A Guardiã

5 Capítulo Quatro: Distração


Notas iniciais
Oi gente... Eu sei que tem bastante gente lendo a fic, alguns antigos misturados com novos, e mesmo sendo uma repostagem, é triste quando você não vê o interesse de quem tá lendo em comentar e tals. Em fim... Espero que gostem do cap. Beijos da Lia

A guardiã: Nosso destino é a eternidade...

Capítulo Quatro: Distração

O resto da aula de esgrima se passou com a maioria dos outros guardiões tentando desajeitadamente lutar com seus mestres, mas muitos se quer conseguiam segurar a espada direito. Resultado: muito sangue derramado, embora não tenha havido nenhum ferimento fatal.

O único além de mim e dos vampiros que parecia ter familiaridade com aquela arma era Jacob Black. Pra falar a verdade, ele era muito bom.

Depois daquela primeira luta em que eu saíra vitoriosa, desafiei Edward para mais uma. Se ele achava que eu ia deixar barata aquela história de ele ter me deixado ganhar, estava muito enganado.

Nossa luta não tinha nada de treinamento, era pra valer. Nos empenhávamos ao máximo em cada golpe. Em pouco tempo estávamos sem fôlego e suando.

Depois de muito tempo de luta infrutífera, em que ambos golpeávamos e nos defendíamos na mesma medida, Arlan e Demetrio tiveram que nos mandar parar e declararam um empate. Então pediram para Edward e eu, que tínhamos lutado tão bem, ajudá-los com os outros. Ou seja, passamos o resto da aula dando dicas às pessoas de como segurar a espada corretamente e o jeito certo de se posicionar.

Jacob e sua mestra estavam muito concentrados em sua batalha, quase tanto quanto Edward e eu estivéramos. Óbvio que eles faziam uma dupla e tanto. Os olhos violeta da garota chamavam a atenção de todos, bem como os músculos morenos de Jacob.

– Renesme. – Edward sussurrou quando passou por mim.

– O quê? – Eu perguntei sem entender.

– O nome dela é Renesme. – Ele explicou.

– Ah. Ela é linda. – Eu comentei.

– Está com ciúmes? – Ele quis saber.

– Fala sério. – Revirei os olhos. – Por que você tem que ser tão chato?

– E por que você tem que ser tão irritante? – Ele perguntou.

Nós miramos um ao outro insistentemente. Era quase um desafio. Então Arlan chamou a atenção da turma e tivemos que nos voltar para ele.

– Bom, alguns de vocês vão ter bastante trabalho nesta aula. – Ele comentou, mirando o guardião de Alec, cujo nome eu não sabia, e que se atrapalhava o tempo inteiro com a espada. – Mas no geral, foram bem. Espero que pratiquem com dedicação, principalmente vocês, Guardiões, pois um erro pode custar a vida do seu mestre e, com isso, a sua própria. Estão dispensados.

Saímos da sala silenciosamente.

Depois de três horas dentro da sala de aula, era hora do intervalo, finalmente.

Os vampiros e seus guardiões foram todos para o pátio traseiro da mansão. Eram dez vampiros e dez guardiões, totalizando vinte alunos. Depois dos seis meses de treinamento inicial, os Patrulheiros eram mandados para postos exteriores para finalizar seu treinamento nas fronteiras.

Acontece que antigamente humanos, Vampiros Vermelhos e Vampiros Brancos conviviam juntos. A guerra entre as duas raças vampíricas devastava milhares de vidas humanas e foi desse jeito que minha mãe foi morta.

Hoje, as cidades humanas eram cercadas por grandes muralhas fortificadas e defendidas pelos Patrulheiros. Esses também fazem rondas dentro dos muros para ter certeza de que nenhum Vampiro Vermelho poderia ter transposto as suas defesas de alguma forma, coisa que eu achava bem difícil, para não falar impossível.

Em cada entrada para a cidade havia uma espécie de forte protegido pelos Patrulheiros. Se algum Vampiro Vermelho conseguisse ultrapassar o portão principal, o alarme era imediatamente acionado e todos os Patrulheiros da cidade eram convocados ao local.

