A Grande Guerra

8 Asus enfrenta o inimigo!


Notas iniciais
Asus agora é um Super Saiyajin. E está louco para fazer uso de sua nova força. Entretanto, toda euforia do orgulhoso guerreiro pode trazer problemas aos demais Saiyajins. Será que Spark e os outros permitirão que ele lute descontroladamente contra todos os inimigos?

Os passos acelerados de Spark ecoavam pelos corredores metálicos da Fortaleza, acompanhados pelos de Mahala, não menos frenéticos. Ambos correram até o último andar das habitações, onde sabiam que ficava o alojamento isolado que Asus havia escolhido para si durante toda sua vida. O jovem Saiyajin estava preocupado, suas feições exprimindo bastante tensão diante da situação que se encontravam. Não podia acreditar no que havia sentido minutos atrás e muito menos compreender o motivo pelo estrondoso tremor que havia chacoalhado toda a Fortaleza dos Saiyajins.

Lembrou-se que acabara de voltar ao seu alojamento, minutos após a discussão com os demais companheiros no salão principal, para poder descansar. Não estava satisfeito com o final da conversa, e achava uma má ideia lançar um ataque direto aos Krügers mesmo sem possuir o poder necessário para vencê-los, mas ainda assim conseguia compreender seus colegas. Ninguém queria ser dominado, subjugado e destruído pelo inimigo, nem mesmo ele. Se aquele ataque pudesse realmente trazer o fim à guerra, então seria feito em nome dos guerreiros Saiyajins que pereceram na luta. Deitado em sua cama após um banho e já vestindo um novo colant preto, Spark tentava descansar quando sentiu um terrível ki se elevando cada vez mais, dentro da própria Fortaleza. Conhecia muito bem aquele ki, o de seu rival Asus, e ao que parecia ele estava se elevando sem limites. Pensou que aquilo se tratasse de algum treinamento sendo efetuado pelo guerreiro, mas espantou-se quando um som de explosão seguido por um pesado tremor se espalhou pelas estruturas de seu lar. Mais espantoso ainda era o fato de que o ki de Asus havia mais que triplicado instantaneamente, restando a única explicação que, de alguma forma, Asus havia finalmente se transformado num Super Saiyajin assim como si próprio mais cedo. No entanto, se fosse mesmo este o caso, Spark sentia mais preocupação do que alívio com isso. Claro que outro Super Saiyajin em batalha seria de grande valia para vencer os Krügers, mas por outro lado Spark conhecia a obsessão do seu rival em derrota-lo, o que talvez resultasse em lutas internas desnecessárias em vez da cooperação necessária para se vencer aquela guerra. Outra sonora explosão se sucedeu, o que serviu para trazer o garoto de volta à realidade. Instantaneamente ele correu para fora do próprio alojamento, disparando pelos corredores metálicos e frios da Fortaleza.

Assim que havia saído correndo pelo umbral da porta de seu alojamento viu que Mahala – que repousava num quarto próximo ao seu – havia feito o mesmo. Não se espantou, afinal a jovem guerreira era a única além dele que podia detectar o ki em toda a Fortaleza.

- Você sentiu isso também? – ela perguntou, enquanto o acompanhava correndo.

- Sim! Asus... será possível?

- Precisamos ir lá conferir. Asus pode estar com problemas!

Já diante da porta do alojamento do orgulhoso guerreiro, Spark não fez questão de usar boas maneiras para entrar, atingindo a porta bruscamente com a sola do pé num poderoso chute, capaz de arrancá-la da parede e atirando-a para fora da construção que era o lar dos Saiyajins, por um enorme buraco feito à força na parede do quarto.

Spark observou o ambiente, desde as paredes de ferro retorcidas até o enorme rombo na parede causado pelo disparo de energia. O quarto ainda estava coberto de fumaça pelo ataque destruidor que havia aberto aquele buraco, mas o que mais chamava a atenção era um pequenino ponto dourado que brilhava no céu à distância, como uma estrelinha. Spark fechou os punhos, resignando-se diante da realidade inegável.

- Asus... então é verdade, ele também se tornou um Super Saiyajin...

- Parece que sim, Spark... mas me pergunto aonde ele está indo agora? – Mahala também observava o guerreiro cada vez mais distante.

- Provavelmente está indo em busca de algum desafio... Quando nos transformamos em Super Saiyajins, sentimos uma incontrolável excitação para batalhas. Some isso ao temperamento do Asus e nós teremos uma violenta luta acontecendo dentro de pouco tempo.

- Mas onde ele poderá encontrar adversários? Asus não pode sentir o ki como nós dois, e também não sabe da localização ou mesmo da existência dos Kelfos... onde ele estará indo?

Spark pensou por um tempo, com a mão no queixo. Só havia um lugar para onde Asus poderia ter ido: as geleiras. Lembrou-se das palavras ditas pelo guerreiro durante a luta contra Totenkopf, logo quando ele havia entrado na batalha:

Eu tive a atenção desviada de meu treinamento quando uma nave gigantesca passou pelos céus... em seguida, vi alguns Saiyajins perseguirem a dita cuja e resolvi ir investigar. Não me contive ao voar, despreocupado em esconder minha presença. Os rastreadores haviam pifado mesmo... então assisti este gigante e o outro cara aniquilarem todos os Saiyajins, incluindo aquele molenga do meu antigo mestre.

- Ele sabe, ele já esteve lá! – afirmou o jovem guerreiro, com uma séria e pesada expressão facial – Lembra, quando Asus apareceu de novo pela primeira vez... ele seguiu o Governador Dio, Tank e os outros até as geleiras e viu os Krügers lutar e assassinar nossos semelhantes... ele agora deve estar indo direto para lá... essa não! Mahala, ele vai desafiar o líder deles! Asus vai desafiar Schutz Stafell para uma luta e vai morrer!

- Mas se é assim, então deixe-o ir. Você mesmo iria nas geleiras dentro de algumas horas, combater os Krügers, certo? Ele apenas irá fazer o trabalho por você.

- Você não entende! Em Himmel, quando eu fui lá conversar com o Grande Imperador Kelfo, eles fizeram algo comigo que despertou parte de meu poder oculto de Super Saiyajin. Talvez agora eu possa resistir e derrotar o Comandante Himmler num combate, e quem sabe destruir a nave mãe matando Schutz Stafell junto lançando um ataque com toda a minha força à distância, sem que ele perceba e tenha tempo de aumentar seu poder de luta para resistir à explosão... Mas Asus não irá fazer isso! Ele irá desafiar Schutz de frente... e irá morrer!

