A Garota do Guarda-chuva Azul
16 Capítulo 16
É sábado de manhã. 29 de dezembro. Quando acordo, abro os olhos e me lembro que hoje é merda do meu aniversário, tenho vontade de voltar a dormir e acordar apenas no dia seguinte. 23 anos. 23 anos de pura infelicidade, mágoas e um enorme vazio. Tão viva por fora, sinto que apodreço mais por dentro a cada dia. Estou tão podre que quase consigo sentir o cheiro da minha carne se decompondo. Mergulhada nessa angústia que suga minhas energias a todo momento, me pergunto por quantas outras drogas de aniversário eu precisarei passar até tudo isso acabar.
Olho meu celular e vejo que três pessoas me mandaram mensagens. A primeira é meu pai, que enviou um simples “Feliz Aniversário, Emma”. Pelo visto nem um cartão com a foto da Torre Eiffel eu vou ganhar este ano, penso, revirando os olhos. Respondo “Obrigada” e passo para a próxima, que é Cheryl. “Oi amigaaaaa. Tá ficando velha, em! Infelizmente não vou poder te ver nesse fds pq fui acampar com meu crush, mas pode esperar que segunda eu te entrego o seu presente! Espero que você continue sendo essa pessoa maravilhosa q vc é. Curta seu dia, bjss”. Rindo, agradeço-a pela mensagem, verdadeiramente agradecida.
A última pessoa é Alex:
— Bom dia, flor do dia.
— Vai fazer alguma coisa de especial hoje?
— Bom dia
— Vou sim, o mesmo de sempre: nda kkk
— Bom saber
— Porque hoje à tarde vou passar na sua casa para te pegar
— Aí você vai escolher para onde nós iremos
— Tudo bem pra você?
— Tudo ótimo! Beijos.
— Beijos.
— Como vai a aniversariante mais linda de todas? – pergunta Alex, empolgada, quando entro em seu carro.
— Não tão linda quanto você – retruco.
— Feliz aniversário, Emma. – fala, enquanto ela me abraça – Eu realmente desejo tudo de bom para você.
— Obrigada Alex – respondo, quando nos soltamos.
— Espero que goste – diz, abrindo o porta-luvas e tirando uma pequena caixa de veludo de dentro dele.
— Eu te disse que não queria nenhum presente – começo, indignada. Ela, ignorando meu comentário, apenas me entrega, mordendo o lábio num gesto de ansiedade.
Curiosa, abro lentamente a caixa e vejo que há uma pulseira extremamente delicada dentro dela. Ao analisa-la, vejo que há pequenas pedrinhas cintilantes incrustadas nela.
— Alex, é simplismente lindo... – começo, boquiaberta.
— A correntinha é de ouro branco. – ela começa, empolgada, tirando-a delicadamente da caixa – E essas pedrinhas são diamantes.
— Tá brincando né? – pergunto, rindo. Após ver que ela mantêm sua expressão, meu queixo literalmente cai – É sério?
— Totalmente – responde, divertindo-se com a minha surpresa.
— Isso... isso deve ter custado uma fortuna Alex! Você perdeu o juízo? – falo, completamente boquiaberta.
— Emma, acredite, esse valor não é nada para mim. Além disso, – diz, levantando meu braço e colocando-a em mim – passei muito tempo procurando algo bonito o suficiente para você, mas eu não conseguia encontrar de jeito nenhum algum presente à sua altura. – Nesse momento, ela deposita a ponta de seus dedos em meu queixo e ergue levemente meu rosto até meus olhos encontrarem os seus — Então encontrei essa pulseira e pensei que, mesmo ela não sendo tão linda quanto você, ainda assim conseguia representar toda a singularidade do seu encanto.
Estou prestes a dizer algo sobre essa comparação ser um exagero, mas percebo que estou sem fala. Os olhos verdes de Alex, tão carregados de paixão, prendem o meu olhar como um ímã. Minha garganta se fecha, e, de repente, a única coisa pela qual é anseio é sentir o gosto maravilhoso de seu beijo novamente. Em seguida, seu olhar pousa em minha boca e ela, involuntariamente, morde o lábio. Aquela imagem era tão deliciosamente irresistível que não tive outra opção se não aproximar meu rosto do seu.
