A Garota Da Capa Vermelha - Continuação.

23 UM DIA DE PREPARAÇÕES PARA UMA SURPRESA - Cap. 23


Notas iniciais
Leia as Notas Iniciais e Finais, são importantes! Olá pessoas lindas do meu coração! Gratidão à: Luli Melo, AryCullenJackson, gabi carvalho, Ju Hutcherson, Roberta Henderson Lermam, PSRG, Bruu, Lisa Mellark, Vivi Mellark, Jow, Mylla, pelos comentários. Gratidão também, as leitoras Lisa Mellark e Vivi Mellark pelas Recomendações. Capítulo 23. Este capítulo é uma preparação para o próximo que será incrível, terá uma surpresa e será muito ROMÂNTICO. Eu espero que gostem... Gente, estou assustada, todos querem o MEU HENRY, SOCOROOO... RSRSRSRS... Também ele é fofo e lindo demais né? Bem que Valerie poderia nos dar ele de presente para nós, rsrsrsrsrs... ACHO QUE NEM SE ELA FOSSE DOIDA, ELA FARIA ISTO. Hahahahaha... Sem mais demoras, ótima leitura! Nos encontramos nas Notas Finais.

POV HENRY

Terminarmos de tomar o nosso café da manhã juntos. Que por sinal foi uma experiência maravilhosa. Rapidamente me preparei para ir para vila. Foi incrível ver a reação da Valerie ao se despedir de mim. Eu a percebi bastante apreensiva. E antes de sair perguntei-a por que. Ela simplesmente me respondeu:

— Acho que o meu dia não será dos melhores... – Preocupado perguntei-lhe:

— Mas, por que meu amor?

— Ah.... Por que eu estarei ciente o dia inteiro de que, a noite você não estará comigo, Henry. – Ela disse chorosa.

Aquilo partiu meu coração duplamente, pois, me lembrei da falta que ela sentiu de mim em seu sonho, esta noite, me procurando com os braços. E pensei no tanto que eu também sentirei a sua falta.

Então, a envolvi pela cintura e disse, procurando consolá-la e enviar conforto para o seu coração, e para o meu também.

— Eu sei meu amor, para mim não será diferente. Eu estarei desesperado esta noite, não tenho a mínima chance de dormir. Acho que, nunca mais eu conseguirei dormir, se não estiver com você ao meu lado.

Eu lhe dizia aquelas palavras carregadas de verdade.

— Mas, lembre-se, será por pouco tempo, e realmente é algo necessário. E mais, vamos almoçar juntos, e assim que eu sair da ferraria, eu venho para cá, amor.

Mesmo dizendo tudo aquilo, por mais que ela se esforçasse, seu olhar era tristonho. Entretanto, eu sabia que este não era o momento de ceder. Ainda mais agora, depois de tudo que ocorreu de ontem para cá, eu tinha planos. Então, eu me lembrei de algo, e, pedi que ela fizesse uma coisa para mim.

— Valerie, eu quero te pedir algo, você o faz por mim?

O sorriso dela se acendeu, acho que na expectativa de que poderia fazer algo para me agradar, e aquilo aqueceu-me por dentro. Ah... Como ela era linda, e adoravelmente incrível.

Então, ela disse, enquanto com um braço, eu ainda envolvia sua cintura e a outra mão acariciava o seu rosto.

— Claro que faço Henry, o que desejar. Qualquer coisa.

Meu coração foi preenchido de êxtase, pois, realmente eu consegui compreender, naquele gesto, o quanto ela estava disposta a se doar a mim. Então, eu disse:

— Quando eu vier hoje, após o trabalho.... Eu sei que você sempre está linda, e pronta para mim, me esperando. No entanto, você pode usar aquele vestido azul e verde? Amei-o em você. É claro que eu te amo de qualquer jeito. Mas... Ele realça você, os seus olhos. E por favor, a tiara também. Amo quando você usa algo que te deixa ao mesmo tempo uma, linda mulher e... com a carinha de uma menina...

É claro que ao dizer aquilo, ela estava ruborizada até as raízes de seus cabelos. Mas era a mais pura verdade. Amo vê-la transbordando para mim, estas duas faces dela.

— Lembra-se do que você me disse agora a pouco sobre você querer... cada parte de mim?

— Sim. – Ao dizer aquilo ela corou ainda mais, mas manteve a intensidade do olhar, ela queria deixar claro, que aquilo era verdade, e ela não retrocederia, ela queria me transmitir certeza.

— Pois é, eu também vejo você com lados diferentes, e há alguns momentos em que você se revela para mim de uma maneira, e em outros, de outra. E eu amo isto. E, vestida daquela forma eu consigo ver estes dois lados seu que.... também me fascinam: a Valerie, menina, de um coração sem tamanho, que é sempre disposta, aquela que cuida, é alegre, cheia de vida, teimosa. — Não pude deixar de sorrir nesta palavra. – E a Valerie mulher, linda, decidida, forte, cuidadosa, centrada, determinada, fascinante, sedutora... Quente... e a melhor de todas as qualidades, MINHA.

E, apesar de nas últimas palavras nós dois estarmos visivelmente envergonhados, na última nós dois sorrimos, eu por satisfação, e ela por confirmação.

Sim, Valerie estava confirmando para mim, que ela é minha, realmente minha, e ela ama isto.

— Então, você pode fazer isto por mim?

— Claro, “meu” amor, sempre, o que você quiser. Estarei a sua espera ansiosamente, pronta para você.

Eu não sei mensurar o quanto aquilo me fez feliz. Então, tomei seus lábios, beijei-a até que o ar nos faltasse. Soltei-a suavemente e parti.

Ao sair dali a certeza do que eu queria fazer me inundou. Eu sabia que precisaria ser rápido, para que eu conseguisse ajeitar tudo.

O meu primeiro passo agora, seria conversar com Cedrico, com Suzette e com a minha avó. Contudo, também, iria precisar correr com o trabalho na ferraria, para não deixar os clientes esperando, então, não tinha outro jeito, a minha primeira opção era Cedrico. Hoje, eu realmente precisava dele.

Enquanto eu seguia rumo à vila. Permiti que as lembranças destes últimos dias me atingissem. Partindo do dia em que acordei aqui, com Valerie cuidando de mim...

Obviamente, eu me mais, nos últimos acontecimentos, principalmente os desta noite. Seu sonho, em que ela disse que me amava; nossos sonhos, carregados de desejo. Os momentos constrangedores que se seguiram dele. O seu sonho, onde ela sentia a minha falta, a minha ausência.

Alias, os sonhos da Valerie, tenho que admitir, são incríveis de tão reais. O que evidencia claramente para mim, o que eu disse para ela a respeito de isto ser um dom.

De repente, lembro-me da maneira com que acordamos hoje, juntos, o efeito que aquela proximidade produziu em nós: bem-estar, o bom humor, e claro, intensificou ainda mais o nosso desejo.

Este é o lado complicado disto. Eu quero, tenho me proposto e me empenhado a não quebrar mais o contato, principalmente de forma brusca, quando estamos em momentos de intimidade, mesmo por que precisamos construir isto, nos acostumarmos a isto, já que tudo em relação a nós tem sido tão rápido e tão intenso. Às vezes chega a ser difícil acompanhar.

No entanto, também, isto triplica o meu desejo por ela, e cada vez mais, que as minhas barreiras interiores, vão sendo destruídas diante da influência que ela exerce sobre mim, mais o meu autocontrole declina.

Hoje eu percebi nitidamente isto, eu estava prestes a ceder. Mas, por um milagre, que foi o fato, de que Valerie, que de uma forma incrível esta conectada com meu íntimo, às vezes parecendo que me conhece até mais que eu mesmo... ela percebeu que eu ainda não estava “inteiro” para viver este tão especial momento com ela.

É estranho, dizer isto, mas realmente eu não estou. O meu medo de perdê-la é tão grande, tão insuportável que eu não consigo me permitir tê-la antes que ela se torne oficialmente minha.

Interessante, a forma que ela compreende a extensão das minhas dores, das minhas marcas. Eu soube, eu pude sentir visivelmente por sua respiração, pelas batidas intensificadas do seu coração, pela chama de desejo que ardia em seus olhos... o quanto ela foi capaz de reunir forças, não sei de onde, para conter qualquer avanço, da forma mais singela e tranquilizadora possível.