- Você parece preocupado com ele... – disse ela cruzando os braços. Embora quisesse disfarçar, havia um certo desinteresse da parte dela para com Asus – Pensei que vocês fossem inimigos, porque se preocupa tanto assim com o bem-estar dele?

- A questão não é se somos amigos ou inimigos. Asus agora é um Super Saiyajin como eu, temos mais um poderoso aliado nessa batalha. E a Mestra Lenia se sacrificou para que eu e ele pudéssemos sobreviver para vencer essa Guerra. Não vou permitir que o sacrifício dela tenha sido em vão!

- Então é isso... é em respeito a sua mestra...

- Sim. Olha Mahala, acho que já perdemos tempo demais com essa conversa, se não nos apressarmos não vamos conseguir alcançar Asus à tempo de evitar que ele faça alguma besteira! É melhor irmos logo! – Spark falava num tom visivelmente ansioso

Mahala o olhou nos olhos. Spark realmente queria muito partir, mas haviam outros poréns que a guerreira estava ponderando antes de concordar com a idéia do colega.

- Spark, eu compreendo que tudo que você disse é bem plausível. Na verdade, acho que você está coberto de razão no que você diz, no entanto... Olhe pra você, você ainda nem descansou e mal se alimentou hoje o dia inteiro. Você se envolveu em grandes batalhas hoje o dia inteiro e sequer pôde repousar. Como espera poder vencer o oponente dessa forma? Ouça... não acha melhor deixar as coisas nas mãos de Asus enquanto você se recupera um pouco?

- Por acaso você não ouviu nada que eu disse?! – esbravejou o jovem Saiyajin, visivelmente irritado e falando de uma forma que não condizia com a habitual – Asus vai morrer à toa, por em risco a nossa própria segurança e fazer com que o sacrifício da minha instrutora tenha sido por nada! Eu não vou deixar que isso aconteça, quer você queira ou não!

Ele já havia se preparado para começar a voar, sendo envolvido pela sua aura clara quando Mahala o segurou pelo pulso com força. A firmeza de seu olhar fez com que por um instante, ela lembrasse um pouco Lenia e talvez por isso, Spark se conteve.

- Espera um pouco. Eu vou com você. Não vou deixar que você se arrisque à esse ponto. Por mais que você esteja ainda mais forte do que durante sua luta contra aquele gigante, seu corpo está cansado e você não vai conseguir exprimir todo o seu poder de luta. O que significa que se alguma coisa der errado, alguém vai ter que te tirar de lá. Mais do que perder um Super Saiyajin é perder logo os dois de vez. Aí sim o sacrifício de sua instrutora terá sido sem propósito. Vai, volta no seu alojamento e veste pelo menos a sua armadura. Um pouco de proteção não lhe fará mal algum, não acha?

Mahala estava certa, e Spark não poderia contestar isso. Na verdade, ficou feliz de tê-la no grupo, por sua sensatez e discernimento em suas palavras e decisões. Concordando com o que lhe foi dito fazendo um aceno positivo com a cabeça, Spark disparou novamente a correr por entre os corredores da Fortaleza até seu alojamento, onde repousava a armadura preta sem ombreiras com detalhes verde esmeralda e os tensores para os braços e pernas na cor vinho, o seu modelo de armadura favorito. Os vestiu rapidamente, voltando até onde estava sua companheira, que o recebeu com um sorriso assim que ele entrou novamente no destruído alojamento que pertencia a Asus.

- Agora sim você está parecendo um verdadeiro guerreiro! – ela disse, em meio ao seu sorriso – Agora vamos, temos que alcança-lo logo!

Ambos decolaram instantaneamente, seguindo o poderosíssimo ki de Asus que já havia se distanciado bastante.

Asus possui mesmo um poder inacreditável, é um verdadeiro gênio Saiyajin dos combates. A essa altura Spark também já deve ter percebido que seu poder é ainda maior do que quando ele mesmo se transformou em Super Saiyajin pela primeira vez... Espero que possamos alcança-lo a tempo, não podemos de forma alguma perder um aliado com tamanho potencial!

* * *

O Super Saiyajin se deslocava pelo ar numa velocidade inacreditável, muito acima de qualquer outra que havia experimentado em sua vida. Sentia como se agora pudesse fazer tudo aquilo que desejasse, tamanhos eram os seus poderes. Sentia-se bem, como nunca estivera em toda sua vida; havia finalmente superado todos os seus próprios limites.

Sim! Encontrarei esses Krügers e poderei provar o quão mais forte eu estou agora. É preciso comprovar toda a evolução do meu corpo agora que estou neste nível transcendental!

Asus simplesmente não conseguia se conter de forma alguma, aumentando ainda mais sua energia e voando tão rapidamente que havia rompido a velocidade de som em pouco mais de dez vezes. Estava ansioso para encontrar-se logo com seus adversários para poder iniciar a tão esperada batalha, e cada célula de seu corpo clamava por isto como uma necessidade vital para saciar o desejo de lutar.

Havia deixado para trás planícies áridas, montanhas e campos verdejantes, além de ter atravessado uma densa floresta em questão de pouquíssimos segundos, indo em direção ao oceano. Sabia que muito em breve estaria sentindo a mudança de temperatura ambiente e que logo estaria nas geleiras. No entanto, bem longe no horizonte, algo captou a atenção de Asus a ponto dele interromper seu vôo em alta velocidade, ficando estático no ar, como se suspenso por uma corda invisível.

Clarões se sucediam no céu noturno que agora começava a mudar de cor, cedendo espaço ao amanhecer. Aqueles clarões se repetiam infrequentemente, e para os olhos treinados de guerreiro de Asus, eram um evidente sinal de batalha.

Aquele lugar... pensei que os Krügers estivessem escondidos no meio dos campos de neve, no entanto aquilo com certeza é uma luta entre seres poderosos. Mas se forem mesmo os Krügers, quem eles estariam enfrentando? Seria Spark e os outros Saiyajins? Ou então será que existem mais guerreiros nesse planeta do que nós imaginávamos? Acho que agora só há uma forma de eu descobrir!

O guerreiro sorriu maliciosamente, estourando todo seu poder mais uma vez, retornando instantaneamente àquela velocidade assombrosa que voava antes, desta vez seguindo os clarões e ocasionais disparos de energia que se elevavam ao céu num lugar distante, até então desconhecido para o mais novo Super Saiyajin de Omega-003.

