Notas iniciais
Estou de volta, pessoal! Eu tento postar em um padrão (tipo toda segunda), mas é impossível para mim. Sou muito perdida e bagunçada. Espero que curtam esse capítulo que bem, eu mesma não tenho uma opinião formada sobre ele. Mas acho que vocês vão querer me matar pelo final :P Tema: Sinceridade Boa leitura!

FIM DO DIA

A semana começou e terminou e uma nova começou e também se esvaiu rapidamente. A festa de comemoração ao sucesso de Izumi aconteceu e uma nova semana começou e também passou mais acelerada do que de costume.

Talvez fosse por causa das provas, da proximidade com o Natal, mas as semanas tinham acabado antes mesmo de começarem e Ken não conseguira mais falar com Inoue. Fosse porque nunca encontrava um momento apropriado ou porque a coragem que reunira naquela vez nunca mais voltara com tanta intensidade.

Ele não tinha ido à festa e tinha ficado bastante aliviado por não receber uma enxurrada de perguntas a respeito. Esperava algum interrogatório de Motomiya, mas o ruivo andava tão desesperado por causa das provas que, ao menos dessa vez, todo o inquérito passaria batido.

Naquele dia, a turma de Ichijouji havia tido uma difícil prova de história, que o adolescente não tinha julgado assim tão difícil. Era seu dia de arrumar a sala e para seu azar, Hanamizuki estava escalada para ser sua parceira, tudo o que ele queria era poder fazer a tarefa o mais rápido possível e ir para casa.

“Então, você está namorando aquela menina?” Hanamizuki quebrou o silêncio que havia se instaurado entre eles após a saída de todos os alunos da sala. Ken curvou as sobrancelhas sem entender. Eles mal se falavam desde o episódio do beijo e agora ela vinha perguntando essas coisas. “Aquela que viu a gente se beijando.” Completou.

Então era da Miyako que eles estavam falando.

“Ela não é minha namorada.” Respondeu sem muitos rodeios e voltou a arrumar as carteiras.

“Mas você gosta dela, não?” Havia um sorriso estranho estampado no rosto da menina, era fino e quase imperceptível, mas estava lá.

Ken poderia ter dito qualquer coisa, que não gostava, não era da conta dela, a mandar ir cuidar da vida, entre outras respostas menos delicadas, mas ele respondeu simplesmente.

“Sim.”

“Você sabe que ela não merece você.” Ken quase derrubou a carteira ao ouvir tão comentário. Curvou a cara em uma carranca e tentou entender onde Hanamizuki queria chegar. “Você é bonito e popular, pode ter a garota que quiser. Além disso, ela não é muito bonita e nem deve ser tão inteligente quanto finge ser.”

“Você mal a conhece, como pode dizer isso?”

“Qual é, eu sou muito mais bonita do que ela.” Se gabou. Ken teria dezenas de argumentos para discordar da afirmação. Hanamizuki era bonita, mas era uma beleza padrão, que todas as garotas naquela idade querem ter, Miyako não se importava com nada disso e valorizava seus próprios pontos fortes e isso era uma das coisas que ele gostava nela.

“Essa não é a questão...” Falou tentando concluir o assunto.

“Então o que é? Eu sou muito melhor do que ela e gosto mesmo de você. Eu sei que pode não parecer isso, mas eu realmente gosto de você. Se você quer que eu pareça mais inteligente ou nerd, eu posso fazer isso. Eu posso fazer ou ser o que você quiser.” A voz saia num guincho desesperado, como se tentasse controlar o choro.

O adolescente se sentiu atordoado com aquela carga de informação. Sabia que a menina sentia algo por ele, a cena do beijo ainda estava lá para rememorá-lo, mas nunca imaginou que fosse algo tão intenso, tão doentio. Era algo assustador de se ver, mas também incrivelmente familiar. Quantas vezes ele não agira assim diante do ciúme que sentia de Miyako.

“Eu posso ser muito melhor que ela, em qualquer coisa.” As lágrimas escorriam pelo rosto redondo, a maquiagem borrada. Mas não parecia tristeza, e sim raiva.

