A Garota Da Capa Vermelha - Continuação.

7 UMA CONVERSA DIFÍCIL – CONTINUAÇÃO - Capítulo 7


Notas iniciais
Olá pessoal, bom dia! Capítulo 7. Ótima Leitura!

POV VALERIE

— Henry, por favor, me responda: o que você está escondendo de mim? — Assim que perguntei, ele me olhou profundamente, talvez surpreso por perceber que eu também o conhecia. – Sei que você tem escondido algo de mim, e a pergunta é por quê?

— Valerie, o que você quer? Você me disse que tem tido sonhos, que crê que eles são avisos, mas onde eu me incluo nisto?

Eu respirei fundo sabendo que ainda que fosse com bastante cautela, eu teria de ser mais clara com Henry, até mesmo para poder experimentar suas reações, pois, algo me dizia que ele não me daria as informações que eu queria muito abertamente. Não por que não confie em mim, mas simplesmente porque por algum motivo, ele não pode, assim como eu não posso compartilhar tudo com ele. Então eu disse:

— Eu sei que você sabe de algo, e por algum motivo não quer compartilhar comigo... – Como exatamente eu previ, apesar de lutar para se manter impassível, percebi tremores em suas mãos, e seu olhar tomou uma proporção muito profunda, era como se ele estivesse lutando com algo em seu interior. – E sei que tem haver com Peter. – Foi neste exato momento que ele vacilou.

— Valerie, eu não sei o que está dizendo.... Você não pode estar acreditando em sonhos, não é mesmo? Seja lá o que for que eles te dizem.

— Será que não posso mesmo, mesmo sabendo que eles me mostram a verdade? Mesmo sabendo que tanto você ou Peter seriam capazes sim, de fazer qualquer acordo para minha proteção, por que, ela está acima de tudo para vocês, até de suas vidas, por que vocês dois me amam, afinal, já não fizeram isto antes?

E como eu imaginava, acertei em cheio, pois, por mais que ele tentasse, ele me olhou apavorado, é claro que tentou disfarçar, mas já era tarde. Eu tinha visto o suficiente.

E Henry sabia, ele sabia que eu vi. Ele também me conhece demais.

— Valerie, não sei o que dizer, a única coisa que sei é que você está certa, por mais que seja difícil e doloroso aceitar, sei que assim como eu, Peter seria capaz de fazer qualquer coisa por você. E sinto muito se isto te decepciona, pois você terá de sobreviver com isto, por que é isto que as pessoas que amam fazem, cuidam e protegem seus alvos de amor. E você sabe disto, por que é isto que você está fazendo pelo Peter.

Por mais que eu saiba que ele não disse aquelas palavras por mal, elas me acertaram em cheio como um soco extremamente dolorido, pois, mais uma vez, eu pude ver de forma crua, a extensão da dor de Henry, ele me amava tanto, que era capaz sim de manter uma aliança com Peter, mesmo sabendo que ele era seu maior rival, e o pior, ele via que eu era capaz de fazer qualquer coisa também por Peter, pois, assim como os dois, eu não tinha opção por que eu amava verdadeiramente Peter, mas, e ele?

Assim, eu não me contive e minhas lágrimas começaram a descer descompassadamente, e uma histeria tomou conta de mim... eu me odiei por isto, pois não era justo fazer Henry ter que ver ou passar por isto, e claro, imediatamente ele estava ao meu lado, me dando conforto, e palavras de encorajamento, mesmo que isto representasse agonizar a sua alma.

Realmente não havia tamanho para o altruísmo de Henry, e ao mesmo tempo, não há tamanho para o meu egoísmo.

— Shhh, calma Valerie, me perdoe pelo que eu disse, por favor, eu só quis dizer que nenhum de nós tem opção. E teremos que conviver com as consequências de nossas escolhas. Perdoe-me se fui tão duro, mas é que é muito difícil para mim.

Ele dizia isto com os braços bem apertados ao meu redor, beijando o topo de minha cabeça, enquanto eu me encolhia em seus braços buscando, conforto, consolo e proteção. Mesmo ciente de que, eu não merecia nada de Henry. E assim, encolhida nos braços dele, fui me acalmando. E como aquele abraço, de forma estranhamente familiar, me trazia paz.

Quando consegui olhar em seus olhos, os meus esforços de me acalmar foram em vão, por que os dele, estavam lutando para conter as lágrimas que estavam se acumulando. E foi aí que percebi, que nem que eu morresse e nascesse de novo, eu não merecia aquele amor.

Após mais alguns minutos assim, olhando nos olhos de Henry, eu me recuperei pelo menos externamente, pois, meu interior, apesar de mais confortado pela segurança de seu abraço, estava um caos. Fui aos poucos, me afastando de seus braços.

— Obrigado Henry, eu nunca vou poder retribuir, o que você tem feito por mim...

— Shhh... – Ele me silenciou colocando seu indicador em meus lábios. – Não posso dizer muita coisa, assim, como você, mas algo posso te dizer, farei sempre tudo que estiver ao meu alcance para te ver segura. Mas, uma coisa você precisa saber... – e pude perceber que ele estava hesitante... – eu nunca vou te querer por compaixão, por mais que eu te ame, não suportaria isto. Preferiria viver minha vida inteira sofrendo sem você, do que um dia ao seu lado por que você tem pena de mim.

Aquelas palavras tiveram um grande impacto sobre mim. Eu jamais considerei minha vida longe de Peter, e este é o maior motivo de meus medos em relação aos pesadelos. Porem, Peter, tem confiado que eu não ficarei só caso algo... eu nem consigo pensar.

Ele tem confiado que eu terei Henry, mas a verdade é que eu realmente jamais o terei, pois, tais palavras, me garantem que ele sempre crerá que se eu algum dia o escolher, é por que não terei opção.

Por mais que saiba que isto é justo, não é algo fácil de experimentar, quando ouvimos tão abertamente. No entanto, eu tenho que conviver com isto, pois, como Henry mesmo disse, “teremos que conviver com as consequências de nossas escolhas”.

Assim, dou um beijo em sua face ainda úmida, e saio.

***

As noites não tem sido fáceis, elas nunca são em fase de lua cheia, pela preocupação em relação a Peter, que me envolve o tempo todo. No entanto, há algo peculiar, especialmente nesta lua.

Muito embora, as meninas sempre estejam aqui em casa, e a conversa, estender-se, muitas vezes pela madrugada. Nas horas que se seguem comigo só, após todas pegarem no sono, passo a maior parte da madrugada em claro, pensando em Peter e preocupada com ele, e também, pensando consideravelmente em Henry. Nas suas últimas palavras dele naquele dia, na ferraria.

Mas, o que leva Henry a acreditar que eu poderia me aproximar dele se algo acontecesse com Peter? Mas aí, assim como um raio, que surge do nada, eu me dou conta do óbvio, aquilo que meus sonhos querem me mostrar: algo vai acontecer com Peter, e ele sabe, Henry sabe, e Peter, vai o procurar se é que já não o procurou para pedir que cuide de mim, que me faça seguir em frente.

E bem na hora que eu me dou conta disto, ouço as batidas desesperadas na porta. Automaticamente, eu sou tomada por uma sensação de dejavú. E, quando eu saio correndo e abro a porta, congelo...

— Cedrico... – olho as horas, a mesma do sonho...

Notas finais
E aí pessoas lindas, o que acharam?