Os muros ao redor da cidade eram extremamente altos e cercados por um sistema de detecção de movimento. Se algo grande ousasse se aproximar pelo lado de fora, os Patrulheiros eram imediatamente avisados.

Fora dos muros das cidades humanas, os Patrulheiros mais competentes eram colocados em postos para proteger as estradas. Ali era território inimigo e um verdadeiro campo de batalha. E era lá que o pai de Edward estava.

Sir Carlisle Cullen e sua guardiã Esme estavam entre os mais fortes e competentes de nossa raça.

Eu até podia entender por que Edward era tão arrogante. Ser filho do Patrulheiro mais famoso e amado pelos humanos deve ser uma carga bem pesada para se aguentar.

Desviei meu olhar do meu mestre e olhei para um pedaço do muro que eu podia ver ao longe, entre as árvores. Senti um arrepio me percorrer a espinha e resolvi voltar minha atenção para os terrenos da escola.

Havia um vasto gramado ali e, como Tyler dissera, um enorme ginásio.

A noite estava calma e sem nuvens, o que significava que a luz da lua crescente banhava os terrenos sem empecilhos. Fora ela, as únicas luzes ali eram as que saíam das janelas da mansão, o que significava que a maior parte do gramado estava na escuridão.

Embora isso não fosse de forma alguma um problema para mim. Eu conseguia distinguir cada folha que se sacudia ao vento com assustadora precisão.

– Edward, isso é demais! – Eu exclamei olhando novamente para ele, que estava parado ao meu lado.

– O quê? – Ele quis saber.

– Esses poderes! Estou me sentindo invencível! – Falei animada. Edward gargalhou.

– Você é tão boba, petite rousse.– Ele desarrumou meus cabelos como se eu tivesse cinco anos de idade. Fiz uma careta. Eu detestava ser tratada como criança.

– Edward! Venha, precisamos conversar. – A tal Renesme, mestra de Jacob, o chamou.

– Já volto. – Ele falou simplesmente e foi com ela.

A eles se juntaram a todos os outros vampiros. Eles formaram um circulo a um canto do gramado, conversando aos sussurros.

Continuei parada onde estava, morrendo de curiosidade.

– Sou só eu, ou você também acha que eles estão nos escondendo algo? – Jacob apareceu subitamente ao meu lado. Ainda assim, eu havia podido perceber a sua chegada.

– Concordo com você. – Eu falei, mirando-o. Ele sorriu.

– Você foi muito boa na aula de esgrima. Embora eu deva dizer que deveria ter deixado o seu mestre ganhar, só por segurança. – Ele falou divertido.

– Você deixou sua mestra vencer? – Eu perguntei, embora me lembrasse muito bem de ver a espada de Renesme caída no chão.

Touché*. – Ele riu. – Eu não sou de me deixar intimidar.

– Eu muito menos. – Concordei.

– Já gostei mais de você. – Ele disse e eu lhe lancei um sorriso.

– Oi. – Tyler falou se aproximando com Angela e Eric.

– Olá. – Jacob cumprimentou.

– Tudo bem com você, Tyler? Aquela coisa com a sua mestra... – Eu falei me lembrando da discussão.

– Ah, tudo bem. A Lauren só sabe ficar de cara feia, mas no fim não faz nada. – Ele disse baixinho, checando para saber se não tinha ninguém ouvindo.

– Que ótimo! – Eu exclamei aliviada.

– Ah, parabéns, Isie. Você foi ótima na aula de esgrima... – Angela comentou animada. – Nunca vi ninguém se mover tão rápido!

– Não foi nada demais. – Eu falei sentindo meu rosto esquentar um pouco.

– É verdade, você foi excelente. – Eric concordou.

– Claro que foi. Vocês viram quem é o mestre dela? O filho de Sir Carlisle Cullen. – Tyler falou seriamente. – Ele precisava de um Guardião à sua altura.

– E vocês não se acham bons Guardiões? – Jacob perguntou e eu concordei. Não era por que Edward era meu mestre que eu era boa.

– Não, apenas... Acho que Isie é a melhor de nós todos. Inclusive melhor do que você, Jake. – Tyler falou com um sorrisinho malicioso brincando nos lábios. Segurei-me para não rir da careta que Jacob fez.

