A Grande Guerra

7 Orgulho é Poder!


Notas iniciais
Após os acontecimentos na capital do Império Kelfo, Spark retorna ao lar são e salvo para que possa se preparar para as batalhas à frente. No entanto mesmo com o aumento recente em seus poderes, será que ele poderá enfrentar os adversários Krügers? Como ele, Asus e os demais Saiyajins da Fortaleza irão combater os exércitos liderados pelo inescrupuloso Lord Schutz?

Capítulo 7 – Orgulho é Poder!

Um grito de dor de gelar a espinha ecoou pelo interior da grande nave dos Krügers. Um grito de sofrimento e medo, mesclados como uma horrenda sinfonia aos ouvidos dos demais ocupantes da nave, tendo como ponto de partida os aposentos do perverso líder da raça Krüger.

Ajoelhado, trêmulo diante de seu senhor, Himmler protegia o lado direito do rosto com as duas mãos, enquanto um rio de sangue púrpura lhe escorria por entre os dedos, se misturando à grande quantidade que já empoçava o chão frio e metálico do ambiente. Ele deu mais um gemido de dor, ao erguer a cabeça e encarar Schutz Staffel com o olho que estava descoberto por suas mãos. O líder Krüger trazia em seu rosto a sua expressão mais cruel e em sua mão, o globo ocular direito de Himmler, obviamente arrancado à força da cabeça do Comandante, o que havia resultado em toda aquela perda de sangue.

- Você é mesmo um imbecil, Himmler! Um inútil! – Schutz vociferou, num berro quase gutural – Se deixou enganar pelo truque mental de uma garota Kelfa, você que deveria ser um poderoso Comandante do Exército Krüger? Eu deveria lhe exterminar agora mesmo...

- Não... por favor, misericórdia Lord Schutz.. – implorou Himmler, entre seus gemidos de dor.

- Dê-me um bom motivo para isso, Comandante... Dê-me um bom motivo para que eu não acabe com a sua vida miserável aqui, agora mesmo!

- O Super Saiyajin, senhor, irei matá-lo sem dúvidas! Mesmo que esteja com seu corpo em perfeito estado, ele não poderá suportar uma luta direta contra mim! Eu não irei falhar novamente senhor... não irei! Trarei a cabeça daquele macaco asqueroso numa bandeja para o senhor!

- E se por um acaso você falhar, Comandante...? O que eu devo fazer com você? Seja homem e reconheça a punição adequada para si!

- Então não poderei fazer mais parte do grandioso exército Krüger... e o senhor poderá tomar a minha vida...

Schutz sorriu, um sorriso carregado da mais profunda maldade, seus olhos repousando na patética figura ajoelhada de Himmler com total desprezo.

- Suma da minha frente, Comandante. Vá cuidar desse seu ferimento no olho e em seguida traga-me a cabeça do Super Saiyajin.

- S.. sim, senhor...

O comandante se reergueu cambaleante, ainda tampando a ferida no olho com a mão direita, enquanto tentava inutilmente não demonstrar dor. Ele saiu da presença do soberano Krüger, seus passos inconstante ecoando pelos corredores metálicos da imensa nave mãe.

Todos eles vão me pagar... eu vou matar aquele Saiyajin desgraçado juntamente com seus amigos Kelfos e os trarei empalados para o Lord Schutz. Depois de toda essa humilhação que me fizeram passar, isso não sairá impune!

Já na enfermaria, Himmler começou a receber seus atendimentos médicos. O seu olho havia sido arrancado à força, e graças a isso todos os nervos óticos haviam sido danificados. Não havia nada a ser feito para que se recuperasse a visão daquele lado, apenas recebeu o tratamento para que a órbita vazia não infeccionasse. O Krüger encarregado de oferecer os cuidados médicos tratou de trazer um frasco com uma solução laranja dentro, que uma vez destampado exalou um fortíssimo aroma como o do éter. Ele encharcou um chumaço de algodão com a solução, que era na verdade um antisséptico e o colocou sobre a ferida. O Comandante rosnou como uma fera no momento em que seu ferimento foi tocado pelo remédio, que ardia bastante, travando os dentes e fincando os punhos. Sua vontade de se vingar de seus inimigos crescia cada vez mais. Mesmo assim, permaneceu quieto enquanto o médico continuava o tratamento, desinfetando a ferida e em seguida aplicando bandagens que cheiravam como novas. Após algumas voltas ao redor da cabeça do guerreiro Krüger, o curativo estava pronto. E ele nem ao menos esperou que o médico lhe desse o aval para poder ir embora, levantando-se assim que o serviço estava completo. Encontrar e matar Spark era a única coisa que importava para Himmler agora.

