A Garota dos vampiros
21 Tentativa de homicídio
P.O.V. Lucy.
Penn, Todd e eu fomos para a biblioteca e ele usou um programa de reconhecimento facial para encontrar fotos e registros do Daniel.
E...
—Puta merda. É ele mesmo.
Eu vi o retrato. Eu e ele. O mesmo retrato da minha visão.
—Imprime. Por favor.
Embaixo estava escrito, Helston, 1854. Foi quando o retrato foi tirado. E haviam centenas de milhares de fotos de Daniel Grigori, de várias épocas diferentes.
—Eu vou pegar.
A Penn foi. Tive outro flash. Do dia em que o retrato foi tirado, ouvi-o sussurrando na minha orelha que me amava.
Perambulei pela biblioteca enquanto o Todd continuava com a pesquisa, então ouvi o barulho das asas batendo. E elas estavam lá.
—Tá acontecendo de novo. Não. Meus amigos. Me deixem em paz!
Então... fogo.
—Luce!
—Todd!
—Eu tenho que achar a Penn!
—Não Todd!
Tentei segurá-lo, mas não deu. A biblioteca logo estava toda em chamas.
Eu encontrei a Penn.
—Segure minha mão e não solte.
—Cadê o Todd?
—Não sei. Precisamos encontrá-lo. Aguenta firme.
Ela já começava a tossir.
—Phesmathos Modis Incendeamos.
P.O.V. Penn.
Está quente como o inferno, mas eu vi a mão da Lucy. A mão que estava segurando a minha. Tinha um brilho laranja e as chamas se abriram para que pudêssemos passar.
—Isso é demais.
Disse tossindo.
Ela me tirou do prédio, mas não saiu.
P.O.V. Lucy.
Eu tentei encontrá-lo, mas uma estante quase caiu na minha cabeça. Coloquei a mão no fogo e comecei a sifar. Puxar as chamas para mim e consumi-las. Mas, foi demais. Comecei a apagar.
Mas, vi algo antes disso.
P.O.V. Daniel.
Ela estava consumindo as chamas, mas algo deu errado. Eu a tirei do prédio. Quase inconsciente.
E levei-a para a enfermaria.
P.O.V. Lucy.
Ouvi-o dizer que me amava. A Arienne e a Gabe conversando, a voz dos meus pais. Quando consegui recuperar completamente a consciência, Penn estava do meu lado. E tinha um tubo enfiado na mão. Minhas irmãs estavam aqui também.
—Ei.
—Oi. Você assustou a gente pra caramba.
—Eu sei. Foi igual. Onde está o Todd, Penn?
—Ele... ele...
—Não. Eu... juro que eu tentei salvá-lo, sinto muito.
—Não foi sua culpa. Você me salvou.
—Onde tá a mamãe?
—Foi fazer chá.
—E o papai?
—Buscar café.
Eu ri.
—Estou tão feliz que estão aqui. Não vão acreditar na droga de mês que eu tive.
—Não vai me apresentar?
Eu abracei as minhas irmãs e então as apresentei para a Penn.
—Essa é a Juliette.
Disse abraçando a loira de cabelos lisos e blusa azul clara.
—Essa é a Rosalice.
Loira de cabelos ondulados.
—E essa aqui é a Amara. Ela é a Roqueira da família.
Já que a ruiva usava roupa de couro.
Tirei os tubos do braço.
—Sabe se eles...
—Não. A mamãe não deixou.
P.O.V. Daniel.
Ele me paga. Vou acabar com ele.
—Você apareceu no funeral depois de matar o cara! Eu sei que é você que está fazendo isso! A estátua no jardim, o incêndio na biblioteca! Você estava tentando matá-la!
—Matar a Lucy é sua especialidade lembra?
Eu voei no pescoço dele. Não literalmente.
—Não se atreva...
—Qual é o problema? Está com medo da concorrência? O que sinto pela Lucy é real! Ela está absolutamente diferente agora. Ela é uma Fae! Ela tem magia! Merece mais do que você tem a oferecer.
—Se chegar perto dela...
