A Garota Da Capa Vermelha - Continuação.

22 CONHECENDO-NOS E PLANEJANDO UM FUTURO JUNTOS Cap22


Notas iniciais
Leia as Notas Iniciais e Finais, são importantes! Olá pessoas lindas do meu coração! Gratidão à: Ju Hutcherson, Bahby, Luli Melo, gabi carvalho, AryCullenJackson, Camila Pinheiro, Biancazaidan, mpneves1, Mylla, Bruu, PSRG. Gratidão também, aos leitores Paulo Cesar, Luli Melo e Camila Pinheiro pelas Recomendações. Capítulo 22. Neste capítulo o nosso casal começam a planejar, compartilhar... Sem mais demoras, ótima leitura! Nos encontramos nas Notas Finais.

POV VALERIE

Ao entrarmos no chalé, Henry continua me beijando por um tempo, um beijo maravilhoso, digno de um casal apaixonado. Em seguida, ele desce-me de seu colo, mas, ainda sem romper o beijo. Enfim, quando nos separamos, ele sussurra...

— Amo você... – Ele diz isto com um lindo sorriso, e eu respondo também com um largo sorriso.

— Tanto quanto amo você Sr. Lazar. – Ele aumenta mais ainda o seu sorriso.

— Preciso de um banho. Eu já volto amor... – Antes de soltá-lo dou inúmeros beijos por todo o seu rosto, cada cantinho dele, na verdade, protelando o momento de me afastar dele. Claro, estava maravilhoso assim... Por fim ele sela minha sessão de beijos com um estalinho em meus lábios e sai...

Enquanto Henry segue em direção ao seu quarto, eu trabalho rapidamente para deixar tudo pronto para o nosso café da manhã. Ainda consigo entrar no quarto, e arrumá-lo caprichosamente.

Coloco as roupas para lavar, guardo as que estão limpas. E quando estou guardando o meu pijama azul, que agora está limpo, lembro-me de alguns detalhes do sonho íntimo com Henry. Mas, rapidamente procuro tirar aquilo da minha cabeça.

Tomo um banho, faço todo o meu ritual de embelezamento rapidamente, alias, tenho observado, que eu estou ficando obsessiva por isto. Na verdade, odeio que o Henry não me veja cheirosa.

Percebo que ele não separou roupas para levar para o banheiro e coloco a sua disposição no cabideiro, uma calça e camisa limpas. Chego até a porta do banheiro e bato para dizer-lhe que suas roupas estão prontas ali.

Quando me aproximo da porta, antes de bater hesito um pouco, mas então, sigo em frente, dou duas leves batidas:

— Henry, amor desculpe, suas roupas estão prontas aqui no cabideiro.

Levo um susto quando a tranca se desfaz e rapidamente seu rosto aparece na porta.

Sinto minha face queimar só de imaginar a cena que estaria atrás daquela porta. E Henry parece notar, porque fica vermelho também.

— Eh... desculpa você amor.... É que... eu estou tão acostumado a você deixar tudo pronto aqui para mim, que eu me esqueci de pegar. Eu estava aqui esperando e pensando no que iria fazer, porque eu sabia que a porta do quarto haviaa ficado aberta e eu não consegui reunir coragem de sair de... de... de toalha. — Ele terminou a frase, roxo.

— Entendi.... Mas, por que simplesmente você não me pediu?

Eu disse eu casualmente, tentando de todas as formas ser leve, ignorando com todo o meu esforço minhas bochechas queimando, e os pensamentos do Henry somente de toalha...

— Bom... É simples, eu fiquei com receio de você achar que eu estou abusando, querendo tudo na mão.

Eu não acredito nisto, como ele pode pensar isso?

— Aff, Henry. – Bufei. – E o que tem isto? O dia que eu não puder fazer algo para você eu falo amor. Bom, mas deixa-me ir, para você poder se vestir. Aqui as suas roupas.

Passei as peças para ele e sai rapidamente, com aqueles pensamentos insistindo para ganhar foco. Ouvi o seu obrigado já virando a porta do quarto. Só que acabo voltando quando ele fecha a porta, para poder pegar a carta.

Preparo o café da manhã no jardim. Forro a grama, com uma toalha. Eu percebo que adorei preparar o café ali ao ar livre. Com tudo pronto tomo a carta, cheia de expectativa por cada palavra...

***

À minha Princesa, e meu Único Amor, Valerie!

Bom dia Amor!

Começo esta carta, dizendo a você, que na verdade, não existem palavras que sejam capazes de expressar com exatidão tudo o que eu sinto por você. É grande demais, intenso demais, e ocupa cada fibra do meu ser, cada célula do meu corpo, e cada cantinho do meu coração.

Nunca pude imaginar, que eu desfrutaria, de uma forma tão maravilhosa, de tudo que temos vivido juntos. Supera a todas as minhas expectativas. De uma coisa eu tenho certeza, você é tudo que eu preciso para ser feliz amor. O maior desejo do meu coração é tê-la como minha esposa. E incrivelmente, agora eu consigo sentir, que isto pode realmente tornar-se verdade! E isto é um alívio para a minha alma, que já esteve em plena agonia por acreditar que isto era algo tão distante de se alcançar.

Amo você minha linda, minha vida, minha princesa, meu grande amor, minha menina, e futuramente, minha mulher.

Amo a sua determinação, sua força, sua alegria, sua vitalidade, sua bondade, seu carinho, seus cuidados, até mesmo, amo sua teimosia. Tudo em você me atrai. Eu fico imensamente feliz por não ter desistido de você, tenho certeza absoluta, que eu me arrependeria para o resto da minha vida.

Obrigado por me amar, por cuidar de mim, por ser quem você é e como você é Valerie. Hoje, eu tenho ainda mais certeza, que você foi feita na medida certa para mim. Tudo que eu preciso para viver, eu encontro em você meu amor. Cada beijo, cada palavra, cada carinho, cada gesto, seu está eternizado em mim com cada riqueza de detalhes...

