Notas iniciais
Voltei!!! E como sempre, estourando meu prazo e não conseguindo fazer uma postagem semanal decente. Agradeço aos reviews e fico muito feliz que a resposta para um capítulo de ação foi positiva. Tema da semana: Plano Boa leitura!

O DIGITAL WORL CHAMA — parte 2

A escuridão da noite já tinha preenchido completamente o céu no Digital World, Golemon estava preso debaixo de uma grande árvore, mas pela maneira como se debatia tentando se libertar não seria por muito tempo, na copa várias pelúcias balançavam descontroladamente com o sacolejar da árvore e preenchiam a noite com seus tilintares. Aquilamon e Stingmon estavam exaustos, mas permaneciam alerta. Miyako apertava Elecmon nos braços como se fosse de brinquedo e Ken tentava encontrar o melhor desfecho para a situação.

Apesar de animadora, a chegada de Miyako e seu parceiro, tinham surtido pouco efeito na batalha. Aquilamon desferia seus ataques mais poderosos, mas parecia nem fazer cócegas na grossa armadura do monstro de pedra. Aquilamon estava cansado, Stingmon ferido, entretanto, Golemon parecia inabalável em seus golpes e sua vontade de encerrar a batalha para ir atrás dos Digitamas. Ken sabia que eles eram mais fracos e ataques diretos não seriam suficientes, precisavam de um auxílio, uma armadilha. O adolescente viu quando um Golemon muito irritado desferiu um soco certeiro em Aquilamon, arremessando o Digimon alado contra uma árvore de brinquedo. A planta balançou, folhas caíram e a madeira do tronco estalou, se dividindo em duas partes. Não voaram penas, exceto as de Aquilamon, e parte dos brinquedos pendurados na árvore foram ao chão. Diferente de todo o resto, as árvores eram reais, e não feitas de carpetes macios e plumas. Ken avaliou a situação, aquela seria sua única chance. O problema é que ele não fazia menor ideia de como derrubar uma árvore.

“Aquilamon.” O grito da garota foi estridente e preencheu a noite. Miyako olhava o parceiro abatido, que tentava se por de pé. As asas cobertas de folhas e ferimentos. Estava visivelmente preocupada, mordia os lábios com tanta força que chegava a feri-los. Em um impulso, tentou correr em socorro do companheiro, mas um aperto forte no pulso a impediu.

Ichijouji segurava o braço fino o mais forte que conseguia, sentiu a garota puxar o braço, mas não se rendeu.

“O que está fazendo? Aquilamon precisa de mim.” Bradou desesperada.

“Você não pode ir até lá, é muito perigoso se colocar no centro da batalha.” Tentou explicar, reunindo um pouco de calma.

“Eu não me importo, preciso ajudá-lo.” Puxou o braço, mas não tão forte quanto gostaria. As lágrimas inundavam os olhos.

“E se Golemon decidir te atacar, como Aquilamon vai...” Mas a frase lentamente foi morrendo enquanto seus olhos vagavam da garota para o campo de batalha. Tivera uma ideia, uma estúpida e desesperada ideia, mas era a única carta com que poderia jogar.

Aquilamon estava fraco, mas já conseguia ficar em pé, as penas sujas, a árvore dividida em duas. Stingmon tentava impedir o avanço do monstro de pedra, mas estava cansado, parte dos movimentos bastante debilitados por causa dos ferimentos. Sem a ajuda do Aquilamon, o inseto não aguentaria muito tempo. Golemon parecia totalmente indiferente a tudo, revidava os golpes que recebia e tentava sair pela tangente.

Os lábios de Ken se abriram em um sorriso que a garota não soube identificar, mas os olhos brilhavam como uma pequena epifania. Soltou a mão da mais velha e correu, correu como se não houvesse amanhã.

Miyako viu o moreno correr em direção a Golemon, se metendo no meio do campo de batalha, fazendo exatamente o que pedira para que ela não fizesse. Mesmo a distância, ela podia ver gotas de suor escorrendo pelo rosto e o peito arfando pelo esforço de quem não está acostumado a correr tanto e em grande velocidade (ele havia abandonado o futebol já fazia tempo).

Ken corria em direção a Golemon, os olhos presos no monstro. Seria uma reta perfeita para a morte se ele não parasse alguns metros de distância para se abaixar e pegar um brinquedo caído. Não tinha certeza se o objeto vinha da árvore que Aquilamon destruíra, há 50 metros dali, mas não fazia muita diferença. Pegou o objeto e voltou a correr, traçando um semicírculo em torno da arena, mas desta vez, não era para Golemon que ele olhava.

Miyako não entendeu quando ele abandonou a corrida perimetral e se posicionou, atirando o brinquedo contra o monstro pedregoso. Ela pôde ver o objeto voar em um ângulo perfeito e atingi-lo no rosto. O objeto fez um apito característico de brinquedos de criança quando atingiu o maior e caiu no chão. Por um segundo, tudo pareceu em silêncio, até mesmo o vento, então, Golemon voltou a batalhar contra Stingmon, como se nada tivesse acontecido.