E, as suas palavras naquele momento, me revelaram o quanto ela me conhece, o quanto ela já acessou de mim. Porque todas as partes deste novo Henry que tem ressurgido depois de tantos anos aprisionado, que até mesmo eu tenho precisado de tempo para me familiarizar. Já está conectada a ela, e de uma maneira notoriamente clara.

Eu fico mais perplexo ainda, com a lembrança dela dizendo que quer tudo de mim, todas as partes. E eu não posso oferecê-la menos que isto.... Porque ela tem me dado tudo, com todos os seus atos de hoje, ficou claro para mim.... Ela se entregou totalmente a mim.

Em cada gesto, em cada ação eu percebo isto. Valerie se doou a mim sem reservas, e ela faz questão de me mostrar isto. Então, por ela, eu preciso também me dar por inteiro.

E eu começarei com o que farei hoje, sei o quanto ela está disposta a realmente se casar comigo. E sei que o casamento é uma das condições, básicas para que eu consiga a começar a romper algumas barreiras fundamentais, então, eu decidi. Não vou mais protelar.

Eu quero que ela viaje sim, mas antes, eu a farei minha noiva, e este é o meu plano para hoje. Eu apenas preciso colocar algumas pessoas fundamentalmente importantes em me ajudar, a par disto. E preparar tudo.

Em meio a esta conclusão, chego ao vilarejo. Passo primeiramente na casa do Cedrico. Chamo-o e ele vem todo alegre. Como é típico dele.

— Olá Henry, bom dia. E cara, mais uma vez, obrigada por ontem. Que noite!

— Por nada. Nem me diga! Você não tem ideia do quanto foi bom para mim. O que vocês proporcionaram a Valerie, não tem preço, eu que agradeço!

Cedrico, que é muito atento às pessoas, me disse...

— Cara você está muito feliz, não é? Eu vejo, eu não. Todos nós Henry conseguimos ver. Em você e em Valerie também.... Desculpe pelo que vou falar. Mas, ontem, enquanto estávamos dançando, cara, eu e Prudence, e as meninas também. Nós ficamos impressionados de ver vocês enquanto estavam... bom no sofá...

Ele estava hesitante, acredito que com receio de eu não aprovar o que iria dizer.

— Desculpa cara, não era, a nossa intensão, espionar. Mas, a coisa era contagiante. É uma conexão inacreditável. E os momentos em que vocês dois falavam conosco? No olhar vocês conseguiam se comunicar, e saber o que um queria do outro, sem dizer uma palavra. Henry vai por mim, há casais que estão juntos há anos e não alcançaram isto. A ligação entre vocês é forte demais. Eu particularmente nunca vi. Parece até que vocês nasceram um para o outro. É realmente incrível. E você pode perguntar a qualquer uma das meninas e verá que não estou brincando, nem dizendo para te agradar.

Tudo o que Cedrico me falou, só confirmou a minha decisão, então, eu resolvi dizer a ele:

— Cedrico, muito obrigado! Você nem imagina como eu estava precisando ouvir algo assim. Veio reforçar uma decisão que eu tomei. E por isto estou aqui. Eu preciso de você Cedrico, e se possível, que hoje, você esteja a minha disposição. Como está o seu dia?

— Cara, estou as ordens, pois, o meu dia está livre. Prudence saiu cedo só vou vê-la à noite.

— Então, vamos comigo. No caminho eu te explico tudo, mas, antes vou passar em casa. Para resolver umas coisas. Você abre a ferraria para mim? E eu deixei os pedidos que serão entregues hoje já separados. Você os organiza para mim?

— Claro Henry. Dou uma ajeitada em tudo lá para quando você chegar, já começar a trabalhar, e posso fazer melhor. Assim, que você chegar eu saio, faço as entregas e você vai adiantando o que tem para hoje. E assim que voltar conversamos. Pois, eu estou percebendo que hoje você precisa ganhar tempo estou certo?

Ele é incrível, este garoto... Como ele observa. Mas só se manifesta se for para ajudar...

— Certíssimo. Hoje, estou correndo contra o tempo. Valeu Cedrico até mais...

Corri, passei primeiro em casa, pois, eu sei que Suzette iria sair hoje cedo, é tanto que não pode ir ao jantar.

Apesar de que, eu fiquei desconfiado dela ter dito aquilo, para realmente não ir, para podermos passar um tempo juntos somente entre amigos, já que Valerie não se permite isto há muito tempo.

Eu tenho que admitir, que mesmo a maneira dela, e com todos os seus erros. Suzette realmente se preocupa com Valerie e o seu bem-estar.

Ao chegar, fui direto ao meu quarto, buscar o que vou precisar para hoje.

O meu coração ficou acelerado só por eu me aproximar da cômoda para pegar. Então, eu me controlei. E abri. Ao tatear a gaveta até lá no fundo, rapidamente as encontrei.

As três caixinhas, de veludo vermelho. Onde, em uma, estava o Bracelete, não aquele que um dia foi recusado. Um ainda mais detalhado, o que o torna ainda mais bonito. Ele é de ouro, e foi feito algum tempo depois que eu destruí o outro, pois, eu não desejava guardar nada que me lembrasse da rejeição daquela época. E o mais importante, também foi feito por mim.

Na outra caixinha, um dos anéis de noivado que pertenceram a minha mãe, sim, um dos, porque, ela havia me falado que, o meu pai, lhe deu um com safira e mais tarde, próximo ao casamento, outro com esmeralda, para combinar com algo. Ele já estava na medida de Valerie por que da vez passada, eu já havia pegado as suas medidas com Suzette.

Finalmente, na última, as alianças do casamento, também já na medida dos nossos dedos. Que afinal, são perfeitas, o que combina muito com ela, a mais linda e adorável de todas as mulheres, a minha princesa.

É evidente que, eu não pude conter a emoção que eu senti. Que era por saber, que este gesto de hoje, é totalmente diferente de tantas outras vezes. Onde eu tocava estes objetos somente para admirá-los, e para lembrar-me que aquela a qual eu desejava entregá-los não me pertencia.

Aquilo me causava uma dor, uma angustia tão grande, que mesmo agora, apenas como uma memória, deixava ainda um rastro dolorido ainda muito familiar.

No entanto hoje, é diferente. Pois, eu vim busca-los, para finalmente conduzi-los ao seu destino. À Valerie. A minha Valerie, que se tornará enfim, minha Noiva, e dentro de algum tempo, minha Esposa.

Sentir tudo o que eu estou sentindo agora, foi demais para mim.

Sentei-me na cama e dei espaço às lágrimas. Não de tristeza, mas de alegria, de triunfo. Era verdade? Será que não é mais um sonho como tantos outros em que eu a imaginei tornando-se minha, aceitando casar-se comigo?

Neste instante, a realidade me atingiu. Sim era verdade. E veio-me a lembrança de quando eu a perguntei se ela se casaria comigo, se queria ter filhos comigo.

Tudo, exatamente tudo que ela disse e todas as suas reações, voltaram-me à memória com força total. Agora era diferente, ela me queria, por um milagre eu havia conseguido. Valerie me ama, enfim, ela me ama! E em meu coração, eu fiquei maravilhado, com o fato de em tão pouco tempo, tudo ter mudado.

Eu estava desta maneira, entregue aquelas lembranças e o ao meu momento de certeza, que me surpreendi quando ouvi as batidas na porta, e minha avó dizendo:

— Henry, meu filho? Eu posso falar com você?

Eu tentei me recompor, como era de costume, eu nunca permitia que ninguém alcançasse este tipo de acesso a mim, quando eu estou assim, tão vulnerável.

Mas aí, as palavras de Valerie, me atingiram, aquela voz que agora me acompanha aonde quer que eu fosse. À voz do meu anjo:

“...não afaste as pessoas que amam você, que querem cuidar de você por medo de perdê-las, pois, todos nós iremos perder quem amamos algum dia, sabemos disto. Mas precisamos desfrutar destas pessoas, deixando-as ter acesso a nós enquanto estamos aqui. Este afastamento só constrói barreiras horríveis dentro de nós, que depois se tornam difíceis demais de romper. Você sabe disto. Por favor, tente, eu vou te ajudar eu quero te ajudar.”

Ela estava certa, eu precisava mudar isto, eu devia isto a ela. Eu precisava me curar. Ela disse que me quer inteiro. Então, eu preciso começar a juntar os meus pedaços. E uma boa maneira de começar, é refazendo os laços com as pessoas que eu amo, e na minha família apenas restou a minha avó.