Quanto mais próximas nossas bocas ficam, mais aumenta o meu desejo. Meu corpo pede por aquilo mais do que qualquer coisa no mundo. Alex não se distancia em nenhum momento, pelo contrário, parece querer aquilo tanto quanto eu. No momento em que consigo sentir sua respiração quente em minha pele, me lembro de Charlie. Me lembro da discussão que tivemos e do quanto aquele homem parecia abalado. Então, com uma enorme culpa se formando em meu peito, volto à realidade e me dou conta de que Alex é uma mulher casada.
Antes que eu faça algo do qual me pudesse me arrepender futuramente, mudo a direção e deposito um beijo suave em seu rosto, a milímetros de sua boca.
— Muito obrigada pelo presente – sussurro, logo após, com nossos rostos ainda próximos.
— De nada. – fala, saindo do transe, envergonhada – E aí, pra onde vamos?
— Ah, é mesmo. – respondo, distraída, ainda apreciando a pulseira, que combinou perfeitamente com meu tom de pele – Depois de muito pensar, lembrei-me de um lugar onde sempre quis ir. Meu pai comentava que o lugar preferido da minha mãe era a ponte do fim da cidade, sabe qual é?
— Sei sim. Mas você quer ir lá no dia do seu aniversário? – indaga, cautelosa.
— Eu nunca criei coragem suficiente para ir até lá e sinto que se eu não for hoje não irei nunca mais. Fora que hoje fazem 23 anos que ela morreu, então acho que é uma data especial. – brinco – Mas se você não quiser ir eu entendo, posso ir sozinha depois.
— Não, tudo bem. Só estou preocupada com você – explica, receosa.
— Pois não fique. Acabei de ganhar uma pulseira de diamantes, acha mesmo que alguma coisa vai conseguir me deixar triste hoje?
Ela para o carro e nós duas descemos. Sentindo o medo e a ansiedade me invadirem, começo a pensar se aquilo é realmente uma boa ideia. Então, Alex se aproxima de mim, e, após ver o meu estado de nervos, entrelaça delicadamente seus dedos nos meus e pousa seu olhar em meus olhos aflitos. No momento em que nossas mãos se tocam eu consigo sentir uma carga de eletricidade passar entre nós duas. Seu olhar é tão intenso que, de repente, sinto que meu medo desaparece por completo, como se Alex, ao lado dela, eu fosse capaz de fazer qualquer coisa.
Respirando fundo começo a caminhar, com ela ao meu lado. Quando nos aproximamos da ponte é que consigo entender o porquê de aquele ter sido o lugar preferido da minha mãe. Iluminado pela forte luz do sol, o rio que corre sob a ponte tem uma água quase transparente. Ao seu redor há um espaço amplo e extenso, coberto por uma grama verde e bem aparada. Em alguns locais alternados, há grandes macieiras carregadas de maçãs vermelhas, que oferecem sombras extremamente aconchegantes para um cochilo.
Para a minha surpresa, o lugar está cheio de pessoas. Vejo várias crianças correndo e brincando umas com as outras, famílias fazendo piqueniques, um grupo de estudantes que parecem estar no meio de um debate e inúmeros casais apaixonados andando ao redor e apreciando a natureza. Avisto até mesmo uma senhora sorridente apanhando maçãs e colocando-as numa cesta.
O ambiente desperta em mim inúmeras lembranças e sensações. Lembro-me que, na tarde em que meu pai havia mencionado que ele era o lugar preferido da minha mãe, ele me mostrou uma foto dos dois juntos. Eles estavam naquela mesma ponte. Ela, que estava rindo de olhos fechados, estava debruçada nele, que exibia um grande sorriso de surpresa, de modo que dava a entender que a foto fora tirada num momento espontaneamente feliz dos dois. E aquela foi a primeira e única vez em que o vi sorrir de verdade.
