A Garota Da Capa Vermelha - Continuação.
26 CAPÍTULO BÔNUS - EM UM PLANO SUPERIOR… (25/26)
Notas iniciais
POV NARRADORA
Toda a ocorrência da vida terrena de Valerie e Henry, é criteriosamente acompanhada, como acontece com todos os mortais. Esse fato, ocorre, em um Plano, muito maior que este. Onde todos os propósitos são traçados e determinados, e fogem a qualquer compreensão terrena.
Um Plano, em que as escolhas que fazemos durante a nossa jornada terrena, abrem ou fecham os caminhos. Escolhas nobres os abrem. Porém, escolhas equivocadas os fecham para sempre.
Peter fez algumas escolhas que o redimiram e que o permitiu coisas além da compreensão humana. E agora em outra etapa cumpre a sua missão...
POV PETER
Eu estava tranquilo, caminhado pelos jardins, quando de repente vejo a avó de Valerie.
Pelo que eu vejo, ela está meramente de passagem, mas sempre que passa por aqui, gosta de saber como as coisas estão. Boa criatura, ela sempre foi.
Nem dá para acreditar que ela foi casada com um lobisomem e foi mãe de outro em sua vida terrena. Os dois foram feras abomináveis que se deixaram ser dominados pelo ódio e pela maldição.
Eu fico muito feliz por eu ter escolhido ser diferente. Mas, é claro que eu sei, que eu apenas consegui por ela. Em parte, é por isto que ela terá mais privilégios.
Valerie conseguiu me manter longe das trevas e da escuridão. Eu nunca permiti que a minha natureza de lobo, aflorasse por medo de perdê-la. Ela foi a minha salvação, por isto, eu quero estar aqui.
Eu devo isto a ela. E a ele também, por cuidar dela, tão bem. O Henry realmente, se mostrou muito mais que merecedor dela.
No breve encontro com sua avó, foi possível nós conversarmos um pouco.
— Olá, você ainda está por aqui Peter? – Ela me pergunta surpresa.
— Sim, e ainda vou ficar por um tempo. – Respondo.
— Porque eles designaram você para cá? – Poucos sabem a respeito do
privilégios e resolvo compartilhar com ela.
— Eles não me designaram, me deram a oportunidade de escolher. – E
como é bom saber que eu alcancei esse privilégio.
— Interessante... e você escolheu estar aqui?
— Claro. Eu tenho muitas coisas a fazer ainda, eu sinto que eu tenho.
Eu sempre soube que eu teria. Bem, em meu coração eu sabia, desde que eu cheguei aqui.
— Mas ao que parece eles estão muito bem... – Ela dizia referindo-se a alegria da Valerie e do Henry, por estarem juntos.
— Sim, eles estão. Entretanto, eu soube que virá algo que terão de passar, e, eu temo que eles não suportem. Eu quero estar aqui. Eu sei que eu não posso interferir. No entanto, eu posso ajudar de alguma forma. Eu sinto isto.
— Você realmente a amava, não é Peter?
— Claro que sim. Mas, não é só isto, há muito mais. – Como é difícil para os outros compreenderem. A minha motivação, vai muito além disso, é gratidão também, o esperar de Valerie por mim o fato dela cuidar de mim, não desistindo, persistindo até o fim, não permitiu que eu sucumbisse aos instintos de lobisomem. Por ela eu consegui manter a minha humanidade intacta.
— Por que você pôde escolher onde ficar? Isto não é algo comum aqui.
Realmente poucos sabem dos privilégios. Obviamente, é porque, também, poucos os têm, pois, é muito árduo e difícil, realizar os feitos que os conquistam.
— Eu sei. É apenas para quem tem feitos nobres. Apesar de que, eu não vejo nada de nobre no eu que fiz, mas eles acham assim. – Digo a ela.
— E o que foi que você fez?
— Algumas coisas, significativas, mas, uma das que creio eu que, aumentou as minhas possibilidades, foi que eu o perdoei, perdoei por amá-la e pelo ódio que o povo da Vila mantinha por mim, devido à morte da sua mãe pelo meu pai... E, eu fiz um acordo com ele para cuidar dela. Na verdade, ele era o único capacitado e também o único a quem eu julguei que, a merecesse. Ele realmente a merece. Eu vejo isto.
— Eu concordo plenamente com você, me desculpe. Ele realmente a ama e a merece, ele esperou muito por ela Peter.
— É, eu sei...
— Eu ainda fico impressionada... eles sempre falam que o perdão concedido lá, abre portas aqui. Concede concessões. Contudo, ainda é de se admirar, o quanto isso é real e poderoso. Se você me permite, me conte, eu realmente tenho curiosidade, como é para você lidar com isto?
— Ah, você sabe... as coisas aqui são diferentes. Nós entendemos os propósitos, muito embora, só saibamos o que eles nos permitem saber, mas, nessa dimensão, é possível entendermos. E, hoje eu vejo com muita clareza, sempre foi para ser assim. Se eu não houvesse voltado por ela, seria ele, sempre foi ele. Eu fiz a minha escolha e arquei com as consequências.
— Então, você se arrepende? De ter voltado, por ela.
— De maneira alguma, se eu não houvesse voltado, e tudo não ocorresse como foi. Eu não poderia estar aqui agora, cuidando dos dois, até que eles, sejam submetidos ao que terão de passar.
— Vai ser algo muito difícil então?
