A Garota Da Capa Vermelha - Continuação.

18 PREPARAÇÕES P/O JANTAR-REAÇÕES INESPERADAS-Cap18


Notas iniciais
Olá pessoal, boa noite! Capítulo 18. Este capítulo, traz muitas reflexões, o que nos permite, adentrar no mundo interior de Valerie e Henry. Ótima Leitura!

POV VALERIE

O nosso retorno ao chalé, foi maravilhoso. Conversamos, brincamos. Eu percebia que Henry estava fazendo de tudo, para manter o clima o mais descontraído quanto fosse possível, e senti que era para afastar totalmente o clima de tensão que havíamos experimentado pela manhã.

Eu sabia que, a partir de agora, ele seria bem mais cauteloso do que já é, o que na verdade me deixou um pouco tensa. Como eu iria me comportar?

Realmente eu não agi daquela forma pela manhã prevendo que as coisas ficariam tão intensas, e também, eu não estou acostumada a ser contida daquela maneira. Peter jamais recuou, quando nós chegávamos a este ponto. No entanto, eu entendia perfeitamente que o Peter tinha uma personalidade que funcionava daquela forma. Mas, Henry, não, ele age completamente diferente.

Contudo, tenho que confessar que, este jeito dele, esta forma de ser mais cauteloso, mais contido em algumas coisas, me deixa curiosa, desejosa de buscar e alcançar mais dele. Querendo ou não, ao mesmo tempo isso me deixa receosa, em relação as minhas atitudes para com ele, e também, gera em mim expectativa, por querer mais dele.

Eu não sei. Em muitas coisas, ele é tão aberto, tão acessível a mim, mas, existe uma parte dele, que eu sinto que não quer se revelar, se abrir para mim... e... somente agora, eu consigo me dar conta, da profundidade e extensão dos traumas emocionais de Henry.

Constantemente, eu tenho a impressão de que existe um mundo trancafiado dentro dele, que ninguém mais além dele mesmo, tem acesso.

O que aconteceu entre nós na ferraria a pouco, me dá certeza disto, pois, ao mesmo tempo em que ele demonstrava através de seus gestos, atos, carícias, e a forma em que ele ia cedendo, diante de minhas investidas de tê-lo... ainda assim, eu o percebia relutante, hesitante, era como se realmente ele estivesse lutando para se conter, como se ele possuísse sim, muito mais para me dar, do que aquilo, e fazia questão que eu visse isto, o quanto ele tem para me dar e oferecer.

Com toda a certeza, com Henry eu precisarei ter calma, paciência. Nossa... só de pensar, em tudo isto, sou capaz de enlouquecer. Mas, ao mesmo tempo, não me faz querer recuar, muito pelo contrário, eu quero mais, muito mais. Todavia, aqueles seus limites... Argh.

Mas então, eu me dou conta de que este era Henry. Isto faz parte dele, de sua personalidade, de sua construção como pessoa.

Todos os sofrimentos e as carências que Henry havia experimentado, o fizeram construir enormes barreiras emocionais. E o que é mais interessante é que, nenhuma delas estão relacionas com o que ele pode oferecer aos outros, muito pelo contrário, ele ama se doar as pessoas. Na realidade, elas estão relacionadas com o que ele se permite sentir, experimentar e receber dos outros, principalmente no que diz respeito a afeto e emoções.

É como se ele nutrisse um terror profundo de se entregar a algo, e aquilo ser bom, ou até maravilhoso, ou até mesmo se tornar algo fundamental para sua vida, e de alguma maneira, em algum momento por um motivo qualquer, aquilo ser arrancado de suas mãos.

Tenho certeza que é assim que ele se sente em relação a mim. Aliás, principalmente em relação a mim. Eu percebi, que muitos de seus temores, estavam relacionados comigo. Primeiro, com o medo de não me ter, me alcançar; agora, com o medo de me alcançar para depois me perder.

Esta perspectiva me acertou em cheio. Porque, eu entendi que, conseguir mostrar para ele o quanto eu o queria ou até o quanto eu o amava, quando realmente eu tivesse a certeza que isto fosse uma realidade para mim, iria requerer todos os meus esforços.

Agora, eu compreendo, que Henry não acreditaria tão fácil. Porém, sim, eu estava determinada a isto. Desejar, eu já tinha provas o suficiente de que eu o desejo. Mas, amar?

Eu preciso mesmo descobrir, porque, antes, nem sequer um dia, eu considerei isto, por causa de Peter. Todavia, as coisas estão acontecendo de forma tão rápida, que, eu simplesmente não consigo entender, tudo me deixa confusa.

No entanto, depender dele, sentir falta de sua presença, realmente é algo que eu sinto, e sinto em uma grande proporção, chega a ser algo difícil para eu compreender.

Mesmo agora, sabendo que logo mais, ele estará aqui comigo. É visível o vazio que ele deixa com a sua ausência. E fico imaginando... como seria nos dias que eu estaria fora?

Eu senti vontade de não ir, de desistir. Porém, aquilo seria egoísmo demais de minha parte, porque, Made, está precisando de mim, e também, eu preciso deste tempo, para reorganizar as minhas ideias, e minhas emoções.

E, obviamente, se eu preciso de uma prova, de uma medida de o quanto Henry é importante e necessário em minha vida, e até o quanto é suportável a sua ausência para mim, esta é uma excelente oportunidade.

Todavia, ainda assim, eu resolvi que quero compartilhar com ele a minha relutância em ir, por não querer me afastar de sua presença, e também por... não querer deixar que ele sinta falta dos meus cuidados.

Eu tenho que admitir, aquilo, está fazendo bem a ele, visivelmente. Seu olhar se suavizou, sua expressão está menos preocupada. Ele está até com um ar mais jovem, foi certamente por isto que sua avó percebeu.

