A Garota Da Capa Vermelha - Continuação.

17 VILAREJO – CONTINUAÇÃO – Capítulo 17


Notas iniciais
Olá pessoal, boa tarde! Capítulo 17. Gratidão a Suassa! Esse capítulo, é bem intenso. Particularmente, aqui Henry e Valerie começam a se dar realmente conta do que enfrentarão pela frente. Mas, eu gosto da maneira com que vão amadurecendo a partir de agora. É bem legal ver este desabrochar deles. E vamos ao capítulo... Ótima Leitura!

POV HENRY

— Mais uma surpresa? Assim, você vai acabar me mimando sabia?

Eu disse dando nela um selinho, e em seguida ela dirigiu-se para a mesa da ferraria. Ela organizou tudo por lá, limpou e depois, estendeu uma toalha que ela trouxe dentro da bolsa, e em menos de cinco minutos tudo estava pronto, e impecavelmente arrumado.

Ela havia trazido almoço para mim! Mas, não qualquer almoço, era um prato, cheiroso, com um aspecto delicioso, tinha suco, e até pudim de sobremesa.

Eu não resisti àquilo. Eu fechei rapidamente o espaço entre nós, tomando-a em meus braços, novamente, erguendo-a exatamente como eu fiz antes, e girando-a, enquanto nos beijávamos, em meio a sorrisos.

— Você trouxe almoço.... Não, almoço não, um banquete para mim? Eu não, acredito!

— Você gostou?

— Se eu gostei? Eu amei. Mas... só vejo um prato com talheres. Isto significa que você não vai comer comigo? – Perguntei encenando cara de tristeza.

— Sinto muito, mas, hoje não, por que a mamãe me pediu para que eu comesse com ela. Você se importa?

— Não. Eu imaginei, ela deve estar sentindo a sua falta.

— Está, e muito. Entretanto, mesmo eu não comendo com você, eu pretendo ficar aqui te fazendo companhia um pouco. Está bem?

— Está ótimo! A minha refeição será muito melhor. – Eu disse dando um meio sorriso.

— Mas agora venha, se não vai esfriar. – Ela disse.

Enquanto eu fechava a porta da ferraria para o almoço, lavava minhas mãos, e tirava o avental, ela servia o meu prato.

— E aí como foi com a sua mãe? – Perguntei a ela curioso.

— Ah, foi ótimo, com direito a lágrimas e tudo. – Ela disse com um meio sorriso.

— Sério?

— Sim, ela ficou muito feliz. Ela sempre torceu por nós.

— Eu sei. Eu fico feliz também.

— E com a sua avó, como foi?

— Nossa, foi bem interessante.

— É mesmo? Por quê? – Agora ela estava curiosa.

— Ela me perguntou assim que eu cheguei em casa.

— Então ela já sabia? Alguém já havia falado com ela?

— Sim, e não. Sim, ela sabia que havia alguma coisa de diferente comigo e que estava relacionado a amor, mas, ninguém havia falado com ela, afinal você conhece madame Lazar! Ela jamais daria espaço para estas coisas. Ela percebeu o quanto eu estou mudado, e ela ficou muito feliz, disse inclusive, que eu posso te levar lá em casa quando você quiser, ela esta muito contente por nós.

— E quem não está? Você precisava ver as meninas.

— Ah, imagino, se foi como com o Cedrico, ele estava radiante!

E nós rimos juntos, ecoando a atmosfera de alegria de todos. Eu comecei a comer, e por sinal a comida estava maravilhosa. Valerie estava em pé ao meu lado, e enquanto eu comia, ela passava os dedos entre meus cabelos. Aquilo era muito bom. Era reconfortante, mas, ao mesmo tempo delicioso, me relaxava, resolvi dizer isto a ela...

— Nossa isto é bom, me relaxa. Adoro os seus carinhos...

E ela retribuiu com um sorriso dizendo:

— Eu simplesmente amo fazer isto, assim também como eu amo... – ela hesitou. – Contemplar você dormindo. – Aquilo foi uma surpresa para mim.

— É mesmo?

— Sim, eu fiz isto a tarde toda no dia em que você dormiu no jardim, e hoje quando eu acordei.

Aquilo me deixou com o rosto queimando e curiosidade ampliou-se dentro de mim.

— O que exatamente você gosta? – Eu a perguntei timidamente.

— Bem, o seu rosto fica angelical, pois, perde as preocupações. Ao mesmo tempo, o modo como seus cabelos ficam desgrenhados, te deixam... como eu poderia dizer? Sensual.

Ela disse a última parte, nitidamente envergonhada, e aquilo me fez rir de nervosismo, então, eu disse em tom de brincadeira, para que ela não percebesse:

— Hum.... Quer dizer que você me acha sensual? – Eu disse, envolvendo sua cintura, mas sem tirá-la da posição em que estava.

— Hum.... Sim, algumas vezes, tentador até demais.

Eu não aguentei e tive que rir, pelo nervoso, e pela carinha que ela fez, de timidez. Mas, eu precisava de mais informações, eu não podia parar ainda.

— E que vezes seriam estas? Será que eu posso saber? – Eu estava queimando de curiosidade.

