A Garota Da Capa Vermelha - Continuação.
60 DIA INESPERADO - PARTE 1 - Capítulo 56
Notas iniciais
POV HENRY
Ao cruzarmos os portões, somos surpreendidos, por uma chuva de pétalas de rosas vermelhas e brancas, bem como, a presença de toda a família Lancelot, reunida a nos esperar na frente da casa.
Tenho Valerie a minha frente e eu estou abraçado a ela pelas costas.
Araon, estoura um champanhe, assim que chegamos na trilha do jardim.
É impressionante ver a alegria de todos.
Tia Clara e Sophie e até o tio Heitor, têm lágrimas nos rostos. Érion e Araon, esbanjam sorrisos.
Assim que nos aproximamos, tio Heitor e tia Clara, vêm ao nosso encontro, e o tio diz:
— Enfim, o Senhor atendeu a minha petição a respeito de vocês! Não sabem a alegria que está em meu coração, por vê-los assim.
Valerie, neste momento, já tem o rosto em lágrimas também. E os meus olhos estão cheios.
Tio Heitor nos envolve em seu abraço e tia Clara também o faz.
E a tia diz:
— Quanta alegria em ver vocês juntinhos novamente, é tão lindo, como conseguiram ficar tanto tempo longe? Vocês juntos é algo tão natural e belo.
E eu digo:
— Nem eu sei tia, mas, uma coisa eu posso garantir, foi a primeira a e última vez. Nunca mais iremos nos separar, viemos aqui justamente para comunicar a vocês: que reatamos nossos laços, e que amanhã faremos um jantar nos Oxford’s, para renovarmos os nossos votos de noivado, porque, ali esta confusão toda começou e ali ela será encerrada.
E Valerie prossegue:
— E eu preciso saber da senhora tia, de quanto tempo você precisa para organizar um casamento, porque, este será o prazo exato de nossa espera.
As lágrimas da tia aumentaram demais e seu sorriso também, e o tio Heitor a abraçou extremamente feliz. E eu concluo:
— Hoje mesmo, após nos dar a data tia, eu fecho com a igreja. E tio, eu preciso de um favor do senhor, que em cima da mesma data, viabilize as reservas que foram feitas no hotel. Posso te pedir isto?
— Claro meu filho, farei isto amanhã mesmo, porque vou para o Reino cedo, e de lá já desço em Livergoorn para o jantar. E filho, foi bom mencionar a igreja, gostaria de oferecer a vocês que o nosso reverendo faça o casamento de vocês, como fizemos com o de sua mãe algum problema? Vocês têm alguma objeção?
O tio pergunta, e para mim não há alguma, porque, eu nunca tive costumes com outros rituais religiosos mesmo, porque minha mãe era protestante. Mas, me preocupo com Valerie, e o que ela irá achar.
— Tio, por mim tudo bem, mas, a opinião de Valerie é importante para mim.
Ela me olha e diz:
— Amor o que você decidir para mim, está ótimo.
Dou-lhe um sorriso de alegria por constatar que a sua disposição em me agradar ainda estava ali.
— Sem problemas mesmo princesa?
— Claro Henry, o que me importa é me casar com você!
Meu ego vai nas alturas, de ouvi-la, e os tios, não escondem o contentamento por ouvi-la também, assim, eu digo ao tio:
— Já que para Valerie não há problemas, poderá ser tio, pode providenciar este detalhe também.
— Sim, fico feliz. Vamos entrar, sua tia preparou um almoço especial para comemorarmos.
— Tio por falar nisto, como vocês souberam?
— Aquiles! Ele veio cedo, e por sinal, muito feliz, a nos contar Henry.
Aquilo é uma surpresa muito agradável para mim. E o tio completou.
— E devo dizer Grandão, que você nunca errou tanto no que pensou a respeito dele, Aquiles é um homem de caráter Henry e muito leal, se você aceita um conselho meu, resolva estas diferenças que houve entre vocês e o conserve como amigo, pois, quem tem um amigo como Aquiles, tem um tesouro meu filho.
Valerie me olha com carinho e discretamente, para reforçar a fala do tio. E eu digo:
— Eu sei tio, já me desculpei com ele, e pretendo mesmo me redimir completamente.
— Fico feliz, mas, eu tinha certeza, que mais cedo ou mais tarde, você tomaria a decisão correta. Você tem um coração maravilhoso Henry.
— Obrigado tio.
A tia conduz Valerie e Sophie para a cozinha. E eu, o tio e os rapazes vamos para a sala de jogos de tio Heitor.
Ao chegarmos lá, o tio diz:
— Agora que temos privacidade, se não for demais, eu gostaria de saber como aconteceu esta benção filho.
Apesar de não me sentir à vontade ainda em me abrir, eu sabia que eu devia isso ao tio Heitor. Então, eu respirei fundo e disse-lhe:
— Sim tio. Bem, eu vou ser bem sincero. Ela veio a Daggorhorn ver Suzette e disse que queria me ver, porque, sentiu minha falta, mas, a princípio eu ainda estava cego e magoado e a tratei mal. – O tio me olhava atentamente. — Porém, depois que ela se foi, Aquiles esteve lá tentando falar comigo. E eu, sinceramente, não queria ouvir. Assim, quando eles foram embora e durante uma noite mal dormida de tanto pensar, enfim, a compreensão me atingiu. Só que quando eu a procurei pela manhã ela tinha vindo embora, por que, não suportava mais me ver da forma em que eu estava, e quando Suzette me disse que ela iria embora sem precedentes para voltar, eu me desesperei. Fui atrás dela, e consegui chegar a tempo. Me desculpei por tudo, conversamos e enfim, colocamos tudo em ordem. Graças à Deus.
