A Garota Da Capa Vermelha - Continuação.
14 UM SONHO PODE MUDAR TUDO: A TRANSIÇÃO DA DOR Cap14
Notas iniciais
POV VALERIE
Ao abrir os olhos, o quarto ainda estava escuro. No entanto, mesmo assim, eu pude vê-lo de pé, ao lado da cama. Ao perceber que eu ia me levantar, ele fez sinal para que eu ficasse ali deitada, e ele sentou-se ao meu lado na cama.
— Peter, você está aqui? – Eu disse muito feliz. E com um rosto muito tranquilo, ele me disse...
— Sim, ainda, por um tempo...
— Não entendi. — Ele acariciou meus cabelos, e era tão reconfortante.
— Eu realmente parti Valerie, deste mundo, mas, ainda vou estar por perto por um breve tempo.... Até...
— Até.... – Eu disse o encorajando.
— Até você estar pronta para seguir em frente. – Então, muito preocupada com o que ele podia estar vendo, e o que estaria sentindo, eu perguntei...
— Mas você está aqui o tempo todo por perto? – Ele sorriu, como se estivesse adivinhando o que motivou minha pergunta.
— Sim, e não, mas, sei por que está perguntado isto, está preocupada com o que eu estou sentindo diante da forma que você tem agido, principalmente em relação a Henry, estou certo? – Como eu previa, ele acertou em cheio, ele me conhece demais. E eu só acenei com a cabeça afirmando que ele estava certo, muito constrangida. Ele deu outro sorriso e falou: — Tenho visto tudo, e não poderia estar mais feliz Valerie...
— Feliz? Como assim, eu não estou entendendo.
— Deixe-me explicar, eu já havia te dito, que de certa forma eu esperava que tudo isto fosse acontecer, e para mim agora, estando onde eu estou, eu posso ver perfeitamente, que este seria o curso certo das coisas. Desde que eu fui mordido, ali acabou a chance de levarmos a vida que sempre sonhamos Valerie, porém, eu também sei que, nem eu e nem você, teríamos forças para seguir cada um o seu caminho, mas, a partir do momento em que eu comecei a sentir o que estava por vir, eu compreendi que as coisas finalmente estavam começando a fazer sentido...
Como sempre, eu não suportei, e as lágrimas já escorriam ávidas por meu rosto. Ele afagou o local em que elas escorriam, e continuou dizendo:
— Por isto insisti com você, e de certa forma com Henry, por que no fundo, eu sabia que não seria fácil para você passar por isto, mas, eu podia sentir que talvez, fosse melhor que ele estivesse aqui, por você, e por ele também. Mas, eu sei também Valerie, que às vezes os nossos sentimentos, enquanto somos simplesmente humanos, nos pregam peças, nos segando nas horas erradas, exatamente como estava acontecendo com ele, ao querer no princípio se afastar, e esta acontecendo com você agora, com todos os seus receios. Então, eu ainda estou aqui até que eu tenha certeza que você vai prosseguir, que você vai se permitir ter uma chance, e sério, nada me deixaria mais feliz que fosse com Henry, ele merece, ele sofreu demais também. E é engraçado, como ele pode te dar tudo o que você precisa, proteção, amor, e em contrapartida, você também pode dar a ele o que ele precisa, afeto, carinho, cuidado, por sinal, você, é maravilhosa nisto, eu acredito que vocês podem curar um ao outro.
Seu olhar, me dizia que ele havia refletido muito sobre tudo o que me falava.
— Então como eu ia dizendo, eu preciso seguir o meu caminho. Todavia, eu só terei paz para fazê-lo, se eu ver que você conseguiu seguir em frente, e o primeiro passo, é você buscar se curar, e neste ponto, eu sei que Henry é a pessoa certa, por que agora, eu vejo ainda mais claramente, ele pode te oferecer tudo o que você precisa Valerie, e eu não estou me referindo a bens materiais, porque eu te conheço e sei que você não dá mínima para isso. E por outro lado, ele também tem imensas feridas, e exatamente você, possui todos os recursos necessários para curá-lo. Portanto, eu realmente, acredito que vocês poderão curar um ao outro...
