A Garota dos vampiros

20 Cuidado com o que você deseja


P.O.V. Lucy.

Me pergunto porque ele me odeia? É porque eu sou Fae?

Sou só meio Fae.

Decidi ir á piscina nadar, nadar me ajuda a pensar e a recarregar. E posso usar a água para conversar com a minha família. Estava respirando fundo, pensando quando ele saiu do nada.

Ficamos mais próximos, a um palmo de distância. Ele tinha um colar no pescoço, um medalhão. Toquei nele e tive outra daquelas visões. Ele estava nela e eu também. Estávamos usando aquelas roupas da era vitoriana. E alguém tirou um retrato. De nós.

—O que foi?

—Nada. Só não consigo superar.

—O que?

—A sensação de que te conheço.

—Já não falamos sobre isso?

—Já. Mas, não acredito em você. Tem algo entre nós e você sabe, pode sentir também. Sei que pode.

—Tá bom, chega. Tem razão eu deveria ter contado a verdade. Tipo, sei que não tenho sido muito legal com você.

—Você tem sido um babaca.

—Mas, garanto que não é por nada que você tenha feito.

—Isso inclui queimar a Molly viva?

—Inclui.

—Você é mesmo um anjo. E eu? Obviamente não sou. É por isso? Porque sou parte Fae?

—Não. Olha, tem uma garota.

—A Gabe?

—Não. Não é outra pessoa, outra menina. Posso dizer que não estou mais com ela, mas ainda a amo. O que estou tentando dizer é que...

—Você complicado e é melhor eu me afastar?

—Algo desse tipo.

Olhei bem para ele.

—Sei o que está fazendo. Está distorcendo.

—O que?

—É como eu chamo. Eu sei, porque eu faço. Fae não podem mentir, mas podemos manipular a verdade, omitir coisas. Distorcer. O que me disse é verdade, mas há algo faltando, algo que não está me contando. Mas, não se preocupe... quando estiver pronto estarei aqui.

Ele foi embora. E eu voltei para o dormitório. Mas, no caminho encontrei com a Penn.

—Olha quem está ai. Você saiu da festa sem me dar tchau. O que foi? Lucy, fala comigo. Dá pra parar.

—Molly sabia coisas sobre mim. Coisas que ninguém mais sabia, só uma pessoa. Alguém que leu a minha ficha.

—E acha que eu contei pra ela? Trai sua confiança pelo o que? Dois piercings e uma tatuagem de cadeia.

Ela não tinha contado.

—Certo. Sinto muito. Ela provavelmente fez alguma coisa para descobrir. Você leu a minha ficha não leu?

—É claro.

—Então sabe sobre...

—Suas sombras?

Fiz que sim.

—Lucy, o que aconteceu na festa ontem? Como fez aquilo?

—Eu conto tudo, mas não aqui.

—Você ainda as vê?

—Vejo.

—Tá vendo uma agora?

—Não. Mas, desde que cheguei aqui piorou muito. E temo que algo ruim vá acontecer.

—Pare, isso é besteira.

—Não é. Não é não. O Trevor estava lá comigo, ele apenas estava lá.

—Só me conta exatamente o que aconteceu.

Fomos para o quarto. O meu quarto e eu fechei a porta com chave.

—Ele me ignorou o ano inteiro, nunca nem olhou pra mim, mas de repente nesta festa... ele deu encima de mim. Eu deveria ter sabido. Fui uma tola.

—Você transou com ele?

—Não. Eu mudei de ideia antes... de acontecer. Estávamos no chalé e eu não queria mais, mas ele não queria tomar um não como resposta.

—Tentou te violentar?

Fiz que sim.

—Só uma vez eu queria me sentir humana, normal. Tomamos algumas doses e... quando ele ficou agressivo, eu o empurrei, só o empurrei. E as sombras ficaram maiores do que nunca e então... de repente tudo explodiu.

—Você queria machucar ele?

—Não. Só afastá-lo.

—Queria que ele morresse?

—Não. Até hoje não sei como fui parar do lado de fora.

—E quanto ao que aconteceu na festa? Você estava tão perto da fogueira Lucy e havia fogo saindo da sua mão.

—Eu sou parte Fae.

—Fae?

—Fada.

—Você é uma fada?!

—Eu sou muitas coisas.

P.O.V. Penn.

Cara, isso é demais! Ela é uma concepção quase imaculada meio fada, meio vampira, meio humana.

—Sou quadrigêmea. Mas, não somos idênticas. Na verdade cada uma veio de um óvulo diferente. Para um humano isso é raro, mas para um Fae não é. Apesar das minhas irmãs também verem o mundo das sombras, elas não veem as sombras. Só eu. Trevor não conseguiu sair. Ele está morto porque tem algo errado comigo, estou que feliz que queira ser minha amiga, mas tem que ficar longe de mim porque sou perigosa.