— Que bom filho! E por Deus Henry, agora nós vamos correr com este casamento, eu não aguento mais isto!
Pude ver real desespero no olhar do tio.
Neste momento, Aquiles chega. E eu digo:
— Aquiles sente-se conosco.
Ele o faz, e me entrega uma caixa de veludo e diz:
— Já estão polidos.
— Obrigado Aquiles, achei que talvez não conseguiria para hoje.
Ele sorri e diz:
— O que determinadas influências, não o fazem?
Devolvo o sorriso e digo:
— É mesmo!
Passamos um bom tempo conversando, até que tia Clara volta nos avisando do almoço. Fico feliz que, embora, tecnicamente, seja a primeira vez de Valerie ali, porque, ela não se lembra das outras, ela está bem à vontade e familiarizada, e muito feliz com o carinho demonstrado por todos.
Durante o almoço, foi impossível não me lembrar do episódio das provocações de Valerie por baixo da mesa. E ocorre-me algo...
Eu levo meu pé, sem sapato, até a sua panturrilha, já que ela esta na minha frente, e acaricio ali. Ela me olha e fica vermelha. Porém, ela respira fundo discretamente, e dá-me um sorriso muito malicioso e também discreto. E em seguida, sinto sua perna se movimentar e tocar a minha. E num minuto, sinto o seu pé deslizando-se em minha coxa, delicadamente entre minhas pernas, levando-me quase a arfar.
Mantenho o controle não sei como, ciente de que se Araon pegasse aquilo, eu estava perdido! Ela dá mais um sorrisinho e provoca-me com seu pé suavemente, levando-o até minha masculinidade, e a esta altura, meu controle está por um fio, e meu desejo totalmente desperto.
Valerie sempre é ótima nas provocações, ela sabe me enlouquecer rapidamente, e isso permaneceu intacto. Algo em seu olhar, me revela com clareza, que ela está amando aquilo, só que como foi eu quem começou, reservo-me na obrigação de entregar os pontos, porque, eu não aguentaria por muito tempo.
Eu a olho suplicante para que ela pare, e ela o faz. Acho que tocada pelo desespero em meu olhar...
O almoço é muito agradável. É muito bom, após, longos dias, voltar a comer normal. Noto que Valerie também o faz.
Nós nos olhamos o tempo todo, e é notório o quanto nos declaramos um ao outro através do olhar.
Ao sairmos da mesa, nós homens voltamos para a sala e as mulheres vão para a cozinha.
Ao sentarmos na sala, algo interessante acontece, Araon diz:
— Henry, há algo que eu desejo conversar com Valerie, é sobre Made, algum problema? Aqui em casa todos sabem do que se trata, é algo que eu quero fazer. Porém, eu temo a reação de Made, então eu pensei em perguntar a Valerie para saber. Você acha que ela entenderia?
— Bem, se não for algo muito pessoal de Made ou invasivo Araon, creio que sim, mas se for, creio que Valerie não te dará tal informação.
— Eu sei. Obrigado!
Conversamos mais um pouco, até que as mulheres chegam se juntando a nós, e a conversa cresce tornando-se mais animada. Minha princesa, senta-se ao meu lado, e eu a abraço imediatamente. Até Aquiles está um pouco mais solto para conversar, e isto me deixa feliz.
Num dado momento tia Clara diz:
— Henry eu e Valerie decidimos como será as ornamentações da festa, e como será simples por ser ao dia e ela não gostar de coisas extravagantes, preciso de um mês, é o suficiente.
— O QUÊ TIA? UM MÊS?
Eu disse completamente apavorado. Eu teria de esperar mais um mês para fazer de Valerie minha esposa? Ai meu Deus, até onde mais eu poderia ser provado? A esta altura todos riem do meu desespero, menos Valerie e identifico em seu olhar que ela está tão ansiosa quanto eu, mas, a tia explica:
— Eu sei que é muito filho, Valerie também achou, mas, é que é muita coisa, providenciar: comidas, quem servir, ornamentação, arranjos, flores a se encomendar, tudo leva tempo. No entanto, também, mesmo que seja simples, garanto que será inesquecível para os dois.
Que bom, ao menos isto!
— Tudo bem tia, e no mais, eu quero que Valerie tenha o melhor, eu espero, espero o tempo que for preciso por ela tia. Mas, se este tempo puder ser curto agora, eu irei adorar.
Todos riem mais. Isto inclui Valerie que me beija com delicadeza em seguida, e eu digo:
— Então será dia 02 de Agosto. A partir daí, você pode ver os outros detalhes tio.
— Claro filho.
O tio responde. E a conversa continua...
Depois de algum tempo o tio diz:
— Bem, como todos sabem, eu preciso do meu descanso após o almoço nos fins de semana. Vamos Clarinha?
— Claro Heitor. Fiquem todos, à vontade. – E a tia agora diz olhando para eu e Valerie. — Henry e Valerie, Araon colocou as coisas de vocês no quarto em que ficaram da outra vez. Podem descansar um pouco também, e Aquiles – ela diz olhando para Aquiles agora. — Érion te levará até o quarto que eu separei para você, descanse também, a viagem é bem cansativa.
— Obrigado tia.
Eu respondo.
— Obrigado Senhora.
Aquiles responde.
