A Garota Da Capa Vermelha - Continuação.
27 RECONSTRUINDO OS LAÇOS - Capítulo 26
Notas iniciais
POV VALERIE
Assim, que o Henry se foi, eu tomei o caminho em direção ao quarto, e, ao abrir a porta, lá estava ela. Coloco o envelope na mesinha do meu lado da cama, para ler mais tarde, quando eu estiver sozinha.
Eu estive imersa em meu próprio mundo, por tanto tempo, que eu não havia me dado conta, da falta que me faz, a sua verdadeira presença em minha vida. Ela estava sentada, encostada na cabeceira da cama, me esperando.
Apenas agora, foi que eu me dei conta, de o quanto eu sentia falta de estar próxima a minha mãe. Eu e ela ainda dormíamos juntas, de vez em quando. Isto quando eu ia para sua casa em noites de lua, mas, a nossa aproximação, não era mais a mesma.
Então, eu deixei o distanciamento, imposto pelas circunstâncias, de lado, e fui ao seu encontro. Ela estendeu os braços para mim, e me recebeu em um abraço reconfortante.
— Ah minha filha, como eu senti falta disto. Ah Valerie, se você soubesse o quanto eu amo você. Eu... sei que eu errei... eu errei muito, com você. Mas..., eu nunca deixei de amá-la.
Eu ergui a minha cabeça, buscando os seus olhos, E olhando-os disse...
— Eu sei mãe, eu também senti muito, a sua falta. E eu também amo muito você. E quanto a errar, todos nós cometemos erros. Dos tipos mais variados. Mas, o que importa, é obtermos coragem o bastante, para admiti-los, e quando possível, acertá-los. E, eu sei, eu posso contemplar que você tem feito isto. Eu quero te agradecer mãe, porque um dia, você acreditou, semeou e, apesar de tudo, você manteve a fé, a confiança, em relação a minha felicidade, ao lado do Henry. Você sempre esteve certa. O Henry me faz muito feliz mãe. Ele é o maior presente que eu poderia ter recebido, e de verdade, eu sei que eu não o mereço... – Ela colocou o seu indicador sobre os meus lábios, e não me permitiu prosseguir.
— Eu sempre soube, que o Henry era tudo o de melhor que eu podia te oferecer minha filha, e hoje você sabe, que, não se trata meramente de dinheiro, quando falo isto. Ele é um homem maravilhoso. Ele é muito parecido com o pai dele, com uma única diferença apenas. Ele é ainda mais corajoso que o pai. O Henry enfrentou muitas coisas para esperar por você Valerie. Só quem ama realmente, e tem coragem para lutar pelo que ama, é capaz de fazer algo assim.
As palavras da minha mãe, faziam todo o sentido para mim, eu mesma podia ver isto com clareza, agora.
— Eu sei... no entanto... – Ela me interrompeu novamente.
— Me deixe terminar... você só está errada em uma coisa, Valerie. Em achar que você não o merece. Você o merece sim, minha filha, não só ele, mas tudo o de melhor. Todo este tempo, você foi verdadeira com o Henry, talvez por isto ele ainda tenha te amado mais. Você nunca se aproveitou da situação. E claro, hoje eu sei que eu não posso ignorar o que você sentiu pelo Peter. Claro eu que sei. E até nisto você foi verdadeira e corajosa. Você pensa que eu não sei, que você estava disposta a fugir com ele, caso, os episódios com o lobo, não houvesse acontecido? É claro que eu sei.
Neste instante, o meu rosto queimou de vergonha. Então, ela sabia de tudo e apenas esperou as coisas acontecerem. Ela nunca interferiu, na verdade.
A questão do casamento arranjado, as pressas, com o Henry, realmente foi um ato de desespero. Por medo da situação dele com Lucie, pelo fato dos dois, serem irmãos e estarem correndo o risco de se casarem. É óbvio que isso afetou a mim, porque me afastaria do Peter.
Entretanto, agora, eu compreendo que, realmente foi um ato desesperado e não premeditado. Ela prosseguiu.
— Eu sabia que você é corajosa, o bastante, para lutar pelo que você ama minha filha. E agora você pode ver, que o Henry também é. Eu sei, que você vai, porque eu conheço você, minha filha. Contudo, eu preciso te dar este conselho. Lute com todas as suas forças, para fazê-lo feliz, Valerie, ele merece e você, merece. E, ele sofreu muito, inclusive por você. Jamais desista. Virão momentos difíceis, obviamente, mas, você já é madura o suficiente para saber, que, em nenhuma circunstância, nesta vida, haverá flores o tempo todo. Entretanto, lute por isto, dê tudo e o melhor de si. Pois, eu sei, que a única coisa que o Henry, quer, de fato, ele que sempre quis, é você. É fazê-la feliz. Então, como mãe, eu preciso te dar este conselho. Aconteça o que acontecer... mesmo que vocês já estejam compromissados filha, vocês estão apenas se conhecendo ainda, portanto, aconteça o que acontecer, não desista dele.
— Eu sei... Obrigado mãe. E eu prometo que eu irei fazer isto, mesmo por que, eu não conseguiria desistir dele, eu o amo, de verdade, mãe.
— Já está fazendo minha filha, eu já posso ver, o quanto ele tem mudado. E você também. É lindo olhar para vocês, a conexão, a ligação, a cumplicidade que vocês alcançaram é inacreditável. Poucos casais tem isto. Realmente é uma dádiva. Conserve isto. Porque é algo muito poderoso. E, eu sei, eu vejo o quanto você já o ama.
Eu sorri, porque, a mamãe, não é a primeira pessoa a dizer isto. O Cedrico também, disse isto ao Henry.
— E Valerie, eu não sei se ele te falou, ele me contou que ele tem dormido aqui...
Eu não consegui deixar de enrubescer com o comentário. Porém, eu realmente gostaria de falar com ela a respeito. A minha mãe é uma pessoa experiente, talvez, ela pudesse me ajudar. Ela prosseguiu:
— Foi até muito constrangedor, mas, eu percebi que era algo importante para ele. Então, ele me disse, qual foi o verdadeiro propósito disto. Contudo... eu te pergunto, agora... hoje... tem sido fácil esta proximidade, sem... desculpe-me minha filha, se não quiser compartilhar, eu entendo. Eu apenas pensei que você talvez, estivesse precisando de ajuda. No entanto, se eu estiver enganada, eu vou entender.
— Não. Tudo bem, eu quero mesmo falar sobre isto. Olhe, a proposta é esta mesmo, mãe. Porém, eu admito que, não está sendo fácil.
— É eu sei, para os homens, nunca é... por que, eles...
Ela estava entendendo o contrário, para o Henry, ultrapassar limites, em relação a isto, é mais difícil.
Entretanto, para eu falar sobre isto, com ela, ela teria de saber que eu e o Peter... Acontece que não há outro jeito, ou é agora, ou nunca, se eu quero ser verdadeira, eu vou ter que lidar com isto:
— Não mãe, você está errada. O Henry não é assim. Eu não posso te dizer, exatamente, o porquê, pois, diz respeito somente a ele e a mim, é algo sobre a vida dele, que ele apenas compartilhou comigo. Todavia, tem haver com a personalidade dele, a criação, e a questões emocionais. É só o que eu posso dizer. Mas... para mim, é que não tem sido fácil. Por que...
Ela mais uma vez, me surpreendeu.
— Eu sei... você e o Peter. Eu sei, minha filha. Eu sou sua mãe, eu conheço você, sou uma mulher, e, eu fui jovem como você, um dia, e, apaixonada também. Eu nunca vou te condenar por isto, Valerie. Eu já disse, você é corajosa. Porém, eu acredito, que você precisa abrir os seus olhos para entender uma coisa. Talvez, você não veja, desta forma, por ainda ser muito nova, e, apesar de ser madura, pelo tempo de vida, você ainda é inexperiente para algumas coisas. Então, eu creio que, eu posso ajudar você. Você quer?
— Claro que eu quero mãe! Eu não sei o que fazer. Ele já cedeu, em muitas coisas, mas, é difícil, sempre há uma relutância, uma hesitação, e aí, o que eu devo fazer?
— Olhe, a primeira coisa que você precisa saber, é o que você quer. E depois, o que você está disposta, a enfrentar, pelo que quer. Somente depois disso, você deve dar o passo seguinte. Você quer aguentar e esperar? Você vai suportar isto? Ou você acha que não pode e que pode ser melhor se conseguir que ele ceda? Outra coisa que você precisa considerar: fará bem aos dois? No que você acredita? Você deve avaliar tudo isto, filha.