Olho ao redor e tudo o que esse ambiente me traz é uma enorme paz. Uma paz que eu nunca havia sentido antes. É como se aquele lugar fosse uma parte da minha mãe. Então, percebo que parte do vazio que habita em meu coração é parcialmente preenchido. Noto que Alex observa o local, pensativa, e, me sentindo feliz por ela estar ali comigo. Aperto mais sua mão, que continua entrelaçada à minha.
— Como se sente? – ela pergunta, me encarando.
— Me sinto mais próxima a ela do que nunca – respondo, sorrindo.
Fecho os olhos para apreciar a brisa suave que vem de encontro ao meu rosto. Começo a escutar um latido baixo e fino vindo em nossa direção e abro os olhos. Um alegre filhote de cachorro está correndo em nossa direção. Assim que chega mais perto de nós duas ele se aproxima de Alex, com seu pequeno rabo balançando de um lado para o outro, agitado. Ela dá um passo para trás, assustada, me puxando pela mão.
— Calma, é só um cão – digo, rindo.
— Eu tenho medo de cachorros – fala, aterrorizada. O filhote a persegue animadamente, como se quisesse brincar, e ela me usa como escudo para tentar se proteger.
— É só um filhote Alex. Ele quer brincar com você – contesto, pegando-o no colo. Seu pelo é marrom escuro e ele aparenta ter cerca de 3 meses de vida. Ele exala um agradável aroma típico de filhotes – Aqui, pegue-o.
— Não vou encostar nele – diz, pálida.
Percebendo que eu haveria de percorrer um longo percurso até fazê-la perceber que o pobre animal é inofensivo, sento-me pacientemente na grama macia, com ele ainda em meu colo e tentando, a todo custo, chegar até Alex. Após alguns segundos de hesitação, ela acaba sentando-se ao meu lado e analisando o cão, desconfiada. Ele está mordendo distraidamente a minha mão quando ela se aproxima lentamente e deposita a ponta do dedo indicador na cabecinha dele.
— São mais macios do que eu pensei – consta, menos tensa. Em seguida, começa a acariciá-lo lentamente, enquanto ele continua insistentemente tentando ir para ela e eu o seguro.
— Aqui, pegue-o – digo, entregando o filhote a ela com cautela. Inicialmente, ela se mostra em pânico, mas logo estende as mãos e o pega, receosa, estendendo-o no ar. Satisfeito por finalmente estar nos braços de Alex, ele se estica para lamber-lhe o rosto, balançando as patinhas. O cãozinho se mostra tão encantadoramente ansioso que Alex não consegue deixar de sorrir.
— É uma graça – fala, amolecida, colocando-o carinhosamente em seu colo. Aninhando-se em seu peito, ele acomoda sua cabecinha peluda no braço de Alex e fecha os olhos.
— Ele gostou mesmo de você – comento, apreciando a cena.
— Olha só o tamanho dessas patinhas – diz, apaixonada.
Passamos as horas seguintes brincando com o cachorro, que pula alegremente de felicidade. Alex acaba se rendendo completamente aos encantos de animal, enquanto este a segue para onde quer que ela vá.
— Será que ele tem dono? – ela pergunta, de repente. Estamos deitadas numa parte particularmente macia e verde de grama. O filhote dorme tranquilamente entre nós duas, enquanto Alex acaricia sua barriguinha.
— Provavelmente não. – respondo, analisando-o – Veja como está magro.
— Acho que vou levá-lo comigo – fala, me encarando com uma expressão de dúvida.
— E aquele papo de que você tinha medo de cachorros? – indago, surpresa.
— Ora, as coisas mudam. – argumenta, corando levemente.
— Penso que seria uma ótima ideia – digo, dando de ombros.
— Devo estar perdendo o juízo mesmo – fala, rindo, observando-o.
— Você precisa dar um nome a ele.
— Verdade. Não sou muito boa com nomes. – diz, pensativa – Que tal Mark?
Analiso o cãozinho, que dorme profundamente, e digo, sorrindo:
— Mark está bom.
Ficamos alguns minutos apreciando a natureza. O sol está agradavelmente mais fraco e a maior parte das crianças, cansadas de tanto brincar, estão sentadas conversando animadamente.
— Quase me esqueci de dizer, – começa, animada – Benedict mandou um abraço para você.