Eles saem e Érion diz:
— Eu não tinha este hábito, mas, após o meu tratamento ter começado, eu preciso fazê-lo pelas minhas medicações. Vamos Aquiles, eu mostro a você onde é o quarto.
Aquiles me olha e diz:
— Irá precisar de mim senhor?
Dou-lhe um sorriso e digo:
— Não Aquiles, pode descansar em paz, você merece.
Ele sorri e diz:
— Obrigado senhor.
Ele se retira, e agora, minha princesa, que estava numa conversa animada, com Sophie, a beija despedindo-se, pois, Sophie também irá descansar.
Araon fica, e desconfio que seja pela conversa que quer ter com Valerie. E ele diz:
— Bem, eu sei que devem querer descansar também, mas, antes, eu preciso conversar algo com você Valerie. É sobre Made.
Valerie fica atenta, mas, apreensiva. Abraço-a mais forte para mostra-la que estou com ela, e compreendendo meu gesto, ela beija meu rosto como agradecimento. E Araon começa:
— Olha Valerie, o que eu desejo conversar, trata-se de algumas coisas que decidi a respeito de minha relação com Made, só que eu precisava ouvir uma opinião, para, não correr o risco, de ser precipitado.
Valerie preocupada, pergunta...
— Se é sobre sua relação com Made, não é melhor falar diretamente com ela Araon?
Conheço a minha noiva e eu sabia que estava temerosa. Porém, Araon diz:
— Olha, eu sei que você está apreensiva e na defensiva Branquinha. Então, para te tranquilizar, eu quero deixar claro, que eu não vou romper com Made, Valerie. Se este fosse o caso, eu iria direto a ela. Apesar de meu jeito brincalhão, eu levo a Made muito a sério.
E ele diz algo, que nos surpreende:
— Eu realmente me apaixonei por ela Valerie, de verdade. Eu nunca imaginei que o dia de dizer isto chegaria, sério, não para mim. Mas, incrivelmente chegou.
Araon era muito sincero no que dizia. E Valerie me olha, antes de tocar em sua mão, como que pedindo permissão e eu lhe confirmo, pelo olhar, e ela toma a mão de Araon e diz:
— Eu acredito em você Araon, e pode dizer o que precisa.
Ele sorri radiante e diz:
— Olha, apesar de conhecer Made há muito pouco tempo, é como se a conhecesse de uma vida toda. Acho que já deu para perceber que nós nos completamos e somos muito semelhantes.
Valerie sorri confirmando. E Araon prossegue:
— Assim, eu tenho pensado muito sobre algo. Henry me deu a oportunidade de assumir a Ferraria aqui, sobre a supervisão de vocês é óbvio. O pai, recentemente, me deu uma parte da propriedade para eu administrar. E ficar com ela. Só que eu pedi que me desse algo a parte disto. Porque, ele e a mãe, ainda estão vivos e não me soa bem esta coisa de partilha antes deles partirem, particularmente não concordo com isto, soa muito “O filho pródigo” para mim, e me apavora isto. Pois, apesar de meu jeito, digamos, peculiar, eu amo e considero demais e respeito muito mais ainda, o pai e a mãe. Henry sabe disto. – Eu confirmo com a cabeça e Valerie está atenta a cada palavra. – Então, o que quero dizer é que tenho tudo organizado para começar minha vida independente, sem contar que, agora, eu tenho a Guarda e os ganhos com a mesma, o que já não é ruim. Bem, em paralelo a isto, eu estou ao lado pela primeira vez, de uma mulher que realmente mexe comigo. Made despertou coisas em mim que eu nuca imaginei que alguém conseguiria, Henry sabe que eu não sou fácil de me impressionar. Mas, a minha ruivinha é excepcional, ela é forte, determinada, valente, amorosa. E, a maior prova disto, para mim, é o quanto ela renuncia, para ela mesmo, poder cuidar de sua mãe. Pensa bem, não é qualquer um que se dispõe a praticamente deixar de viver por uma mãe. Você sabe disto Valerie, Made quase não sai, e quando o faz, só eu sei o quanto ela fica preocupada o tempo todo, com a mãe, com horário de comer, do banho, de remédios, se está bem, com fome ou dor. É incrível como ela ama e cuida daquela mãe com tanto carinho. E dos irmãos, o que ela não faz por eles? Por mim eu nem conto, pois, em pouco tempo, Made me mudou muito. O zelo dela com a mãe, me fez olhar diferente para o pai e a mãe também. Então, eu decidi algo. E o que eu quero de você é a sua sincera opinião de o que Made pode achar. Como ela precisa cuidar da mãe, e sempre está só, morando em Livergoorn, ela não tem ninguém, a não ser os rapazes. Assim, os rapazes se casando, ela ficará sozinha, para tudo. Eu por outro lado, tenho o pai e a mãe e sou o filho mais velho, então, tenho muitas responsabilidades com eles, pois, Sophie além de nova, não tem a maturidade de você e Made ainda, é perceptível isto. Érion, pelo que eu vejo, se ele se acertar com Elise, corre um grande risco de não ficar aqui, porque, Elise tem a vida dela estruturada lá, e a música no Grande Reino, é bem mais reconhecida e mesmo com a Guarda, eu creio que com o tempo, ainda mais se ele se casar com Elise, eu creio que ele se unirá a ela com esta coisa das aulas, quem sabe até montando algo, vejo ele muito inclinado a isto. É algo que ele gosta, combina com ele. E aí a pergunta: Onde eu quero chegar? Eu certamente continuarei morando aqui, e pretendo trazer Made para cá, pois, aqui, ela teria a Mãe e a Sophie para auxiliá-la com sua mãe. Eu já conversei, isto com elas, e elas adoraram a ideia, pois, compreendem a luta de Made. O pai, não vai deixar a Sophie se casar tão cedo, que eu sei, coitado do Marverik. – E nós três rimos. – E quando tivermos filhos, a mãe e a Sophie poderão dar apoio a Made com o bebê e com a sua mãe. E ao mesmo tempo, eu poderei continuar perto da mãe e do pai que também irão envelhecer. Então, Valerie o que eu preciso saber, você acha que Made aceitaria isto? Vir embora para cá? Morar aqui em Grewnville. Quanto a tratamento e recursos, é lógico que aqui não temos os melhores, mas, poderemos ainda ter acesso a Livergoorn a qualquer hora. Afinal, nós temos recursos financeiros para isto. O que você acha?