No entanto, o que Asus não sabia era que seus picos de energia podiam ser sentidos mesmo a distância por Spark e Mahala, que o seguiam incessantemente. Os dois voavam lado a lado o mais rápido que conseguiam. Spark mantinha-se numa velocidade que ela pudesse acompanha-lo sem problemas, contendo os poderes do Super Saiyajin. Não poderia se dar ao luxo de desperdiçar energia voando naquele nível, no entanto enquanto estivesse em seu modo normal a distância entre eles e Asus só tenderia a aumentar.

Assim como fizera o orgulhoso guerreiro Saiyajin, os dois interromperam bruscamente o vôo, ao sentir a mudança na rota tomada por Asus. Spark foi o primeiro a se deter, sendo acompanhado em seguida pela colega.

- Spark, o que está acontecendo? – ela perguntou, séria.

- Mahala... você sentiu isso também, não foi?

- Sim. Por algum motivo, Asus parou de ir em direção às geleiras, alterando seu trajeto. Pela direção que o ki dele está se deslocando, eu não acredito que esteja indo para as geleiras...

- Não... Asus com certeza não está tomando um desvio... – Spark lançou um comentário, acompanhando com os olhos no horizonte a direção de sua leitura do ki do rival, engolindo a seco e mudando suas feições como se estivesse chegando à uma nova conclusão – Mahala... Olhe lá embaixo... lá longe, naquela direção... você faz ideia do que exista para aquele lado?

- Você diz, a noroeste? – ela seguiu a direção do dedo indicador do jovem – Eu não imagino o que exista para lá. É algo relevante?

- Sim... saímos da Fortaleza seguindo rumo ao norte, pois queríamos muito chegar nas geleiras do planeta, e eu estava tão distraído que não pude perceber algumas coisas óbvias... Mahala, a capital do Império Kelfo, Himmel, também fica ao norte. Talvez por termos nos focado apenas com os campos de neve, tenhamos saído um pouco da rota, mas veja, mesmo agora é possível ver os clarões relampejarem nos céus das batalhas que estão ocorrendo lá, e sentir os diversos ki que estão se confrontando neste exato momento!

- Então você acha que Asus está indo para Himmel? Acha que ele pretende lutar contra os Krügers que estão guerreando com os Kelfos?

- Eu tenho certeza que ele está indo para Himmel, embora eu suspeite que ele não faça ideia de para onde está indo. Asus também não pode sentir o ki, como nós dois, mas sabe reconhecer os sinais de uma luta ao vê-la acontecendo. Meu palpite é que ele está indo diretamente para lá, na esperança de encontrar algum adversário. E se for este o caso, deveremos nos apressar tanto quanto antes.

- Porque? O que te preocupa tanto Spark? Pensei que o guerreiro Krüger mais poderoso estivesse na nave mãe, nas geleiras... – Mahala olhou em direção ao companheiro, tentando compreender melhor a situação.

- Sim, segundo o que o Governador Dio nos disse lá na Fortaleza, então o líder Schutz Stafell se encontra ainda dentro da nave. No entanto, foi na Capital que eu me encontrei com o Comandante Himmler, o homem que foi capaz de me derrotar, mesmo eu sendo um Super Saiyajin. Asus estará seriamente encrencado se ele se bater com aquele monstro.

- Então não vamos perder mais tempo. Spark, vamos indo!

Ambos concordaram e liberaram seus kis, se envolvendo uma vez mais em suas já conhecidas auras de energia transparente, voando no máximo de velocidade que conseguiam alcançar rumo à Capital Kelfo. Entretanto, para Spark, pior que ter de enfrentar um poderoso adversário que já havia conseguido derrota-lo uma vez sem muitos esforços era ter de encarar novamente suas lembranças quanto à pessoa que mais amava e desejava ao seu lado: Lilly. Sentiu o peito apertar, e seu coração se envolver novamente por uma confusão de sentimentos que mesclavam entre os ruins e os péssimos. Porque mesmo naquele momento, onde o planeta enfrentava uma terrível crise que poderia resultar em seu próprio fim, o jovem estava pensando justamente nos seus sentimentos afetivos por uma mulher? Em meio a um muxoxo, Spark amaldiçoou pela primeira vez em sua vida aquele sentimento que lhe fizera tão bem antes, tentando manter o foco de seus pensamentos.

Não há tempo a perder com isso agora. Acho que desta vez tenho que agir como um autêntico guerreiro Saiyajin e não me deixar controlar pelas minhas próprias emoções. Ser um pouco mais como a Mestra Lenia e não me abalar por meus pensamentos, ou senão não irei conseguir salvar este mundo!

- Mahala, é melhor acelerarmos um pouco mais o nosso vôo. Mesmo que nos cansemos um pouco, mas a distância entre nós e Asus já está grande demais, e demoraremos muito para chegar em Himmel voando a essa velocidade. Acha que pode ir mais rápido?

- Sim! Não se esqueça que eu sou uma das guerreiras mais poderosas dentre a atual geração de guerreiros Saiyajins! Spark, vamos mais rápido!

Ela estourou ainda mais a própria energia, passando de Spark com uma velocidade que o surpreendeu. Ele também elevou seu ki, ficando no limiar do poder que separava o seu nível normal do Super Saiyajin, alcançando-a logo em seguida, e juntos os dois continuaram a rasgar os céus em direção à Capital do Império Kelfo, na esperança de poderem auxiliar Asus nas batalhas que com certeza estariam por vir e evitar que ele fosse morto num dos combates.

* * *

Uma fila de refugiados havia se formado nos portões que conduziam ao Palácio Imperial de Himmel, onde os sobreviventes do massacre da cidade passavam aos poucos. A Grande Ponte apresentava enormes rachaduras e buracos, além de parte dela que havia ruído graças ao poder destrutivo de Spark transformado em um macaco gigante horas atrás, mas mesmo assim os sábios do Conselho e alguns sacerdotes sobreviventes haviam unido suas forças para criar uma ponte mágica feita de um material que lembrava uma grossa camada de diamante brilhante. O pedaço que havia ruído e que se tornara um divisor entre o Palácio e a cidade agora havia sido provisoriamente consertado para que a população pudesse encontrar um refúgio seguro longe da violência e do caos que agora tomavam conta das ruas de Himmel.

Entre os guerreiros que faziam a segurança dos civis estava Simon, com o olhar atento em todas as pessoas que atravessavam os portões. Ele trajava um novo uniforme de batalha composto por uma leve armadura branca com botas, peitoral e proteções nos pulso, vestidas por cima de um uniforme real verde com uma capa vermelha. Nas costas, o Capitão Kelfo carregava agora uma nova espada mística que possuía o dobro do tamanho da original, sendo mais extensa que uma pessoa e quase tão grossa quanto. Com certeza, seria possível esmagar alguém com uma arma tão grande e poderosa.