O moreno olhou o brinquedo aterrissar no chão e o gigante voltar à batalha como se o adolescente não estivesse ali. Ken não compreendia, porque antes, sua ação impensada resultara na ira do monstro, mas agora, que o golpe fora muito mais certeiro, ele não parecera sequer se incomodar? Ken olhou em torno, não havia mais nada ali que pudesse arremessar, talvez pudesse recuperar o brinquedo que atirara e fazer uma nova tentativa, mas teria que chegar muito perto e realmente se meter no meio da batalha. Olhou para Stingmon, seu parceiro não aguentaria muito mais. Ele não tinha muito tempo para tomar uma decisão.

Ichijouji tentou se aproximar, meio andando, meio correndo. Mas era difícil prever os movimentos do Digimon, assim como seu parceiro não tinha ideia do que ele estava tentando fazer. Mas, antes que pudesse se aproximar o suficiente, o brinquedo foi pisoteado, pulverizando as esperanças do garoto. O plano de Ken, com certeza, não estava saindo como imaginara. Ele precisava chamar a atenção do gigante para ele, mas não podia contar com seu parceiro, que não concordaria com a ideia, nem queria colocar Miyako ou Aquilamon na linha de fogo. Era sua ideia maluca e era ele que precisava executá-la e arcar com as consequências. O brinquedo fora sua melhor chance e não surtira o menor efeito. Agora o objeto simplesmente não existia mais e suas chances se esvaiam rapidamente, já que Golemon parecia tomar caminho para escapar da batalha e ir atrás dos Digitamas. Em momento de revolta, aproveitando a proximidade em que se encontrava, chutou o monstro, ato que machucou muito mais seu pé do que a dura carapaça de pedra e começou a esbravejar. Ele nem fazia ideia do que falava, apenas gritava frases desconexas enquanto sacolejava os braços.

Golemon parou, Stingmon parou, até mesmo Aquilamon, que estava prestes a retornar para a batalha, parou. Para Miyako, à distância, nenhuma daquelas atitudes fazia o menor sentido, mas sentiu um frio percorrer a espinha quando viu o monstro encarar o adolescente. Agir por impulso e fazer coisas idiotas eram ações comuns a Daisuke, Ken era o cérebro do grupo, que analisava cada ângulo da situação, será que a convivência entre os dois estava afetando o moreno?

O Digimon de pedra fez um barulho gutural, completamente diferente dos que fizera até aquele momento e partiu na direção do garoto. Era como se finalmente o tivesse visto, como se tomasse o chute como uma afronta pessoal, como se visse no humano um adversário mais digno do que o avariado Digimon inseto. Seja lá o motivo que fizera Golemon se revoltar, finalmente o estudante conseguira o que queria: atenção. Ichijouji não teve muito tempo para pensar, correu o máximo que suas pernas aguentavam antes que fosse pisoteado como o brinquedo. Miyako não entendia o porquê dele correr para o lado aberto, onde havia um grande descampado e algumas árvores esparsas. Se corresse no sentido oposto, poderia se esconder nas construções da cidade. Ken estava exausto, mas não podia parar de correr, não ainda. Fez sinal para que Stingmon não intervisse e fez uma curva aberta, espiando, pelo canto dos olhos, a posição do grandalhão. Podia ver o monstro em seu encalço, podia sentir sua presença, a pressão que cada pesada passada produzia no chão atapetado. Com o resto de força que possuía, acelerou o passo e fez um pequeno arco, parando diante do grandalhão. As mãos tremiam, o peito arfava, mas ainda assim, conseguiu reunir forçar para gritar e balançar os braços.

O monstro pareceu ainda mais irritado com a provocação e partiu para cima do adolescente, as mãos fechadas em um soco duplo. Miyako não entendia o que estava acontecendo, apertou Elecmon que ainda trazia inconsciente no colo e fechou os olhos. Ela não viu quando o garoto moveu os lábios, sem proferir som algum e finalizou com um sorriso confiante.

Quando a menina abriu os olhos, viu uma nuvem de pó e folhas se espalhando pela cidade, Golemon preso embaixo de uma grande e pesada árvore. Aquilamon voava lentamente ao seu encontro, enquanto Stingmon, em um voo vacilante, mantinha Ichijouji seguro. O garoto parecia cansado, mas bem e deu um sorriso vitorioso acompanhado de um sinal de joia com a mão quando seus olhos se encontraram. Miyako suspirou aliviada e sentiu os joelhos cederem, tinha vontade de chorar de felicidade e alívio.

Se o problema inicial era derrotar Golemon, agora a questão era o que fazer com ele. A árvore, que ele mesmo tinha derrubado com um soco ao tentar atacar Ken, não resistiria por muito tempo. E eles precisavam agir rápido.