— Sim, se você atender a um pedido meu. – Eu confesso que eu fiquei, alarmado, o que será que ela iria me pedir? Mas, eu resolvi deixar as minhas reservas de lado, naquele momento, por que era uma oportunidade a mais de saber o que se passava dentro dela.

— Peça o que você quiser.

— Sério? – Bom, eu realmente me alarmei, mas, agora, eu não podia retroceder.

— Sim. O que quiser. – Eu disse com firmeza.

— Eu queria que você não cortasse os cabelos, bom, na verdade eu quero que você o mantenha sempre neste tamanho, eu amo ele assim... principalmente quando está molhado, em que você pelo que parece, bate ele e deixa-o ao natural, você fica... digamos... provocante.

Ela disse isto, muito vermelha, ecoando sua timidez. Foi quando eu percebi, que ela estava começando a me dar às dicas que eu precisava, para ter certeza que estava caminhando na direção certa, em relação a seduzi-la, então, eu resolvi instiga-la para obter mais informações.

— Eu provoco você, Sta. Valerie? Eu não sabia disto, é uma surpresa, estou interessado. Vamos me diga, quando exatamente isto acontece?

Eu disse usando uma voz bastante sedutora, enquanto eu dava um leve aperto em sua cintura. Senti que ela estremeceu, ficando ainda mais vermelha em seguida, mas, eu continuei agindo casualmente para que ela continuasse.

— Vejamos, ... quando você veste a blusa que você usava pela manhã, e por sinal eu a adoro, ela entrou para a lista das minhas favoritas.

Eu não pude deixar de rir, então eu estava certo, aquilo mexeu com ela, fiquei satisfeito com isto.

— Bom vou usá-la mais vezes então, já que você gosta. Eu devo dizer que eu, já tenho outras no mesmo estilo. Mas, eu somente uso-as com casaco, pois, me expõe demais. – Percebi que ela fez biquinho, e perguntei por que, mas, já sabendo a resposta.

— Com casaco? – Ela disse tristonha. E percebo que acertei em cheio.

— Bom, posso usá-las sem, quando estiver com você. Isto te agrada?

— Claro, e muito. – Então resolvi provoca-la mais.

— Por que exatamente aquela blusa te agrada?

Ao ouvir aquela pergunta ela engoliu seco, ficou ainda mais vermelha, e mordeu o lábio inferior. Aquilo mandou arrepios por todo o meu corpo. Como ela estava demorando em responder, acho que medindo ou calculando as palavras, eu disse para encorajá-la.

— Ah, vamos Valerie, seja boazinha, eu desejo mesmo saber. O que exatamente você gosta quando eu estou com a blusa branca?

E eu disse o final da frase quase tocando meus lábios em sua orelha. E ela estremeceu de novo, e ficou visivelmente arrepiada. E roxa de vergonha, pois, eu sei que ela percebeu que eu estava atento as suas reações.

— Hum.... Digamos que... eu gosto da vista que ela me proporciona... – E como eu observei que ela ficou bastante constrangida, e também percebi que ouvi-la pronunciar aquelas coisas, estava provocando reações em mim, eu achei melhor suavizar. Eu já havia conseguido bastante informações, não era certo força-la a este ponto.

— Bom se você gosta tanto assim, eu usarei mesmo, este tipo mais vezes, está bem?

— Sim. – Ela disse já mais tranquila.

— Então está combinado.

Eu disse isto e dei um beijo em sua bochecha. Que ainda estava lindamente vermelha.

Terminei de comer, e enquanto me sentava no sofá da ferraria, ela ajeitou tudo. Em seguida estendi meus braços para ela. E ela sentou-se ao meu lado, foi quando me lembrei do desenho e a perguntei.

— E o desenho?

— Está aqui, eu vou te mostrar, mas, antes eu preciso conversar uma coisa muito séria com você Henry.

Pude sentir que a atmosfera mudou drasticamente e aquilo me assustou, mas, eu não demonstrei, eu precisava ouvi-la.

— Claro, diga o que quiser.

— Antes, nós precisamos acordar alguns detalhes, tudo bem? – Aquilo me deixou bastante preocupado, mas apenas respondi.

— Tudo bem, embora, eu esteja preocupado pelo tom de seriedade seu.

— Realmente o assunto é muito sério, e eu estou me debatendo sobre falar com você ou não. Não por não confiar em você, claro que não é isto, mas, por medo de sua reação. Em parte, por que o assunto envolve a vida de outras pessoas. Mas, meu medo verdadeiramente, é se algum dia você descobrir, e souber que eu já sabia, se iria me perdoar. Estamos começando a construir um relacionamento, que requer confiança, isto tem ficado bem esclarecido entre nós, por causa de nossos medos, nossas histórias, então, por isto, eu senti desejo de compartilhar com você.

Fiquei um pouco confuso, por que se envolvia a vida de outras pessoas o que eu tinha com aquilo, para ela sentir necessidade de que eu saiba?

— Não estou entendendo muito bem, se é sobre os outros, há necessidade mesmo de eu saber?

— Bem, eu acho que sim, porque, querendo ou não você está envolvido e eu também, bom você irá entender o que estou tentando explicar. Mas, antes, você precisa me prometer que seja o que for, isto vai morrer entre nós, e você irá se controlar para não fazer nenhuma estupidez?