A conversa de Araon surpreendeu até a mim, sinceramente, eu nunca o imaginei apaixonado, e tudo o que ele disse, a sua preocupação, a sua antecipação dos fatos, revela o quanto ele realmente se preocupa com Made. Valerie está emocionada e com lágrimas nos olhos e diz:
— Olha Araon, tudo que você disse, é tão lindo, de verdade. Acredito em você. E olha, acho que Made aceitaria sim, mas, você teria de explicar tudo isto a ela. Made também gosta demais de você Araon, muito mesmo.
— É bom ouvir isto. – Araon diz isto sorrindo e prossegue. – Olha, agora tenho outra pergunta, você acha que ela aceitaria um compromisso mais sério comigo logo? Um noivado? Eu pretendo não demorar muito a me casar Valerie, tenho recursos que me permitem isto, graças a Deus! O pai e todos aqui de casa me apoiam, mas, você acha que ela aceitaria? E os seus irmãos? Marvel se preocupa muito com ela, e eu tenho receio de pelo meu jeito, ele não me levar a sério. O que você acha?
Valerie o olha pensativa e por fim, diz:
— Araon eu não posso afirmar com certeza, porque, isto somente Made poderá fazer. Mas, como você tem se preocupado com tudo, para deixa-la bem amparada, nas questões da saúde de sua mãe, eu creio que ela não fará objeção, ao contrário, creio que ela ficará muito surpresa, como eu estou, eu confesso. Mas, sério, para mim, seu gesto será lindo. E quando pretende fazê-lo?
Valerie pergunta.
— Olha, eu quero o mais rápido possível, porque a partir daí, eu terei a certeza de que eu posso providenciar tudo.
Algo ocorre em minha mente, e olho para Valerie.
Ela parecendo ler minha a mente sorri, mas, antes que falemos qualquer coisa, Araon diz:
— Bem, eu não sabia do jantar de vocês, foi uma surpresa maravilhosa para mim. Eu já preparei tudo. Aqui, olhem.
E ele nos entrega uma caixinha de veludo vermelho. Valerie pega e abre. Dentro há um anel de noivado e um par de alianças. As lágrimas de Valerie reaparecem. E ela diz:
— É perfeito Araon.
— Mesmo? Você acha que ela irá gostar?
Ele pergunta inseguro, e é interessante observar o quanto realmente Araon mudou. O amor realmente é capaz de coisas incríveis. Valerie responde:
— Claro Araon, são lindos, os presentes de noivado.
— Obrigado, então eu quero pedir algo a você e Henry, mas, eu estou sem jeito, pois, vocês já fizeram isto uma vez, eu acho que este momento é de vocês...
Não o deixo terminar, pois, eu e Valerie já compreendemos o que ele quer. Olho para Valerie e ela me da permissão para falar no olhar.
— Olha Araon, se o que você quer, é aproveitar que todos estaremos juntos, no jantar de amanhã, para pedir Made em casamento, a resposta é sim, claro, eu e Valerie adoraríamos dividir a data com vocês. Será um prazer meu irmão.
Valerie sorriu, eu já havia dito a ela, lembrando-a, que ele, Érion e Sophie são como irmãos para mim. E ela ainda confirma.
— É mesmo Araon, seria um imenso prazer principalmente para mim. Pois, eu não me lembro do outro jantar de noivado, onde também partilhamos e Henry disse que foi maravilhoso. Será realmente reconstruir uma memória de uma forma também maravilhosa.
Araon sorri emocionado e diz:
— Obrigado, vocês não sabem o quanto eu estou feliz, e Valerie, posso te pedir algo? Se for muito pode dizer. Eu gostaria que sutilmente, você preparasse o coração de Made, mas, sem contá-la, quero fazer surpresa. O único que saberá é Marvel, pois, eu preciso da permissão dele, e vocês e o pessoal daqui de casa.
— Claro Araon, eu posso sim.
— Olha, mais uma vez, obrigado! Estou indo, vou descansar um pouco. Até mais.
— Até mais Araon.
Eu e Valerie dizemos juntos, e ela me olha feliz, e sei que sua alegria por Araon e Made, reflete a minha. E eu digo a ela agora:
— Princesa, acho bom nós descansarmos também. Vamos?
— Sim amor.
Tomo-a pela mão, e conduzo-a ao quarto.
Assim que entramos e fechamos a porta, lembro-me das provocações à mesa, e penso em algo...
Inesperadamente, prenso-a com carinho, com o meu corpo, na parede com os braços dela, presos nas minhas mãos, um de cada lado de sua cabeça, e traçando a linha de seu queixo com meus lábios, sussurro ao chegar ao seu ouvido:
— O que foi aquilo no almoço, hein Sta. Valerie?