— Hum... compreendo. Mas, o fato é que, eu ainda não sei, se vai ser mesmo o melhor. O que eu sei, é que hoje, é torturante, desesperador.
A minha mãe sorriu, e eu notei, mais solidariedade ali, do que tudo. Ela realmente sabia o que eu estava sentindo. De fato, ela sabia o que era ter que reprimir um desejo poderoso, porque em verdade, é isto, trata-se de desejo aliado ao amor correspondido, algo que é, em suma, muito poderoso.
Obviamente, a minha mãe sabia disto. Por causa da história dela com o Adrian, o pai do Henry. Quanto tempo será que eles passaram reprimindo? Olhando por essa perspectiva, eu não podia deixar de ter pena dela.
— Então, de posse desta certeza, e caso ela seja, de que você deva prosseguir. Você precisará fazer o seguinte: pense bem... o Henry, já sabe que a tem, sem relutância. Você já se entregou integralmente, é possível observar isto, por que, isto faz parte de você, do que você é. Entretanto, será que ele ainda hesitaria ou continuaria relutante, se ele percebesse que esta disposição de se entregar, amorteceu? Ou seja, se você não permitir mais, que as... coisas se aprofundem, mostrando a ele, é claro que é para o bem dele... para que ele, não se sinta mal. O que você acha que aconteceria?
Hum...
— Ele faria de tudo para que eu voltasse a me importar... ele me ofereceria... nossa, isto... é tão...
— Estratégico? Sim, é... – Ela deu uma risadinha leve... – Por isso eu disse, que estas coisas, dependem de experiência, Valerie. As mulheres têm uma arma poderosa a seu favor, que é: a sensibilidade para perceber o que ameaça, o amor de suas vidas, os filhos ou a paz de um lar. Eu acredito que, isso é um dom do Criador, muito peculiar as mulheres. Obviamente, nós a devemos usar, quando necessário. E as estratégias, são importantes para isto. Entretanto, foi por isto que eu perguntei...
E ela repetiu...
— O que você quer e o que você está disposta a enfrentar pelo que você quer? Só depois disso, você deve dar o passo seguinte. Quer aguentar e esperar? Você vai suportar isto, ou acha que não pode e que pode ser melhor se você conseguir que ele ceda? Depois, avalie: fará bem aos dois? No que você acredita? No mais, é com você. Você escolhe. Todavia, se você realmente acredita que isto pode prejudicá-lo, eu aconselho você a esperar.
— É eu sei. Por isto eu venho me esforçando para aceitar, quando eu preciso lidar com esta espera. E de certa forma, a viagem vai ajudar um pouco.
— É, você tem razão... mas, minha filha, uma coisa tem me preocupado... Você precisa tomar muito cuidado com este tempo na casa de Madelaine. Você sabe do que eu estou falando, não sabe?
Sim, eu sabia. Made tem três irmãos, o Marvel, que é o mais velho, o Mildrad, que é o segundo mais velho e o Marverick, que é o caçula dos homens e mais velho que a Made, ou seja, Made é a caçula de todos eles, e o xodó do Marvel e do Marverick.
Marvel e Marverik sempre foram pessoas maravilhosas. O que me deixa muito feliz, por saber que a Roxane se casará com Marvel, porque ela merece alguém assim.
No entanto, o Mildrad, sempre foi uma pessoa terrível. Ele possui um caráter deplorável. E, desde a infância, ele é obcecado por mim.
Uma vez, o Peter quase o matou, dando-lhe uma surra, por minha causa. Ele tentou usar a sua força para se aproveitar de mim, e o Peter, graças ao Criador, chegou na hora exata. Porém, tão indignado que terminou o arrebentando.
Portanto, por este fato, o Mildrad sempre odiou o Peter. Já com o Henry, ele sempre foi neutro, talvez, por nunca imaginar, que, algum dia, eu poderia vir a amar o Henry. Ou, talvez, por que, o Henry, é realmente uma pessoa impossível de se odiar.
Entretanto, eu sei e admito que, depois que as coisas entre o Henry e eu, tornaram-se sérias, eu estou com medo. Porém, eu não quis falar com ele, devido ao receio de preocupá-lo. Contudo, eu creio que, eu estou cometendo um erro. Eu preciso resolver isto antes de viajar. Eu e o Henry prometemos sinceridade. Eu necessito corrigir isto. E será amanhã.
— Você já falou com o Henry sobre isto, Valerie? – A minha mãe perguntou, preocupada, me tirando dos meus pensamentos.
— Não. Ainda não, mãe. Mas, eu pretendo conversar com ele amanhã.
— Você faz bem minha filha. Você nunca deve permitir que vocês escondam nada um do outro, isto pode levar qualquer relacionamento, por mais que haja, amor supremo, ao fracasso. Confiança, é algo fundamental.
— É eu sei, mas, é que eu estava com receio. Você sabe como o Henry já é preocupadíssimo, com tudo, querendo ou não, às vezes, eu fico querendo preservá-lo. Ele carrega muitas responsabilidades sozinho, mãe. Entretanto, agora, já próximo a viajem, eu vejo o quanto é importante. Obrigada mãe. Por tudo.
— Por nada filha. Quanto as responsabilidades do Henry, eu também, me pego pensando nisto às vezes, em o quanto a vida tem exigido dele, desde tão novo. Mas, eu compreendo que o Criador o capacitou para isso e com muita competência. E, o fato dele agora ter você, para apoiá-lo, o ajudará muito, por que você também já passou por muitas coisas, minha filha e isso te fez muito amadurecida. Bem, eu creio que agora, nós precisamos dormir. Está tarde.
— É mesmo. Eu quero tomar um banho antes, está calor, e depois, eu vou colocar o pijama, eu já volto.
Beijei a sua testa e fui em direção ao banheiro, tomar banho. Eu não pude deixar de pensar no que conversamos, e o quanto aquilo me fez bem.
Enquanto a água escorria por minha pele, ainda sensível, minha mente buscou rememorar o dia de hoje. Como foi maravilhoso vivenciar cada situação ao lado do Henry. Cada gesto, cada toque, cada palavra, o pedido de casamento e o fato de agora, nós estarmos noivos.
Eu preciso admitir, é tão reconfortante, é tão deliciosa, a sensação de poder chama-lo de “meu noivo”. É verdadeiramente, um motivo de alegria para mim. Saber que aquele homem tão belo, tão bom, generoso, corajoso, determinado, paciente, e... hum... delicioso... é meu.
Sim, eu admito em todas as instâncias, o Henry, é uma tentação para mim, eu desejo-o demais. Portanto, saber que ele é meu noivo, obviamente, faz com que eu o queira mais ainda.
Diante de tantas possibilidades, diante de tantas incertezas e obstáculos, o Criador o reservou para mim. Mesmo depois de tudo se mostrar contrário a isso. É realmente reconfortante. E saber que hoje, eu o amo tanto, que eu seria capaz de qualquer coisa por ele, é admirável. A minha história com o Henry é admirável.
Pensei em tudo que ele tem me proporcionado, o restabelecimento do contato com nossos amigos e com a minha mãe. Trata-se de uma jornada incrível, o que temos construído juntos.
Eu não deixo de estar preocupada em como será a sua noite. Será que ele ficará bem?
Outra preocupação que me ronda, desde que falamos sobre isso, é sobre os seus casos do Grande Reino... Já pensou eu esbarrar com alguma delas algum dia? Deus me livra, este pensamento, fez doer a minha alma.
Eu prefiro nunca ver, mas, eu fico curiosa, como será que elas eram? O que será que elas possuíam de especial, que fez o Henry querer dormir com elas? Aff... sinceramente, eu não creio que foi uma boa coisa, eu saber disto. Me faz mal. Espanto este pensamento.
Outra fonte de preocupação para mim, é o assunto que a minha mãe e eu, conversamos sobre o Mildrad. Será possível, que mesmo agora, próximo a eu me casar, ele faria alguma coisa comigo, ou contra mim?
Assim que a pergunta se configura em minha mente, uma certeza ganha foco: quando trata-se de Mildrad, nós nunca podemos duvidar ou facilitar. Pensar no nome dele me deu calafrios. Mas, eu procurei associar, a água e acelerei o banho.
Ao terminar, eu me enxuguei, escovei os dentes, vesti o pijama e sai do banheiro, em direção ao quarto.
— Está acordada mamãe?
— Sim, eu te esperando minha filha.
Então, eu fui em sua direção e deslizei na cama até ficarmos próximas uma da outra...