Eu sei que ela não tem hábitos de se expor também. Mas talvez, seja por isto, a vida se encarregou de fechá-la em si mesma. E ela não teve a sorte que eu tenho de encontrar alguém como Valerie, que a conduzisse a mudar, a romper diante destas circunstâncias.

Então, eu decidi ser corajoso, ousado, por que uma das coisas que eu tenho aprendido, é que, para amar de verdade, é preciso ter coragem. Coragem para algumas vezes se expor, coragem para arriscar, coragem para se doar. E eu estava aprendendo, Valerie estava me ensinado. Então, eu disse:

— Pode entrar vovó.

E ela gentilmente abriu a porta. Seu semblante caiu ao ver-me daquela forma, ela não se conteve e veio correndo até mim, sentou-se ao meu lado e disse:

— Oh meu filho, o que houve? Estou aqui se quiser falar, conversar.

Percebi que ela se sentia receosa de estar sendo invasiva. Então, eu a abracei. E ela ficou, um tanto, surpresa, porém, não recuou. Ela beijou o meu rosto e disse...

— Ah meu filho o que houve? Eu estou aqui, se quiser conversar.

De repente, ela olhou para minhas mãos, que ainda seguravam as caixinhas... seu olhar ficou alarmado, ela estava aterrorizada. Então, eu compreendi o que ela estava pensando, que Valerie provavelmente, havia... Deixado-me.

Não. Não era isto, mas certamente ela pensou que era. Pois, da vez passada, foi ela que me encontrou, quando eu estava devastado pela rejeição de Valerie ao casamento. Então, apressei-me em explicar.

— Não vovó. Não é nada disto que você está pensando... É o contrário, eu estou muito emocionado. Ela enfim quer se casar comigo vó, é isto.

A reação da minha avó me surpreendeu. Ela me abraçou tão espontaneamente, com lágrimas transbordando em seus olhos, e puxou-me para que pudéssemos nos colocar de pé, para poder me abraçar direito.

E ali naquele momento, eu pude sentir o que não me permiti sentir por muitos anos, o quanto eu era amado... O quanto minha família poderia ter oferecido a mim, e eu a eles se eu não tivesse me fechado tanto, quando eu perdi minha mãe...

Na verdade, quando ela se foi, foi como se ela tivesse me levado junto, pois, eu me afastei de todos. Então, as dores de todos foram aumentadas. E naquele momento, esta compreensão me atingiu e aquelas lindas palavras de Valerie inundaram novamente a minha mente. Trazendo-me paz e a certeza de que, realmente, tudo agora seria diferente.

Enfim, vovó se afastou, beijou cada lado do meu rosto, que eu retribuí, com carinho, e ela disse.

— Ah Henry, não sabe o quanto eu estou feliz. Não só por esta linda notícia, mas, por também...

Ela hesitava constrangida, mas eu apertei a sua mão e sorri encorajando-a, e ela buscou fôlego e enfim conseguiu:

— Por você, o meu Henry, aquele que há tantos anos havia partido junto com sua mãe, ter voltado à vida meu filho.

E ela não conseguiu terminar sem lágrimas, e é claro que as minhas voltaram, mas, agora era de alívio pela libertação daquilo de dentro de mim. E a confirmação da minha ação, nas reações de minha avó. E eu disse:

— Obrigado vovó. E desculpe por isto, por ficar tantos anos distante. E, não agradeça a mim, eu jamais conseguiria sozinho, agradeça a ela, a Valerie. A ela, eu devo tudo isto, ela verdadeiramente tem me curado... E a cada dia eu a amo mais ainda por isto.

— Ah meu filho, eu sei. Eu sei, e eu a amo também... E como não amar alguém que cuida tão bem assim de você? Que conseguiu, em tão pouco tempo, trazer você de volta a vida. Ame-a mesmo, meu filho, faça tudo que puder para retribuir isto, pois, o que ela tem feito a você não tem preço Henry. Eu não tenho nenhuma dúvida, mesmo ainda não convivendo com ela, que ela já te ame, de verdade. Ninguém consegue uma proeza destas se não for por amor Henry. Ela verdadeiramente ama você meu filho. E se permita, por favor, desfrutar disto. Pois... é dolorido demais, sermos privados deste contato com as pessoas que amamos. Na verdade, é isto o que faz a morte algo tão doloroso. Pois, ela nos dá a certeza de que não há mais jeito, que não há nada que façamos que possa fazer com que aquilo seja restaurado. Mas, enquanto nós estamos vivos, precisamos e devemos desfrutar disto. Então, se entregue meu filho, abra a sua alma, se arrisque. Amar é isto. E vale a pena, mesmo com os riscos, com as dores. É claro que vale.

Eu a abracei tão profundamente naquele momento, pois, eu sentia falta daquilo, daquele contato, dos seus conselhos, de sua maneira acolhedora.

Eu percebi que, com a partida de minha mãe, e com a minha reclusão, que eu realmente havia privado àqueles que ficaram, de mim, da minha presença.

Eu os havia afastado de mim, como Valerie mesmo me disse... Fazendo-os sofrer, e sofrendo também, com a minha solidão e reclusão. Mas, como a minha avó e a Valerie haviam me dito, ainda há tempo, nós estamos vivos. Eu posso e eu vou mudar isto. Então, eu a disse:

— Ouça vovó, eu vou pedi-la em casamento hoje.

E antes que ela contestasse perguntando por que não a preparei antes e sobre outras coisas. Fui acrescentando:

— Fique tranquila, eu pretendo fazer algo para comemorar sábado a noite, no jantar na casa dela, inclusive a senhora irá comigo, então, prepare-se. Mas, antes, eu preciso conversar com o Cedrico e Rox, porque eles anunciarão o deles também lá, e já haviam pedido e falado antes, então, eu quero ver se estará bom para eles. Porem, hoje, eu quero algo bem simples, só entre ela e eu. E claro daqui a pouco irei conversar com a Suzette, mas, eu não estou preocupado, tenho certeza que ela me dará a sua benção. Mas e você vovó, você me concede sua benção?

E ela respondeu com um enorme sorriso e novamente, lágrimas nos olhos.

— É claro meu filho, que eu te dou todas as bênçãos necessárias para que vocês sejam muito felizes, verdadeiramente. E sei que tanto o seu pai, quanto a sua mãe, também, eles estariam muito felizes e orgulhosos de você, por ter conseguido.

— É, eu sei vovó.... Mas então, eu preciso ir. O dia hoje, será longo. Ah, vovó, prepare algo de uma forma bem especial para eu me vestir, vou separar o que quero, deixando aqui na cama pra você. E não questione, por favor, o que eu escolher, pois, não estará pautado em nada mais que não seja o gosto dela, a maneira que ela gosta de me ver. Beijos, e... eu te amo muito viu?

Os olhos dela brilharam ainda muito mais, pois, há anos eu não dizia aquilo.O que me deixou muito feliz ao ouvi-la:

— Eu também meu filho, eu também, e... obrigado por ter voltado para nós.

E ela sorriu e eu, claro que retribui.

Deixei todas as coisas que eu levaria para o chalé, na hora do almoço, prontas. Eu guardaria os meus presentes, para Valerie, juntamente com as minhas coisas, nos guarda roupas.

Eu não quero que ela me veja chagando com nada, à tarde, a não ser as flores que eu vou comprar, senão, ela poderá desconfiar. E como no almoço, eu irei levando umas roupas para deixar lá no chalé, ela não perceberá nada diferente.

Ao chegar a ferraria, obtive a certeza absoluta, que seria ótimo ter o Cedrico trabalhando comigo, porque ele já havia deixado tudo pronto.

Eu tenho que admitir e dizer isto a ele para encorajá-lo. Ele é eficiente. A ferraria estava em ordem, e, ele até tinha recebido pedidos para mim.

— Ah, olá Henry, eu aproveitei e dei uma adiantada no que eu podia, por aqui. Agora eu vou fazer as entregas, quer conferir?

— Bom, vamos lá.

Eu conferi por hábito, porém, eu sabia que estava tudo certo. Então, eu disse a ele:

— Está tudo certo, fiz a conferência, apenas por hábito, mas, eu sabia que estava. Você é muito eficiente Cedrico. É sério, sei que, eu não irei me arrepender de tê-lo aqui. Vai lá, se adiante. Pois, temos muito a conversar, enquanto isto, eu termino por aqui.