Sim... mas vou humilhá-lo primeiro. Eu pude perceber que ele se importa com aqueles dois Kelfos, então se eu puder mata-los primeiro, destroçarei por completo seu espírito! Sim, não vai restar nada dele quando eu concluir meus planos, e a única coisa que ele vai poder esperar é a morte!

E assim, Himmler correu em disparada até a principal saída da grande nave mãe, a enorme comporta hidráulica e em seguida ganhou os céus voando numa velocidade assombrosa com apenas um objetivo: chegar à capital Kelfo e encontrar Simon e Lilly, para em seguida mata-los.

* * *

A última porção de terra havia finalmente sido despejada, e agora tudo estava consumado. Spark finalmente havia finalmente sepultado o corpo de sua mestra Lenia, sob uma rocha sem nome aos fundos da Fortaleza. Ao final daquele dia, os Saiyajins sobreviventes haviam escolhido aquele lugar para sepultar seus mortos. Muitos utilizavam-se de suas técnicas de luta ou poderes para abrir as covas no chão, entretanto Spark havia feito questão de cavar a sepultura de sua mestra com as próprias mãos. Era o mínimo que poderia fazer por quem havia cuidado dele desde a infância, e o transformou no guerreiro que era hoje. Lembrou-se de como ela era severa, de como ela brigava com ele o xingava, mas também se recordou de como ela se importava com ele. Recordou-se de quando havia passado um mês afastado da Fortaleza, morando junto aos Kelfos graças à tentativa frustrada de assassinato de Asus e das saudades que sentiu de sua instrutora. E, no momento em que havia retornado ao lar, o reencontro com ela no refeitório da Forteleza diante dos olhos de todos que achavam que ele estava morto.

- Então, você passa um mês fora e quando volta, quer se achar o centro das atenções, não é? Mas que raios de trajes ridículos são esses? Aonde foi parar seu orgulho de Saiyajin, moleque!? Ora, você vai ter que vestir roupas decentes caso não queria que as pessoas se esquivem de você como se você tivesse alguma lepra Kanaasajin!

Spark deu um leve sorriso, transportando-se para aquele dia novamente. Aquela lembrança o enchia de calor, em contraste com o corpo de sua instrutora, que havia acabado de enterrar coberta num lençol branco. Então fechou os olhos, e deixou que algumas lágrimas rolassem por seu rosto sujo e ferido. Após ter chegado, não havia tomado banho ou ido se medicar, pensava apenas em prestar as ultimas homenagens à pessoa que ele amava muito antes de sequer conhecer o significado dessa palavra. Queria apenas se assegurar que depois de uma vida de batalhas, Lenia poderia finalmente descansar em paz.

Inesperadamente, Spark sentiu uma mão pousar sobre seu ombro. Imediatamente ele secou suas lágrimas com as costas das mãos, virando-se logo em seguida para ver quem era. Mahala estava lá, parada diante dele com uma expressão séria que denotava condolência e respeito.

- Ah... é você... – disse Spark, fungando o nariz enquanto tentava disfarçar o choro. Era a segunda vez aquele dia que Mahala o havia flagrado daquela maneira – Eu... estava terminando... agora já acabou.

- Vamos lá para dentro Spark. Eu faço ideia de como você está se sentindo agora... mas em tempos de crise, como a que estamos passando neste momento, não podemos chorar por nossos mortos por muito tempo. Todos nós precisamos ser fortes agora para podermos triunfar nessa guerra. E você é o Super Saiyajin, tem que estar com o corpo em plenas condições para as próximas batalhas. Vamos, precisamos de você lá dentro.