Nossa, agora eu estava apavorado de tal maneira que eu não conseguia esconder, a coisa deveria ser verdadeiramente muito séria. E se Valerie, acha que eu devo saber, então.

— Olha Henry eu prometi que eu nunca falaria sobre isto com ninguém, e eu não perdoaria você se você deixasse isto sair daqui, realmente é algo grave.

— Bom na verdade, eu estou com medo de ouvir, deu para perceber que realmente é grave, e se você julga ser melhor compartilhar comigo, eu prometo sim, aconteça o que acontecer, eu manterei segredo.

— Tudo bem então. – E ela começou.

— Envolve o seu pai e a minha mãe. – Eu já estava ficando aliviado, quando eu vi a expressão dela, e percebi que eu não contei a ela.

— Calma, eu soube por ela mesmo que os dois foram apaixonados. Foi em um dia em que ela me deu um conselho sobre eu não desistir de você. Ela me disse que não era para eu permitir que acontecesse conosco o que aconteceu com eles, por não terem lutado pelo amor deles, foi só. – Mas, pela expressão dela, eu sabia, havia mais. – Há mais não há?

— Sim, Henry. E eu só descobri isto no dia em que seu pai morreu, e eu obtive todas as confirmações no dia em que eu e Peter matamos... o lobo, meu pai.

Continuei em silêncio e ela prosseguiu.

— Henry, você sabe por que eu podia ouvir o lobo?

— O Peter me explicou rapidamente, que era por que você era filha dele tinha o sangue dele, a genética dele estava em você, e ela se intensificaria se ele te mordesse, referindo-se aquilo que o Padre Solomon disse, de se intensificar o poder e a imortalidade a cada geração, até se tornar quase indestrutível.

— Você está correto. Eu sempre me perguntava o porque, os meus pais queriam que eu, e não a Lucy me casasse com você. Pelas tradições, ela era a mais velha, não fazia sentido.

— Bom, eu nunca questionei isto Valerie, porque, eu nunca amei a Lucy, mas, você tem razão, até o meu pai e minha avó, eram a favor de você, eles nunca mencionaram Lucy. Mas, por quê? Eu não estou entendendo. E também, eu nunca entendi o fato de seu pai ter matado Lucy que era sua filha, e meu pai, que era seu grande amigo, mas, o meu pai, hoje eu sei por que, por causa de sua mãe, mas Lucy? Nem Peter entendia, pois, ele disse que, por mais possesso que ele ficasse pelo elo que tinha com você ele se controlava.

— Bom... Esta é a pior parte, meu pai matou Lucy num surto de raiva, num momento de descuido, ele me disse que ele se arrependeu, mas, ele não pode se controlar quando ele percebeu.... Quando ele descobriu...

— Descobriu o que? – Meu coração agora estava apertado.

— Quando o meu pai marcou aquele encontro com Lucy, ele se passou por você, por isto Lucy foi, por você. Ele tinha a intenção de oferecer a ela primeiro, por ela ser a primogênita, só que para surpresa, e fúria dele, ela não o compreendeu, ela não conseguia ouvi-lo, falar com ele. Sendo que eu o ouvia. – Então, as coisas se encaixaram em minha mente.

— Lucy não era filha dele? – Eu disse horrorizado. E Valerie respondeu de uma vez.

— Não Henry, não era. Lucy era... sua irmã.

— O QUÊ? – Minha mente ficou uma bagunça, e eu só não caí por que estava sentado. Eu precisava me concentrar para poder pensar direito. Mas, o meu coração estava disparado e minha respiração descompassada pelo choque. – Olhei rapidamente para Valerie, e ela estava assustada.

— Henry, você me prometeu, por favor.

Realmente eu prometi, porém, a coisa era tão hedionda. Mas, só que quando eu estava perdendo a noção do que fazer, Valerie segurou as minhas mãos, e eu olhei para ela novamente e eu pude ver em seu rosto, seu desespero, ela estava com medo de eu trair a confiança dela. Bastou isto, para que eu conseguisse voltar a ter foco.

Valerie se arriscou confidenciando algo grave para mim, por que no fundo ela sabia que eu merecia saber e por que ela confiava em mim, eu jamais poderia trair sua confiança deste jeito, ou eu a perderia de vez. De jeito nenhum, que eu faria isto.

Então, para poder tranquiliza-la, eu busquei forças para me tranquilizar primeiro e disse, retribuindo a intensidade do aperto dela em minhas mãos:

— Fique tranquila. Por mais hediondo e terrível que isto tudo possa ser, eu não trairia a sua confiança. Este segredo morre conosco. Eu só preciso de um tempo para engolir tudo isto.

Então, ela falou algo que me fez perceber o quanto ela sofreu carregando tudo isto sozinha.

— Eu sei, eu fiquei noites e mais noites sem dormir, logo que eu descobri tudo, foi horrível. E de certa forma eu me sinto um pouco mais aliviada por ter podido compartilhar isto com você.

Meu coração doeu por ela, como ela foi forte, e mesmo vendo a extensão da traição de todos que ela amava, ela protegeu seus segredos mais obscuros.

— Obrigado, eu agradeço por ter confiado em mim. E eu estou a sua disposição para que possa sempre fazer isto, por mais pesado e difícil que seja, eu estou disposto a compartilhar seus fardos e estou orgulhoso por você, pelo cuidado que você tem com os que você ama, mesmo eles tendo te ferido tanto.