Aquilo era demais para eu absorver, ele não estava com ciúmes, ou triste? E foi o que perguntei a ele...
— Mas e você? Isto não te deixa triste ou com ciúmes. – Ele deu um sorriso tão singelo, tão lindo...
— Não, não mais. Veja bem, para mim não há mais jeito, e seria egoísta demais, eu me sentir assim, e no mais, você já me provou que se eu pudesse estar aí você jamais desistiria de mim, e não foi uma vez só, você se lembra? Quando eu fui embora com o meu pai, quando éramos criança, você me esperou, e mesmo quando sua mãe arranjou seu noivado com Henry, você estava disposta a ir, a fugir comigo, e quando eu fui mordido, e que eu precisei me afastar até a aprender me controlar, você também me esperou. No entanto, agora, as coisas são diferentes, eu realmente não vou mais voltar. E eu não te amaria, se eu exigisse de você ficar sozinha para sempre, que amor seria este? Muito pelo contrário, nada me deixaria mais feliz do que ver você prosseguir com sua vida. Seu sofrimento é insuportável para mim, eu preciso te ver feliz Valerie.
— Então talvez seja isto. – Eu disse me lembrando de meu inconsciente me afrontando mais sedo...
— O que?
— Acho que no fundo, eu já entendia isso, mas, eu não queria enxergar, precisou do meu inconsciente berrar isto para mim hoje. – Ele sorriu...
— É mesmo, como?
Ele ria lindamente.
— Amhh... Eu estava em uma luta interna, sobre se a forma que eu estava me comportando era errada, e do nada surgiu algo assim:
“Errado? Errado por quê? O próprio Peter queria que você seguisse em frente, e as intenções dele eram bem claras, com Henry, ele confiava em Henry, no amor de Henry, sabia que ele poderia te proteger, te fazer feliz. E no mais, errado para quem? As pessoas nem sabem que você tinha Peter? E no mais, é justo, por causas de questões mínimas, fazer Henry esperar mais, ele não merece ser recompensado por tudo que ele já fez, e tem feito? O caminho foi aberto, as possibilidades estão bem estendidas a sua frente, você vai recuar? Vai fechar as portas? E no mais, queridinha, agora é sua vez de correr atrás do prejuízo, se quiser ter Henry, terá que fazer por merecê-lo, ele te deixou isto muito claro, e nada mais justo depois do que ele passou, e você até concordou.”
Peter sorriu verdadeiramente e disse:
— Ele está corretíssimo! Ouça o seu inconsciente Valerie, pois, na verdade, são os seus instintos mais íntimos falando, e dificilmente nossos verdadeiros instintos erram. – Então, ele prosseguiu...- É Como no caso dos sonhos que antecipavam a minha morte, na verdade, lá no fundo, eu, você, nós já sabíamos que mais cedo ou mais tarde, isto acabaria acontecendo, mas, é claro, que, como humanos, nunca iríamos aceitar facilmente. Simples assim.
— Então você não condena nada, mesmo que as coisas ocorram rápido demais?
— Claro que não, eu já disse que nada me deixaria mais feliz. E não seria rápido demais. Henry esperou muito Valerie. E você também, só que você esperou por mim, e quando começou a desfrutar de minha companhia, foi de uma forma muito limitada e por pouco tempo. Aceite a oportunidade que a vida está te oferecendo, nem todas as pessoas tem este privilégio. E então... eu poderia seguir meu caminho aqui em paz, Certo? Não se constranja com nada, a não ser em não tentar ser feliz e fazer Henry feliz. Por que, embora tenha sido por pouco tempo, você me fez muito feliz. Mas, agora vamos, volte a dormir...
— Sim, mas antes, você deve saber do que Henry me falou, tenho que... fazer por merecer, ou seja, terei que provar o que realmente eu quero...
— Sim eu sei, e nada mais justo, mas, você já está começando a fazer, dando a ele o que ele mais precisa, está no caminho certo.
