Notas iniciais
Voltei pessoas lindas do meu kokoro. E eu não tenho nenhuma história para contar esse semana, então vamos direto ao capítulo da semana. Tema: Natal (meio fora de época, mas eu já estava enrolando esse ano letivo japonês de mais) Boa leitura!

SOBRE PELÚCIAS E FLORES

Faltava uma semana para os recessos escolares das festas de final de ano. O dia estava exageradamente gelado e Ken não estava nem um pouco animado de estar ali. Enrolado em um grosso cachecol branco, tentava sobreviver à empolgação natalina reinante em sua sala. Os garotos combinavam programas juntos, as garotas queriam ir às compras, algumas davam gritinhos animados imaginando o que ganhariam de seus namorados e Mayo, amiga de Hanamizuki, lhe lançava olhares fuzilantes.

Fazia dias desde a discussão que tivera com a garota na escada. Nesse meio tempo, Hanamizuki veio pedir desculpas e explicar que Mayo, a melhor amiga, se preocupava excessivamente e vivia zelando por ela. Ken se limitou a balançar a cabeça, qualquer coisa que dissesse poderia virar outra confusão.

Se sua situação com Hanamizuki e Mayo estava mais ou menos resolvida, não podia dizer o mesmo da sua situação com Inoue. Nos dias que seguiram, eles se viram muito pouco, a garota estava enrolada com exames (não fora tão bem nas provas) e ocupada com as monitorias. De forma que a declaração da mais velha ainda permanecia suspensa no ar, esperando uma resposta.

Ken queria muito ser sincero e dizer o que sentia, mas não tinha muita segurança no que esta revelação poderia desencadear. Miyako, pelo que ela mesma dissera, tinha tomado um fora e ele não queria ser apenas um ombro amigo para chorar e substituto para um amor não correspondido. Mas, era Inoue e provavelmente ela nunca faria algo tão sem sentido, entretanto, ainda era uma garota de coração partido e ele não sabia o que pensar.

O garoto queria ter mais tempo para permanecer perdido em pensamentos, enquanto a aula de matemática corria modorrenta, mas seu celular começou a receber mensagens. Por um segundo, ao espiar o visor do aparelho escondido dentro do estojo e ver o nome de Miyako marcado embaixo do envelope de mensagem, seu coração parou. Sentiu-se tenso e ansioso e não teve certeza se deveria abrir a mensagem ou não. Fazia meses que não recebia mais nada dela e chegara a pensar que ela deletara seu número, por isso estava tão feliz com a ação. Mas também temeroso, poderia ser que ele quisesse uma resposta, que fosse colocá-lo na parede e obrigá-lo a contar a verdade.

Aquela sensação estranha que o dominava não durou muito, o celular se iluminou e uma nova mensagem chegou, desta vez de Yagami. O que menino estranhou, já que ela nunca lhe mandava nada. Antes mesmo de abrir qualquer uma das mensagens, uma terceira chegou assinada por Takeru.

Quando finalmente conseguiu ler, descobriu que eles haviam recebido um novo sinal de alerta do Digital World e Miyako mandara a primeira mensagem, coletivamente, convocando a todos. No final ficara decidido que eles usariam a sala do clube de informática e que teriam que sair no meio da aula.

O professor não gostou muito quando Ichijouji levantou a mão, interrompendo a aula e pedindo para ir ao banheiro, mas acabou permitindo. O garoto atravessou o corredor sorrateiramente, já que o banheiro e a sala de informática eram completamente opostos, e entrou o mais silenciosamente que pôde.

Inoue já estava lá, com uma das máquinas do laboratório ligada e o notebook particular conectado ao lado. Ela estava tão concentrada conectando cabos que mal viu o moreno chegar. Mas antes que Ken pudesse se fazer presente, a porta abriu e o trio da 1-A entrou ruidosamente. Daisuke e Takeru estavam discutindo sobre algo e Hikari tentava apaziguar a situação.

“Vocês podem parar com isso? Eu não estou doente de verdade, foi só uma desculpa para sair da sala.” Resmungou com um muxoxo.