Eu não poderia mais viver sem você.

Obrigado, por ter entrado na minha vida, e por também querer fazer parte dela para sempre. A noite foi perfeita, assim como cada segundo ao seu lado.

Te Amo, “Meu Tesouro de Valor Único”.

Do Eternamente Seu: Henry Lazar!

***

A cada palavra uma lágrima descia. E o motivo, é por que mais uma vez, eu me dou conta de que aquele homem tão bom e tão maravilhoso é meu, e que muito em breve, o será oficialmente, como ele mesmo diz na carta. E o melhor, todos poderão saber, eu não precisarei esconder, como foi com o Peter. Todos podem ver a minha alegria, a minha felicidade, eu posso compartilhar tudo isto com os que eu amo...

É muito difícil refletir sobre os meus sentimentos por Henry sem pensar em Peter.... Mas não, como uma comparação, mas como uma forma de confirmação de o quanto a vida tem me agraciado.

Com tudo que eu vi e vivi acerca da maldade das pessoas, até mesmo vendo o lado monstruoso do meu pai... Cheguei a algumas vezes, a duvidar da existência de um Deus.

Entretanto, hoje, eu tenho plena certeza que Ele existe, e que Ele sabe realmente o que é melhor para nós. É impossível existir alguém tão bom como o Henry e ter existido alguém tão abnegado como Peter, se não existir um Deus infinitamente bom.

Com Peter eu precisava esconder tudo, ninguém podia saber nada, tudo era apenas entre nós, até o meu casamento com ele seria oficial somente para nós. Obviamente, eu temia demais por sua segurança. Ao passo que ele se consumia, preocupado com a minha.

Não que me incomodasse o fato da nossa relação ser apenas entre nós, eu estava feliz com aquilo, era a forma que nos estava disponível, e eu aprendi com tudo o que eu vivi e com todas as minhas perdas, que há coisas que nós não devemos questionar, porque, não mudará em nada, só trará mais sofrimento, então, eu aprendi, que nestas situações, por mais difícil que seja, o melhor é aceitar.

E foi o que eu fiz em relação ao Peter. Eu vivi cada momento da maneira que eu podia, aproveitando cada parte. Mesmo com todas as limitações. É claro que ele faz falta...

Eu nem consigo imaginar o que poderia ter acontecido comigo se não fosse o Henry.... Por isto insisto em dizer, o Henry realmente é um presente, um bálsamo para todas as minhas dores e minhas feridas, que hoje eu consigo avaliar que, são muitas, uma recompensa que eu jamais julguei merecer...

E a minha maior surpresa, foi e está sendo esta, com a morte do Peter, quando tudo parece estar perdido e sem conserto para mim, milagrosamente Deus me dá a oportunidade de ter o Henry, não que eu mereça, acho que eu nunca vou merecê-lo, de verdade.

No entanto, eu não posso deixar de agradecer, porque eu nunca poderia imaginar que eu poderia estar tão feliz, depois de todas as perdas.

O Henry me trouxe tudo, esperança, amor, expectativa por um futuro. Não que eu não amasse Peter, claro que eu amava e demais. No entanto, o amor que estou descobrindo no Henry e com ele, tem uma dimensão muito diferente, nada se compara...

Como ele mesmo diz em sua carta, em relação a ele.... Faço das palavras dele, minhas palavras, é intenso demais, grande demais e de uma profundidade desconhecida para mim...

As dimensões do meu amor por Henry, são muito diferentes das que eu experimentei no meu amor por Peter. Eu sinceramente, não sei explicar, talvez com o tempo eu venha compreender...

É muito magnífico, de uma imensidão ainda inalcançável para a minha compreensão neste momento. A única coisa que ainda consigo, é sentir. Com toda minha alma, o meu coração e com o meu corpo. Cada centímetro dele.

Perdida em minhas reflexões, somente o sinto chegar, quando já está junto a mim.

Contemplo o seu rosto, e vejo que ele está maravilhado com tudo que preparei, e noto uma mudança em sua expressão quando percebe a carta em minhas mãos e as lágrimas...

Ele senta-se de frente para mim, toca o meu rosto, olhando em meus olhos.

— Ei amor, o que houve?

— E você pergunta? Alegria demais, felicidade demais amor. É tudo tão grande, que não cabe dentro do meu coração, transborda em meus olhos. Nunca vou merecer você Henry. Tenho certeza disto.... Mas, mesmo assim, eu sou grata a Deus por ter me dado um presente de tão grande valor... Eu jamais conseguiria viver sem você agora. Aliás, eu tenho a plena convicção, que só é possível viver, depois de tudo de tanta dor e tanto sofrimento, por que eu tenho você. Te amo demais Henry, demais.... Ainda é incompreensível para mim como, contudo, eu posso sentir em cada parte de mim.

Ele me olha tão maravilhado com minhas palavras, seus olhos também brilham, cheios de lágrimas e a satisfação, que ele está sentido, é evidente em sua expressão...

Ele abraça-me, beijando minha cabeça várias vezes, acariciando minhas costas e os meus cabelos...

— Ah... meu amor, é impossível descrever o que estou sentindo também.... Por mais que eu sonhasse em ter você, eu nunca conseguiria dimensionar antecipadamente, cada coisa que estou sentindo agora, como eu te disse na carta, excede em muito a todas as minhas expectativas. É um universo sem fim... E eu te amo demais também Valerie. E... — Agora, ele me afastava para que, nós pudéssemos mergulhar, nos olhos um do outro. – E amor, eu já te disse e torno a dizer, você merece o melhor. Então, eu quero que você saiba que, eu não estou te oferecendo apenas a mim, porque, eu não sou perfeito Valerie, claro que não. Mas, eu estou te oferecendo o meu melhor, eu me dou a você com todo o melhor de mim. No entanto, eu sei que eu vou errar, sei que eu posso te decepcionar, e morro de medo disto. Todavia, uma coisa eu prometo: que eu vou tentar sempre me corrigir, me aperfeiçoar por você. Eu quero ser exatamente o Henry que você precisa para ser feliz. Mas, eu preciso demais de você para isto, que você me conduza, me sinalize quando as coisas não estiverem de acordo.