- Sim... você está certa. Obrigado, Mahala.

A jovem guerreira não disse mais nada, apenas dando as costas e iniciando uma lenta caminhada em direção ao interior da Fortaleza, sendo seguida por Spark. Antes de atravessar o vão da porta que dava acesso aos corredores internos, no entanto, Spark deu uma última olhada para trás, para o túmulo de sua instrutora antes de prosseguir.

Mestra Lenia, eu não vou falhar. Te prometo isso!

Os dois caminharam até o salão principal, agora repleto de feridos amontoados por todos os lados. O Governador Dio estava sério, conversando algo com Dirk, Dieter e Klaus. Axl podia ser visto dando auxílio médico a um guerreiro Saiyajin de meia idade, ferido no chão, mas não havia sinal de Asus em lugar algum.

Quando finalmente Spark uniu-se aos demais, foi bem recebido pelo Governador.

- Oh, Spark meu rapaz, estava esperando apenas você chegar – ele disse num tom cansado – Precisamos traçar nosso plano de ataque o mais rápido possível.

- Plano de ataque? – Spark repetiu, erguendo uma sobrancelha.

- Sim. Nós conseguimos repelir uma pequena onda de ataque dos Krügers hoje, mas isso só prova que eles nos subestimaram e não efetuaram um ataque maciço. E olhe para nós. Não haverá como curarmos todos os nossos guerreiros rapidamente, não temos tantos medicamentos assim e não podemos simplesmente esperar por mais um ataque. É hora de avançarmos, e pega-los desprevenidos. Você deve saber tão bem quanto eu que nós não somos o principal objetivo deles, não é mesmo?

- Sim – Spark respondeu com firmeza, relembrando a conversa que havia tido horas atrás com o Grande Imperador – Eles tem contas a acertar com os Kelfos primeiro, para depois virem nos destruir. Nesse exato momento, existem tropas Krügers marchando pelas ruas de Himmel, eles estão colocando seus melhores guerreiros naquele lugar à fim de conquista-lo logo.

- Como você sabe disso? – questionou o Governador, curioso – Por acaso foi para lá que você foi quando nos deixou aqui?

Spark sentiu-se um pouco constrangido. Havia de fato abandonado seus companheiros para ir ao auxílio de Lilly e Simon, seguindo apenas seus próprios sentimentos e não levando em consideração a segurança de seu lar e dos demais de sua própria espécie. E o tom de voz do Governador Dio dizia exatamente isso.

- Sim, senhor... – foram as palavras de Spark, quando finalmente conseguiu responder – Havia algo de muito importante lá que eu não podia deixar de fazer...

- Imagino o que seria mais importante do que seu lar e seus semelhantes, rapaz?

- Isso não importa agora Governador... o que eu quero que saiba é que os guerreiros Krüger tem um poder assombroso. Eles esmagam os Kelfos com imensa facilidade, mesmo os seus guerreiros mais poderosos. E um deles... um deles...

Spark travou os dentes, lembrando-se da surra e da humilhação sofrida diante do Comandante Himmler. Fora vencido sem sequer ter chances de revidar e por pouco não foi morto.

- ...um deles conseguiu me vencer sem o menor esforço – disse o garoto por fim – Eu... que agora sou o Super Saiyajin, mesmo assim não fui páreo para ele.

Aquela revelação foi suficiente para chocar todos os que participavam da conversa. O Governador ficou sem reação alguma, sem saber direito o que pensar ou dizer. Dirk e Dienter cochicharam algo entre eles, enquanto Klaus exibiu um olhar perdido em direção ao chão. Axl, que havia terminado de fazer os curativos no guerreiro ferido e havia ingressado na reunião, balbuciou a palavra impossível de forma lenta e gaga. Apenas Mahala pareceu neutra diante daquela declaração de Spark e foi justamente ela que quebrou o silêncio mórbido que havia se instaurado entre eles.

- Um momento, eu não estou conseguindo compreender direito esta conversa! O que são os Kelfos? Onde é Himmel e o que isso tem a ver com Spark e com essa guerra? Por acaso existem outros seres vivos e inteligentes aqui neste planeta além de nós?

