A Guardian's Diary 2 - The rise of Jack Nightmare
3 Capítulo 2 - Um mal pressentimento
Notas iniciais
Com um suspiro, Coelhão empurrou sua palheta de cores para o lado e se inclinou contra a parede de pedra, fechando os olhos. Estava sem ideias, como se tivesse de algum modo sido drenado de criatividade. Mas ele sabia que aquilo não era verdade, ele já tinha trabalhado naquilo por milhares de anos e nunca tinha sido incapaz de criar novos padrões e novas imagens. Não, ele sabia que o real motivo para sua falta de criatividade, era o simples fato de que sua mente estava tomada por outras coisas, ou melhor, por alguém.
Já fazia um tempo desde a última vez que o Pooka tinha visto Jack Frost — um mês, para ser mais preciso — e, embora ele já estivesse acostumado a ficar sem o rapaz, uma vez que esse tinha trabalho a fazer durante todos os meses de inverno, seja no sul ou no norte do globo, dessa vez as coisas estavam diferentes.
O estranho coma de Jack e a mudança em seus cabelos e seus olhos não saiam da cabeça de Coelhão. E, de vez em quando, ele quase conseguia sentir aquele aroma diferente que tinha sentido vindo do rapaz. Coelhão não era bobo, tinha alguma coisa acontecendo, mas ele não sabia o que era. Antes mesmo de retornar para seu trabalho, o Pooka tinha se voltado para sua biblioteca, escondida entre as paredes de pedra de sua Toca, e procurou informações sobre o que tinha acontecido, mais uma vez. Ele já tinha vivido por tanto tempo, já tinha visto tanto e feito tanto, que ele não se surpreenderia em saber que tinha encontrado algo similar; porém ele não encontrou nada que o satisfizesse completamente, mas ainda assim, o que ele tinha lido, ele rapidamente passou para os outros Guardiões.
Sua preocupação com o Espírito do Inverno só se acalmava um pouco, quando recebia noticias sobre o rapaz vindo dos outros Espíritos da Estação. Dizer que Bloom e Amber estavam confusos e curiosos após verem Jack com o novo visual seria dizer pouco, tanto que Coelhão não se surpreendeu quando os dois visitaram a entrada de sua Toca um após o outro, perguntando sobre aquilo.
Mas ainda assim, ele se preocupava, se lembrando do que Sandman havia dito, e sentindo — embora não tivesse certeza — de que algo estava errado.
Com um suspiro, Coelhão se levantou, decidindo que uma caminhada pelos campos conhecidos da Toca poderiam ajudar a refrescar seus pensamentos — ele só desejava que uma certa brisa fria estivesse ali para ajudar...
Mas, após alguns passos, algo enfim o tirou de sua cabeça.
“Ola, Denti.” Ele sorriu, captando o som distante das asas da Fada dos Dentes antes que esta sequer chegasse perto.
“Ola, Coelhão.” Dentiana retribuiu o sorriso do Pooka e Baby Tooth acenou para ele. “Como vão as preparações para a Páscoa?”
“Até agora tudo bem.” Coelhão deu de ombros. “Mas ainda não consegui nada de novo... Culpa daquele moleque.” Ele deu uma risada baixa, a esse ponto ele não precisava esconder de ninguém que Jack Frost o afetava de várias maneiras.
“Oh, claro.” Denti disse com uma risada, mas a risada fez pouco para esconder seu nervosismo. Coelhão já tinha notado como suas asas se eriçavam levemente. “Alias, foi sobre ele mesmo que vim falar...” Os pelos das orelhas de Coelhão se atiçaram assim como as asas da fada. “Você sabe onde o Jack está? Eu pensei que talvez ele tivesse vindo te fazer uma visita ou...”
“O que aconteceu?” O Guardião da Esperança perguntou imediatamente, ignorando o resto do que a fada tinha a dizer. “Jack sumiu?"
“Já faz um tempo que Baby Tooth tenta entrar em contato com ele, sem sucesso.” Baby Tooth acenou com a cabeça rapidamente, uma expressão triste em seu rosto. “Quase duas semanas.”
Duas semanas... Metade daquele mês.
Coelhão conhecia Jack bem, sabendo que o rapaz as vezes gostava de se isolar de tudo e de todos. Ainda assim, depois de se tornar um Guardião, ele tinha se acostumado a avisar quando ia fazer tal coisa, ou pelo menos retornar em pouco tempo. Coelhão mal conseguia se lembrar qual foi a última vez que o rapaz havia ficado totalmente sem contato por duas semanas completas.
"Onde diabos...?"
"Coelhão!"
O Pooka ergueu o olhar para Dentiana, encontrando as fadas olhando para cima, então ele fez o mesmo. Suas orelhas se abaixaram levemente. O teto da Toca, que imitava o céu azul da superfície, agora estava iluminado pelas auroras boreais de Norte. Os dois Guardiões se entreolharam e Coelhão bateu com o pé no chão, abrindo um túnel, ele podia ouvir as asas de Dentiana o acompanhando logo atrás.