Dentre a multidão, o jovem guerreiro sentiu dois kis familiares se aproximarem, bastante enfraquecidos. Sem muita demora, os dois – soldados recém recrutados do exército Kelfo – surgiram em seu campo de visão, voando em sua direção. Um dos dois estavam bastante feridos, sendo que um deles era carregado por seu companheiro e estava inconsciente. O soldado desceu do ar, trazendo seu amigo escorado no ombro e ao tocar o chão fraquejou, quase o deixando cair no chão. Simon correu ao auxílio dos dois, segurando o rapaz inconsciente no momento exato em que o outro tombou de joelhos, parecendo ter dificuldades extremas até mesmo para respirar. Estava bastante suado, e seu corpo tremia.

- O que aconteceu? Quem fez isso com vocês? – o capitão questionou, aflito.

- Krügers... eles estão vindo para cá... – o soldado ferido balbuciou, com dificuldade, parecendo fazer um esforço surreal para articular as palavras – nós tentamos detê-los, mas eram muitos... um deles era muito poderoso... nos derrotou com poucos movimentos... ele está chegando...

- Tenha calma! Vou leva-los até um dos sacerdotes, e vocês dois vão ficar bem. Por enquanto não faça mais esforços, só de você ter trazido seu amigo para cá em segurança nesse estado em que você está já te torna um herói. Farei o possível para salvá-los.

Simon imediatamente deu a ordem para que os demais soldados que faziam a segurança dos portões deixassem seus postos para que levassem os dois soldados feridos até os cuidados médicos mais próximos. Ele passou o corpo inconsciente do jovem kelfo a um dos seus subordinados, ajudando o outro a ficar em pé novamente oferecendo-lhe seu ombro. Mas antes de entrega-lo a outro soldado, Simon sentiu alguns kis malignos se aproximarem da ponte. Eram vários menores, acompanhados por um maior e terrivelmente familiar: o poderoso Comandante das tropas Krüger que havia o derrotado dentro do Santuário e que lhe forçara a fugir às pressas de lá junto com Lilly, numa tentativa desesperada para salvar a própria vida e a de sua noiva, que terminou numa perseguição pelas ruas da cidade de Himmel. Só de lembrar daquilo, ele sentiu um calafrio percorrer sua espinha.

No momento em que aquele monstro chegar aqui será um massacre sem precedentes... essas pessoas inocentes precisam ser salvas logo, antes que ele chegue aqui e todas elas sejam exterminadas! Se ao menos as defesas do palácio ainda estivessem de pé... Não importa, eu preciso impedi-lo nem que seja a última coisa que eu faça!

Imediatamente ele desembainhou sua enorme espada, fitando o horizonte onde ele sabia que os inimigos surgiriam, alertando em voz alta para que todos corressem para dentro do Palácio Kelfo imediatamente, causando um certo alvoroço entre os refugiados mas aquilo seria um mal necessário. Se todos fossem logo para o local seguro, então ele poderia lutar mais sossegado, quem sabe até mudar o local da luta para garantir que os refugiados não seriam feridos de forma alguma.

Ele começou a suar, tenso, ao perceber que ainda que os presentes se apressassem para cruzar os portões, os Krügers estavam cada vez mais próximos e que no instante em que os inimigos chegassem, ainda haveriam muitos inocentes envolvidos. Ele não queria envolver os habitantes da cidade em mais uma situação de perigo, mas o fato daquela fila andar tão lentamente o deixava cada vez mais desesperado. Virou-se em direção à grande massa de pessoas e gritou, exasperado:

- Os inimigos estarão chegando aqui a qualquer momento, por acaso vocês querem morrer?! Andem logo, entrem logo no Palácio e se escondam! Rápido, vamos!

E continuou a gritar aquelas ordens até ver que as pessoas, com medo da ameaça eminente dos Krügers, começavam a correr para dentro dos portões, como um estouro de boiada. Algumas pessoas caíram no chão, sendo amparadas por outras que se aventuravam a enfrentar a multidão que corria na direção contrária. Muitos gritavam, alguns choravam, outros apenas exibiam semblantes de medo, mas todos corriam para dentro dos portões.

Foi quando eles chegaram. Vinham caminhando, liderados pelo Comandante Himmler que se aproximava com um sorriso cínico no rosto e as bandagens recobrindo o olho ferido, os longos cabelos ruivos balançando à vontade do vento. Os refugiados restantes que ainda se encontravam do lado de fora se desesperaram ao vê-los, correndo desordenadamente e empurrando uns aos outros. Logo, todos haviam finalmente atravessado os portões que se fecharam com o auxílio de magia. Agora era apenas Simon e os Krügers.

O jovem Capitão Kelfo permaneceu parado diante de seus inimigos, destemido, com a enorme espada em uma das mãos, cuja lâmina exageradamente grande estava em contato com o solo. Encarava todos os Krügers com um olhar frio e penetrante, sendo capaz de intimidar a todos. Todos, menos o Comandante Himmler, que ergueu sua mão dando sinal para que suas tropas parassem de se mover. Então cruzou os braços despojadamente diante de seu adversário, observando-o dos pés a cabeça com o único olho restante.

- Ora, mas vejam só quem está aqui. O covarde Capitão Kelfo, que foge de uma batalha com medo da morte. Você está aqui para implorar pacificamente para que nos retiremos?

- Eu adoraria poder fazer isso – disse Simon, sem mudar sua expressão facial – mas pelo jeito não conseguiria resultados satisfatórios. Isso sem falar que pelo que eu posso ver, o seu líder não admite certas falhas por parte de seus subordinados. Diga-me, o que aconteceu com seu olho? Isso tudo foi causado por um soco?

Soar provocativo era um jogo perigoso e Simon sabia disso, mas era o melhor que ele podia fazer naquele momento. Talvez tirando seu inimigo do sério, poderia obter a vitória aproveitando-se de seus erros. E se a intenção de Simon era irritar seu oponente, então ele estava conseguindo cumprir sua tarefa com louvor. As feições de Himmler se enrijeceram ao ser atingido em cheio pela provocação.

- Você se acha muito engraçado, Kelfo. Veremos o quão engraçado vai ser quando nós acabarmos com você e essa sua espécie nojenta! Gostarei de varrer vocês todos do mapa pessoalmente graças à sua insolência perante a superioridade Krüger!