—Vai fazer o que? Quantas vezes vai ter que ver ela morrer?
Cam estava saindo quando eu disse:
—Ela não é só uma Fae. É algo novo.
—Se importa em elaborar?
—Nunca houve nada igual a ela e as irmãs antes. A mãe biológica era Fae, elas são netas da Rainha Amara. Enquanto a mãe grávida estava morrendo, fez um feitiço que as transferiu para dentro de uma herege. Elas são vampiras, humanas e Fae. Tribrida. Lucy é imortal. Para todos os efeitos.
—Porra!
P.O.V. Lucy.
Estou dormindo, mas isso não é um sonho. É uma invasão, posso senti-lo na minha mente, está me contando uma história. Cumprindo a promessa.
—Basta um beijo do Daniel e você morre.
Me vi entrando em combustão espontânea. Senti o calor, infernal.
—Você vai morrer. Você vai morrer.
Acordei. Me levantei e olhei pela janela. Ele estava no telhado, na sacada na verdade. Olhando para a janela do meu quarto. Então, coloquei uma blusa de frio, peguei o retrato e fui até lá. Obter respostas.
—Se sente melhor?
—Estou um pouco dolorida, mas já sarou. Uma das vantagens de se ter sangue de vampiro.
—Já é alguma coisa.
—Eu me lembro.
—De que?
—De tudo. De você me carregando, de estar nos seus braços..
—Estava delirando.
-Talvez, mas eu me lembro disso. Do dia em que o retrato foi tirado.
Disse estendendo a foto pra ele.
—Como assim?
—Já chega! Eu vim aqui para obter respostas. Eu sei o que eu sei. E sei o que eu sou.
Olhei para baixo. Era uma puta duma queda.
—Passei minha vida toda ouvindo os médicos dizerem que eu era doida. Vamos ver se estavam certos mesmo.
Subi no parapeito.
—Lucy, o que está fazendo? Lucy, desce dai.
Me virei e olhei direto pra ele.
—Não Lucy.
Ai eu me atirei.
—Não!
Senti o meu corpo em queda livre. Mas, não durou muito. Ele me pegou. Vi as lindas asas com um brilho violeta. Ele veio por baixo e logo estávamos de volta á torre.
Eu toquei nelas bem devagar, suavemente. As penas eram duras como pedra e macias como veludo.
—Dói?
—Não. Não há nada comparado.
—De um jeito bom?
—De um jeito bom. Sempre vai ser você Lucy, como sempre foi.
Peguei no colar.
—Eu te dei isso.
—Á muito tempo.
Abri o medalhão e... éramos nós.
—Como isso é possível?
Então, eu as vi. E pânico.
—Tá tudo bem.
—Não. Não. Todas as coisas ruins que já aconteceram foram por causa disso.
—Lucy, as sombras não causaram os incêndios e nem você. Elas ficam só observando. São chamados de anunciadores. Pense nelas como janelas para o passado. São ligadas aos momentos mais importantes da sua vida.
Ele podia controlar. Ele controlava a sombra. Então, comecei a ver, imagens.
—O que é isso?
—Nossas vidas juntos. Estamos apaixonados a milhares de anos. Lucy, todas as suas visões são reais.
—Eu percebi isso no dia em que você veio falar comigo na fonte. Então, somos reencarnados?
—Você sim, mas eu sou...
—Um anjo. Desculpe, acho que é o choque.
—Um dos anjos caídos sim.
Estávamos prestes a nos beijar quando...
—Para! Se você beijá-lo, você morre. Eu já vi acontecer, milhares de vezes.
—Demônios tem asas?
—Não sou um demônio. Sou um anjo.
—Bom.
—Por isso tentei tanto te afastar, mas não consegui.
—Sou teimosa como o inferno.
—A maldição é a minha punição por não escolher um lado na guerra.
—Não escuta ele Lucy!
—Fique Lucy, eu escolho você. Eu escolho o amor.
—Não te incomoda que eu não sou tão humana assim?
—Não.
—Daniel...
—Não escuta ele Lucy! Se beijar o Daniel, você morre! Eu já vi acontecer milhares de vezes!