Spark e o Governador Dio se entreolharam. Sabiam que naquele momento não havia mais necessidade de guardar o segredo da existência dos Kelfos então começaram a explicar o que se tratava. O Governador contou a história de quando o povo Saiyajin havia chegado em Omega-003 e que fora contatado pelos líderes do Império Kelfo, a raça de seres místicos natural do Planeta, muito antes do nascimento dos Saiyajins mais jovens e sobre o acordo de paz e neutralidade que existia entre ambos os povos além da condição de que uma raça jamais propagasse a existência da outra para seus semelhantes, num pacto de sigilo mútuo. Spark então contou o seu lado da história, de como havia sido emboscado por Asus e sua gangue anos atrás numa luta desigual e quase fora assassinado, tendo seu corpo arremessado centenas de quilômetros de distância com um devastador Big Bang Attack que o mandou para dentro dos limites do território Kelfo. Contou que foi acudido por uma família Kelfo sem entrar em detalhes sobre o Chanceler Kopf ou Lilly, limitando-se a dizer que havia ficado por lá durante um mês e que havia treinado bastante nesse meio tempo por falta do que fazer, e enquanto o tempo passava ele descobria coisas sobre a cultura daquele povo curioso. Ele contou também sobre o diálogo que ele havia tido com o Imperador, sobre os motivos daquele conflito e que a rivalidade entre Kelfos e Krügers já vinham de longa data e que por coincidência os Saiyajins haviam dizimado o planeta Krüger durante uma das guerras entre ambos os povos, por isso o rancor contra os Saiyajins também.

Houve mais um longo momento de silêncio, onde nenhum dos presentes conseguiu dizer nada, cada um assimilando à sua maneira todas as informações que haviam acabado de receber. Agora estava explicado o porque daqueles seres detestarem os Saiyajins e desejarem a sua destruição e o que eles estariam fazendo no planeta Omega-003. Para o Governador Dio, aquela conversa foi como trazer à tona novamente um grande punhado de sujeira, escondido por muitos anos debaixo do tapete que era a estadia dos Saiyajins naquele Planeta, finalmente revelando a existência dos pactos diplomáticos entre eles e os Kelfos. Já para Spark, aquilo servia apenas de retrospectiva, mais uma das tantas reprises dos acontecimentos recentes que ele estava fazendo só naquele dia. Ele já não suportava mais isso, e por um momento desejou que tivesse apenas uma expressão vagamente perdida como a dos demais Saiyajins presentes no diálogo.

- Mas então, se é este o caso... – começou Axl, arriscando-se a ser o primeiro a falar novamente – então nós devemos prosseguir com um ataque valendo tudo, diretamente contra a nave mãe enquanto eles estão muito ocupados dominando os Kelfos. Sem a resistência dos principais guerreiros inimigos e com o auxílio de luas artificiais seremos imbatíveis, destruiremos a vontade de lutar dos Krügers e venceremos a guerra!

- Não será algo tão fácil, rapaz – contrapôs o Governador, com um pesado ar sombrio – Mesmo que os principais guerreiros estejam fora em batalha, o mais poderoso dos inimigos ainda está na nave. Estou falando do líder Krüger, Schutz Stafell, que foi capaz de derrotar todos nós, incluindo Tank com apenas um golpe nas geleiras. Se vamos atacar agora, este terá de ser um ataque calculado para que possamos destruir o inimigo de uma vez.

- Se me permitem... – foi a vez de Spark começar a falar, dando um ligeiro passo à frente – atacar o inimigo de frente agora não vai adiantar de nada, senão apenas irritar o inimigo e fazê-lo nos exterminar com violência.

- Como é? E o que sugere, Spark, que fiquemos aqui esperando pela morte chegar?! – Dio esbravejou, de punhos fechados e salpicando saliva em todas as direções – Isso não é algo que se espera ouvir do Super Saiyajin!

