A Guardian's Diary 1

4 Capítulo 3 - Falando com a lua


Notas iniciais
Aeh! Espero que vocês gostem do Big Four! Eu apenas menciono eles! Talking to the moon... Lalala... X3 Merida e Rapunzel pertencem a Disney! Soluço pertence a DreamWorks e Cressida Cowell! — NOTA: Irwin é um personagem original. Na versão original dessa história, ele era um "namorado" da Merida, agora ele é só um amigo.

“Ah, olhe quem está aqui!” A voz alegre de Norte deu as boas vindas a Jack quando este chegou à oficina do russo e, se o lugar já não fosse caloroso o bastante, aquela voz servia para o mesmo propósito. “Jack! Que bom te ver! Como vai, garoto?” Ele tomou o espírito do inverno nos braços, o apertando com força o bastante para quebrar suas costelas.

“Vou bem...!” Disse Jack com um sorriso sem ar. Ainda assim, devia haver algo em sua voz que rapidamente chamou a atenção do outro Guardião.

“Tem certeza?” O russo perguntou ao colocou o rapaz de volta no chão, seu tom de voz mudou consideravelmente, um tom que Jack conhecia bem e que soava como o de um pai superprotetor. “Aconteceu alguma coisa?”

“Não, não aconteceu nada.” Jack não queria continuar falando sobre aquilo, com medo de deixar escapar o que sentia por Coelhão, com medo de que Norte descobrisse tudo. Ele sorriu, feliz por ter outra coisa a dizer. “Na verdade, a Bloom acabou de chegar a Burgress, ou seja, ela me enxotou de lá. Então, será que eu posso ficar por aqui por um tempo?”

“Ora, mas é claro que sim, Jack!” Norte exclamou. “Sempre tem um lugar para você aqui, sabe disso! Venha!”

Os dois guardiões caminharam por entre os poucos Yetis e elfos que andavam pelos corredores da oficina. Era ainda começo do ano, mas alguns já estavam ocupados com alguns brinquedos básicos, daqueles que sempre apareciam nos cartões para o Papai Noel, pois, como Norte já tinha dito várias vezes: "é bom sempre ter um estoque pronto".

Norte levou Jack por um familiar corredor de tapete vermelho e de paredes pintadas da mesma cor, onde várias portas grandes de madeira escura escondiam os quartos de hóspedes. Jack se dirigiu para a última porta do corredor que em pouco tempo havia se tornado o seu quarto pessoal. Ele havia escolhido aquela sem pensar duas vezes, uma vez que a sacada do quarto dava para o nada do Polo Norte, o que lhe permitia receber mais o vento frio do norte, algo que ele sentia que iria precisar, já que aqueles quartos eram incrivelmente quentes! O garoto tinha quase certeza de que iria derreter caso ficasse em qualquer outro quarto daquele lugar.

“Obrigado Norte.” Jack Frost sorriu ao se encontrar de volta naquele lugar já tão conhecido dele.

“Sem problemas, Jack.” Norte disse com um sorriso. “Lembre-se, se precisar de alguma coisa é só chamar um dos Yetis, ou eu mesmo. Estou com pouco para fazer ultimamente, sabe.”

“Tudo bem.” Jack retribuiu o sorriso, apoiado na porta com as mãos no bolso. “E eu estou aqui se alguém precisar de alguma ajuda. Eu posso muito bem congelar a escada de novo para agilizar mais as coisas.”

“É claro!” O guardião riu da lembrança e, bem na hora, Phil apareceu no outro lado do corredor, chamando o chefe em sua língua grave. “Ah, sim, já vou.” Norte sorriu e afagou os cabelos de Jack. “Sinta-se em casa, Jack.” E finalmente deu as costas para o garoto, se dirigindo para a oficina.

“Já estou...” Murmurou Jack com um sorriso e fechou a porta do quarto.