Ela sorri próximo ao meu ouvido e seu hálito quente, faz os meus pelos eriçarem. Então, ela responde:
— Você começou me provocando príncipe, mas, eu gostei tanto.... Foi tão bom, que eu me empolguei.
Então, para provoca-la, entro no jogo.
Mordo o lóbulo de sua orelha e ela estremece. Desço beijos em seu pescoço e digo ali:
— Hum. Você gostou é? O quão bom foi? Assim?
Beijo e mordo, em seguida, o seu pescoço, em uma parte dele que sei que ela é sensível e ela geme e estremece novamente.
— Hum...
E pergunto novamente:
— Ou assim é melhor?
Corro meus lábios até seu ombro, beijo e mordo novamente e ela arfa e diz com desejo:
— Henry!
A voz é suplicante, seus braços presos por minhas mãos, tremem.
— Diz Valerie, diz para mim agora! – Eu digo com uma voz rouca. — Isto, é bom?
Agora, eu roço os meus lábios novamente na linha do seu queixo, até tocar os seus lábios, e ela, abre-os para receber-me, porém, dou-lhe um selinho e digo:
— Nada disso.... Minha menina sapeca, você ainda não me respondeu.
Ela geme de novo.
— Hum... Amor...
A esta altura meu corpo está colado no seu e seus olhos, que estão arregalados, escurecidos e brilhantes pelo desejo, estão vidrados nos meus. E eu, tenho a pontinha do meu nariz, tocando a pontinha do seu agora. Então, para provoca-la mais, digo, mais uma vez roçando os seus lábios com os meus:
— Diz Sta. Valerie, isto é bom?
Ela geme novamente e se rende:
— Hum, amor.... É maravilhoso, mas.... Eu quero mais Sr. Lazar. Por favor?
Corro os meus lábios até a curva de seu pescoço e beijo ali e digo:
— É mesmo? E o que você quer Sta. Valerie? Hum? Me diga...
Ela geme novamente e diz:
— Você, seus beijos, seus lábios nos meus, lindo...
— Hum!... Será que não é melhor somente assim?
E toco os meus lábios nos seus com carinho novamente, e corro a pontinha de minha língua ali. Ela está tensa, e em total expectativa...
— Hum... O que achou? Não é melhor assim?
— Não Henry, por favor? Me beije amor.
Ela suplica. E mal ela termina de dizer, e já não aguentando mais, eu colo os meus lábios nos seus, num beijo ardente, porém, as provocações são apenas com os nossos lábios e línguas, pois, os seus braços estão presos por minhas mãos na parede.
Ela se contorce, tentando trazer mais ainda o seu corpo contra o meu, querendo aumentar o nosso contato, e, surpreendentemente, ela abraça as minhas pernas com uma sua, a esquerda, em uma posição como se fôssemos dançar tango.
Eu suspiro com aquilo, muito consciente de que já estamos os dois muito excitados e vulneráveis ao desejo, assim, eu vou diminuindo lentamente o ritmo do beijo. Até que eu separo nossos lábios e ela está tão ofegante quanto eu, e olhando em suas lindas íris verdes, eu digo:
— Eu amo você minha princesa, demais. Você é capaz de me enlouquecer de tanto desejo. Estou muito ansioso por nosso casamento, meu amor. Você nem imagina. Quero você, como minha esposa amada!
Ela me olha intensamente, e com os lábios vermelhos e inchados pelos beijos, diz:
— Eu te amo mais Henry, e quero você, meu lindo, muito!
Meu corpo responde completamente a sua súplica, porém, eu digo.
— Eu sei amor, também a quero demais, e com toda a minha alma, está perto agora, está bem? Não deveria tê-la provocado, linda! Eu te amo viu?
Ela sorri e diz:
— Não amor, eu gostei. Senti muita falta de você príncipe.
— Também amor! Mas, agora, vamos, precisamos descansar Valerie.
Tomo-a no colo e levo-a até a cama, deitando-a e assim que o faço, ligo o som, programando para desligar em uma hora e deito-me ao seu lado. Ela imediatamente, me abraça e se envolve em meu corpo e diz:
— Senti falta disto príncipe.
— Também meu amor, eu quase já nem dormia mais.
— Nem eu.
— Quero que ouça esta música como um pedido de perdão meu a você amor.... Cada palavra representa o que eu sinto.
Ela ouve e lágrimas transbordam de nossos olhos, e após ouvir, ela diz:
— Obrigado amor! Você já foi perdoado! Amo você Henry!
Passamos mais algum tempo nos tocando conversando, e assim, adormecemos acariciando o rosto um do outro, e trocando palavras de afeto.
***
Deixamos Grewnville por volta das duas da tarde. E a deixamos de carruagem, pois, Aquiles quando percebeu que os planos haviam mudado, achou melhor que fosse assim, e ao invés de alugar um cavalo, alugou uma carruagem com condutor, e ele foi junto ao mesmo, na cabine guia, dando privacidade a mim e Valerie.
Era maravilhoso desfrutar da companhia de Valerie no trajeto de volta, a maneira com que conversávamos e curtíamos um ao outro, nem parecia que havíamos passado tanto tempo separados, porque, tudo aquilo em que éramos bons juntos, estava intocado. Ela estava ainda muito mais conectada a mim e eu a ela. Havia ainda mais cumplicidade um com o outro, e isto era de se impressionar.
