– Se há um grupo tão grande de Vampiros Vermelhos se movendo por aí, podemos tentar rastreá-los via satélite. – Rosalie sugeriu.

– É verdade. Não sei por que eles queriam tanto o Caleb, mas se tiveram todo este trabalho para roubá-lo, não vão correr o risco de perdê-lo. Eles devem ter se juntado e estar viajando em um grupo grande. Nosso satélite pode conseguir encontrar um grupo assim. – Emmet concordou.

– Pelo menos é alguma coisa. – Renesme disse.

– Vocês precisam descansar e o Jacob precisa de um tempo para se curar. Não há nada que possamos fazer agora. – Alice disse.

– Eu não posso ficar parada, preciso encontrar o meu filho! – Eu disse, estressada.

– Sinto muito, Isie. – Ela disse apenas. Edward me abraçou pelas costas, me consolando.

Voltamos então para os nossos quartos. Edward e eu tomamos banho e nos deitamos. Ele se alimentou e me abraçou, suspirando.

– Nós vamos conseguir o Caleb de volta, Isie. Pode ter certeza disso. – Ele prometeu. Tive que usar todas as minhas forças para acreditar nele.

Quando Edward adormeceu, eu deixei o quarto e fui para a sala de treinamento. Extravasei toda a minha raiva no saco de areia, tentando não pensar em nada. Eu usei tanta força que o saco se rasgou ao meio.

– Não vai comer nada? – Jake perguntou. Olhei para trás e o vi parado, encostado à porta.

– Sente-se melhor? – Eu perguntei, me afastando daquela bagunça.

– Sim. A perna já sarou, só está doendo um pouco, mas daqui a alguns minutos vai passar. – Ele deu de ombros. – Vamos, o almoço está sendo servido.

– Não estou com fome. – Falei.

– Mas ficar sem comer só vai te enfraquecer e não vai ajudar em nada. – Ele disse. Colocou o braço em volta dos meus ombros e me arrastou para o refeitório.

Todos estavam lá, incluindo Angela, Mike e Tyler.

– Isie! Jake! – Angela chamou, acenando para nós. Jake e eu fomos nos sentar com eles. – Onde vocês estiveram? Alguma outra missão?

– Não podemos falar sobre isso, Angie. – Eu disse apenas.

– Ah, outra missão secreta. – Tyler riu. – Vocês são demais mesmo!

Eu não disse nada, apenas peguei a comida e belisquei um pouco. Jake ficava me cutucando, querendo que eu comesse mais. Os outros não falaram muito. Provavelmente perceberam o meu estado de ânimo, que estava tão negro quanto uma nuvem de tempestade.

Passei o resto do dia destroçando sacos de areia na sala de treinamento, mas aquilo não aplacaria a minha raiva. Apenas retalhar o maldito que roubara Caleb de mim me acalmaria.

Ao anoitecer, voltei para o quarto, apenas para encontrar Alice e Emmet junto com Edward. E os três estavam com cara de enterro.

– O que houve? – Eu perguntei, alarmada.

– Isie... – Edward resmungou, mas Alice se adiantou e o interrompeu.

– Isie, eu passei o dia pensando no que vocês disseram, que os Vampiros Vermelhos pareciam estar à procura de Caleb. Por algum motivo, aquilo despertou algo na minha mente. Era como se eu estivesse tendo um déjà vu. – Alice começou. Um sentimento ruim se apoderou de mim ao ouvir aquelas palavras.

– E então? – Eu perguntei, sem querer realmente saber do resto.

– Então que eu não entendi a sensação, até me lembrar dos Livros de Profecias. – Alice continuou, levantando um livro que ela tinha na mão com cuidado, como se levantasse algo muito precioso. O livro era velhíssimo, encadernado em couro, com páginas amareladas e quebradiças. – Esse é apenas um. Neles estão todas as profecias já feitas na história dos vampiros, mas não apenas isso. Alguns encantamentos, maldiçoes e lendas importantes também estão registrados aqui. Um dos primeiros Oráculos escreveu no livro sobre uma lenda, uma lenda que existia desde antes do surgimento da nossa sociedade.