Enquanto eu preparava o jantar, eu pensava em tudo isto. Na verdade, há o desejo em mim, de deixar tudo pronto até o Henry chegar, pois, eu quero poder passar mais algum tempo com ele, apenas com ele, antes de todos chegarem.

Eu aproveitei e fui ao seu quarto, preparei o banheiro para o seu banho, para a sua chegada. E me vi pensando em uma coisa, realmente, a solicitação de Henry a respeito das banheiras, verdadeiramente, poderia ser, bem interessante, por que, quando ele estivesse aqui, eu poderia preparar melhor as coisas, para o seu conforto, proporcionando mais relaxamento a ele, depois de uma longa jornada de trabalho...

Meus pensamentos, ao tomarem esse rumo, se encheram de ideias, e quando eu dei por mim, minha mente já havia criado imagens vívidas, de todas, às alternativas, que nós dois, poderíamos experimentar em uma banheira... Meu corpo inteiro estremeceu, com as possibilidades.... E só de pensar nelas... eu me senti quente. Então, afastei rapidamente este pensamento. Desta forma, terminei tudo em seu quarto, e rapidamente saí dali.

Estou feliz, porque, hoje eu farei mais uma surpresa a Henry.

Com esta história da viajem, e também por ocorrer, de às vezes, ele precisar de vir sozinho ao chalé, sem mim. Eu resolvi fazer uma chave extra para ele. Mesmo por que, após ele ter se colocado plenamente solícito para a reforma, há em mim, o anseio em compartilhar de tudo aqui com ele, porque, na realidade, tudo isso só está sendo possível por ele, assim nada mais justo que ele possa usufruir de todas a coisas. Assim, hoje eu tomei a decisão de que eu quero evidenciar isso a ele.

Observei a necessidade de fazer uma chave para minha mãe também, para o caso dela precisar vir aqui, durante o tempo em que eu estiver fora. E, eu quero pedir a Henry que faça o favor de cuidar do jardim e da horta por mim. No entanto, obviamente, eu estou sem jeito de lhe dar trabalho.

Depois de tudo terminado, de forma que os pratos já estavam pré-prontos e só dependiam de ir ao forno ou fogo para aquecê-los, eu notei que já eram 16:30 hs, e estava próximo ao horário de Henry chegar. Assim, preparei o suco das frutas que Henry comprou, e coloquei um bom vinho, para gelar.

Dei uma última olhada em tudo.

A torta de legumes, estava com uma cara ótima. A carne assada, só faltava dourar, o que eu faria faltando poucos minutos para a chegada dos nossos convidados. O arroz estava pré-cozido, e os grãos, estavam prontos, Faltava apenas temperar, assim como, a salada com camadas de rúcula, tomates, cebolas, abacaxi e manga.

A vantagem de se ter um pomar e uma horta, é que se come tudo fresquinho. Os molhos para salada e para os grãos também estavam prontos. Preparei a mesa, e deixei sobre ela, a mini torta, que eu havia preparado para Henry se alimentar, assim que chegasse. Com o objetivo, de não permitir que ele espere para comer, apenas após as sete e meia, horário de chegada marcado para as visitas.

Ao término de todas as minhas tarefas, eu corri ao banheiro, tomei um banho meticuloso. Lavei novamente os cabelos, porque, eu percebi que, o cheiro da comida, havia ficado impregnado nos fios. Escovei cuidadosamente os dentes, passei um delicioso e hidratante em minha pele, que combinava com a fragrância do meu perfume.

Por fim, eu escolhi um vestido que eu tenho, em vários tons de verde e azul. Ele realça demais os meus olhos, porque, ele começa com uma camada mais clara de verde na altura dos ombros e seios, e vai escurecendo até mudar as nuances para o azul e chegar a um turquesa em sua barra, em efeito degrade. Ele era delicado e possuía um lindo decote em V no colo...

Penso em como isto pode ser tentador para Henry, e me permito dar um pequeno sorriso com a ideia.... Calcei uma sapatilha combinado. E sequei os cabelos, troquei os brincos colocando um de pedra azul clarinho. E resolvi colocar também uma tiara.

Ao estar pronta, resolvi fazer algo, pequei a chave que daria a Henry e envolvi-a com uma fita azul em sua extremidade evidenciando claramente que se tratava de um presente. E combinava comigo, com o meu visual.

Quando notei que não havia mais nada a fazer, me percebi ansiosa por sua chegada. E lembrei-me de que eu não havia separado as suas roupas para vestir no banheiro, então, corri até o seu quarto, e ao abrir o guarda roupa, a primeira coisa que eu contemplei, foi a blusa que ele me disse que era do mesmo modelo da branca, só que preta.

Peguei uma calça jeans desbotada cinza, um cinto preto, um par de sandálias que ele trouxe, que pareciam bem confortáveis.

Organizei tudo, pendurando no cabideiro. Agora sim, tudo estava impecavelmente pronto.

Saí do seu quarto, em direção ao jardim, com a chave bem apertada em minhas mãos, para espera-lo sentada ao banco. Antes de sair olhei o relógio, que marcava 17:00 hs. Estava na hora, porque Henry não era de se atrasar.

Sentei-me no banco do jardim, admirando as flores.

Eu não esperei mais que cinco minutos para que os meus olhos conseguissem avistá-lo. Foi interessante ver o sorriso que se estampou em sua face, ao avistar-me também. E sei que foi o reflexo do meu, por que eu estava no mesmo estado, sentia uma alegria plena em vê-lo.

Ele desceu, cuidou de seu cavalo, deixando-o no local que ele passava agora, as suas noites. E ao terminar, veio rapidamente em minha direção...

Como eu não consegui conter mais, o desejo de abraça-lo, corri ao seu encontro, me lançado em seus braços, que já estavam estendidos para mim.

