A Garota da Casa ao Lado
10 Passeio
Notas iniciais
POV Alex
- Gabriela, venha aqui. — falou, enquanto eu corria pra cozinha, pra que ele não percebesse que eu escutara tudo.
- Sim, o que foi? — falei, indo até ele.
- Quem é aquele garoto lá na porta? — perguntou, me pegando pelo braço
- Que garoto? De quem está falando?
- Ele disse que é o vizinho, que a encontrou na lateral da casa, você falou com ele?
- Não, ele falou comigo, eu não falei nada demais, eu entrei, me solte — menti, seu aperto estava me machucando.
- Ele quer saber se você quer passear com ele e a mãe. Olhe aqui Gabriela eu vou deixar, mas ai de você se contar alguma coisa, abra essa sua boquinha linda e você vai se ver comigo. — falou ele, me soltando, perdi o equilíbrio mas consegui me manter em pé.
- Então, eu posso ir?
- Some.
Subi correndo pro meu quarto e troquei a blusa, coloquei uma de manga comprida para que nem Alex nem a mãe vissem meus braços roxos, muito menos meu pulso.
Desci a escada e vi meu padrasto no sofá, vendo algum filme, acho que pornô e se masturbando. Que nojo eu sentia daquele homem.
Abri a porta devagar para que Alex não o visse e sai. Ele estava no carro falando com a mãe.
Ao me ver, sorriu, não pude deixar de sorrir também.
Fui até ele.
- Oi. — falei, sorrindo pra sua mãe. — Prazer, Gabriela — falei, estendendo a mão num cumprimento.
- Olá Gabriela,muito prazer em conhece-la, não se importa de nos acompanhar até a casa da minha mãe não é? Ela quer nos ver. — falou, abrindo a porta do carro, esperando que eu também entrasse.
- Não, claro que não. — sorri, entrando no carro. Alex entrava pela porta do carona e sorria pra mim, feliz por eu estar ali, eu acho.
POV Alex
Quando a vi sair de casa fiquei feliz, ela estaria ali comigo, não com aquele cara, aquele homem que sei muito bem, não é nada confiável. Tem algo nele que me fez arrepiar, era desagradável.
O padrasto de Gabriela era exatamente o homem mais nojento que eu já vi, tinha uma barriga de chop e bigode, suas sobrancelhas eram estranhas, juntas sabe? Pareciam duas lacraias se encontrando, seu cheiro não era muito diferente do cheiro de cachaça e sexo o dia inteiro. Mas como pode ter esse cheiro se a mãe dela... Merda!
Ela me olhava com esperanças refletidas nos olhos, e eu ao olha-la via apenas uma menina indefesa precisando de ajuda. Estranho como uma pessoa que você conheceu apenas há 2 semanas pode mudar sua vida desse jeito, eu queria protege-la daquele cara, e eu faria isso.
A vigem toda passei olhando pra Gabriela pelo retrovisor do carro, na radio tocava uma musica lenta e bonita.
Gabriela tinha uma expressão de felicidade e surpresa, como se fosse uma criança que ia ao lugar que sempre quis pela primeira vez, tipo primeira vez ao parque de diversão.
Ela estava com a cabeça pra fora da janela, o vento batia em seu rosto fazendo seus cabelos vermelhos esvoaçarem deixando aquela visão pra mim a mais espetacular de todas. Ela fechava os olhos sentindo a brisa em seu rosto, e sorria.
Ela abriu os olhos e viu que eu a olhava, sorriu constrangida. Vi seu rosto corar, o que a deixava mais linda.
Suas feições me deixavam perdido, cada linha de seu rosto era um segredo, sua pele branca quando corava, era como uma flor desabrochando. Seus cabelos vermelhos que lhe caiam no rosto a deixavam como um fogo, sendo aceso.
Seus olhos, de um tom de verde, ou azul penetravam na paisagem que se via de fora da janela. Ela sorria com os olhos, que brilhavam e se surpreendiam como cada coisa nova que avistava.
Nesse momento, me senti completamente apaixonado.
Minha mãe chegou e tal, jantamos e eu subi pra dormir, tava cansado, nem tive vontade de entrar no computador.
****
Graças a Deus é sábado, a semana passou rápido, que bom. Acordei tarde, deve ser 13h e pouco.
- Alex, ta acordado? — berrou minha mãe lá debaixo
- Acabei de acordar, por que?
- Se arruma, vamos sair!
- Tá!
Levantei e fui tomar um banho.
Sai, coloquei uma calça e uma blusa e um tênis. Pra onde minha mãe queria ir eu nem sei, desci e ela tava na escada me esperando.
- Onde vamos?
- Vamos na sua vó. Ela ligou dizendo que ta por aqui e quer nos ver.
- Ah, mãe, serio? Preciso ir?
- É sua vó, vamos. — falou, indo pra garagem.
Entrei no carro, e saímos, passamos em frente a porta da casa de Gabriela, a vi de relance na janela com uma expressão triste.
- Mãe, para o carro!
- O que foi? — perguntou, parando o carro.
- Esqueci uma coisa.
Sai do carro e fui até sua casa, ela saiu da janela ao me ver e sumiu. Toquei a campainha. Esperei alguns segundos e um homem de uns 45 anos abriu a porta.
- O que quer? — perguntou me fuzilando.
- A Gabriela está?
- O que quer com ela?
- Gostaria de saber se ela quer dar um passeio comigo e com a minha mãe. — falei, apontando pro carro, minha mãe havia saído e acenou pro cara.
- E você quem é?
Reparei que Gabriela estava escondida nos espiando atrás de uma porta, que separava a sala dos outros cômodos da casa.
- Sou seu vizinho. — falei, estendendo a mão.
- Como conhece Gabriela? — Já tava perdendo a paciência, era só dizer Sim ou Não.
- A encontrei uma vez na lateral da casa, só nos cumprimentamos. Então, ela pode ir? Não vamos demorar.
- Certo, espera aqui. — falou ele, fechando a porta
POV Gabriela
Eu o espiava sair com sua mãe, talvez fossem passear. Senti uma certa inveja dele, sua vida era tão fácil, tão simples e feliz.
Enquanto eu o olhava, ele me viu na janela, do anda vi o carro parar e ele sair do mesmo vindo até minha casa.
Sai da janela e fui pra cozinha, de lá ouço a campainha tocar.
Meu padrasto saiu do escritório e foi atender. Ouvi a voz de Alex perguntando se eu estava, fui até a sala, me escondendo atrás da porta, para ouvir melhor o que falavam. Ele me viu.
- Gostaria de saber se a Gabriela quer dar um passeio comigo e com a minha mãe. — falou ele, olhando pro meu padrasto sem nenhum medo, e depois apontando para sua mãe. Ela era linda, tinha cabelos encaracolados, castanho escuro, repartido ao meio, era jovem, deve ter no máximo uns 40 anos, mas ninguém dizia que tinha mais que isso. Ela acenou e senti meu padrasto relaxar ao ver a mulher linda que acenara.
Meu padrasto fechou a porta e me chamou.
Fale com o autor