— Ah, muito gentil da parte dele. – digo, sorrindo – Por que ele não veio com a gente?
— Ele foi para a casa de praia de um amiguinho e volta daqui a umas duas semanas – explica.
— Sei – digo.
Distraída, ergo meu braço em frente ao meu rosto e, mais uma vez, contemplo a pulseira. As pedrinhas de diamante estão ainda mais bonitas e brilhantes em contraste com o sol.
— É simplesmente magnífica – murmuro, deslumbrada.
— Que bom que gostou. – Alex diz, virando-se para mim. Me pego notando, mais uma vez, o quanto aquela mulher é linda. Seus verdes olhos estão fixos nos meus e alguns de seus dourados fios de cabelo lhe caem sobre o rosto, que possui um ar relaxado, despreocupado e esporádico. Reparo que os cantos de seus lábios se movem num gesto quase imperceptível, denunciando um esboço de sorriso. Tão familiarizada com a mulher de negócios extremamente ocupada que ela é, vê-la tão tranquila desse modo é quase irreal.
— Obrigada Alex – digo, de repente.
— Ora, eu já disse que não foi nada – fala, distraída.
— Não, sério. Muito obrigada. Por tudo. – começo, enquanto ela assume um ar intrigado – Você sempre diz que eu salvei sua vida, — e, acariciando a lateral de seu rosto delicadamente, completo – mas preciso dizer que você quem salvou a minha.
— O que te faz pensar isso? – pergunta, com uma risada nervosa, como se eu tivesse acabado de dizer algo completamente sem sentido.
— Primeiro, o fato de você ser a mulher mais linda que eu já vi. – digo, não conseguindo evitar. Minhas ações, nesse momento, são guiadas apenas por todo o amor que eu sinto por ela. Alex me olha com os lábios semicerrados, como se quisesse dizer algo mas estivesse sem fala. Desconcertada, suas bochechas estão vermelhas – Segundo, quando você chegou em minha vida as coisas ficaram iluminadas e eu comecei a ver mais sentido nas coisas. Você, com seu jeito otimista de sempre ver o lado bom das coisas e com sua infinita simplicidade, fez do meu mundo um lugar menos frio e assustador. E é por isso que sou eternamente grata a você.
— Eu não vejo o lado bom das coisas o tempo todo. – devolve, envergonhada, após ficar alguns segundos em silêncio – E muito menos sou a mulher mais bonita que você já viu – acrescenta, indignada.
— Me esqueci de mencionar que você também é muito modesta. – brinco – Olha só quem acordou – falo, olhando para Mark. Ele acaba de abrir os olhinhos e solta um longo bocejo. Ao olhar para ele, Alex exibe um grande sorriso.
— Mas, sério, não precisa me agradecer. – começa, aproximando seu rosto do meu – Você fez muito mais por mim do que pode imaginar – e deposita um beijo suave em minha testa. Ela se afasta minimamente de mim, pousando seus olhos em minha boca. Em seguida, faz algo que me surpreende completamente. Ela passa a ponta de seus dedos em meus lábios delicadamente, como que para senti-los.
Alex, completamente submersa, me transmite um olhar que expressa o puro desejo e que me faz perder quase que totalmente minha razão. No que será que ela está pensando? Será que ela quer sentir, mais uma vez, a textura de meus lábios? E se, agora, ela estiver ansiando pelo meu gosto, assim como eu desejo provar o dela a todo momento? Minha boca queima ferozmente e tudo o que consigo fazer é tentar me controlar para não a beijar na frente de todas aquelas pessoas.
— Me desculpe. – ela diz, de repente, afastando abruptamente sua mão de meu rosto. Ela está confusa e constrangida – Eu... eu preciso tomar um ar – termina, se levantando rapidamente e se afastando de mim. Mark imediatamente a segue, abanando o rabinho.
Ainda presa na sensação maravilhosa de ter sido tocada por Alex, tento colocar a cabeça em ordem e entender o que aconteceu. Afinal, por que diabos ela fez aquilo quando estávamos no meio de tantas pessoas? Será que ela nem se deu conta do que estava fazendo? Penso, recordando-me das inúmeras vezes em que agi guiada apenas pelos meus sentimentos quando estávamos juntas.