E eu o beijei com veemência, querendo mostrar o quanto eu senti a sua falta, naquelas poucas horas que estivemos separados, e sua resposta evidenciava o mesmo.

Quando nos faltou o ar, ele soltou os meus lábios, para beijar abundantemente cada parte do meu rosto, voltando por último, aos meus lábios novamente.

Afastamo-nos, sorrindo e olhando nos olhos um do outro, e ele me disse como que respondendo aos meus pensamentos, que ecoavam as minhas palavras não ditas:

— Eu também senti a sua falta, muita. – O meu sorriso se intensificou. E imediatamente senti a necessidade de entrega-lo a minha primeira surpresa. Eu estendi a mão que segurava a chave, e disse:

— Para você. – Ele a pegou examinando, mas, ainda não entendendo. Então eu disse:

— Isto é para você. Para que você possa entrar e sair do chalé, à hora que você precisar, considere que é um livre acesso ao seu novo “refúgio”.

Ele ficou tão impressionado, tão admirado, que eu pude sentir que ele não conseguia encontrar as palavras. Então, eu sorri o encorajando, e disse algo que senti muita vontade naquele momento.

— Eu não pedi para você mesmo fazer, porque era para ser uma surpresa. Eu quero que saiba, que ela também, é um símbolo relacionado ao seu livre acesso, para o meu coração, ele está totalmente aberto para você. Para que você o conquiste e tome posse de tudo, absolutamente tudo o que você quiser.

Henry me olhou obviamente emocionado, e surpreso com as minhas palavras, e respondeu:

— Obrigado... muito obrigado meu amor, e eu creio que eu nem preciso mencionar que o meu já é todo seu.... Aliás, sempre foi.

E então, ele disse às palavras que agora eram como música ao meu ouvido, e vê-lo pronunciá-las, traz regozijo ao meu coração.

— Eu amo você Valerie!

Eu simplesmente segurei o seu rosto com as mãos, e o beijei tão docemente...

Quando nos afastamos, mais uma vez estávamos sorrindo. Ele afastou-me um pouco mais, mas, mantendo minhas mãos nas suas. Ele me observou de alto a baixo de uma maneira tão boa, que me deixou quente e, viva.... O que ele percebeu e se conteve, mas disse:

— Você está tão linda! Eu amei o seu visual, principalmente o vestido, está tudo em perfeita harmonia com os seus olhos.

Eu percebi, que discretamente, os seus olhos não desgrudavam do meu decote, e eu me agradei da ideia, pois, se ele podia me provocar, eu também podia provoca-lo, ainda que só um pouquinho.

— Obrigada, isto é para você também. – Eu disse, apontando não só a produção, mas, a mim por inteiro.

— E... tem mais, eu tenho mais uma surpresa para você.

Ele fez uma falsa expressão de alarme, e pegou minha mão que estava estendida e me seguiu no percurso até o chalé.

Ao entrar, eu senti que ele se deu conta dos aromas e...

— Você fez tudo sozinha? Por que não esperou para eu poder te ajudar?

— É simples, primeiro por que eu não queria que você me encontrasse cheirando a comida, e segundo, eu queria aproveitar este tempo que teremos para eu desfrutar de você e de sua companhia, por que, eu fiz mal?

Eu fiz uma cara de preocupação fingida, e ele sorriu acariciando o meu rosto.

— Não. Você fez bem, este realmente é um motivo justo, muito embora, eu goste de ajudar você. Saiba disto.

— Eu sei, mas, o que me lembra.... Eu tenho mais uma surpresa para você.

— Outra? Meu Deus minha lista de debito está se acumulando. – Ele disse esboçando falsa preocupação, e eu ri diante dele, mostrando a mini torta.

— Isto é para você lanchar, para que você não espere até sete e meia sem comer nada.

Ele me olhou feliz, igual a uma criança.

— Torta de legumes! Valerie, eu amo. – Ele disse sorrindo.

— Eu sei, por isto é uma surpresa. Então, venha. Vamos.

Eu disse, conduzindo-o até o seu quarto.

— Está tudo pronto para o seu banho, e, enquanto você se prepara, eu aqueço a sua torta.

Quando eu estava prestes a passar pela porta, ele tomou-me pela cintura, colocando-me de frente para ele.

— Eu amo você Valerie. Você é a melhor coisa que aconteceu em minha vida. Todo o sofrimento, toda espera, toda expectativa, tudo, exatamente tudo, valeu a pena. Eu quero que você saiba que eu faria e passaria por tudo novamente, só pelo privilégio de estar, assim, com você.

Ele me beijou docemente, e eu disse.

— Para mim é que é um privilégio enorme, poder estar aqui com você, mesmo depois de tudo, Henry Lazar.

Eu amava pronunciar o seu nome assim, era forte, poderoso. E, conclui:

— Eu estou aqui por prazer, e por minha própria vontade. Por que eu quero estar com você.

Mais uma vez, os nossos lábios se tocaram, e eu afastei-me lentamente saindo do quarto.

***

Sinto o seu cheiro inundar a casa, quando ele enfim, abre a porta do seu quarto e caminha em direção a mim no sofá.

Ele está simplesmente maravilhoso, com a camisa preta, com o mesmo modelo da branca, e a calça cinza desbotada, e os cabelos levemente revoltos. A cor da camisa parece evidenciar ainda mais, os contornos de seu abdômen, o que me faz morder o lábio inferior, com desejo de tocá-lo, explorá-lo. E só de me lembrar do contado de minhas mãos com aquela região, hoje mais cedo, deixa a minha palma formigando.

Chego-me bem para lateral do sofá, e convido-o a se deitar com a cabeça em meu colo. Primeiro para que ele pudesse relaxar, após um dia de trabalho, e segundo, para que eu pudesse tocar em seus cabelos, ainda molhados, eles estavam exatamente como eu gosto.