- Superioridade? Hmpf, não me faça rir... um bando de seres malignos como vocês, que sentem prazer em tirar vidas inocentes e pretendem acabar com a vida de todos os habitantes de um planeta inteiro apenas por vingança é uma raça superior? Gente que não consegue viver em paz e que ama a violência querendo se dizer superior a que outras raças? Não permitirei que vocês avancem nem mais um passo em nossos territórios!

- É muita hipocrisia nos julgar dessa forma, Kelfo, quando você mesmo compactua com Saiyajins e cria laços de amizade com eles. Em que os Saiyajins são diferentes de nós em termos de maldade e paixão pelas batalhas? Por acaso eles são mais nobres do que nós quando matam e subjugam seus oponentes? Poupe-nos de seus discursos e lições de moral e saia do nosso caminho!

- Eu já disse que não vou permitir que passem. Se derem mais um passo, não irei me responsabilizar por suas vidas.

O Comandante Himmler puxou uma alta gargalhada, que foi seguida por seus homens em coro. Um deboche completamente insignificante perante Simon, que não se sentiu nem ao menos abalado por causa daquilo. Quando Himmler abriu a boca para falar, alguns de seus homens ainda riam.

- Você não se responsabiliza por nossas vidas? – ele perguntou, zombeteiro — Você, um covarde que foge no meio de uma luta e que recorre à Saiyajins e mulheres Kelfo para que eles lutem em seu lugar! Você é um comediante, Kelfo! Te digo mais, a garota filha do Governador Kopf tem muito mais coragem do que você, pois me enfrentou de frente mesmo não tendo nenhum poder de luta!

Mais gargalhadas foram arrancadas dos Krügers, alguns deles levando as mãos a barriga de tanto rir. Outra vez, aquilo não teve nenhuma importância para Simon, que segurava o cabo da espada com mais firmeza.

- Já chega de conversa. Se não vai sair da nossa frente, então você será morto aqui e agora! Homens, acabem com ele!

Quatro soldados se adiantaram imediatamente, um deles se precipitando em direção à Simon em meio a um salto, na intenção de lhe acertar uma voadora no rosto mas antes de sequer terminar de armar o próprio golpe foi atingido em cheio por um movimento que de tão rápido pareceu nem ao menos ter sido executado. As duas bandas de seu corpo atingiram o chão separadamente, fatiadas na altura dos quadris. Os demais pareceram chocados por um instante, avançando todos juntos em seguida, disparando diversas rajadas de energia das mãos em direção à Simon. A sucessão de estouros criou uma forte cortina de fumaça na mesma hora, mas antes de se dissipar todos tiveram sua atenção voltada para o alto.

- Estou aqui! – Simon gritou bem acima da fumaça, com ambas as mãos posicionadas no alto da cabeça, segurando firmemente o cabo da enorme espada na vertical, descendo em direção ao soldado Krüger mais próximo. O golpe foi magistralmente executado, acertando seu adversário e cortando-o ao meio numa precisão milimétrica, e antes que ele se dividisse em dois, o Capitão Kelfo avançou sem hesitar em direção aos dois adversários restantes. Um deles disparou novamente, uma poderosa onda de energia que foi esquivada com o mínimo de esforço. Parecia impossível o que se estava vendo, mas o guerreiro Kelfo se movia com uma agilidade invejável mesmo com uma arma tão pesada em punho. Ele rodopiou em torno de seu próprio eixo numa volta perfeita, como se dançasse um ballet altamente ensaiado, baixando a própria postura e decepando ambas as pernas de seu oponente na altura dos joelhos, que tombou como uma arvore podre no chão de pedras do local, numa poça do próprio sangue. Num velocíssimo movimento ele se reergueu, acertando o soldado em seu troco com uma fatal estocada com sua imensa espada. O último tentou numa medida desesperada: lançar mais um ataque de energia brilhante, mas que foi rebatida de volta para ele com um rápido movimento de espada de Simon, que rugia cortando o ar. Atingido pela própria técnica, o soldado tombou sem vida. Simon então olhou diretamente no único olho que restava de Himmler, com o mesmo olhar penetrante de antes.

- Recomendo que retire suas tropas e vá embora daqui agora. Ou compartilhará o destino desses homens. – ele falou, finalmente.

O comandante o olhava furiosamente, sem aceitar que alguns de seus homens tivessem sido derrotados com tamanha facilidade, afinal os demais guerreiros Kelfo haviam caído como moscas diante de seus pés. Então por que justamente aquele guerreiro – justo aquele que fora derrotado anteriormente – ofereceria resistência?

- Não diga asneiras! Homens, peguem-no, todos juntos!

Todos os demais soldados, mais de dez saltaram em direção ao jovem Capitão, que saltou em conjunto, indo em direção a eles em pleno ar. Ele esquivou-se do primeiro golpe, um soco direcionado a seu rosto, acertando seu adversário com sua enorme espada e um segundo em cheio com uma devastadora onda de energia que o reduziu à pó. Os demais tiveram de desviar daquilo para não terem o mesmo fim, partindo para cima como um bando de abelhas que voa em direção a uma ameaça. A espada de Simon brilhou no ar, como numa dança cuja única melodia era o zunir do aço que passava sem dificuldades pelo ar e pela carne dos Krügers repetidas vezes num curtíssimo espaço de tempo. Quando Simon tocou o chão novamente, demorou alguns instantes até que seus inimigos em pedaços fizessem o mesmo. Eles não eram desafio à altura do guerreiro Kelfo, e aprenderam isso da pior forma possível.

- Bravo, bravo Capitão Kelfo. – saudou ironicamente o Comandante Krüger, totalmente insatisfeito pelo resultado daquela breve luta — Meus parabéns, você conseguiu derrotar com muita facilidade os meus lacaios. Foram liquidados por você e por essa sua grandiosa espada... mas não se engane, tolo guerreiro. Eu já derrotei você com uma enorme facilidade ontem mesmo, e hoje e resultado não será diferente! Eu irei acabar com você, com a sua namoradinha e com todos os demais Kelfos! E em seguida, irei ao encalço daquele Super Saiyajin que acha que pode nos vencer e vingarei a morte de Totenkopf!