— Assim, como estou disposta a compartilhar os seus, conciliação, lembra? – Ela disse dando um meio sorriso, e eu senti que ela estava buscando aliviar a tensão.

— Assunto encerrado então. Este assunto. Agora venha cá. — Puxei-a para pertinho de mim, a abraçando, enquanto ela se aconchegava em mim. — Me deixa ver o desenho.

Eu estava disposto a realmente não falar mais nisto, porque, não havia mais nada que pudéssemos fazer a respeito, a não ser, nos atormentar com o assunto. E isto não era justo com Valerie. Ela já havia passado por coisas demais.

Rapidamente a atmosfera mudou, dissipando o restante dos ares daquela conversa terrível. Tudo agora girava em torno do chalé, das mudanças.

Como eu suspeitava, ela havia sido bem generosa, pensando somente em cores e alguns arranjos aqui e ali, como ela era incrível, mas, eu iria fazer muito mais que aquilo, principalmente agora, que eu sabia que ela estava depositando também confiança em mim, ela merecia mais, muito mais. Porém, algumas coisas eu precisava compartilhar com ela, eu não queria correr o risco, de contrariar o seu gosto, afinal a casa era dela.

— Valerie, eu vou ser bastante sincero com você, tenho alguns planos a mais a respeito desta reforma, mas, eu preciso poder conversar com você abertamente sobre isto, pois, eu não quero fazer nada que você não goste. Então, seja boazinha, compreensiva, ouça-me com atenção agora, e entenda que eu realmente quero muito fazer tudo isto para você. E tem me passado pela cabeça que, uma de suas preocupações, está relacionada com o fato de, caso algo venha acontecer, e nossa relação não der certo, você se sentirá em débito comigo. Então, eu vou logo avisando, que mesmo que nós não tivéssemos nada entre nós, e na condição de seu amigo eu soubesse o quanto esta questão do chalé te trazer lembranças te incomoda, eu faria do mesmo jeito. E creio que para qualquer outra pessoa também, mas, é claro que por ser para você, isto torna as coisas ainda muito mais prazerosas. Pois, eu estou fazendo algo para a pessoa que eu amo, e algo que ela realmente deseja. Tem alguma noção do quanto isto é prazeroso e importante para mim? Por favor, eu só ficarei realmente a vontade, de realizar tudo isto, se você me der carta branca.

Ela demorou alguns segundos para responder, e foi possível ver que ela estava ponderando seriamente cada coisa que eu disse, então ela respondeu:

— Tudo bem então, eu te dou carta branca. E no fundo, eu sei que você tem razão, você faria para qualquer pessoa mesmo, esta é sua missão, ser genuinamente bom.

— Uma missão? – Fiquei curioso.

— É, eu tenho pensado um pouco sobre o porquê foi preciso nós sofrermos tanto perdermos tanto, para só então desfrutarmos dos momentos que temos experimentado.

Continuei em silêncio ouvindo atentamente e ela continuou.

— Bom, aí eu comecei a perceber o que Peter disse, a respeito de que agora, as coisas estavam a começando a fazer sentido. Eu tive o meu tempo de tê-lo para mim, eu creio que foi algo necessário para nós dois, a força dele para enfrentar tudo por mim. Eu não posso negar, que eu gostaria sim, que este tempo fosse mais longo. E me perdoe por isto Henry.

Assenti tranquilamente com a cabeça, pois, esta e uma coisa que eu acho extraordinária nela, sua sinceridade e espontaneidade.

— Mas enfim, ele estava lá para matar o lobo, sacrificando-se por mim. Ao mesmo tempo, selando o seu destino no caminho das incertezas, o que por si só, se fosse mais prolongado, causaria mais sofrimentos para ele e para mim, porque não era fácil eu vê-lo naquela condição, e sei também, que ele detestava não poder me dar à esperança de um futuro certo. Por outro lado, eu fui amadurecendo, o bastante, para aprender com os erros dos outros, minha mãe, meu pai, o de seu pai, para que agora, eu pudesse compreender você, seus medos, seus anseios, e poder estar aqui para apoiá-lo. E se Peter estivesse aqui, isto não seria possível. Então, agora, você poder cuidar de mim, podendo me dar à esperança, abrindo caminhos de um futuro feliz, que é muito mais que eu merecesse, ou podia imaginar... E também eu, hoje posso oferecer aquilo que foi sempre ausente em sua vida, carinho, cuidado. Enfim, eu concluí que todos nós temos um papel, uma missão, e eu acredito, que enfim, estamos conseguindo entender isto com clareza.

Ela respirou fundo e prosseguiu:

— Vou tentar ser mais clara: A vida segue seu curso, apresenta seus obstáculos, ora nos dando escolhas, ora não, mas, o mais importante, é não nos fecharmos para as possibilidades, ainda que elas não venham da maneira que esperamos, e isto, eu tenho que confessar, eu tenho aprendido com você. E no mais, devemos fazer o melhor com o que vem as nossas mãos. Assim, eu não posso dizer com certeza o que virá, o que enfrentaremos, mas, uma coisa eu sei. Hoje, nós dois temos recursos suficientes para lidarmos com muitas coisas, e, o mais importante, nós temos... um ao outro.