Ele já ia responder quando o grupo de vampiros se desfez e tivemos que nos juntar aos nossos mestres. Edward veio na minha direção e quando estava próximo o bastante, estendeu a mão para mim.

– Vamos, hora da aula. – Ele disse.

– Temos o quê agora? – Eu quis saber.

– Boxe. Também gosta dessa luta? – Edward perguntou curioso.

Apenas sorri.

O boxe era uma das minhas lutas favoritas, só pra constar. Ensinava a ter disciplina e, se não houvesse paixão, não haveria vitória.

Edward me guiou para dentro até a escada principal. Do seu lado esquerdo havia uma passagem que levava a outro corredor, sendo que este tinha paredes de pedra nua.

Diretamente à frente, no fim do corredor, havia uma porta simples de madeira.

Nós e todos os outros nos aglomeramos à frente dela, esperando.

Cerca de dez minutos depois um homem baixo, porém muito musculoso, abriu a porta e, sem nada dizer, se afastou para que passássemos. Ele usava um short e uma regata básica. Não parecia um professor, mas como a matéria em questão era boxe, releva-se.

Havia um ringue de boxe bem no meio do aposento, cercado de arquibancadas em dois lados. No lado oposto àquele por que entramos havia duas portas com figuras de homem e de mulher. A um canto da mesma parede ficavam algumas prateleiras contendo as luvas, faixas de gaze, esparadrapo e cordas de pular.

De frente para a parede esquerda, havia uma fileira de sacos de areia pendurados no teto.

Uma mulher morena com profundos olhos verdes estava parada bem no meio do ringue, usando um short preto muito curto e uma baby look branca, deixando aparecer o quanto ela havia malhado para chegar àquele corpo.

Claro que sua aparência atraiu imediatamente a atenção da maioria dos garotos. Edward, no entanto, se mostrava indiferente, coisa pela qual eu agradeci muito. Não teria paciência para aguentar que ele ficasse babando em cima daquela mulher.

– Boa noite, garotos. Sejam bem-vindos à Academia de Guardiões e à sua primeira de muitas aulas de boxe. Aqui vocês vão aprender o quanto seus punhos são importantes tanto no ataque quanto na defesa. – A mulher começou. Tinha uma voz sedosa e calma, que a fazia parecer muito segura de si. O homem que abrira a porta para nós se juntou a ela no ringue. – Sou Eleanor e este é o meu Guardião, Samir. Ele não fala muito.

Ela soltou uma risadinha, dando uma palmada no ombro do homem, que se quer piscou. Medo!

– Nessa aula vamos ensinar a vocês tanto o boxe comum ou pugilismo, quanto o boxe tailandês, mais conhecido como muay thai. Mas não se preocupem, vamos tentar fazer com que seus ossos tenham o menor dano possível. – Ela riu mais uma vez e pela primeira vez a acompanhei. E fui uma das poucas.

Lembro como se fosse hoje da cara que o meu pai fez quando decidi que queria praticar muay thai, aos dez anos de idade. Os golpes dados com os cotovelos, joelhos e canelas poderiam causar danos quase permanentes nos ossos. Ele queria que eu fosse uma Guardiã, mas também queria que eu estivesse inteira quando a hora chegasse.

Mas acontece que eu me apaixonei mesmo foi pelo pugilismo puro e simples. Apesar dos possíveis danos cerebrais.

– Hoje vocês irão apenas praticar a precisão dos golpes nos sacos de areia. Vamos ajudá-los no posicionamento e na forma correta de golpear. – Ela disse. – Na próxima aula, lembrem de trazer roupas de ginástica.

Com isso nos adiantamos até as estantes para pegar a gaze. Peguei um rolo e comecei a enfaixar as mãos de Edward com cuidado. Em seguida prendi tudo com esparadrapo. Ele fez o mesmo comigo e, em seguida, fomos até um dos sacos de areia ali presentes.

– Você começa. – Edward falou, indo para trás do saco para segurá-lo para mim.

– Pode começar se quiser. – Eu falei, estalando as articulações do pulso e dos dedos.

– Vá você. – Ele disse.

