A Garota do Cabelo Lavanda
27 Capítulo 27
Notas iniciais
DESFAZENDO LAÇOS
“Ele usa meu Digivice.” Hanamizuki enrolou o dedo em uma mecha do cabelo enquanto respondia a pergunta feita por Daisuke. “Mesmo quando Botamon nasceu Kariya não recebeu Digivice algum. Então, apenas eu tinha um.”
“Espera, como é possível que seu irmão use seu Digivice, cada um tem um.” E o ruivo lançou um olhar confuso para Miyako.
“Nós somos irmãos, pode ser isso.” Karin respondeu sem certeza.
Motomiya tirou seu dispositivo do bolso e o encarou demoradamente, imaginando qual seria a possibilidade de Jun controlar V-mon em seu lugar. Diferente de Yamato e Takeru, sua irmã não era uma Digiescolhida, será que se ela realmente desejasse poderia tomar seu lugar, assim como acontecera com os irmãos Hanamizuki?
“O Digivice é ativado pelo desejo do usuário. Isso ajuda seu Digimon a lutar, te dá acesso ao Digital World, mas o fato de serem irmãos, isso é pouco improvável.” Miyako coçou o queixo, pensativa. “Entretanto, pelo que você disse, você nunca desejou ser uma Digiescolhida e seu maior desejo era se livrar dessa responsabilidade, já seu irmão vai na contramão disso. Eu não faço ideia se seu Digivice poderia se sincronizar com esse desejo.”
“Há quanto tempo você sabe que seu irmão vai para o Digital World?” Takeru interrompeu o devaneio da mais velha.
“Não sei ao certo, outubro talvez, foi quando dei falta do Digivice, eu o guardava em uma gaveta, ou o que tinha sobrado dele.” Outubro pelo que Miyako se lembrava, marcava os primeiros ataques estranhos ao Digital World. Então realmente todas as mazelas no outro mundo eram responsabilidade de Kariya.
“Sobrado?” O líder se ajeitou, movendo os pés nos chão.
“Quando Tyrannomon ficou descontrolado... Bem, eu tinha derrubado o Digivice no chão em algum momento e ele acabou sendo pisoteado. Eu não sabia o que fazer com aquilo quando tudo voltou ao normal, então acabei guardando os pedaços.”
“Então você foi procurar por Tyrannomon depois? Afinal, ele voltou para o Digital World, não é?” O garoto do goggle perguntou, ajeitando o acessório na cabeça.
“Segundo o garoto que nos salvou aquele dia, sim, ele retornou ao Digital World. Ele disse que seria mais seguro se Tyrannomon se recuperasse lá. Mas eu nunca fui atrás dele. Eu nunca quis ter envolvimento com esse mundo, nem antes e nem agora...” Suspirou. “E assim seria se não fosse pelo Kariya.”
“Se você sabia que seu irmão estava indo ao Digital World, por que não disse nada quando Ken te abordou?” Miyako inquiriu. Não saiu despercebido a garota o uso do primeiro nome do colega de sala sem honorifico algum, as mãos se crisparam ligeiramente, mas ela respirou fundo antes de responder, por mais raiva que tivesse da proximidade entre a garota do segundo ano e sua paixão platônica, agora não era hora para entrar em discussões desnecessárias.
“Ele parecia tão furioso. Achei que ele não iria entender.” A verdade é que sentia que se dissesse a Ichijouji a verdade, ela cairia ainda mais no conceito do gênio. Não conseguira controlar o Digimon nem conseguia controlar o irmão, era visível seu fracasso e ele provavelmente esfregaria isso em sua cara.
“Você sabe o que o seu irmão faz no Digital World?” Karin não tinha certeza se aquilo soara realmente como uma pergunta, ficou parecendo que era ela quem não sabia de algo.
“Eu perguntei uma vez, logo que dei falta do Digivice. Ele me disse que tinha ido atrás do Botamon, então achei que estava tudo bem.” Explicou. “Mas realmente não sei o que ele faz por lá.” Respirou fundo. “Mas sei que não deve ser algo bom.”