Henry, faz isto sem hesitar. Ao sentir o contato de minhas mãos com os seus cabelos, ele fecha os seus olhos, e percebo toda a tensão e cansaço de seu corpo se desfazendo visivelmente a cada toque e carícia que eu lhe proporciono.

Continuo com uma das mãos ainda ali, acariciando os seus cabelos, enquanto a outra desce para seu rosto, toca sua face, logo após, o seu nariz, em seguida os seus olhos, a sua testa. Para enfim, chegar aos seus lábios.

Ele delicadamente segura a minha mão, e começa a dar beijos suaves, por toda a sua extensão, nos meus dedos, logo em seguida, na minha palma, depois no dorso das mãos, e quando termina uma, ele vai em busca da outra que está em seus cabelos, e agora ele começa a fazer tudo de novo alternadamente, ora com uma, ora com outra, depois com as duas, enquanto, ele faz isto, observo-o.

Seus olhos estão fechados, como que para absorver tudo em relação aquele contato sem nenhuma distração, sua respiração é calma, porém, profunda.

Ele suspira levemente, quando termina. E suavemente desce minhas mãos e pousa-as sobre o seu peito, enquanto ainda o observo.

Travo uma luta interior sobre o que pode ser aquilo? Ele conduziu as minhas mãos até ali, mas o que isto significa? Será que eu posso tocá-lo? Não... eu não posso, porque eu não vou conseguir me conter, mas, por que ele fez isto?

Como que percebendo a minha batalha interna, ele delicadamente abre cada uma de minhas mãos, e estende-as com as palmas abertas, bem posicionadas, uma mais acima em seu peito, e a outra, mais abaixo, na altura do seu ventre.

Agora, as minhas mãos estão verdadeiramente formigando, desejando, ansiando por aquele contato.

O seu calor, deixa as minhas palmas quentes e sinto o seu coração acelerado. Mas, antes de mover qualquer dedo, eu me aproximo lentamente de seu rosto em meu colo, e quando estamos com nossos lábios a milímetros de distância, de forma que, as nossas respirações são sentidas um pelo outro, olho-o profundamente, até que ele se dá conta da proximidade e abre os olhos, suas pupilas estão dilatadas pela expectativa.

Então, ele inclina a sua cabeça e fecha o espaço entre nós, me beijando, enquanto envolve o meu rosto com as suas mãos. O beijo é calmo, hesitante. E por mais que eu queira, que eu esteja sedenta por tocá-lo, fico relutante, e quando ele parece se dar realmente conta de que eu não vou prosseguir, ele se afasta um pouquinho, me encara e pergunta:

— Você não quer me tocar? – Contemplo-o por certo tempo, olhando em seus olhos, sentindo o quanto ele está me sondando, então respondo...

— Quero demais... mas... – Eu pondero.

— Mas... — ele me encoraja.

— Mas, eu estou com medo, do que pode acontecer depois, da... sua, não. Da nossa reação... — Ele parece refletir sobre o que eu disse por um momento, então, com uma das suas mãos, acaricia o meu rosto, e me diz:

— Eu não quero que você tenha receio de mim Valerie...

— Eu sei, mas não é só de você, é de mim também.... É que... eu não quero passar por aquilo de novo Henry. – E ele responde:

— Eu sei, e nem eu. — Ele me diz tristemente.

— Então, eu acho que nenhum dos dois está disposto a passar por aquilo de novamente.

Seu rosto se contorce minimamente e vejo passar uma emoção ali: dor.

— Desculpa, eu acredito que, eu aterrorizei você de novo... – Ele me diz com expressão sincera de arrependimento.

— Não Henry, eu entendo.

— Você entende, mas não quer me tocar?

E agora ele afasta suavemente as suas mãos, enquanto levanta-se e senta-se de frente para mim, depois, ele toma as minhas mãos novamente e continua segurando-as.

— Não é bem assim, eu sei que você quer, mas, está receosa e eu sei por que.

Então, ele me surpreende.

— E se eu... e se... e se eu lhe disser que eu quero... e que eu preciso disto... eu preciso de certa forma, aprender a lidar com isto.

— Você quer? — Eu pergunto, pois, aquelas palavras dele me deixam quente...

— Sim eu quero muito, e sei que você também quer, eu sinto isso.

E a verdade é que eu queria mesmo, e queria muito, principalmente vendo-o com aquela camisa, ele dizendo aquilo para mim, me deixava ainda mais desejosa.

Quando Henry percebeu que eu já estava considerando, mas, eu precisava de um incentivo, ele aproximou-se, com os lábios já encostados nos meus, e disse:

— Eu quero que faça Valerie, eu quero sentir os seus toques...

Então, ele encostou os lábios na minha orelha, mordiscando seu lóbulo, e disse:

— Fiquei ansioso por seu toque a tarde toda, meu amor.... Eu não conseguia parar de pensar no efeito que suas mãos têm sobre mim...

E quando eu ia relutar mais uma vez, seus lábios, já estavam nos meus, me tirando os sentidos.

Ele começou suavemente, primeiro colando os seus lábios sobre os meus, e tocando-os com a sua língua, logo em seguida, ele pediu espaço com ela entre os meus lábios, o que eu prontamente cedi, fazendo-o ir de encontro com a minha língua. E ondas de prazer percorriam minha corrente sanguínea, me aquecendo mais ainda, interiormente.

Meu Deus, como isto é possível? Como pequenos gestos dele, são capazes de me incendiar por inteira?

Então, eu não me lembrei de mais de nada, minhas mãos ganharam vida própria, acariciando, apalpando e arranhado toda a extensão de seu peito, deliciando-me em cada reentrância de seu abdômen.

Sua reação era um combustível para mim, ele sussurrava o meu nome, gemia, suspirava, e seus beijos eram intensificados assim como os meus, suas mãos ora estavam em minha cintura apertando-a, ora em minhas costas.