Como ele pode dizer isto, ele já é exatamente o que eu preciso... Porém, eu consigo entender o ponto dele, ele não está dizendo apenas a respeito de agora, mas, na perspectiva de um futuro... um futuro, juntos...

— Entendo o que quer dizer amor, entendo que você não se refere somente ao momento presente, mas ao nosso futuro, juntos. E eu prometo, que vou sinalizá-lo sim, mas, peço o mesmo a você amor. Eu também preciso de você... – Ele sorri e me diz...

— Juntos então?

— Sempre.... Para sempre e juntos.... Eu amo você Henry.

Mais uma vez, ele acaricia meu rosto, e eu tomo sua mão beijando-a, enquanto ele me diz:

— Também amo você, para sempre amor... – Ele olha ao redor, para tudo o que eu preparei e... — Oba, temos um piquenique de café da manhã?

— Sim, fiz isto para aproveitarmos o ar livre deste dia lindo. – Ele sorriu.

— Bom, muito bom. E isto me deu uma ideia. – Olhei para ele curiosa.

— Posso colocar uma mesa com bancos aqui no jardim, para podermos fazer isto mais vezes? E servirá também para quando quisermos almoçar ao ar livre também. Que tal, o que você acha?

— É bem legal.

Eu disse, entretanto, sem muita empolgação, e o motivo era o de sempre. Pois, cada adição que fosse feita significava um gasto, e realmente isto me incomodava, eu não ficava confortável com isto, mas também, não queria chateá-lo, muito menos brigar com ele, principalmente por que ficaríamos mais afastados por dois dias. Mas ele, sem dúvidas reparou e disse:

— Percebi que você não ficou empolgada com a ideia. O que foi?

— Nada Henry. – Respondo apenas isso. Eu não quero aborrecê-lo.

— Valerie, você pode me dizer que não quer falar, isto é até aceitável de certa forma, mas, que não é nada, não dá para digerir, está bem?

Eu bufei, eu sabia que devia a ele uma explicação, mas como dar uma sem causar uma briga? Da última vez, ele foi bem rigoroso sobre isto. Percebendo a minha demora ele insistiu.

— Valerie, eu pensei que não tivéssemos segredos um com o outro.

— Ah Henry, eu sei.... Mas... como irei falar o que eu sinto, se eu corro o risco de você ficar chateado comigo?

Acho que eu escolhi as palavras erradas de todo jeito, pois, o seu semblante ficou alarmado e seus olhos arregalados de preocupação.

— Valerie, o que eu fiz para deixar você com esta impressão? Valerie seja o que for, eu preciso rever isto, porque, eu não quero jamais que deixe de expor o que sente. Nunca faça isto. Manter um mal-estar, com receio de se expressar para mim, se eu dei, algum dia esta impressão a você, me perdoe amor. Por favor, eu já disse, eu não quero que você tenha receio de mim, por favor. E sobre conduzirmos um ao outro? Posso errar amor, mas, também eu posso e quero corrigir o meu erro Valerie, conciliação, você se lembra?

E sua voz no final, tinha uma pontada de dor. Então percebi que não teria jeito, teria de conversar sobre isto.

— Tudo bem então. Mas, para eu falar, eu preciso que você me ouça sem me censurar, e depois que eu terminar, nós conversaremos. Pode ser assim?

— Sim, Valerie claro, eu não abrirei a boca, eu prometo. Se for disto que precisa, mas, eu confesso que você está me assustando...

— Bom, eu vou começar dizendo que eu não tenho culpa de me sentir assim, tenho tentado ser compreensiva, mas, não quer dizer que eu não me sinta mal. Perdoe-me.

Bem no momento que eu disse isto, percebi pela sua expressão que a compreensão o atingiu. Mas ele usou a costumeira máscara de serenidade, que comigo não funciona muito mais, porque eu já conheço as suas reações, minimamente. E sei que ele sabe disto.

Quando ele percebeu minha hesitação me encorajou. E a forma que pronunciou suas palavras me pegaram desprevenida.

— Pode falar meu amor, eu quero ouvir o que você sente. E me desculpe se agi de uma forma que retirou de você a sua liberdade. – Ele disse arrependido, acredito que com o tom que usou comigo naquele dia.

— Não Henry, você não fez por mal, e eu entendo. Mas.... Eu realmente não me sinto confortável com isto, me perdoe. Talvez com o tempo eu me acostume... Mesmo por que, eu não quero continuar chateando você com isto, sei que te agrada poder fazer as coisas por mim, e que não considera isto um exagero. Perdoe-me, mas eu simplesmente sinto, por mais que eu não fale, para não te aborrecer. Incomoda-me.

— Eu sei minha querida... — E ele se aproximou mais e beijou suavemente os meus lábios. — Desculpe, porque eu fui muito duro com você aquele dia. Eu não deveria... – Eu o interrompi.

— Não Henry, há momentos que é necessário, eu não fico aborrecida com isto, pois, eu sei que eu sou teimosa, e se você não fizer isto, às vezes, eu acabo não cedendo. Realmente, eu não me importo. Isto até me traz segurança, pois, eu sempre vou poder contar com você para me impor os limites que eu preciso... Eu apenas queria que você soubesse como eu me sinto. – Ele me ouvia, observando-me atentamente.

— Eu fico muito satisfeito, por você me dizer, e repito, nunca esconda o que você sente, de mim, por favor, isto faz parte de uma relação de confiança. Conversando podemos sempre resolver as coisas de forma mais saudável. Tudo bem?