“Por que acha isso?”
“Mesmo depois de tudo o que aconteceu aquele dia do ataque do Ravemon, mesmo com a morte do Botamon e todo resto, ele continuou o garoto de sempre. Ele sempre foi muito alegre e doce.” Era tão estranho se lembrar de Kariya daquela forma, ele era tão doce, tão sonhador. Eles eram unidos, como unha e carne e ela sempre foi muito satisfeita em ter um irmão que se orgulhava dela. Era estranho pensar que nada daquilo existia mais, que todo aquele amor que um dia ele exalara agora parecia distante, quase inalcançável. “Depois que começou a ir ao Digital World, ele ficou estranho. Aos poucos, deixou de ser sorridente, de brincar com as outras crianças, de falar comigo. O desejo dele, de reencontrar Botamon virou uma obsessão e nem nossos pais conseguiram se aproximar dele.” As mãos brincavam com a barra do vestido e ela encarava os próprios pés.
Miyako, assim como os outros, conhecia esse comportamento. Ichijouji Ken o tivera, como várias outras crianças afetadas pelos Dark Spore. Mas ela acreditava que todos tinham sido removidos depois da tentativa fracassada de Oikawa Yukio ingressar no Digital World. Será que alguma tinha sobrado? Talvez não tivesse florescido por Kariya ser muito jovem na época ou algo no Digital World poderia ter germinado a semente. Eram muitas possibilidades a serem avaliadas.
“Eu tentei falar com ele algumas vezes, dissuadi-lo de continuar indo ao Digital World, que isso não estava fazendo bem, mas ele me disse que alguém como eu não tinha o direito de interferir nas escolhas dele.” A voz saiu amargurada, como se repetir aquelas palavras doessem profundamente.
Inoue avaliava a situação, ao que parecia Hanamizuki tinha consciência das idas do irmão ao Digital World, também sabia que de alguma forma, o garoto tinha mudado, mas aparentemente não sabia o que menino fazia do lado de lá e ela não sabia se deveria contar. Dizer que seu irmão usava seu Digivice para fazer Digimon terem o mesmo comportamento que Tyrannomon tivera não parecia contribuir em nada para salvar o garoto ou Ken, então achou melhor não dizer nada.
Mas tudo ainda era estranho, se Kariya tinha voltado ao Digital World para recuperar Botamon, por que testar seu Digivice em outros monstros e por que dar a eles o mesmo terror que o Digimon da irmã vivera? Mesmo Kaiser, dentro de seu sadismo, tinha um objetivo, mas as ações do garoto pareciam tão aleatórias que parecia apenas um moleque brincando com uma lupa em um formigueiro durante um dia muito quente no verão.
“Eu não sabia mais o que fazer e não queria contar aos meus pais. Então contei a Mayo.” A garota discorreu. Mayo, pelo pouco que Miyako sabia era a amiga de Hanamizuki que fizera toda aquela cena na escadaria no dia em que a veterana se declarara. “Ela me disse que talvez pudéssemos impedir que o portal se abrisse quando ele ativasse o Digivice e então não poderia mais ir para o lado de lá. Nenhuma de nós sabia nada de programação e eu não queria pedir ajuda a mais ninguém. Então tentamos fazer com o que aprendemos olhando na internet, mas não deu muito certo, porque ele continuou indo normalmente.”
“É por isso que os portais não estão funcionando direito.” A garota do cabelo lavanda falou para si mesma. Não acreditava que a tentativa fracassada de duas garotas tivesse causado tantos problemas nos portais. Mas isso explicava por que nem ela, nem Iori tampouco Ichijouji tinham descoberto a razão do distúrbio. Era provável que a sequência de programação estivesse tão incorreta e alterada que eles não conseguiriam encontrar um padrão.
“Acho que não foi muito inteligente.” Daisuke coçou os cabelos. “Os portais ficaram loucos e se tornou muito ruim voltar de lá.”
