Notas iniciais
" É talvez o último dia da minha vida.
Saudei o sol, levantando a mão direita,
Mas não o saudei, dizendo-lhe adeus,
Fiz sinal de gostar de o ver antes: mais nada. "
Alberto Caeiro ( Fernando Pessoa)

Nunca se sabe se é o último dia da sua vida, se vai existir seu amanhã na Terra ... Nunca se sabe. E é por isso que Liz sempre saúda o sol. Mas isso, não é um adeus.

Numa bela manhã, Liz acorda. E ao seu lado encontra-se seu bloco de anotações e sua caneta.

Nesse bloco, havia poemas e canções... Envolvendo-se o sol, como seu tema principal.

Aquela caneta, acompanhara Liz em suas maiores aventuras: Tudo, com a caneta, ela anotava em seu bloco.

Mas, lhe faltava algo. E era o sol. Era apenas um desejo dela, ou ela realmente precisava? Ninguém sabia.

Era segunda feira e ela tinha compromisso com a escola. Seu curso de poesia era logo após.

Suas notas na escola haviam abaixado, pois ela só pensava na aula de poesia. Era um estilo de vida.

O bom era quando chegava suas amadas aulas.

- Olá Lizzie — Professor Muller saudou.

- Olá, Muller. Me chame de Liz, sim? Te digo isso todos os dias. E eu tenho certeza pois, o sol me lembra disso a cada manhã — É isso que Liz respondeu ( e o que sempre responde )

- Sua mania de conversar com o sol precisa é ser tratada com um psicólogo. — O professor respondia.

- Eu não converso, eu sinto!

Ao tardar, já em casa, ela sempre pensava em suas lições do curso. A mania que o professor dela tinha de implicar com seu amor pelo sol, não a fazia odiá-lo. Era apenas a opinião dele, e ela respeitava isso.

Como de noite ela não tinha o sol para admirar, ela olhava as estrelas... Mas não com o mesmo amor pelo sol.

Amanheceu, ela olhou pela janela, ficou parada dez minutos ali. Pensativa, ela escreveu o primeiro poema do dia.

" O sol não me toca, mas eu posso tocá-lo com meus olhares. "

Ao chegar na escola, ela abre seu armário, pega seu material e se dirige a sala. É a aula de religião.

- E foi assim que Deus mostrou seu amor por nós... Alguém tem algo a dizer? — A professora disse, dirigindo seu olhar a Liz. Liz sempre falava poesias, fazia canções, fazendo assim que a professora a admirasse...

E assim, ela ia como sempre na frente da sala, e mostrava seu talento. Mas os alunos não gostavam dela ser a querida da professora, por isso, Liz não era nada além de uma estudante do colégio.

Pelo menos para ela, era um nada. Um pó dentro de um casarão. Mas tinha alguém que sempre deixava poesias em seu armário, assinando como anônimo.

Mas o que frustava Liz era que ele, o anônimo, nunca falou nada sobre o sol. E é por isso, que ela não admirava as cartas que ele mandava.

Liz sentia que faltava algo na sua vida. Ela tinha família, amigos que ela ia sempre visitar no fim de semana, um talento, Deus... Então o que faltava? Ela tinha certeza que era o sol... Será?

Notas finais
Olá :) Essa fic retrata uma menina que queria o sol. Mas não ironizem... Ela não quer pegar o sol, ela quer possuir o sol! É diferente... Só ela sabe explicar. Leiam essa história com calma e paciência, pois só assim você vai encontrar sentido.
Beijo, Keth.