“Hanamizuki...”

“Eu posso gostar de você de um jeito que ela nunca irá gostar.”

“E provavelmente você vai, porque ela não gosta de mim.” Estava ali, finalmente dito para ele mesmo se convencer daquilo. Hanamizuki o encarou surpresa, ela acreditava piamente que Ichijouji e a veterana formavam um casal bonito e feliz.

“Então porque você ainda gosta dela, se ela não gosta de você?” As mãos ansiosamente apertando a barra da saia.

“Você deveria saber a resposta.” E sem mais, recolheu o lixo da lixeira no canto da sala e saiu da sala batendo a porta atrás de si.

Hanamizuki viu o garoto deixá-la sozinha, a lousa ainda cheia de fórmulas matemáticas que precisavam ser apagadas. Ela, melhor do que ninguém sabia como era gostar de alguém que mal sabia de sua existência, mas a menina era egoísta de mais para admitir que outros sofriam o mesmo que ela, mesmo alguém por quem ela jurava amor eterno. Finalmente, suas lágrimas foram de tristeza.

=8=

Ichijouji não sabia se estava aturdido, surpreso ou indignado. Não esperava ter aquele tipo de conversa com alguém, ainda mais com Hanamizuki. Mas não podia negar que conseguia se ver perfeitamente em cada gesto e ação dela. Quantas vezes não se julgara melhor e mais digno do que Izumi. Quantas vezes não conseguia entender porque ele, o gênio, estava perdendo terreno. Quantas vezes não se irritara por ver Inoue nutrir um amor unilateral (que na verdade não era, mas até então ele não sabia). Quantas vezes o ciúme não falou mais alto.

Ken cruzou o corredor e saiu pela porta dos fundos, descendo as escadas externas que o levariam até as lixeiras na parte de trás do colégio. Ficou surpreso quando encontrou Miyako sentada nas escadas, ela trazia um livro nas mãos, mas não parecia minimamente interessada nele. Ela se virou assustada ao ouvir passos nos degraus de metal e o rosto corou furiosamente ao ver o adolescente. Ken não sabia o porquê, mas a maneira com ela vinha corando diante dele o deixava muito desconfortável.

“Ken-kun...” Começou e pareceu ao moreno que iria fazer algum discurso longo e desnecessário, mas ela parou a frase na metade ao ver o cesto de lixo que carregava. “É seu dia de arrumar a sala?” Perguntou simplesmente.

O garoto concordou com a cabeça e antes que ela pudesse dizer mais, desceu o restante dos degraus e foi até a lixeira, onde esvaziou o cesto que carregava. Voltou pelo mesmo caminho, passando pela garota e estava quase atingindo a porta quando a voz dela se sobrepôs ao som do vento.

“Eu sinto muito...” Ken se virou apenas para vê-la sentada nos degraus de costas para ele, encarando o livro aberto. “Eu deveria tê-lo agradecido apropriadamente por ter cuidado do Poromon.”

“Está tudo bem.” Ken deu um sorriso torto que ela não viu. “Nós estávamos muito ocupados com as provas e...” A frase foi morrendo, porque era uma desculpa totalmente esfarrapada.

“Você estava certo sobre o encontro...” Ela disse depois de um longo silêncio. Ken curvou as sobrancelhas, sem entender. “Eu não queria ir apenas por causa da palestra.” E ele viu as mãos dela apertarem as bordas do livro.

“Inoue-san.” Mas nem ele sabia o que dizer. Por mais que soubesse disso, era completamente diferente quando a confirmação vinha da pessoa mais envolvida no caso.

“Eu não sei se eu realmente gostava dele antes...” Ela encarou o céu. “Mas depois do convite e todo aue que foi feito em torno disso, acho que eu comecei a gostar da ideia.” A voz parecia triste e decepcionada, e ele não entendia o porquê. “Mas isso não faz a menor diferença agora.”

“Por que ele vai embora?” Só então percebeu como suas mãos estavam suando e ele estava nervoso.