Sem mais demoras, Himmler liberou grande parte de seu poder, sendo envolvido por uma aura semitransparente de tonalidade arroxeada, avançando ferozmente para cima de Simon, que teve de saltar para trás para poder escapar do poderoso golpe que se sucedeu, um soco que terminou não só penetrando o chão aos seus pés como também abrindo-lhe uma cratera enorme, como se aquele lugar tivesse sido atingido por um meteoro. O Krüger avançou de novo, desferindo dessa vez um chute na altura do rosto do Kelfo, que num excelente movimento se defendeu colocando sua enorme espada na trajetória do golpe, protegendo-se de ser atingido na lateral da cabeça. Mesmo assim, a potência do golpe foi tanta que o arremessou longe. Ele logo se recompôs em pleno ar, tendo de se esquivar de mais dois socos direcionados ao seu rosto, e na segunda esquiva contra atacou com um feroz movimento de espada, que não atingiu seu adversário mas foi suficiente para cortar diversos fios de cabelo vermelho do Comandante Krüger. Estando incapaz de se defender dessa vez, foi atingido em cheio por uma joelhada no peito, que o atirou ainda mais alguns metros céu acima. Seu corpo rodopiou diversas vezes, antes que ele pudesse se recompor outra vez, bem a tempo de ser atingido por uma cabeçada na testa aplicada por Himmler, que havia disparado em direção ao seu oponente como uma bala. A ferida imediatamente sangrou, um enorme corte se fazendo presente na testa do guerreiro Kelfo que fora ainda agarrado pelo pé e arremessado de volta ao solo, em direção à já fragilizada ponte que não resistiu ao impacto do corpo do guerreiro, perdendo mais uma parte de sua estrutura. Simon só foi parar quando atingiu o chão pedregoso de uma pavimentada rua, muitos metros abaixo. Estava tonto pelos golpes que havia recebido, mas ao ver os pesados blocos de concreto que desciam dos céus em sua direção, logo se colocou de pé e os cortou em míseros cubos com uma sucessão de golpes de espada. Sem esperar que Himmler viesse novamente em sua direção, Simon elevou seu ki e disparou rumo aos céus de Omega-003 onde seu adversário o esperava. Posicionou sua espada em suas costas segurando a empunhadura com firmeza, e quando estava perto o bastante fez um ligeiro movimento com o braço, como se fosse desferir mais um golpe com ela, mas em vez disso, atacou o inimigo com o cotovelo. Himmler havia se preparado para esquivar um golpe de espada e fora pego de surpresa pela finta do adversário, pagando pelo erro com uma cotovelada no estômago com toda a força, e um chute no queixo que fora aplicado após um rápido movimento do guerreiro Kelfo, que rodopiou o próprio corpo no ar como se tivesse dado um salto mortal para trás. Aquele golpe foi o suficiente para abrir uma ferida nos lábios do Comandante Krüger e arremessar seu corpo alguns metros acima de onde fora atingido. Em seguida, Simon juntou ambas as mãos em frente ao rosto, esticou ambos os braços e gritou, bravamente:

- Double Geskiet Weerlig!

Uma poderosíssima onda de ki foi disparada, num disparo de energia dourada rodeada por relâmpagos de eletricidade estática que rugia no ar enquanto se deslocava em altíssima velocidade. O Krüger arregalou os olhos diante de tamanho poder, sendo forçado a lançar uma contramedida: abrindo uma das mãos e direcionando em direção à técnica lançada por Simon, ele disparou uma enorme esfera de energia púrpura, criada quase que instantaneamente e que atingiu a onda de ki dourada em cheio. Ambas as técnicas se chocaram e explodiram no ar instantaneamente, para a surpresa de Himmler. Mesmo tendo conseguido disparar sua técnica a tempo de evitar ser atingido em cheio, a explosão o havia atingido, criando uma densa nuvem de fumaça no ambiente. Ele agora parecia atônito. Como poderia ser que um guerreiro Kelfo possuísse tamanho poder?

- Dá pra ver o quão poderoso você é, Krüger – disse Simon, olhando para o alto – Eu posso sentir isso muito bem no seu ki. Entretanto, você não deve subestimar o poder das minhas técnicas. Eu não cheguei ao cargo de Capitão do Exército Imperial sem merecer. Mesmo nós, que somos seres pacíficos, também possuímos um grande leque de técnicas de luta. E não se esqueça da seguinte lição: não é porque eu tenho uma enorme espada comigo que eu irei apenas confiar nela.

- Hmm... Percebo que na outra vez que nos encontramos, você conteve o seu poder. Talvez para garantir a salvação e o bem estar da garota... será que ela é especial para você? Você vai chorar por ela, quando eu a matar, por acaso?

- Poupe seu fôlego. Você não pode me atingir com essas provocações – o tom de Simon era irredutivelmente calmo e firme, exatamente como no início da luta – em vez disso, use-o para lutar.

- Então temos um disciplinado guerreiro Kelfo, capaz de controlar as próprias emoções e me surpreender num combate... vejo que essa será uma luta no mínimo interessante.

Simon não deu continuidade ao diálogo, erguendo a grandiosa espada acima da própria cabeça com ambos os braços, deixando-a totalmente na vertical e paralela ao próprio corpo, elevando seu ki em seguida até o ponto em que a lâmina assumisse um brilho dourado e ofuscante. Num brusco movimento ele desceu a espada até o chão, o pesado corpo metálico da arma atingindo o solo novamente em sua tonalidade normal enquanto a energia acumulada fora lançada em direção ao inimigo, distorcendo-se no ar e assumindo uma forma um tanto quanto arqueada, num autêntico corte de luz. O Krüger escapou no ultimo instante, num movimento evasivo instantâneo que o fez parecer desaparecer em pleno ar e reaparecer novamente em outro, num piscar de olhos. Um pedaço de um morro logo atrás de onde Himmler estava foi fatiado como se fosse feito de manteiga. Simon continuou a lançar golpes poderosos no ar, os disparos de energia cortante indo em direção ao Comandante Krüger que, num pequeno descuido, poderia terminar tendo o mesmo fim da formação rochosa. Mas Himmler não era um guerreiro inexperiente, e com maestria e extrema velocidade ia escapando de cada um dos disparos lançados da espada do Capitão Kelfo, parecendo desmaterializar-se a cada evasiva e encurtando a distância entre ambos. E quando havia finalmente se aproximado o suficiente, conteve um dos ataques de Simon com apenas uma mão, segurando fortemente a lâmina da enorme espada e ainda dissipando a carga de ki que a envolvia.

- Está na hora de lutar mais seriamente... – disse Himmler, abandonando sua postura cínica e zombeteira e dessa vez parecendo mais centrado no combate – Primeiro, vamos dar fim a essa espada!