- Eu não disse isso. Eu também quero lutar. Quero vingar a morte da Mestra Lenia e dos outros, tanto quanto vocês, e na minha condição atual eu sou o mais cotado a ir lá enfrenta-los... No entanto, eu sei reconhecer que meus poderes ainda não são suficientes para vencê-los. Nós precisamos ganhar tempo enquanto os Krügers não estão prestando tanta atenção em nós e nos dedicaremos a aumentar nossos poderes, precisamos treinar mais ou seremos completamente massacrados sem nem ao menos ter chances.

- Mas como podemos treinar numa situação dessas? – perguntou Klaus – Nós estamos no meio de uma guerra, como poderemos treinar para elevarmos nossos poderes? Isso leva tempo demais, não vamos nos tornar mais fortes em questão de dias. É duro ter que afirmar isso, Spark, mas nós não temos nem um segundo à mais do que o que nós estamos vivendo agora. Numa crise como essas, nosso tempo é escasso demais para se desperdiçar com treinos inúteis...

- Então está dizendo que nós devemos ataca-los de frente, mesmo possuindo poder inferior?!

Todos se entreolharam por um instante, e em seguida devolveram o olhar a Spark. Era evidente que por mais que soubessem que não eram equiparáveis ao inimigo, os Saiyajins queriam atacar de volta. Com raiva, Spark crispou os punhos com força e num brusco movimento, deu as costas aos seus companheiros.

- É inútil. Vão apenas conseguir se suicidar... – ele afirmou por fim, afastando-se dos demais em seguida.

- Ei! Aonde você vai? – indagou Dirk, surpreso pela reação de Spark

- Vou tentar me recuperar de minhas feridas até amanhã. Vocês querem um ataque, então terão um ataque. Eu me encarregarei de ir lá e destruir os Krügers... Mas não vou permitir que nenhum de vocês jogue a própria vida fora num ataque tolo e sem efeito significativo.

Mahala fez mensão de querer segui-lo, mas foi detida pelo Governador Dio que a segurou pelo braço, movendo lentamente a cabeça num sinal de negativa. Havia outras coisas a serem feitas naquele momento, coisas mais urgentes do que simplesmente ir atrás de Spark. Não seria justo que enquanto diversos Saiyajins pereciam aos seus ferimentos, ela deixasse de ajuda-los para tentar conter a insatisfação do jovem. Compreendendo o olhar do líder da Fortaleza sem nem ao menos ser necessário o uso de palavras, a guerreira foi até o ferido mais próximo, à fim de lhe oferecer auxílio médico.

* * *

Asus encontrava-se sozinho, num lugar desconhecido e escuro. Caminhava a esmo, perdido, no que parecia ser um espaço infinito envolto pelas trevas. Não sabia como havia ido parar lá, mas naquele momento aquilo pouco importava. Apenas caminhava, sempre em frente, até avistar a luz. Sem hesitar, correu até ela, chegando a um lugar que se assemelhava a uma planície árida. Não havia nada, nem uma única forma de vida, e o céu brilhava escuro como a noite. Após mais alguns passos à frente, o chão a sua frente pareceu transformar-se numa enorme ravina, que sabia que há pouco menos de um segundo atrás não estava ali. Supreso, o guerreiro Saiyajin deu um passo brusco para trás, assistindo algumas pequenas pedras caírem no abismo e desaparecer na escuridão sem fim que ocultava o fundo do abismo. Não havia como saltar aquele enorme buraco, então a única saída para Asus seria voltar ao caminho de onde viera. No entanto, ao se virar para sair de lá, deu de frente com Spark.

- O que?! O que está fazendo aqui? Saia de meu caminho, verme insolente! – ele bradou com seu habitual tom arrogante e mal-humorado. Spark no entanto não se moveu. Em vez disso, sorriu.

Porém, ao contrário dos habituais sorrisos amáveis que o garoto costumava ostentar em seu rosto, o sorriso atual de Spark estava carregado com uma expressão totalmente diferente. Havia crueldade em seu olhar, uma expressão sádica, até mesmo louca, em meio àquele sorriso que não era nem um pouco agradável de se ver. Ele avançou a passos curtos em direção a Asus, que não compreendia sua própria reação: ele recuava, como um pequeno animal acuado por seu predador, de volta em direção à ravina.

- Você é fraco! – sibilou Spark, ainda com toda maldade expressa em seu olhar.