“A lenda fala sobre um híbrido. Esse híbrido seria o ser mais poderoso que algum dia pisaria na face da Terra como a conhecemos. Ele escreve o seguinte ‘O sangue desse híbrido torna o vampiro que o beber invencível. O vampiro deve tomar todo o sangue do híbrido durante a lua cheia, e quando o híbrido morrer, seus poderes passarão para o vampiro’. Ele chama o híbrido de Death Knight Vampire.”

Quando Alice terminou, eu estava petrificada. Um zumbido enchia os meus ouvidos, me deixando tonta.

– Isie? – Edward chamou, levantando-se e vindo em minha direção. – Isie?

– Então me deixe ver se eu entendi direito... Você acha que Caleb é um Death Knight Vampire e que algum monstro quer beber o sangue do meu bebê, na intenção de ser invencível? – Eu perguntei, cada palavra arranhando a minha garganta como se fosse ácido.

– Nós não sabemos se essa lenda é verdadeira. – Emmet se adiantou.

– Mas alguém acha que é verdadeira... E vai tentar matar o meu filho por isso. – Afirmei.

– Isie, nada de mal vai acontecer. – Edward afirmou.

– Você não sabe disso! Falta apenas uma semana para a lua cheia! – Eu gritei, meu coração parecendo querer explodir.

– Não se preocupe, vamos recuperar o Caleb! – Ele assegurou.

Minha cabeça inteira zunia e eu sentia um rosnado preso no meu peito, prestes a escapar.

– Pode acreditar que recuperaremos, por que se o meu bebê morrer, eu não vou descansar até destroçar todos os Vampiros Vermelhos desse planeta e o seu maldito líder. – Eu disse, com os dentes trincados.

Estava pronta para embarafustar porta afora quando Rosalie entrou sem se quer bater.

– Consegui rastrear um grupo grande de Vampiros Vermelhos se movendo nas imediações do forte. Até ontem eles estavam juntos, mas se separaram e eu perdi a sua localização, mas sei que direção tomaram. – Ela anunciou. Então olhou para nós. – O que houve?

– Rosalie, você poderia fazer um mapa para nós? – Eu perguntei energicamente.

– Claro, imediatamente. – Ela disse, então saiu do quarto.

– Partiremos esta noite. — Falei.

– Isie, não podemos sair assim, sem um plano nem... – Edward começou.

– Talvez a Isie esteja certa ao querer se mover imediatamente, Edward. Não sabemos para onde eles estão se dirigindo e quanto mais cedo seguirem o rastro deles, melhor. – Alice interrompeu.

– Dessa vez eu não vou permitir que vocês vão sozinhos. Essa é uma missão muito perigosa, e se há tantos Vampiros Vermelhos andando por aí, é melhor que levem um grupo grande. – Emmet começou. – Isso já não é um caso de apenas proteger o Caleb. A pessoa que mandou sequestrá-lo tem controlado um grupo cada vez maior de vampiros, e já destruiu diversas cidades. Se a lenda for verdadeira e essa pessoa se tornar invencível, todos nós estaremos condenados.

– Mas não podemos sair por ai contando o que somos, Emmet. – Edward disse. – Teriam tanto medo de nós quanto dos Vampiros Vermelhos.

– Vocês precisam formar um grupo que seja de confiança. Jacob e Renesme com certeza irão querer ir com vocês. Eu iria, mas não posso me ausentar dos meus deveres, e Alice também não. — Emmet comentou.

– Eu sei de um grupo que talvez esteja disposto a nos ajudar, mas não são muitos. – Eu disse.

– Quantos? – Emmet quis saber.

– Seis vampiros e seis Guardiões, incluindo Jacob, Edward, Renesme e eu. – Eu disse.

– Deve ser suficiente, com você ao lado deles. – Emmet assentiu. – Convoque-os e diga que são ordens minhas. Você e Edward estarão na liderança da missão.

– Obrigada. – Eu disse.

Emmet e Alice então nos deixaram a sós.

– De quem você estava falando? – Edward quis saber.

Algum tempo depois, Edward, Renesme, Jacob e eu estávamos de frente para Tyler, Lauren, James, Victoria, Ben, Angela, Mike e Alec.