“Mas se você estivesse, seria eu quem a levaria para enfermaria.” Motomiya invocou.

“Mas ela não está. E além disso, você poderia dizer que iria ao banheiro.” Takeru respondeu.

“Você que fosse ao banheiro. Por que tinha que se oferecer para levá-la?” Ergueu a voz, fechando a mão em punho.

“É por isso que a professora deixou que todos nós saíssemos.” Interrompeu a menina, se colocando entre eles. “Vocês estavam causando a maior confusão dentro da sala. Se eu estivesse mesmo doente, teria morrido, até vocês decidirem que iria me levar.”

Inoue e Ichijouji lançaram um olhar confuso ao trio, mas acharam melhor não questionar nada.

“Bem.” Começou a menina, ajeitando os óculos. “Eu recebi uma mensagem nova do Digital World. É da Palmon da Mimi-chan...”

“Achei que ela ficasse desse lado.” Interrompeu Daisuke.

“Na maior parte do tempo, mas às vezes, ela fica no Digital World para proteger alguns vilarejos.” Ajeitou novamente os óculos. “Segundo o email, ela tentou contatar a Mimi-chan, mas não conseguiu. Ela não explicou o que estava acontecendo, mas disse que era urgente.”

“Então, nós vamos até o Digital World?” Hikari perguntou ansiosa.

“A ideia é essa.”

“E quanto aos nossos Digimon?” Daisuke perguntou de repente.

“Eu pensei nisso já.” Respondeu a garota com um ar presunçoso. “Iori-kun se prontificou a buscar Patamon e Hawkmon e atravessar com eles pelo portal.”

“Por que o Iori não estava na escola?” Motomiya passou a mão pelos cabelos.

“Ele disse que estava um pouco resfriado.”

“Talvez não seja uma boa ideia ele ir para o Digital World nesse estado.” Hikari parecia preocupada com o estado do amigo.

“Eu também disso isso a ele, mas Iori-kun disse que o Digital World é mais importante.”

“E como eu vou sem o V-Mon?” A voz do líder tinha assumido ar agressivo e indignado.

“Acho que não é uma boa ideia ir até lá sem seu parceiro. Pode ser uma situação complicada como da última vez.” Takeru ponderou.

“Como assim? Eu preciso ir...” Era visível o descontentamento do ruivo e ele acabaria fazendo daquilo um drama.

“Eu concordo com o Takeru-kun.” Interrompeu Yagami, com o olhar mais sereno que conseguia fazer. “Pode ser muito perigoso e não precisamos sobrecarregar os outros Digimon. Talvez, haja algo que possamos fazer daqui.” Sugeriu a menina.

“Na verdade, um de nós teria que ficar de qualquer forma. Eu tinha pensando em ficar e monitorar o portal, mas considerando a situação, acho melhor eu ir.” Miyako informou.

“Eu posso fazer isso.” Ken se prontificou, finalmente saindo do silêncio. Seus olhos cruzaram com os da garota, que corou ligeiramente.

“Bem.” A garota colocou uma mecha de cabelo atrás da orelha. “Nós vamos usar o computador do laboratório como portal e meu laptop está conectado a ele para fazer leituras de variações, para não termos nenhuma surpresa como da última vez.” Explicou para o moreno, apontado aqui e ali. Inoue sentia-se idiota fazendo isso, já que Ken era inteligente o suficiente para entender o procedimento sozinho.

“E o que eu vou ficar fazendo enquanto isso?” Motomiya reclamou desanimado.

“Bem...” Mas a garota não soube exatamente o que responder.

=8=

Já fazia mais de meia hora que Inoue e Takaishi tinham embarcado para o Digital World. Yagami havia saído da sala quando o sinal tocou, havia tomado para si a responsabilidade de inventar uma desculpa para os professores, convincente o suficiente para explicar o sumiço de cada aluno.

Ken estava sentado diante dos computadores, analisando as informações, Motomiya estava ao seu lado, entediado, fazendo corrida com os mouses dos computadores do laboratório.