— Hum, como isto é bom mãe, há quanto tempo...
— É mesmo, também senti falta filha. – Ela beijou minha testa. – Valerie, eu me imagino fazendo isto, daqui a alguns tempos, com meus...
— Netos?
— Sim, algum problema?
— Não, nenhum. Eu e o Henry já conversamos sobre isto. Nós queremos pelo menos três. Ele não desfrutou do privilégio de ter irmãos.
— Que bom, é muito bom uma casa cheia. Olha, é interessante vocês já falarem sobre isto, mas, não...
— E, não é? Eu também disse isto a ele. – Lembrar-me dessa conversa com ele, me fez sorrir. – No entanto, mãe, nós acordamos que, vamos esperar um pouco mãe, para tê-los. Nós precisamos aproveitar um ao outro, ao menos um pouco, porque esperamos muito para enfim, ficarmos juntos. Portanto, me desculpe, mãe, mas, eu creio que, você vai ter que esperar um pouco mais para ser vovó. – Eu disse a ela sorrindo.
— Não, tudo bem filha, é o certo. Eu entendo plenamente. Ah Valerie, eu estou tão orgulhosa de você. Veja bem, agora é sério, trocando de assunto... por favor, tenha cuidado com o Mildrad. Eu não tenho me sentindo confortável quanto a isto. Portanto, filha, eu te peço, por favor, tenha muito cuidado.
Ela me disse aquilo com um tom grave de preocupação, o que me assuntou um pouco.
— É claro que eu terei mãe. Por favor, fique tranquila. Olhe, agora nós vamos dormir. Boa noite mamãe, eu te amo, e é muito bom, tê-la aqui.
— Boa noite minha filha. Eu também gostei muito de estar aqui. Eu também te amo muito Valerie.
Ela me dá um beijo na testa.
Depois de alguns minutos, eu percebo que ela pegou no sono. Observo- a tão serena e tão tranquila, dormindo.
Separo alguns minutos para pensar, e me pego, novamente preocupada com o Henry, em como será a sua noite. Eu espero que ele descanse.
Algo me passa pela cabeça: amanhã, eu vou cedo a vila com minha mãe, mesmo sabendo que ele virá no almoço. Eu vou até ele, ainda pela manhã, eu preciso vê-lo, e eu também preciso conversar com ele sobre o Mildrad.
Assim que eu me recordo do Henry, eu me lembro da carta. Eu vou rapidamente até a mesinha e pego o envelope, dentro da gaveta. Retiro a carta que esta identificada como: Noite de Quinta.
Volto para cama sentando na beirada, ergo a mão para ligar o abajur para poder ler. Percebo que eu estou ansiosa...
Para a Mulher da Minha Vida – Minha Noiva Valerie,
Boa Noite Meu Amor!
Eu sei que, quando você ler esta carta, talvez você esteja, exatamente como eu estou agora, desejando desesperadamente, estar em meus braços.
Pois, você pode ter certeza, amor, que neste momento, onde quer que eu esteja, que provavelmente é no meu quarto, na minha cama e sem você, este, verdadeiramente é o meu desejo, ter você em meus braços.
Aliás, dos últimos dias para cá, esse é o pensamento que mais ocupa a minha mente, eu passo o dia inteiro, esperando por isto. Pelo momento em que estaremos juntos.
Nada neste mundo, tem o poder de me deixar tão feliz, do que estar ao seu lado. Você é o amor da minha vida, minha princesa. Nunca se esqueça disso.
A única coisa que consola o meu coração, nestas horas, sem você, é justamente saber, que em breve, nós estaremos sempre juntos. Isto compensa cada minuto, de sofrimento e distância.
Mas, se a saudade estiver insuportável, como eu sei que está agora, para mim, feche os olhos, neste instante e me imagine aí ao seu lado, dizendo as seguintes palavras:
“Eu Amo Você, minha Noiva Linda, Razão do meu viver!”
Eu estou ansioso para vê-la amanhã. E, eu tenho certeza, que esta noite, será longa, mas, caso eu realmente não durma, passarei fazendo aquilo que tenho aprendido fazer de melhor: pensando em você, desejando você, e planejando os detalhes para o nosso casamento, que enfim, está tão próximo. Pensarei na reforma do chalé, na construção da nossa casa aqui na vila e em muitas outras coisas, e, todas elas, envolvem você.
Durma com Deus minha linda, minha vida, meu único e verdadeiro amor, dona absoluta do meu coração.
Te Amei Ontem, te Amo Hoje, e te Amarei Eternamente.
Do sempre seu: Henry Lazar!
˜˜˜˜˜˜˜˜˜˜˜˜˜˜˜˜˜˜˜˜˜˜˜
Ao terminar, é que eu percebo, que as lágrimas correm soltas por meu rosto.
É impressionante como até mesmo as palavras daquele homem, podem mexer tanto comigo, com a minha alma, com o meu coração e com todo meu corpo.
O Henry, em tão pouco tempo, já exerce um poder imenso sobre mim. Eu o amo tanto, que chega até me faltar o ar, quando eu tento refletir sobre a dimensão do eu que sinto por ele.
Pego a carta, beijo cada canto, aspirando o seu cheiro, tentando captar o restinho do rastro do perfume de sua pele, na mesma, e, volto a guarda-la no envelope, para então, coloca-lo novamente, na gaveta da mesinha.
Antes de dormir, me ocorre uma ideia, vou até o meu guarda roupa, sem fazer barulho, e, resolvo pegar uma peça de roupa, muito especial que eu tenho. A minha Capa Vermelha, um presente da vovó para mim, na verdade, ela foi feita, para que eu usasse em meu casamento com o Henry, naquela época. E, eu a tenho ainda, como todas as coisas que eram da vovó, a mamãe fez questão de deixar para mim, porque de todos nós, eu fui sempre aquela que possuiu uma ligação muito grande com a vovó. Então, eu havia herdado muitas coisas.
Eu decidi que eu poderia dar a capa para o Henry, para que ele passasse a noite de amanhã com ela. E, ele poderia recorrer a ela, para sentir o meu cheiro, quando a saudade lhe consumisse.
Eu fui até o meu banheiro e borrifei o meu perfume favorito, nela. Em seguida, eu fui para sala, para não acordar a minha mãe.
Eu preparei uma embalagem bonita, com alguns materiais que eu possuía e peguei uma folha de carta de um bloco que eu especial, feito para isto. Escrevi uma carta com carinho.
Assim, que eu terminei, dobrei a carta, e escrevi do lado de fora: “Para matar a Saudade.”
Então, eu a guardei dentro da gaveta da mesinha, juntamente com a capa embrulhada.
Quando eu consegui concluir tudo, deitei-me na cama, ao lado da minha mãe, e comecei a refletir sobre como será que está sendo à noite para o Henry...
Lembrei-me que, no sábado, nós passaremos o dia inteiro juntos. Imaginei como será gostoso desfrutar de um dia inteiro da sua companhia, onde estaremos realizando tantas coisas juntos, e, eu comecei a ter consciência de que em breve, todos os nossos dias serão assim.
Com esses pensamentos o meu corpo e minha mente relaxaram. Minutos depois, eu peguei no sono.
***
Está tudo tão escuro, olho para um lado e para o outro, onde eu estou? Quando os meus olhos vão se acostumando no ambiente sem iluminação, eu consigo, pela penumbra, descobrir onde eu estou.
Eu me vejo em um quarto, mas, não é na minha casa. Vejo uma cama, e uma senhora dormindo ali. Levanto-me e aproximo-me para olhar o seu rosto.
É a mãe de Madelaine. Eu estou na casa dos Oxford’s. Dessa forma, eu me lembro, que eu e a Made combinamos um revezamento de quem vai passar a noite com a sua mãe. Portanto, esta noite, a responsabilidade ficou comigo.
Sinto sede, e saio do quarto em direção à cozinha, para tomar água. Encho o meu copo. Tomo aos poucos cada gole. De repente, sou surpreendida por braços que me envolvem, e salto em um susto. Primeiro pela surpresa, e segundo por aquele abraço ser o errado. Aqueles não eram os braços reconfortantes e familiares do Henry.
Viro-me apavorada, simplesmente para me apavorar mais. É Mildrad. Mas o que ele está fazendo aqui? Ele estava fora, viajando. Foi um dos motivos que me deixou mais tranquila ao vir para cá.
Eu sabia que qualquer alarde acima do normal, neste horário da madrugada, poderia acordar os outros, mas, eu realmente não queria estar sozinha com Mildrad. Portanto, diante dessa circunstância, eu não estava com muitas opções de escolha.