Ele foi. E, muito feliz por sinal. Então, adiantei o que eu podia. E pouco antes do Cedrico voltar, eu fui surpreendido por uma visita, era tudo o que eu precisava, porque, me pouparia tempo.

— Ah Suzette...

— Henry. Tudo bem? Passei para ter notícias de Valerie e saber como foi ontem.

— Você nem imagina Suzette. Realmente foi muito bom, você ter aparecido por aqui, eu preciso mesmo falar com você. Eu sabia que não estaria lá pela manhã, estou certo?

— Sim. E não. Eu realmente precisei sair, mas, não tão cedo o quanto falei. Na verdade, ontem, eu queria muito deixar vocês todos à vontade. – Como eu imaginava. – Mas, sábado eu estarei lá, eu prometo. – Aproveitei a deixa e disse:

— Claro que estará. Sábado você e ninguém poderá faltar. E sobre ontem, foi maravilhoso. Valerie estava muito, feliz você precisava ter visto. Mas, antes de falar sobre sábado, eu preciso te pedir dois favores.

Então, eu a conduzi para que nos sentássemos no sofá.

— Claro Henry pode pedir.

— Bom, eu já lhe disse da preocupação que tenho de Valerie dormir sozinha por lá, então, conversando com ela, eu a convenci de que, quando ela não dormir aqui, você poderia dormir lá com ela, ou até mesmo as meninas. No entanto, no momento, e, principalmente, hoje e amanhã, eu gostaria que fosse você Suzette, que fizesse isto. Veja bem, eu sei que vocês precisam resgatar o contato, e com tudo o que está acontecendo e está para acontecer, que eu já vou te explicar. Acho esta uma grande oportunidade. E o que você me diz?

— Claro. Eu adoro a ideia. Conte comigo... E obrigado pelo que tem feito Henry, de verdade...

Eu a cortei, pois, me sentia em débito com ela e precisava reparar isto.

— Bom, faço com prazer. E... eu preciso lhe falar algumas coisas.

Hesitei por que o que contaria a ela, não havia falado com Valerie e não sei como ela reagiria. Mas, como homem, eu me senti obrigado a fazer aquilo, e depois, eu me acertaria com Valerie. Isto era o correto.

— Suzette nas noites em que ela não vem ou você não for, ou as meninas, eu... vou dormir lá. Mas, espere, eu quero explicar.

Entretanto, ela me silenciou...

— Não, Henry, não precisa, de verdade, você e Valerie são adultos, eu não quero me intrometer...

Contudo eu precisava interrompê-la, porque eu não quero que ela fique com a impressão errada.

— Espera Suzette... ouça-me, porque eu preciso e eu quero dizer, certo?

— Certo, se realmente você acha necessário, mas, por favor... – Ela me disse constrangida. – Poupe-me de detalhes.

Agora foi minha vez de ficar roxo e extremamente constrangido. Que detalhes? Bom havia alguns, mas, estes... bom não era exatamente o que ela estava pensando. Ela realmente estava entendendo errado, e eu precisava explicar.

— Claro, e é justamente isto. Não há detalhes. Ouça, eu havia combinado que quando ela não quisesse ir, que eu ficaria na floresta. Como nas rondas, mas, você sabe como ela é teimosa, ela não aceitou e só permitiu que eu ficasse se eu dormisse lá, e ela preparou outro quarto pra mim. Entende? É sério Suzette, eu juro... eu não faria isto...

Ela me cortou.

— Henry, acalme-se, é sério mesmo, eu não preciso saber disto, mas, tudo bem. Eu confio em você, mas vocês são adultos, tudo bem? E no mais, eu já desconfiava Henry, que você tem dormido lá. Sou mãe, sou mulher, e fui jovem.

— Sim, obrigado...

Eu disse, e, agora, eu estava, evidentemente com vergonha...

— Me desculpe. O que me leva a outro assunto. Bom... ela está pronta Suzette. Enfim, ela está pronta: para se casar comigo.

Naquele instante, eu não contive o sorriso, e Suzette não conteve as lágrimas.

— Ah, Henry, meu filho.

Ela disse, vindo me abraçar. E eu, a retribui.

— Não sabe o quanto eu estou feliz. De coração Henry, eu estou orgulhosa de você, por ter sido tão paciente e perseverante. Eu jamais duvidei disto, e, eu tenho os meus motivos, portanto, eu sei que você a fará muito feliz.

— É. Eu sei e eu prometo que eu passarei, toda a minha vida, me esforçando para isto, Suzette. Contudo, eu quero que você saiba, que ela também já me faz muito feliz. Você tem uma filha formidável. Eu nunca poderei te agradecer o suficiente, por você ter trazido, um ser tão especial a este mundo, e desde tão cedo, ter confiado a entrega-la a mim. Valerie é muito, mas muito especial. Ela é admirável e incrível. Eu ficaria muito feliz em ter a sua benção para toma-la por minha esposa.

E com mais lágrimas transbordando, Suzette falou.

— Claro meu filho, dou a minha benção a vocês de todo coração.

— Então, esta é a próxima parte, hoje, eu farei isto apenas entre ela e eu. Sinto que precisa ser assim, por causa da nossa história. Enfim, conosco tudo foi diferente. No entanto, é claro, que teu ornarei público e oficial, e se tudo der certo com o Cedrico e às meninas, eu pretendo fazer isso, no sábado. O que você acha?

— Claro, é ótimo, mas por que você precisa ver com eles?

— Sinto muito, mas, isto, eu não posso falar. Porém, para te deixar tranquila, o que eu posso dizer, é que, eles já haviam, nos, pedido e combinamos que, no sábado, eles já estariam nos fazendo uma surpresa. Então, a noite já é deles, portanto, eu preciso comunica-los primeiro.

— Ah, claro Henry, está certo.

— Então, é por isto que hoje e amanhã, eu quero que você e Valerie, passem a noite juntas, vejo que vocês terão muito o que conversar. O que você acha?

— Sim, excelente. Muito obrigada mesmo, e assim que você conversar, com o Cedrico e as meninas. Confirme-me.

— Sim. Hoje mesmo. – Ela me abraçou se despediu. E se foi, muito feliz.

Passaram-se meia hora depois que Suzette saiu, e, eu estava com as encomendas que seriam entregues até o almoço, prontas. Cedrico chegou. Ele terminou de me ajudar a embalar, separar, e conferir toda a mercadoria. Então, sentamos um pouco e comecei:

— Cedrico, eu sei que nós combinamos que vocês aproveitarão o jantar de sábado. E estamos imensamente felizes. Entretanto, eu tenho algo para pedir a vocês, e, eu sei que eu preciso da sua autorização com a Prudence e com a Rox. Então, assim que eu falar com você, você precisa conversar com elas para mim.

Vi que ele estava ficando assustado e fui logo o tranquilizando.

— Calma, está tudo bem, não tem nada errado sobre o jantar. Está tudo certo. Na verdade, eu gostaria de incluir mais uma surpresa à noite de todos. Porém, eu não poderia fazer isto, sem pergunta-los, afinal, eu não posso ofuscar o dia de vocês, e quero que sejam sinceros quanto a isto. Porque, se realmente for aborrecê-los, marcaremos outra coisa, em outra data...

Assim que eu terminei de pronunciar aquilo, Cedrico me surpreendeu, seus olhos transbordaram de lágrimas imediatamente, e eu fiquei confuso, eu não entendi nada.

Depois de algum tempo, tentado encontrar palavras, ele me falou.

— Henry, por favor, cara, me diga que é o que eu estou pensando?

Então, a compreensão me atingiu. Ele havia acertado em cheio antes de eu dizer, e estava emocionado.

— Ah Henry, como você pode me pedi uma coisa destas? É claro que você fará isto no sábado, cara. Pelo amor de Deus! Eu e as meninas, inclusive a Rox, chegamos a comentar a maravilha que seria se pudéssemos fazer isto, juntos. Meu Deus! Nossos sonhos viraram realidade. Mas, espera aí, me conte tudo, eu mereço saber. Afinal eu torci e pedi demais por isto. Meu Deus Henry, eu não estou conseguindo me controlar de tanta alegria e emoção.

E eu percebia, ele estava eufórico, falava sem parar, eu nunca vi uma pessoa tão feliz com a alegria da outra. É claro que eu e Valerie transbordamos de alegria por eles, mas tenho que dizer, Cedrico estava radiante, como se realmente ele estivesse esperado por aquilo. E aquilo me alegrou tanto.