— Sim. Desculpe. – Ele me olhava profundamente, mas, eu pude perceber que ele estava pensativo, avaliando, observando.

— Não precisa pedir. Desculpa-me você também... Bom, o que sugere que eu faça então? Ouça, meu amor, se isto é assim tão difícil para você, não vejo por que prosseguir...

Embora, eu percebesse, um pequeno toque de tristeza em sua voz, pois, eu sabia que ele queria muito fazer aquilo por mim, notei que ele estava sendo muito sincero e cauteloso.

— Veja bem, o motivo pelo qual eu desejo fazer tudo isto, em relação a reformar e melhorar a casa, é você, o seu bem-estar, dar o meu melhor a você. Porém, se você não consegue receber desta forma, o que quero dizer, é que, se com tudo isto, você não se sentir assim, se isto realmente te faz ficar desconfortável, não há por que eu fazer Valerie. Afinal, é a sua casa, amor.

Nossa.... Com esta, Henry me desarmou completamente.... Ele estava colocando os meus sentimentos, acima de tudo, até de sua vontade, do seu bem-estar, pois, eu sei que ele fica muito feliz em fazer as coisas pelos outros, em especial por mim.

Ele estava me dando escolha, e senti que era verdadeiro, se eu realmente quisesse encerrar por aqui, ele estava me dando isto. E isto é tentador, fazer o que eu quero.

Mas... eu sei que eu preciso raciocinar calmamente. Pois, isto, significaria frustrar alguns desejos dele, como: me agradar, ter a banheira, ele foi tão sincero comigo, quando me falou sobre aquilo, e ao mesmo tempo, tão generoso, querendo estender aquilo não somente para mim, como para as pessoas que amamos, e que não podem ter.

Então, eu compreendi. Eu não podia ser egoísta a este ponto, pensar apenas em mim. Em minha perspectiva de sentir isoladamente. Agora eu estou conectada com o Henry, e não á nada que eu faça que não reflita nele, e que ele faça que não reflita em mim.

E pensei em todas as renuncias do Henry por mim, o que ele tem vencido, pouco a pouco, por mim, e pensei: “é mesmo algo tão difícil assim, a ponto de com isto eu tenha que privá-lo de algo que realmente é importante pra ele, que tem feito-o se sentir tão bem?”

Finalmente eu compreendi que não. Não vale a pena. Inclusive, eu estava com vergonha, agora, por não ter conseguido entender isto desta maneira antes. Então, eu fui sincera.

— Bom, Henry. Vou ser muito sincera. Pensando bem, acho que não será tão ruim assim. Eu percebo que eu estou disposta a fazer isto por você. E realmente, isto não é nada, em comparação ao que você tem cedido por mim... – Ele me interrompeu...

— Mas, você já havia chegado a esta conclusão antes Valerie, e, no entanto, recuou. Eu estou começando a achar, que esta, realmente pode não ser uma boa ideia. Ainda que esteja coroada de boas intenções. Ouça bem, se for para eu fazer algo que possa nos distanciar de alguma forma, ou até mesmo te entristecer, não sei. Eu prefiro desistir. Veja bem, realmente eu quero demais fazer isto por você. Muito mesmo, mas, eu quero que você receba isto com prazer. Como um presente, como prova do tanto que eu amo você, e que isto não é nada em comparado ao que você merece...

A cada palavra que ele pronunciava, e agora ele não estava autoritário, ou zangado. De qualquer forma, ele estava com medo, medo de magoar, de colocar qualquer barreira entre nós. Na verdade, medo de me perder.

Ao perceber realmente, o que estava em jogo aqui, que era o amor, a compaixão, o altruísmo do Henry e seus temores mais íntimos. Pois, sei que isto é o que mais dói nele. Finalmente, eu compreendi e verdadeiramente eu cedi. Porque, eu também o amo tanto, que sou capaz de fazer qualquer coisa, ao meu alcance e até além dele, por Henry.

Então, eu o interrompi. Rapidamente fechei o espaço entre nós. Segurei seu rosto entre minhas mãos aproximei nossos lábios a milímetros de distância e olhando em seus olhos eu disse.

— Não, agora realmente eu compreendi, meu coração compreendeu. E fique tranquilo, isto não é motivo, para eu querer deixar você. Jamais. Você não vai me perder. Eu já disse a você. Eu estou aqui, eu sou sua, irremediavelmente e para sempre. Nunca pense isto mais. Eu quero, agora realmente eu quero que você faça isto por mim, por nós. E faça tudo o que você quiser ou sentir vontade.

E no momento que eu estava proferindo aquelas palavras, algo me ocorreu. Como eu não pensei nisto antes? Breve eu e Henry nos casaríamos... E, aquela poderia ser a nossa casa. Por que não? Mas, eu não falaria sobre isto agora, porque eu sabia que seria mais uma longa discussão.

— Amo você Henry, nunca duvide disto, diga qualquer coisa que eu precise fazer para você acreditar, que eu faço. Por favor.

Desta vez, foi ele que terminou de fechar o mínimo espaço entre nós. Ele me beijou furiosamente e desesperadamente. Pude ver todo seu desespero por me perder naquele beijo, e procurei me colocar inteiramente ali.

Como estávamos sentados ao chão, ele pegou-me trazendo-me suavemente para o seu colo, enquanto o beijo tornava-se mais intenso. Porém, houve um momento, que ele parou e se afastou repentinamente a centímetros de mim, para me olhar, e disse...

— Você tem a mínima noção do quanto eu amo você e do que eu seria capaz de fazer por você, para não te perder?

A única coisa que eu consegui pensar, era o tanto que eu o amava, e o que eu seria capaz de fazer por ele, dar minha vida por ele, e entrega-la total e inteiramente a ele. E foi o que eu disse.