Sem me preocupar muito com o tom de voz. Eu disse furiosamente:
— Mildrad, o que você está fazendo aqui? Solte-me...
— Ah queridinha, esta é a minha casa, você deveria saber disto. A minha família mora aqui. – Ele disse com sarcasmo. – Eu cheguei ontem à noite e você já estava dormindo, entretanto, agora a pouco, quando você saiu do quarto, eu pensei que pudesse estar com saudades. A quanto tempo eu não faço isto, da última vez, eu fui interrompido por aquele estúpido. Mas, agora, não há ninguém aqui para nos atrapalhar queridinha. E, eu confesso que eu prefiro o conteúdo que eu tenho nas mãos, hoje.
Os meus olhos, automaticamente, se encheram de lágrimas, pela raiva e por medo...
Por que eu sei que o Mildrad, é um traste, das piores qualificações. Contudo, eu arrumei forças para me debater do seu aperto e também disse, cuspindo as palavras:
— Me solte. Você não tem o direito de tocar em mim. Tenha dignidade, eu estou noiva.
Senti-o congelar, e os seus braços, me soltaram num ímpeto. Somente para tomar os meus pulsos com suas mãos, e sacudir-me desesperadamente e com fúria.
— É mentira, aquele idiota está desaparecido que eu sei, e já faz um bom tempo. Ele... não...
Eu compreendo imediatamente, que ele se refere ao Peter e não ao Henry.
— Cala a boca Mildrad! – Eu disse furiosa. – Eu estou noiva do Henry Lazar e não do Peter. E ele ficará furioso, quando souber o que você está fazendo...
Ele me olhou incrédulo e não me deixou terminar...
— O que? Aquele... imbecil, riquinho... É dinheiro que você quer queridinha, é isto o que te atrai, então foi por isso que o Peter desapareceu? Você o deixou pelo dinheiro do menino rico?
Eu não aguentei mais o desaforo, eu soltei os meus pulsos pela fúria, que aquelas palavras horrorosas provocaram em mim, e, imediatamente a minha mão, voou para a sua cara desprezível. Juntamente com a água do copo.
Ele me olhou surpreso e vermelho de raiva. Então, retirou o copo da minha mão, e colocou na pia.
— O que você pensa que está fazendo? Agora você verá o que vou fazer, e quero ver, se o seu noivo vai te querer, depois que ele souber, que você foi de outro, primeiro...
Eu fiquei desesperada ao ouvir aquilo, no entanto, a minha mente funcionou mais rápido, e antes dele me agarrar novamente, eu consegui dar um grito bem alto, chamando por Made.
— MADE!
EU Sabia que EU não tinha forças para pará-lo, ele era grande, claro, que nem tanto quanto o Henry. Então, eu usei os meus pulmões, eu sabia que eu poderia acordar a todos, mas, eu não estava nem aí, eu precisava de socorro. Eu não poderia simplesmente, deixar aquele ser desprezível, colocar as mãos em mim. Então, eu gritei a plenos pulmões...
— Made, por favor, acorde, socorro, Made, Madelaine. ...
E, antes que ele tapasse minha a boca usando, acho eu, que toda a sua força, pois, eu me debatia desesperadamente...
Dois rostos aparecem na cozinha, apavorados, Marvel e Made. Com olhos arregalados. E Marvel fala imperiosamente:
— Solte-a Mildrad, agora!
Ao invés de fazê-lo, ele aumentou o seu aperto sobre mim, acho que ele estava enlouquecido.
— Saiam daqui. – Ele disse ensandecido. – Isto não é assunto de vocês.
— É nosso assunto sim, Mildrad, Valerie é amiga da família, veio nos ajudar a cuidar da nossa mãe, e ela é noiva do nosso amigo, o que você pensa que está fazendo? Você nunca vem aqui, meramente, sempre dá desculpas e diz que está viajando e você jamais se importa para o estado da nossa mãe. Respeite pelo menos isto, já que você não respeita a nada e nem a mais ninguém.
— Cala a boca. – Mildrad disse irado. – Querendo me dar sermão, só por que é o mais velho? Você acha que tem direito sobre mim?
A esta altura Made estava imersa em lágrimas apavorada, e eu também, e eu sabia que se eles não avançavam para me tirar dali, é por eles que sabiam do que o Mildrad é capaz.
— Se tentarem retirá-la de mim, como aquele idiota, quando nós ainda éramos pequenos, eu a mato.
O meu sangue congelou nas veias, eu sabia. Ele deveria estar armado, pois, eu vi os olhos desesperados de Made e Marvel acompanharem algum movimento de Mildrad, que eu não conseguia acompanhar.
Todavia, quando eu senti que nesse movimento, o seu aperto afrouxou um pouco, com um solavanco, eu me soltei, mas, na tentativa de me pegar novamente ele acabou me lançando longe...
Senti quando na queda, a minha cabeça atingiu algo pontudo, e antes que a dor excruciante me atingisse, passei as mãos instintivamente, e trouxe aos olhos. Apenas para me certificar, de que estava banhada em sangue. Antes que meu corpo atingisse o chão, eu ouvia vozes desesperadas.
— O que você fez com ela seu...? Como você pode fazer isto?
Made gritava para o irmão com o rosto imerso em lágrimas.
Enquanto Marvel partia para cima dele, com fúria contendo-o, juntamente com Marverick que acabara de chegar a cozinha com o rosto apavorado...
E, Mildrad dizia também com fúria e choque, ainda pela cena que estava vendo, eu ali deitada sangrando nos braços de uma Made aos prantos.
— Não foi culpa minha, vocês não tinham que se meter, EU A QUERO...
Mas eu já não ouvia mais, todas as vozes eram já um sussurro bem ao longe... Porque, a minha mente já estava a caminho da escuridão.
A única coisa que me deixava tranquila, era saber que aquela criatura desprezível, não conseguiu o que ele queria.
Eu poderia morrer, mas, o Henry saberia, Marvel viu e a Made também. Ele não me tocou. Eu poderia morrer em paz, pois, o Henry saberia que eu pertencia apenas a ele e a ninguém mais.
As últimas palavras que eu consegui expressar antes da escuridão me envolver completamente foram...
— Henry, AMO VOCÊ... Desculpe-me.
***
Acordei assustada, suada, cansada e com um medo terrível. Meus sonhos nunca eram em vão, disto eu já sabia. Olhei para o lado, e não vi minha mãe, mas pelas frestas das cortinas, percebi que já era de manhã. Desci correndo da cama, já deixando um rastro de organização pelo quarto.
Lembrei-me de algo que poderia me acalmar um pouco, naquele momento. Desesperada, abri a gaveta da mesinha buscando o envelope retirando a carta referente à: Manhã de sexta.
Sentei-me a beira da cama, e antes de começar a lê-la, fechei os olhos buscando sentir Henry através daquele pedaço de papel, respirei fundo, abrindo os olhos buscando captar cada palavra...
Bom Dia, Minha Noiva Linda, Minha Princesa e dona de tudo que eu sou. A propósito, Amo Você!
Sabe Valerie, eu imagino que esta não tenha sido uma ótima noite para nenhum de nós dois. Isto, na verdade é uma certeza para mim.
Portanto, a primeira coisa que eu quero, nesta manhã, é confortar o seu coração, dizendo-lhe que, caso você não tenha dormido, poderemos fazer isto hoje, no horário do almoço, e juntos, ou caso, algum pesadelo houver assolado a sua noite, seja ele qual for, ele não é real. Ainda que seja um aviso, como muitos dos seus sonhos.
E, pense o seguinte, o simples fato de ser um aviso, pode nos dar uma grande chance de nos anteciparmos a ele para que as coisas sejam diferentes, portanto, não gaste as suas energias pensando nisto. Gaste-as pensando em mim, pois é exatamente o que eu estarei fazendo neste momento.
Lembre-se eu estou aqui, eu sou real, e eu protejo você. Eu Amo Você, minha Princesa. Ainda que você não esteja me vendo, saiba, aliás, tenha certeza, que, estou aí dentro do seu coração, sinta agora a minha presença, o meu cheiro, os meus toques...
Beije a carta neste momento, e sinta-se beijada por mim, porque antes de lacrá-la, eu beijei cada canto deste papel, portanto, os seus lábios tocarão onde os meus tocaram. Tenho certeza que não é a mesma coisa, mas pelo menos é um contato entre nós em meio à distância.
E lembre-se ainda, que logo, logo estaremos juntos, em poucas horas, amor... Não imagina o quanto eu já estou ansioso.