Como realmente eu era amado e Valerie também, nós tínhamos amigos incríveis.

— Bom, na verdade, eu vou pedi-la hoje. De maneira bem íntima, apenas entre nós, devido a nossa história, Cedrico, desculpe, precisa ser, assim. Entretanto, no sábado, se vocês nos permitirem, será oficial. Mais ou menos como você e Prudence. Mas, no caso de vocês a família estava reunida, mas no nosso caso, somente haverá outras pessoas, no sábado, hoje, será apenas entre nós dois, uma surpresa.

— Claro, é justo. Bom, o que quer que eu faça, agora?

— Agora, antes de eu ir almoçar, eu quero que você pergunte as meninas e traga a resposta para mim. E depois venha me dizer, pois, quando você fizer isto, hoje, mais tarde, eu quero já ter tudo organizado para falar com ela. E Cedrico, eu preciso comprar flores, você fica um tempo aqui para mim? E assim que eu voltar, você vai. E o mais importante, peça segredo as meninas.

— Claro. Faço tudo isto, e mais, quando eu for falar com elas, eu já entrego estas encomendas. E Henry, venha cá. Deixa eu te dar um abraço cara, você é como um irmão para mim, eu estou feliz demais por você.

Aquilo me quebrou, quantas demonstrações de afeto eu havia recebido hoje, desde que, eu me propus a baixar a minha guarda, desfazendo minha resistência.

Choramos juntos, alegres. Realmente como irmãos. E Cedrico finalizou antes de eu sair.

— Henry, você precisa saber. E isto não parte somente de mim, todos tem sentido e dito isto, cara. Valerie mudou você. Você é outra pessoa. Você está mais parecido com o Henry da época da... me perdoe, tocar neste assunto... da época da sua mãe. E cara, eu senti falta demais de você assim.

Então, eu chorei ainda mais, afetado pela alegria e certeza de que ela conseguiu, ela conseguiu romper mais um grilhão de aprisionamento dentro de mim. E quando encontrei novamente as palavras, eu disse:

— Eu sei Cedrico, obrigado. E é muito bom estar de volta.

Então, eu fui em busca das rosas.

Eu estava tão leve. Como Valerie estava com razão, todas as partes deste novo Henry, estão aqui, dentro de mim, só aguardando as ações corretas e o momento certo para se revelarem, e à medida que eu vou dando um passo após outro, em direção as mudanças de minhas atitudes, as coisas vão acontecendo naturalmente, me dando uma imensa sensação de leveza e liberdade.

Como é bom poder experimentar isto. Tudo graças a ela. À minha Valerie, ao meu amor, minha linda, minha vida, minha princesa, a partir de hoje, minha noiva, e, logo, logo, minha esposa e para sempre, o meu tudo...

Eu escolhi rosas vermelhas. Eu sei que Valerie ama rosas, em especial, as brancas, então, eu pedi que ao centro do buquê, fosse acrescentado, rosas brancas.

Eu quero que este buquê, simbolize que a dimensão do seu amor, por mim, tem me proporcionado, paz, e, por esta razão, todas as coisas, agora, estão no lugar certo, centradas, por causa deste amor, e da paz que apenas ela é capaz de me dar.

Comprei as rosas e as trouxe para ferraria.

Assim que eu cheguei, Cedrico foi em busca das meninas, e, aproveitou para entregar as encomendas, enquanto eu recebia mais alguns pedidos e adiantava as entregas da tarde.

De vez em quando, eu me pegava olhando àquelas rosas, e imaginando como seria quando eu chegasse ao chalé. Qual seria a sua reação?

Quando Cedrico retornou, já estava quase na hora do almoço. E pelo sorriso, que ele trazia estampado no rosto, eu já sabia qual era a minha resposta, mas mesmo assim, eu queria escutá-lo.

— E aí Cedrico?

— Você tinha alguma dúvida? Porque eu não. Na verdade, elas estão todas, elétricas com a notícia. Elas acreditam que Valerie vai surtar com a surpresa.

— Que bom. – Tive que sorri com aquela constatação. — Obrigado por tudo. — Eu disse com sinceridade.

— Eu hein, cara, nós não fizemos nada... Ah, Henry, eu entreguei todas as encomendas, já recebi e trouxe mais alguns pedidos para adiantar.

— Ótimo. Venha cá então, vamos organizá-los. E estas aqui, já são entregas da tarde, eu adiantei tudo. Porque, eu preciso sair cedo hoje, antes das 17:00 horas.

— Mas você fechará a ferraria?

— Sim, eu combinei com Valerie que chegaria cedo...

— Você não precisa fechar cedo Henry, eu fico. E quando der o horário, eu fecho e entrego as chaves a sua avó, sem problemas, é bom que eu já posso ir recebendo os pedidos de amanhã, e os organizando para você.

— Bom, se não for te atrapalhar, será ótimo.

— Não, claro que não. Inclusive, como eu sei que você ficará fora, no sábado, com Valerie, eu posso me oferecer para passar o dia aqui amanhã, adiantando os serviços com você e posso abrir a ferraria sábado. Pelo menos pela manhã para não deixar de pegar os pedidos. E os de sábado entregamos amanhã à tarde para adiantar, o você que acha?

Eu fiquei maravilhado, com a disposição do Cedrico, e muito feliz por perceber que aquilo daria muito certo.

— Claro. Você está certíssimo. Mas, no sábado eu apenas te quero aqui, pela manhã, porque você também, terá preparativos para fazer para o seu noivado. Tudo bem?

— Tudo certo, então.

Enquanto conversávamos terminamos tudo, e preparamos para sair. Deixei a chave com ele para ele abrir no horário e ficar ali para mim, caso eu me atrasasse.

— Bom Cedrico, mais uma vez, obrigado!

— Está bem Henry. Bom almoço.

— Para você também.

Passei em casa correndo, e, como eu havia pedido, vovó deixou tudo pronto para mim.

Resolvi escrever mais uma pequena carta para entrega-la com o buquê. Ao terminar, peguei as roupas, as caixinhas e quando eu estava de saída do quarto. Vovó Lazar, chega. Ela dá-me um beijo, que eu retribuo e saio.

Vou até a Suzette, confirmando sobre sábado, e, sigo rumo ao chalé.

Quando já estou bem próximo, eu a vejo. Como sempre, meu coração dispara.

Ela está linda, me esperando no jardim. E mesmo ao longe, já sinto o cheirinho reconfortante e familiar de casa.

É incrível como eu me sinto, totalmente, à vontade aqui com ela, como se esse fosse o meu lugar.

O cheiro delicioso de sua comida, também já é notório.

A distância que ainda me separa de chegar até ela parece ser enorme. Aumento os passos da cavalgada...

Finalmente, quando eu chego, preparo tudo para o meu cavalo descansar.

Vou correndo até ela. Ela faz o mesmo, para reduzir a distância entre nós. Então, no mesmo momento em que eu estendo os braços para recebê-la junto a mim, ela o faz também. Jogo instintivamente minha bolsa ao chão sobre a grama para recebê-la.

Enfim, os nossos corpos se encontram, e os nossos lábios se acham automaticamente. O beijo é intenso, cheio de amor, e saudades.

É como se nós, quiséssemos expressar, um ao outro, o quanto sentimos falta, o quanto ansiamos pela presença um do outro. Nossas línguas estão tão unidas em uma dança sincronizada e nossos corpos tão próximos, que ao longe tenho certeza que parecem um só.

Quando já estamos os dois sem ar. Eu me afasto, suavemente e mergulho no fundo dos seus olhos, e digo:

— Oi. Eu te amo, e senti demais a sua falta. – Sou retribuído com um sorriso lindo.

— Olá, seja bem-vindo de volta ao seu refúgio. Eu também senti muito a sua falta Henry. E a propósito, eu também te amo, com todo meu coração. Venha, pois, eu preparei um banho para você, sei que você voltará ao trabalho, mas, está muito calor.

Percebi que ela estava agitada.

— Eu não quero que você demore. Porque, a comida está quente te esperando, e depois teremos ainda um tempo para nós.

Ela afastou-se delicadamente, me conduzindo pela mão.

