A Garota e a Fada
1 Banshee
Usava uma camiseta e mesmo com o tecido, Turca pôde sentir a frieza das escamas de Joque. Devia estar bem ridícula: uma mulher de um metro e meio metida num folgadíssimo casaco felpudo que lhe alcançava os cancanhares. Mas bom, preferia aturar os olhares de reprovação do que os de terror ao verem a cobra enorme que enroscava-se em torno do seu corpo, indo das pernas ao pescoço. A cabeça da criatura meneava vagarosamente ao lado do seu ouvido direito, sibilando... E Turca entendia tudo o que ela dizia.
Andando um pouco mais na frente, estava Samantha. Era uma mulher de modos gentis, vestida com um vestido colorido de saias muito largas para o seu gosto. Uma mulher típica da região. Usava os cabelos loiros escuros presos num engenhoso coque e Turca achava que ela andava na frente por ter medo da cobra. Por outro lado, ela foi uma das únicas pessoas que dirigiu-lhe a palavra com gentileza. Pelo menos depois de ter mencionado o quando precisava da sua ajuda.
– É vida ou morte! – Ela lhe gritara, meia hora atrás, enquanto Turca tentava caminhar para longe dela. – Você precisa nos ajudar! –
– Não preciso. – Dissera-lhe com desinteresse. Não era a primeira vez que tinha aquela conversa com uma pessoa.
– E quem mais vai?! – Houve uma pausa seguida de um suspiro choroso. – Quem mais além de você? –
Foi preciso mais do que isso para convencer Turca a ir até ali. Desde que salvara aquelas crianças do incêndio no altar, várias pessoas tinham lhe vindo em busca de bençãos e favores que ultrapassavam o poder que qualquer pessoa poderia ter. Era ridículo e obrigou-lhe a se manter às escondidas por um tempo. Mais escondida do que o usual, quer dizer. Estava começando a voltar às ruas, saindo mais cedo de casa, visitando feiras e indo à mercearia. Havia baixado a guarda e foi assim que Samantha a achou.
Algo tinha ocorrido na casa dela, na noite anterior. Algo que ninguém conseguia explicar ou, como na maioria das vezes, acreditar. O tipo de coisa com que Turca convivera durante toda a sua vida. A história também lhe foi intrigante, algo que nunca ouvira antes.
– Era uma mulher. – Samantha lhe contava enquanto ainda sentavam no ônibus, a caminho de sua casa. Ela estava horrorizada. – Sua pele era azul e seus olhos eram pequenos, leitosos... Os cabelos eram duros e brancos... Não grisalhos! Brancos. Eu e Ruan jantávamos quando ela apareceu. Escancarava a boca de um modo que uma pessoa normal jamais conseguiria... Seus dentes eram podres e sua língua era pontuda e roxa. Mas o pior não era a aparência dela... – Ela parou de falar para lhe olhar, como se precisasse de toda a sua atenção. Turca a olhou de volta, sentindo que mesmo assim, não conseguiria convence-la de estar prestando-lhe toda a importância que queria. Ela prosseguiu mesmo assim. – Ela estava chorando. E enquanto chorava, fazia um som terrível. Terrível mesmo. Um guinchado de dor que juntava um monte de vozes, como se milhares de pessoas chorassem com ela... Ela caminhou até Ruan, o meu marido, e ficou o olhando... – Aquilo pareceu ser a parte mais desconfortável de tudo, mas não, o pior vinha agora. – E ela ainda está lá. –
Turca franziu o cenho, impressionada. Aquilo eriçara os pelos da sua nuca. Joque também tinha escutado e sibilou, extasiado com o que escutara.
O transporte não parava logo na frente da casa de Samantha e então tiveram que andar mais três quarteirões. À frente de uma casa, um homem sentava-se no meio-fio, com os braços apoiados sobre os joelhos, visivelmente impaciente. Teria passado direto por ele, mas Samantha parou logo na sua frente. Ele a olhou com raiva. Deviam ter a mesma idade, ele e ela, tendo por volta dos trinta anos de idade. Ele era magro e alto, com cabelos castanhos sedosos que alongavam-se num topete pontudo cautelosamente penteado para apontar para os céus.