– Essa vai ser uma missão muito perigosa. – Edward dizia. – Há grupos enormes de Vampiros Vermelhos se deslocando juntos e com sede de sangue. Mas também é uma missão muito importante, pois caso falhemos, o mundo como o conhecemos pode estar perdido.

– O rei nos deu sua permissão para convocá-los, mas não podemos obrigá-los a ir se não quiserem. – Eu disse. – Lá fora tudo é solitário, ameaçador e perigoso, muito perigoso. Muitas vezes não sabemos o que nos espera na próxima curva. Mas foi para isso que nos alistamos, não? Para que quando fôssemos precisos, pudéssemos empenhar as nossas vidas no intento de salvar as pessoas que amamos. Meu pai mora nessa cidade, o pai e as irmãs do Jacob também. Os pais de Renesme e Edward também, apesar de serem vampiros. Nós todos temos alguém que queremos proteger e agora é o momento de usarmos todas as nossas forças para isso.

Os garotos olharam uns para os outros por alguns instantes, então Ben se levantou, seguido por Angela.

– Estamos dentro. – Ele anunciou.

– Nós também. – Alec disse, ficando de pé com Mike ao seu lado.

Os outros o imitaram, acenando afirmativamente com a cabeça. Olhei para Edward, que sorriu para mim.

– Precisamos partir o quanto antes. No caminho, daremos os detalhes da missão. Há muita coisa que vocês não sabem e que precisaremos explicar. – Edward falou. – Arrumem as suas coisas e nos encontraremos no portão principal em meia hora.

Então nos dispersamos. Cada um foi para o seu quarto arrumar sua bagagem e recolher suprimentos.

No nosso quarto, Edward me abraçou por um longo tempo. Parecia estar tentando tirar forças de mim e eu, ao mesmo tempo, me senti mais forte e cheia de energia entre os seus braços. Nos separamos aos poucos, olhando nos olhos um do outro. Edward levou seus dedos ao meu rosto, acariciando.

– Tudo vai ficar bem Isie, Eu tenho certeza. Já passamos por tanta coisa, já sacrificamos tanto. Nosso sofrimento não foi em vão. Não recebemos a bênção de ter o Caleb somente para que ele fosse tirado de nós. Vamos conseguir. Vamos conseguir. — Ele disse, os olhos brilhando com um fogo que eu nunca havia visto antes. Era fé, que eu via ali. Fé em mim, fé em nós.

Eu senti a mesma chama acender dentro do meu peito, mesmo que temporariamente. Naquele breve instante, tive certeza de que teria o meu bebê de volta em meus braços.

Meia hora depois, nos encontramos com os outros ao lado de um micro-ônibus.

– Eu coloquei alguns suprimentos no bagageiro. Barracas, roupas especiais caso vocês precisem andar durante o dia e outras coisas. Esse é um equipamento de comunicação via satélite, caso vocês precisem entrar em contato conosco. – Rosalie anunciou, entregando um aparelho que parecia um telefone sem fio para Edward.

– Obrigada. – Eu disse. Ela sorriu e me deu um abraço.

– Boa sorte. – Ela disse.

– Vocês vão conseguir, eu tenho certeza. – Alice disse, vindo também me abraçar.

– Eu confio que vocês vão voltar logo. – Emmet falou.

– Vamos dar tudo de nós. – Eu prometi.

Depois de mais algumas despedidas, todos entramos no ônibus e os portões foram abertos para a nossa partida.

Mais uma missão suicida, mais um destino incerto. Parecia um ciclo que nunca tinha fim.

Mas dessa vez foi diferente. Eu estava disposta a fazer de tudo para voltar para casa com o meu filho. E se não pudesse, destruiria todos os vampiros vermelhos que se pusessem no meu caminho.

Se havia uma coisa na qual eu era boa, era vingança. E o maldito que havia roubado meu filho de mim havia despertado o lado mais negro de minha alma. O lado Death Knight.

Notas finais
Oi gents!!! Espero que tenham gostado do cap. Vamos comentar né galera, vocês estão muito fracos. E se quiserem recomentar também eu aceito!! =P Essa segunda fase tem dez caps, mais prólogo e epílogo. Esse é o quinto, então tem mais cinco. Em breve tem mais. Próximo cap: Resgate Parte 1. Bjs