Notas iniciais
Nesse capítulo veremos um aspecto não muito legal da Drew: a tenacidade dela. Ou o que vocês poderiam chamar de "patadas". Mas não é culpa dela. Bem, talvez seja. Decidam por vocês mesmo

Taking more than her share

Had me fighting for air


Eu estava muito animada. Dean parecia estar achando algo engraçado, mas nem liguei. Eu devo dizer uma coisa: sou viciada por carros. E não tenho muitas chances de dirigir carros diferentes do meu. Adoro novos desafios. Fiquei em frente a Dean e disse:

– As chaves, querido.

– Droga, pensei que você tinha esquecido.

– Esquecer de dirigir um carrão desses? Nunca!

Entramos no carro, e ele reclamou algo sobre o banco do carona. Resolvi ignorá-lo e fui colocar música pra viagem. Ele me olhou com uma expressão incrédula e disse:

– " Black Dog "? Sério? Led Zeppelin, Stardust?

– O quê, você não gosta? Tudo bem, acho que consigo achar uma banda que você goste na minha coletânea aqui.

– Ei, nem ouse tirar essa música! Achei que você só gostava dos alternativos tosquinhos, mas vejo que me enganei com você.

– Chame mais uma vez meus adorados indies de "alternativos tosquinhos" e eu abro a porta do carona e te jogo pra fora do carro!
Fomos conversando por mais alguns quilômetros, Dean zombando das bandas alternativas que eu gostava, eu ameaçando jogar ele pra fora do carro, até que ele pediu pra trocar a música.

– Não, deixa aí, tá tocando The Doors. Nem é tão ruim assim, vai?

– Calma, Stardust, deixa eu ver o que você tem de bom aqui.

Depois do que pareceram algumas horas, ele se esticou e disse:

– Música boa. A versão do filme é muito boa também. — Me surpreendendo completamente, ele começou a cantar "I Want to Hold Your Hand", a versão do filme Across The Universe.

– Não acredito que você gosta de Beatles. Você parece gostar mais de rock mais pesado, eu não sei.

– Drew, tem muitas coisas sobre mim que você não sabe.

Depois disso Dean começa a cantar "Oh, please, say to me, you'll let me hold you hand" olhando pra mim. Ainda bem que estávamos numa estrada deserta, porque eu passei tanto tempo olhando pra ele, que provavelmente teria batido em um carro.

Eu preciso me controlar. Conheci ele ontem. Ele é um desconhecido.

Não, não é um desconhecido. John me falou tanto dele que parece que eu o conheço a eras. Ai, meu Deus, o que eu faço? É possível gostar de alguém pouco tempo depois de ter conhecido pessoalmente?

– Stardust, tô falando. Stardust, tá surda? — Dean falando meu nome me tirou dos devaneios.

–Ahn. Fala.- Tá perdida, garota? Segue mais dois quilômetros e você vai ver um hotel chamado The Red Horse. Pare nele, que a gente vai passar a noite, e amanhã de manhã seguimos viagem.

– Dean, se a gente continuar agora, em duas horas a gente chega em Potterville.

– É, mas esse trecho da estrada é muito perigoso, então a gente segue amanhã de manhã.

Não aguentei e caí na risada:

– Algum problema, Stardust?

– Não, eu só não entendo como você tem medo de alguns bandidos se você tem um arsenal completo de armas no seu porta-malas, só isso.

– Vamos passar a noite nesse hotel. E acabou.

Chegamos no The Red Horse. Ao estacionar o carro, tentei conversar,já que ele era tão legal, e me surpreendeu sua atitude exagerada.- Peraí, Dean, eu não entendi porque você quis passar a noite aqui.

– Quem é o mais velho?

– Você, mas...- Então, o carro é meu e eu sou mais velho, portanto, eu mando. E nós vamos ficar aqui hoje. O que foi, até parece que não quer dividir um quarto comigo? — E então ele levantou as sombrancelhas, como que me desafiando.

– Oh, sim, você é muito assustador.- comentei irônica — Vamos logo, estou com fome. Preciso de um cheeseburguer pra continuar viva. Há uns três dias que eu não como nenhum.

Eras umas oito da noite. Fomos pro quarto, comi meu adorado cheeseburguer com uma cerveja, enquanto Dean me olhava estupefato.

– O que foi? — perguntei.

– Sabe, não se encontram muitas mulheres com sua preferência culinária.

– Vou te contar um segredo: no início, eu não suportava cerveja e não comia carne. Mas quando sua maior preocupação é quando o próximo monstro vai aparecer na sua cola, eu aprendi a ser menos seletiva na hora de comer. E hoje em dia, não vivo sem um cheeseburguer pelo menos dia sim, dia não.

– Que linda história de superação. Talvez você vá ter um infarto antes dos 50 anos, mas isso são coisas da vida, não? — Dean disse, todo pomposo.

– Pois é.

Um tempo depois, estávamos ouvindo Led Zeppelin, antes de ir comprar uma garrafa de vodca pro Bobby, quando meu telefone tocou.


– Alô? Oi, Garth!

Garth é a pessoa que eu mais gosto nesse mundo. Fiquei falando com ele algum tempo, mas Dean estava com uma cara meio magoada, aí fui desligar o telefone:

– Garth, preciso desligar. É, depois eu te ligo. Ok, eu amo você também. Tchau.


– O que houve, Dean?

– Quem é Garth, Stardust?

Uma coisa que vocês precisam saber sobre mim: eu sou uma criatura livre. Quando eu vejo que alguém está tentando mandar em mim, ou querendo saber o que eu andei fazendo, eu me irrito. Muito. Eu posso nem ter feito nada de mais, mas eu não digo o que aconteceu. Tradução: Sou teimosa pra caramba. A ponto de eu achar que tenho problemas sérios.

– Escutando a conversa dos outros?

– Eu só perguntei quem é Garth!

– Por que essa curiosidade toda? Não é da sua conta quem é Garth.

O seu olhar ficou extremamente magoado. Então, ele ficou com uma cara séria e disse:

– Vai comprar a garrafa de vodca pra gente dormir, e sair bem cedo daqui. — Dizendo isso, Dean foi se deitar.

Enquanto comprava a garrada de vodca, fiquei pensando no que aconteceu. Não entendi porque Dean ficou tão irritado com a ligação do Garth. É, talvez eu tenha sido meio grossa quando a dizer que não era da conta dele, mas essas coisas me irritam, não gosto que fiquem querendo saber o que fico fazendo.

Notas finais
NOSSA, É PRA ESPANCAR ELA, VIU??
Mentira, gente, não queiram matar a Drew, ela vai se regenerar. Ou não?
Não esqueçam dos reviews ;)
A música é uma velha conhecida dos hunters, que abriu a 4ª temporada: You Shook Me All Night Long, do AC/DC.