Ele desferiu poderosíssimo soco no rosto de Simon, o lançando alguns metros à frente e puxou a espada com a outra mão, o que fez o Kelfo soltar a sua arma no momento em que foi atingido. Himmler então arremessou a arma para longe, que foi parar encravada numa parede de tijolos coberta de manchas pretas de fuligem, caminhando em direção à Simon que estava tendo dificuldades em se levantar. Escorria bastante sangue de sua boca, e ele com certeza estava tonto, olhando diretamente para algum ponto fixo no chão tentando reencontrar o foco da sua visão. Antes que pudesse se reerguer, recebeu um violento chute nas costelas que o levantou no ar diretamente até o cotovelo do Comandante Krüger, que o devolveu de volta ao chão com tanta força e violência quanto o chute recebido anteriormente. O chão pavimentado se partiu e esfarelou-se onde o corpo de Simon havia atingido. Um último chute o atirou longe, para dentro de uma casa a mais de cem metros de distância que cedeu ao impacto, implodindo-se sobre si mesma.

Não demorou muito para que os escombros da casa fossem lançados em todas as direções e um vulto quase indistinguível aos olhos saltasse do meio destes, pairando no ar alguns metros acima com ambos os braços erguidos à frente ao seu próprio corpo disparando diversas ondas de energia contra o Comandante Himmler. Simon encontrava-se ofegante, mas sabia que deveria continuar lutando para conter o avanço das tropas Krüger na Capital, ainda que aquilo lhe custasse sua vida. Uma chuva de disparos de energia caíram sobre o maligno guerreiro durante mais de um minuto, terminando com uma esfera de luz brilhante maior, que o Capitão Kelfo havia concentrado acima da própria cabeça e lançado sem nem ao menos pensar duas vezes. As explosões criaram uma enorme cortina de fumaça logo abaixo, para onde Simon olhava fixamente. Seu corpo havia ficado cansado demais com aquele apelo repentino ao ki, que não o permitia se concentrar para sentir a energia do oponente. Ele respirava com dificuldade, deixando lentamente os braços descerem da postura logo à frente de si. Mas para seu imenso terror, no momento em que a fumaça se desfez, Himmler ainda estava de pé. A armadura do Comandante estava um pouco avariada, assim como suas roupas estavam esgarçadas e cobertas de queimaduras, mas o Himmler não parecia ferido gravemente. Ele se deslocou em direção ao Kelfo, incapaz sequer de se mover, o acertando novamente no estômago com uma forte joelhada, que foi sucedida por uma considerável quantidade de sangue expelida pela boca. Himmler se deliciava em assistir o sofrimento de Simon, e resolveu tortura-lo ainda mais, apertando o músculo do trapézio do jovem Capitão Kelfo com tamanha força que suas unhas penetraram na carne do indefeso oponente, que gritava de dor incessantemente.

- Ora, mas o que aconteceu com o seu espírito de luta, Kelfo? Para onde foi parar toda aquela sua confiança e seus movimentos que eram capazes de me surpreender? Ou por acaso eu me enganei novamente, e você não havia se contido naquela vez dentro do Santuário? Se for esse o caso, você será destruído aqui e agora!

Ele apertou ainda com mais força os músculos de Simon, que sangrou e gemeu com mais intensidade. Em seguida o acertou um fortíssimo soco na coluna do guerreiro e o arremessou de volta ao chão. Ele bateu no solo como uma fruta apodrecida, permanecendo lá imóvel de bruços. Seu corpo estava coberto de feridas e seu rosto empapado do sangue que escorria não só da ferida em sua testa, como também de um corte aberto no supercílio. Mal conseguia respirar e sabia ter encontrado seu fim. O único movimento que seu corpo conseguiu realizar foi ficar de barriga para cima, observando seu inimigo que agora erguia a palma da mão em sua direção para aplicar-lhe o golpe final.

- Desapareça. Logo encontrará a sua namoradinha e os demais de sua espécie no outro mundo, bem como aquele macaco nojento e enxerido do Super Saiyajin. Morra!

Himmler concentrou toda sua energia numa esfera luminosa púrpura, que brilhava aleatoriamente na palma da mão do Krüger. E no momento que ele foi dispará-la, Simon fechou os olhos. No entanto o que se sucedeu foi o som estridente de uma pancada, o que chamou novamente a atenção do jovem Kelfo.

Um pé envolto numa aura dourada havia atingido Himmler em cheio na nuca, mandando-o de volta ao chão de uma forma nada gentil. O corpo do Krüger abriu uma nova cratera no já deveras acidentado chão do que antes era uma rua da capital Kelfo. E flutuando metros acima estava ele, trajando uma armadura Saiyajin negra e dourada que oferecia proteção apenas no peitoral, com pulseiras e botas ornadas das mesmas cores e com um uniforme escuro e sem mangas por baixo delas e com seus longos e espetados cabelos amarelos que recaíam à cintura: Asus havia chegado finalmente em Himmel.

O Super Saiyajin desceu dos céus lentamente, alguns metros à frente de Himmler, que se reerguia da pancada inesperada. Simon também fazia o possível para se sentar, ignorando a dor que pulsava por todo seu corpo enquanto olhava curiosamente a figura de Asus que se encontrava lá, imponente.

Aquele é... um Super Saiyajin? À princípio pensei se tratar de Spark por causa do brilho dourado, mas não... mesmo eu estando cansado demais para sentir o ki com perfeição, é impossível não notar a energia carregada de rancor e maldade deste homem... Então, quem será ele? O que ele estará fazendo aqui em Himmel?

- Então era verdade... – Asus iniciou um diálogo com o Comandante Krüger – Realmente, estava acontecendo uma batalha entre dois seres poderosos neste lugar. Se você não fosse um adversário digno de me enfrentar, seu pescoço teria se partido com aquele golpe, merece meus parabéns.

- Mas... quem é você e como ousa interferir na minha luta? – Himmler finalmente havia se levantado, com a mão na nuca enquanto movia a cabeça para os lados como se quisesse estalar as vértebras do pescoço – Você por acaso é mais um Super Saiyajin?

Asus sorriu ironicamente, cruzando os braços.

- Sim... Eu me chamo Asus, e sou um guerreiro Saiyajin de Elite! – ele se autopromoveu, pomposo como sempre – Agora que me tornei um Super Saiyajin, sou o guerreiro mais poderoso deste Planeta, ou melhor, de todo o Universo!

- Lamento te informar, mas o poder de um Super Saiyajin não é suficiente para me vencer – Himmler disse secamente – Queria que você tivesse assistido a forma como eu esmaguei o outro que chegou aqui ontem, com a mesma soberba que você só porque tinha mudado a cor dos olhos e dos cabelos. Aquele garoto encontrou uma amarga e vergonhosa derrota diante de meu poder.