— Bom, talvez eu possa dimensionar, se levar em conta o que eu faria por você. Eu daria minha vida por você, meu príncipe... E também a dou a você, total e inteiramente. Sou verdadeiramente sua para que você faça o que quiser...

— Ah meu amor... – Ele disse, aumentando o aperto dele sobre mim. – Eu também dou minha vida por você. E ela já pertence a você há muito tempo. Nunca permita Valerie que qualquer barreira se estabeleça entre nós, ou que qualquer coisa tire a liberdade de você se mostrar para mim, de revelar o que está aqui. — Ele disse isto apontando o meu coração. – E eu prometo que eu farei o mesmo, meu amor. – Então, emocionada, eu respondi:

— Eu prometo. E eu amo você! E por favor, diga-me o que tenho de fazer para que isto fique gravado aqui.

Agora foi minha vez de tocar em seu coração, e como eu gostava de toca-lo, de senti-lo batendo tão cheio de vida, de senti-lo acelerado, quando nossa proximidade era grande como agora. Provocando reações no corpo daquele homem tão belo, tão bom, que eu amo tanto.

Henry me observava atentamente, e ao mesmo tempo estava pensativo, elaborando algo. Depois de alguns minutos ele falou:

— Não meu amor, eu sei que você me ama. E você já me provou que sua entrega é total. E... Há algo sim que você pode fazer, e sei que chegará logo este momento, que é torna-se minha esposa. O que me lembra, está pronta? – Eu sorri imensamente e respondi sinceramente.

— Nunca estive tão pronta e certa disto Henry. E você, está pronto? – Ele sorriu abertamente e disse:

— Para me casar com você? Estive pronto a minha vida inteira. Eu vivi cada dia, cada minuto de minha vida esperando e sonhando com isto Valerie. Agora é minha vez de dizer, nunca duvide disto.

— Eu sei, eu não duvido... – Ele ficou me avaliando pensativo. E percebi que queria falar algo e estava hesitando. Então, eu disse:

— Fale Henry, pode dizer o que você está pensando, eu quero ouvir. – Ele sorriu, por que percebeu o quanto eu já o conheço.

— Você é incrível. Nem que eu quisesse, e eu não quero jamais, eu conseguiria esconder algo de você...

— E com você não é a mesma coisa? – Eu disse a ele.

— Sim, é, e isto prova o quanto estamos conectados e... – Eu o interrompi...

— E não á nada que eu faça que não reflita você, e que você faça que não reflita em mim.

— É verdade. E eu tenho que admitir... eu adoro isto... – Agora sorrimos juntos.

— Eu também. Mas, então me diga... – Eu disse encorajando-o.

— Veja bem, amor, nós já sabemos o que queremos, que é passar o resto de nossas vidas juntos. Então, eu acho que agora, posso perguntar isto a você, eu sempre tive curiosidade, no entanto, eu nunca reuni coragem de perguntar. Mas, se nós estamos planejando uma vida em comum, creio que é hora de falarmos sobre isto... – Ele ainda hesitava e eu o encorajei.

— Claro Henry pergunte o que quiser... – Mas fiquei pensando o que poderia ser? O que não sabemos ainda que o deixa receoso perguntar?

— Bom... sobre filhos. Quais são os seus planos?

Ele disse aquilo muito vermelho, e, acho que eu compreendia o por que, e senti que eu fiquei da mesma maneira, pelo flamejar em minhas bochechas.

E para falar a verdade, havia muito tempo, que eu não pensava sobre isto, porque o futuro com Peter ficou incerto, e com a coisa do lobo, eu tinha o sangue, e Peter também. Então, eu sentia que nós dois, sempre desviávamos o assunto.

Contudo, com o Henry era diferente, eu posso ter um futuro com ele, e é claro que eu queria ser mãe, ainda mais, mãe dos seus filhos. Eu imagino, quão lindos, eles não serão. Então, eu resolvi ser sincera.

— Na verdade, até o momento, eu nunca havia pensado nisto, no sentido literal. Mãe eu sempre soube que eu quero ser... Claro, qual mulher não sonha em ser mãe? Mas, eu sempre procurei evitar alimentar isto... Primeiro por que, comigo e Peter, isto seria uma possibilidade remota já que eu tenho o sangue de lobo, e Peter também o tinha... O que fazia pesar sobre nós a responsabilidade de gerar um ser que poderia se tornar indestrutível, devido a toda aquela história de ampliar o poder a cada geração. Devido a isto, eu sentia que nós dois evitávamos o assunto, pois, não sabíamos nem o que dizer, quanto mais, como lidar com isto. Mas, agora é diferente.... Você me deu possibilidades, escolhas, um futuro. E esse fato, é bem mais do que eu podia, se quer, pensar.... Porém, como as coisas entre nós foram muito rápidas, simplesmente eu não havia pensado nisto. – Fui muito sincera ao dizer cada palavra, mas então, ele perguntou.

— E o que você acha sobre isto em relação a nós então?

— Está perguntando se eu quero ter filhos com você? É isto?

— Sim, basicamente isto. – E senti que ele estava bem apreensivo pela resposta, e compreendi que aquilo também era algo que ele queria muito. Imagino, para alguém como Henry, cujo sua vida inteira sonhou se casar com uma única pessoa, que sou eu, quantos planos não deve ter feito? O quanto não pode ter sonhado? E vi naquilo mais uma oportunidade de provar a ele o quanto eu o amo, e o quanto eu estou disposta a fazer por ele. E falei com todo o meu coração...

— É claro que eu quero Henry, seria uma dádiva para mim, poder ter filhos seus. Eu sempre quis sim ser mãe, e por muito tempo, eu nem considerei mais esta possibilidade, e agora você sabe por que. Todavia, neste caso, com você? É claro que eu quero e desejo ser mãe dos seus filhos... E imagino que eles serão lindos, de todas as maneiras, a começar pelo coração que terão, quero que eles sejam iguaizinhos a você. Seria um presente para mim, depois de tudo.