Ele beijou o meu rosto docemente.
E então, ele se foi. E eu acordei...
Não acordei assustada ou apavorada. Muito pelo contrário, acordei compreendendo exatamente o que aconteceu, mas, mesmo assim, a sensação de saudade, a nostalgia do momento, me fez chorar, soluçar, e ao olhar para o relógio observei que eram duas e meia da madrugada.
Peter esteve aqui, ele realmente quer e precisa que eu siga em frente, e ele não está triste com nada que eu possa fazer, e nesta hora, eu fui inundada de paz, pois, realmente isto era algo que me incomodava.
E ele era tão generoso comigo, que ele fez questão de por fim em meus medos e dúvidas, ele era incrível e eu devia isto a ele, eu iria me esforçar para prosseguir. Mas, aí me dei conta de suas últimas palavras sobre eu provar a Henry:
“- Sim eu sei, e nada mais justo, mas, você já está começando a fazer, dando a ele o que ele mais precisa, está no caminho certo.”
O que ele quis dizer? Eu não havia percebido que o meu choro havia aumentado o volume e que os meus soluços saíam mais altos do que eu imaginava, quando de repente, Henry bateu a porta me chamando.
— Valerie, você está bem? – Apenas respondi...
— Pode entrar. – Ele abriu a porta, muito cauteloso, e com o olhar preocupado, acendeu o abajur da mesinha, para podermos nos ver melhor.
— Desculpe eu estava acordado, é que, depois que eu assumi a guarda do vilarejo em noites de lua, eu nunca mais tive uma noite de sono ininterrupto, e eu estava no sofá há alguns minutos, e ouvi você chorar. E... desculpe eu... fiquei preocupado. Outro pesadelo?
— Não. – Respondi simplesmente.
— Está passando mal, com alguma dor?
— Não.
Quando Henry percebeu que eu estava dando respostas curtas demais...
— Bom se não quiser falar tudo bem, eu não quero, de jeito nenhum, retirar a sua privacidade, estarei aqui se precisar... – Porém, antes dele sair o chamei, não era isto, que ele estava pensando. Mas, como eu poderia explicar isto para ele? Tentei:
— Não Henry, eu quero falar, eu só estava organizando minhas ideias. Venha, sente-se aqui. — Apontei a beira da cama e ele o fez, mas senti-o um pouco relutante.
— Bom eu tive um sonho...
— Mas, você me disse que não era um pesadelo!
— E não era mesmo, foi um sonho muito bom, muito real, e que mexeu comigo, por isto desta reação quando eu acordei...
Imagino que embora eu não tenha mencionado, ele percebeu que é com Peter, mas, como eu mencionei que era algo bom e que queria que fosse real, ele entendeu algo errado, porque a sua reação mostrou que ele ficou muito constrangido. Então, eu me apressei em ser clara...
— Não é o que está pensando, aliás, é com Peter sim, mas, não da maneira que você está pensando... – E visivelmente ele relaxou.
— Desculpe, eu não faço por querer, eu estou aprendendo a lidar com isto...
— Eu sei e eu não te culpo.
— Quer falar do que se trata? No entanto, se não quiser tudo bem...
— Sim, eu quero. Claro que quero... O sonho era uma mensagem dele para mim, e ele veio trazê-la...
Então, eu contei a Henry a maior parte, ocultando apenas algumas coisas, como, sobre o meu inconsciente e sobre Peter me dizendo que nós dois poderíamos curar um ao outro e que eu estou no caminho certo em relação a ele. Henry me surpreendeu muito quando falou:
— Eu já sabia que as coisas eram assim, que quando alguém que nos ama muito se vai... para sempre, a pessoa precisa ver a gente bem, para ela seguir.
— Como assim? Como você sabia?
— Sempre ouvir falar disto, e então... – Ele vacilou e eu o encorajei.
— E então...
— E então, quando minha mãe se foi, ela fez isto por mim...