Coelhão não sabia se sentia melhor ou ainda pior sabendo que estava correto, e que algo estava errado.
—G–
“O que está acontecendo, Norte?” Coelhão perguntou pulando para fora de seu túnel na sala do Globo, com Dentiana à seus calcanhares. Ele notou que Sandman estava junto com Norte, mas Jack não estava ali.
"Problemas. Vejam..." Norte apontou para o grande Globo que havia parado de se mover. Coelhão e Dentiana examinaram o Globo, quando uma luz, na Itália, começou a piscar, de novo e de novo e de novo, antes de finalmente sumir. "Já aconteceu com outras."
Luzes sumindo não era completamente incomum, afinal, crianças cresciam e normalmente paravam de acreditar nos Guardiões depois de um tempo, mas normalmente elas perdiam força com o passar do tempo antes de apagar completamente. Norte rapidamente explicou como ele tinha visto outras luzes piscando violentamente antes de sumir, algo que ele nunca tinha visto acontecer antes, pelo menos não daquele modo, e não tão rápido uma atrás da outra.
"Será o Breu?" Dentiana perguntou.
Sandy balançou a cabeça negativamente, mostrando imagens acima de sua cabeça.
"Você acha..." Coelhão disse. "Que tem a ver com a presença que você notou?"
Sandman assentiu dessa vez. Ele explicou sem palavras sobre como o medo poderia estar afetando as luzes, de fato, mas aquilo não era tudo. Ele abriu sua roupa dourada e brilhante, tirando de dentro dela alguns papéis, os estendendo para os demais Guardiões.
Eram panfletos de crianças desaparecidas. Um era um garoto norte americano de cinco anos, que havia sumido há três dias; o outro mostrava uma garota francesa de nova anos, desaparecida a quase sete dias; e o último, um garoto de doze anos, desaparecido há cinco dias em uma cidade pequena no Japão. Sandman explicou como no começo ele tinha pensado só serem acontecimentos sem conexão, até ele sentir a energia maligna mais uma vez, e descobrir por Norte que as luzes havia piscado e sumido, assim como a luz na Itália. Ele não queria extrapolar nada, mas sentia que tudo estava conectado.
"Quem além de Breu faria isso?" Coelhão se perguntou.
As penas de Dentiana se eriçaram levemente e ela se voltou para Norte com uma expressão séria.
"Taítara?" Ela disse o nome com um tom forte e os demais Guardiões compreendiam bem o porque.
"É possível, lyubimaya moya*." Norte disse, descansando uma mão no ombro de Dentiana, o que fez com que suas penas abaixassem consideravelmente. "Mas não se preocupe, se for ela, acredito que ameaçar mandá-la para o espaço mais uma vez resolva tudo." A fada foi incapaz de segurar um sorrisinho com aquelas palavras, pousando sua mão pequena sobre a do Guardião das Maravilhas. "Aliás, e o Jack?" Ele se voltou para Coelhão. "Dentiana disse que estava procurando por ele? Eu esperava que o rapaz pelo menos aparecesse aqui com as luzes..."
"Jack some de vez em quando... Mas, sim, faz tempo que até eu não ouço dele." Coelhão esclareceu, a preocupação que o comia por dentro desde que havia chegado ao Polo Norte, encontrando os outros Guardiões, mas não Jack Frost, se intensificando. Ele se voltou para Sandman e os papeis. "Eu senti que tinha algo errado..."
Antes que ele pudesse terminar, Sandman deixou os papeis de lado, apontando para cima para chamar a atenção dos Guardiões. Assim como tinha acontecido sete anos antes, lá estava a luz, levemente apagada no céu claro da tarde, mas iluminando o Salão do Globo como se ela mesma fosse o sol.
"Seus sentimentos devem estar corretos, Coelhão. Senão o Homem da Lua não estaria aqui novamente." Norte disse, se voltando para o satélite natural. “Muito bem, velho amigo, o que está acontecendo?”
A luz da lua fez sua jornada pelo salão, caindo sobre a bela pintura dos Guardiões que havia sido refeita para mostrar o mais novo membro do grupo. O facho de luz prateada caiu sobre o símbolo que pertencia a Jack Frost.
"O Jack, é claro que é o Jack..." Coelhão sibilou. Ele devia ter ouvido seus instintos, deveria ter ido atrás do rapaz ou o impedido de sair da Toca.
Uma sombra surgiu na luz da lua, tomando a forma de um floco de neve que em seguida se transformou na imagem do Espírito do Inverno. Mas, aos poucos, a forma de Jack começou a mudar, perdendo a silhueta conhecida do rapaz, e aos poucos parecendo mais ou menos uma sombra, ou uma criatura que nenhum dos Guardiões via já há muito tempo. Um Medonho. E então, tudo sumiu.
Os Guardiões se entreolharam.
“Não pode ser...”
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