Amo você Hoje e Sempre!
Do Seu Noivo: Henry Lazar.
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É impossível terminar de ler as cartas do Henry, sem chorar e sem deixar de sentir a sua presença. E é difícil deixar de perceber o quanto ele é necessário à minha vida agora, porque, apenas estas palavras, dele, já são capazes de confortar o meu coração, o que não quer dizer, que, eu abro mão de ter a sua presença ainda nesta manhã, eu preciso e vou a Vila vê-lo.
Eu fui direto ao banheiro, eu precisava de um banho para retirar a sensação de desespero do meu corpo, e, eu creio que a água quente me ajudará a relaxar, para baixar a descarga de adrenalina do meu sangue.
Deixei a água me banhar, me envolver. E, ela foi realizando o seu trabalho, ainda que fracamente, porque eu estava agitada demais.
Somente uma coisa poderá me retirar desse estado. A presença do Henry, apenas olhar dele, e o seu abraço, que me transmite tanta paz e segurança podem me dar conforto agora.
Eu preciso dele, preciso vê-lo, falar com ele. Lavei rapidamente a cabeça. Enxaguei-me, saí, me enxuguei, me preparei e fui em direção ao quarto me trocar.
Ao terminar, eu estava vestida com um vestido branco, floridinho, de rosas cor de rosa, muito delicado por sinal. Sai do quarto. Ao entrar na cozinha, eu não avistei a minha mãe, mas, a porta estava aberta e eu deduzi que ela estivesse no jardim. Reparei que a casa toda já estava em ordem e o café preparado.
Aproveitei, e corri com o objetivo de adiantar as coisas para o almoço e rapidamente, eu separei e preparei o que eu faria. Porque, assim que a mamãe fosse para o vilarejo, eu iria com ela, eu preciso demais, de ver o Henry. Eu não posso esperar.
Eu não vu conseguir relaxar se eu não conversar com ele, se eu não o abraçar e olhar em seus olhos.
Assim que eu concluí tudo, andei em direção ao jardim, para procurar a minha mãe. Ela estava terminando de cuidar das flores, já havia limpado tudo e regado cada planta.
— Olá mamãe, bom dia! Obrigada por ter cuidado de tudo por mim.
— Olá minha filha bom dia. Eu fiz com prazer, eu nem sempre posso fazer isto por você.
Ela disse colocando os olhos sobre mim. E quando nossos olhares se encontraram, instantaneamente, eu percebi o seu alarme.
— Minha filha, o que houve? Você não dormiu? Seus olhos, estão vermelhos e cheios de olheiras.
Antes que ela se desesperasse, eu fui até ela correndo e a abracei, para tentar conter o meu desespero.
— Ah. Mãe, eu fui visitada por um sonho horrível... com o Mildrad. – Ao dizer aquele nome ela congelou.
— Ai minha filha, eu tenho andado tão preocupada com isto. Aquele traste com certeza sabe que o Peter desapareceu e o seu pai também, eu tenho medo que ele resolva... Valerie, você precisa conversar com o Henry sobre isto, você me ouviu?
— Sim, eu sei e eu vou fazer isto, eu estou indo para a Vila com você mãe, quando você for.
— Me conte o sonho, eu quero saber...
Nós nos sentamos no banco do jardim, e eu dei uma versão detalhada do sonho para ela.
Quando eu terminei, os seus olhos expressavam puro desespero, e as suas mãos, estavam, uma sobre o seu coração, e a outra, sobre a sua boca.
— Minha filha isto é grave. Por favor, Valerie, fale com o Henry hoje. Eu sei que é apenas um sonho. Entretanto, os seus sonhos... são diferentes, eu tenho medo...
— Eu sei mãe...
Por mais que eu confiasse em minha mãe, eu não poderia dizer-lhe nada sobre os meus sonhos, serem a prova de que eu tenho um dom de linhagem de lobo, porque ela não sabe sobre a verdadeira identidade do meu pai.
— Eu já havia decidido falar com ele, ontem a noite, antes de dormir, o sonho só me deu mais certeza.
Ela me abraçou, reconfortando-me, e disse...
— Olhe, nós vamos tomar café rapidamente, porque precisamos ir logo... E filha, realmente eu não quero você dormindo mais, aqui sozinha. Converse com o Henry sobre isto, eu sei que isto já está resolvido, no entanto, eu quero que vocês redobrem o cuidado. Eu sei que ele também fará isto. Mas, trata-se, de, puramente, preocupação de mãe.
— Tudo bem mãe. – Eu respondi.
Entramos, tomamos café e organizamos tudo.
Quando ela viu que estava tudo adiantado para o almoço, ela disse:
— Por que... – Antes que ela terminasse, eu disse.
— Eu não vou almoçar com você hoje mãe, eu havia combinado com o Henry, que nós almoçaremos juntos, por isso eu adiantei tudo.
Ela assentiu com a cabeça, em seguida, me auxiliou a preparar mais alguma coisa que poderia ser adiantada para o almoço.
Após concluirmos tudo, nós saímos em direção à vila...
Fizemos todos o trajeto, conversando, no entanto, eu me sentia muito estranha e apreensiva em meu íntimo. Mamãe, fazia de tudo, para espantar a tensão, com assuntos leves. Entretanto, não era o suficiente.
Havia apenas uma coisa que eu sei que será capaz de me devolver a sensação de segurança e tranquilidade: os braços do meu Henry.
Quando estávamos próximo à ferraria, mamãe me abraçou e me deu um beijo na testa, que eu retribuí olhando-a ternamente.
— Filha, se cuide, e... conte comigo para o que você precisar.
— Obrigada mãe, pode deixar. Eu te amo.
— Também te amo minha querida, e você é tudo que me resta agora.
Ela me abraçou e saiu.
POV HENRY
Senti alguém tocar os meus cabelos... Eu me sentia cansando, e, uma vaga noção de que eu havia dormido a pouco tempo, me preenchia. Desta forma, eu precisei lutar para despertar.
No entanto, de repente, eu me dou conta de algo.
Aquele toque... não é o toque que eu esperava. Não era o toque de Valerie. Muito embora fosse um toque muito familiar. Repentinamente, a minha mente processa... eu abro os olhos alarmado...
Meu Deus, eu não acredito... não pode ser... a quantos anos eu não a vejo, ela está tão linda!
Ela ainda sustenta a sua aparência jovem..., mas, o que mais me chama a atenção, é aquele brilho reconfortante, característico e único dos seus olhos. Ah... como eu senti saudades...
— Mãe? Mãe! Há quanto tempo você não aparece para mim... Que saudade mãe...
Ela me dá um sorriso tão lindo, enquanto continua a acariciar os meus cabelos. E eu fecho os olhos, saboreando os seus toques. Quanta paz aquilo me traz.
— Eu também sinto a sua falta filho. Você está tão lindo. Você se tornou um homem maravilhoso Henry.
Não resistindo mais, eu levanto–me rapidamente e a abraço, pegando-a no colo... e a sensação é tão boa e ela sorri tanto...
E eu também sou levado a sorrir muito, me lembrando do fato, de que a última vez que eu estive com ela, eu ainda não conseguia fazer isto, porque eu ainda era um menino.
— Ah, Henry como o tempo passou. Você não é mais o meu menininho. É um homem agora, e um belíssimo homem, meu filho.
Neste instante, eu a desço, pousando os seus pés ao chão.
— Obrigado mãe, você também está tão linda, ainda jovem, mas, muito mais linda do que quando...
Ela toca os meus lábios, me impedindo de terminar...
— Shhh... Nós não vamos falar disto. Eu posso dizer que, aqui, o tempo não passa para nós, meu filho. Tudo é diferente.
Eu fico pensando em suas palavras... Então, eu me lembro sobre Valerie e eu estarmos juntos, agora, e o desejo de conversar com ela me preenche.
— Mãe eu estou...
— Noivo? Eu sei. – E ela sorri mais ainda... – Eu estou muito feliz e muito orgulhosa de você meu filho, e eu quero que você saiba disto.
— Ah, mãe obrigado. Você não sabe o quanto é importante para eu saber isto. E mãe, eu a amo tanto, mas tanto...
— Eu sei Henry, você sempre a amou. E, eu quero que você saiba, que ela é um grande presente do Criador para você meu filho. Cuide dela, ame-a mesmo. E nunca duvide de o quanto ela te ama Henry. E meu filho, você precisa trabalhar em você, este medo de perder...
— Eu sei mãe eu tento, mas, é muito difícil. E me dá um desespero, apenas em pensar...
