A Garota da Casa ao Lado
28 - Nós daremos um jeito
Notas iniciais
beijos
POV Gabriela
Acordei em uma cama de hospital. As paredes brancas me deixavam com uma sensação estranha, parecia que eu estava presa novamente, e que aquelas paredes se fechavam contra mim e eu não podia escapar. Levantei e senti minha mão latejar, vi uma agulha enfiada em minha veia, a tirei e sai do quarto.
Eu não queria ficar ali, ele poderia me pegar, ele ia me encontrar, eu tinha que fugir, me esconder. A qualquer momento ele pode entrar aqui e me matar e...Não, ele não ia me matar.
Ele estava morto. Eu o matei.
Lembrei-me então:
Roberto apertava o pescoço de Alex, ele já ficava sem ar, meus pés não saiam do chão e eu precisava fazer algo, precisava salvá-lo. Agachei a procura de alguma pedra, ou algo pesado o bastante para machucar o Roberto.
Achei uma pedra, perfeita.
Com toda a força que ainda restava em mim, bati com a pedra em sua cabeça. vi seu corpo cair pesadamente em cima de Alex, o empurrei tirando-o dali. Vi Alex inconsciente, o chamei. Ele abriu os olhos e me abraçou, depois disso não me lembro de mais nada.
Sai do quarto, precisava encontrar o Alex.
- Gabi?! — ouvi uma voz conhecida. Olhei para trás e vi a mãe de Alex no corredor do hospital. — Gabi? Venha aqui! — me chamou de novo.Não, eu não iria. Ela afastou o Alex de mim.
Corri pelo corredor me afastando dela, não sei o que ela faria comigo, afinal, graças a mim seu filho também está no hospital, senão não faria sentido ela estar aqui. Avistei um medico e sem ele perceber, entrei em um quarto fechando a porta com chave, me virei pronta para encontrar alguém que não queria, então eu o vi.
Na cama estava Alex. Dormia profundamente, sua cabeça estava enfaixada e uma agulha também estava enfiada em sua veia, me aproximei com cuidado para não acorda-lo, levei minha mão até seus cabelos, o afastando de sua testa toda molhada. Parecia estar tendo um pesadelo, murmurva alguma coisa que não pude identificar. Sua expressão era de medo enquanto dormia.
- Alex? — o chamei.
Seus olhos se abriram com rapidez procurando minha voz.
Eu nem acredito que ela esta em meus braços, ela é minha novamente, e nada nem ninguém vai poder tira-la de mim de novo.
Roberto estava morto, ele não poderia mais machucar a Gabi, ela estava finalmente a salvo. Ao meu lado.
O cheiro de seus cabelos me faziam sentir uma sensação de puro êxtase, me libertando de todo medo e preocupação que tem me acompanhado esses dias, sem te-la comigo.
Era como uma parte de mim tivesse sido devolvida, como se meu coração, antes em pedaços, esteja sendo consertado, para nunca mais de partir.
Sentir seu corpo junto ao meu acalmou meu coração, tocar sua pele era como poder tocar novamente a mais bela rosa branca, antes possivelmente extinta.
Ver seus olhos azuis era como estar voando num céu limpo, sem nuvens. Estar tão perto de sua boca, era como estar no paraiso.
- Alex? — chamou.
- Hm?
- E agora, como vai ser?
- Como vai ser o que? Você está segura.
- Eu... Mas eu... O matei Alex, eu bati na cabeça dele com uma pedra, eu o matei! Posso ser presa. — falou, levantando a cabeça que antes estava em meu peito e me olhando.
- Não amor, você se defendeu, me salvou. Você estava se protegendo, esta segura, não vai acontecer mais nada com você. — lhe assegurei.
- Eu estou sozinha, não tenho ninguém Alex, não tenho mãe, nenhum familiar que eu conhece pelo menos, vivo! Posso parar em um orfanato! — falou, com lagrimas nos olhos — Podem me tirar de você
- Shiii, calma amor, você não está sozinha, estou aqui com você agora, não vou deixar que lhe façam nada. — falei, dando-lhe um beijo na testa — Pronto amor, ninguém vai me separar de você.
Eu a abracei mais forte, puxando-a para perto de mim naquela cama de hospital. Ela gemeu baixinho de dor, ela estava muito machucada. Seu rosto machucado exibia hematomas roxos e pequenos arranhões. Seu corpo provavelmente estava todo dolorido e machucado.
Não me machuquei tanto quanto ela. Minha cabeça estava enfaixada, perdi muito sangue pelo ferimento na testa, mas nada se comparava aos machucados dela. Além de serem no corpo, seu coração também estava machucado.
- Estou com medo Alex, o que vai acontecer comigo?
- Nós daremos um jeito.
- Gabi? — perguntando como se eu fosse parte de seu sonho. — É você?
- Sim, estou aqui.
- Meu amor, que bom que está bem — falou, me puxando para perto. — Senti tanto sua falta, eu te amo Gabi — falou, beijando minha testa. Fiquei deitada ali com ele, sentindo o perfume que tanto senti saudade.
POV Alex
Fale com o autor