A Garota da Casa ao Lado
13 Meu fim
Notas iniciais
POV Alex
Deixei a Gabi em casa, reparei que sua expressão triste e depressiva havia voltando. Sento um aperto em meu coração por te-La deixado voltar praquela casa, mas o que eu podia fazer agora, ela precisava voltar, tem a mãe dela.
Tenho pequenas especulações que aquele padrasto dela não é boa pessoa, está fazendo algo com a Gabriela, e ela não quer me contar, sei que é por medo, por que se não fosse, ela teria me contado.
Sei que nos conhecemos a pouco tempo, pó, to o que? 3 semanas na cidade, eu a conheço tão pouco e já peço sua confiança, que me conte seus problemas, mas vejam bem, entendam minha situação:
- O que.. O que.. Você.. — mal terminei minha gagueira quando ele pega meu braço e me leva até o quarto de minha mãe.
Abre a porta e me joga no chão ao pé de sua cama, tento levantar mas ele não deixa, sua mão agarra meus cabelos levantando minha cabeça, sinto seu rosto perto do meu ouvido:
- Você vai aprender a me respeitar Gabriela, a não me fazer de bobo. — Falando isso, pega meus braços e me amarra ao pé da cama onde minha mãe tentava gritar. Vi uma lagrima escorrer por seu rosto, a olhei com tristeza e vi um deslumbre de compaixão, pena e culpa nos olhos. Sorri, tentando fazer com que ela se acalmasse, tentei passar um fio de esperança que nem eu sabia que ainda restava para ela.
Vi seus olhos se fecharem, e uma linha vermelha escorrer por sua cabeça. Tentei me levantar e ir até ela, mas meus pulsos amarrados não deixavam, olhei pra Roberto e o vi com a tesoura nas mãos perto da minha mãe.
Me aparece uma garota, de 15 anos, chorando no quintal ao lado, gritos dentro de sua casa, não sei se dela ou da mãe, ou sei lá de quem, seu pulso direito é todo marcado, como se tivesse sendo presa, ou algo do tipo.
Seu padrasto é nojento, fede a bebida e sexo, sua mãe sofreu um acidente de carro, cujo o padrasto estava dirigindo, sua mãe fica paraplégica e depois de um tempo, tem um derrame.
Ela não me conta nada, tem medo do padrasto, e só não sai de lá por causa de sua mãe, sua expressão é de tristeza e medo o tempo todo, não vejo uma menina saudável na minha frente.
Gabriela é linda, seu rosto é perfeito, porém é magra até demais, como se não comesse nada o dia inteiro. Ficou deslumbrada com a casa da minha vó, seu rosto se iluminou ao sair daquela casa, ao sair pra passear, como se nunca tivesse saído, como se não conhecesse o mundo fora daquela maldita casa!
Sei disso tudo apenas por seu jeito, suas expressões, e pelo pouco que me contou, eu quero tanto ajuda-La, te-La comigo. Qual é, eu sempre fui um galinha, alguém que não se importa com nada nem ninguém, com sentimentos alheios, agora aparece ela.
Alguém que precisa da minha preocupação, mas que eu não tenho obrigação nenhuma, então o que me acontece? Me apaixono. Ironico, não?
Eu a quero, só pra mim. Preciso dela, e que ela me fale o que esta acontecendo para ajuda-la. Vou tirar a Gabriela daquela casa, nem que eu faça isso com minhas próprias mãos.
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POV Gabriela
- O que.. O que.. Você.. — mal terminei minha gagueira quando ele pega meu braço e me leva até o quarto de minha mãe.
Abre a porta e me joga no chão ao pé de sua cama, tento levantar mas ele não deixa, sua mão agarra meus cabelos levantando minha cabeça, sinto seu rosto perto do meu ouvido:
- Você vai aprender a me respeitar Gabriela, a não me fazer de bobo. — Falando isso, pega meus braços e me amarra ao pé da cama onde minha mãe tentava gritar. Vi uma lagrima escorrer por seu rosto, a olhei com tristeza e vi um deslumbre de compaixão, pena e culpa nos olhos. Sorri, tentando fazer com que ela se acalmasse, tentei passar um fio de esperança que nem eu sabia que ainda restava para ela.
Vi seus olhos se fecharem, e uma linha vermelha escorrer por sua cabeça. Tentei me levantar e ir até ela, mas meus pulsos amarrados não deixavam, olhei pra Roberto e o vi com a tesoura nas mãos perto da minha mãe.
- NÃO, DEIXA ELA, NÃÃÃO! — berrei me contorcendo ao pé da cama, estava tão perto e ao mesmo tempo tão longe dela.
- Cala a boca, cala já essa boca, ou eu te mato!! — falou ele segurando meus cabelos.
Agachada consegui segurar a mão de minha mãe, ela fazia um esforço grande para movimenta-la, aquilo me machucava, aquelas cordas em meu pulso, mas segurei sua mão. Seus olhos se fecharam e ela deu um ultimo suspiro.
Chorei compulsivamente. Roberto me afastando dela, pega em meus cabelos e usa a tesoura para corta-los.
- Sua mãe não serve mais pra nada, e você Gabriela vai ser minha pra sempre. — falou ele cortando meus cabelos.
Não conseguia mais chorar, vi meus cabelos caindo no chão, os cachos vermelhos espalhados, meu cabelo estava todo repicado, sem forma, sem meus cachos, sem brilho. A única coisa que eu tinha de minha mãe, agora estava deformado.
Roberto saiu do quarto me deixando amarrada com minha mãe inconsciente na cama, fiquei sentada lá, sem me mover, sem falar, só queria no momento parar também, se respirar.
Esperei meu fim.
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