Ela chorava compulsivamente.

—Você mesma disse, não queria que ele morresse e nem tentou machucar ele. Então, não foi sua culpa. Não precisa se isolar, precisa de amigos. Me deixa te ajudar.

—Porque?

—Porque é o que os amigos fazem.

Nos abraçamos.

—Você tem asas?

Ela riu.

—Não. Nós somos metamorfos. Nos adaptamos a qualquer padrão de beleza de qualquer dimensão.

—Presas?

—Não. Mas, minha mãe tem. Eu tenho magia e não posso mentir.

—O que quer dizer não pode mentir?

—Literalmente não posso mentir. Nem se eu quiser. É biologicamente impossível para um Fae.

Tivemos que ir para a aula.

P.O.V. Lucy.

Aula da senhorita Sophia. Ela falou latim e pediu para alguém traduzir.

Traduzi, mas tipo bem baixinho. Só para mim mesma.

—O orgulho transformou os anjos em demônios...

—Como é, Lucy?

—A humildade transforma homens em anjos e o orgulho transformou os anjos em demônios.

Todos eles me olharam com cara de choque. Quero dizer, não são muitas as pessoas que ainda falam latim. E eu falo Fae.

—Vejo que temos uma conhecedora do latim entre nós.

—É uma coisa de família. Minha mãe nos ensinou.

Ela começou a falar do anjo rebelde e olhava diretamente para o Daniel. Estava brigando com ele.

Mas, a Arienne intercedeu. Disse que a Senhorita Sofia estava com ciúmes. Porque Daniel escolheu outra mulher que não ela.

Eu o vi jogando um de seus desenhos no lixo e bolei um plano. Deixei minha blusa na sala de propósito. Assim teria uma desculpa para voltar.

Quando a aula acabou, sai e estava com a Penn e o Todd.

—Droga, esqueci a minha blusa. Eu já venho.

Fui bem quietinha para a sala. No sapatinho, peguei o desenho do lixo e ouvi uma parte da conversa. A estátua que quase caiu encima de mim, disseram que não foi um acidente. Tem alguém tentando me matar. Clássico.

Eles me viram. E ficaram quietos.

—Desculpem. Não quis interromper, só esqueci a minha blusa.

Fui até o jardim e me sentei numa fonte vazia. Abri o desenho e era eu. Quando vi a rua, a mulher de vestido e chapéu... tive outro flash. Flash. Não são alucinações. São memórias.

—Ei Lucy!

Rapidamente escondi o desenho.

—Espera.

—O que foi? O que você quer?

—Nada. Achei que poderíamos dar uma volta.

—Tá.

É o meu cérebro não pensa racionalmente quando estou perto dele.

—O que estava desenhando na aula hoje?

—É um tipo de grafic novel.

—E que tipo de história?

—Acho que pode chamar de romance.

—Final feliz?

—Não sei. Nem sei como continuar na verdade.

—Bloqueio criativo?

—Mais ou menos isso.

—Minha irmã Amara, ela também gosta de desenhar.

—Você tem uma irmã?

—Três. Gêmeas, fraternas. Somos em quatro contanto comigo. Conta ai. Talvez eu possa te ajudar.

—Não acho que seja uma boa ideia.

—Qual é? Começou, agora termina.

—Tá. É sobre um garoto e uma garota que se amam mais do que qualquer coisa, mas nunca podem ficar juntos.

—Porque motivo?

—Porque tem uma maldição.

Uma maldição.

—Se tem uma maldição, então tem uma brecha.

—Uma brecha?

—É. Uma das vantagens de se ter uma mãe herege. A gente aprende desde cedo. Sempre tem uma brecha. Você só tem que encontrar. Fala da maldição.

—A cada dezessete anos eles se encontram e se apaixonam. Ai quando estão felizes, a menina morre.

—Então é uma tragédia. E quanto ao garoto?

—Ele espera. Não envelhece e nem muda. E continua apaixonado.

—Imortal.

—Então, os anos passam e um dia ela retorna.

—A mesma garota?

—Está mudada. Tem um nome novo, outra família. Ela se quer se lembra dele.

Disse olhando pra mim.

—Mas, ele sabe que é ela. É a alma dela. Reencarnada.

—E ele se apaixona.

—Sempre.

Acho que a garota sou eu. Então, me deu um estalo.

—Meu Deus! É isso. Essa é a sua brecha!

—O que? Do que está falando?

—A garota sempre morre, certo?

—Sim.

—E como ela morre?

—Basta um beijo para que ela morra.

