A Garota Da Capa Vermelha - Continuação.
53 Um Sonho Esclarecedor - Capítulo Bônus.
Notas iniciais
POV SUZETTE
É interessante que, a medida que vamos vivendo, as nossas experiências e construções, nos fazem mudar muito, e resignificar as situações, as circunstâncias, os conceitos, e até a forma de olharmos para essa longa jornada que nomeamos de vida.
Eu não enfrentei uma vida fácil. Eu era totalmente desfavorecida de recursos financeiros e de recursos que pudessem me proporcionar uma mobilidade social.
No entanto, eu vi a possibilidade de isso mudar, quando eu me apaixonei por Adrian. Contudo, por mais que seja difícil acreditar, não era pelos recursos financeiros que ele possuía, mas, por ele ser uma pessoa forte, corajosa, um homem responsável, um verdadeiro provedor.
Isto sempre foi visível nele, pois, seu pai morreu e o deixou órfão cedo, e, ele ainda muito jovem, teve que assumir tudo, os negócios, as terras, a ferraria, os cuidados com a sua mãe.
De uma forma exemplar, ele sempre foi muito dedicado a isto, tanto que a maior parte do patrimônio que os Lazar possuem hoje, e que são administrados por Henry, foi desenvolvido e ampliado por Adrian. E, atualmente, Henry tem dado continuidade a esse legado, com uma habilidade e maestria ainda muito maior.
Enfim, estas qualidades, fizeram de Adrian um homem formidável.
Assim, quando ele revelou o seu amor por mim, eu que já era há muito tempo, atraída por ele, não resisti e a proximidade do namoro, aflorou mais ainda o que eu sentia.
Porém, na época, como toda boa e cautelosa mãe, madame Lazar se preocupou com a nossa proximidade. Na verdade, porque e ela sempre achou que eu apenas queria Adrian, pelo dinheiro. Hoje a entendo, porque, eu também sou mãe. Dessa forma, este foi o grande e real motivo do nosso afastamento.
Hoje eu o entendo. Realmente seria difícil ele ir contra ela, ela era tudo o que ele possuía.
Então, surgiu Cesaire, e como eu estava triste demais por Adrian não ter tido forças para lutar por mim, eu permiti que Cesaire se aproximasse. Nós acabamos nos casando.
Na época, todos perceberam que Adrian se abateu muito com aquilo. Ficou pior, quando ele e Cesaire se tornaram amigos, pois, Cesaire não sabia e gostava demais dele.
Assim, quando Laura surgiu, Adrian viu nela a oportunidade de resolver sua situação, Laura o amava. Ele namorou por pouco tempo e por fim se casou. Laura era uma mulher linda, obviamente ótima esposa e de uma família de nome. Os Seus pais logo morreram e ela era só também.
Aquilo foi um choque para mim. Dia a dia eu definhava. Adrian era tudo para mim, ele foi o primeiro homem de minha vida e o único que alcançou o meu coração de verdade.
Cada dia foi triste, muito triste. Enfim, pouco depois que se casou, Laura engravidou e aquilo só me fez ficar pior. A esta altura, Cesaire ainda não bebia tanto, mas, já bebia, porém, eu sinto que por mais que eu tenha me esforçado muito no início para mantê-lo perto, eu não conseguia ser dele por completo. Eu não poderia, não conseguia. Eu pertencia a Adrian. Como tentei mudar isto, demais. Só Deus que conhece a cada coração no profundo, sabe disto.
Enfim, quando Henry nasceu, no início, vi que Adrian estava maravilhado, mas, ainda no período do resguardo de Laura, creio que motivado pala carência e solidão, pois, agora ela era mãe e precisava dispor de mais tempo para o seu bebê, ele me procurou.
Lembro-me que eu demorei muito a ceder. Mas, era difícil demais, eu o amava muito e o queria mais ainda. Esta era a pior parte, porque, às vezes quando eu procurava visualizar Adrian em Cesaire para submeter-me a ele e a suas necessidades de homem, era a pior estratégia, visto que, a diferença entre os dois, ainda gritava mais, já que Adrian não bebia, a não ser socialmente e além do mais, ele era carinhoso, e muito preocupado com meu bem-estar.
Embora, Cesaire não fosse ruim, ele bebia cada vez mais. Portanto, bêbado, as coisas se tornavam terríveis e como a cada dia, ele passava mais tempo bêbado, aquilo era insuportável.