Ela fez questão de usar o nosso tempo juntos, para contar como foi seu mês longe de mim. Cada detalhe, cada fato. E era perceptível que ela se esforçou para seguir com a sua vida, mas, não conseguiu, porque, a tristeza, e a saudade a consumia. E, eu disse a ela que era o mesmo comigo, e que haviam dias, que a única coisa que me obrigava, a agir, eram os compromissos que eu tinha de arcar. Porque, se não fosse isto, eu entregava os pontos.
No entanto, a responsabilidade de saber que era minha obrigação cuidar de tudo para garantir o sustento e a vida estável que o meu pai construiu para nós, e minha avó, e mais ainda, saber que agora eu precisava sustentar os custos da estadia dela e Suzette em Livergoorn, para seu tratamento, pois, eu havia empenhado minha palavra. Tudo isto me deixava o suficientemente consciente de que eu não poderia entregar os pontos. Mas, foi difícil, Dartanhã e tio Heitor, me ajudaram demais.
Quando já havíamos percorrido, mais da metade do caminho, Valerie adormeceu, em meus braços. E como era bom tê-la assim novamente, sob os meus cuidados.
Antes de deixarmos Grewnville eu havia dito a Aquiles que eu iria parar no chalé com ela, para que ela o conhecesse. E, assim que chegamos, eu fiquei feliz que ela estivesse dormindo, assim, quando acordasse, ela teria uma surpresa.
Combinei com Aquiles que ele fosse até a vila para levar as nossas coisas e para avisar a minha avó e a Suzette que estava tudo bem.
Ao chegarmos à entrada de nossa nova propriedade, Aquiles para. E, orgulhoso, eu contemplo a surpresa que preparei para o meu amor. O Chalé está lindo!
Incrivelmente, nem parece que ele está fechado a quase quatro meses. Porque, eu havia contratado a mãe de Rose, para cuidar da casa e um amigo do pai de Cedrico, que é jardineiro, para cuidar do terreno e jardins.
E, eu confesso, tudo está mais bonito agora, mais natural, pois, logo que se monta jardins neste porte, eles ficam muito artificiais, assim, após algumas podas e cuidados constantes, parece que ele sempre pertenceu ao cenário.
Desço com Valerie e Aquiles segue o seu caminho, rumo ao vilarejo.
Entro por nossa futura casa, e tenho que admitir que, ao cruzar a porta com ela nos braços, a emoção é enorme.
E não resistindo, as lágrimas correm, pois, saber que apesar de tudo, de todos os obstáculos, de todas as angústias, de todos os ventos contrários, nós conseguimos chegar até aqui, me comove, e uma alegria, sem fim, me envolve.
E, este é o pensamento que me preenche, que apesar de tudo, Valerie me ama, ela me quer, quer ser minha esposa, quer ser minha. Daí algo que ainda eu não tinha me apercebido, não desta maneira, surge em mim, com uma força esmagadora: Eu sou amado de verdade!
Deus colocou alguém em minha vida que realmente foi capaz de provar para mim que realmente eu posso ser amado incondicionalmente. E esta, era exatamente, a forma como a minha mãe me amava, e agora eu posso sentir, esta certeza, se irradiar em cada parte de mim, Valerie realmente me ama!
Minha linda curou uma ferida extremamente profunda, que ardia em mim, porque, esta certeza, me mostrou, que não seria tão fácil, eu perdê-la, a não ser que, realmente Deus a levasse, pois, ela também, fez a legítima opção e escolha, de estar ao meu lado.
A esta altura, eu estou em um dos quartos com ela, um dos quartos do primeiro andar.
Ao entrar, eu fecho a porta e deito-a na cama de casal, e sento-me ao seu lado acariciando o seu rosto, e seus cabelos, pensando e dizendo em seguida:
— “Como eu senti a sua falta princesa! Eu amo você!”
Passam-se quase meia hora, e eu ainda estava admirando-a, ela se movimenta um pouco e abre os olhos. Num primeiro momento, ela sorri imediatamente ao ver o meu rosto e diz:
— Eu morri e estou no Paraíso! Por que tem um anjo lindo bem na minha frente, com um sorriso de tirar o fôlego!
Aquilo que faz sorrir mais, e reclinar-me para beijar seus lábios e dizer:
— Amo você princesa!
Ela sorri mais e diz:
— Assim como eu amo você, príncipe!
E de repente ela se da conta:
— Henry, onde estamos?
Ela pergunta sentando-se e recostando-se na cabeceira da cama olhando e contemplando tudo, e muito admirada. Lágrimas brotam de seus olhos, e sei que é por que se deu conta por si mesma.
— Amor, estes sãos os móveis que você me contou que escolhemos? Lindo, estamos no chalé? Eu não acredito!
Ela inesperadamente pula para o meu colo e me abraça, colando os nossos lábios. E eu correspondo o beijo com amor e paixão, e apesar de claro, o desejo nos percorrer por inteiro, é muito perceptível isto, no momento, estamos focados em simplesmente permutar toda a alegria que sentimos naquele beijo. Quando estamos sem ar, ela se afasta com uma expressão de encantamento no rosto, e diz:
— Amor ficou lindo! Henry você o transformou completamente príncipe! Ai meu Deus é real, está acontecendo, nós vamos mesmo nos casar e estamos na nossa casa, eu não sei nem dizer tudo o que eu estou sentindo, meu príncipe! Obrigada!
Dou-lhe um enorme sorriso e digo:
— Sim, amor, esta é a nossa casa, em breve, estaremos sim, casados, para sempre Valerie! E não agradeça, você merece bem mais, porque me faz imensamente feliz. E venha, pois, este é apenas um ínfimo pedacinho dela, há muito mais meu amor.
