A Garota Da Capa Vermelha - Continuação.
59 REALIDADE DOLOROSA x RECOMEÇO - CONTINUAÇÃO - Capítulo 55
Notas iniciais
— Henry eu gostaria mais eu... Não posso...
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As palavras de Suzette foram uma punhalada enorme em mim. Suzette jamais se opôs, mas, eu não desistiria tão fácil, eu não abriria mão de Valerie novamente...
— Por favor, Suzette me perdoe, eu faço qualquer coisa que for preciso, eu preciso vê-la, falar com ela...
— Henry eu não posso...
— Suzette...
Eu implorava agora...
— Eu não posso mais fazer nada Henry, ela não está mais aqui, ela se foi...
— O QUE?
Eu gritei apavorado...
— Como assim, ela se foi?
— É o que estou tentando explicar, como ela passou uma péssima noite, por não ter conseguido se acertar com você, ela acordou arrasada e disse que não aguentaria te ver novamente hoje, seria prolongar sua tortura, te ver sofrendo e se recusando a perdoá-la. Assim, ela se levantou cedinho e eu fui com ela até Aquiles, e ela pediu que ele a levasse na estação de Grewnville para tomar o trem para Livergoorn. Ela voltou hoje para terminar seu tratamento, e disse que lá iria decidir se voltaria para cá ou se daria um jeito em sua vida lá pelo Grande Reino mesmo. Já que ela não tem mais o Chalé aqui, pois, ela não o quer mais, pois a reforma, sempre a fará lembrar-se de você.
Eu sabia, sabia que ela recusaria o chalé.... Mas, também sabia que eu não poderia deixa-la partir, Valerie não poderia tomar aquele trem, e eu precisava agir rápido. Então, eu disse:
— Suzette há quanto tempo ela deixou Daggorhorn?
— Há uns vinte minutos, pois Aquiles teve que alugar uma carruagem com cocheiro para levá-los.
— Tudo bem, eu preciso ir, se eu me apressar eu alcanço-a...
Digo já me afastando e indo em direção ao meu cavalo...
— Henry o que vai fazer meu filho?
— Vou atrás do amor da minha Vida Suzette!... Eu não posso deixar Valerie entrar naquele trem, não sem antes vê-la, falar com ela e fazê-la me perdoar pelo tolo que eu tenho sido.... Você me permite ainda desposar sua filha Suzette? Pois, é isto que eu quero, pretendo e vou fazer se ela ainda me quiser e me perdoar.
— Claro meu filho, e tenho certeza que por mais teimosa que Valerie seja, ela irá te perdoar.
— Obrigado, estou indo, avisa, por favor, a minha avó que eu não tenho hora para voltar.
— Tudo bem meu filho, tome cuidado...
— Tomarei... Obrigado Suzette!
Saio em alta velocidade, em direção aos portões do Vilarejo.... Sei que é imprudente, mesmo que Mildrad esteja morto e que os corruptos da Guarda estejam punidos, sair sozinho, mas, não há tempo, ou eu vou agora, ou eu perco a última chance de alcançar Valerie.
Enquanto cavalgo a largas e rápidas galopadas, o mais rápido que posso exigir do meu corcel, vou pensando em cada coisa que quero dizer a ela, em tudo que preciso que ela saiba. Mas, meu coração entra em desespero, quando penso na possibilidade dela não me perdoar. Dói, dói demais.
Assim, dentro de mim começo a pedir:
— “Senhor, eu sei o quanto eu tenho errado, nos momentos em que tenho estado desesperançoso e sem confiança. Mas, Senhor, por favor, me perdoe, me ajude a novamente alcançar o perdão de Valerie e o seu coração Senhor. Tu conheces o meu coração e tudo em mim, e sabes que apesar de tudo e todos os meus erros eu a amo. E eu sei, meu Deus, que se o Senhor deu a ela a mim, e poupou-a da morte como a poupou das mãos de Mildrad, também a livrou do coma, é porque o Senhor tem um propósito para nós. Pois, tudo isto aconteceu quando estávamos juntos, e se eu não tivesse tão focado no meu medo eu teria enxergado tudo certo, desde o princípio. Então, Senhor, mais uma vez, me perdoe, e me auxilie chegar a tempo, que ela não consiga embarcar antes que eu a alcance... Peço-te em Teu Filho, amém! “
Assim que termino, Mais uma vez, sou tomado da agora tão familiar paz e confiança que esta reaproximação do Criador tem me dado. Assim, volto a divagar sobre como será quando a encontrar.
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POV VALERIE
Deixar Daggorhorn hoje, foi de longe à coisa mais difícil que eu já fiz na vida, porque, ao sair de lá, eu fiz com a certeza de que: agora não tem mais volta!
Sinceramente, no momento em que passei próximo a ferraria ontem, e devo dizer, ela ficou perfeita com a reforma, mesmo vendo tão pouco, foi possível de se constatar. Eu contemplei Henry, em seu deplorável estado de sofrimento: mais magro, com o rosto mais cansado, como se tivesse envelhecido uns dez anos; meu coração não suportou a ideia de ignorá-lo. Ainda mais agora, com exata percepção de que eu o amo.
E automaticamente, o que eu quis, foi deixar meu orgulho de lado, e aproximar-me para confortá-lo e tentar esclarecer as coisas entre nós. Falaria dos meus medos, das minhas angústias e de o quanto o temor que eu tinha de que ele se afastasse, caso eu não voltasse a recobrar minhas lembranças sobre nós e nossos tempos juntos, me levou a afastar-me dele. E, também falaria, que eu tinha medo de me entregar ao que eu já começava a sentir por ele, e depois perceber que ele não me queria por ser quem eu era hoje, e por estar preso a Valerie intacta e com suas lembranças.
Todavia, infelizmente, sua mágoa, depois do episódio com Aquiles, foi tão insuportável, que ele se quer me ouviu. Ele foi duro e frio, e o que ele me disse, foi para fazer-me novamente lembrar-me da história que ele havia me contado, de que uma vez em Grewnville, na casa de ti Heitor, embora eu não me lembrasse, ele se permitiu passar pelo que estava passando naquele momento, em uma situação em que eu precisava dele, por estar frágil e doente, mas, acabei o afastando, pois, não me achava a altura dele para estar desfrutando de seu amor e cuidado. Pois, por eu estar doente e limitada, eu precisava de cuidados e não estava em condições de dispensar grandes cuidados a ninguém.
E, ele me disse que eu comecei a colocar em minha cabeça que eu era um fardo para ele, e o afastei sem procurar saber se realmente era isto que ele sentia em relação a mim, e na verdade não era e nunca foi. Ao contrário, ele se sentia feliz e orgulhoso por poder cuidar de mim, e ser meu refúgio, e meus temores me fizeram estragar isto.
Ele disse que foi doloroso demais, o afastamento que eu o impus, e que eu tinha a mania de afastá-lo, quando eu mais precisava. E que na época foram tio Heitor e tia clara que, com sua imensa sabedoria e experiência de vida, nos ajudaram a reverter à situação.
No entanto, quando ele me contou isto, ele deixou claro que, ele não suportava isto mais, porque, na primeira vez, ele se sentiu inútil e incapaz de me oferecer refúgio e proteção, e desta vez, ele disse que também sentiu o mesmo. Principalmente, depois que ele viu que eu não permitiria que ele ficasse comigo para cuidar de mim, mas, permiti Aquiles se aproximar. Ele disse que compreendeu que, aos meus olhos, Aquiles oferecia mais proteção a mim do que ele.