Dessa forma, por alguns anos, eu segui encontrando-me com Adrien, quando ele me procurava, o que era sempre com cautela, mas, não demorava muito para ele fazê-lo.
Com o tempo, o grau de dependência um do outro era imenso. No entanto, a culpa e angústia me consumia, porque eu sabia que Laura era uma ótima pessoa. Uma mulher incrivelmente doce, sábia, meiga, inteligente, amável, ótima mãe. Eu também sabia que ela amava demais ao Henry. Demais mesmo. E, o Henry, por sua vez desde pequenino, já a amava e defendia com unhas e dentes. Era lindo de se ver.
Madame Lazar, apesar de manter distanciamento de mim, ao ver o filho casado com quem ela aprovava, poderíamos pensar que ficava feliz, mas, quando a via, em seus olhos, eu via a culpa. Ela sabia que Adrian não era feliz totalmente e que o verdadeiro motivo disto, era seu orgulho.
Tanto Laura, quanto Adrian, e até mesmo eu, éramos vítimas de sua intromissão nas escolhas sobre o nosso futuro. Não que isto justifique o meu erro e o de Adrian, claro que não, mas, nós realmente já nos amávamos, isso é um fato.
Entretanto, o mundo dá voltas, e por mais que ela tenha corrido de ter alguém nas minhas condições, em sua família, o seu neto, foi justamente se apaixonar por minha filha. E ali, eu consegui de fato, contemplar o seu arrependimento, porque, desde o início, ela o apoiou. Ela jamais se colocou contra, e por esse motivo, eu a perdoei de verdade, afinal era o futuro de minha filha em jogo, em questão.
Contudo, retornando a minha história com Adrian, nós apenas encontramos forças para nos afastarmos, quando eu engravidei de Lucie. Pela forma que aconteceu, não havia a mínima dúvida de que Lucie era filha de Adrian.
Ele soube, porque, eu o contei, e desse momento em diante ele esforçou-se, ao máximo, para se manter fiel a Laura. Todavia, em seus olhos, eu sempre via a tristeza. Os meus olhares não eram diferentes.
Quando Lucie nasceu, a evidência de que ela era de Adrian era maior, muito maior. Mas, ainda bem que, o era só para mim.
No oculto e no silêncio, ele nunca deixou que faltasse nada a ela, nada. E nem a Valerie quando ela nasceu, mesmo que, nós já não tivéssemos nada e Valerie não fosse sua filha.
Porém, tudo que fica em oculto, toda sequela dos nossos erros, nos coloca sempre, na iminência de sermos descobertos, ou de colhermos as consequências de nossas escolhas.
Logo, quando Lucie cresceu e se apaixonou por Henry, eu me vi desesperada. Portanto, fato de eu perceber o quanto o Henry, desde novo, já amava de verdade a Valerie, porque, era possível ver isto a cada olhar que ele dava a ela, fez-me considerar a possibilidade de aproximá-los.
Era fácil para mim identificar que Henry a amava, pois, a maneira dele amá-la e demonstrar cuidado e afeto, mesmo com toda a sua timidez, lembrava demasiadamente o Adrian.
A diferença muito notável entre a forma de amar dos dois, pai e filho, desde sempre, era que Henry era muito determinado e paciente, ele sempre foi, um fato que manifesta, o quanto ele tem, da natureza de Laura, dentro de si.
Laura, era uma pessoa impressionante. Um episódio que confirmou isso para mim, foi que, pouco antes dela partir, ela me procurou, conversou comigo de uma maneira muito delicada, procurando não me constranger, e me revelou que ela sabia sobre Adrian e eu. Ela me confidenciou o quanto sofreu com essa descoberta.
Entretanto, fui surpreendida quando ela expôs para mim, a sua compreensão de que, todos nós fomos vítimas de uma conjuntura modelada por uma escolha. Ou seja, ela compreendia que a rejeição de madame Lazar, de certa maneira, abriu esse precedente. Surpreendeu-me mais ainda, quando ela me disse que, diante dessa compreensão de todos os fatos, ela nos perdoava.
Com o passar do tempo, o meu desespero cresceu, porque como Lucie era a filha mais velha, geralmente, há o costume, de se casar os filhos, seguindo essa ordem, do mais velho para o mais novo. Portanto, eu sabia que havia um risco, caso houvesse a manifestação do Henry em aceitá-la, ao invés de insistir em Valerie, já que todos percebiam que Valerie, desde pequenina tinha olhos para Peter.
