Notas iniciais
Trailer da fanfic: https://www.youtube.com/watch?v=w99KwMIrvlA

A história que vou contar a vocês aconteceu e está acontecendo em um futuro distante. Pode não acreditar, mas eu sou um viajante do tempo. O que vou contar é verdade, é real, e eu espero a sua ajuda. Eu não tenho certeza se vai adiantar muita coisa, mas estou fazendo minha parte. Eu espero que você faça a sua.

Na minha época, no futuro, as pessoas são divididas em cores: vermelho, amarelo, azul e branco. Mas isso não é importante agora. O importante é que você saiba que algumas pessoas vivem mais, cerca de 200, 300 anos, e outras vivem menos, na casa dos 30. Eles decidem que rumo tomará nossas vidas. E nós não questionamos. Porque questionar ou reclamar poderia te fazer um vermelho, e você não vai querer ser essa cor.

As horas do dia são divididas de uma forma diferente. O dia passa muito rápido, e a noite demora muito a passar. Pra ficar mais fácil de entender, é como se o que você chama de dia fosse a noite para nós, do futuro. Trabalhamos e estudamos a noite, e dormimos de dia. O dia ainda é dia e a noite ainda é noite, mas as funções foram trocadas. Como eu disse, o dia passa muito rápido. E não precisamos dormir muito.

Mas não vamos focar nessas coisas. Eu quero te contar como a situação chegou a isso, e pra entender, eu vou falar sobre a vida de uma garota.

Era uma garota comum, como todas as garotas do seu tempo. Ela morava numa casa normal, tinha uma família, frequentava a escola, tinha amigos e gostava de ouvir música. Ela passava muito tempo com fones de ouvido, e isso a libertava.

Porque, embora ninguém soubesse, ela se sentia presa. Sufocada pelas pessoas. Era como se ninguém entendesse o que ela queria dizer, e de tanto falar com pessoas que não ouvia ou não entendia, ela desistiu.

Mas as pessoas deviam ter ouvido ela. Deviam ter acreditado nela ao invés de dar risada. Porque ela estava certa.

Depois de muito tempo, de todos que ela conhecia ter ido embora, ela ainda estava viva. Se ela achava bom, no fim das contas, estar certa quando todos riram dela e a criticavam? Se ela gostava do fato de que todos eles tinham ido embora porque a ignoraram? Não, ela não achava isso nada legal. Porque nunca se sentira tão sozinha.

Era uma noite escura, tão fria e sombria que nem a lua se dignou a aparecer no céu. A maioria das pessoas estava dentro de casa, com medo. A previsão era de que algo muito ruim iria acontecer. Sempre acontecia coisas ruins, mas dessa vez, seria uma maldade em dobro. Era perigoso sair, e somente um louco não estaria em casa. Mas havia uma garota andando sozinha pelas ruas vazias. Usava uma capa preta e botas da mesma cor, e um guarda-chuva vermelho, que escondia seu rosto. De longe aparentava ter cerca de 12 anos, mas se chegasse mais perto dela veria que tinha em torno dos 20. Andava com passos controlados, sem fazer barulho, e se alguém olhasse bem, veria lágrimas secas no rosto dela. Um sinal de que estivera chorando por muito, muito tempo. Era a nossa garota.

Ela estava pensando na mãe. No pai. Na irmãzinha caçula. Nos amigos. Se ela tivesse feito algo por eles... Mas ela tentou. E agora era tarde demais pra todos eles. E talvez fosse tarde demais pra ela também.

"É tudo sua culpa" . As palavras do magistrado gritavam em sua cabeça.

Raiva, ódio, desespero, solidão, esses eram seus companheiros naquele momento. E eu espero que você seja um de seus companheiros junto comigo, porque vamos fazer uma viagem pelo coração dela. Uma viagem pela garota de capa preta.