Concordei com a cabeça e me posicionei. Flexionei os joelhos, inclinei-me para frente e coloquei os punhos em frente ao rosto como já havia aprendido. Notei que o loiro, Guardião de Alec, estava logo ao meu lado e imitava todos os meus movimentos.

Ele tinha cara de ser meio delicado e desastrado. Tive pena. Olhei para ele e sorri, fazendo gestos para que colocasse os punhos mais altos. O rapaz me imitou e eu fiz gestos com a cabeça em direção ao saco, para que ele prestasse atenção.

Olhei para Edward, que me observava com uma expressão curiosa no rosto.

– O quê? – Eu perguntei.

– Nada. – Ele disse sorrindo. – Vamos, bata. Devagar para que seu amigo a imite. – Ele finalizou em voz baixa. Sorri de volta e dei um soco no saco.

Vi, pela minha visão periférica, que o rapaz tentava fazer igual. Continuei como se nada estivesse acontecendo, só que batendo muito mais devagar do que seria necessário. Pouco tempo depois aumentei a velocidade, batendo normalmente. Esperava que o garoto conseguisse ir bem e impressionar o seu vampiro.

– Você está indo muito bem. Já praticou boxe antes? – Eleanor perguntou chegando pelo meu lado direito.

– Já sim, durante dois anos. – Eu falei, continuando com o que estava fazendo.

– Tem muita precisão de movimentos. – Ela elogiou satisfeita.

– Obrigada. – Eu falei, sorrindo levemente para ela, que voltou a passear entre os alunos. Parou no garoto ao meu lado.

– Tente fixar um ponto e socar apenas nele. – Ela falou, tentando ajudá-lo. – Não precisa ficar nervoso, é apenas a primeira aula.

Pelo que eu podia ver pelo canto do olho, ele ficara nervoso quando a professora se aproximara e quase socara seu mestre.

Voltei a me concentrar no que estava fazendo antes que acabasse socando Edward por pura distração.

– Vamos, Isabella, com mais força. – Edward mandou.

Fiz uma careta e joguei meu peso contra o saco, imaginando a cara de Edward bem no meio dele. Estava dando certo. Pelo menos poderia descontar minhas frustrações no objeto.

– Troquem de lugares. – Eleanor mandou.

Parei de socar e mudei de lugar com Edward. Ele se posicionou em frente ao saco e eu o segurei por trás.

– Acho que comigo não vai funcionar. – Ele falou dando um soco no objeto.

– O quê? – Eu perguntei sem entender.

– Imaginar o seu rosto aqui. Não estou tão irritado com você. – Ele disse sorrindo, sem tirar os olhos do lugar onde batia. Corei furiosamente. Como ele sabia que eu estivera imaginando seu rosto naquele saco? – Você foi meio óbvia, na verdade. Sempre faz uma careta quando olha pra mim com raiva. Fez a mesma careta olhando para o saco, e acho que ele não pode tê-la ofendido tanto.

Ele riu por fim, mas eu fiquei mortificada.

– Eu não estou irritada. – Eu menti.

– Não? – Ele ergueu as sobrancelhas.

– Só um pouquinho. – Admiti, sorrindo levemente. Edward riu também. Até que ele estava sendo agradável. Será que se eu pedisse, ele seria legal sempre?

Até que tentei, mas não tive coragem.

Preferi olhar ao redor e vi que alguns dos Guardiões estavam tendo dificuldades em socar com precisão. Não é sendo metida nem nada, mas eu não via dificuldade nisso.

Quando olhei para Edward novamente, recebi um soco bem no queixo. Deslizei para trás e caí sentada.

– Puta que o pariu! – Exclamei, meu rosto parecendo rachar ao meio.

– Droga! Desculpe-me, não foi proposital. – Edward falou, correndo para perto de mim. Abri a boca, testando. Parecia que meu queixo estava se soltando do meu rosto, de tanto que doía. Olhei para Edward, que me olhava preocupado.

– O que você estava querendo fazer? – Eu perguntei, aceitando a mão que ele estendia para me levantar do chão.

– Eu... Distraí-me. – Ele falou vagamente.

– O que houve aí? – Eleanor se aproximou de nós. Muita gente havia parado para nos olhar.