“Ele está totalmente fora de controle.” Analisou a menina, após observar o Digimon.

“É como se ele estivesse sendo controlado.” Ken enfiou as mãos nos bolsos. “Ele tinha como objetivo os Digitamas, mas... “

“Digitamas?” Miyako questionou.

“Ah, bem... Elecmon disse que ele estava tentando chegar aos ovos a qualquer custo, mas não me disse o porquê.” Enrolou.

Inoue arqueou as sobrancelhas, sabia que era mentira, ou uma meia verdade, sabia que o rapaz sabia mais do que isso e por algum motivo não queria contar e ele sabia que ela sabia que estava mentindo, mas sentiu-se aliviado ao ver que ela decidiu deixar o assunto passar.

“Mas, você acha que alguém pode estar controlando ele? Alguma espiral negra ou coisa do tipo?”

“Bem, talvez. Mas, me parece um caso isolado. Se fosse algo do gênero, acho que veríamos o objeto que o controla.” Disse, tentando identificar se havia algum anel de controle no animal.

“Talvez seja algo invisível.” Ajeitou os óculos ao ver que ele a encarou descrente. “Digo, talvez seja subcutâneo.” Corrigiu.

“Mas, se você está controlando Digimon, por que fazê-lo só com um? Não seria melhor um exército?” Questionou. “Essa é a primeira vez que vemos um Digimon agir assim depois de tudo.” Por tudo, ele queria dizer seus experimentos, as torres negras e o fato de ter sido ridiculamente usado para algo muito maior que seu desejo infantil.

“Talvez seja só um teste.” Deu de ombros sem ter muita certeza.

“Não é assim que funciona.” Respondeu maquinal.

“Você deve saber melhor que eu.” Miyako rebateu. Ele não tinha certeza de como realmente interpretar a frase anterior, soara como uma provocação, mas talvez fosse só impressão sua. Os dois se encararam e então cada um virou o rosto para uma direção diferente. A briga que tiveram estava começando a pesar.

“De qualquer forma,” respirou fundo, voltando ao assunto. “Se não for um controle, ele está apenas descontrolado, enlouquecido, coisa do tipo. Não sei isso é comum entre os Digimon, mas não podemos deixá-lo solto por ai.”

“Você sugere...” Mas as palavras morreram. Miyako se lembrava da luta entre Stingmon e Thundermon, logo após Ken ter deixado o manto de Kaiser. O final não tinha sido nada bom para o Digimon elétrico e não agradava em nada a moça ter que extinguir uma vida de maneira tão indiferente como o moreno fizera naquela vez.

“O que foi?” Perguntou ao vê-la estática.

“Talvez tenha outro jeito.” Ela falou incerta. “Podemos conversar com ele, achar uma solução...”

“Acha que ele irá falar?” Encarou o monumento de pedra que se mexia avidamente sob a árvore.

“Mas...”

“Inoue-san, já fizemos isso antes.” O garoto se referia a derrota de BelialVandemon.

“Eu sei, mas, é diferente. Ele não é cruel, não parece ser, só...” Queria ter argumentos, bons argumentos, mas não conseguia pensar em nada. Ele nunca começava um ataque, apenas se defendia das agressões. Era um argumento, mas não muito bom e não se sustentaria se não soubesse do resto, e ela não sabia. Não sabia por que dele estar ali, nem o que faria depois. Não queria ter que dar cabo do Digimon, mas não lhe agradava deixá-lo livre para fazer sabe-se lá o que com os Digitama. E tinha que admitir que Ken estava certo, diálogos e diplomacia não iriam funcionar.

O moreno podia ver o embate interno que se desenrolava dentro da mais velha. Matar não era fácil para ninguém, muito menos para ele, que trazia tanta dor e sofrimento no currículo. Mas, era algo necessário, era para um bem maior, ou ao menos, era disso que tentava se convencer.

“Eu faço isso...” Disse por fim. Não havia muitas escolhas naquele momento, mas ele decidira por poupá-la da decisão. Ele assumiria a responsabilidade daquela escolha, se a atitude fosse errônea, só ele se culparia no final e Miyako não precisaria carregar nenhuma cruz. Mas antes que pudesse chamar Stingmon, sentiu a mão da jovem pousar sobre seu ombro.

“Nós vamos fazer.” Ela não parecia tão determinada e confiante como gostaria, mas era toda a coragem que conseguira reunir para aquele instante.

Notas finais
N/T: Antes que alguém estranhe esse começo meio sem começo e o fim sem cara de fim... Bom, o capítulo o Digital World Chama ficou gigante e eu dividi em 3 partes: a primeira que já foi postada, essa e a última que será postada semana que vem. Terminando assim meu mini arco de ação. Depois disso, voltaremos a nossa programação normal, com drama e romance (apesar que de romance mesmo essa história não teve quase nada). Reviews são sempre bem-vindos, vocês já sabem. E sugestões de temas, rumo da obra entre outras também.