Antes de segui-la, tomei a bolsa, ao chão. Ela olhou-a, acho que percebeu que estava cheia. Fui logo explicando, para não levantar suspeitas:

— São mais algumas roupas. Importa-se, se eu mesmo, guarda-las no guarda roupa? Depois você pode conferir se eu fiz certinho, mas, é que eu fico meio constrangido de deixar tudo para você.

Eu fui logo falando para dar uma desculpa, pois as caixinhas estavam ali, e eu teria de guarda-las.

— Claro, que você pode. Porém, não se constranja. Afinal eu faço isto com prazer, e farei para o resto de minha vida. Então, eu acho que você precisa se acostumar.

— Claro, na verdade, eu amo a maneira que você cuida de mim e das minhas coisas. Mas, é apenas por hoje então, eu prometo.

— Tudo bem, então.

Já estávamos no chalé. Ela se sentou no sofá me esperando. Percebi que já estava tudo pronto, mesa estendida, e tudo mais.

Eu fui correndo ao quarto, procurei ter o cuidado de fechar a porta, e rapidamente, eu alcancei um esconderijo para os meus presentes.

Guardei minhas roupas, e segui para o banho. Ela já havia preparado tudo. Percebi que hoje ela trocou roupas de cama, cortinas... o quarto como sempre, estava impecável e cheiroso. Assim como as minhas roupas que estavam estendidas no cabideiro.

Tenho que admitir. Valerie é extremamente organizada. E isto me faz ter uma ideia, para após nos casarmos. Vou convidá-la para administrar a ferraria para mim. Ela é muito competente, e assim, eu e o Cedrico teremos mais tempo para o trabalho bruto, entregas e poderemos pegar mais encomendas.

Por alguns anos, eu pretendo trabalhar bastante, para acumular mais alguns bens, para deixar um futuro garantido para nós e os nossos filhos. E, ainda, poder descansar daqui a alguns anos, juntamente com ela, sem precisar trabalhar. Então, nós poderemos viajar mais, passear.

Tenho desejado compartilhar isto com ela. E claro, o mais importante, esta será uma forma de passarmos mais tempo juntos.

Ocorreu-me também, enquanto estava no banho, que é tempo de conversarmos onde iremos residir após o nosso casarmos. Eu pretendo construir uma casa na vila para nós, para facilitar com o trabalho, no entanto, eu sei que ela não vai querer sair daqui. Então, este é um assunto que requer cautela.

Eu termino o banho, me seco, me perfumo, me visto. E por sinal, ela escolheu uma camisa de cambraia, branquinha, e um jeans, escuro.

Saio do quarto e ela me espera no sofá, e assim que me vê, estende os braços fazendo sinal, para que eu me deite com a cabeça no seu colo. Eu prontamente o faço, não sem antes levantá-la para dar-lhe um abraço e um beijo apaixonado.

Quando já estamos aconchegados no sofá, ela acaricia os meus cabelos e o meu rosto delicadamente, de forma que eu fecho os meus olhos e sinto que, toda a tensão, vai esvaindo-se do meu corpo, aos seus toques. Visivelmente, eu vou relaxando.

Depois de algum tempo assim, em silêncio, só sentindo a leveza das suas carícias, abro os meus olhos em busca dos seus olhos. Ao encontra-los, vejo amor. Amor em todas as dimensões possíveis. E tento naquele olhar transmitir o mesmo. Todo meu amor, por aquela pessoa, que agora é tão essencial para minha existência, tanto quanto, o ar que eu respiro e a água que eu bebo.

Ergo-me um pouco, fechando o espaço entre nós enquanto ela também se aproxima. Nos beijamos, um beijo calmo, delicado, cheio de amor, carinho, e ao recostar-me novamente em seu colo, digo...

— Amo você, e cada minuto ao seu lado, para mim, vale um mundo inteiro. – Ela responde em meio a um sorriso...

— Assim como eu te amo. Eu adoro estar com você. E amor, eu reli a carta, e quero que você saiba, que eu amei cada coisa escrita ali...

— Que bom... E, eu quero que você saiba que todas elas são de coração princesa...

Nós ficamos mais alguns minutos ali entre carícias, beijos suaves, e contemplando um ao outro. Depois de algum tempo ela diz:

— Vamos, nós precisamos comer.

Levantei-me, tomei a sua mão, e quando estava de pé, observei o quanto ela estava linda naquele vestido branquinho que realçava o branco de sua pele, tão alva. Era um vestido leve, com um belo caimento sobre as curvas do seu corpo. Ficava lindo nela.

Comemos, conversamos, arrumamos tudo, juntos, e ao terminarmos, ela sugeriu que nos deitássemos um pouco, para que eu descansasse. Ela foi ao quarto buscou os travesseiros e a esteira grande em que eu havia dormido no jardim.

Nós seguimos para fora da casa. Então, aí que eu entendi a sua proposta, ela estava me chamando para relaxar ao ar livre, e eu adorei aquilo. Percebi que ela trouxe o despertador, para evitar que perdêssemos a hora. É incrível o quanto ela pensa em tudo.

Nos deitamos, como pela manhã, um ao lado do outro, porém, eu fiquei de lado, virado de frente para ela. Sua cabeça sobre o meu braço, o outro envolvia a sua cintura. Suas mãos estavam sobre a minha em sua barriga.

Nós conversamos muito e eu passei para ela o desejo de leva-la para trabalhar na ferraria, comigo, após casarmos. Ela amou a ideia, creio que motivada, assim como eu, pelo fato de que passaremos mais tempo juntos.

Então, eu achei melhor, falar com ela sobre a questão de onde moraremos, e nesta hora, ela me surpreendeu. Pois, na hora que se manifestou, com tudo o que ela me falou, eu pude perceber que, ela já vem pensando sobre isto.

— Henry, eu gostaria de sugerir que morássemos aqui. Você já vai mexer mesmo no chalé, seria uma ótima. Você sabe que eu não tenho a intensão de voltar para vila. E mais, nós temos tanta privacidade aqui.

Realmente o que ela colocava era verdadeiro. Mas, não era confortável para mim aquilo, eu quero dar uma casa a ela. Resolvi dizê-la isto.

— Mas, Valerie, eu sou o homem, e, eu quero te dar uma casa. Do jeito que você quiser. Pode ser onde você quiser, também.

— Se pode ser onde quero, então, eu quero aqui, pois, na verdade Henry, com tudo que você irá fazer aqui, esta casa será nova, totalmente, e nossa, porque é você quem irá fazê-la. O máximo que nós teremos de fazer, depois, é fazer mais algum quarto dependendo do número de crianças que teremos. E pense como seria maravilhoso criar os nossos filhos aqui, com todo este espaço, este verde e sem contar a privacidade.

Eu precisava admitir que ela tem razão. Mas, então, eu propus um acordo.

— Está bem então, deste que você me deixe fazer mais dois quartos com banheiros, e banheiras e tudo mais, logo. Nesta reforma. E, me permita comprar um terreno e construir uma casa na vila para nós. E nós poderemos até deixar Cedrico e Prudence morar lá por uns tempos, se quiserem. Pelo que eu sei, a casa deles não ficará totalmente pronta até o casamento deles.

O Cedrico, já havia comentado isto comigo.

— Então o que você acha? Se você concordar, eu já vou fechar a compra de um terreno que eu tenho estado de olho a um bom tempo. E assim que terminarmos aqui com o chalé, eu começo a obra lá. E aí? Seja uma boa menina. Pense bem, é um investimento, para o nosso futuro. E você terá a possibilidade de se mudar daqui quando quiser. E também poderemos estar ajudando os nossos amigos.

Eu sabia que este era o meu maior argumento, pois, Valerie amava assim como eu, poder ajudar e alegrar as pessoas que amamos.

— Tudo bem então, eu deixo. Mas, com uma condição.

— Qualquer coisa que você quiser. – Eu disse rapidamente, mas, depois fiquei com medo, pois, eu não fazia ideia do que ela me pediria.

— Que você separe um espaço no terreno para fazermos duas casas pequenas, totalmente separadas da nossa, se for necessário. Uma será para a sua avó e a outra, para minha mãe. Desculpe se isto for muito.... É claro que, eu estou brincando sobre ser uma condição, eu jamais te exigiria algo assim. Mas, é que depois que falamos sobre a sua avó hoje, eu fiquei pensando, no fato dela ficar sozinha naquela casa. Sem você... A mamãe já mora só, mas, ela também irá envelhecer. Eu creio que, se elas morassem próximas, mas cada uma com o seu espaço. Acho isto fundamental. Seria maravilhoso, porque, uma poderia fazer companhia à outra. E mais, nós poderíamos alugar as suas casas, e, elas teriam uma renda a mais. E têm mais, quando as nossas crianças chegarem, elas poderão curti-las juntas. O que você acha? Pode ser sincero, se não puder fazer, ou não gostar da ideia.