Fiquei perplexo com tudo que ela me disse, não só por ser a mais pura verdade, mas por ela, conseguir enxergar tudo tão claramente.

Como não amar uma pessoa assim? Como ela pode pensar que não merece o melhor? Ela merece muito mais. Puxei-a para o meu colo, e a abracei profundamente. Aproximei meus lábios de sua orelha e falei.

— Você nunca esteve tão certa, você só está errada em uma coisa Valerie... – E ela me olhava com curiosidade e eu conclui. — Em pensar que você não merece o melhor, você não só merece, como enquanto, eu viver, eu prometo fazer o meu melhor por você! Ela virou de frente para mim, e sorriu, dando-me um beijo cálido, e disse olhando nos meus olhos:

— Assim também, como eu, eu pretendo te dar o meu melhor.

— Fique tranquila, você já faz isto.

Eu disse, para em seguida dar vários beijos em cada parte de seu rosto, finalizando com suas mãos.

— Voltando à reforma, eu tenho algumas sugestões, que inclui acrescentar algumas coisas por comodidade e praticidade para você, e outras para mim, muito embora, eu queira deixar claro, que é você quem decide, a casa é sua. Inclusive, quero perguntar, foi você que deu o nome de casa da árvore? E pretende que continue assim?

— Sim, foi, quando eu era pequena, devido a proximidade daquela arvore do terreno com a casa. Mas, hoje, eu acho que não faz mais sentido chamar assim, mesmo por que, me lembra muito a vovó.

Ela disse este final bem triste, e eu compreendi o quanto ela sente falta dela. Realmente as mudanças na casa seriam muito necessárias. Então, eu continuei...

— O que eu gostaria, é uma bobagem pequena, mas, como tenho a oportunidade de fazê-la ali, se você concordar, eu irei ficar feliz, tenho certeza que você me deixará desfrutar disto. – Percebi que ela ficou curiosa. – Não é nada demais Valerie, já vou explicar. Vamos por parte.

— Sim.

— Bom, eu pensei em acrescentar um ou até dois quartos...

— Mas já não temos dois?

— Sim, este é o ponto, e estão os dois ocupados, ao que me lembra um, é seu e o outro é meu, estou errado? – Ela negativou com a cabeça, e eu dei seguimento. – Como já havíamos combinado que você dará mais acesso a sua mãe, e as meninas a estarem mais presentes, acho que será algo comum eles poderem ficar por lá, dormir lá. Então, alguns quartos a mais iriam ajudar.

— Você está certo. – Eu sorri.

— Eu sei que eu estou. – Eu disse presunçoso. — Tudo bem então, até aqui?

— Sim.

— Um banheiro para cada quarto. — E antes que ela relutasse, fui acrescentando. – Para a privacidade das pessoas. Desejo ampliar os banheiros existentes e fazer um social.

— Por que ampliar?

— Bom, agora entra o que eu gostaria... Eu... gostaria de colocar banheiras nos banheiros dos quartos, só no social que não. Na verdade, não é só por você, é por mim também. Eu sempre sonhei em colocar uma banheira lá em casa. – Como eu já imaginava, ela não entendeu muito bem.

— Então por que você não coloca?

— Vou explicar... Sempre era a minha mãe que adorava estas coisas, e quando ela ainda era viva, não havia como adquirir aqui, pois, aqui não havia onde comprar, nem em outras vilas e nem nas cidades grandes do reino, era um artigo pouco comercializado. Até em cidades maiores, demorava para chegar, enfim, tornava-se inviável. Então, quando se tornou acessível, mamãe já havia morrido. Como o meu pai não liga muito, ele não quis adquirir, e minha avó, achava que era apenas mais um trabalho para ela. Então todas as vezes que reformamos a casa, só mantivemos as coisas como estão. Então, eu achei que talvez você não se importasse de colocar isto aqui. Eu sei que é sua casa, entenda isto como um favor para mim, muito embora você possa negar. – Ela apressou-se em responder.

— Claro que eu não vou negar isto a você Henry, eu só não entendo por que em todos os quartos, poderia ser só no seu. Com todo prazer eu permito isto.

— Bom, esta explicação é bem simples, eu não faria um benefício que só privilegiasse a mim, não mesmo. Você também terá de ser contemplada. Seu quarto na verdade. Ou pelo menos os dois ou nenhum, é o justo. Mas, os outros, é que... na verdade, eu pensei que como os nossos amigos não tem condições de terem acesso a estas coisas, quando estivessem conosco teriam, e sei que você não liga para estas coisas, e que também gosta de compartilhar o que tem. Porém, eu acho que, um item assim, é de uso muito pessoal para ser compartilhado, por isto gostaria de colocar nos quartos onde poderão ficar. Mas o que você me diz? – Ela ficou pensativa, mas percebi seu rosto maravilhado.

— O que eu te digo? Que você é simplesmente maravilhoso Henry, é simplesmente impossível mensurar o quanto você é lindo e bom!

Dizendo isto, ela literalmente me aprisionou em seus braços, me dando um beijo voraz, o que me pegou bastante desprevenido. Eu não tive como ponderar.