Tomo-a nos braços e caminho com ela mostrando o banheiro deste quarto, ela pede para descer no olhar. Desço-a e ela percorre emocionada cada canto se maravilhando nos detalhes.
Sinto que está emocionada demais, então, eu conduzo-a pela mão a cada cômodo. Primeiro, os do primeiro andar: a cada um que ela passa, as lágrimas derramam-se de seus olhos.
Ela admira e toca cada detalhe, da cozinha, dos outros quartos, da sala, de sua biblioteca e espaço de leitura.
Subo as escadas com ela no colo como um ritual, porque é a primeira vez que entramos no nosso lar. Ela sorri o tempo todo, enquanto faço isto, embora esteja muda, e eu sei o por quê, pois, estou da mesma maneira, ela está tão emocionada que a voz esta embargada. No entanto, o nosso olhar diz pelas palavras.
No segundo andar, ela faz o mesmo, desce do meu colo, e esquadrinha cada detalhe maravilhada.
Quando chegamos ao terceiro andar, ela estagna no corredor, me olha e diz:
— Somente duas portas?
Dou-lhe um sorriso e digo:
— Sim amor, aqui, fica somente o nosso quarto e o ateliê de música, que a princípio fiz para mim. Mas, agora que você toca e divinamente bem, é nosso. Te amo!
Ela sorri e chora mais, e recosta o rosto em meu peito me beijando ali e me abraçando, beijo o topo de sua cabeça, e pergunto:
— O que foi princesa?
— Nada amor, é que estou muito emocionada em ver o quanto você fez por mim, o quanto você me ama, e claro, triste por eu não me lembrar, me perdoe, eu não quero estragar o momento está sendo tudo tão maravilhoso Henry. Amo tanto você amor.
Beijo o topo de sua cabeça novamente e ergo o seu queixo, para ela me olhar e digo:
— Isto é o que importa meu amor, nós nos amarmos, o resto, é insignificante Valerie, põe isto em seu coração e em sua mente amor. Me perdoe por ter te mostrado o contrário por tanto tempo, talvez por isto, você ainda se sinta assim. Eu amo você aqui e agora, hoje e sempre da maneira que você é e está, e você terá outras lembranças de agora para frente meu amor, e serão lindas eu prometo! Amo você, e você me ama isto é o que importa, nada pôde tocar nisto minha vida. Houve até a tentativa, mas foi frustrada.
Eu me lembro de um texto bíblico que minha mãe adorava e sempre o citava para mim:
— Há um texto na Bíblia que minha mãe sempre dizia, nos momentos em que nós vencíamos uma provação: "Vós, na verdade, intentaste o mal contra mim; porém, Deus o tornou em bem, para fazer, como vedes agora, […]" Está no livro de Gênesis no Capítulo 50, Versículo 20. Muitas coisas terríveis nos aconteceram Valerie, mas Deus nos livrou de todas, meu amor, e chegamos até aqui. Pense que maravilha! Foi fácil? Não, obviamente, mas, nós amadurecemos nos tornamos fortes, nosso amor foi provado e aprovado e ampliado. Eu sinto isto, meu amor por você, hoje, é muito maior ainda, Valerie. Eu sei exatamente tudo o que eu sou capaz de fazer por tanto te amar, sei a exata importância que cada mínimo fio de cabelo seu tem para mim, e eu tenho a certeza, que a recíproca é a mesma para você meu amor. Se não, você não teria me perdoado. E isto é o que importa agora! É daqui para frente. Teremos uma nova vida!
Ela chora mais e busca uma longa lufada de ar e diz:
— Obrigada! Eu precisava ouvir isto Henry. E quero que saiba, que o meu amor por você também é enorme, de verdade!
— Eu sei princesa, eu não tenho mais dúvidas. Mas, agora, vamos conhecer o nosso quarto, venha.
Eu a tomo no colo para entrar, e assim que o fazemos ela fica encantada! Seu olhar percorre tudo, os olhos brilham intensamente. E digo-lhe no ouvido:
— Aqui será o nosso refúgio, meu amor!
Ela me olha ainda bastante emocionada, e diz:
— Não! Aqui será, o nosso aconchego. Porque o meu refúgio é você Henry, os seus braços, o seu corpo, você! O homem que eu amo! Meu homem para sempre amor!
A emoção que toma conta de mim é tanta que um choro pleno me abate e sento-me com ela em meu colo na cadeira de leitura, ela me abraça fortemente.
Eu sou inundado naquele momento de uma certeza tão profunda de seu amor por mim, que aquilo é demais, é muito amplo, eu realmente hoje estou sendo curado de todo o restante que ainda existia em mim do sentimento de abandono, e solidão, que havia entranhado em meu coração, desde que, a minha mãe partiu.
Hoje, realmente, além de saber, eu posso sentir com cada parte de mim, o quanto eu sou amado mesmo, por esta mulher. Não é que eu não sabia ou não sentia, é claro que sim, eu via tudo, porém, hoje é diferente, é para além do corpo e do coração, eu sinto com minha alma agora: realmente Valerie me ama incondicionalmente. Realmente eu fui curado por ela!
É como o Peter disse, foi preciso eu passar por tudo isto, para eu compreender. Compreender que eu sou amado por alguém plenamente, e o melhor, que este alguém também é amado verdadeiramente por mim.
Ela está tão conectada comigo agora, que ela toma o meu rosto entre suas mãos, encosta a testa na minha e olhando em meus olhos diz em meio a suas lágrimas que acompanham as minhas:
— Você sente agora, não é? A certeza do quanto você é amado por mim?