Eu estava impressionado, perdi até a minha voz. Como Valerie pode achar que a minha bondade é algo único? Acho que ela não se percebe direito. A ideia, não só era boa, como rentável. Pois, as casas de sua mãe e minha avó dariam bons aluguéis pela localização, claro que eu teria de reformar a de sua mãe, mas era o de menos. E, isso me daria margem para fazer o que a minha avó já havia me pedido, aproximá-la de Suzette.

Quanto às crianças, seria mesmo muito bom. É claro que não havia o que contestar aqui, tudo era perfeito. Exceto que eu faria algo a mais. Eu não irei dividir o nosso terreno coisa alguma, eu quero muito espaço para os nossos filhos, eu vou comprar dois, o que tenho olhado, é cercado de vários ao redor, mesmo. Depois de algum tempo procurando, encontrei minhas palavras.

— Valerie esta é uma ótima ideia, nós vamos coloca-las a par então do que faremos. Apenas, eu devo adiantar, que eu não vou dividir o nosso terreno, de maneira alguma, eu vou comprar mais um ao lado do nosso, ou nos fundos, ainda não sei. Pois, eu quero que as crianças tenham espaço para brincar. Tudo bem para você? E quanto ao que me disse de eu não aceitar se não quisesse ou não pudesse. Fique tranquila, eu posso e vou fazer. Eu quero que você saiba que eu realmente estou feliz pelo fato de você querer trabalhar comigo na ferraria, porque você tem um senso para negócios incrível. Esta história dos aluguéis é bem rentável, é sério. E mais amor... Antes de alugar, terei de dar uma ajeitada na casa de sua mãe, mas ela renderá o dobro depois...

Eu fiquei surpreso com o que ela disse, pois, confirmava o que eu já havia percebido, ela era boa realmente na visão de negócios.

— É eu imaginei sobre o fato de reforma-la, mas também, eu percebi que o retorno seria rápido pela localização. E Henry, podemos deixar estas rendas para elas? Assim, elas não terão com que se preocupar, e terão uma vida estabilizada por muitos anos.

— Claro Valerie, esta já seria, a minha intensão. Nós temos como viver confortavelmente, sem isto. E, com os planos que eu tenho, em relação à ferraria, a partir de agora, tendo Cedrico comigo, e você para administrar as coisas para mim, de uma forma que eu tenha mais tempo para trabalhar mais e abrir novos clientes, em pouco tempo, nós poderemos ter mais alguns bens e uma estabilidade gigantesca para boas gerações. Eu já tenho pensado em tudo isto. Em pouco tempo, eu poderei trabalhar menos, para podermos viajar, passear. Eu poderei curtir você e os nossos filhos. A propósito Valerie, meu pai adoraria ter conhecido você, mais aprofundadamente. Ele ficaria maravilhado e orgulhoso com a sua notável capacidade de organização e administração das coisas. Ele era assim. Ele já amava a ideia de eu me casar com você, ele sempre dizia que eu daria lindos netos a ele. Porque achava você linda. E realmente você é. Linda, perfeita, e minha...

Ao dizer isto, aproximei ainda mais, o meu corpo, em sua direção erguendo-o sobre o meu cotovelo, para ficar quase de frente para ela, para olhar em seus olhos. Ela tocou o meu rosto com uma de suas mãos, e disse...

— Obrigada, eu amo você. E você também é lindo Henry, um homem verdadeiramente maravilhoso, em todos os aspectos. E extremamente desejável. E o que é melhor, meu. – Eu sorri abertamente...

— Seu. Somente seu. Breve seu noivo, seu esposo, pai de seus filhos... – E ela me interrompeu...

— E meu amante... eu quero esta parte também. Muito.

Apesar de ela estar ruborizada por dizer aquilo e eu também, ela continuou me olhando. Valerie fazia questão de mostrar para mim o quanto me desejava, o quanto queria se tornar minha de todas as maneiras possíveis. Aquilo era tão bom. Ela me fazia sentir poderoso, completo, realmente desejável, e muito feliz.

— Sim, seu, de todas as formas possíveis. Quero muito ofertar a você esta parte de mim. E tenha certeza, que compensará cada segundo de espera. Tenho até medo de você se cansar de mim depois.

Eu disse este final com um tom zombeteiro, e ela respondeu sedutoramente para mim.

— Eu duvido muito, eu tenho certeza que você tem muito a se revelar para mim, de forma que a cada dia, será um Henry novo, que eu terei em meus braços. Afinal, tantos anos se privando, sendo tão contido. Com certeza tem muitas coisas oculta aqui.

Ela disse apontando para mim, para o meu corpo inteiro.

— E, muito me agrada a ideia, de que serei eu, a explorar todo este mundo desconhecido.

Ela sorriu para mim... E eu a retribui, dizendo com a mesma sensualidade.

— Ah Sta. Valerie, você não faz ideia de o quanto me agrada também. Ser explorado e descoberto por mãos tão habilidosas, de uma pessoa tão sensível e inteligente. Não consigo nem prever o que você, fará comigo. Mas... eu posso imaginar o que eu farei com você.

Ela arregalou os olhos, e pude vê-los carregados de desejo. Mas, ainda estava mais vermelha, assim como eu.

— Eu quero saber, ela me provocou. – Eu sorri, e ela retribuiu o sorriso, de uma forma tão boa.

— Breve. Em breve você saberá. Esteja pronta...

— Para você? – Ela disse presunçosa. – Eu sempre estou.

Então, delicadamente a beijei. Medindo cada ato, pois, eu sabia que toda aquela conversa, havia provocado a nós dois. Nossos corações sempre nos entregavam. Porque, a esta altura, eles já batiam descompensadamente.

— Amo você nunca se esqueça ou duvide disto. E a propósito. – Eu disse mudando de assunto para aliviar a tensão, e por que eu gostaria mesmo de dizer:

— Você ficou ainda mais linda neste vestido, eu amei o caimento dele ao seu corpo. E tenho algo a lhe dizer. Gostaria que sábado, comprássemos algumas roupas para você. Uma para o jantar, já que será uma ocasião muito especial, e outros para viajem, e para usar nestes dias em que você ainda estará aqui. Eu posso fazer isto? Você me permite? Sem brigar ou reclamar. E me promete que deixa eu te ajudar a escolher. Não por que eu não confie em seu gosto. Mas, por que eu quero ser o primeiro a vê-los em você? Então, o que acha? Ah e antes que eu me esqueça, sapatos também.

Ela sorriu maliciosamente para mim e respondeu.

— Sim, se... – Eu a encorajei.

— Se...

— Se você me permitir escolher algumas coisas para você também, ao meu gosto. Pois, se é para eu andar mais bonita, pra agradar os seus olhos, também tenho o direito de coloca-lo da mesma forma, para agradar a mim.

Achei incrível aquilo, ela queria me vestir do jeito que ela me achava mais desejável. E confesso, eu gostei daquilo.

— Claro, Sta. Valerie, meu objetivo é satisfazer você, sempre.

Ela disse agora mais maliciosamente ainda, e com um olhar faceiro:

— Ah é. É? Então, nós veremos.

Ela deu um leve empurrão em mim. De forma que, eu cai de costas, e ela subiu em cima de mim rapidamente com minhas pernas entre as dela, um segundo antes de eu compreender o que ela iria fazer, ela investiu contra mim...

Mais um ataque de cócegas, em minhas costelas... eu arfei buscando ar, enquanto ríamos, verdadeiramente. E eu tentava dizer inutilmente.

— Ah não...Valerie... isto não é justo... por favor...

Ela continuava, e ria, ria muito, assim também, como eu. Depois de algum tempo, num instante de falha dos seus movimentos, eu consegui mudar as nossas posições, e agora eu estava sobre ela.

Por mais que eu não colocasse o peso do meu corpo totalmente sobre o seu, eles se tocavam completamente. E antes que a situação se tornasse desconfortável, foi a minha vez de agir.

— Agora você terá seu troco mocinha...