Quando o nosso ar faltou, eu puxei os seus cabelos com uma das mãos, para que ele pudesse me olhar, e ali nos seus olhos, naquele instante, eu pude ver toda a extensão do seu desejo, e também de sua batalha interior.

E eu compreendi, ele estava fazendo aquilo, por mim, ele estava disposto a deixar ruir mais uma barreira que ele tinha, e era por mim, que ele estava fazendo aquilo. Entretanto, outra compreensão, me envolveu também, naquela hora.

Não, este ainda não era o momento, eu quero que ele faça isto, sim e muito. Entretanto, sem receios.

Desta forma, eu fui suavizando os meus toques. E assim, como eu fiz com as mãos, fui beijando cada parte de seu rosto finalizando com um beijo suave em seus lábios. Ele pareceu perceber que a intensidade diminuiu, e parou uma das mãos ao lado de minha cintura, e com a outra, ele acariciava o meu rosto.

— Obrigado. – Ele disse.

— Não, obrigado você, sei que fez isto mais por mim, neste momento.

— Sim, eu fiz por você, mas, acredite, foi por mim também, realmente eu disse a verdade, quando eu falei que, eu senti falta a tarde toda Valerie.

— Bom, eu estou aqui, por você, para você, mas, assim como você, eu te quero inteiro, sem relutâncias e sem receios. Então, eu sei que, ainda não estamos prontos. Mas, existe algo bom nisto, estamos caminhando, prosseguindo.

Ele abre um belo sorriso de amor e gratidão...

— Eu te amo muito Valerie. Obrigado por tudo, por me tocar, por me compreender, pelas surpresas, o tempo para ficar comigo, o vestido, e por sinal você está ainda mais linda. E obrigado por minha torta...

Foi quando nos lembramos juntos da torta, e sorrimos abertamente enquanto nos levantávamos e eu ia em direção ao forno para retirá-la. Mesmo o forno já estando desligado, ele manteve sua temperatura.

Eu servi Henry, e comi um pedacinho. Ela estava uma delícia, e ele parecia bastante satisfeito. Fui até o armário, e ao invés de um copo, busquei uma taça, e ele deu um sorriso malicioso, quando me viu servindo-o vinho.

— Por um acaso você pretende me embebedar Sta. Valerie?

Eu assustei-me com a sua sugestão, mas, depois de refletir um pouco, eu disse em tom de brincadeira, mas, tentando usar a voz mais sedutora que eu conseguisse. Eu fui aproximando-me o máximo de seus lábios, sem tocá-los, e segurando a sua nuca com uma mão.

— Até que não seria uma má ideia, porque, eu poderia conseguir o que eu quisesse de você Sr. Lazar... porém... a péssima desvantagem deste plano, é que amanhã você não se lembraria de nada, e quando chegar “este” momento, eu quero você bastante consciente.

Senti que mesmo em tom de brincadeira, o seu corpo estremeceu e os seus pelos arrepiaram visivelmente, com este gesto e estas palavras. Então, eu recuei, e agi casualmente. E ele voltou a comer enquanto saboreávamos o vinho.

— Tenho algo a te dizer. – Ele me disse já também, em tom casual. — Como precisaremos ver os materiais para a reforma, e como também está na hora de marcarmos as suas passagens, que tal você ir comigo ao vilarejo de Grewnville no sábado, assim, poderemos providenciar, algumas coisas diferentes para o jantar de sábado.

— Eu acho ótimo, a que hora vamos?

— Assim que acordarmos, vou adiantar todos os serviços da ferraria e avisar aos clientes que sábado eu não estarei aqui.

— Tudo bem então, deixarei tudo pronto. – Eu o disse sorridente.

— Bom, aproveitando o assunto, o que acha de a partir de agora, sempre que eu for, você vir comigo?

Eu abri um enorme sorriso, que por si só, já era a sua resposta. Mas, ainda assim, eu fiz questão de responder:

— Eu adoraria Henry.

— Que bom, também será um prazer para mim. Ter a sua companhia. Eu devo comunicá-la então, que sábado faremos uma aquisição. – Eu permaneci em silêncio, esperando. – Uma carruagem, e também um condutor para nossas viagens daqui para frente. – Como acho que ele já imaginava, eu perguntei...

— Mas, você acha que precisa mesmo? – Ele me olhou nos olhos, e respondeu casualmente.

— Sim, por dois motivos, conforto, e para aproveitar as viagens ao seu lado. O que você acha Valerie?

— Se você acha que é o melhor, tudo bem. Agrada-me a ideia de passear ao seu lado também Henry.

— Você nem imagina o quanto agrada a mim.

Então, terminamos de fazer nosso lanche, e ao olharmos o relógio, eram apenas 18:20 hs. Sorrimos por saber que teríamos tempo um para o outro ainda, enquanto eu deixava tudo em ordem na cozinha, ele sentou-se novamente no sofá, e quando terminei, ele convidou-me para estar com ele.

Desta vez, eu aconcheguei as minhas costas e cabeça, em seu colo, enquanto descansava as pernas sobre o sofá.

Fitávamos um ao outro, enquanto conversávamos, ríamos, trocávamos carícias e afetos. E toda a tensão do dia ia se dissipando através daqueles momentos em que desfrutávamos da presença um do outro. Foi quando me lembrei.

— Henry, hoje eu estive pensando...

— Sim.

— E se eu desistisse da viagem?

Eu senti que ele congelou, então, eu ergui os meus olhos para encará-lo, mas, o seu semblante já estava normal. Mas, ficou clara para mim, a sua reação, e eu não me contive.

— Por que você teve esta reação? – Ele me olhou, profundamente pensativo.