—G–

Sentado na sacada, Jack sorriu para a lua brilhando no alto do céu quase límpido do Polo. Ele se sentia calmo, relaxado, algo que não sentia desde o momento que tinha visitado Coelhão em sua Toca. Tinha até tomado um momento para tomar um longo e estranhamente quente banho. Alguns achariam estranho um espírito do inverno tomar banho com água quente, mas Jack não se importava com o que outros pensavam, ele apreciava aquele tipo de calor de vez em quando. Fazia ele se lembrar de Coelhão.

Jack suspirou, tirando um pequeno pacote que levava dentro do bolso da blusa, sorrindo ao ver os tesouros dentro desse: Um medalhão com um dragão marcado em ferro, um guardanapo de seda com o desenho de um sol e outro broche pequeno, feito de madeira, com um urso entalhado e, em uma das fendas estavam presos alguns pequenos fios de cabelo vermelho.

“Ah, galera...” Jack brincou com as lembranças. “Se vocês estivessem aqui...”

Cada lembrança já pertencera a um dos melhores amigos que Jack já havia tido em sua longa vida, os primeiros que, por algum motivo, podiam vê-lo. Ele havia recebido o medalhão de Soluço Spantocicos Strondus III, um dos últimos heróis vikings, que vivera em uma ilha ao norte, praticamente no ártico; o último lugar em que Jack tinha visto criaturas que eram agora raras e conhecidos só como lendas e histórias: dragões. O guardanapo havia sido pintado por Rapunzel, a princesa que originou o conto de fadas homônimo. E o broche com um urso havia sido cravado por Merida, uma antiga princesa escocesa, e seu melhor amigo, Irwin.

Jack se lembrava de quando havia os conhecido, Merida e Soluço praticamente durante o mesmo período, e Rapunzel alguns cem anos mais tarde. Se lembrava também de quando havia dito adeus para cada um deles.

Os três, ou pelo menos só um deles, estivesse ali, já seria tão bom. Jack sentia como se fosse explodir a qualquer momento por manter aquilo só para si mesmo. Ele sabia bem que seus amigos iriam ouvir e ajudar caso pudessem, mas nenhum deles estava mais ali. Não era como se Jack fosse falar sobre aquelas coisas com Jamie ou qualquer uma das crianças, eles eram jovens demais e nenhum deles precisavam ouvir um ser de centenas de anos reclamar sobre sua vida amorosa. E tudo o que ele menos queria fazer era falar com os outros Guardiões sobre aquilo, principalmente porque ele sabia que tanto Dentiana quanto Norte não sabiam guardar segredos muito bem.

Mas havia outro para quem Jack já estava acostumado a desabafar.

“Eu não entendo... Porque eu gosto dele?” Jack murmurou, enrolando os tesouros no pacote e o guardando no bolso novamente. “Ele é rude comigo desde a primeira vez que nos conhecemos! Então... Porque?” Ele levantou o olhar, mas nuvens que haviam aparecido de um momento para o outro encobriam a lua brilhante. O garoto bufou levemente. ”Você não vai responder, não é? É quase nostálgico...”

“Não, não acho que seja.”

Jack pulou para trás ao ouvir a voz, embora a conhecesse bem. A voz não estava dentro em sua cabeça como na primeira vez que ele tinha a ouvido, mas sim ao seu lado. Jack se virou e notou que não estava sozinho no quarto.

Sentado ali estava um homem baixinho, roliço, vestido de branco, e quase totalmente careca, apenas com um grande fio de cabelo loiro em forma de curva na cabeça. Seu olhar era sereno e doce e ele ostentava no rosto um sorriso gentil. Jack não demorou em notar que o corpo desse era levemente transparente, sendo possível ver a outra ponta da sacada através dele; seu corpo era mais espiritual do que material.

“Homem da Lua...” Jack murmurou baixinho, já sabendo quem era, mas ainda surpreso ao se ver encarando uma pessoa de verdade.

“Eu mesmo, mas pode me chamar de Lunar.” O sorriso de Lunar se alargou ainda mais.

“O que... Como...?”