“Será que é por isso que Kariya ainda não voltou?” Os olhos brilharam esperançosos.
“É possível, mas ele também pode ter escolhido ficar lá.” Miyako enfiou as mãos nos bolsos do uniforme.
“Por que ele faria isso?” Por mais que o irmão andasse diferente, não acreditava que o garoto fosse deixar o conforto do lar para viver em um lugar inóspito.
“Você gosta do Ken, não é?” A mais velha começou apenas para ver Karin ficar com as bochechas rosadas e instintivamente fazer uma careca. “Então deve saber que quando mais jovem, ele passou meses desaparecido.” Prosseguiu sem se importar com a reação da menina. “Ele esteve no Digital World nesse tempo.” Hanamizuki sabia muita coisa sobre o garoto-gênio. Toda matéria de jornal ou revista que via sobre ela, guardava o recorte, toda vez que ele aparecerá em algum programa de televisão, gravava em uma fita. Ela tinha tudo isso guardado, sabia do desaparecimento, claro, mas assim como a maioria das pessoas, nunca soubera o porquê, nem onde ele estivera nesse meio tempo. “Os motivos que levaram Ken a se refugiar lá são muito próximos das motivações que movem seu irmão.”
Motomiya e Takaishi trocaram um olhar preocupado, mas Hanamizuki não entendeu.
=8=
Ichijouji Ken corria o mais rápido que podia, a grama agora seca facilitava seu avanço, mas Hanamizuki Kariya corria muito mais rápido e ele se perguntava se em algum momento conseguiria acompanhar a criança.
O garoto avistara um Shamamon correndo pela floresta e idealizara que aquele seria o parceiro perfeito para sua vingança contra a irmã. O símio esverdeado corria de um lado para o outro segurando um porrete de madeira, tinha cara de poucos amigos o que só poderia significar que quando evoluísse viraria um monstro grande e forte, forte o suficiente para que o garoto atravessasse o portal com ele e pudesse dar cabo da garota.
O gênio estava já cansado, além de perseguir o menor ainda gritava, pedindo que parasse e o ouvisse. Então, de repente o moleque diminuiu a corrida e passou a caminhar mansamente pela relva. Em uma clareira ao lado de um riacho, Shamamon se inclinava, bebendo da água límpida que corria por ali. Kariya se aproximou lentamente, o Digivice, que agora o mais velho via claramente remendado com fita isolante e cola, em punhos. Um sorriso diabólico se formou no rosto do menor, que apontou o dispositivo na direção do símio.
Ichijouji apertou o passo e com um pequeno pulo, voou na direção do garoto. Os dois caíram no chão, Shamamon se assustou com a confusão, mas o estrago já estava feito. Enquanto o símio fugia do tumulto, se escondendo entre as árvores, Ken pôde ouvir seus gritos e a luz que o envolvia. O Digimon já estava longe quando o moreno viu a pelagem esverdeada dar lugar a um laranja parecido com fogo e o tacape ser substituído por um osso. O monstro era enorme e deu um grito gutural que fez as copas das árvores balançarem. Outros Digimon puderam ser ouvidos na floresta e pelo afastar rápido do Digimon descontrolado, ele havia encontrado uma presa.
Em meio a tudo isso, o Digivice, que o menino soltara com o impacto, bateu no chão e deslizou pela grama até cair dentro do riacho.
“Não.” O menor se debatia embaixo de Ken, que o prendia no chão com os braços. Os olhos escuros encaravam o dispositivo que desapareceu no fluxo de água. “Por que você fez isso?” Os olhos se encheram de água e encararam o mais velho de forma suplicante.
“Você não pode sair evoluindo Digimon dessa maneira. Eles não são seus parceiros e sofrem com o que você faz com eles.” Era estranho dizer isso para alguém já que ele mesmo fizera muitos Digimon sofrerem, mas não podia simplesmente deixar que Kariya fizesse mais estrago.