— Bem, eu realmente não gostaria que você cancelasse a viagem. Ouça bem, eu sentirei uma saudade imensa de você Valerie, mas, eu acredito, que esta viagem realmente é necessária a você, e te fará bem. E tenho de confessar, que, eu tenho pensado que ela será uma oportunidade de você avaliar as coisas entre nós, como estão os seus sentimentos, e sem a interferência da nossa atual proximidade e também das pessoas, do lugar. E claro, você poderá conhecer uma cidade grande, que por sinal é linda, você vai adorar Livergoorhn, e você prometeu a Made.

Entendi o seu ponto, Henry queria que eu desfrutasse de um tempo para avaliar os meus sentimentos e emoções, eu mesmo considerei esta viagem várias vezes como oportuna para tal.

No entanto, me preocupa saber se ele também precisa deste tempo, se ele também tem algo a pensar e a considerar, então, eu simplesmente perguntei...

— Isto também se aplica a você? Você também precisa pensar ou avaliar algo?

— A respeito, de você? Está me perguntando se.... se eu tenho dúvidas sobre você, aliás, sobre o que eu sinto por você? – Timidamente eu respondi.

— Sim...

— Claro que não Valerie! Eu jamais tive dúvidas sobre você, aliás, você sempre foi a minha certeza absoluta. Eu esperei longos anos da minha vida por você, então, por que eu teria dúvidas agora? Na verdade, eu sei exatamente o que eu quero com você. E não é menos do que me casar com você, e desfrutar de uma vida inteirinha ao seu lado.

Como é bom ouvir estas coisas de Henry, mexe tanto comigo, que eu nem sei explicar. De certa forma ele tinha razão, mas, a sua reação havia me incomodado.

— Tudo bem então, é bom saber.

— Achei que isto fosse claro para você, mas, se não é eu repito: EU TE AMO, VALERIE! Você é toda minha vida.

Por mais que eu saiba e tenha provas, como era bom ouvir de Henry aquelas palavras, que evidenciavam a intensidade dos sentimentos dele por mim.

— Henry?

— Sim...

— Já parou para pensar, se caso você mantivesse o seu posicionamento em sua decisão inicial?

— Qual?

— A de não... me querer mais.

Ele sobressaltou-se e ergueu-me para que ficássemos de frente, segurou com firmeza as minhas mãos nas suas, olhou profundamente em meus olhos...

— Já... e... eu sei, aliás, eu tenho certeza, que eu me arrependeria para o resto da minha vida. Eu não trocaria, o que eu tenho vivido, nestes dias, com você, por nada neste mundo.

Então, não sei por que, duas palavras lutaram por saltar dos meus lábios, e eu permiti:

— Nem eu. – Ele me deu um imenso sorriso de satisfação. Em seguida, abraçou-me e deu um selinho em meus lábios e disse-me:

— Eu amo você!

Enrosquei-me nos seus braços. Muito feliz com o que acabei de ouvir mais uma vez.

POV HENRY

Como era bom passar momentos assim com Valerie, às vezes eu fico tentando comparar o que eu estaria fazendo agora, se eu não estivesse com ela, se ela não estivesse em minha vida.

Com certeza, nada teria sentido ou seria tão importante como tem sido cada segundo ao seu lado. Eu fico impressionado, como alguns minutos ou horas longe dela, podem me torturar tanto. Minha tarde hoje foi insuportável. Ainda mais depois, de ter vivido emoções tão intensas ao seu lado na ferraria.

Eu tenho a impressão de que tudo dentro de mim, está fora do lugar. Bem, na verdade, agora, é que as coisas têm entrado nos eixos. Ter Valerie em minha vida, mudou toda a minha rotina e a minha perspectiva, mas, em compensação, ela deu cor, vida e sentido a tudo. E eu a amo mais a cada dia por isto.

Antes, tudo era muito previsível, controlável. O tempo, os prazos, os horários, as emoções, os sentimentos, tudo. E de certa maneira, isto é muito confortável para mim, ter controle, ter domínio sobre tudo.

Porém, com Valerie, eu sou pego de surpresa constantemente, sou pego despreparado, desprevenido, de modo que eu tenho que repensar todo o meu repertório de ações, reações e comportamentos no geral. Eu tenho que ir me adaptando a cada mudança, aprendendo a improvisar.

E o pior disto tudo, é que por mais assustador que isto seja, e realmente é. Eu estou adorando, pelo fato de também ser libertador. A cada dia, eu tenho sido obrigado a rever os meus conceitos, os meus anseios, os meus medos, as minhas angústias, e a ceder, mesmo diante dos riscos, por ela.

Sem ela eu jamais faria isto, eu jamais arriscaria. Ela me trouxe de volta a vida, a juventude. Ela tem feito emergir em mim, um Henry totalmente diferente, desconhecido para mim, mas, ao mesmo tempo, um Henry que eu estou gostando, pouco a pouco me familiarizando.

Um Henry que eu tenho prazer em admirar. Um Henry que tem prazer em se vestir melhor, em se mostrar, em se cuidar, em se entregar, mesmo que com isto, às vezes, eu tenha que me expor aos riscos. Um Henry vivo, intenso, que na realidade sempre existiu, mas, devido as experiências amargas que eu vivi, foi ficando cada vez mais soterrado, submerso, em um mundo de dores e de receios.

Tudo o que eu tenho contido dentro de mim, escondido a sete chaves do mundo externo, aos poucos, Valerie tem acessado, e trazido à existência. Ela tem sido bastante hábil em fazer isto. E eu sei que não é nada pensado, planejado. É ela, a sua essência, a sua personalidade cheia de vida, que ora se mostra como uma linda menina, e ora se revela como uma poderosa e linda mulher, capaz de me seduzir completamente.

Realmente, eu não culpo Peter por tê-la amado, como ele não amaria? Ainda mais, que ele acompanhou a maior parte do desabrochar de Valerie.