—Desta vez vai ser diferente, eu prometo que vai ser diferente.
—Ele está mentindo!
Eles ficaram gritando, discutindo.
—Calem a boca!
Felizmente eles obedeceram.
—Não posso te perder de novo.
Olhei para o Cam.
—Eu sei o que eu quero.
Ele sorriu.
—O verdadeiro amor prevalece. E o diabo que se dane.
Então, eu o beijei. Eu beijei o Daniel.
—Não!
Foi tão bom beijá-lo, me senti completa de um jeito que eu nunca senti antes.
P.O.V. Daniel.
Quando paramos, olhei e... olhei pra ela e...
—Ainda to aqui. Viu? Aberração Tribrida imortal.
—Você acha que venceu a maldição? Não tem ideia do perigo que ela está correndo, Lúcifer sabe que ela nunca foi batizada.
—Eu não entendo. E dai? Grande coisa.
Idiota eles são anjos.
—Foi mal.
—Ele suspendeu a maldição porque quis. Ele vai vir buscá-la. O Daniel não pode te proteger, Lucy, mas eu posso.
Ele tentou me agarrar. Mas, o Daniel se meteu na frente.
—Não!
Me trouxe pra baixo.
—Há uma ordem natural para as coisas não pode fazer o que bem entende.
Senhorita Sophia?
—Bem, o ciclo foi quebrado! Ela ainda tá viva!
Rolland, Molly... eles eram todos anjos como eu suspeitava.
—Lucy, você vem comigo!
Berrou o Cam.
—Mantenha ela segura preciso cuidar do Cam, não quero que ele veja pra onde vou levá-la.
O impacto entre os dois fazia um raio e um trovão tamanha era a força que eles empregavam nos golpes. A senhorita Sophia me trouxe para dentro. Mas, eu ainda podia ouvir a briga.
—Posso protegê-la!
—Fica longe dela!
—Não fique com medo.
—Não estou com medo.
Mas, tenho um mau pressentimento sobre você.
—Lucy espera!
—Penn?
—Ela colocou fogo na biblioteca ela...
A Senhorita Sophia cortou a garganta da Penn com um movimento rápido e uma lâmina oculta.
—Penn!
—Lucinda, chegou a sua hora estou cansada de esperar!
Sai correndo.
—Fica longe de mim sua louca!
—Volte aqui, cada respiração sua mantém o Daniel longe do seu lugar de direito no Paraíso!
Ficamos frente a frente, ela me atacou, eu levantei o braço e bloquei, então vi a cara que ela fez quando eu afundei a lâmina na barriga dela.
—Não viu essa vindo, não é? Cortesia da minha irmã Amara.
Ela caiu no chão. Fiquei sob ela e continuei estocando a lâmina serafim nela.
—Morra sua vadia! Mentirosa! Piranha assassina! E volte pro inferno que é o seu lugar.
Podia senti o sangue dela espirrando na minha cara. Mas, não me importava.
—Lucy! Ela morreu Lucy. Ela morreu.
—Porque a Sophia mataria a Penn? Porque tentaria me matar?
—Ela é uma fanática Lucy. Luta por Deus, mas foi longe demais.
—Estou começando a perder a minha fé. Que tipo de Deus faria isso? Ficaria bravo com você por escolher o amor ao invés da guerra ou mandaria anjos assassinos que mataram o Trevor, o Todd, a Penn. Me faria sentir culpada por isso? Eu me senti culpada por anos!
—Você não é batizada Lucy. Se morrer vai ser pra sempre.
—Não. Se eu morrer, vou para o outro lado.
—Sophia pensou que com você morta eu não teria motivo para ficar na Terra e voltaria para o céu.
—Burra.
—Lúcifer está vindo. Preciso te levar para um lugar eu tenho amigos lá.
—Não posso deixar a Penn.
—Vamos cuidar dela.
—Minhas irmãs...
—Ela ficarão bem. E eu não sabia que tinha isso em você. Matar a Sophia á facadas.
—Ela mereceu.

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