Devo dizer que, Henry nunca esteve tão errado em uma convicção, pois, a única coisa que Aquiles conseguiu este tempo todo, ficando ao meu lado, é me mostrar todos os dias, a cada minuto, e a cada segundo que ele podia, o quanto Henry me amava, e o quanto eu o amei.
Aquiles ainda conseguiu me fazer enxergar, o quanto hoje, apesar de tudo que aconteceu e se abateu sobre Henry e eu, o quanto eu preciso dele e o quero ao meu lado, e o quanto sinto sua falta, a ponto de agora eu ter a absoluta certeza de que eu já o ame, portanto, sofro demais por tê-lo longe, sofro muito.
Aquiles tem me feito ver que no fundo eu sempre soube disto, desde o coma, só que os meus medos me impediam de ver.
Aquiles o procurou ontem, após eu chegar destroçada, pelo insucesso de nossa conversa, na casa de minha mãe.
Henry julgou Aquiles de maneira cruel, quando ele o procurou, Henry até foi capaz de ouvi-lo, mas, não acreditou em uma palavra de Aquiles. Antes, disse que Aquiles havia se aproveitado de meu momento de fragilidade me afastando dele, pois, no fundo, Henry acreditava que Aquiles queria aplacar a saudade de Irina comigo.
E, ele não poderia ter sido mais injusto, por que jamais Aquiles fez qualquer coisa que me atraísse em direção a ele e me afastasse de Henry. Ao contrário, nunca alguém se esmerou tanto, para aproximar duas pessoas quanto ele o fez para aproxima-me de Henry.
De certa forma eu sinto Aquiles arrasado. Pois, no fundo eu sei que, a dor de Henry reflete a dor de Aquiles e sua terrível perda. Neste período pós coma, Henry havia me contado por alto a história de Aquiles, sobre a perda de Irina, coisa que eu não lembrava, como tantas outras. E, também sei, que Aquiles ainda está mais arrasado por saber que de certa forma, ele se tornou o pivô de meu afastamento e de Henry.
Quando ele foi até a casa de minha mãe ontem, após sua vã tentativa de falar com Henry, ele estava esgotado, triste, se sentindo inútil por não ter conseguido reverter a situação.
Mas, o pior de tudo, é saber que eu não tenho raiva de Henry, e nem muito menos Aquiles a tem. Porque, nós sabemos o quanto ele também está sofrendo, e o quanto seu imenso medo, tem o levado a reconstruir os muros e barreiras emocionais à sua volta, que todos falam que eu o ajudei a destruir antes de toda a tragédia que nos envolveu, acontecer.
Henry está em agonia profunda, e eu pude comprovar isto, no fato de ver o quanto ele perdeu peso, o quanto seu rosto envelheceu pela ampla expressão de cansaço e pelas enormes olheiras que se aprofundaram, certamente pelas vastas noites sem dormir.
Aquiles disse que para ele é o mesmo. E o que mais o entristece, é saber que parece que o quanto mais ele tentou ajudar, mais, ele nos afastou, ele está desolado com isto, ele me disse, com toda sinceridade, que jamais em toda a sua vida passou por uma coisa assim. E saber que ele ocasionou algo dessa maneira a pessoas que se tornaram tão importantes para ele, o destroçou profundamente.
Agora mesmo, desde que passou na casa de minha mãe para me pegar, a única palavra que proferiu foi um: “Bom dia senhora”. Pois, até isto ele conservou, ele disse que é difícil para ele me chamar diferente, porque, ele ainda me vê como pertencente a Henry. Como sua futura esposa. A única vez que me chamou de Valerie, foi, a meu pedido, no consultório de Dartanhã, mas, aquilo resultou tantos aborrecimentos que ele se arrependeu.
Outra coisa que Henry ficou surpreso: foi me ver com as evidências de nosso noivado, o anel, a aliança e o bracelete.
No dia em que eu o pedi para que tentasse seguir com sua vida, pois, não achava justo que ele permanecesse preso a mim, sem a certeza de que eu iria me recuperar completamente, ele disse que eu poderia ficar com eles que ele jamais os daria a outra pessoa, pois, foram feitos especialmente para mim. E não havia ninguém digna de merecê-los.
Portanto, fiquei com eles e resolvi não os tirar, simplesmente por que eu não tinha interesse de mostrar a ninguém que estava sozinha e livre. E no mais, agora eu sei que, no fundo, até hoje, eu não queria admitir que houvesse acabado. Lá no fundo, hoje eu sei, eu acreditava que, algo iria acontecer para mudar toda esta confusão. Só que agora não tem mais jeito, nada irá mudar.
Porém, ainda assim, ao tentar tira-los hoje, eu não consegui, é como se eles tivessem sido feitos para ficar onde estão pelo resto de minha vida, porque, simplesmente não consigo removê-los, parece que, quando tento, eu estou retirando um pedaço de mim, um pedaço que representa Henry, e isto dói, dói demais.
— Não os retire ainda...
Aquiles disse, após seu longo silêncio... quando percebeu que eu tocava os objetos que Henry havia me dado como símbolo de nosso noivado.
Eu o olho. E ele me diz:
— Permaneça com eles. Não sei por que, mas, lá no fundo, eu ainda sinto que há esperança, pois, nada é tão forte quanto um grande amor. E ele te ama Valerie, muito. Eu pude mais uma vez, contemplar isto ontem. Tão nítido como te vejo agora, ele só está muito marcado e ferido por tudo, pense bem, nada tem sido fácil para ele. Todos os temores que ele sempre teve, o assolaram, e ele se sentiu desamparado, você era o refúgio dele. E por um tempo ele não pode mais contar com isto. Mas, Henry é uma pessoa maravilhosa, e também, é um homem de um coração tão sincero, que eu nunca conheci igual, tenho certeza que quando ele esfriar a cabeça, ele irá reconsiderar. E certamente irá procura-la.
Eu olhava para Aquiles considerando cada uma de suas palavras, e elas mexeram tanto comigo que as lágrimas já me visitavam.
— Você tem muita fé Aquiles.
Eu disse chorando...
— E como não ter senhora? Eu perdi tudo, eu não tenho mais nada, a não ser minha fé, minha honra e dignidade.
Aquilo doeu meu coração. Aquiles sofria duplamente. Por ele, por sua própria dor de perder Irina e seu bebê, e também, por revivê-la vendo o que eu e Henry temos passado. Tomo sua mão, apesar de saber que ele evita contato, por respeito a Henry e digo:
— Só quero te pedir que perdoe Henry Aquiles, ele só tem dito estas coisas terríveis, por que está muito magoado, tenho certeza que quando ele realmente cair em si, vai se arrepender. E uma coisa, além de muitas outras, que admiro nele, é que ele é humilde o bastante para reconhecer.
Aquiles sorri um pouquinho e diz:
— Eu sei senhora, apesar de tudo que ele disse, ter me machucado muito, pois, ele tocou em minhas feridas, não consigo ter raiva dele. Admiro muito o Senhor Lazar, assim como admiro a senhora. E que saber mais?
— Sim.
Eu respondo.