“O que você vai dar de presente de Natal para a Miyako?” Daisuke perguntou de repente, enquanto fazia o mouse vermelho vencer a corrida. Ken desviou os olhos do monitor sem entender. Presente, Natal, Miyako? Como assim? “Você vai dar alguma coisa, não vai?”

“E por que eu faria isso?”

“Vocês se acertaram, não?” Disse enquanto rolava o mouse vencedor pela mesa. Ken não sabia se estava pasmo ou incrédulo. Ele e Miyako não tinham se acertado realmente e mesmo que tivessem, era em relação à amizade. “Eu ia te pedir sugestões de presentes para a Hikari.” Falou durante um bocejo.

“Que tal um urso de pelúcia?” Falou a primeira coisa que veio a cabeça, ainda estava atordoado com toda aquela conversa.

“Eu já dei um uma vez, mas ela é alérgica.”

“Flores então?” Ken não fazia ideia do que Yagami poderia gostar, estava se baseando nos comentários que ouvira das meninas da sua sala.

“Não sei. Você vai dar flores para a Miyako?”

“Eu não vou dar flores para a Inoue-san.” Respondeu revirando os olhos, aquilo não era possível.

“Mas você tem que dar alguma coisa. Ela é sua namorada afinal.”

Ken quase engasgou com a própria saliva, olhou para o amigo com um olhar duvidoso e assombrado. De onde Daisuke tinha tirado aquela ideia?

“Nós não estamos namorando, Motomiya-san. Eu disse que nós tínhamos nos acertado, mas não era isso que eu queria dizer.”

“Por que não estão? Você gosta dela e ela gosta de você. Deveriam parar de enrolar.” Argumentou enfático.

“Inoue-san não gosta de mim.” Respondeu simplesmente, apesar do que ela dissera na escada, ele não estava completamente convencido.

“Como não? Se ela gostava de você antes, quando você era um mala, porque não iria gostar de você agora, que é um cara legal?” Questionou, mas antes que o moreno pudesse dizer qualquer coisa, o líder confabulou. “Embora, tenha algumas garotas que gostam do tipo malvado. Mas não acho que Miyako goste dos bad boy.”

“Bad boy?” A cabeça de Ken estava rodando. O assunto era estranho, seu interlocutor mais ainda, mas no final, as conclusões do ruivo não eram tão absurdas. Só que havia um porém que provavelmente o líder desconhecia.

“Inoue-san gosta do Izumi-san.” Doeu mais do que imaginou dizer aquilo. Era como se cada vez que dissesse a frase isso os aproximasse ainda mais, mesmo ela levando um fora.

“Miyako não gosta do Koushiro.” Informou, como se o moreno tivesse dito a maior besteira. “Além disso, ele está saindo com a Mimi-chan. Eles estavam juntos na festa de despedida pelo menos.” E deu de ombros, como se aquilo esclarecesse tudo. Esclarecia na verdade, mas não o que o ruivo achava. Então o veterano estava saindo com guardiã da pureza. Isso explicava porque Miyako tinha tomado um fora e porque a voz dela saiu tão carregada ao proferir o nome da mais velha. “Por mim está tudo bem você gostar Miyako, ela é uma giganta estranha, mas no fundo é legal.” Sorriu como se aquilo fosse o suficiente para encerrar o assunto e fazer Ken correr para os braços da garota.

“Mas...” Só que o moreno não teve tempo de perguntar, os sensores começaram a apitar na tela e ele percebeu que havia algo errado.

Aparentemente, Miyako e os outros estavam se preparando para voltar do Digital World, só que o portal, como da outra vez, não indicava o local correto. O menino digitou várias linhas de programação no computador tentando mudar a rota, sem sucesso. Desesperado, desconectou o laptop de qualquer jeito, baixou a tampa e enfiou-o embaixo do braço.

“Precisamos ir.” Falou enquanto rumava para a porta.

“Para onde?” Motomiya se pôs de pé, surpreso com a reação do moreno, mas não teve resposta, quando deu por si, os passos de Ken se distanciavam no corredor.

Notas finais
N/T: Obrigada a todos que comentam, apoiam, leem, se divertem, dão palpites e sugestões. Até semana que vem!