“Não é justo.” As lágrimas escorriam pelo rosto fino e pálido enquanto tentava se libertar do aperto do mais velho. “Por que eu não posso ter meu próprio Digimon? A Karin nunca quis nenhum e teve, por que eu não posso ter?”
“Não somos nós que decidimos isso.” O veterano afrouxou o aperto e olhou floresta adentro, seja lá onde Apemon estivesse, já não podia mais vê-lo. “Eu sei que pode não fazer muito sentido agora, mas o Digital World tem seu próprio meio de decidir as coisas.” Suspirou. Infelizmente, não poderia fazer nada em relação a Kariya não ser um Digiescolhido. “Você entende que tudo isso não trará benefício nenhum para você? Se vingar de Hanamizuki não vai mudar esse fato.”
“Mas se ela estiver morta, haverá um lugar vago, certo?” Aquele maldito lampejo novamente.
“Kariya, isso não muda o fato de ela tem um Digivice e você não...” Sabia que não deveria estar ali perdendo tempo conversando com o garoto quando havia um Apemon descontrolado pela floresta, mas o que poderia fazer sem Wormmon ali?
“Eu posso usar o dela, então se ela estiver morta, ele será apenas meu.” O sorriso contrastava com os olhos encharcados, as sombras em torno deles pareciam se alongar desnecessariamente, como se os abraçassem.
“Você disse que veio até aqui por causa do Botamon, não é? Você não queria reencontrá-lo?”
“Isso não faz mais diferença, ele não está mais aqui.” A voz saiu estranha, como um gorgolejo.
“O que quer dizer com isso?”
“Ele não era meu parceiro, então mesmo que tenha renascido não se lembraria de mim. É assim que acontece com os Digimon e seus companheiros, certo?” Ichijouji nunca pensara nisso de fato. Quando perdeu Wormmon e precisou resgatá-lo na Cidade do Princípio, sentiu o pequeno Digimon chamar por ele através do Digitama. Algo similar acontecera com Takeru e Patamon, o caçula do grupo tivera a chance de carregar o ovo até que chocasse novamente. Mas nos dois casos, eles eram Digiescolhidos, não se lembrava de caso algum onde alguém tivera a companhia de um Digimon por mero acaso.
“Então pra que tudo isso?”
“Porque eu quero ser um Digiescolhido.” Inclinou a cabeça fazendo grande parte da franja cair sobre o rosto.
“Eu entendo o seu desejo, mas você não faz ideia do que está pedindo. A vida de Hanamizuki é um preço muito alto...”
“Você...” Sentiu o braço magricela o apertar pela garganta, maldita hora que decidira ceder na força que usava para imobilizar o menor. “Você não faz ideia do que é ser deixado para trás, ter um irmão que te ofusca em tudo. Ter alguém que não importa o quanto erre, nunca é responsabilizado.” O grito ecoou pela floresta, cobrindo o som da água que corria próxima.
Ken puxou o braço que o estrangulava, colocou tanta força que pode ouvir os ossos frágeis estalarem. “É você quem não faz ideia...” A frase saiu profunda e o garoto não reconheceu a própria voz. “O que Hanamizuki é, uma patricinha enjoada? Acha que é mesmo difícil superar isso? Ela não é um gênio que não importa o que você faça sempre vai estar a quilômetros de distância. Mesmo agora, não importa o que eu faça, eu sempre estarei um passo atrás.”
Fazia muito tempo que não se lembrava do irmão, ao menos não dessa maneira. Osamu era naturalmente um gênio, se ainda estivesse vivo, não importaria por quantos Dark Spore fosse possuído, o quanto estudasse e se dedicasse, ele ainda estaria um passo atrás. Ainda seria ofuscado pela genialidade do irmão e talvez, ainda fosse negligenciado por seus pais.
Desejara a morte do irmão com tamanha intensidade que no final, quando finalmente seu sonho se realizara, só sobrara uma pesada cruz para carregar. Não importava quanto tempo se passasse, mesmo que não tivesse sido sua culpa, ele sempre teria que lembrar o quanto desejou a morte do irmão.