— É impossível não ter fé vendo e presenciando o que tenho tido a oportunidade de partilhar com vocês. Existe um Deus sim, e Ele é infinitamente bom, pois, só um Deus assim, seria capaz de preparar alguém como você Valerie, para o Henry, você é gentil, meiga, inteligente, sábia, cheia de vida, de esperança, que o ama, que cuida e se preocupa demais com ele. E ao mesmo tempo, te dá um Henry, corajoso, valente, que te ama incondicionalmente, que seria capaz de dar a vida por você, e isto eu posso afirmar por testemunha. Porém, vocês dois, erram, como erraram, claro, afinal são humanos, muitas vezes podem agir motivados por seus próprios medos e dores. E quer saber mais? Por que ainda precisavam de tempo para se conhecerem mais, o amor de vocês já era muito forte, mas, tenho certeza que após tudo isto, ele será inabalável. Pois, agora vocês conhecem não só o lado maravilhoso um do outro, e sim todos os lados, inclusive o dos medos, dos erros, e das fragilidades e ainda assim, serão capazes de se amar acima de tudo isto. Pode algo mais forte e mais maravilhoso? E pode algo assim não prover de Deus?
E eu disse:
— Você tem razão, eu também acredito em Deus Aquiles demais, tenho inúmeros motivos para isto. A fé que eu questiono aqui é de que tudo se resolverá, no fundo eu creio, só tenho medo de me frustrar, ele estava magoado demais, falou coisas terríveis para mim. Assim como falou a você.
E minhas lágrimas corriam livremente agora, por lembrar.
Porém, agora Aquiles cobre minha mão com a sua e diz com límpida determinação:
— Quem sou eu para tal, Valerie, mas, eu quero te dar um conselho, do fundo do meu coração: perdoe-o também. Não permita que o orgulho fale alto.
Olhando-o com sinceridade, eu respondo:
— Claro Aquiles! Claro que eu o perdoaria, agora mesmo se ele aparecesse e me pedisse que o perdoasse e dissesse que me quer e que quer recomeçar tudo, eu o aceitaria, eu preciso dele, eu sinto sua falta demais. Eu o amo Aquiles, só que ele não sabe ainda. Mas...
Bem quando eu disse isto, eu ouvi um grito:
— VALERIE!
Ele vinha de fora da carruagem, ao longe, mas, era tão forte e potente, que sobressaia a todos os sons e ruídos provocados pelas lombadas da estrada ao chacoalhar da carruagem. E ouvi de novo:
— VALERIE!
E agora, pelo visto, Aquiles ouviu também, pois, arqueou as sobrancelhas, e soltou minha mão.
E ouço mais uma vez, e estava mais próximo e mais nítido desta vez:
— VALERIE!
Meu coração acelerou imediatamente, no exato momento em que os meus ouvidos reconheceram a voz que me chamava: era ele!...
Rapidamente eu coloquei a cabeça do lado de fora da cabine de passageiros. E ao olhar para trás, tive a oportunidade de comprovar o que os meus ouvidos e meu coração já sabiam, era Henry.
Ao me ver, um lindo sorriso que eu não via a muito tempo, apareceu em seu rosto. E ele disse alto:
— Por favor, me perdoe, peça para parar a carruagem eu preciso falar com você não vá, por favor, eu sou um tolo sem tamanhos, mas, eu amo você, não vá Valerie!
Minhas lágrimas que já caiam na conversa com Aquiles, só aumentaram. E então, sem pensar, eu gritei em direção à cabine do cocheiro:
— PARE A CARRUAGEM! PARE A CARRUAGEM!
E Aquiles vendo o meu desespero, interviu, gritando agora com sua voz potente pelo outro lado:
— AUTOLÁ, PARE A CARRUAGEM AGORA!
Imediatamente, a carruagem parou e eu simplesmente olhei para Aquiles e disse:
— Obrigado, você entende que eu vou te deixar prosseguir sozinho, não é?
Ele sorri amplamente e diz:
— Nada me deixaria mais feliz. Vá, não demore, não o deixe esperando...
— Mas, e minhas coisas?
— Tome.... Vocês só irão precisar disso.
E ele me deu a cesta de comida que minha mãe preparou para a viagem. Certamente Aquiles estava pensando que eu e Henry passaríamos um longo tempo fora.
— Mas, e você Aquiles?
— Eu como em Grewnville, e afinal não vou demorar, só vou deixar o cocheiro que contratei por lá, e alugarei um cavalo para poder voltar. Pois, ele está tão desesperado que veio sozinho, certamente para ganhar tempo e nos alcançar, e não posso deixar vocês sós, não faço serviços pela metade senhora.
E ele sorri, e eu digo:
— Tudo bem, obrigada Aquiles.
— Certo, agora vá, ele deve está ansioso assim como você.
Dou-lhe um enorme sorriso e digo-lhe:
— Estou mesmo!
Nosso diálogo durou o tempo exato de Henry nos alcançar e parear o cavalo ao lado da carruagem.
E assim que o fez, ele se aproximou o máximo que pode. Fazendo-me sinal para que eu fosse direto da escada de descida para seu corcel, e em seguida estendeu os braços para me receber, e eu não hesitei em nada, simplesmente deixei a cesta nas mãos de Aquiles e me lancei em seus braços que me envolveram e acolheram imediatamente, pegando-me sem esforço algum e me sentando na cela de seu cavalo.
Assim que o fez, ele beijou minha testa, e eu o seu rosto.... Afinal, tínhamos plateia e muito a conversar. E assim que terminou, ele olhou para Aquiles e pude ver a vergonha e o arrependimento em seu rosto. Uma coisa é admirável em Henry, que ele sabe reconhecer seus erros e ser humilde quando precisa. E ele disse a Aquiles.
— Me perdoe, iremos conversar com mais calma, tenho muito pelo que me desculpar. Mas, no momento, eu gostaria que você entendesse que tenho outra prioridade.
Aquiles sorri e diz:
— Claro senhor, haverá tempo para isto mais tarde. Só preciso saber, onde encontra-los, pois, irei até Grewnville deixar o cocheiro que contratei e buscar um cavalo para mim. E em seguida, eu volto para escolta-los, pois, creio que na pressa, não deu tempo do sr. de trazer ninguém.
Henry sorri sincero para Aquiles, certamente compreendendo que Aquiles era nobre o suficiente para deixar as diferenças de lado e voltar a assumir seu posto em nos garantir escolta e segurança, e comovido ele diz:
— Mais uma vez, obrigado Aquiles, e me desculpe. E respondendo a sua pergunta, pelo que vejo, estamos muito próximos à estrada de acesso ao lago, e creio que vou levar Valerie até lá. – E agora ele vira-se para mim e pergunta. — Nós adorávamos ir lá, e vai ser a sua primeira vez após tudo o que aconteceu, era um lugar especial para nós você quer ir? Só vou se você quiser...
Vi o quanto era importante para ele aquele lugar, pelo brilho de seus olhos, e eu disse:
— Sim, eu quero Henry.
E Aquiles disse:
— Tudo bem, encontro vocês no lago.
— Mais uma vez, obrigado Aquiles!
Henry falou e eu sorri para Aquiles, e assim ele me entregou a cesta, que Henry prendeu num compartimento da sela, e Aquiles deu ordem ao cocheiro e partiu.
Assim que a carruagem se afastou, Henry tomou meu rosto em suas mãos e disse:
— Eu sei que precisamos conversar e vamos. Vamos conversar muito, mas eu preciso de algo, posso?
Ele perguntou aproximando-se de meus lábios, e sem hesitar eu respondi:
— Sim, pode Henry, e eu também preciso.
Ele sorri maravilhosamente e toma meus lábios nos seus em um beijo delicioso, e naquele momento, é que percebo o quanto realmente eu senti falta daquele contato com ele.