– Eu... Eu não queria ficar lá. Não sozinho. – Ele olhou para Turca, logo atrás de Samantha. – Então você a chamou mesmo... – Quando falou de si, houve um desdém desavergonhado. Sem falar nada sobre isso, Samantha apenas ergueu-lhe a mão.
Ele a olhou por um instante, irritado, só depois dando a mão, num gesto de relutante aceitação. Em cada uma das mãos, um anel dourado reluzia, capturando as luzes do Sol poente. Marido e mulher. Lembrou-se, levemente emocionada. A cobra sibiliou longa e interruptamente: ria da sua comoção. Olhou-a pelo canto do olho com impaciência, extraindo mais um sibilar longo e zombeteiro. Os dois a esperavam à porta e então foi até eles, os seguindo para dentro da casa.
A residência tinha um aspecto simples, com paredes de madeira pintadas de azul e uma porta bege. O interior também não era chamativo, seguindo o padrão de qualquer casa de família. Ao entrar, o marido inspirou profundamente, de olhos fechados e as mãos na cintura. Samanta olhou para si, com preocupação.
– Está ouvindo? – Turca olhou ao redor, para cima e para baixo. Fez que não. Samantha baixou o olhar, triste.
– Ela está aqui? – Perguntou com calma, embora começasse a sentir um nervosismo crescente por dentro de si. Ela fez que sim, apontando para uma escadaria num canto da sala. – Leve-me até ela. – Pediu.
Antes que pudessem subir as escadas, o marido olhou para Turca. Foi um olhar longo e impaciente, cheio de julgamento. Pôde ver o movimento de seu pescoço, as palavras de protesto presas em sua garganta, pronto para saírem azedas e a expulsarem da casa. Logo atrás de si, Samantha o reprimia com um olhar, porém. Sentiu-se desconfortável, como se estivesse entre dois tanques de guerra. Felizmente, ninguém disparou. Ele deu as costas e caminhou até a cozinha. Samantha começou a subir as escadas e Turca foi logo atrás.
– Ninguém mais pôde vê-la... – Ela disse desesperançosa, enquanto subia as escadas. Os degraus acabavam logo aonde começava um corredor, havendo duas portas, uma de cada lado. Ela caminhou para a que ficava na direita. – Chamamos minha irmã, nossos vizinhos, um sarcerdote... – Parou em frente à porta, com uma mão hesitante na maçaneta. – Ninguém viu nada. –
Samantha girou a maçaneta e empurrou a porta, que abriu com um guinchado, mas não pisou o pé dentro do recinto. As luzes estavam apagadas e a única iluminação que havia era a do corredor, vinda de uma lâmpada medíocre que pendurava-se no meio do caminho. Assim, apenas um feixe de luz pálida invadia o quarto, exibindo pedaços incoerentes de um monte de tralha. Turca deu um passo à frente, ficando bem ao lado de Samantha e bem à beira do quarto.
– Tudo bem. Você não precisa entrar. É até melhor que não entre. – Disse-lhe com firmeza, soando quase gentil. Ela a olhou com medo e dessa vez respondeu-lhe apenas um aceno com a cabeça. A mulher não falou nada, recuando um passo, e Turca também não disse nenhuma palavra, dando um passo à frente. Deu mais outro e sem olhar para trás, fechou a porta atrás de si, causando um estrondo. Aquilo extinguiu a luz do quarto, fazendo parecer que o lugar era um pedaço de outro mundo, excluso do que havia lá fora. Também parecia bem mais abafado agora que estava dentro. Sua mão tateou por um interruptor, o achando ao mesmo tempo em que ouviu um click. A lâmpada daquele quartinho era tão fraca quanto a do corredor, mas agora via alguma coisa, ao menos.