— Eu sei Henry. Contudo, você precisa superar, ser forte. A vida é cercada de provações. E o medo, nesses momentos é o nosso maior inimigo. Porque ele nos paralisa Henry, nos faz perder a fé, a esperança. Você precisa entender isto filho.
Eu não sei o por que, mas, as palavras dela doeram em mim. No fundo da minha alma. Então, eu disse...
— Você deve estar decepcionada comigo, em algumas coisas, não é?
Eu estava me referindo, aos meus contatos íntimos com outras mulheres e com relação, a como as coisas vem acontecendo, em relação a Valerie.
— Claro que não meu filho! Henry eu tenho orgulho demais de você filho! Muito mesmo. Eu realmente te ensinei tudo que eu sempre acreditei. E, eu fico orgulhosa, pelo tanto que você se esforçou e tem se esforçado. Mas, eu sei que você pode errar, ou até mesmo optar por escolhas diferentes. Elas são suas Henry. E, eu sei o que te preocupa. Por mais que eu sempre quis que você só experimentasse, contato íntimo, com mulheres, após se casar, meu filho, eu sei, que nem sempre, as coisas acontecem exatamente como nós queremos. É a sua vida Henry, o seu livre arbítrio. Eu apenas, preciso te dizer uma coisa... toda escolha, gera consequências. E, o mais importante, consequências para a vida terrena e futura. Escolheu sabiamente e sensatamente, as consequências serão boas. Porém, escolhas erradas, insensatas ou precipitadas, obviamente, trazem drásticas consequências.
Eu respirei fundo.
— Eu sei mãe. Por isto, às vezes, eu temo tanto.
— Eu sei disto Henry. Entretanto, eu preciso que você preste bastante atenção em algo, meu filho. E isto é sério, eu quero que você guarde isto em seu coração. Aconteça o que acontecer, NÃO desista da Valerie. Ela é a sua recompensa por tudo o que você passou, meu filho. Ela é uma peça fundamental em sua vida Henry. Coisas que estão para além de sua compreensão. Algumas até da minha também. No entanto, não se iluda, porque virão momentos difíceis, como tudo nesta vida. Mas, nunca desista, aconteça o que acontecer, nunca desista dela. Seja forte, vença o medo. Não se permita perder a fé e a esperança. Você entende, meu filho?
Eu entendia, porém, eu não compreendia o por que ela me perguntava aquilo? Eu nunca desistiria de Valerie, jamais.
— Mãe, eu entendo. Mas eu nunca desistiria de Valerie. Jamais. Eu não vivo sem ela. Eu a amo demais.
— Eu sei. Todavia, eu insisto: guarde isso em sua mente, aconteça o que acontecer, não desista dela. Lembre-se sempre disso, você vai precisar se lembrar, me promete? Promete-me Henry, que você não vai desistir, aconteça o que acontecer?
— Eu não entendo mãe... – Ela não me deixa terminar, a impressão que eu tenho, é que, o seu tempo comigo, acabou.
— Você promete Henry? – Ela pergunta com urgência, ansiando pela resposta.
— Claro que eu prometo mãe, eu apenas não entendo... – Eu não consegui terminar. Pois, ela se foi...
***
Acordo assustado, e percebo que já está no horário de levantar, porque, faltam apenas dois minutos no relógio. Desprogramo-o, para não despertar, já que eu acordei.
Minha cabeça está girando de preocupação. Faz muitos anos que eu não sonho com a minha mãe. E tudo que ela me disse, é tão real... Eu sinto um aperto no peito.
E neste momento, eu tenho a certeza de que algo vai acontecer. E ela fez questão de me alertar, para que eu não desista, para eu não agir como um fraco, e não deixar o meu medo me paralisar.
Em meu íntimo, eu sei este algo, tem haver com a minha Princesa. Em desespero, levanto-me e vou direto ao banho para espantar o cansaço e a péssima aparência que vejo no espelho, ocasionada pela noite mal dormida.
O dia hoje vai ser intenso. Enquanto deixo a água levar o cansaço, permito-me pensar em Valerie, e neste momento, eu sinto tanto a sua falta. Todo o meu corpo, o meu coração e a minha alma, protesta a sua ausência. Clama por ela. Como será que foi a sua noite?
Eu penso no que a minha mãe me disse sobre as nossas escolhas, ela realmente me deixou livre. Ela certamente sabe a batalha que eu estou enfrentando para não ceder a Valerie antes de me casar. Mas, compreende que isto não depende apenas de mim.
Respiro fundo, refazendo em minha mente os planos para hoje. A compra do terreno agora cedo. O adiantamento de tudo, para o passeio amanhã. Ainda bem, que o Cedrico vem para ferraria hoje.
Saio do banho para me preparar para mais um dia...
POV VALERIE
Ela se foi, e eu me virei para caminhar em direção a porta da ferraria. É a primeira vez, que eu estou retornando aqui, depois daquele dia, em que eu praticamente ataquei o Henry, lá dentro, consumida pelo desejo.
As lembranças me atingiram com a força de uma tormenta, e o desejo de vê-lo e abraça-lo agora, é insuportável. Entrei muito devagar, eu estava com a intensão de surpreendê-lo.
Ele estava de costas, exatamente como naquele dia, trabalhando com algumas peças na bancada. Eu percebi, quando ele parou os movimentos, e ergueu sua cabeça levemente sem olhar. Eu sabia que ele havia sentido o meu cheiro.
Fui rapidamente em direção a ele. Mas, antes que eu o abraçasse pelas costas, como eu havia feito naquele dia, ele virou-se de frente para mim, já limpando as mãos no avental...
Antes de me abraçar, ele me olhou, segurando em meus braços. A primeira coisa que eu vi em seus olhos, foi desespero e, profundas olheiras, ele realmente não havia dormido.
No entanto, eu, acho que o alarme era por poder ver os meus olhos, pois, além de ter olheiras como os dele, agora estavam imersos em lágrimas, eu não estava aguentando todo o desespero emocional, pela falta dele, pela noite mal dormida, e por aquele pesadelo estúpido.
O Henry me disse desesperadamente:
— Valerie, meu amor, o que houve? – Eu simplesmente não aguentei mais, comecei a chorar e só consegui dizer...
— Me abraça Henry, por favor, me abrace. Eu preciso muito de você...
Imediatamente, ele me envolveu com os seus braços... agora eu podia me sentir segura, amada, quentinha e aconchegada. Unicamente, os seus braços eram capazes de me dar isto agora. Não há mais nada no mundo, que possa me trazer segurança a não ser o Henry, a sua presença, o seu abraço.
— Shhhh... Acalme-se meu amor, eu estou aqui, eu amo você. Fique calma, por favor, Valerie. Senti quando as minhas pernas perderam as forças. E ele me levou em direção ao sofá.
No entanto, notou que eu estava me arrastando e me pegou no colo. E sentou-se comigo assim. E começou a me embalar me acalmando, sussurrando para mim...
— Eu estou aqui meu amor, não importa o que aconteça, eu estou aqui... Eu vou sempre cuidar de você.
Eu fiquei um bom tempo assim, encolhida em seus braços, buscando refúgio, enquanto ele acariciava as minhas costas, os meus cabelos, o meu rosto, ou beijava as minhas bochechas ou até mesmo, dava pequenos selinhos em meus lábios.
Por fim, após algum tempo, eu encontrei as minhas forças novamente, para falar. Porém, antes de fazê-lo, eu toquei as suas olheiras e as suas pálpebras em seguida, e neste momento ele fechou os olhos. E eu disse...
— Você não dormiu não é?
Ele abriu os olhos e começou a percorrer as minhas olheiras e respondeu.
— Assim também, como você. — E eu respondi, tocando os seus lábios.
— Eu dormi sim, eu apenas não descansei, pois, eu fui aterrorizada por um pesadelo horrível.
A lembrança, fez com que, as lágrimas voltassem a correr. Então eu disse:
— Me desculpe, Henry. Eu não posso ficar assim, você precisa trabalhar, mais tarde, nós nos falamos...
Ele não me deixou concluir e muito menos me levantar.
— Não Valerie, está tudo bem, o meu serviço está adiantado, o Cedrico veio me ajudar cedo, para que eu pudesse dar conta de tudo, ele foi fazer as entregas que ficaram, de ontem, assim que ele chegar, ele fica aqui e nós vamos a minha casa, para conversarmos. Está bem?
— Sim, mas, e a sua avó?
— Ela está ansiosa para te ver. E, quando ela perceber como nós estamos, ou que você não está bem, ela nos dará espaço, ela não é invasiva. E... nós vamos para o meu quarto. Algum problema?