Eu o beijava com tanto desespero, como se minha vida dependesse daquilo. E ele fazia o mesmo, enquanto nós dois tentávamos delinear o rosto um do outro com as mãos livres.
E, a minha satisfação por sentir aqueles lábios, que eu senti tanta falta nos meus, era tanta, que em meio ao beijo o choro me alcançou, e incrivelmente com Henry aconteceu o mesmo. E, agora nos beijávamos em meio a torrentes de lágrimas. Lágrimas de alívio, lágrimas de alegria, lágrimas de contentamento, e lágrimas de vitória.
Depois de um longo tempo assim, ao nos separarmos em busca de ar, Henry disse:
— Precisamos ir, estamos no meio da estrada, dentro de no máximo quinze a vinte minutos estaremos no lago.
Ele me beija suavemente mais uma vez e segue caminho, enquanto eu vou envolvida em sua cintura, afundando meu rosto constantemente em seu peito inalando, beijando, para ter a cada segundo a certeza de que ele estava ali comigo e em meus braços novamente.
***
POV HENRY
Não sei se consigo descrever em palavras o que estou sentindo. Sentir este corpo que amo tanto nos meus braços e estes lábios que me enlouquecem nos meus novamente, é algo indescritível. Como senti falta!
É impressionante também sentir que ela sentiu o mesmo, posso até dizer que parece até que ela se lembra do que sente por mim, pois, como seus gestos e seu semblante expressam amor.
Mas, tenho certeza que minha carência dela é que me faz ver isto. Enquanto cavalgamos até o lago, ela está envolvida a mim. Ela beija o meu peito, a todo o momento, afundando seu rosto ali, como ela gostava de fazer antes.
Fico tocado ainda mais, quando ela pousa sua mão onde fica meu coração e mantém seu rosto de lado também próximo, ouvindo. Então diz:
— É o som mais lindo do mundo para mim. Conheço o ritmo, a sintonia, é como uma bela canção aos meus ouvidos, Henry. Adoro ouvir as batidas do seu coração. Acalma-me e me dá a certeza de que você está bem, e está pertinho de mim. Sabe, houve momentos em que duvidei que isto aconteceria de novo.
E neste instante, o choro a envolveu novamente, levando-a a afundar seu rosto de novo em meu peito, enquanto soluçava. Aquilo, é tão desconfortável e dolorido para mim... E ela diz com voz abafada, pela forma em que se encontra:
— Senti tanto a sua falta, tanto, nunca me senti tão incompleta. É como se você tivesse levado um pedaço de mim com você.
Beijo o topo de sua cabeça e aumento meu aperto sobre seu corpo, enquanto mantenho firme a rédea em uma mão.
Assim digo-lhe:
— Shhh... Eu sei meu amor, tenho muito pelo o que me desculpar, Valerie. Mas, quero fazer isto direito, amor. Mas, devo dizer que eu nem sei como sobrevivi a estes dias. Foram terríveis, Valerie. A vida perdeu o sentido, eu só me arrastava pelos dias. Mas, graças a Deus, acabou, e você está aqui. E ainda que você queira me punir, e eu sei que eu mereço isto e aceito de bom grado, qualquer coisa que queira fazer comigo, a única coisa que não aceito, é ficar longe de você. Eu te amo muito! Muito mais ainda do que eu sempre amei. Meu amor por você triplicou, ele expandiu ainda mais.
Ela agora me olhava e tocava meu rosto, acariciando... E o contato era delicioso. Só que havia algo em seu olhar que me incomodava, pois, eu conseguia identificar o amor que eu não via após o coma, eu não conseguia ver só desejo mais, havia mais, na verdade, havia bem mais. E enfim, ela disse:
— Eu jamais te puniria, Henry. Eu não poderia, eu não suporto te ver sofrer.
Minhas lágrimas corriam com suas palavras e eu disse:
— Obrigado!
Fizemos todo o percurso até o lago assim, envolvidos um no outro, da maneira que podíamos.
Ao chegarmos ao local, Valerie ficou maravilhada. Ela olhava tudo admirada. Desci do cavalo e estendi os braços a ela e prontamente ela veio até mim, evolvendo meu pescoço com os seus braços e surpreendentemente ela envolveu minha cintura com suas pernas.
Seu olhar sobre mim era de saudade, pura saudade.
Eu só faço gemer, quando ela aumenta o aperto das pernas ao meu redor. E diz:
— Senti demais sua falta, Henry. Falta dos seus beijos, do seu abraço, de sua forma única de cuidar de mim, de me proteger, de acordar com você e de ter seu sorriso como a primeira visão do dia, de dormir com você, em seus braços, não gostaria mais de ficar sem isto. Por favor, eu sei que eu não sou a mesma, mas, nada me impede de tentar ser a Valerie que você quer, e que você sente falta. Ensina-me, me ajude, a ser o que eu era, me ajude a lembrar, eu quero me lembrar, mas, se eu não conseguir... – Ela hesitou, ansiosa... — Não me rejeite.
Ela dizia com tanta sinceridade e melancolia no olhar. Que chegava a cortar o meu coração.
— Eu posso tentar ser uma Valerie melhor do que eu era. Por você, eu quero fazer você feliz, Henry. Eu preciso de você, não imagina o quanto!
Eu a olhava maravilhado! Suas palavras eram tão verdadeiras, que arrancaram lágrimas de mim, e as dela, jorravam fluidamente, e eu disse:
— Shhh... Calma meu amor, eu tenho muitas coisas para dizer a você Valerie, mas antes, venha.
Levo-a no colo, envolvida em mim e ela leva a cesta.
Sento-me com ela exatamente onde costumávamos nos sentar quando vínhamos aqui. E ela continua envolvida em mim.
Pego a cesta de sua mão e coloco um pouco mais afastada e volto a olhá-la. Seu olhar é doce, mas, muito apreensivo, ela está ansiosa e cheia de expectativa. E algo passa de relance, em minha mente, lembro-me de cada palavra dela agora a pouco, e digo:
— Repete para mim o que disse.
Ela aumenta a intensidade do olhar e agora envolve meu rosto com as mãos e diz:
— Me ensina a ser a Valerie que você quer Henry. Não quero que se afaste.... Eu não quero perder você!
As palavras de Peter, no sonho, voltaram a minha mente, e foram confirmadas pela fala dela. E eu a digo...
— Eu jamais me afastarei novamente, amor. Eu não consigo, eu a amo, Valerie, e você já é a Valerie que eu quero! Olhe, eu quero, na verdade, eu preciso pedir perdão a você, porque eu olhei o tempo todo, errado para tudo isto. Eu fiquei tão focado em te fazer lembrar, que me esqueci do mais importante: de mostrar a você que eu a amo da maneira que você estiver amor. Não me importa que você não se lembre, não mais, sabe por quê? – Ela me olhava atenta e acenou que não, com a cabeça. — Eu cheguei a uma conclusão: memórias podem ser substituídas. O que vivemos foi bom? Sim foi maravilhoso, inesquecível para mim! Mas, o que temos para viver agora pode ser muito melhor, podemos construir novas memórias, eu posso e eu quero, se você me permitir, te levar a todos os lugares que nós fomos e reviver as coisas lindas que vivemos... Só que será bem melhor, sabe por quê?
Ela diz que não com a cabeça...
— Por que nós podemos fazer com que seja melhor.
