A Garota da Casa ao Lado

12 Sentimento x Medo


Notas iniciais
olaaa, nossa, hoje foi dificil entrar no Nyah! não entrava, só dava erro, mas enfim consegui e ta ai mais um caps, pra vocês. boa leitura

POV Gabriela

Quando sai daquela casa com Alex parecia que eu estava sendo libertada, como se eu fosse um passarinho aprendendo a voar. Eu não saia de lá por nada, só quando Roberto, meu padrasto me mandava ir ao supermercado, mas literalmente todo o tempo, cada hora, cada minuto do dia eu ficava enfurnada dentro daquela casa, e quando ele me deixou sair, e com Alex, eu nem acreditei, parecia um sonho, mas agora aqui, longe dele e de tudo, na casa da avó de Alex, eu me senti outra pessoa, outra Gabriela.

Talvez um menina que não tivesse problemas, que fosse feliz e que aproveitava todos os prazeres da vida de um jeito saudável e responsável.

Os momentos de desespero que passo dentro daquela casa me fazem acreditar que o mundo é só aquilo, é só o sofrimento que ele me faz sentir, por que cada toque e cada beijo forçado me faz sentir repulso de mim mesma, querendo de todo coração, se é que ainda existe um, morrer.

No carro vindo pra cá, com a janela aberta e o vento batendo em meu rosto, notei como é morrer... Talvez se eu morresse, minha morte fosse daquele jeito, o vendo batendo em meu rosto, fazendo meus cabelos esvoaçarem, e a bela melodia do Lifehouse tocando ao fundo.

Como ele percebeu que eu gosto daquela música eu não sei, mas conforme o tempo que passo ao seu lado, me apaixono mais.

Sua vida é tão simples e feliz, que as vezes me pego sentindo inveja, eu que não tenho nada, nem amor, nem carinho, sinto inveja de um garoto que entrou na minha vida do nada, e que por mais que me custe acreditar, entrou para muda-la.

apaixonada, com vontade de lhe contar tudo, de lhe abraçar, de pedir que me levasse pra qualquer lugar.

Seus olhos pelo retrovisor não paravam de me observar, eu corei nesse momento, senti meu rosto ficar quente e vermelho, sorri ao perceber meu estado, seus olhos penetrantes me deixavam encabulada e cada vez mais

Eu não me importo mais com nada, nem com a minha mãe, nem com o que ele faria comigo ou com Alex, eu só queria que ele me abraçasse, que me protegesse, mas talvez lhe contando a verdade nada disso aconteça.

Sua mãe não aceitaria que ele ficasse com uma garota como eu, estuprada, violentada pelo padrasto, cheia de problemas, em depressão e com uma mãe semi morta.

Não, é claro que não.

Isso acabaria com a vida dele, eu o afundaria comigo. Definitivamente eu não poderia lhe contar a verdade, teria que mentir. Omitir.

Ao chegar na casa de sua vó eu me encantei pela casa, era enorme, talvez 2 vezes maior que a minha.

Sua vó não aparentava ter menos de 60 anos, era bonita, tipo uma vovó enxuta! Me tratou super bem, como se fosse MINHA vó. A adorei desde então.

A casa por dentro era detalhadamente arrumada conforme o estilo da avó dele, rústica e ao mesmo tempo moderna, nunca vi uma casa tão perfeita.

O que me encantou mais foi o jardim, acho que vi flores que nem imaginava existir.

Alex me levou até a piscina, conversamos sobre varias coisas, ele falou mais do que eu, afinal eu não tinha muito o que falar, e se falasse possivelmente falaria o que não devia.

Falei que por mim viria pra cá todo dia, apenas para ficar naquele jardim, Alex propôs me trazer aqui todo dia, mas claro, recusei. Não poderia, isso me prejudicaria, se Roberto descobrisse, eu estaria morta.

E minha mãe também.

Quando Alex me perguntou sobre ele, senti meu coração aperta dentro do peito, eu queria tanto lhe contar, tanto compartilhar meu sofrimento, mas não, eu tenho medo.

Medo dele se afastar, medo de sua mãe o afastar de mim se ele não quisesse, medo de Roberto fazer alguma coisa com ele, nem comigo mas sim, com ele, não me perdoaria se algo acontecesse com ele, medo dele fazer algo com a minha mãe. Medo.. Do Alex fazer alguma coisa e acabar se machucando.

Minha vida é a base do medo. Nunca descobri outro sentimento além do medo.

Quem sabe eu não descubro o amor com Alex, se ele quiser.

Ouvi sua mãe nos chamando para irmos, deixar aquele lugar fora um sacrifício, queria tanto ficar ali, pra sempre, não voltar a minha vida, queria ficar. Ficar naquele mundinho só meu, de felicidade, e quem sabe com Alex.

Voltando pra casa, não senti mais a liberdade de antes, Alex deve ter

percebido por que sentou-se ao meu lado no bando de trás, eu fiquei olhando pela janela como se minha alma tivesse sido roubada, apenas senti sua mão segurar a minha.

***

Quando chegamos, sai do carro, agradeci a Alicia, mãe de Alex. Fui saber seu nome lá, na avó dele.

Já ia pra casa quando ele pega minha mão, e me puxa para um abraço.

‘Não se preocupe, ele não fará nada com você’ — sussurrou ele em meu ouvido.

Soltando-me de seu abraço, sorriu. Eu fiquei estática, com aquelas palavras.. Ele sabia? Mas como?

O olhei atônita e fui pra casa. O vi entrando na sua.

Quando abri a porta vi meu padrasto com uma tesoura na mão.

Notas finais
e ai, gostaram?