– Foi um acidente. – Eu disse, movendo o queixo novamente, para testar.

– Você está bem? – Ela perguntou olhando preocupada para mim.

– Claro, tudo bem. – Eu falei. A dor estava começando a diminuir.

– Então continuem. – Ela mandou.

Voltei para trás do saco para segurá-lo para Edward.

– Com o quê você se distraiu? – Perguntei interessada. Afinal, meu rosto foi que pagou o pato.

– Nada demais. – Ele disse, coçando o queixo meio pensativo.

– Tem que ser alguma coisa importante, pra você quase quebrar a minha cara! – Falei indignada.

– Desculpe-me. Eu realmente sinto muito. – Ele disse.

– Tudo bem. – Eu dei de ombros.

– Você... Sabia que seus olhos tem pintinhas verdes? – Ele perguntou me olhando de soslaio e me deixando boquiaberta. Foi com isso que ele se distraiu?

Pigarreei e disse pra ele voltar a bater, mais corada do que antes.

Claro que eu sabia que meus olhos tinham pintinhas verdes. Eles eram iguais aos de Charlie, castanhos com pintinhas verdes. E eu não sabia o que Edward queria com isso agora.

Depois da aula estávamos todos cansados e suados. E eu, particularmente, estava com fome.

– Vai ter comida no refeitório pra vocês. – Edward falou quando saímos no hall de entrada.

– Estou morrendo de fome. – Falei animada.

Dirigimo-nos ao refeitório junto com os outros. Havia muitas travessas sobre as mesas, contendo ovos, bacon, torradas e suco de laranja. Minha barriga quase falou, desejosa.

– Vou te esperar. – Edward falou, indo para junto de Lauren, numa mesa afastada. Logo Renesme e Alec se juntaram a eles.

Sentei-me à primeira mesa que encontrei e comecei a comer.

– Estou faminta. – Angela disse, sentando-se ao meu lado.

– E eu. – O garoto loiro que eu havia ajudado se juntou a nós. – Ah, obrigado pelas dicas na aula.

– Não tem problema. – Eu falei.

– Sou Mike. Mike Newton. – Ele se apresentou.

– Isie. – Eu disse apenas. Estava com fome demais para ficar falando. Mike não insistiu, enchendo o prato à sua frente.

Depois de nos fartarmos, começamos a conversar de verdade.

– O Alec até que é bom pra mim, sabe. Ele não fica falando por que eu sou meio fraco e desastrado. Quando eu era humano, era bem pior. – Mike admitiu.

– Entendo. Mas o Alec parece ser muito legal mesmo. – Eu comentei.

– E ele é. – Mike concordou. Agora, imaginei se Mike era gay.

– Quem é o seu mestre, Angela? – Eu perguntei para mudar de assunto e não ficar pensando coisas impróprias. Já havia visto o rapaz moreno com olhos amendoados que andava com ela, mas não sabia seu nome.

– Ah, é o Benjamim. Ou Ben, como ele gosta. – Ela disse apenas.

– E ele é legal? – Eu perguntei.

– Do jeito deles. – Ela comentou e eu entendi o que queria dizer. – O seu mestre te deu um soco e tanto hoje.

– Ele se distraiu. – Resmunguei desgostosa. Angela e Mike riram.

– Vamos petite rousse? – Edward falou, tendo se aproximado pelas minhas costas.

Corei furiosamente.

Primeiro por que ele poderia ter ouvido o que eu falei. Segundo por ele me chamar por aquele apelido estranho na frente dos meus amigos.

Segurei sua mão e fui com ele.

– Por que me chama assim? – Eu quis saber.

– Assim como? – Ele perguntou sem entender.

– Esse negócio de petite rousse das quantas... – Eu falei. Edward riu.

– Você não sabe mesmo o que significa? – Ele quis saber. Fiz que não com a cabeça. – Ma petite rousse, significa que você é a minha pequena ruivinha. É Francês, Isabella.

Minha pequena ruivinha.

– Gostou do apelido? – Ele perguntou calmamente.

– Me faz parecer criança. – Eu falei pensativa.

– Posso parar se você quiser. – Ele sorriu.