Eu teria sérios problemas, se Henry optasse por Lucie. Até aquele momento, eu não sabia se madame Lazar sabia sobre Lucie. Enfim, eu precisei mobilizar-me e providenciar que, Valerie, mesmo sendo a mais nova, fosse a escolhida, principalmente, porque eu sabia, que ela era a real escolha do Henry.
Então, minha estratégia foi aproximá-los. Obviamente que, eu agi na maior discrição possível, por meio dos amigos que eles sempre tiveram em comum.
Finalmente eu consegui. Todavia, ocorreu toda a reviravolta dos ataques de lobo, a morte de Lucie, o aparecimento de Peter, então, eu perdi o controle sobre tudo.
O envolvimento e o amor de Valerie por Peter, nunca foi bem aceito por mim. Claro que o fato dele não poder dar a ela uma vida muito diferente da minha, contava, mas, havia mais. Sempre houve mais.
O encantamento de Valerie por ele, eu sabia que era devido a ele ter representado todo o apoio e proteção que ela precisava em sua infância, já que a bebida afastou Cesaire do seu papel de pai. E quem mais sofreu com esse fato, foiValerie, ela amava muito o pai.
Eu sempre vi o amor dela por Cesaire, em seus olhos. E, ficava mais perceptível ainda, quando ela o trazia, de volta para casa, sujo e cambaleando, de tão bêbado, após resgatá-lo das poças de seu próprio vômito. Contudo, eu também notava a sua carência e decepção.
Eu sei que eu falhei muito com ela, tanto quanto o Cesaire. Eu tenho a plena consciência que ela sempre acreditou que a minha maior proximidade com Lucie era porque eu a amava mais, mas, isto nunca foi verdade. Era apenas uma questão de eu ter um pouco mais de afinidade com Lucie. Hoje, eu reconheço, que eu nunca fiz nada para mudar isto. E me arrependo profundamente.
Assim, na minha compreensão, todos esses acontecimentos, levaram a Valerie, a se aproximar cada vez mais do Peter e aliando-se ao fato de ele mesmo, acabar fazendo dela, o seu próprio refúgio, diante dos desgostos que vivenciava com o pai, e, o fato dele ter perdido a sua mãe muito novo, e não ter mais ninguém com quem contar, as circunstâncias,foram criando neles, uma ligação muito forte. Um vínculo, um elo.
Era amor sim, claro, eu não posso negar. Mas, um amor da juventude, apenas representativo. Todavia, os laços entre os dois, foi ainda mais reforçado pelo afastamento deles por dez anos e pela minha proibição de ficarem juntos.
Mas, era notória, para mim, a maneira com que Henry mexia com Valerie. Por mais que ela não aceitasse ou admitisse. Valerie sempre foi muito teimosa em suas convicções e isto piorava um pouco as coisas.
Entretanto, eu percebia que não era fácil ela simplesmente afastá-lo, e, que, nas vezes em que ele ofereceu a refúgio, ela nunca hesitou. Vi isto claramente quando Lucie estava sendo velada, em que ele ofereceu seus braços de refúgio a ela, ela prontamente o aceitou. Vi a preocupação clara dela com ele com a morte de Adrian. Tenho certeza que, se Henry não a tivesse afastado ali, tudo poderia ser diferente.
Ficava mais claro ainda, quando o Henry partia, a cada viagem de caça ao lobo, ou para algum treinamento na Guarda, ou até mesmo nas noites de lua cheia em ele que ficava nas rondas na floresta. Valerie se lembrava dele se preocupava com ele o tempo todo. Ela se afligia com o receio de que algo de ruim, o acontecesse.
De alguma maneira, Henry havia deixado algo dele nela, ele já havia acessado uma parcela do seu coração, o que eles precisavam era de proximidade, que só ocorreu com o desaparecimento completo do Peter. Tudo se resignificou a partir dali.
Portanto, uma coisa eu sempre soube, lá no fundo do meu coração de mãe: para que fosse fechado um ciclo de erros, de toda uma geração e maldições fossem quebradas, o futuro de Valerie estava ligado ao Henry. Eu sempre soube disto, e, eu também sabia que muitos obstáculos viriam para impedir. Mas, nada seria forte o suficiente.