A cada palavra que eu dizia, ela respirava aliviada, e soluçava.... Pelo visto, de alegria por ouvir aquilo de mim.
Como eu a fiz sofrer com a minha incapacidade de enxergar o que estava bem na minha cara.... E prossigo:
— Olhe, eu fiquei tão focado em fazê-la lembrar, que eu ignorei o mais importante: que é ensiná-la a me amar novamente, ou até mesmo se lembrar de que me ama, porque no fundo Valerie eu acredito que seu amor por mim ainda está aí em algum lugar. Algo me diz que está.... Agora mesmo, quando eu olho em seus olhos, eu consigo vislumbrá-lo, eu só preciso ensiná-la o caminho, conduzi-la a me amar novamente, mas, para isto você precisa confiar em mim.
Ela chorava mais, e minhas lágrimas também corriam. Continuo...
— Eu sei que eu fui tolo, eu no fundo quis este afastamento achando que talvez ele pudesse nos aproximar.... Mas, eu fiquei cego de ciúme com a aproximação de Aquiles, você não sabe o quanto é insuportável ao menos pensar em você se tornando de outro homem, outro homem cuidando de você. Eu me senti péssimo, inútil, ferido, magoado...
Ela me interrompe.
— Eu nunca quis que outro homem cuidasse de mim, Henry, nunca. Eu só queria você, mas.... – Ela hesitava.... – Eu tinha medo de você desistir, fiquei com medo de me entregar.... E mais, eu tinha medo de magoar você. Mas, acho que acabei magoando do mesmo jeito, me perdoe.
— Shhh... Calma, nós dois nos magoamos por causa de nossos medos. Mas, podemos superar, podemos nos perdoar, eu perdoo você meu amor.... Sei que você não fez por mal, e você? Será que você seria capaz de perdoar o tanto que te feri? O tanto que te fiz sofrer?
Ela me olhava com tanto carinho, e disse:
— Claro, Henry. Claro que eu te perdoo...
Choro aliviado em seu abraço. E depois, de um tempo olho-a novamente e pergunto.
— Agora a pergunta mais importante: você seria capaz de confiar em mim, a ponto de me permitir ensiná-la a me amar, ou se lembrar do quanto me ama, não sei, o que quiser, ou o que vier primeiro, você deixaria? Eu não sou perfeito, Valerie. Nunca serei, mas, quero me tornar o Henry perfeito para você. Você me permite?
Ela me olhava insondável, e neste momento ela seca seus os olhos e respira fundo, e sua expressão me deixa ansioso, pois, ela me evidencia que já está decidida, e que já chegou aqui sabendo o que queria, então, diz:
— A resposta é não, Henry! – Suas palavras apunhalam meu coração, fortemente, e quando vou tentar dizer algo, ela cala os meus lábios com a sua mão, e diz firmemente. Contendo um choro... – Eu não posso deixar você me ensinar a te amar novamente, isto seria impossível...
— Mas...
Tento dizer e ela não me permite...
— Não! Deixe-me terminar, eu te ouvi, agora você precisa me ouvir. Quando você saiu de Livergoorn, apesar de eu ter sofrido muito, foi a melhor coisa que você já fez, pois, talvez se você não tivesse decidido assim, eu não conseguiria compreender o que compreendi. Naquela madrugada quando você disse tudo àquilo para mim, meus olhos se abriram, ali eu enxerguei tudo o que eu precisava, mas, eu fiquei quieta com medo, porque eu estava confusa, eu não tinha certeza. Mas, ao acordar pela manhã e tomar banho, quando eu abri o guarda roupa, e, não vi suas coisas lá, e me dei conta de que você não estava lá e que tinha ido embora, todas as minhas dúvidas se foram. E com o passar dos dias, as minhas certezas só aumentaram.... Quando eu te vi no consultório e disse que senti sua falta, eu nunca fui tão verdadeira, Henry. Então, a resposta é sim confio em você demais, mas, não posso deixar que você me ensine a te amar novamente, pois, isso seria impossível...
Meu choro aumenta e eu digo...
— Valerie eu...
Ela não me deixa terminar. Ela aproxima o seu rosto a milímetros do meu, e diz olhando profundamente em meus olhos:
— Eu não posso deixa-lo me ensinar a te amar.... Simplesmente porque você já fez isto. Eu o amo Henry, amo muito. Você já é o Henry perfeito para mim. Foi preciso quase te perder para eu descobrir isto. Quero ser definitivamente sua noiva, sua esposa, sua amante, sua, só sua, para sempre! Eu só não posso ser a Valerie das memórias. Você aceita o meu amor? Mesmo sabendo que eu realmente posso nunca mais me lembrar do que vivemos? Está disposto...
Não a deixo terminar de maneira alguma...
Tomo seus lábios com uma fúria poderosa nos meus, e minhas mãos agora percorrem ansiosas por seu corpo, respeitando cada limite de contato que eu me lembrava bem. Ela faz o mesmo, me evidenciando em cada gesto não só desejo, mas, amor, profundo amor.
Como pude ignorar isto? Esteve ali o tempo todo, e eu não conseguia enxergar. O medo havia me cegado de tal forma que era impossível para mim. Lembro-me que não a respondi e busco forças para me afastar e digo:
— Aceito, aceito tudo de você meu amor, você é tudo que eu sempre quis, Valerie. E olhe, eu sei que pode parecer precipitado, mas, eu não tenho mais dúvidas, eu não quero mais esperar, temos tudo pronto, o chalé está pronto como você soube. Você o viu?
— Não. Não tive coragem. Fiquei dentro da carruagem e não olhei ao passar, seria demais para mim.
— Tudo bem, melhor assim, você irá conhecê-lo comigo, terei o prazer de lhe mostrar em primeira mão como ficou o nosso lar amor.
Ela sorri lindamente com o que digo.
— Bem, então, case-se comigo amor. Seja minha esposa, seja aquela que me fará feliz por todo o sempre, aquela que irá desfrutar cada dia de nossas vidas ao meu lado, permita-me cuidar de você como o seu marido e deixe-me cuidar de você como minha mulher, amor, seja a mãe dos meus filhos, permita-me ser aquele que sempre irá acolher você no final do dia em meus braços, e também, aquele que você acordará nos braços a cada manhã, permita-me ser seu refúgio, seu porto seguro, seu eterno amante. E eu creio que não precisamos esperar mais, a não ser o tempo que é necessário para os preparativos, você tinha pedido a tia Clara para organizar tudo, não sei se manterá isto. Faremos assim, olhamos o tempo necessário com ela, com a igreja, e com o Hotel, e vamos o mais rápido possível a Dartanhã perguntar se há algum problema com isto para o seu tratamento. Se há algo especial a fazer. Precisaremos ir a Helena para que ela veja você. Mas, enfim, após tudo isto: Aceita se casar comigo? Você Valerie aqui agora, mesmo sem memórias? E me permite usar os dias de agora para frente para construir com você novas e as mais belas memórias de um tempo juntos? O que acha?
Ela me olhava maravilhada e o seu olhar apaixonado estava de volta, e lágrimas de alegria rolavam por seu rosto.
— Sim eu me caso Henry, meu amor! Meu grande, único e verdadeiro amor. Quero ser definitivamente sua Sr. Lazar para sempre! Quero ser aquela que irá te amar por todos os dias de nossas vidas, cuidando de você, de suas coisas, dos filhos que eu terei com você. Quero ser um refúgio para os dias difíceis, quero ser aquela que estará sempre ao seu lado nas dificuldades, quero que você seja aquele que dormirei nos braços ao final de cada dia, e acordarei olhando nos olhos a cada manhã, quero que seja o homem que irei amar intensamente para satisfazer as necessidades de seu corpo e de sua alma amor, quero ser para sempre sua e somente sua Henry.