-O que foi que você disse, maldito?! Vou lhe mostrar quem é fraco!

O orgulhoso guerreiro avançou em direção ao seu adversário, ofendido pela provocação desferindo-lhe um poderoso soco em seu rosto, mas não contava com o rápido movimento do jovem garoto que conteve sua mão com uma surreal firmeza.

- Você é fraco! – repetiu, em meio a um rosnado de ódio – Um guerreiro fraco, inexpressivo e inútil como você não é digno de ser como eu! Eu sou o limite máximo que você nunca irá atingir!

- Seu miserável! Não diga isso, eu sou um guerreiro de elite! Eu sempre fui mais poderoso do que você, desde quando éramos crianças! Você é apenas um guerreiro fraco de classe baixa, não permitirei insultos vindos de você!

- Ah, é mesmo? – rebateu Spark, sua voz inundada da mais profunda ironia – Então porque eu, e não você, que agora sou o Lendário Super Saiyajin?

Aquilo pareceu destroçar Asus por dentro tamanho era seu ódio, suas entranhas sendo completamente contaminadas por uma terrível cólera. Toda aquela humilhação para ele era demais. Ao contrário de suas expectativas, parecia que todas as vezes ele tinha de ser superado por seu maior rival, e aquilo já havia mais do que o tirado do sério. Com o outro braço, tentou socar o rosto de Spark novamente, sendo detido com a mesma facilidade de antes.

- Você é um inútil, Asus. Um verme. Nunca poderá me vencer enquanto tiver esse poder ridículo. Agora morra, e sofra por toda a eternidade no inferno por ser tão fraco!

Spark o atingiu com a sola do pé no meio do seu peito, mandando-o direto para o abismo que existia logo atrás dele. Asus afundou como uma pedra, caindo desenfreadamente em meio a imensidão escura, chegando ao ponto de perder o céu noturno de vista. Caiu como se não houvesse fim naquele buraco, seu corpo sempre descendo e descendo, cada vez mais envolto pelas trevas do abismo, até o ponto onde parecia já não existir mais nada senão o vácuo. Ainda em queda livre, Asus tremeu por completo ao ver o rosto de Spark, enorme como um prédio vir em sua direção.

- Fraco... você é fraco, Asus! Não passa de um inútil! – ele repetia sem parar, enlouquecendo o orgulhoso guerreiro Saiyajin.

- Não! Cale a boca, cale-se! Cale-se!! Eu sou o mais poderoso!!

No entanto, outra voz surgiu às costas de Asus, que antes mesmo que pudesse perceber havia parado de cair, e agora encontrava-se em pé, como num chão invisível em meio às trevas. Totenkopf estava lá, de braços cruzados, sorrindo malevolamente para Asus.

- O mais poderoso? Não me faça rir. Você não é capaz nem ao menos de derrotar um guerreiro como eu.

- Não diga asneiras! Vai ver só!!

Asus posicionou-se em sua guarda, dando um poderoso impulso com as pernas e investindo numa velocidade inacreditável contra o adversário. Aplicou um soco feroz em direção ao rosto de Totenkopf, que só precisou chegar sua cabeça para trás à fim de evita-lo, sendo seguido de uma sequência de diversos golpes em altíssima velocidade, numa sequência de socos e chutes aparentemente sem fim. Espantosamente, o adversário bloqueava ou esquivava-se de todos os ataques sem ao menos desfazer seu sorriso maldoso e quando teve a oportunidade, segurou o punho de Asus com força e o puxou em sua direção, atingindo uma joelhada no estômago do Saiyajin que o deixou imóvel. Em seguida, acertou-lhe nas costas com as duas mãos entrelaçadas, mandando o guerreiro violentamente contra o solo. Asus estava completamente indefeso diante do guerreiro Krüger que o pisoteava impiedosamente nas costas repetidas vezes.

- Está vendo isso, Asus? É a prova de quão inúteis são as suas habilidades. Seus poderes podem parecer grandiosos aos olhos dos guerreiros mais fracos, mas com esse nível de luta você não pode nem ao menos se proteger contra inimigos reais! Você é um inútil, um inútil!!