Sentiu medo. Não, não via nenhuma mulher cadavérica gemendo, mas podia enxergar o amontoado de tralhas que a cercava. À sua direita, uma série de sacolas e materiais de construção apoiava-se numa escada que parecia poder virar sobre si a qualquer momento. À esquerda, construía-se um forte de caixas de papelão. Na frente, um armário empoeirado guardava um monte de frascos por detrás de uma pequena porta-dupla de vidraças embaçadas. Diante de tudo aquilo, respirar pareceu-lhe tóxico... E talvez fosse.
– Vamos fazer isso logo... – Sussurrou para si mesma, um pouco irritada com o próprio desconforto.
Inspirou com profundidade, erguendo o rosto para o quarto empoeirado, olhos fechados e os braços esticados para os lados. A cobra apertou-se em torno do seu corpo, com delicadeza. Pôde sentir a frieza das escamas sumindo, dando lugar a um calor satisfatório, morno, quase acolhedor. A cobra sumia como estivesse se dissolvendo sobre a sua pele, deixando uma fumaça negra no lugar. Turca podia senti-la trespassando a sua pele e alcançando o seu interior, não do seu corpo, mas da sua mente. Não muito depois e sem aviso nenhum, o barulho veio.
O gemido atingiu-lhe de forma tão brusca que ela deu um passo para trás, desconsertada. Era tão horrível quanto Samantha lhe descrevera. Um grito contínuo e interrompido por uma respiração chorosa e nervosa, unindo várias vozes diferentes. O único similar entre todos os gritos era que todos choravam. Lutou contra a vontade de tapar os ouvidos, pois sabia que ainda teria que abrir os olhos. Torcia para que o horror não pudesse ser maior. Abrindo os olhos, viu que não teve essa sorte.
Samantha também lhe fizera uma boa descrição da aparência daquela mulher. A monstra vestia-se num vestido acabado que, milhares de anos antes, teria sido branco, mas agora estava amarelo, cheio de rasgos e manchas marrons. Ela encolhia-se na parede, recostada no armário, a cabeça atolada entre os joelhos esqueléticos e os braços fechados, criando uma fortaleza corporal para si própria. Aquilo não abafava o seu choro, porém. O som terrível chegava aos seus ouvidos dolorosamente, o suficiente para que os ombros de Turca ficassem tensos.
Respirou fundo, fazendo o possível para não se virar e sair correndo. Sob as lentes mágicas que Joque lhe emprestara, o mundo era mais escuro. Aquele era um universo invisível e insensível às pessoas normais, justamente porque elas não deviam vê-lo ou vivê-lo. Quando os mundos entravam em conflito e pessoas comuns podiam passar a interagir com aquele mundo sombrio, algo estava errado. Por isso, Turca acreditava que toda a sua vida tinha sido errada. Ela nascera e crescera vagando numa soma aterradora desses dois mundos.
A coisa à sua frente interrompeu o seu lamento demoníaco para respirar, com os ombros saltando enquanto o fazia. Curiosamente, ela não voltou a gemer depois disso, apenas ficando em silêncio. Aquilo atraíra a atenção de Turca e mesmo com o rosto atolado entre os joelhos, a bruxa pareceu ter consciência disso, começando a se desenrolar de sua pequena fortaleza de lástimas. Quando ela a olhou, pôde ver que Samantha também foi exata sobre os seus olhos: eram brancos, leitosos... Mortos.
Será que me entenderia? Perguntava-se, petrificada diante daquilo. A própria criatura parecia surpresa, começando a levantar uma mão magricela para si. Os três dedos do meio estavam levantados como se para tocar-lhe, mas elas estavam muito distantes uma da outra para terem contato. Sua respiração começou a soar nervosa e ela abriu a boca, os lábios franzidos em uma fúria repentina e assustadora.
– Deus... – Turca deixou escapar, dando um passo frouxo para trás.
Talvez pensando que fosse escapar, a monstra saltou. Antes de vir em sua direção, ela pairou no ar por um instante, flutuando. Com um grito voraz e ameaçador (não um gemido), ela impulsionou-se na sua direção. Turca fechou os olhos, colocando os braços entre as duas, mas apenas uma brisa a atingiu. Depois de tomar coragem para abrir os olhos, viu que a coisa tinha sumido. Além disso, o recinto estava silencioso, restando apenas ela com os músculos tensos e uma posição protetora, como se estivesse se protegendo do vento. Também lhe sobrara um pi nos ouvidos, distante, irritante, e contínuo. Praguejou, se recompondo.