Dou-lhe um enorme sorriso e beijo-lhe com carinho e digo:
— Então, você será meu amor! E agora, me dê isto.
Digo retirando anel, alianças minha e dela, e bracelete de noivado.
Ela me olhou confusa... E eu disse sorrindo:
— Faremos isto direito. Não vamos reconstruir memórias?
— Sim.
— Se tudo der certo, amanhã, e se você quiser, teremos um jantar nos Oxford’s, onde toda esta confusão começou e terminaremos com ela ali. Celebraremos nosso noivado novamente, um novo compromisso, desta nova Valerie e deste novo Henry que renasceram das dores, do medo, e das cinzas, para serem fortes e um só para sempre amor.
Ela me olha feliz e diz:
— Claro que eu quero e quero todos lá.
— Claro, eu também. Então, agora, vamos embora, alcançaremos Aquiles em Grewnville, pois, temos muito a fazer. Vou usar de meu prestígio para tentar polir tudo isto, hoje ainda.... Também iremos à casa dos tios, avisá-los e pedir que avisem aos Oxford’s e nossos amigos de Livergoorn. Temos que avisar os de Daggorhorn, sua mãe e minha avó. Importa-se que nosso momento no lago espere mais um pouco?
Ela me olha maliciosa e diz...
— Não, eu não me importo, afinal, você me disse que tempos uma promessa de fazermos amor aqui assim que casarmos, é verdade?
— Sim...
Respondo curioso e ela diz:
— Então, breve voltaremos!
Dou-lhe um sorriso e digo.
— Verdade.
— Henry, eu só queria fazer algo antes: vamos comer? Pois, depois de muitos dias eu realmente estou com fome.
Dou-lhe um sorriso com aquilo, porque as palavras dela me deram ciência de que eu também estava, e paramos para fazer o nosso piquenique.
Rapidamente, nós dois estendemos a toalha e preparamos o local para comermos, e devo dizer, que o momento foi maravilhoso, mágico, melhor que o último piquenique em que Aquiles esteve aqui conosco. Assim como naquele dia, recostei-me em uma árvore e sentei-a de lado no meu colo. E sugeri:
— Que tal comermos juntos?
— Tipo num mesmo prato?
Ela pergunta, e eu respondo:
— Sim algum problema?
— Claro que não, eu adoraria, só que eu quero alimentá-lo, eu posso?
Isso me faz lembrar dos momentos vividos anteriormente com ela aqui.
— Hum.... Agrada-me a ideia, Sta. Valerie. Sabe o significado disto?
— Sim, intimidade e cumplicidade.
Ela responde, e eu digo:
— Hum, rum, exatamente.
— Gosto disto amor!
Dou-lhe um enorme sorriso, e ela pergunta:
— O Que foi?
— A forma que me chamou, repete, repete, por favor:
— Hum.... Meu amor, que tal também, meu lindo, meu noivo, e...
Ela agora aproxima os lábios de meu ouvido e diz sussurrando:
— Meu homem, meu guerreiro...
Ignorei todas as reações do meu corpo com suas provocações e disse:
— Você se lembra?
— Sim de cada uma das formas que me disse que eu te chamava, como sei que gostava, quero voltar a usá-las, eu posso?
— Claro! Isto me agrada, e então posso voltar a chama-la como gostava também?
Pergunto-lhe provocando-lhe.
— Hum, rum, adoraria ouvir. Meu príncipe!
— Hum.... Que delícia, amor. Isto é música para os meus ouvidos.
Ela sorri e diz.
— Irá ouvir sempre então, lindo. Amo você Henry!
— Também amo você, Valerie!
O restante do nosso lanche foi delicioso, ainda mais que fui alimentado por ela, o que nos mostrou o quanto nossa conexão e intimidade estavam intactas apesar de tudo. Comemos como não fazíamos há muito tempo.
O momento foi íntimo, profundo e magnífico...
Deixamos o lago, mas, incrivelmente antes de o fazermos, ela me solicitou como sempre fez:
— Podemos ficar um pouquinho perto da margem antes de irmos?
— Sim, sempre fazíamos isto também, e é você quem pedia.
E ela sorri e diz;
— Enfim, nem tudo se perdeu.
E eu corrijo:
— Nada se perdeu... O mais importante está aqui: Você. Eu.te.amo.muito!
Ela sorri:
— Acho que agora eu posso dizer: Eu.te.amo.mais!
— Há, há... – Eu ri debochando. — Não senhora, eu te amo mais, porque, eu te amei primeiro.
Ela sorri mais, e diz algo surpreendente:
— Eu sei, porém, eu aprendi a te amar duas vezes o que faz o meu amor muito mais forte!
Ela diz com tanta sinceridade, que as lágrimas aparecem nos dois. Assim, eu beijo seus lábios e não me rendendo digo:
— Sendo assim, agora estamos quites então.... Nivelados.
Ela sorri lindamente e me beija apaixonadamente como só Valerie sabe fazer.
Tomo-a no colo e giro-a com cuidado, tamanha é a alegria que estou sentindo, e ela grita:
— Henry! Estamos cheios irá fazer mal.
— Só um pouquinho amor, eu estou feliz demais!
Então ela me abraça, e assim paro de girá-la beijando-a mais uma vez com todo o meu amor.
***
Ao chegarmos a Grenwville, muitos nos olham e Valerie diz:
— O que há conosco?
— Bem, não nos preparamos para um passeio, acho que são nossas roupas, estão acostumados a nos verem alinhados por aqui, principalmente eu.
— E você se importa?
— Por mim, não muito Valerie, mas, por você, sim. Gosto de te vestir lindamente, mas, vamos resolver isto.
Desço do cavalo e a desço também.
Então, Valerie diz:
— Henry, precisamos encontrar Aquiles.
E eu a respondo:
— Eu estava pensando nisto amor.
E Valerie compartilha:
— Ele disse que iria lanchar aqui, antes de ir.
— Bom saber, porque, então, eu sei onde ele pode estar.
Digo e sigo rumo a um local onde guerreiros geralmente frequentam em busca de uma boa refeição café ou lanche.
Assim que chego, deixo Valerie na recepção e dou uma entrada no local para localizar Aquiles. Quando o avisto, aceno para que venha se encontrar comigo.
Volto até Valerie, e ela diz:
— Henry, eu sei que fará o que é certo, mas, devo dizer que você deve muitas desculpas a Aquiles, amor, ninguém se empenhou tanto para me manter unida a você, ele ficou extremamente inconformado com nosso afastamento Henry, e me desculpe falar príncipe, você foi muito duro e injusto com ele. Aquiles gosta e admira demais você amor. E nos ver juntos o traz muita alegria.
Olho para ela e vejo quanta sinceridade, há em seu olhar e digo:
— Eu sei amor, agora eu consigo enxergar absolutamente tudo e com muita clareza. E estou envergonhado e irei acertar isto, tenha certeza.
— Eu sei Henry, tenho orgulho de você amor, pois, por mais que você erre, eu sempre vejo você tentar acertar. Eu amo você Sr. Lazar!
Dou-lhe um beijo rápido e nisto Aquiles chega.
— Senhor, senhora!
Ele nos cumprimenta.