Me levanto, tiro grama de minhas roupas e cabelos e a procuro. Após alguns minutos, avisto-a na ponte, olhando para o rio, pensativa. Ela tem um misto de tristeza e preocupação na face.
— Tudo bem? – pergunto, me aproximando cuidadosamente. Sinto algo em minhas pernas, e, ao olhar para baixo, vejo que Mark está pulando em mim, alegremente.
— Sim, me desculpe. – fala, respirando fundo, ainda encarando o rio – Eu senti um mal estar, apenas.
— Entendi – digo, simplesmente.
Em seguida, me junto a ela na observação e olho para baixo da ponte. Uma altura consideravelmente grande está entre ela e as águas relativamente calmas que correm correnteza abaixo. Pedras grandes e pontiagudas cobrem o fundo do rio. Sinto que há algo estranhamente reconfortante nessa paisagem.
— A vida é uma enorme bagunça – ela fala, por fim, após ficarmos alguns minutos em silêncio, cada uma mergulhada em seus pensamentos. Com os braços apoiados na barra da ponte, nossos ombros se tocam levemente.
— Pode apostar que é – concordo, suspirando.
— Vai encarar vodca de novo, Emma? – pergunta Will, o cara que havia me dado carona na noite em que saí com Cheryl, me oferecendo a garrafa, já pela metade. É ano-novo e Cheryl me convidou para passar na casa de Damon, junto com seus amigos, que, em pequena parte, eu já havia conhecido na balada, e seu quase namorado, um garoto moreno chamado Harry que está sempre com um baseado na boca.
— Não hoje, obrigada. Bebi o suficiente por uma vida inteira aquela noite. – brinco – Por falar nisso, onde está a Spencer? – pergunto, após me recordar que, na primeira vez que o vi, ele estava acompanhado por sua namorada.
— Nós terminamos. – fala, desviando os olhos – Acabamos não dando certo.
— Ah, sinto muito – digo, sem graça, dando um generoso gole de suco de pêssego.
— Não sinta. Estamos numa boa. – diz, com uma piscadela. Em seguida, um grupo de meninas o chama – Vou nessa – completa, indo em direção a elas e me deixando sozinha.
Por que eu ainda deixo Cheryl me arrastar para essas coisas? Penso, mal humorada. Olho ao redor. Estou numa bela sacada de apartamento que oferece uma vista deslumbrante. Dentro da casa, vários grupos de pessoas conversam entre si e uma música agitada toca ao fundo.
Distraída, olho mais uma vez pela vista da sacada e me lembro da última conversa que tive com Alex, que fora por mensagem. Após contar a ela que havia sido convidada por Cheryl para passar o ano-novo aqui, ela me disse que, como Benedict estava viajando, ela e Charlie passariam o feriado sozinhos. Ainda acrescentou que o clima entre eles melhorou significativamente e que estão “tentando fazer dar certo”.
Revirando os olhos, não consigo deixar de imaginar o que os dois estariam fazendo agora. A imagem deles em um jantar à luz de velas, num clima mais romântico possível e reconstruindo seu casamento me causa ânsia de vômito. Mas, afinal, não é como se fizesse muita diferença ela estar bem ou não com Charlie, pois eu continuaria não tendo chance alguma, penso, emburrada.
Acabo me recordando do que Will disse. “Acabamos não dando certo”. E se o mesmo acontecer com ela e o marido? Pergunto-me, sentindo um fio de esperança invadindo meu coração, enquanto olho para meu braço e aprecio a pulseira de diamantes que ela me dera de aniversário. Não consigo mais ficar sem usá-la. Noto que a decoração está dividida entre as cores branco e dourado, e que os convidados estão começando a se reunir na sala, animados.
— Caramba Emma, por que caralhos você está aqui sozinha? Te procurei por um tempão! – diz Cheryl, já cambaleando, graças ao efeito que o Champagne que ela bebeu adiantadamente produziu – Vamos, falta um minuto para o novo ano – termina, me arrastando para a sala.
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