Eu envolvi sua cintura com uma mão, enquanto acariciava suas costas com a outra livre. Afinal, por mais que eu me esforçasse para evitar, eu adorava ter contato com ela com seus lábios e com... eu tenho que admitir... com o seu corpo.

Foi quando eu me dei conta que ela estava em meu colo, o que ampliava a dimensão daquele contato, mas eu não conseguia raciocinar direito, ela me beijava com uma intensidade tão grande, devorando cada pedacinho dos meus lábios da minha boca... E quando a sua língua pediu passagem, ela o fez de forma ávida, precisa, seus dedos acariciavam, e puxavam meus cabelos, evidenciando para mim, o quanto ela queria mais daquilo, que ela não queria parar por ali.

Eu estava tentando fazer um esforço enorme para raciocinar, mas, é obvio que eu não conseguia. Calor percorria todo o meu corpo e concentrava-se em minha intimidade, que estava em contato com ela em meu colo. O que fez com que eu sentisse meu rosto em chamas.

A única coisa que eu consegui ter consciência, era dos nossos lábios unidos, de minhas mãos que passeavam hora na sua cintura, hora em suas costas, trazendo-a mais junto a mim, o que ela retribuía, exceto no momento em que ela desceu uma das mãos dos meus cabelos, para o meu peito, acariciando cada pedacinho assim como ela fez pela manhã, como se estivesse memorizando um mapa ao contato das mãos. Porém agora, era milhões de vezes mais intenso. Ela acariciava, arranhava... E eu gemia em resposta em seus lábios. O que a deixava ainda mais ávida. Minhas reações alimentavam as dela.

Aquilo estava me enlouquecendo. Eu sempre soube que a desejava, mas ali, naquele momento, minha ânsia por ela era insuportável, isto era devastador.

Eu estava em uma guerra interna, o meu corpo e o meu coração com todas as suas emoções, desejavam aquilo, mas, a minha mente tentava raciocinar, ser coerente, eu não poderia ceder, não agora, não ainda.

E enquanto eu estava neste dilema, uma onda de extremo calor e eletricidade, irrompeu dentro de mim de maneira súbita, de forma que um gemido alto me escapou, ainda abafado pelos beijos, me deixando extremamente excitado.

Quando, enfim, eu percebi o que estava acontecendo: ela havia desabotoado habilmente quatro botões de minha camisa, e a mesma mão que me acariciava por sobre a mesma, estava ali, em contato direto com minha pele, irradiando chamas vivas por cada centímetro que ela percorria e alcançava, e o beijo tornou-se ainda mais selvagem.

Instantaneamente, eu a puxei para mais perto, como que querendo fusionar os nossos corpos em um só. Uma fome voraz dela, tomou conta de mim.

Eu precisava pensar, eu precisava me controlar, mas, eu não conseguia, não com aquele misto de sensações e emoções que percorriam o meu corpo. O ar faltou e aproveitei o momento para descer meus lábios até seu pescoço, ora mordiscando, ora beijando. Ora um lado depois o outro. Deixando também rastros de beijos molhados. Enquanto ela sussurrava em meu ouvido.

— Henry...

Espasmos de prazer imergiam de dentro de mim, ao ouvi-la pronunciar meu nome de uma forma tão desejosa, tão entregue a mim. Aquilo era muito mais do que eu podia imaginar, e isto era só uma parte, imagina quando estivesse... dentro dela. E eu sussurrei seu nome em seu ouvido:

— Valerie... Hum...

Eu não sei nem como aconteceu, mas, quando eu dei por mim, ela estava sentada ainda em meu colo. Mas de frente para mim com minhas pernas entre as dela, seus joelhos dobrados, de forma que nosso contato agora era ainda mais íntimo, e eu a pressionei ainda mais contra mim, seus quadris se chocaram contra o meu. E nós gememos juntos.

Ela puxou meus cabelos me fazendo encará-la, seus olhos estavam extremamente dilatados denunciando todo seu desejo por mim, tenho certeza que os meus também estavam assim. E eu me senti quente, em chamas, e então, ela desce seus olhos para o meu peito seminu, e morde seu lábio inferior e volta a olhar para mim. Em seguida, ela volta a beijar os meus lábios, e lentamente vai descendo seus beijos molhados pelo meu queixo, pescoço, até alcançar a pele desnuda de meu peito.

Ali ela intensifica seus beijos, enquanto arranha delicadamente a lateral de meu abdômen. E sobe novamente com seu rastro de beijos até meu pescoço, e volta a mordiscá-lo e beijá-lo alternadamente. Então, ela sobe mais um pouco, até alcançar o lóbulo de minha orelha, mordendo-o e sussurrando:

— Henry...

Aquilo é demais, porque, uma onda de desejo muito maior explode em mim e eu me sinto agora ainda mais excitado, e eu volto aos seus lábios para beijá-los, mas, antes, eu mordo suavemente o seu lábio inferior, e ela geme em meus lábios e estremece em minhas mãos, e imediatamente ela aumenta o aperto em meus cabelos e desce a outra mão selvagemente pelas minhas costas arranhando-as mesmo por sobre a camisa.

Todo meu autocontrole, todas as camadas de resistências que eu vinha construindo nestes anos, iam se desfazendo sob as mãos, as carícias daquela linda mulher, que eu amava tanto, que em breve, muito em breve seria minha.... Minha Esposa.