Isto foi exatamente o que eu experimentei hoje, com ela, naqueles momentos, de intimidade na ferraria. Eu vi despertar da linda menina, que tem cuidado de mim, com tanto carinho, a mulher tão formidável e desejável que ela é.

Eu não consigo deixar de pensar, a cada minuto, nas sensações, nas emoções, nos gestos, em como ela consegue me conduzir, em como ela consegue com apenas aquelas lindas mãos, aqueles toques tão intensos, desfazer minhas resistências, as minhas barreiras interiores.

Eu simplesmente não consigo resistir. Hoje, foi necessário um esforço enorme para eu me recompor. Entretanto, depois que a deixei em casa, eu passei a tarde toda, corroído por outro ponto de dúvidas e incertezas.

Eu estava tão certo de que, negar-me em dar o que ela quer, é o melhor para atraí-la a mim, que eu não estava percebendo, que com isto, eu poderia estar machucando-a, ferindo os seus sentimentos. E agora, uma dúvida me consome, e eu me pergunto: eu estou fazendo isto por ela, ou por mim? Pelo meu medo de me entregar, totalmente, neste mar de emoções que ela me faz experimentar, criando inúmeras expectativas, e depois por algum motivo tiver que viver sem isto?

Assim, outra incerteza me atormenta: é melhor arriscar e viver estas coisas ao lado dela, mesmo sabendo que uma hora tudo isto pode acabar, ou nunca experimentar tudo o que eu tenho vivido com ela?

Desta forma, quando eu cheguei ao chalé, eu contemplei que, apesar de tudo, do seu receio por ultrapassar os meus limites, por que sim, em todo o trajeto de retorno quando eu a trouxe, por mais que eu tentasse e ela também, manter o clima leve, ela evidenciava receio, excesso de cautela no agir, no entanto, mesmo assim, ela fez questão de continuar me agradando e dispensando os seus cuidados a mim, nos pequenos detalhes.

Ela fez a torta que ela sabe que eu gosto, preparou tudo para o jantar, sem o meu auxílio, e ainda deixou bem claro, que o seu objetivo, era nos proporcionar um tempo juntos quando eu chegasse. E, como se não bastasse, ela estava completamente linda e cheirosa naquele vestido para mim, me esperando.

Diante de todas estas constatações, eu simplesmente não posso pensar só em mim, em meus medos, o que não quer dizer, que, eu tenha a pretensão de mudar totalmente de ideia. Eu apenas pretendo fazê-la totalmente minha, após me casar com ela. Mas, agora eu vejo, e compreendo, que eu preciso mesmo, aprender a estender alguns limites de contato, por ela.

Obviamente, eu também necessito ser milhões de vezes mais cauteloso, porque, na verdade, eu estou aprendendo a conhecer e lidar com os meus limites agora, com ela. Valerie tem me conduzido a descobrir a mim mesmo, em vários aspectos.

Nenhuma outra experiência antes, me preparou para o que eu estou vivenciando com ela. Todas as outras, foram em função de divertimento, ou para suprir as necessidades do meu corpo. Em parte, por que o meu pai se preocupava com este lado, por eu ser o seu único filho, e por ser homem.

Ele compreendia que eu não nutria verdadeiro desejo por mais ninguém a não ser Valerie, mas, me incentivava, a ter outras experiências, para que fosse possível administrar o estresse de sermos os dois, solteiros em casa. Então, eu não tinha outra opção. E é claro que, eu não me aventurava por aqui, só em outras cidades.

Mas, enfim, o desejo, com Valerie, é algo arrebatador e extraordinário. E eu tenho absoluta certeza que é assim, por que não é só desejo, mas, sim, desejo aliado a amor e alimentado por amor. Isto torna tudo diferente, e especial. Lembrei-me de algo que li recentemente e que faz todo o sentido para mim:

“ Existe uma diferença extraordinária entre Fazer Sexo, e Fazer Amor.

Sexo, proporciona um prazer momentâneo. Fazer Amor não, vai além.

Quando se Faz Amor, cada ato fica guardado com cada riqueza de detalhes,

E com perfeição.

Cada toque, cada palavra, cada gosto, cada gesto, cada cheiro,

Tudo se torna inesquecível.

E a diferença fundamental, Sexo, se faz com qualquer um,

Mas Amor, só se faz com quem realmente se Ama.”

Analisando desta maneira, como me conter, diante de um turbilhão de emoções e sensações, que apenas ela, consegue me fazer experimentar, é quase impossível, e também é insuportável, por que, depois, eu também tenho que lidar com o que ficou em aberto e inacabado.

Quando eu saí do banho, e visualizei as roupas que ela havia separado para mim, meu coração apertou-se, porque ela separou a blusa preta, e eu sei que foi motivada por ser semelhante à branca. Ela havia me dito, que amou me ver na branca. Diante desta compreensão, fiquei perdido em pensamentos. E resolvi, em meu coração, tentar algo por ela, de alguma maneira.

Foi exatamente por isto, que a incentivei a me tocar. E foi imensamente doloroso, presenciar a sua relutância e o seu medo, porque no fundo, eu sabia que aquelas atitudes não condizem com ela, ela estava agindo assim, por minha causa, temendo as minhas reações.

Ainda que Valerie tenha sido flexível em ceder, eu percebi que assim como eu, ela estava mais contida, muito de sua espontaneidade se desfez, e de certa forma, me doeu constatar este fato, contudo, para aquele momento foi necessário aceitar, pois, era o máximo que eu conseguia controlar, e sei que ela também.

Na verdade, eu percebo que, comigo, pelo que eu sou, pelo meu jeito de ser, ela também está aprendendo a conhecer as suas próprias limitações.

Como eu havia pensado antes, com o Peter foi mais fácil, eles não tinham estas restrições, estes limites. Então, realmente nenhuma experiência dela anterior, seria parecida com a de estar comigo. E isto foi o que me trouxe conforto novamente.