Mas aí eu me dei conta, ele me perguntou, mas, ainda não havia falado dele, e será que esta história do meu sangue de lobo não o incomodava? Aí agora, eu estava curiosa.

— Mas e você, e esta história do sangue de lobo que eu tenho, não incomoda você?

E nesta hora, eu fitei-o com profundidade, foi quando percebi que seus olhos estavam banhados em lágrimas.

— Henry você está bem?

Ele esperou mais alguns minutos, com olhos fechados e senti que estava lutando para encontrar a sua voz.... Então, por fim, ele abriu os olhos e disse:

— Se eu estou bem? Eu estou ótimo, só estou muito feliz e claro, muito emocionado... E como eu não estaria amor, com tudo o que eu acabei de ouvir de você? E se eu quero ter filhos com você? Foi sempre o meu segundo maior sonho, porque o primeiro sempre foi me casar com você, minha princesa! Mas eu confesso que a sua resposta me pegou desprevenido, e obrigado por isto, por sua sinceridade, por suas palavras... E com relação ao sangue de lobo, não me incomoda de maneira alguma. Primeiro, porque não foi escolha sua, e segundo, você não tem nenhuma herança viva para passar esta maldição por mordida. E terceiro, no caso de outro lobo vir a querer morder você ou a criança.... Na verdade, qualquer um de nós corre este risco, mas, antes de chegar até você ou qualquer um de nossos filhos, teria que passar por mim duplamente, pois, além de ter a responsabilidade de proteção da minha família por ser pai e marido, sou também o guerreiro deste vilarejo, o que me compete também a responsabilidade de os proteger, meu amor.

Aquelas palavras do Henry, ao mesmo tempo me trouxeram, conforto pela segurança que ele me trazia e desespero. Pois, o que é óbvio e real, e está na minha frente neste momento e eu não tinha me dado conta me atinge.

Henry agora levava uma vida de riscos também. É claro, que não havia riscos de lobo naquelas regiões, pelo menos por enquanto, mas, poderia existir, e eu fui tomada por um terror horrível. Pois, a noção de que algum dia eu poderia perde-lo, foi demais para mim, me destroçou por dentro. E as lágrimas jorraram. Henry a princípio, não entendeu e ficou alarmado. Apavorado.

— Valerie, o que houve? O que eu disse? Amor o que você tem? Calma minha querida, o que houve?

No entanto, demorou muito para eu conter os soluços, e eu fiz sinal com a mão para que eu esperasse, enquanto eu o abraçava intensamente. A dor por todas as perdas, naquele instante atingiu-me num solavanco, ampliadas pela possibilidade de algum dia perde-lo.

Era engraçado, por que há poucos minutos atrás, eu o estava consolando a respeito da possibilidade de me perder, como as coisas mudam.

Ele me consolava, passava as mãos em meus cabelos e acariciava as minhas costas, e realmente eu senti tanto conforto, e tanta preocupação, emanando dele. Motivada por isso, eu fui arranjando forças para respondê-lo, pois, imaginava que a esta altura, o seu desespero para entender era enorme.

— Me desculpe por isto amor... mas, é que eu não havia me dado conta dos riscos que você corre como guerreiro, e... a perspectiva de... perder você... – E eu não consegui terminar...

O choro veio, acompanhado de uma onda horrível de histeria, pois, se já era horrível sentir, era pior ainda falar, tornava tudo mais real.

E Henry foi me consolando e acalmando, enquanto dizia em meu ouvido...

— Acalme-se Valerie. Eu estou aqui. Eu terei cuidado. Eu não vou te deixar amor... – E ficamos assim por um bom tempo. Até que por fim, eu consegui me acalmar.

— Perdão mesmo por isto. Eu estou um pouquinho melhor agora.

Henry me olhava com tanto amor, como ele podia não acreditar que eu o amo? Se ele pudesse sentir a dor que eu senti. Foi quando eu me lembrei, hoje mais cedo ele sentiu. E ele parecendo entender o que eu estava pensando disse.

— É insano não é mesmo? Chega a ser irracional. A dor que nos dá o simples fato de imaginar perder alguém que amamos tanto? – Demorei um pouco para compreender o sentido do que ele acabou de dizer. E quando entendi, eu disse.

— Então você acredita mesmo agora? Que eu amo você... de verdade e muito? – Ele me olhou, e agora, com os seus olhos repletos de lágrimas.

— E como eu poderia não acreditar? Depois da dor que eu vi e senti em você, pelo fato de você apenas imaginar a possibilidade de me perder. Eu acredito meu amor, que você me ama, assim como eu também te amo. E muito em breve você será minha esposa e futuramente mãe dos meus filhos. Porém eu preciso dizer que, eu gostaria que esperássemos um pouquinho para tê-los, se você concordar, é claro. Pois, eu demorei demais para conquistar você. Então, eu confesso que eu ainda não estou preparado para dividi-la. E por sinal, eu quero pelo menos uns três filhos, já que eu não soube o que é ter irmãos e sempre sonhei com uma família grande e com uma mesa cheia, acho lindo isto. Mas, e você quantos você quer?

Percebi que o Henry, estava usando sua formidável habilidade de ser casual para desfazer climas de tensão, mas, isto não retirava a sinceridade das suas palavras.

— Que bom, que enfim você acredita, amor. E bem, eu quero quantos filhos você quiser, eu gostaria de esperar um pouco também, quero ter um pouco mais de tempo, cuidando somente de você. Eu, simplesmente amo fazer isto. Mas, eu tenho de compartilhar uma coisa.... Que eu sempre desejei, algum dia ter gêmeos, acho uma graça... – Henry sorriu tão gostosamente, ele ficou tão lindo.... Não pude deixar de pensar MEU LINDO!