– O que você acha? – Perguntou, dessa vez falando em voz alta.
– Banshee. – Uma voz respondeu, vinda de lugar nenhum. Era grave, quase majestosa, ecoando no quarto.
Não precisou ordenar para que ele aparecesse: seu simples pensamento irritado o avisou do seu desejo. Uma névoa negra expirou por através do tecido do seu casaco, começando a se acumular na sua frente. Era muito mais gás do que o casaco suportaria, ela sabia, mas muito daquilo estivera contida em si mesma. A fumaça foi tomando uma forma humanóide, até começar a ganhar um aspecto sólido também, com cores e texturas diversas. À sua frente, flutuava agora um homem. Joque.
Quer dizer, meio homem. Apenas metade do seu corpo lhe aparecia, da cintura à cabeça, tudo debaixo disso se resumindo a uma pequena coluna de fumaça roxa. Era bastante corpulento, de uma forma até desumana, seus braços tão grossos que eram do comprimento do tronco de Turca. Tatuagens azuis cobriam-lhe, rodeando os braços que ele cruzava na frente de um peitoral também tatuado. Tinha um rosto largo de feições angulosas, contraídas num sorriso vigoroso. Uma fita roxa puxava os seus cabelos pretos para trás, os prendendo num fino rabo de cavalo. Ele usava um colete de couro e alguns anéis de prata brilhavam nos dedos de ambas as mãos. O olhou com irritação, provocada por aquele sorriso estúpido.
– Banshee? – Perguntou com impaciência.
– Ah, sim! – Ele disse com a sua euforia de sempre. Odiava aquela animação, mas convivera com ela durante toda a vida. – É uma fada. –
Turca não se impediu de rir, soltando uma risada seca.
– Então estamos lutando com fadas? – Lembrava-se de ouvir sobre elas em contos infantis.
– Ela não é uma fada qualquer. – Ele flutuou para a direita e para a esquerda, agitando o dedo indicador na sua cara. – É uma fada da morte. Ela aparece para anunciar a morte, quando esta está próxima. –
Olhou para ele com curiosidade, as sobrancelhas franzidas.
– É isso que todo mundo vê na morte? –
– Não. Essas fadas... Elas aparecem parar chorar pelo morto... Estão lamentando por ele. Pois ele está morrendo não por livre-arbítrio. – Ele parou, revirando os olhos com um sorrisinho. – Não que alguma pessoa já tenha morrido por simplesmente morrer; sempre tem algo. Mas dessa vez, a Morte está reinvidicando a vida dessa pessoa em nome do... – Ele estalou os dedos, pensativo, a cabeça baixa, com o queixo apoiado entre os dedos. – Do... –
– Equilíbrio? – Concluiu para ele. Ele estalou os dedos mais uma vez, apontando para ela com ânimo, enquanto fazia um loop no ar.
– Isso! –
– Não me parece justo... – Ela disse, mais para si mesma do que para ele.
– A vida não é justa... E a Morte também não. –
Olhou para ele com desalento.
– E o que nós podemos fazer? –
– Ah... Nada. – Ele disse com uma risadinha.
– Você sabe o que isso quer dizer, não é? –
– Sim. –
– Vamos deixar o marido dela morrer, então? –
– Sim. Mas eu não diria deixar. Não acho que dependa de nós. –
Impaciente, Turca bufou e seguiu para a porta, ciente de que Joque estaria logo atrás.
Virando no corredor, estava pronta para seguir e descer pelas escadas, mas parou de repente, ouvindo algo. Samantha e Ruan conversavam, não muito longe. Olhando para frente, os descobriu no quarto que ficava do outro lado do corredor. Eles também tinham a visto e se viu obrigada a caminhar até lá, se dando conta de que não havia planejado o que dizer. Não é bom simplesmente chegar e dizer: Seu marido vai morrer, certo? Ainda assim, tinha decidido ficar com a verdade crua, quando os alcançou no quarto. Ela a olhava com desespero e ele, com certo rancor.