Todo este misto de curiosidade e de desejo, limitados por espera e expectativa, ao invés de nos afastar, tem nos aproximado mais e mais.

O único problema, que eu vejo, é que existe uma linha muito tênue que separa estes dois lados, e se eu exagerar, o mínimo que seja, eu posso feri-la, e eu não posso e também, eu não quero, de maneira alguma permitir que isto aconteça, não mais. Então, o que me resta como alternativa é ser extremamente cauteloso.

Perdido em reflexões, eu me assustei quando, de repente, ela se levantou em alerta, mas, logo eu me tranquilizei, porque eu percebi que ela estava com os olhos em busca das horas. Alcançamos o relógio ao mesmo tempo.

— Dezenove horas e dez minutos. – Dissemos juntos.

Então, nós nos levantamos e fomos em direção à cozinha. Ela reacendeu os fogos e o forno. E eu fui ajuda-la a terminar os preparativos finais com a mesa. Então, eu me lembrei.

— Valerie, você chamou a sua mãe?

— Claro, mas ela não virá hoje, apenas no sábado Henry.

— Por quê?

— Ela tem um, compromisso amanhã cedo. E como sabe que ficaremos juntos até tarde, ela achou melhor não vir hoje. Mas, eu prometi mandar um prato para ela, através de Rox.

— Tudo bem então.

Após tudo pronto, e enquanto esperávamos a chegada deles a qualquer momento, puxei-a para os meus braços.

— Ouça, eu quero que você aproveite bastante a sua viajem para cidade de Made. Quero que compre algumas coisas para a “casa nova” e algumas coisas para você, o que quiser, roupas, sapatos. E... – Mas, ela já estava relutando.

— Não Henry, eu irei sim, trazer algumas coisas. No entanto, eu já havia me programado para usar as minhas reservas, com outro objetivo, irei ajudar Made, sei que uma enfermidade gera muitas despesas, e pretendo auxiliá-la, com o que eu posso.

Eu fiquei extremamente orgulhoso em ouvi-la. Valerie acha que eu sou bom? E ela?

— Eu sei, que vai ajuda-la. Mas, definitivamente você não irá nem tocar em suas reservas.

E ela ficou furiosa com o que eu disse.

— Henry, você precisa parar com isto.

Porém, mesmo mantendo toda a paciência, eu me impus, falando em um tom um pouco mais autoritário.

— Não Valerie, VOCÊ tem que parar com isto! Quer dizer que você pode agradar aos outros, se sacrificar pelos outros, e não pode permitir que ninguém, nem as pessoas que amam você, retribuam isto? E no mais, cada um faz as coisas com aquilo que tem e que pode, e sempre cada um procura dar e fazer o melhor por quem ama. E eu posso, eu quero e vou sempre fazer o melhor por você, não me custa nada.

Eu sabia que estas palavras seriam duras, mas eu precisava dizê-las para colocar de vez um fim em suas relutâncias, sobre usufruir do que eu posso lhe oferecer.

— E se você realmente pretende se casar comigo, se tornar minha esposa, eu sinto muito... – Eu disse suavizando o tom agora... – Você terá de aprender a vencer esta barreira e lidar com isto. Ter dinheiro, ter recursos, você sabe muito bem, que não faz diferença alguma para mim. Mas, faz parte do que eu sou, do que é a minha vida. E fará parte de você também. – Eu terminei com as palavras em tom brando. – Eu nunca tive problemas em dividir nada meu. Mas, eu confesso que, nada me agrada mais, do que saber, que a pessoa que compartilhará de tudo, tudo mesmo que eu tenho de melhor, seja, o quer for incluindo, os bens materiais, seja você! Encare isto, como uma maneira a mais que eu tenho de poder agradar você, poder te dar conforto, segurança, poupá-la de privações, faz parte do que sou Valerie, entenda isto. Considere isto como um pacote, que você terá de “suportar” se realmente quiser ficar comigo. E isto é algo tão terrível assim, que faria com que você desistisse de mim?

Pronunciei estas palavras finais com bastante medo da reação dela, que até aquele momento estava muda, olhando fixamente para mim, com os olhos em chamas. Mas, depois de alguns segundos, percebi visivelmente que eles suavizaram.

— Não Henry, é claro que não, mas é que... – ela disse me abraçando novamente e escondendo o seu rosto em meu peito. Mas, eu tomei-o em minha mão, para que ela me olhasse.

— Eu sei que você fica constrangida. E isto só prova para mim, que você é uma pessoa de caráter, e que não está comigo pelo que eu tenho, e esta é uma das coisas que eu amo em você. E certamente só aumenta o desejo que tenho de torna-la minha esposa Valerie. E também de oferecer cada vez mais, tudo de mim. Por favor, não vamos mais brigar por isto, realmente acho que isto não é motivo. E mais uma vez: ainda que, alguma coisa der errado, que nós não nos casemos, eu faria tudo por você do mesmo jeito, pois, cada minuto que eu tenho passado a seu lado, por si só já tem valido a pena. Você mudou minha vida Valerie, você me mudou. Tudo agora tem um novo sentido para mim.

Ela sorriu, acariciou meu rosto beijou suavemente os meus lábios...

— Eu posso fazer isto, por você, então. E você também tem me mudado Henry, e... obrigado por isto.

Então ela deu-me mais um beijo doce. E ao fundo a campainha tocou.

* Este trecho é uma adaptação de uma frase que eu li em uma FIC da loveinchainss (Minha Vida com Peeta Mellark), então por mais que esteja totalmente reformulada a essência da frase está lá, então os créditos vão para ela. Vi que se adaptaria muito ao contexto de Henry.

Notas finais
E aí pessoas lindas, o que acharam?