— Nossa Valerie, eu também. Até nisto nós combinamos. Imagina só uma menininha e um menininho, eu ficaria muito feliz se eles todos parecessem com você, seriam formidavelmente lindos... – Eu o interrompi agora sorrindo junto com ele.

— Eu discordo, acho que seriam muito mais lindos se puxassem a você, o MEU LINDO.

E comecei a sorrir verdadeiramente e fui retribuída a altura. E aquela sensação de paz e plenitude que eu tenho começado a experimentar desde que eu estou com o Henry, me inundou naquele momento.

Então, eu empurrei levemente o seu peito, de forma que ele se deitasse na grama, e pela posição que eu estava em seu colo, consegui me posicionar em cima dele ao cair, com o corpo totalmente colado ao seu e de forma que minha cabeça repousasse em seu peito bem em cima do seu coração.

Eu fiquei um tempinho ali, escutando, sentindo o quanto ele se acelerava, tenho certeza que, pela proximidade, contato e expectativa. Como tenho certeza que ele podia sentir o meu. Henry permaneceu acariciando as minhas costas e os meus cabelos.

E em um determinado momento, eu ergui a cabeça apoiando-me com as mãos em seu peito. E fiquei ali olhando o seu rosto, contemplando aquela linda visão. Daquele homem que eu amo tanto, que passou por tantas coisas para alcançar o meu coração, quem diria que um dia eu poderia amá-lo de uma maneira tão esmagadora?

— Eu amo você Henry. E não me canso de dizer.

— Eu também amo você Valerie e tenho o prazer de dizer e repetir sempre.

Algo me ocorreu naquela hora, mas fiquei ruborizada só de pensar, e senti pelas minhas bochechas, e fui confirmada pela mão do Henry, que desceu do meu cabelo e foi até o meu rosto. Então, ele perguntou:

— No que você está pensando?

Eu sabia, eu tinha certeza que ele faria isto. E sei que não teria como escapar. Então, eu disse da maneira mais leve que consegui, ainda olhando seus olhos, mas, com o rosto queimado mais.

— Você não acha engraçado, como temos facilidade de falar sobre filhos.... Quando na verdade nós nem...

Não consegui concluir, todo o meu corpo agora estava quente e o rosto em chamas vivas de constrangimento, e o Henry, roxo literalmente. Acho que, o que deixou a situação mais desconfortável ainda, foi à posição e proximidade em que estávamos.

E a esta altura eu havia enfiado o meu rosto em seu peito, afundando-o em sua camisa.

Henry esperou um pouco, acho que para se recuperar, e quando segurou meu rosto com uma mão para olhá-lo, ainda estava vermelho, mas, bem menos.

— Você realmente quer muito isto, não é?

Como ele pode me perguntar aquilo? E ele não quer? Será que ele acha que eu não percebo suas reações?

Acho que ele percebeu as minhas interrogações. Porque, disse:

— Bom, eu me expressei mal... Eu também quero, mas claro, eu sempre convivi com estes limites, então, de qualquer forma, por mais difícil que seja, eu tenho me preparado para esperar. Mas, eu sei que não está sendo fácil para você. Mas, eu quero que saiba amor, que também não é para mim. Por isto eu perguntei.

Resolvi que aquele era o momento de falar abertamente, e ignorei cada reação de vergonha que me atingia, rubor, tremor. E a esta altura, Henry, fez como mais cedo na cama, sentou-se comigo em seu colo, de maneira que ficássemos muito próximos, percebi que ele não queria quebrar o contato, só queria que ficássemos mais confortáveis.

Ele me puxou junto com ele para que ele se recostasse em uma árvore eu em seu colo, de frente para ele e olhando para ele, e esperou...

— Bom Henry, realmente eu quero. Eu quero demais, você talvez não imagina o quanto. E sim, esta espera tem sido agonizante, esta madrugada foi uma prova viva disto. – Coramos intensamente juntos. – Mas, eu quero as coisas de uma forma que agrade e satisfaça aos dois, assim como você me disse que me queria inteira, eu também digo que desejo você inteiro, e sinto, que se você estiver preso por alguma restrição seja ela qual for, eu não te terei inteiramente.

Então, tentei falar agora, da forma mais leve possível, pois, eu não tinha o interesse de provoca-lo, ateando fogo em seu desejo. Mas, eu sabia que, dependendo da intensidade que eu colocasse as palavras, poderia ser uma grande provocação.

— Ouça bem Henry. Eu quero a parte sua que ainda eu não consegui acessar, acho que por causa de suas restrições interiores, suas resistências mais profundas, não sei. Mas, a quero por que... porque, na verdade... ela me fascina, me atrai como um ímã a você. Cada face dela. O Henry sedutor, que eu sei que você é, eu sinto isto em cada gesto seu, cada beijo, mas é evidente para mim, que você se contém. O Henry ousado, que de vez em quando dá as caras para mim, mas, se contém também. O Henry livre dos seus medos, que eu sei que está em algum lugar aqui dentro.

E coloquei a mão em cima do seu coração, e pude sentir o quanto estava disparado, e sua respiração era profunda. Ele estava queimando, ardendo de desejo com as minhas palavras, e pelo contato dos nossos corpos.

Então, eu sabia que teria de ser ainda mais cautelosa com as palavras, e gestos, pois, realmente por mais intensa que a situação em si fosse, por causa de tudo que temos acumulado de nossos desejos. Eu não queria provoca-lo, exigir mais dele, eu não faria isto.

Mas, o Henry precisava saber o que eu queria dele quando na verdade, ele se entregasse para mim. Pois EU já sabia, EU daria a ele tudo, tudo. Então, eu finalizei...

— O Henry habilidoso, pois, sei que você é bom em tudo que faz, por que o faz com amor, com o seu coração. E por fim, o Henry intenso, pois, este é o que mais me atrai. Tudo em você é sincero, bom, e com uma intensidade própria de você. Fico imaginando toda esta intensidade...