Ele ergueu um enfraquecido Asus pelos cabelos, atingindo um soco em seu rosto em seguida, que o fez cambalear e no instante seguinte, apareceu às suas costas, imobilizando-o. E nesse momento, uma silhueta humanoide veio caminhando em direção ao Saiyajin, totalmente indistinguível como uma sombra que pouco a pouco ia ganhando definição. E parado diante de seus olhos estava Spark, ainda com o sorriso maléfico no rosto.

- Isso é para que você aprender aonde deve ser o seu lugar.

Spark lançou sem hesitar uma saraivada de socos por toda a extensão do corpo de Asus, que permanecia firmemente imobilizado não mais por Totenkopf, mas por outro Spark, que gargalhava enquanto os golpes atingiam sua carne. Quando a surra finalmente cessou, Asus se viu cercado por diversos Sparks, que o olhavam com desprezo. Todos eles ergueram suas mãos em direção ao guerreiro imóvel, incapaz de se defender, que tremia em pânico diante daquela terrível realidade. O Spark que o havia espancado então se transformou em um Super Saiyajin, sendo envolvido pelo brilho dourado que lhe era tão característico, mudando a cor de seus olhos para verdes e os cabelos para loiros.

- Sinta na pele o que é o poder do Super Saiyajin, Asus! Desapareça!

- Não, espere! Espere!! PARE!!

Todos os demais também se transformaram ao mesmo tempo, disparando uma imensa quantidade de energia em Asus, que foi envolvido por um imenso clarão de luz dourada e brilhante. Naquele instante ele fechou os olhos e pensou que fosse morrer, mas quando os abriu novamente, estava em pé no meio da arena da Fortaleza. Ela estava bastante danificada, com sinais de que uma terrível batalha havia acontecido ali. Ele reconheceu de imediato que aquele era o momento em que havia lutado com Spark, três anos atrás. No entanto, do outro lado da arena seu rival se encontrava já transformado em Super Saiyajin.

Só então Asus se deu conta de que todos saudavam Spark, clamando seu nome e o dando vivas ao Super Saiyajin, indo em direção a ele.

- Spark, você realmente é o melhor! – gritava Lenia juntamente com Tank, que estranhamente estavam cobertos de sangue e ferimentos os dois, com os olhos esbranquiçados como os de pessoas mortas. Seu instrutor possuía um enorme buraco na barriga por onde dava para ver suas vísceras e ambos carregavam algo do tamanho de um bebê, num pano coberto de manchas vermelhas que estava imóvel.

- Sim, o mais poderoso de todos! – vinha a voz de Gyules de outra direção, o pequeno guerreiro gorducho estava com o corpo totalmente carbonizado, algumas partes em carne viva e o mesmo olhar cadavérico dos outros dois.

Spark então abriu a boca afinal, olhando em direção a Asus com um olhar acusador e penetrante. Todos os demais presentes, incluindo o público da arquibancada fizeram o mesmo.

- Olhem para isso... a vergonha de nosso povo. Por favor, presenteiem aquele lixo impotente do Asus com aquilo que ele merece!

Pior que uma surra coletiva, que uma chuva de disparos de energia ou mesmo ser pisoteado por um enorme macaco gigante, Asus recebeu aquilo que não poderia nunca suportar: uma enorme onda de gargalhadas debochadas em sua direção. Todos riam dele, como se ele fosse um palhaço e não o orgulhoso guerreiro que era.

- Parem com isso... parem, parem!! Não vou admitir que riam de mim! PAREM COM ISSO, DESGRAÇADOS, PAREM!!!

Mas as gargalhadas apenas aumentavam, mas ainda assim Asus podia ouvir comentários das pessoas. Ouviu claramente a voz de Mahala dizendo “olhe como é patético” e os membros de sua antiga gangue lançando comentários como “não acredito que nós passamos tanto tempo seguindo ordens de um perdedor”.