- Outro? Deve estar falando daquele traste inútil do Spark! Há! Não me faça rir! É evidente que eu, a Elite, sou mais poderoso do que aquele guerreiro medíocre. Mas foi bom você ter me contado isso, saborearei ainda mais a vitória sobre você por ter derrotado meu maior rival, embora isso apenas signifique que não irei me divertir nem um pouco quando enfrenta-lo. Que pena, nada na vida é perfeito...

Simon estava em choque com tudo aquilo. Trêmulo, ele se recordava das palavras de Spark anos atrás quando havia chegado na Capital Himmel. Lembrou-se que o jovem Saiyajin havia dito que fora emboscado por um Saiyajin cruel que rivalizava com ele, de nome Asus. E agora, ele estava lá, diante de seus olhos. Era realmente uma visão aterradora, ver um ser tão poderoso que emanava tanta maldade de si. Asus trouxe de volta à sua mente a antiga visão que ele tinha dos Saiyajins, de monstros vis apaixonados pelas lutas e pela matança. Ali, não havia diferença entre o Saiyajin e o Krüger. Ambos eram personificações de maldade.

Não pode ser... como, como esse monstro chegou a nossa cidade? Será possível que ele foi mandado aqui para nos ajudar? Eu duvido muito que essa criatura aceitasse um pedido de Spark para vir aqui, então como, como ele conseguiu? Maldição, agora não importa quem vença essa luta, estaremos todos perdidos!

Com imensa dificuldade Simon se colocou de pé novamente, ficando entre os dois combatentes, prestando atenção em ambos na medida do possível.

- Esperem! Não vou permitir que vocês lutem aqui e destruam toda a Capital! Existem vidas inocentes em jogo, e além do mais, eu sou o seu adversário Krüger!

- Saia de nosso caminho, verme! – Asus enterrou a própria mão no estômago de Simon, que perdeu o ar mais uma vez, seus joelhos cedendo ao peso do próprio corpo – Eu é que não vou permitir que um moribundo como você tire a diversão da minha luta! Saiba que embora eu não esteja aqui para destruir o que restou dessa cidade, eu não me importo nem um pouco com o que vai virar pó e o que não vai nesse monte de escombros inútil! Agora suma enquanto você ainda tem vida, e deixe a brincadeira para os garotos mais velhos, sim?

Simon caiu no chão, sendo lançado para longe por um golpe de Asus desferido no ar, que gerou um forte vendo que soprou o guerreiro Kelfo como se ele fosse feito de papel para longe. Em seguida, Asus virou-se em direção ao Krüger novamente.

- Assim é melhor. Ninguém aqui para nos atrapalhar. Podemos começar a nossa luta?

- Eu estava ansioso para isso, Saiyajin. Espero que você não seja um desperdício de meu tempo.

Os dois não disseram mais nada, colocando-se em suas posturas de luta. Permaneceram parados naquele empasse durante algum tempo, estudando um ao outro. E no momento em que o vento soprou pelos escombros da Capital do Império Kelfo e algumas pedras ruíram do que havia sobrado de uma residência, aquilo foio sinal que faltava para que iniciassem a poderosa batalha, com ambos liberando todo poder que tinham e investindo um contra o outro furiosamente.

Notas finais
Está feito. O oitavo capítulo sai do forno e como prometido, com boas doses de ação. Deu trabalho escrever isso tudo essa semana, porque eu tinha outros compromissos para o fim de semana, mas ainda assim eu não me contive na criação desse capítulo, terminando ele em menos de sete dias.
Hoje eu quero falar um pouco mais sobre o Asus Super Saiyajin, além do Capitão Simon e sua nova espada.
Começando por Asus, acho que a essa altura todos sabem que meu personagem pega emprestado algumas características do Vegeta e dos demais Saiyajins que foram introduzidos oficialmente na série DBZ ao longo dos anos. Me lembro que durante um "making off" de O Renascer dos Saiyajins eu escrevi um pouco sobre a personalidade dele. Neste momento da saga ele realmente está transbordando de orgulho e confiança, assim como o Vegeta durante a luta contra os Andróides. No entanto, todos sabem que quanto maior o orgulho, maior a queda. De fato ele se tornou um poderoso Super Saiyajin, mas se ainda assim ele não for capaz de derrotar seus adversários, com certeza haverão consequências em sua personalidade. Só o tempo que vai determinar se elas serão boas ou ruins, por isso eu recomendo que continuem ligados.
Já o Simon e sua enorme espada, eu queria originalmente dar um ar mais poderoso ao guerreiro Kelfo. Em sua luta anterior contra Himmler, ele teve sua espada mística destruída. Claro que como eu disse durante o capítulo seis, essas espadas são forjadas à partir de um metal mágico que reage ao ki do usuário, podendo se reconstituir mesmo sendo esmigalhada. Mas, mesmo assim aquela arma já havia se provado inútil, então seria óbvio que ele iria precisar de uma espada nova e mais poderosa para enfrentar seus inimigos. Então, veio a espada gigantesca. Outros personagens em outras obras já usaram espadas como essa, como Gatts de Berserk, Sanosuke Sagara de Samurai X, Siegfried e Nightmare de Soul Calibur ou Cloud Strife de Final Fantasy VII a citar alguns dos exemplos mais famosos. Elas são armas destrutivas, mas que dão um grande estilo aos personagens que as portam. Todos eles são poderosos e impõem respeito enquanto lutam graças às suas espadas, e era isso mesmo que eu queria dar à Simon. Espero que tenha conseguido. Ah! Não posso esquecer! Sua nova técnica, Double Geskiet Weerlig é a evolução do Skiet Weerlig, a técnica que ele usou contra Spark no capítulo 7 de O Renascer dos Saiyajins, "A Luta de Olhos vendados". Se Skiet Weerlig significa literalmente "Disparo Relâmpago", Double Geskiet Weerlig é algo como "Duplo Disparo Relâmpago". O dobro de poder, e agora a técnica explode instantaneamente ao entrar em contato com outra, não havendo mais a possibilidade de disputa de poderes. Digamos que Simon aprendeu com a luta contra Spark que esse tipo de empasse pode ser perigoso.
O próximo capítulo virá em breve, talvez sendo postado daqu i para o final da semana ou no mais tardar no início da semana que vem. Espero que estejam por aqui para acompanhá-lo!
Abraços!