Percebi rapidamente, que se eu levasse para este rumo, a coisa poderia explodir a qualquer momento, pois, o seu coração agora alçava voos, verdadeiramente, assim como o meu. Que parecia que sairia do peito.

Contudo, eu notei que ele procurava com esforço, manter firme a sua respiração, senti também um leve tremor em sua mão que estava em minhas costas. E ela estava agora mais quente. E completei finalizando.

— E tenho certeza que você somente terá condições de revelar tudo isto para mim, se estiver inteiro. E eu quero você por inteiro amor.

Permaneci ali, o olhando calmamente, esperando, dando um tempo para ele, se recuperar, para ele digerir tudo o que eu disse, e eu procurei não me mover nem um milímetro sequer.

Depois de algum tempo, que foi bem considerável, o seu coração foi se acalmando, a sua respiração também. O meu também. E por fim, ele voltou a acariciar o meu rosto com a mão livre. E disse:

— Obrigado amor! Foi maravilhoso ouvir isto de você. E obrigado, por você conseguir conduzir as coisas tão bem assim. Eu percebi tudo o que você fez Valerie, senti tudo o que sentiu, e vi que suportou tudo aquilo, aquele turbilhão de emoções e de desejo que nos envolveu a cada palavra sua, por mim. E eu prometo que, você me terá inteiro, completamente... E só você, ninguém mais, teve ou terá acesso a isto, a este Henry, que sempre existiu, mas estava tão submerso e soterrado, em um mundo sombrio de dores. Onde só você Valerie foi capaz, teve coragem e forças suficientes para me resgatar. Amo você demais...

E por mais que o meu desejo fosse agarrá-lo e mostrar isto a ele de todas as maneiras possíveis. A única coisa que fiz, foi beijá-lo com amor, mas suavemente e ternamente. E ele retribuiu. E disse:

— Mas agora, nós vamos comer.

E mais uma vez a sua hábil casualidade, venceu a tensão.

— Acho que eu já devo estar em cima da hora.

E ao dizer isto, ele nos arrastou de volta a toalha com a comida. Eu aproveitei a deixa para sair de seu colo, o que ele não permitiu.

Eu percebi que o Henry, não permitiria que nada mais quebrasse o nosso contato, de intimidade que aos poucos estávamos construindo. Ao contrário, ele só me posicionou de uma forma em que ficasse mais confortável, eu sentada de lado agora, e não de frente para ele. E com uma mão mexia na comida e com a outra, segurava firmemente em minha cintura.

— Amor, eu quero te perguntar uma coisa...

— Claro Henry, o que você quer saber?

— Você nunca se perguntou sobre o por que ter sonhos tão reais ou que revelam o que esta por vir não?

Na verdade, a pergunta do Henry corresponde a algo que venho me questionando já há algum tempo. E resolvo conversar com ele abertamente, já que não temos segredos...

— Amor, na verdade isto é algo que me incomoda muito, e confesso que tenho medo que as pessoas saibam disso, só os mais íntimos sabem. O meu temor é que as pessoas voltem a desconfiar de mim me chamando de bruxa. Mas, na verdade, os meus sonhos, só vem para o bem, pois, na maioria das vezes, eles me preparam para algo que esta por vir, às vezes, me dando até a oportunidade de, sei lá, recuar, tentar me preparar.

Ele ouvia tudo atentamente, eu percebi que ele estava pensando...

— Você já se atentou para quando eles começaram?

Sim, isto é uma das coisas que procurei observar deste que tudo isto começou a me incomodar.

— Sim, claro.... Eu sempre os tive, mas, de forma menos intensa. Mais, claros e com riquezas de detalhes que se aproximam e muito, do real, só depois da morte do meu pai e do retorno do Peter, e a intensidade aumentou muito a partir dos sonhos que me revelaram a morte do Peter...

— Então está explicado.... Eu compreendi.

Henry falou, gerando expectativa em meu coração.

— Amor é evidente que este é um dom que você tem herdado pelo fato de você portar o sangue de lobo, de uma longa linhagem, e por fazer parte de uma terceira geração, pois, as lendas dizem que da terceira geração em diante, além deles se tornarem muito fortes, poderosos e quase indestrutíveis, seus instintos mesmo quando humanos, tornam-se muito superiores. E se observar bem, seus sonhos, nada mais são, do que os seus instintos de autopreservação entrando em ação. Pense bem, você presente o perigo antes, a respeito de você e das pessoas que são essenciais a sua sobrevivência, as pessoas que você ama. Mas, ao mesmo tempo em que isto é um privilégio, também é uma terrível condição. É doloroso demais ter que lidar com isto... mas, enfim, este é o mistério, você tem um dom. Eu realmente acho bom mesmo, você evitar compartilhar isto Valerie, não quero que isto represente um risco a você.

Achei incrível o que Henry contou, e claro como sempre ele tem toda razão...

— Amor, que incrível você saber de todas estas coisas. Como você conseguiu?

— É simples, depois que eu me tornei guerreiro, eu precisei aprender tudo sobre as lendas e como lidar com situações a respeito do lobo, tinha que saber tudo sobre o que eu estaria enfrentando, e me preparar para caso algum dia fosse realmente necessário enfrenta-lo. E estou vendo que valeu a pena cada treinamento. É bom saber o quanto sei sobre tudo isto, e que de alguma forma isto pode se útil a você...

— Obrigado Henry, confesso que saber destas coisas me deixa um tanto mais tranquila...

Dizendo isto, continuamos a conversar novamente. Como sinto-me feliz por ter Henry em minha vida...

Ele vem exatamente preenchendo as lacunas não compreensíveis ou não acessíveis de minha existência, que enfim, parece ter um sentido. O que me enche mais uma vez de alegria e esperança...

Notas finais
E aí pessoas o que acharam? Mereço Reviews e Recomendações? Gratidão e até o capítulo 23.