— Muito, demais... E, eu admito que eu temo por receio deles não terem forças, pois vai mexer com os medos mais profundos dos dois... Todos os dois, são fortes. Aliás, muito fortes. Mas, o medo é perigoso, ele paralisa, e o Henry ainda é assolado pelo medo da perda, e é demais. Ele precisa superar, uma pena ele ter esperado tanto para enfrentá-lo, porque terá de ser, da maneira mais difícil. Assim como ela.
— E se eles não vencerem?
— Ainda assim, eles terão uma chance, por causa do que Valerie fez por mim, mas, com sequelas. Entretanto, se eles vencerem, tudo volta ao normal, porém, com mais paz e o ciclo de provações desta categoria se fecha.
— Então você quer mesmo que eles consigam?
— Sim por isto estou aqui. Eu quero estar próximo quando acontecer. Eu quero protegê-los e guardá-los para que eles não sejam tomados por fraqueza na hora determinada.
— Abnegação e Coragem. Interessante sua essência.
— Mas a dele também é, Altruísmo e Bondade. E a de Valerie? Cuidado e Persistência. Tudo que eu precisava e que, o Henry precisa agora. O Henry só terá esta chance também, por que me perdoou, de verdade. E tenho que dizer, hoje eu vejo, para ele foi muito mais difícil.
— Por quê, você diz isso?
— Simplesmente por que eu representava as suas duas maiores perdas, a sua mãe, pois, o meu pai, a matou. E a Valerie, o tempo que ela me amou, e não pode se aproximar dele.
— Hum... Agora eu compreendo. A extensão da ferida dele era muito profunda...
— Demais... e para você, como é? Saber que o seu marido e o seu filho, foram condenados? Acredito que não deva ser fácil.
— Como você mesmo disse Peter, aqui as coisas são diferentes. Ele e Cesaire fizeram a escolha deles, e pagaram por elas. Muito diferente de você, que teve o mesmo destino infeliz, mas resolveu fazer escolhas diferentes, dando o melhor de si para não se tornar amaldiçoado.
Então, ela sabia... Ela deu-me um sorriso, por perceber a minha surpresa e disse-me:
— Sim, eu sei. Há muitos comentários, sobre isto por aqui. É um feito heroico Peter. Conseguir suportar e vencer, uma maldição daquela magnitude? Certamente é algo que será, por muito tempo, lembrado, e que ocasionou e ocasionará um impacto gigantesco, por muitas gerações.
Mais uma vez eu fui surpreendido, por seu pequeno discurso.
— É uma preciosa lição, não é? Nós passamos a vida inteira, julgando isto ou aquilo como certo ou errado. Mas, o que definirá mesmo, o que está certo ou errado são as escolhas que fazemos. A vida pode nos mandar inúmeras provações, ou até mesmo maldições. No entanto, quem decide o que vai fazer com aquilo, transformando em perdição ou vitória, somos nós com as nossas escolhas. Seria tão mais fácil viver lá, se compreendêssemos isto com a clareza que vemos agora, enquanto estamos aqui, não é?
— Claro. Porém, estas são as nossas provações. Elas que nos moldam e definem quem somos ao longo do tempo.
— É eu sei... Como sei.
— Preciso ir Peter. Eu não posso ficar. Eu apenas estou de passagem, novamente. Ah, eu ia me esquecendo... Eu soube que Laura, a mãe do Henry, também está aqui.
— Claro que está. Por Henry. Ela é extraordinária. Você ficou impressionada com as minhas conquistas? Você não tem a mínima noção, das dela. Você acredita que ela perdoou mesmo, o Adrian e a Suzette e até o meu pai? Ela ama profundamente a Valerie, ela cuidou de encaminhar Lucie quando ela chegou aqui...
— Você viu a Lucie?
— Sim, quando está de passagem, ela vem ver Laura. E conversa muito comigo. Ah... eu vi o Cloude, também.
— Ah... como eu gostaria de vê-la...
— Quem sabe uma hora vocês não se encontram em alguma missão.
— Seria ótimo... Eu preciso ir Peter. Eu tenho para mim, que você vai conseguir cuidar deles, você é bom nisto.
— Obrigado. Creio que, com a Laura por aqui, será um pouco mais fácil. Entretanto, não totalmente. Porque, algo me diz que, se eles autorizaram a nós dois ficarmos, é por que a coisa será muito mais difícil do que imaginamos.
— Eu acredito que sim, porém, quer saber? Eu tenho certeza, de que vocês irão conseguir. Adeus Peter.
— Adeus, boa missão... Você já sabe para onde você vai?
— A você também, uma boa missão... Sim, mas, eu não os conheço ainda.
Já havia um longo tempo, que eu não via alguém conhecido por aqui. Apenas a mãe do Henry, a Laura.
Ela também resolveu voltar para cá. Ela assim como eu, quer estar aqui quando tudo acontecer.
Ela poderia escolher uma missão para qualquer lugar, mas, ela quis ficar aqui por ele. E eu por Valerie, e, por ele também eu tenho que admitir.
Laura sempre conversa comigo. Ela foi incrível em sua vida. Porque ela perdoou o imperdoável. E está aqui agora, podendo fazer escolhas preciosas. Para cuidar dos que ela ama.
Simples assim. As minhas escolhas poderão dar a Valerie muitos privilégios e benefícios.
Eu me concentrarei nisto. Em ajudar a ela e ao Henry a superarem os seus obstáculos. Porque, se não fosse por ela eu certamente haveria sucumbido à natureza amaldiçoada de fera e jamais poderia estar aqui...
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