Aquelas palavras me pegaram de surpresa, então, esta era a razão de Henry, sentir tanta necessidade de carinho e afeto? A única que ofereceu isto a ele, não ficou muito tempo com ele, e ela pediu que ele seguisse em frente para ela prosseguir o caminho dela, então, é por isto que ele procura ser tão forte e cuidar dos outros o tempo todo, por ela.... Que lindo!
— Que lindo Henry! Eu jamais poderia imaginar que você viveu algo assim...
— É. – Ele disse com o olhar melancólico, mas, então logo se recuperou. — Já parou para perceber como já passamos por muitas coisas semelhantes?
— Sim, algumas vezes... as perdas, as escolhas que nos foram tiradas muitas vezes, agora...
— Sim... Eu também tenho notado Valerie... – Ele continuava sentado ao meu lado na beirada da cama e estava a acariciar meus cabelos, me mandando ondas de paz... – Mas, agora, você precisa dormir.
— Você também...
— Eu sei, mas também, eu sei que eu não vou conseguir até ver você dormindo de novo, você sabe disto, é mais forte do que eu. É meu instinto de proteção.
— Eu sei, então... – Eu estava para propor algo, entretanto, eu não sabia como ele iria reagir. Assim, eu falei sem pensar... – Durma aqui... — O que eu temia aconteceu. Ele se alarmou, olhou para mim apavorado...
— Não Valerie, eu não posso fazer isto... – Mas, o que será que ele estava pensando, que eu iria fazer alguma...
— Henry, eu não vou agarrar você, por favor, o que você está pensando?... – Falei com raiva, o que ele está pensando?
— Não Valerie, não é isto, me desculpe se dei a entender isto, eu jamais pensei uma coisa destas... – Ele falava exasperado e constrangido em extremo, quase roxo de tão vermelho, o que me fez relaxar um pouco e me deitar de novo, já que com o susto eu havia me sentado... – É que... eu não me sinto confortável, este é o seu espaço, eu me sinto um intruso mesmo agora, sentado aqui, me perdoe, pode parecer besteira ou maluquice minha, mas acredite.
— Ahh... Então, está bem. Entendo. – Eu disse corando, por ter oferecido e por imaginar o que Henry pode está pensando. Ele percebeu meu constrangimento e perguntou:
— Por que você está envergonhada?
— Pelo óbvio! Por ter te oferecido algo assim, a sua negativa, e por não entender o motivo dela. Desculpe-me.
— Não Valerie. Não fique assim, acho que eu não estou sendo justo, vou te explicar detalhadamente. Não fiz isto, não te expliquei direito, por que é algo constrangedor, todavia, não é justo deixar você se sentindo assim. Está bem? – Constrangedor? O que poderia ser mais constrangedor do que o que eu acabei de fazer?
— É que... este quarto, você e Peter... – E eu compreendi na hora, porque o seu rosto ficou vermelho igual a um pimentão, e não diferente do meu.
Realmente era constrangedor falar aquilo abertamente, então, eu não o questionei mais.
— Me desculpe Henry, eu nem tinha me dado conta disto. Por favor, me perdoe.
— Claro que sim, não é culpa sua Valerie.
— Bem, mas, isto me leva a fazer outra pergunta, eu posso?
— Claro que sim! E, eu te prometo que vou responder, mesmo se for constrangedora. – Ele me disse dando um sorrisinho torto...
— É só este quarto? – Ele ficou pensativo.
— Como assim? – Ele ainda não entendeu, eu teria de ser mais clara...
— É só este quarto, mesmo?
— Bom na verdade é o quarto, é a cama, sei lá... – E coramos juntos até a raiz dos nossos cabelos... – Eu senti que ele ainda não havia entendido, então, eu resolvi ser ainda mais clara.
— E o outro quarto? – Pela sua expressão, eu pude ver que ele entendeu onde eu queria chegar, eu queria confirmar se era só isto mesmo, que o fez recuar de dormir ao meu lado...
— Então, me deixe fazer a sua pergunta direito, se é que eu entendi corretamente, você quer saber se eu dormiria com você no outro quarto ou em outro lugar, é isto? – Eu não tive como responder sem corar profundamente...