— Aquiles, houve mudanças de planos, vamos comprar umas roupas e depois iremos até o tio Heitor. Pode nos encontrar lá?
— Sim, claro.
— Só que antes, eu preciso de um favor, eu preciso polir algumas coisas para hoje ainda, e sei que o quanto antes levar melhor, posso pedir que você faça isto para mim? São nossos presentes de noivado, amanhã pretendo fazer um jantar nos Oxford’s para renovarmos nossos votos de noivado e creio que, hoje ainda, marcaremos o nosso casamento.
Aquiles naquele momento, dá um sorriso que eu nunca vi. Realmente ele estava radiante e emocionado, então diz:
— Graças a Deus! Eu fico imensamente feliz com isto, e reforço o que sempre disse, vocês serão muito felizes!
Olho no fundo de seus olhos, também emocionado e toco seus ombros, e ele não hesita, então digo.
— Muito obrigado, e quero que saiba que você é uma das pessoas que tornou isto possível, eu nunca poderei te agradecer o suficiente. E mais uma vez quero dizer: me perdoe por tudo que eu disse impensadamente, eu me arrependo por cada palavra injusta Aquiles, principalmente no que se refere à Irina.
Vi claramente, o quanto aquilo o alegrou.
— Obrigado, senhor, não se preocupe, sei que é realmente grato, e sei que tudo o que houve foi motivado por um momento de fraqueza e desespero, e quero dizer que, já está no passado.
— Eu que agradeço a você Aquiles, e te esperamos no tio Heitor. E mais, precisamos conversar sobre você assumir seu posto novamente e de forma oficial, e arcarei com todo esse tempo trabalhado apenas por lealdade e sem remuneração.
Aquiles diz seriamente:
— Não precisa senhor, assumirei meu posto sim, mas, não pre...
Não o deixo terminar:
— Não existe arrependimento verdadeiro, que não passe por restituição Aquiles, e para provar que eu reconheço e me arrependo sinceramente pelo meu erro, me permita te restituir.
Em seu olhar, eu vi e compreendi que para ele, não era preciso aquilo, mas, ele me permitiria fazê-lo por que sabia que eu acreditava ser o certo. Assim disse, confirmando minhas palavras:
— Sabe que para mim, não é necessário. Porque, apesar de ser meu trabalho, o que tenho feito para vocês, o tenho feito por prazer e satisfação. E tenho certeza, que poucos tem o privilégio que estou tendo de ter como missão algo tão prazeroso: cuidar de pessoas tão maravilhosas e que hoje, de certa forma fazem parte da minha vida. Porém, se é para deixa-lo em paz senhor, assim seja feito.
Dou-lhe um grande sorriso, sincero e emocionado, e sou acompanhado por Valerie e digo:
— Muito obrigado Aquiles!
Aquiles nos cumprimenta, pega os objetos e saímos dali.
Eu e Valerie caminhamos lado a lado, e eu vou guiando-nos em direção a Loja de roupas de Sr. Gomez. Valerie tem uma interrogação no rosto, e eu digo:
— Amor, vamos a uma loja em que já te levei, eu comprarei roupas para usarmos agora e umas peças a mais.
Valerie contesta, e penso que isto ela bem que poderia ter esquecido. E ela diz:
— Henry, tenho muitas roupas, você mudou todo o meu guarda roupa amor.
— Eu sei, e gosto disto, se acostume... Antes de tudo acontecer, você já tinha se acostumado depois de muito custo, não vamos mais discutir amor, não por isto, é tão insignificante para mim, mas, poder dar de tudo a você me agrada tanto, então, faça por mim.
Ela me olha lindamente e diz:
— Tudo bem, farei por você.
— Quero que escolha um vestido lindo para o jantar de renovação do nosso compromisso de noivado Valerie.
— Desde que compre um traje para você.
Dou-lhe um sorriso e digo.
— Eu sabia que falaria isto. Mas, sim, posso fazer, aliás, eu escolho seu vestido, e você meu traje, cada um vai vestir o que agrada o outro.
— Ótima opção.
Ela diz, e eu falo:
— Escolha uma cor, amor, é para o seu vestido.
— Vermelho...
— Hum.... Eu amo você de vermelho Valerie, porém, é a cor que usou no nosso jantar da outra vez, se importa de ser outra?
— Não, então escolha você lindo!
— Eu posso?
— Claro, Henry. É para você que estarei me vestindo...
Aquilo aquece meu coração. E beijo-a docemente.
— Que tal verde? Combina com seus olhos...
— Gostei, será verde então.
Lembro-me de algo e digo a ela:
— Olhe, todos na loja certamente te darão muita atenção, porque, amaram a você amor. Principalmente a Beatriz, a vendedora que me atende há anos. Eles a princípio podem não entender se você agir um pouco diferente, mas, se permitir, eu posso explicar a Beatriz quando não estiver por perto.
— Claro amor, eu adoraria, não quero passar uma imagem errada ou de hostilidade.
— Tudo bem, chegamos.
Entramos, e imediatamente, quando Beatriz nos vê, vem sorrindo em nossa direção.
— Sr. Lazar e Sta. Valerie, que prazer vê-los novamente, senti falta de vocês por aqui.
Valerie dá um imenso sorriso a Beatriz e recebe-a com carinho, como a lady que ela sempre foi. Ao terminar com ela, Beatriz se dirige a mim com um aperto de mão.
— Sejam bem-vindos, em que posso servi-los hoje?
E eu respondo:
— Na verdade viemos pedir socorro, saímos despreparados para um passeio, e por fim, chegamos até aqui.
Beatriz sorri com o que eu disse, e Valerie cora.
— Assim, precisamos de roupas para agora, e também, mais algumas peças, sendo que um traje para eu e Valerie terá de ser especial, um vestido lindo e verde para ela e algo que ela escolha para mim, pode ajuda-la?
— Claro, mas, o gosto de Sta. Valerie nem precisa de supervisão, ele já é impecável.
— É verdade Beatriz.
Digo orgulhoso.
— Quem será o primeiro?
Beatriz pergunta.
— Henry. Beatriz, vamos escolher algo para ele!
Valerie diz animada, como sempre faz, ao ver a possibilidade de cuidar de mim.
— Tudo bem, venham.
Beatriz nos conduz a sessão masculina e Valerie impecavelmente faz suas escolhas, sendo perfeita em cada uma. Fiquei aliviado por constatar que aquilo não havia se perdido. Só que por mais, que ela se esforçasse para agir naturalmente, vi que Beatriz percebeu diferenças.
Assim que terminamos com minhas escolhas, fomos à seção feminina e fizemos as dela.
Por fim, Beatriz disse:
— Sugiro que as provem agora, mas, gostaria de oferecer uma cortesia. Temos um banheiro apropriado para emergências de clientes na loja, e quem sabe talvez desejem um banho para colocarem roupas limpas? Enquanto isto, eu providencio que passem as que irão usar agora? O que acham, não se constranjam, seria um prazer.
Valerie me olha, feliz com a ideia. Então, eu digo:
— Tudo bem, mas, não viemos preparados.
E Beatriz diz:
— Temos tudo à disposição. Até mesmo toalhas higienizadas, e tudo o que precisarem, isto foi algo que o Sr. Gomez implantou para nossos clientes de fora, que às vezes têm esta necessidade antes de provarem. Será um prazer servi-los.
Beatriz diz feliz por poder servir.
E eu respondo:
— Obrigado, Beatriz! E, Valerie você pode ser a primeira.