Eu passei um dia inteiro pensando nestas coisas. Na verdade, eu tenho passado dias refletindo sobre isso. O afastamento de Valerie e Henry nesta viagem dela a Livergoorn mexeu muito comigo, me desestabilizou, mexeu com as minhas certezas e segurança e me deixou muito angustiada.
Mas, sabe aquela coisa de intuição de mãe, que ama incondicionalmente? Pois, é lá no fundo do meu coração, algo me dizia para continuar confiando, pois, tudo ainda estava sob controle. Mesmo que um caos viesse sobre nós, algo sempre me diz para confiar.
Na verdade, o sentimento de proteção de mãe, falou alto. então, em meio a isto, quando eu não sabia eu poderia fazer, algo surpreendente aconteceu.
No período em que eu estive sozinha em Daggorhorn, depois do embarque de Valerie, após, passar vários dias pensando e pedindo a Deus uma solução para o que vinha me angustiando, em uma determinada noite algo inacreditável aconteceu...
Acordo e a vejo sentada na cadeira do meu quarto.
Ela ainda é a mesma que eu vi pela última vez, com uma diferença apenas: Laura ainda é mais bela!
Todo o seu corpo é envolvido num esplendoroso brilho, o que me dá a certeza de que ela não pertence mais a este mundo.
Levanto-me e sento-me na beira da cama e ela me olha nos olhos o tempo todo, assim que eu estou sentada, ela sorri e diz:
— Olá, Suzette!
— Olá, Laura!
Dou-lhe um sorriso de volta.
— Como você está?
Ela pergunta.
— Bem, e você?
Respondo e pergunto. Ela dá mais um belo sorriso e diz:
— Bem, realmente bem. Acho que não tem coisa melhor do que poder estar de olhos atentos sobre aqueles que amamos.
Olho-a curiosa sem entender, e ela continua:
— Bem, Suzette, eu vim com um objetivo: Henry e Valerie!
Eu a olho profundamente e digo:
— Antes de prosseguir, Laura, eu preciso muito dizer algo...
— Sim, pode dizer. Eu estarei ouvindo atentamente.
Seu olhar era muito sincero e acolhedor. Sempre foi. O que tornava o meu sentimento de culpa por tudo o que aconteceu entre eu e Adrian muito maior, pois, Laura era uma boa pessoa, que não merecia aquilo. Por fim, eu disse:
— Laura, quando você veio até mim, antes de morrer, conversar e disse que me perdoava, eu não entendia muita coisa, entretanto, hoje eu posso compreender muitas. Então, hoje eu quero e preciso pedir: “Me perdoe!”. Me perdoe, por ter me envolvido com Adrian, sendo que vocês já eram casados, me perdoe porque eu tive Lucie com ele, me perdoe por eu ter sido o motivo de vocês dois não terem sido, totalmente felizes, juntos, ainda que houvessem se esforçado! Eu sei que não é justificativa, mas, eu não pude evitar. Eu realmente o amava.
Ela me olha muito solidária e aproxima-se até que toca as minhas mãos, e diz:
— Eu sei, Suzette. Eu sempre soube. Portanto, eu não apenas te perdoo agora, com já a havia perdoado. Pois, se assim eu não houvesse feito, eu não poderia estar onde eu estou, muito menos fazendo o que eu faço. E, é por isto que estou aqui para conversar com você. Nós temos algo em comum, Suzette, algo que nos une para todo o sempre: Henry e Valerie, os nossos filhos. Sei que você sempre sentiu, que a união deles é a chave de algo. E é mesmo, o seu coração não te enganou. Eles nasceram para ficarem juntos, serem um do outro. Mas, como sempre, todo plano perfeito é cercado de obstáculos para se cumprir. A união deles, é sim a chave para se corrigir uma série de erros e se quebrar, de uma vez por todas, algumas maldições. Por isto, eu estou aqui, eu preciso de você. Eu tenho cuidado deles. Isto que eles estão passando agora, está dentro dos planos. Mas, eles precisarão ser fortes pra suportar até o fim. E aí é que nós entramos. Tanto o Henry como a Valerie, ouvem e respeitam os seus conselhos. Então, você precisa manter a fé e a confiança. O que depender de mim, eu farei, mas, há coisas que estão para além de mim. Envolvem escolhas, e você pode abrir os olhos deles sem que represente algo terrível. Pois, você é mãe, está viva, convive e conhece eles muito bem.