— Sim, é isto...
— Bom, a minha resposta, é: posso dormir perfeitamente ao seu lado em qualquer outro lugar, e posso fazer isto agora mesmo se você quiser, e prometo que eu não vou “te atacar”... – E ele sorriu, abertamente daquele jeito que só Henry sabia fazer para dissolver uma tensão, e ser cavalheiro.
— Claro, que eu quero. – Respondi sinceramente. — E eu prometo, que também não vou encostar um dedinho se quer, em você se este é o seu medo... – Ele me olhou boquiaberto, com o que eu acabei de dizer, mas, por quê?
— Não Valerie não é isto.... Bom, não desta maneira.... Bem... – quando eu vi que ele editou demais e corou de novo, eu disse:
— Diz logo...
— Sim, sim, é claro.... Veja bem, eu quero muito sim. Algum dia que você me... encoste... bem.... Até mesmo, “me agarre” sim, se quiser. – E embora estivesse totalmente ruborizado, e claramente com vergonha, ele disse esta parte sorrindo – Mas, não assim. Eu quero você demais Valerie, você não pode nem imaginar como, mas, eu quero você inteira, não quebrada, ou pela metade, se é que você me entende.
Suas palavras me pegaram desprevenida, porque, pela primeira vez, Henry estava falando de seu desejo por mim, e eu vi muita intensidade no que ele me dizia...
Mas, eu precisei perguntar sobre a parte que eu não estava entendendo...
— Entendo em parte, mas o que você quer dizer exatamente com “quebrada” e “metade”?
— Bom, é que eu sei que você ainda está bastante ferida, isto explica o, “quebrada”, o momento, a perda, eu jamais me aproveitaria disto. E “metade”, é que eu quero você quando... o seu coração for todo meu. E quando você realmente, por vontade própria, quiser ser minha, mas, não só minha... – Ele claramente hesitou. — Amante, se é que eu estou definindo bem, quero você como minha esposa, para sempre, foi com isto que eu sempre sonhei.
Aquilo me deixou sem palavras, Henry estava derramando o seu coração para mim, e de uma forma natural. Realmente acho que eu nunca o mereci, e jamais o merecerei, ele é um presente valioso demais.
Então, como o silêncio se prolongou ele perguntou:
— No que você está pensando? Se fosse possível, eu gostaria muito de saber. – Então, eu respondi sem vacilar...
— Em você, que você é um presente valioso demais, e que eu nunca mereci, e jamais vou merecer você... – Minhas palavras o surpreenderam, e ele ajoelhou-se ao lado da cama para ficar próximo à altura dos meus olhos, beijou o meu rosto com veemência, e disse...
— Esta é a forma que eu sempre defini você, uma joia preciosa, um presente que eu jamais consegui alcançar...
Então, as palavras que saíram de minha boca, surpreenderam até a mim. Mas, eu fiquei satisfeita por dizê-las...
— Até agora.... Daqui pra frente... Quem sabe? – E ele deu um largo sorriso, sem desviar o olhar...
— Possibilidades... — E eu ecoei sua fala...
— Sim, possibilidades...
E ele mais uma vez beijou o meu rosto, levantou-se, pegou-me no colo e me levou em direção ao outro quarto, me deitando na cama, e deitando-se ao meu lado, bem afastado como prometeu. Então, ele nos cobriu, apagou a luz, deixando só a claridade do abajur, olhou em meus olhos que não paravam de fita-lo, e perguntou.
— Eu posso pelo menos acariciar os seus cabelos até você dormir?
— Se você permitir que eu acaricie o seu rosto, tudo bem. – Eu não pude deixar de sorrir descontraidamente, o que ele retribuiu.
— É justo, e eu posso muito bem conviver com isto.
E, alguns minutos depois, ainda sentindo suas carícias em meus cabelos, eu senti que, a minha mão em seu rosto, deixou de se mover, enquanto, muito tranquilamente eu deslizava para a inconsciência, com o coração transbordando de paz.
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