Valerie sorri e diz:
— Obrigada, amor!
E Beatriz a conduz até o local, e volta para providenciar os preparos das roupas.
Quando retorna, eu a acompanho dizendo:
— Beatriz, eu percebi que notou diferenças no comportamento de Valerie.
Ela me olha sincera e diz:
— Sim eu notei e fiquei preocupada de tê-la desagradado da outra vez, diga o que fiz que eu desejo acertar-me senhor.
Sorrio para ela tentando tranquiliza-la e digo.
— Não fez nada. Valerie adorou você da outra vez. Só que, ela não se lembra Beatriz...
Ela me olha confusa...
— Valerie sofreu um acidente Beatriz, ficou vinte cinco dias em coma, dez hospitalizada e quando acordou perdeu uma parte de suas memórias.
Percebi que agi corretamente em dizer tudo longe de Valerie, porque, Beatriz tapou a boca creio que para abafar um grito de espanto, e começou a chorar, ficando logo constrangida e dizendo...
— Me perdoe, desculpe, mas... É que... Fiquei chocada e obviamente triste senhor... Ai meu Deus coitada! Que pena senhor. E como ela está? E como vocês estão?
Respiro fundo com lágrimas nos olhos e digo:
— Está desculpada e me desculpe por isto, é impossível falar disto para mim sem me emocionar. Agora estamos bem, mas, foi muito difícil, sofremos muito. Mas, enfim, passou e nos casaremos em breve Beatriz. Só não o fizemos ainda devido a tudo isto.
— Nossa imagino! Tem quanto tempo ao todo?
— Quatro meses.
— Nossa, que barra. Por isto sumiram?
— Sim, estivemos praticamente este tempo todo, em Livergoorn, o tratamento dela é lá e tudo aconteceu lá, naquela viagem que te falamos.
— Nossa sinto muito mesmo, Sr. Lazar. O que precisar conte comigo.
— Obrigado, Beatriz. Só preciso que tenha paciência com ela em qualquer diferença que perceber.
— Claro, com prazer, e deixe-me ir que creio que a roupa esteja pronta, vou levar até ela.... Venha, que após ela se vestir creio que ela irá querer que o senhor a veja.
— Sim, vamos.
Ao chegar até lá, Valerie estava já está pronta, a passadeira trouxe a roupa para ela assim que terminou.
Ela já havia saído e penteava os cabelos no rol de entrada do banheiro onde havia um espelho grande.
Beatriz a cumprimentou e elogiou e nos deixou a sós para nos dar privacidade.
Assim, eu aproximei-me dela e disse, em seu ouvido, beijando em seguida a sua orelha:
— Hum que mulher linda e cheirosa...
Valerie estremece, sorri e diz com expressão de prazer, que vi pelo espelho, pois, havia evolvido seu corpo pelas costas.
— Hum.... Tudo para você lindo!
Agora ela se vira de frente para mim, e envolve meu pescoço, para em seguida beijar meus lábios. E entre beijos, eu digo:
— Gosto disto! Mas, agora é minha vez. Também quero ficar cheiroso para você amor.
Digo soltando-lhe, e ela responde:
— Mais cheiroso não é amor! Seu cheiro já é uma delícia Henry! – Ela diz e me deixa arrepiado, da cabeça aos pés. — Vá que eu te espero lá embaixo.
Porém, eu digo, depois de dar um selinho em seus lábios e me afastar:
— Me espere aqui, por favor.
— Hum, rum, tudo bem, eu espero.
Assim que termino o banho e me visto, resolvo fazer algo.... Algo que primeiro pondero muito para fazer.
— Valerie?
Chamo-a de dentro do banheiro...
— Oi amor, estou aqui, do que precisa?
Ouço sua voz, bem próximo à porta. Rapidamente destranco-a e puxo-a para dentro do banheiro. E tranco-a novamente.
Creio que Valerie levou um susto, porque, tem seus olhos arregalados para mim. E digo:
— O que foi?
Pergunto dando um de inocente.... Ela sorri maliciosamente, após recupera-se do choque e diz:
— Hum.... Eu gostei disto Sr. Lazar: privacidade!
Ela diz me provocando e eu entro no jogo:
— Hum, gostou é, Sta. Valerie?
— Demais.
— Bom saber, e que tal isto?
Digo levantando-a e sentando-a sobre a pia do banheiro.
— Melhor agora.
Ela diz envolvendo-me com suas pernas e puxando-me até ela. Automaticamente, capturo seus lábios quentes e deliciosos nos meus fazendo-a arfar.
Iniciamos um beijo lento e provocativo, que com segundos, após ela puxar-me pela nuca e pelos cabelos mais junto a si, torna-se intenso, profundo e voraz.
Devoro cada cantinho de sua boca enquanto minhas mãos percorrem suas costas e digo em sua boca:
— Senti falta.... Demais, disto amor...
Ela responde também em minha boca, e ofegante:
— Eu também, amor.... Eu quero você Henry!
Naquele instante, eu congelo. Então, afasto-me de seus lábios dando-lhe um beijo breve.
— Desculpe amor, ter te provocado.... Não podemos!
— Mas eu quero Henry, você se lembra de como é me ter amor, eu não. E eu quero você Henry! – Ela me diz dengosa e chorosa...
Como era difícil raciocinar com ela me pedindo assim. Mas, eu sabia que não era o correto a fazer, então disse, agora olhando seus olhos:
— Querida, desculpe, mas, não acho uma boa ideia passarmos daqui. E no mais, pensa bem, falta só um pouquinho agora, e, teremos uma lua de mel de verdade, será como se eu estivesse fazendo amor com você pela primeira vez linda. Imagine o lado bom disto, para você será sua primeira vez comigo, terá todos os encantos de uma “Lua de Mel” princesa...
Ela faz biquinho, com carinha de tristeza, de pura brincadeira e, diz.
— Tudo bem...
E ela solta-me do aperto de suas pernas. E eu, desço-a da pia e digo:
— Mais uma vez me perdoe, eu te amo Valerie!
— Não peça desculpas amor, eu gostei, ainda que não tenha conseguido o que tanto quero: você!
Dou-lhe um sorriso e digo-lhe:
— Já sou todo seu amor. Falta muito pouco agora Valerie!
— Sim eu sei, mas, vamos Henry, já pensou se Beatriz nos pega?
Congelo com aquilo. Abro a porta e saio na frente e Valerie me segue arrumando nossas roupas, e rindo do meu desespero de ser pego e ficar constrangido. Olho para ela com meu rosto queimando e ela para, toma meu rosto e diz:
— Hum.... Que delícia Henry! Você coradinho amor, olha que eu não resisto...
Digo-lhe mais constrangido ainda...
— Você adora me provocar, não é?
Ela sorri e diz:
— Claro, tem coisa melhor, príncipe?
E seu gesto me alegra, porque aquilo é: “Tão Ela! “
Beijo seus lábios rapidamente e vamos à busca de Beatriz.
Valerie e eu provamos todas as roupas que iremos levar e terminamos nossas compras. Só que ela não me deixa vê-la pronta com o vestido para o jantar, e nem eu a deixo me ver, queremos surpresa.
Saímos da loja, com Valerie muito feliz. Ela adorou Beatriz como da primeira vez, e Beatriz por sua vez a tratou com todo o carinho devido.
***
Ao chegarmos à propriedade dos Lancelot’s, algo surpreendente, que eu e Valerie nunca poderíamos esperar acontece...
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