Ele não aguentou mais. Crispou os punhos com força e gritou, um berro desesperado do fundo de sua alma, que já não aguentava mais toda aquela louca e incoerente situação. Sentiu seu poder se elevar, à medida que destroços da arena voaram longe e a realidade começou a se distorcer, restando apenas um colossal rosto de Spark em sua forma Super Saiyajin que flutuava em sua frente como um enorme planeta, ainda com o sorriso maligno. Ele olhou nos enormes olhos de seu rival, sentindo mais fúria do que nunca havia sentido antes em sua vida.

- NÃO SEREI SUPERADO POR VOCÊ! NÃO SEREI, SPARK! EU JURO QUE SEREI MAIS FORTE DO QUE VOCÊ, MALDITO!!

E dando o mais visceral e aterrador grito de toda a sua vida, tudo foi envolvido numa gigantesca explosão de luz.

Quando deu por si, Asus estava de volta em seu alojamento na Fortaleza. Havia finalmente despertado daquele pesadelo horrível, estando de pé em meio a um caótico cenário diferente daquele que havia visto antes de ir dormir: sua cama havia sido reduzida a frangalhos, a lâmpada do teto havia se partido e as paredes metálicas estavam completamente contorcidas. Um espelho havia se quebrado em diversos cacos, e quando Asus olhou para ele, regozijou de alegria e furor: refletido em uma imagem distorcida pelos cacos, encontrava a sua própria imagem envolvida por uma aura dourada e os enormes cabelos que iam além da cintura estavam agora loiros e espetados para o alto. Era inquestionável que Asus havia se transformado num Super Saiyajin.

Aquele pesadelo... Por um momento pensei que iria perder a sanidade, mas graças a toda a fúria que senti naquele sonho louco eu pude finalmente elevar meu poder ao máximo! Sim, agora eu também sou um Super Saiyajin e com esse poder, irei destroçar todos que se colocarem em meu caminho! Principalmente você, Spark!!

Toda aquela emoção era deliciosamente saboreada por Asus, que sentia-se mais poderoso do que nunca em toda a sua vida. Precisava testar todo aquele poder o mais rápido possível, não poderia esperar nem mais um único segundo para se envolver numa luta. Sentiu que, naquela transformação seus sentimentos combativos se afloravam ainda mais e que seu coração de guerreiro Saiyajin clamava por uma boa batalha. Então sem demora, estendeu sua mão para uma das paredes de seu alojamento, disparando uma grandiosa onda de energia amarelada, causando uma forte explosão que sacodiu toda a Fortaleza, revelando o lado de fora da mesma. E em seguida, precipitou-se em direção aos céus, voando em altíssima velocidade em direção àqueles que sabia que seriam adversários poderosos: os Krügers que se encontravam na nave espacial nas geleiras.

Notas finais
Promessa é dívida! E finalmente, hoje, depois de tanto tempo, chega mais um novo capítulo de A Grande Guerra! Sim, a fic está de volta à ativa. Foram alguns anos de espera, e eu sinto muito por quem esperou... mas eu tive diversos contratempos, coisas que me desmotivaram a escrever, mas que não devo mencionar aqui, afinal o clima atual tem que ser de alegria pelo retorno da galera de Spark e não relembrar mágoas passadas! O que passou, passou e o que importa agora é o presente. Para mim é muito importante terminar esse trabalho, o que será feito muito em breve.
Primeiro, tive de ler novamente ambos os trabalhos. Em \"O Renascer dos Saiyajins\" pude relembrar alguns momentos marcantes, e outros detalhes da estória que já não me lembrava mais. Depois, em \"A Grande Guerra\", tive de pegar novamente o embalo da narrativa para ela não perder o rítmo. Nesse capítulo não houveram grandes batalhas, afinal é como se fosse novamente o começo da estória para mim. Mas, agora que Asus se transformou num Super Saiyajin e está louco para testar seus novos poderes, podem ter certeza que altas lutas aguardam não só a ele, mas também os demais personagens. Talvez, ao contrário de \"O Renascer dos Saiyajins\", essa estória tenha mais de dez capítulos, mas isso é algo que ainda não decidi.
Enfim, espero que fiquem felizes em poder acompanhar novamente meu trabalho tanto os leitores antigos quanto novos que virão! Desejo a todos que tenham ótimas leituras nos capítulos que virão daqui para frente! :D