Respiro fundo!
Laura veio me propor que uníssemos forças para cuidar dos nossos filhos o Henry e a Valerie, esquecendo de vez, as nossas diferenças. Era um pedido sincero, e envolve os nossos maiores tesouros, e, eu disse:
— Eu fico grata pelo que você está fazendo, Laura, você não tem ideia. Eu quero muito, ajudá-los a ficarem juntos, porque eu enxergo o quanto isto é o correto, o natural. Porém, até o momento, depois do afastamento dos dois, nesta viagem, eu estive com dúvidas, a respeito de qual seria o melhor caminho para os dois, pois, todas estas perseguições, fazem eles sofrerem demais. Eles não conseguem ter sossego.
— Eu sei, por isto eu vim. Para dizer: Não desista! Eles serão muito felizes, nos darão muitas alegrias e orgulho. Eu os amo muito, Suzette. Quero que você saiba que eu amo a sua Valerie, e, eu sei, sempre soube, o quanto você ama o Henry. Eu quero te agradecer por isto.
— Não agradeça, Laura! Não é difícil amar o Henry. Ele tem um coração maravilhoso, é uma pessoa incrível, e, sei que, você deve saber: Valerie o ama muito também!
— Eu sei! A sua filha é uma guerreira, Suzette. Ela é determinada e forte. Olha, o futuro dos dois está muito interligado, mas, não será fácil. Eles passarão por muitas provações. Mas, a de agora, definirá muitas coisas sérias e muito importantes. Eles precisam vencer.
Olho-a com determinação e digo:
— Eu vou ajudá-los, Laura. Eles vencerão!
— Obrigada! Saiba que você não está sozinha.
De repente, uma figura aparece ao lado de Laura, sorrindo para mim. Era o Peter. Meu “queixo caiu” e eu digo:
— Peter, você... você...
Ele me olha, transbordando sinceridade no olhar e diz:
— Sim, eu parti, sim, Suzette. Esta era a única forma para eu conseguir deixar Valerie! Eu a amava Suzette de verdade! Mas, eu estou feliz por estar aqui. Eu posso cuidar deles, do Henry e da Valerie, juntamente com a Laura. Nada me deixa mais feliz.
Olhei-o envergonhada, lembrando-me de como eu o havia subestimado e eu disse:
— Me perdoe. Estou envergonhada pelo tanto que te julguei.
— Eu sei! Eu vejo a sua sinceridade. Você está perdoada. Esqueça isto, nós temos muito com que nos preocupar de agora para frente. Cuide dos dois. Eu e Laura, estaremos sempre por perto.
Ele disse olhando para Laura.
— Obrigada!
Respondo e ele diz:
— Adeus, Suzette!
— Adeus, Peter!
E Laura diz:
— Adeus, Suzette!
— Adeus, Laura!
E quando pisco os olhos, eles não estão mais lá.
***
Acordo com o coração em paz. Contudo, também ciente da minha responsabilidade. Eu preciso ser forte, venha o que vier. Faço o que tenho aprendido a fazer de melhor: Peço forças a Deus...
Eu sei que algo está por vir sobre a Valerie e o Henry, eu não sei exatamente o que é. Eu só sei que, Deus quer que eu confie, não importa o que aconteça e o quanto as coisas se agravem.
De uma coisa, agora eu tenho certeza: um grande amor pode tudo!
Eu sei, sei com toda a certeza do meu coração, que o amor nesta situação de Valerie e Henry é transbordante. Porque, eu amo minha a filha e eu também amo o Henry; a minha filha ama o Henry demais e Henry a ama como a sua própria vida. Laura ama o Henry e cuida dele e Peter ama a Valerie e, por amá-la, cuida dela e do Henry.
O amor incondicional está sobre os dois, em uma dimensão tão grande, que perpassa as muralhas que dão acesso a mágoa e liberam o perdão. Pois, por este amor, em prol dele, Laura me perdoou e perdoou a Adrien. Perdoou a Peter pelos erros do seu pai, inclusive de tê-la matado. Peter perdoou ao Henry, Henry perdoou ao Peter e Peter me perdoou. E eu e madame Lazar nos perdoamos.
Como pode um amor assim não vencer? Impossível. Um amor assim vem de Deus, a pura essência do amor. E, onde Deus está, por pior que sejam as provações, haverá vitória!
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