E simples assim, a simples menção daquela palavra em minha mente “Esposa”, foi o suficiente para que eu recobrasse a consciência e o juízo a tempo. Com um esforço sobre-humano, eu consegui segurar os seus braços delicadamente, e conter a intensidade de nosso beijo, de nossas línguas, enquanto, ela suspirava com evidente frustração.

O que me fez dar um leve sorriso, porque, sem querer, eu acabei fazendo o que fazia parte da minha estratégia, dar a ela algo, e no melhor momento, sutilmente deixa-la com desejo de mais. No entanto, desta vez foi inconsciente. Em sã consciência eu jamais faria isto, como não pretendo fazer de novo, porque eu vi o quanto eu estive perto, de permitir que tudo fosse por água abaixo.

Enquanto nossas respirações desaceleravam, e o nosso beijo tornava-se mais calmo, afastei meus lábios dos seus, procurando não perder o contato com os seus olhos. Eu percebi que ela estava triste. Então, eu perguntei.

— O que houve Valerie? – Ela não conseguia me olhar, ao contrário, abaixava o rosto. E não dizia uma só palavra, ela estava muda. Então, eu acariciei o seu rosto. – Fala para mim, o que houve? – Eu realmente não estava compreendendo.

— O que houve Henry, sério? Você está me perguntando isto?

Eu estava confuso, acho que por causa das ondas de emoções que acabei de experimentar com ela, eu estava um pouco desorientado.

— Sim, eu realmente não estou entendendo.

E fiquei chocado quando os seus olhos se encheram de lágrimas, e ela recolheu os seus braços cobrindo o seu rosto com as suas mãos. Senti-me péssimo, porque eu havia a ferido de alguma forma, mas, eu não entendia. O que eu fiz?

Repassei cada ato daqueles momentos em minha cabeça, procurando onde estava a minha falha, e eu só consegui ver que eu havia deixado aquilo ir longe demais, e que, por apenas um milagre, o milagre de me lembrar de que eu a queria, e desejava, mas, a queria muito mais como minha esposa para sempre, é que me permitiu com um tremendo esforço, recuar.

Foi aí que eu me toquei, num estalo, minha mente absorveu. Ela recebeu isto, como uma sensação de que eu não a quero, ela sentiu-se rejeitada.

Oh não! Meu Deus! De novo não, eu havia dado a ela esta impressão de novo, justo eu que odeio, abomino esta sensação, que sofri tanto com a mesma.

Mas, eu havia explicado a ela naquele momento em que apareceu o assunto sobre dormirmos na mesma cama. No entanto, mesmo assim eu entendia.

O sentimento de rejeição, ao mesmo tempo que é terrivelmente intenso, na maioria das vezes ele é irracional, e é capaz de estraçalhar a nossa racionalidade, e o pior, nos leva a construir barreiras emocionais terríveis.

Não. Definitivamente eu não podia deixa-la passar por isto. Desesperadamente eu segurei os seus pulsos fazendo-a olhar para mim, enquanto a puxava para um abraço reconfortante e dizia:

— Você acha que eu não a quero, não é?

Ela simplesmente confirmou com a cabeça em meu ombro, ainda evitando me olhar e falar comigo, aquilo me doeu demais, eu conhecia aquela sensação, aquilo era horrível. Então, eu puxei a sua cabeça, segurei o seu rosto entre as minhas mãos, de uma forma que ela teria de olhar para mim, com aqueles lindos olhos verdes que eu amo tanto, agora tão tristes, imersos em lágrimas.

— Valerie, eu quero, eu desejo demais você! Você não tem ideia de como foi terrível para eu conseguir me controlar. Na verdade, eu tive que reunir todas as forças que eu podia para isto, quando na verdade eu estava prestes a... — E a minha voz era apenas um sussurro. – Nunca pense isto, eu amo você e eu desejo você desesperadamente, você não é capaz de mensurar isto.

Então, eu me lembrei de uma coisa, mas, aquilo era horrível demais de se pronunciar para alguém, mas talvez fosse a única maneira dela compreender que eu estava falando a verdade.

Eu busquei forças, para encobrir a vergonha, mas, eu sabia que meu rosto em chamas me denunciaria, entretanto, eu não ligava à mínima. Naquele momento, o que eu mais queria é que ela entendesse o quanto eu a desejava, e quanto esforço eu precisava fazer para conter o que estava prestes a acontecer hoje.

— Você não sabe o que é passar noites e mais noites tendo que tomar banhos frios pela madrugada para acalmar meus instintos. Meus instintos não, meu desejo por VOCÊ. De te ter em meus braços, de fazê-la minha de todas as maneiras possíveis de se imaginar.

Visivelmente coramos os dois, intensamente.

— Eu te falei a respeito dos sonhos, eles são tão... intensos, e tão... reais, que ao acordar a frustração é enorme. É sério, por isto tanto receio de dormir ao seu lado, por isto, tanto receio por contato mais íntimo, eu a quero demais, mas existem várias razões para eu me comportar assim, por favor, me entenda.

Consegui notar ela agora estava enxergando mais racionalmente. Então, ela me deu um olhar culpado.

— Me desculpa Henry, me desculpa duas vezes, uma por ter tido esta reação, e por eu ter... praticamente atacado você.