“Não, porque não é reciproco.” E deu de ombros, como se não se importasse. “O convite para o jantar era apenas um convite, não era um encontro. Taichi-san e os outros estavam lá, até mesmo a Mimi-chan.” Ken percebeu como o nome da Tachikawa saiu carregado com um rancor desconhecido. “De qualquer forma, Koushiro-kun me fez perceber uma coisa...”

“Que coisa?” De todas as conversas que se imaginara tendo como Inoue, com certeza, ela choramingando porque Izumi a rejeitara não tinha passado pela sua cabeça. Para ele, parecia estranho e incômodo que ela tivesse escolhido justamente ele para remoer suas lamúrias.

Finalmente, ela se levantara e o encarava. Não era um olhar forte nem intimador, mas era o melhor que ele recebera em dias. Ele sentiu o estômago doer e o nervosismo redobrar.

“Que eu gosto de você.” Apesar de ter o impulso e ímpeto característicos da garota, a frase saiu meio tremida.

Ken achou que fosse corar até as orelhas pegarem fogo, mas na verdade sentiu todo o sangue sumir do rosto, as mãos ficarem muito frias e as pernas travarem. O vento sacudiu o cabelo de ambos e ele pode ver no rosto da mais velha um sinal de expectativa.

Ele não sabia que resposta ela queria ouvir e nem sabia exatamente o que dizer, podia parar com as frescuras e ser sincero, poderia enrolar e dizer que gostava dela como amigo ou podia dizer categoricamente ‘que não gostava dela’ que ela saberia ser mentira segundos depois dele dizer. A melhor opção seria dizer a verdade, jogar tudo para o alto e rezar para aquela confissão, feita no meio das lamurias, tivesse um fundo de verdade.

Mas antes que pudesse responder qualquer coisa, a porta que dava para a escadaria se abriu e uma menina que estudava na sala de Ichijouji apareceu. Ken não sabia o nome dela, mas ficou abismado ao vê-la arrastar Hanamizuki pelo braço.

“O que você fez?” A voz da menina era alta e saiu como um rugido. O menino desviou os olhos da interlocutora e encarou Hanamizuki, que tentava soltar o braço da amiga e pedia debilmente para que ela parasse. “Olhe o estado dela!” E apontou para o rosto da outra, a maquiagem toda borrada e uma ou outra lágrima ainda escorrendo pelo rosto.

“Eu não...” Mas nem teve oportunidade de prosseguir.

“Não bastou ter dado um fora nela, agora tem que humilhá-la?”

Ichijouji encarou as duas sem entender. Entendia como Hanamizuki se sentia, mas aquilo era um exagero, ele não tinha feito absolutamente nada, apenas sido sincero, como tudo isso tinha virado um pandemônio? Para piorar toda situação, Miyako encarava tudo sem entender e ele nem tinha dado sua resposta.

Deu um muxoxo exasperado, empurrou as duas garotas para o lado, enfiou uma das mãos no bolso e começou a subir as escadas.

“Eu não tenho nada a ver com isso.” E sumiu pela porta que levava ao corredor. Não estava com a menor paciência para espetáculos. A resposta de Inoue teria que esperar.

As três garotas ficaram paradas na escadaria externa, encarando a porta aberta por onde Ken havia sumido. Miyako não estava entendendo nada, reconhecia a garota que chorava, tinha sido a mesma que ela vira beijar Ichijouji, mas não entendia porque ela chorava, nem porque a amiga estava tão furiosa. Hanamizuki oscilava entre encarar a porta aberta e a garota do cabelo lavanda, o rosto corava ainda mais quando olhava para a veterana, em um misto de inveja e raiva. A terceira garota parecia furiosa, quase como se quisesse arrancar a cabeça de Ichijouji e pendurá-la no portão da escola, mas talvez, nem ela soubesse porque estava com tanta raiva.

Notas finais
N/T: sinto que serei apedrejada por vocês, mas finalmente a coisa deu um passo, só não sei exatamente se para a direção certa. Beijokinhas e até semana que vem.