“Senti que era hora de conhecê-lo face a face, Jack Frost.” Lunar explicou e seu sorriso se entortou de modo brincalhão. “E gostaria de perguntar... Desde quando se tornou tão dramático quanto a seus sentimentos, garoto?” Jack Frost sentiu suas bochechas ficaram mais frias com aquelas palavras e virou o rosto, querendo escondê-lo. Lunar apenas riu. “Está tudo bem, Jack.” O garoto do inverno se surpreendeu ao sentir uma mão em suas costas. “Amor é algo complicado, poucos conseguem compreendê-lo. Mas eu entendo o seu conflito, por isso vim trazer um conselho para você...”

Lunar se calou em seguida e Jack se voltou para ele mais uma vez, esperando pelo tal conselho.

“Se realmente ama Coelhão – e eu sei bem que ama – só há duas coisas que você pode fazer: Esperar e deixar que o destino cuide de tudo, ou então dar o primeiro passo por si só.” Os olhos do mais velho se tornaram ainda mais gentis. “Mas o destino é complicado, meu garoto. Ele gosta de brincar com as pessoas.”

Jack concordou fraquinho com a cabeça.

“Então..." Lunar se ajeitou no lugar, lançando um olhar expectativo para o garoto. "O que você quer fazer, Jack Frost? Tudo cabe a você, e as suas escolhas.”

Jack assentiu, suspirando levemente. Ele ergueu os joelhos, os apertando contra seu peito, como se tentasse ficar menor.

“Eu tenho medo...” Murmurou, erguendo a mão para limpar uma lágrima que tentava escapar. “Tenho medo de que se eu contar pro Coelhão ele me vai me rejeitar...” Fungou baixinho. “E se ele ficar com raiva de mim? Ou nojo, eu sei lá! Eu gosto da companhia dele! Não quero ficar sozinho de novo!” E, dizendo isso, ele não pôde mais segurar as lágrimas, deixando que elas descessem por suas bochechas, tão frias quanto sua pele.

Jack odiava chorar na frente dos outros, odiava chorar no geral, se sentia fraco e vulnerável. Mas no momento ele não ligava, finalmente falando o que carregava em seu coração, ele só queria deixar que o sentia fluir.

Lunar continuou afagando as costas do espírito, tentando confortá-lo. Jack se inclinou na direção do Homem da Lua, tentando se aproximar mais, mas tudo o que foi capaz de fazer foi passar por ele, como se ele fosse um fantasma, ou nem sequer estivesse ali.

O rapaz rapidamente se afastou, sabendo o quão horrível era ser atravessado daquele jeito. Mas Lunar apenas sorriu, abrindo os braços e envolvendo o jovem guardião. Jack tentou retribuir o abraço mais uma vez, mas suas mãos apenas atravessaram o corpo do outro, então tudo o que podia fazer era deixar as mãos nos joelhos e se deixar abraçar. Pelo jeito embora Lunar pudesse tocar em Jack, o outro não podia fazer o mesmo.

“Está tudo bem, Jack.” O Homem da Lua disse, se afastando para dar mais uma olhada no rapaz. “Não posso prometer nada, mas se você simplesmente fazer exatamente o que fez agora, desabafar, tudo irá acabar bem. Para você, para os outros guardiões e para Coelhão.”

“Homem da Lua...” Jack murmurou, ainda não acostumado a chamar o outro pelo nome. “Coelhão sente o mesmo por mim?”

O mais velho se surpreendeu com a pergunta e demorou em responder.

“Isso você terá que descobrir sozinho.”

E em seguida, Jack se encontrou novamente sozinho na sacada do quarto. Ele suspirou, voltando o olhar para o céu e vendo que as nuvens haviam saído da frente da lua. Passando a mão pelo rosto, limpando as lágrimas secas, Jack se encontrou sorrindo, mesmo que de leve. Ele não podia perder as esperanças, pois afinal, o garoto estava apaixonado por ninguém mais, ninguém menos, que o guardião da esperança.

Notas finais
Okay, vamos fingir que Jack conheceu eles, okay? Vamos só fingir! Nossa cara, eu queria muito colocar o Homem da Lua no meio da história, mas mais fisicamente do que espiritualmente. Ele é um doce, não acham? A versão física do Tsar Lunar (Homem da Lua) pertence a William Joyce! ^^