– Eu gostei. – Corei ainda mais e Edward gargalhou.

– Que bom. – Ele disse apenas.

Não sei se era apenas impressão minha, mas estávamos nos tornando amigos. Apesar de irritante, pelo menos Edward podia ser divertido às vezes. E isso já era um avanço e tanto no nosso relacionamento.

De volta ao nosso quarto, Edward pediu que eu preparasse seu banho. Isso mesmo, pediu. Eu sabia que ele podia me obrigar se quisesse, por isso obedeci.

Preparei a banheira para ele e Edward veio se deitar nela sem roupa alguma. Desviei o olhar o máximo que pude. Ele ficou relaxando na água morna por alguns minutos e, em seguida, me pediu para esfregar suas costas. Fiz o que ele queria, mais delicadamente dessa vez. Não estava com raiva agora.

– Mais forte, Isabella. Como na outra noite. – Ele pediu.

– Na outra noite eu estava com raiva, Edward. – Eu falei, mas mesmo assim esfreguei com mais força.

– Está ótimo. – Ele suspirou. – Pegue uma toalha.

Ele tomou a esponja, terminando o banho sozinho. Em seguida se levantou e eu me aproximei para enxugá-lo. Sequei seus cabelos com cuidado e em seguida parti para o corpo.

– Não precisa, obrigado. – Ele tomou a tolha de minhas mãos, me deixando aliviada. Eu nem se quer tinha certeza de como fazer aquilo. Em seguida ele se enrolou nela e saiu.

– Tome seu banho. – Ele disse.

Esvaziei a banheira e a enchi novamente para mim. Encostei a porta, retirei minhas roupas e peguei um roupão, colocando-o ao lado da banheira. Então entrei, relaxando meus músculos na água morna. Em poucos segundos já me sentia renovada.

– Quer uma ajuda para esfregar as costas? – Edward perguntou, de volta ao banheiro ainda enrolado em sua toalha. Assustei-me e me encolhi na banheira, espalhando água pelos lados.

– Não obrigada. – Eu falei muito corada.

– Não precisa ter vergonha de mim, Isabella. – Edward falou aproximando-se mais da banheira, seus olhos captando os meus intensamente.

– Mas eu tenho. Por favor, pode sair? – Pedi, nervosa.

– Claro. – Ele então virou de costas e saiu, para o meu alívio.

Logo terminei o meu banho e me enrolei no roupão. Quando voltei ao quarto, Edward estava confortavelmente deitado na cama, a toalha caída ao lado da mesma.

Hum... Pelo visto ele gostava de dormir nu.

Nota mental: sempre deixar a porta do quarto trancada quando Edward estiver dormindo.

Ele me olhou e eu me aproximei da cama, já sabendo o que ele iria querer antes de dormir. Ele ergueu a colcha, me chamando para perto dele. Entrei sob as cobertas e Edward me puxou para junto de si. Fiquei nervosa com seu corpo nu tão perto do meu.

Edward me fez deitar ao seu lado e colocou o corpo sobre o meu. Seu nariz roçou a minha orelha, fazendo um arrepio me percorrer, e foi descendo. Seus lábios roçaram a pele sensível de meu pescoço, mandando estímulos pelo meu corpo. Levei minhas mãos aos seus ombros, em busca de apoio. Sua língua percorreu um caminho sôfrego para, em seguida, seus caninos se cravarem em minha pele.

Depois de beber uma grande quantidade do meu sangue, Edward se aninhou em meus braços, a cabeça sobre meu seio, para dormir. Acariciei seus cabelos como se o ninasse, e esperei.

Nenhum de nós disse uma palavra.

O mais importante não precisava ser dito.

Notas finais
Ah gente, só pra constar... No começo eu só expliquei a vida de Bella e o que ela queria da vida. Agora estou mostrando o relacionamento dela com Edward, com a escola e, aos poucos, vou mostrar como a sociedade deles funciona. E isso vai ser importante para vocês entenderem os acontecimentos futuros... huahuahuahua Claro que a fic tem uma trama. Se não, não teria graça. Bjs *Touché (do francês: tocado) na esgrima, é usado como um reconhecimento de um golpe, dito pelo esgrimista que foi golpeado.