— Não, vai ser bom, mas, eu não quero te atrapalhar Henry, a minha intenção era vir rápido, porém, quando eu te vi... Tudo que eu estava guardando, retendo, veio à tona. Perdoa-me amor...
— Calma meu amor, eu já disse que você não me atrapalha. Esta é a minha principal função agora, cuidar de você, minha noiva. E esta é minha prioridade absoluta.
Eu consegui sorrir um pouquinho com o que ele disse.
— Henry...
— O que foi?
— Eu amo você... muito... muito mesmo. Hoje eu pude ver que nada neste mundo, é capaz, agora, de me dar segurança, e de me transmitir paz em meio ao caos, do que você, o seu abraço... a sua presença... Você é tudo para mim. Eu quero que você saiba disto.
Ele deu um sorriso lindo e ficou emocionado, eu vi em seus olhos.
— Obrigado Valerie! Comigo não é diferente, em relação a você. Eu amo você. E você é a minha vida, princesa.
Ao dizer isto, os seus lábios encontraram os meus, com tanto amor, com tanta paixão... Em pouco tempo, nós estávamos sem ar. E eu tocava em seu rosto delicadamente, enquanto ele apertava minha cintura, e acariciava minha barriga, por sobre o vestido. Eu afastei-me dos seus lábios olhando em seus olhos. Foi quando ele disse:
— Eu não conhecia este. – Ele disse segurando o tecido do vestido. — Branco florido com rosas cor de rosa. É lindo. Não tanto quanto você, é claro. – Eu sorri.
— Você também é lindo, você sabe disto. Lindo, e meu. – Eu disse possessivamente e sorrindo um pouquinho. E ele retribuiu.
— Sim, seu. Somente seu.
Aquela frase me fez lembrar do sonho, das palavras de Mildrad, “Eu a quero...”e todo o meu corpo estremeceu. Henry percebeu e também acho que viu o medo em meus olhos e perguntou.
— O que foi meu amor? – Bem na hora em que Cedrico chegou. Senti que eu fiquei vermelha, por ele me ver no colo do Henry. Que por sua vez, não se abateu, ou pelo menos, não demonstrou.
— Olá Cedrico.
— Oi Valerie, oi Henry, gente me desculpe. Quer que eu saia um pouco Henry?
Cedrico também ficou desconfortável. Mas, o Henry como sempre soube desfazer toda a tensão.
— Não Cedrico. Pode ficar. Faça-me um favor: tome conta de tudo aqui para mim, eu já separei as entregas de mais tarde, confira para mim. Valerie chegou não se sentindo bem, vou leva-la lá para dentro, para que eu possa cuidar dela, depois eu volto.
Ao olhar mais atentamente para o meu rosto, eu creio que, o Cedrico compreendeu que era verdade, pois, adotou uma expressão de preocupação.
— Claro Henry. Se precisar de alguma coisa, me avise.
— Sim Obrigado. – Agora, Henry diz olhando para mim. – Você já consegue caminhar Valerie?
— Acho que sim, eu vou tentar.
Levantei-me com cautela, eu ainda sentia as minhas pernas um pouco bambas. O Henry me amparou pela cintura, segurando todo o meu peso. Mas, disse:
— Acho melhor, eu levá-la no colo.
Eu senti o meu rosto arder profundamente e certamente, eu fiquei muito vermelha, com a presença do Cedrico, e, por imaginar que a sua avó me veria assim, e eu pedi.
— Não, por favor, eu prefiro ir assim, devagar, se não se importa.
— Valerie qual o problema você é minha noiva, e, você não está se sentindo bem. Por que você está envergonhada?
O Cedrico interveio meio sem graça.
— Valerie se for por mim, eu nem estou aqui. Vá Henry, pegue ela logo.
E foi o que o Henry fez. Mesmo com os meus protestos.
— Mais tarde eu volto Cedrico. – O Henry falou.
— Claro, cuide dela e leve o tempo que for preciso, eu vou me virando por aqui.
O Henry, andou em direção a casa, comigo nos braços. Eu fiquei muito feliz, por que fez todo trajeto, até o seu quarto, sem se esbarrar com a sua avó.
Eu estava com a cabeça em seu peito, escondendo o rosto, só olhando com o cantinho dos olhos, e apesar da preocupação, ele olhava divertidamente para mim, pois, sabia o que eu estava fazendo: eu estava me escondendo de vergonha, igualmente a uma criancinha.
Chegamos em seu quarto, ele fechou a porta atrás de nós, foi até a cama, me colocou delicadamente, levantando-se em seguida, para retirar o avental de trabalho.
Então, ele olhou-me, deu-me um selinho e disse:
— Eu já volto, eu vou resolver algo rapidinho.
— Tudo bem. — Eu disse.
Ao sair, eu aproveitei o momento, para correr os olhos pelo quarto. Ele estava impecavelmente arrumado e cheiroso. Eu fiquei orgulhosa, o Henry era caprichoso... Os móveis eram lindos embora muito sóbrios. Parecendo um quarto de alguém bem mais velho.
Não demorou muito e ele voltou com duas xícaras nas mãos, e algumas rosas brancas frescas, dizendo:
— Trouxe chá para nós amor, e isto, é para você, acabei de colhê-las no jardim. Estou feliz por estar aqui princesa... E fique tranquila, eu já conversei com a minha avó. Ela não virá aqui. Eu disse que você precisava descansar um pouco, e que eu cuidaria de você. Mas ela me pediu que antes de você ir embora, ela gostaria muito de te ver.
Ele colocou as xícaras na mesinha da cama, deu-me as rosas, dando um selinho em meus lábios e virou-se indo em direção à porta.
Percebi que ele a trancou. Em seguida, ele foi a escrivaninha e colocou uma música em som ambiente, para tocar em seu aparelho de som.
(MÚSICA AQUI — VEJAM A TRADUÇÃO NO FINAL DO CAPÍTULO — É LINDA)
— Claro, eu também quero vê-la. Henry, é lindo o seu quarto. Só que parece o quarto de...
— Alguém mais velho? – Ele sorriu ao dizer isto. — Meu pai e minha avó, e alguns amigos de Grewnville que já estiveram aqui, sempre disseram isto. Mas, é por que, antes, não havia cores em minha vida, Valerie. Agora já tem sido e será diferente. Por isto, eu tenho te pedido para desenhar o que você gosta e como você quer as coisas. Em tudo, eu quero seguir o seu ritmo, eu simplesmente, amo as cores que você da para tudo, inclusive para a minha vida.
Eu peguei a xícara que ele estendeu para mim. Enquanto ele colocava novamente a bandeja na mesinha. Eu percebi que ele havia trocado de camisa e retirado as botas. Então, ele sentou-se ao meu lado, e nós dois nos recostamos na cabeceira da cama para tomar o chá. Olhei-o com carinho e disse-lhe:
— Obrigada. E que música linda, amor!
— Eu também acho, sempre gosto de ouvi-la quando estou aqui, pensando em você.
— Eu não sabia que você gosta de música...
— Eu amo! Principalmente as que me lembram de você...
— E por que você não as houve lá em casa?
— Justamente por que é sua casa amor. Eu ainda não sabia que você gosta, por que eu nunca te vejo escutando...
— É verdade... mas, é que, com tudo que andou acontecendo, eu perdi o hábito, porém, eu amo também.
— Então, nós podemos fazer isto juntos, quando eu estiver lá. Inclusive, eu deixei aquele aparelho lá. O que usamos no jantar, aquele dia. Vou deixa-lo instalado para você usá-lo quando quiser então. E vou aproveitar e fazer algo na reforma que eu já desejava fazer, e não sabia se você iria gostar. Colocar som ambiente nele todo. O que você acha?
— Adorei a ideia amor. Hum... A propósito, e os desenhos?
— Vamos deixar para depois, primeiro eu quero saber, o que te fez ficar assim?
Passei a minha xícara e as rosas para ele, que as colocou juntamente com a sua na bandeja em cima da mesinha.
Ele voltou a olhar, com bastante atenção, para mim. Ele tomou as minhas mãos na sua que pousou em cima de sua perna e disse.
— Por favor, eu quero ajudar.
Eu suspirei fundo, porque eu sabia que não seria fácil falar.
— Você se lembra de Mildrad? – Ele ficou tenso com o nome e eu entendi, imediatamente que ele se lembrava.