“Então você ainda se culpa por isso?” A voz zombeteira ecoou em seus ouvidos, mas desta vez Kaiser não estava apenas na sua cabeça.
Em algum momento, enquanto as sombras se alongavam, elas se tornaram trevas e cobriram tudo. Não havia a relva abaixo deles, nem o som da água correndo, nem vento algum. Apenas Kariya, Ken e Kaiser.
Ichijouji encarou sua versão descabelada abaixada próximo a dupla jogada no chão, encarando com um olhar curioso por trás das lentes arroxeadas.
“O que faz aqui?”
“Não seja presunçoso, eu não vim por você hoje.” E lançou um olhar ao menino mais novo. Apesar dos braços presos e dos joelhos de Ken sobre seu peito, o olhar alucinado e ambicioso ainda estava lá.
“Mas você é parte de mim.” Observou o gênio.
“Sou parte das suas trevas, mas as trevas estão em todos os lugares, o que me torna parte de tudo e das trevas dele também.” Apontou o indicador para Kariya.
“Mas ele é muito jovem...”
“Como você também era.” Colocou os braços atrás da cabeça. “Mas isso não é problema. Na verdade, vocês ficam até fofinhos com esses olhos esbugalhados e fazendo bico para parecem malvados.” Riu escandalosamente.
“Eu não vou deixar que você o manipule.” Rosnou para sua contraparte.
“Com esse ressentimento todo do onii-chan acho que você não pode dar muito palpite.” Não passou despercebido ao moreno o uso exagerado da expressão. “Vocês são tão parecidos com essa vontade toda de matar o irmão.”
“Você matou seu irmão?” A frase interrompeu o que Ken pretendia rebater. Os olhos infantis os encaravam ansiosos, esperando uma resposta positiva. Kariya sempre admirara o mais velho desde que o vira comandar Stingmon em uma batalha no Digital World, em uma de suas primeiras viagens ao lado de lá. Se aquilo fosse verdade, eles eram mais parecidos do que imaginava e isso o deixaria muito feliz.
“Ele é muito fraco para isso.” Kaiser dedurou, o sorriso cínico desenhado no rosto. “Mas ele desejou com tamanha intensidade que pode se dizer que, em partes, ele foi o responsável.”
“Por isso não posso deixar você fazer isso, vai perceber no futuro que esse seu desejo foi um erro.” O gênio implorou ao menor.
“Foi mesmo? Pense que sua vida nem seria assim se o Osamu ainda estivesse vivo. Talvez, ele até tirasse o Digivice de você.” Kaiser instigou.
“Ora seu... Osamu-nii[1] não era assim!”
“Agora que está morto não adianta florear, você sabe muito bem que tipo de pessoa ele era.”
“Você queria tê-lo matado?” A voz infantil de Kariya, absurdamente tranquila interrompeu a discussão. Ken encarou-o surpreso. Sempre desejara a morte de Osamu, mas nunca pensou em realmente matá-lo. Mas analisando de outra forma, se o acidente não tivesse acontecido, quanto tempo mais o jovem gênio alimentaria aquele desejo até ele mesmo decidir tomar alguma providência?
Precisava responder algo, mas as palavras não se formaram e ele não conseguiu responder. Estava titubeando e isso era sempre ruim, ainda mais na presença do Kaiser.
“Não sei por que ainda estou perdendo meu tempo com você, se me aliar ao garoto poderei matar um humano. Isso será tão divertido.” Kaiser comentou afetado, só para ver um sorriso se formar nos lábios de Kariya e Ken empalidecer.
“Eu não vou deixar você fazer isso.” Bradou com o resto de coragem que possuía. As trevas ali o oprimiam e ele sentia estar se afogando, mas não podia fraquejar, pois sua desgraça seria também a de Kariya.
“E o que vai fazer para nos impedir?” Kaiser questionou movendo os braços de forma a englobar todas as trevas que os envolviam.
“Qualquer coisa!”
“Qualquer coisa, hein?!” E Ken sentiu que havia caído em uma armadilha.
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