Ela disse com um sorriso tímido...

— Na verdade é você quem deveria estar chateado porque, nós, já havíamos falado sobre isto. Mas,... eu não sei o que deu em mim. Sinceramente eu não sei. Toda a extensão de sua bondade naquela fala sobre as banheiras, sua preocupação com o bem-estar de todos. Eu acho a sua bondade algo extremamente singular, incrível. Talvez seja isto, que me encanta em você. Lembra quando você me salvou aquela vez, entrando em frente da flecha que era para mim? E que eu não deixei você, fiquei ali por você, por que estava ferido? Ali, naquele dia, eu tive a plena consciência, do que eu estaria perdendo caso eu abrisse mão de você. Uma vida cercada de cuidados, de carinho, de muito amor e tranquilidade e acima de tudo bondade. Isto é o que mais eu admiro em você. E acho que foi isto. Com aquela fala sua aquilo gritou em mim. E também, talvez...

E ela hesitou visivelmente com vergonha.

— Bom você sabe, que quando conhecemos este aspecto da intimidade, como eu conheço, e isto não é segredo para você, talvez o meu corpo e minhas emoções, estejam... sentindo falta, me perdoe por isto. Acho que você pode me entender. Não consigo explicar melhor.

Ela estava sendo verdadeiramente sincera. Como ela sempre é. Mas, o ponto é que, era só impulsividade ou ela me queria? Agora, sou eu quem preciso saber, e resolvi perguntar.

— Entendo Valerie. Mas, isto me leva a ter uma pergunta, e assim como eu estou sendo sincero e você também, preciso de sua sinceridade nesta resposta também certo? Eu sei que é tudo muito recente, que as coisas estão acontecendo rápidas demais, o que às vezes me assusta também, mas... eu quero, eu preciso saber. Você... me deseja?

Creio que ela previa que eu a perguntaria isto, pois, ela tomou aquela postura que ela sempre tem, quando quer que eu preste atenção e verdadeiramente acredite no que ela está dizendo, ela segurou minhas mãos, aproximou-se olhando em meus olhos e disse:

— Bom, pela experiência que eu tive hoje pela manhã, ao vê-lo com aquela camisa, pela experiência de agora, e pela forma que eu me sinto quando eu vejo você com os cabelos molhados... sim, e muito Henry.

Aquilo me surpreendeu, de certa forma.

— Eu não estou dizendo que eu sei como isto acontece, mas, eu sei que não é algo comum, isso não acontece com qualquer um, o único que despertava isto em mim, era o Peter, mas, mesmo assim, era diferente. Há características suas, que mexem profundamente comigo. Eu não sei explicar, eu só consigo sentir. Mas, de toda maneira, eu sempre achei você um homem lindo. E você é lindo Henry, e desejável. E pelo que eu vejo, desejável demais, a ponto de tirar a sanidade de alguém.

E ela falou aquilo, extremamente vermelha, mas, tomada por certo humor, mas, mesmo assim, aqueceu meu coração, o que fez com que nós dois gargalhássemos literalmente, o que era muito bom, porque, mostrava que o pior havia passado. E houve uma coisa maravilhosa nisto tudo, eu descobri que ela me queria. E que eu era lindo e desejável a seus olhos.

Não era como dizer que me amava, ainda. Mas, sim, já era um gigantesco avanço, e agora, tornava-se mais palpável a cada dia a possibilidade de Valerie realmente vir a me amar, e muito, assim como eu a amo. Isto era tudo que o meu coração precisava para suportar a espera.

— Obrigado por sua sinceridade, e, eu fico muito feliz em ouvir isto de você, e... eu tentarei ter mais cuidado daqui para frente.

Beijei mais uma vez, os seus lábios, dando a ela um abraço apertado e reconfortante, que foi muito bem retribuído.

Ela levantou-se, recolheu as suas coisas e disse:

— Preciso ir, porque você precisa trabalhar. A que horas quer que eu venha para que você me leve?

— Quer ir logo agora? – Eu te levo e lá pelas cinco horas eu vou. – Ela afirmou que sim, porém disse:

— Mas, eu realmente quero almoçar com a mamãe.

— Vamos lá então, eu levo você para almoçar e se despedir de sua mãe, e em seguida te levo ao chalé e volto rapidamente. Vamos.

— Espere.

Ela aproximou-se, de uma maneira muito contida, evitando meus olhos, mas, ainda assim, eu consegui ver, o seu rosto ruborizado. Então, ela fechou os quatro botões de minha camisa e disse:

— Pronto, agora nós podemos ir.

Conduzi-a segurado sua mão até o cavalo. Eu não deixei de perceber o quanto ela está mais hesitante, embora procure demais disfarçar. Assim que eu termino com o cavalo, nós partimos.

Eu procuro manter o clima leve, e casual, o máximo que posso no trajeto.

Me incomoda a ideia de que ela possa perder a espontaneidade, uma característica tão marcante dela, que a faz tão viva, algo que realmente me encanta nela.

Percebo que terei mesmo que aprender a lidar com os meus temores, e meus limites. O que verdadeiramente será um desafio para mim. Mas por ela, tenho certeza que qualquer coisa vale a pena. Afinal, eu a amo!

Notas finais
E aí pessoas o que acharam?