— Pois é, já faz alguns dias, que eu ando preocupada com a viagem por causa dele... E ontem, a minha mãe, compartilhou comigo que ela também, estava. Então, esta noite, eu tive um pesadelo terrível. Eu acordei desesperada para te ver, eu senti demais a sua falta. Eu sabia que nada me acalmaria a não ser te ver e estar em seus braços. E eu estava certa, nem as palavras da minha mãe, e o seu consolo, me acalmaram. Mas, assim que eu te vi e senti o seu abraço... Eu senti-me segura. Então, eu sabia que eu precisava falar com você sobre isto. Obviamente, a minha mãe, também queria que eu lhe dissesse. Ela está preocupada Henry.
Enquanto eu dizia aquelas palavras, uma das mãos do Henry, afagava o meu rosto.
— Olhe, primeiro eu quero saber do sonho, Valerie. Porque, pela experiência que tenho vivido ao seu lado, e pela certeza que temos, agora, que se trata de um dom, eu não sou displicente, a ponto de ignorá-los, então, eu preciso ouvi-lo para saber com o que estaremos lidando.
Eu respirei fundo, porque eu não sabia qual seria a reação do Henry, e, eu sei que eu não posso esconder nada dele.
— Você promete que irá me ouvir, atentamente, e, não vai tomar nenhuma atitude, desesperada? Por favor, Henry...
— Olhe, eu farei o que eu puder, pois, pelo seu estado, e pelo medo que eu sinto emanar de você, eu sei que é algo muito grave Valerie. Mas, vamos lá, eu acho que eu realmente, preciso saber, porque, algo me diz, que se trata da sua segurança. E esta é uma das minhas funções máximas, zelar por sua segurança. Você sabe disto.
— É eu sei... tudo, bem, eu não tenho alternativa mesmo.
Então, eu dei a ele uma descrição detalhada do sonho. E eu observava atentamente cada uma de suas reações, e realmente, elas foram assustadoras.
As suas mãos, fecharam-se em seus punhos, quando ouviu o que Mildrad falou: “eu a quero”.Refletindo o desejo dele por mim.
Todavia, o que realmente me assustou, foi quando ao final, ele estava com os olhos negros de raiva, de puro ódio. Eu nunca havia visto o Henry naquele estado, totalmente fora do seu controle. Ele deu um salto para fora da cama e disse:
— Desgraçado!... Ai daquele miserável se ele tocar um dedo em você Valerie. Eu... o... mato!
E aquelas palavras, me assustaram pela sua carga de verdade. Porque, pela primeira vez, eu vi uma expressão que eu jamais vi no Henry, e ela era mortífera...
Quando o acesso de raiva passou, ele olhou pra mim, e ao encontrar os meus olhos, acredito que ele tenha se dado conta de o quanto eu estava assustada com tudo, inclusive com a sua reação.
Ele suavizou a expressão, e também, um pouco o olhar, ele ajoelhou-se na cama e me puxou de frente para ele, de forma que eu fiquei ajoelhada também.
Ele abraçou-me possessivamente e protetoramente. Acariciando os meus cabelos, ele disse em pleno desespero:
— Me desculpe amor, eu fiquei simplesmente, desesperado com a possibilidade de algo... ah Valerie eu não posso deixar nada acontecer a você, eu te amo demais... eu... eu não posso perder você.
— Eu sei eu também te amo muito Henry. Nós vamos pensar no que poderemos fazer. Mas, antes de qualquer coisa, você precisa considerar que eu preciso ir, a esta, viajem. Você sabe. Só que...
Ele não me permitiu terminar.
— Eu sei, eu vou pensar em tudo... eu prometo-te. No entanto, de agora em diante a sua segurança, será redobrada Valerie, até no chalé. Eu não te quero sozinha... você entende? Por favor, seja boazinha, não se coloque em risco, você tem alguma ideia do que aconteceria comigo, se eu perdesse você? Ou se...
Ele estava angustiado demais. Contudo, eu sabia que eu havia feito o certo, pois ele não me perdoaria se acontecesse algo e eu não o houvesse alertado antes.
— Claro Henry! Você pode deixar, eu vou cooperar, porque só de pensar, que ele poderia me... tocar... — E as lágrimas voltaram devido ao pavor.
— Não, nem me diga uma coisa destas Valerie... eu nem mesmo, sei o que eu seria capaz de fazer. Não pense nisto... ele... ele.... não vai encostar em você.
Eu respirei pesadamente e disse sem pensar...
— É... Realmente, isto seria uma peça macabra do destino contra mim... veja só... Eu lutando para pertencer a você, o meu noivo, o homem que eu amo tanto, e você me evitando... e, simplesmente, eu cair nas mãos de um ser asqueroso como aquele... eu realmente preferia morrer Henry.
Eu falei aquelas palavras sem pensar mesmo, e com mais lágrimas de pavor... movida pelo real desespero desta possibilidade. Todavia, eu jamais esperava o efeito que elas trouxeram sobre o Henry...
— Valerie... não diga isso... eu... eu... Amo você!
Ele puxou o meu rosto para olhar para mim. Eu vi passar tantas coisas ali em seus olhos... amor... desespero... um desejo incandescente... e, finalmente... certeza. Uma certeza feroz!
E imediatamente, eu compreendi o que queria dizer. Um segundo antes dele apertar a minha cintura e quadris contra os dele e colar os seus lábios contra os meus desesperadamente, como ele nunca havia feito antes...
Então, eu soube imediatamente que... enfim, o Henry seria meu!
˜˜˜˜˜˜˜˜˜˜˜˜˜˜˜˜˜˜˜˜˜˜˜˜˜˜
MÚSICA
Just The Way You Are
Oh her eyes, her eyes
Make the stars look like they're not shining
Her hair, her hair
Falls perfectly without her trying
She's so beautiful
And I tell her every day
Yeah I know, I know
When I compliment her
She won't believe me
And it's so, it's so
Sad to think she don't see what I see
But every time she asks me do I look okay
I say
When I see your face
There's not a thing that I would change
'Cause you're amazing
Just the way you are
And when you smile,
The whole world stops and stares for a while
'Cause girl you're amazing
Just the way you are
Her lips, her lips
I could kiss them all day if she'd let me
Her laugh, her laugh
She hates but I think it's so sexy
She's so beautiful
And I tell her every day
Oh you know, you know, you know
I'd never ask you to change
If perfect is what you're searching for
Then just stay the same
So don't even bother asking
If you look okay
You know I'll say
When I see your face
There's not a thing that I would change
'Cause you're amazing
Just the way you are
And when you smile
The whole world stops and stares for a while
'Cause girl you're amazing
Just the way you are
The way you are
The way you are
Girl you're amazing
Just the way you are
When I see your face
There's not a thing that I would change
'Cause you're amazing
Just the way you are
And when you smile,
The whole world stops and stares for a while
'Cause girl you're amazing
Just the way you are.
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TRADUÇÃO EM PORTUGUÊS
Exatamente como você é
Oh os olhos dela, os olhos dela
Fazem as estrelas parecerem que não têm brilho
O cabelo dela, o cabelo dela
Recai perfeitamente sem ela precisar fazer nada
Ela é tão linda
E eu digo isso pra ela todo dia
Sim eu sei, sei
Quando eu a elogio
Ela não acredita
E é tão, é tão
Triste saber que ela não vê o que eu vejo
Mas sempre que ela me pergunta se está bonita
Eu digo
Quando eu vejo o seu rosto
Não há nada que eu mudaria
Pois você é incrível
Exatamente como você é
E quando você sorri
O mundo inteiro para e fica olhando por um tempo
Pois, garota, você é incrível
Exatamente como você é
Os lábios dela, os lábios dela
Eu poderia beijá-los o dia todo se ela me permitisse
A risada dela, a risada dela
Ela odeia, mas eu acho tão sexy
Ela é tão linda
E eu digo isso pra ela todo dia
Oh você sabe, você sabe, você sabe
Eu jamais pediria para você mudar alguma coisa
Se a perfeição é o que você busca
Então continue assim
Então nem se preocupe em perguntar
Se você está bonita
Você sabe que eu vou dizer
Quando eu vejo o seu rosto
Não há nada que eu mudaria
Pois você é incrível
Exatamente como você é
E quando você sorri
O mundo inteiro para e fica olhando por um tempo
Pois, garota, você é incrível
Exatamente como você é
Como você é
Como você é
Garota, você é incrível
Exatamente como você é
Quando eu vejo o seu rosto
Não há nada que eu mudaria
Pois você é incrível
Exatamente como você é
E quando você sorri
O mundo inteiro para e fica olhando por um tempo
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Exatamente como você é.
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