—Eu sempre pensei... que eu era um erro cósmico, uma piada de mal gosto de um Deus que não tinha mais o que fazer.

—Do que está falando? Ninguém é um erro. Especialmente não você.

—Não sou um erro. Sou a sua brecha.

—O que? Como assim?

—Meu pai é humano, ele veio para Magic Falls transferido de Chicago. E lá, ele conheceu minha mãe biológica, a Doutora Juliette Dupress... ela era uma Fae. Ela ficou grávida de mim e das minhas irmãs, mas foi atacada. Tomou uma flechada e morreu. Mas, antes de morrer, lançou um feitiço. Que nos transferiu para a barriga da mulher sobrenatural mais próxima. A Senhora Renesmee Volturi. Ela é uma herege. Meio vampira, meio bruxa. Ela nos deu a luz, nos criou e é nossa mãe para todos os efeitos. Sou uma Fae da realeza, neta da Rainha Amara, com uma mãe híbrida e um pai humano. E isso me torna uma aberração Tribrida. Mas, também me torna imortal.

Respirei fundo.

—Quem lançou a maldição?

—O próprio diabo.

—Credo!

—Ele tinha inveja do amor deles então, tentou impedir.

—Bem, a garota não pode morrer se ela for imortal. A garota da história, é a mesma que mencionou na piscina, pela qual ainda está apaixonado?

—Ela é a inspiração sim.

P.O.V. Daniel.

Ela sabia. Sabia que era ela. Então, tirou o desenho do bolso. Meu desenho.

—É essa?

Perguntou com um sorriso sacana e atrevido.

—É agora você me pegou. Eu estava te usando para ser a imagem dela. Era para ser em Paris, ano de 1723. É uma ideia idiota. Eu sei.

—E porque eu?

—Porque você é linda.

Sussurrei, mas ela estava perto demais e pode ouvir.

—Mas, não acertei nos olhos. Sempre tem alguma coisa com os seus olhos.

Estávamos tão perto... me virei.

—O que foi? Fala desse lugar. Já esteve lá antes?

—Não.

—Olha mais que mentiroso.

—Isso importa?

—Importa.

—Porque?

—Porque nunca viajei para fora, jamais deixei este país, mas sei que tem um café virando á direita, que tem cheiro de jasmim depois da chuva e também sei que o senhor que é dono do café é gentil com seu cachorro, mas cruel com a esposa. E sei disso porque já estive lá. Já estive lá com você.

Podia sentir as lágrimas nos meus olhos. Podia ouvir as dela na sua voz.

—Ah, Lucy, qual é...

—Não. Não fala que eu sou doida. Você me viu, na festa. Me viu usar magia, me ouviu falar Fae, sabe que eu sou Fae.

—Lucy é só um desenho. É só uma história.

—Olha mais... que mentiroso! Está mentindo!

Eu sai antes que... acontecesse.

P.O.V. Cam.

Eu prometi respostas para ela e ela veio. Aos arcos ás oito. Ela pilotou uma moto. Gosto dessa Lucy, ela é atrevida. Estava linda naquele vestido preto.

—Uau! Que gata.

—Uma das vantagens de se ser uma Fae.

P.O.V. Lucy.

Era uma Have, com uma banda de Heavy Metal e o lugar chamava Pandemônio. Nada suspeito.

Notem a ironia nessa última parte.

—O que estou fazendo aqui com você?

—Comemorando.

—Você é bom nisso. Sempre que faço uma pergunta você arruma uma forma inteligente de evitar a resposta. A resposta que me prometeu.

—Isso não é verdade.

—Onde você nasceu?

Senti ele me beijar.

—Viu? Porque não me conta nada sobre você?

—Porque estou me divertindo e não quero estragar tudo.

Ficamos beijando e ele era bom nisso. Então, eu só vi ele ser empurrado.

—O que diabos está fazendo Daniel?!

—Eu te falei pra ficar longe dela!

—Porque? Porque você gosta muito dela?

—Porque sei do que você é capaz, ainda está com Lúcifer!

Ok. Ele é um demônio.

—Parem!

Eles continuavam se atracando, até eu me enfiar no meio.

—Parem agora! Você não tem o direito de ficar com ciúmes. Foi um idiota comigo, sempre que eu tento me aproximar, você me afasta. Nunca me conta nada e eu cansei. Se está comigo, fique comigo! Se não... saia do caminho. Sou a sua brecha. Não posso morrer e acredite eu tentei. Mas, se não vai ficar comigo, se não vai me deixar entrar... então me deixe ficar com ele. Eu só quero ser feliz. Eu mereço isso, não acha?

Sai. Eu contei tudo para a Penn e ela disse que conseguiria me ajudar.