– Você a viu? – Fez que sim com a cabeça e ela olhou ao redor. – O... O barulho parou. – Fez que sim também. – O que houve? – Turca percebeu que não sabia o que tinha realmente acontecido.
– Quando ela foi vista por você, precisou ir embora. Ela foi descoberta. – Turca não havia dito isso. A voz vinha do grandalhão flutuante logo atrás de si, que só ela podia ver e ouvir, (in)felizmente.
– Quando ela foi vista por mim, precisou ir embora. – Olhou para Joque por cima do ombro, irritada por ter que copiá-lo. Ele a observava com um sorriso presunsoço. – Ela foi descoberta. –
– Oh. – Samantha disse. – E o que era aquilo? Ela vai voltar? –
– Talvez volte... É uma banshee. – Eles a olharam com desentendimento e se viu forçada a explicar.
A reação não foi boa. Depois de ouvir-lhe, o marido recuara dois passos para trás, apoiando-se sobre um móvel. Era um criado-mudo branco e azulado, com gavetas pequeninas. Atrás dele, havia um berço, também branco, com um mosqueteiro. Turca enfim notara o que era aquilo. É um quarto de bebê. Enquanto jazia perplexa com o quarto, os futuros pais tinham reações diferentes. Samantha escondia o rosto numa das mãos, balançando a cabeça para lá e para cá. E ele olhava para Turca, com raiva.
– Como assim? –Você vai morrer, cara. Relaxe. Ele deu um passo à frente, com os ombros tensos e Turca deu um passo para trás, com os ombros tensos.
– Ruan! – Samantha gritou com firmeza, colocando uma mão entre ele e Turca. Deus, obrigado.
– Essa bruxa acabou de dizer que eu estou para morrer. Quem garante que ela não tenha inventado ter visto alguma coisa, hein? É uma vigarista, isso sim! –
Aquilo fez Turca sorrir, inexplicavelmente. Todos a olhavam feio quando passava na rua. Bruxa. Sua religião pertencia a outra terra, muito mais distante. Pertencia a outro povo, um povo vencido. E cultuava um outro Deus, muito diferente do deus que a Rainha cultuava. Não era apenas uma bruxa, como também uma herege. Ainda assim, iam a ela pedir por favores, e não ao deus deles. Àquela altura, a hipocrisia soava mais engraçada do que revoltante, de fato.
– Sim. Ela pode estar nos enganando. – Samantha disse, com uma calma impressionante. – Mas de todos que chamamos, ela é a única que viu o que nós vimos e não nos chamou de malucos. – Ela olhou para o berço. – E se ela pode te salvar, eu vou acreditar nela. –
Ele a olhou, não com raiva, mas com agonia, engolindo a ideia. Recuou dois passos e deu as costas para elas, ficando de frente para o berço, as mãos na cabeça e os dedos enterrados entre os cabelos castanhos. Não saiu daquela posição. Samantha direcionou-lhe o olhar, enfim. Não falou nada, apenas ficou a olhando.
– E depois desse show, essa é a parte em que você diz que não pode ajuda-los. – Joque caçoou, soando meio frustrado.
– Eu ajudarei vocês. – Disse com o máximo de firmeza que conseguiu impor na voz.
Depois disse que trabalharia numa forma de parar a banshee, sem poder garantir quanto tempo Ruan teria. Então despediu-se, saindo sob uma enxurrada de agradecimentos da mulher. À noite, poucas pessoas andavam na rua, então era só ela agora, encapuzada e com as mãos nos bolsos. Havia apenas o som dos grilos e o ar estava úmido, cheirando à mata. Era pacífico, mas não para ela. Pois desimportante de onde estivesse, ele sempre estaria lá.
– Então você vai vencer a morte, garota? – Joque disse, finalmente.
– Vou. – Ela respondeu, sem realmente saber se falava a verdade ou não.
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