Ela me olhou com olhar alarmado, mas cheio de expectativa, tentando imaginar o que eu faria. Então, rapidamente me levantei, tomei-a sobre meu colo, só que deitada como uma linda boneca. E girei e girei com ela. E assim como de manhã, ela sorriu, e sorriu. E eu também. Aquilo era tão bom, tão libertador. E ela dizia...

— Para Henry, estou ficando tonta, acabamos de comer.

— Ah é, agora você se lembra disto, mocinha?

E caímos em mais uma rodada de risadas, e por fim, eu desabei com ela sobre a esteira e travesseiros, claro que, calculando cada movimento para não a machucar.

Ela deslizou-se para o meu lado deitando-se com a cabeça em meu braço novamente. E ficamos ali virados para o céu contemplando o dia. E nos acalmando.

Depois de algum tempo, eu olhei para ela, e ela fez o mesmo. E eu disse:

— Eu simplesmente amo esta sua vitalidade. Eu nunca conheci uma pessoa tão viva assim... você leva alegria onde você passa Valerie. Acho que é por isto que todos têm notado o quanto eu tenho mudado, todos têm se preocupado em me dizer isto, que você tem feito um bem enorme para mim. Como se eu não soubesse disto. Você, a sua chegada a minha vida, mudou tudo, deu cor, deu vida. E eu quero que você saiba que eu nunca conseguiria sem você. Ser curado, ser completo... eu sou extremamente feliz por não ter desistido. E obrigado, por tudo.

Ela sorriu lindamente e seus olhos encheram-se de lágrimas.

— Ah Henry, eu fico muito feliz. Que você me diga isto. Mas, eu quero que você saiba, que eu não poderia fazer diferente, porque é exatamente, a mesma coisa que você tem feito por mim. Me feito feliz, feliz demais, a cada segundo você cumpre a sua promessa. E eu amo você cada vez mais por isto.

Viro-me novamente, e beijo-a ternamente, e pergunto:

— Vai estar vestida como eu pedi hoje?

— Claro, o seu pedido, é uma ordem.

— Hum. Que bom ouvir isto. – Sussurro em seus lábios. – Hoje, você não precisa preparar o meu banho. Eu vou vir pronto para ganharmos tempo e passarmos mais tempo juntos, antes de sua mãe, chegar. E a propósito, eu falei com ela. E Valerie, você precisa ver como ela ficou feliz. Fiquei com pena, pois, eu vi o quanto ela sente a sua falta.

— É eu sei Henry, e obrigado, por me ajudar a corrigir isto. Estas são coisas que tenho certeza que não venceria tão facilmente sem você.

— Ha-hã.... É bom saber Sta. Valerie, que eu sou útil, a você. – Ela sorriu com o rosto alarmado falsamente, e disse:

— Útil? Você é muito mais do que isto, você é extremamente necessário, Sr. Henry Lazar.

— Você gosta, do meu sobrenome, não é?

— Claro, acho ele, lindo, forte.

— Hum.... Que bom, está ciente de que em breve, ele será seu também?

— Sim, e gosto muito da ideia. – Eu sorri e a provoquei.

— É mesmo futura Sra. Lazar? – Ela abriu um sorriso enorme, evidenciando o quanto havia gostado daquilo. – Gostou é? – Eu disse beijando seus lábios.

— Sim, amei. Fala de novo.

— Claro. Muito em breve, você se tornará a Sra. Lazar. Aliás, minha Sra. Lazar.

Eu disse agora aumentando o aperto em sua cintura, e beijando cada parte do seu rosto, provocando-a. Ela sorria e retribuía com selinhos em meus lábios.

— E você será meu, somente meu, Sr. Lazar.

— Não. De jeito nenhum... – Ela me olhou alarmada e eu concluo rapidamente. – Seu eu já sou, faz muito tempo, você só tomará posse oficialmente. – E ela ampliou o seu sorriso. E somos interrompidos pelo relógio que desperta.

— Mas já? Passou tão rápido. — Eu digo a ela. E ela me responde tristemente.

— É verdade, é mesmo uma pena que esta noite será bem diferente, ela vai se arrastar demoradamente.

Como ela fazia questão de mostrar o quanto sentiria minha falta, e aquilo apertava meu coração.

— Eu sei querida, mas, pense bem... Muito antes do que você imagina, nós, não precisaremos ficar longe, mais um do outro. Vamos dormir juntos todos os dias e... sem restrições.

Ela abriu um amplo sorriso, para em seguida, ele sumir repentinamente. Preocupado perguntei-lhe:

— O que foi? Você não gostou da ideia?

— Não. Muito pelo contrário, eu amei a ideia. Mas...

— Diga meu amor. – Eu a encorajei.

— Eu fico pensando, se, ainda vai... demorar. Ah... Desculpe-me Henry, eu não tenho intensão de pressioná-lo. Leve o tempo que for necessário.

Este seu comentário foi bem interessante, porque, há algum tempo atrás, ela não gostaria nem ouvir falar numa possibilidade de se casar comigo, e agora, ela está ansiosa.

Quanta coisa mudou... Eu fiquei triste pela carinha que ela fez, talvez pensando que vai demorar, para que eu sinta que seja a hora de pedi-la em casamento. Eu quase conto a ela. Mas, então, mordo a língua, lembrando-me que valerá a pena à surpresa. Falta tão pouco.

— Paciência, falta muito pouco. Será quando você menos imaginar...

Ela sorri um pouquinho, e eu digo:

— Vamos?

Então me levanto e puxo-a comigo. Ajudo-a a recolher tudo e guardar. Então, ela me acompanha até o jardim, novamente, para poder se despedir de mim.

Beijamo-nos apaixonadamente, e eu sussurro em seu ouvido:

— Obrigado, foi ótimo almoçar com você. E passar estes momentos ao seu lado. – Ela sorriu.

— Foi um prazer, Sr. Lazar. Sempre a sua disposição. E amanhã você virá outra vez, no intervalo para o almoço?

Ela não deixou de corar ao perguntar, acredito que o motivo é que ela estava evidenciando o quanto está ansiosa e desejosa por minha presença.

— Claro, se você não estiver cansada de me ver e de ter que cozinhar para mim. – Eu disse zombeteiro.

— De jeito nenhum, eu não me canso de te ver, e amo fazer tudo por e para você, inclusive cozinhar.

— Tudo bem então, no almoço e também depois do trabalho, porém, amanhã, eu não fico para o jantar. Ah, faz um favor, para mim, coloque outro vinho e champanhe para gelar. É bom, porque poderemos desfrutar um pouco de alegria com a sua mãe, já que ela não pode vir ontem.

— Claro. Eu te amo. Seu lindo e se cuida.

— Sim, e você também, princesa. – Então, a beijo mais uma vez e parto rumo a vila.

POV VALERIE

Como posso ficar a cada dia mais apaixonada? É possível? Espero que sim, por que se não for, tenho sérios problemas. Entretanto, como não se apaixonar a cada dia por um homem tão perfeito? Simplesmente impossível.

Eu fico impressionada em comprovar a cada dia, que o Peter realmente estava com razão, que seria muito importante me aproximar do Henry.

Eu verdadeiramente, sou a pessoa mais abençoada que existe. Ter amado duas vezes e ser correspondida nas duas vezes, e por duas pessoas incríveis. Só não consigo explicar como, acredito, que nesse momento, eu jamais conseguiria.

Só há algumas coisas, que não tem me permitido ter completa tranquilidade, uma é que eu ficarei longe de Henry, nestas duas noites, que já posso prever que não serão fáceis. E a outra, ‘que eu estarei sem ele por quase um mês, por conta da viagem. Vou mesmo precisar me preparar e ser forte.

Por que desde que Peter se foi, eu não estive sozinha, alcancei um Porto Seguro. Eu fico tentando imaginar, como será sem o meu Porto Seguro? Algo me diz, que hoje eu terei alguma noção, e de que eu não irei gostar.

Outra coisa, que me preocupa, é que eu achei o Henry um tanto ansioso e misterioso. Por mais que ele seja, muito bom, em disfarçar o que está sentindo. Comigo não funciona mais.

Porém, o que me deixa mais apreensiva, é que eu não sinto que o motivo que o tem deixado ansioso assim, seja ruim, muito pelo contrário, imagino que seja algo bom, que está por vir. O que será?

Notas finais
E aí pessoas o que acharam? Mereço Reviews e Recomendações? Gratidão e até o capítulo 24.