Aquilo me faz chorar mais, ela acessa tudo em mim, e é impossível alguém ter esta capacidade sem amar.
Busco fôlego e respondo:
— Sim meu amor eu sinto! Mais uma vez você me curou amor. Mais uma vez, você me acessou em áreas que eu achava impossível acessar. Eu amo tanto você Valerie!
Beijo-a demonstrando mais uma vez, meu amor e gratidão por ela. Sinto no calor de seus lábios e na forma como me recebe, a forma como acaricia os meus, no percorrer de seus dedos em meus cabelos, o quanto ela quer que eu sinta o seu amor por mim. E o quanto recebe das demonstrações do meu, pelas minhas carícias e a maneira de conectar-me a ela naquele beijo.
Quando nós estamos sem ar, ela afasta-se e olhando em meus olhos pergunta:
— Você confia em mim meu amor?
— Claro Valerie, muito! O por quê da pergunta?
— Eu quero fazer algo, mas, eu tenho receio de sua reação, mas, para deixa-lo tranquilo...
Calo os seus lábios com um beijo rápido e digo:
— Não se explique, faça! Eu cofio em você minha amada! Muito.
Ela movimenta-se de uma forma que, se posiciona com uma perna de cada lado da minha no sofá de leitura, e movimenta-se novamente e reclina-o até a posição de deitado com a cabeça reclinada. Ela faz cada ato com cautela e nunca deixando os meus olhos.
Então, agora, delicadamente, ela começa a desabotoar cada botão de minha camisa, e creio eu, que o meu olhar, demonstra alarme, porque, o seu semblante, se torna sério e ela diz com toda a sinceridade e força no seu olhar.
— Eu não quero provocar você, tenha isto em mente lindo, mas, se por um acaso, se tornar demais, me pare tudo bem? Eu sei que você me disse que combinamos não fazer isto, mas, eu prometo que é só hoje, por que eu creio que precisamos disso.
— Sim.... Tudo bem amor.
Eu respondo simplesmente.
Ela prossegue e desabotoa cada botão lentamente. Eu não posso dizer, que o desejo não esteja presente, mas, posso afirmar que, eu consigo ignorar, principalmente, quando eu identifico, claramente, no olhar de Valerie, o mesmo, que o seu desejo está ali, é óbvio, mas, há muito mais amor do que tudo, carinho e compreensão.
Quando ela termina, ela abre toda a camisa e percebo que evita olhar meu abdômen, e na hora identifico o por quê, ela não quer se provocar e nem a mim, mas, eu estou cheio de expectativa pelo ela que irá fazer.
Lentamente agora, e de uma forma muito suave, ela aproxima uma de suas mãos do meu peito, na altura do coração, e ao fazê-lo, fecha os olhos. Fica claro para mim, que ela está saboreando o que está sentindo.
Um sorriso, claramente involuntário, brota de seus lábios.
Ela abre os olhos depois de um tempo e olha novamente nos meus e agora, muito lentamente, ela vai se reclinando sobre o meu corpo, sem abandonar os meus olhos.
Ela posiciona-se de uma maneira, que o seu corpo cobre o meu, evitando claramente me provocar, mas, a sua verdadeira intenção se revela quando ela deita a cabeça sobre o meu coração, com seu ouvido colado ali.
Ela pousa as suas mãos em meus ombros, uma de cada lado, e eu percebo, que ela evita tocar o meu peito.
Sua cautela é enorme, creio que, querendo evidenciar que respeita meu posicionamento de não nos tocarmos com provocações.
Eu envolvo as suas costas com uma mão e toco o seu rosto com outra e tenho os meus olhos fechados, com o objetivo de desfrutar das sensações de forma ampla e sentir também as batidas do seu coração, pois, aquele contato, permite isto de forma plena. Por fim, ela diz:
— Amo o som do seu coração, príncipe. Este é o meu refúgio, estar nos seus braços, ouvindo o potente som do seu coração, porque isto me mostra que eu estou segura e que você está seguro, e que você é meu e eu sou sua, principalmente quando acontece como agora, onde os nossos batimentos se alteram evidenciando o quanto afetamos um ao outro. Quero poder desfrutar disto o resto da minha vida amor.
Levanto o seu rosto de uma forma que olhe para mim, e digo:
— Desfrutará amor, eu prometo!
Ela sorri e volta a posição de antes.
Passamos um longo tempo assim, sentindo a segurança de estar nos braços um do outro. O silêncio é pacífico, não há necessidade de palavras.
Depois de um tempo, ela olha-me e sussurra:
— Eu te amo!
Dou-lhe um sorriso e respondo:
— Eu também!
Então, ela levanta-se e fecha minha camisa com carinho, beija os meus lábios e sai a explorar o nosso quarto me deixando ali, e eu estou tão em paz que eu não consigo deixar a posição. Ela parece notar que eu estou entorpecido, que de vez em quando vem até mim, beija o meu rosto, ou meus lábios, acaricia meus cabelos...
Por um momento ela some, e sei que está olhando o reservado e o banheiro, e quando volta, sorri para mim, e eu devolvo-lhe o sorriso. E por fim, entra no ateliê de música pela porta de acesso de nosso quarto...
Quando termina a exploração ela volta com os olhos marejados e rosto vermelho e expressão de encantamento, ela retrai a cadeira e quando estou sentado, ela toma minha mão e me puxa para si, e eu não hesito, levanto-me e abraço-a e ficamos um bom tempo ainda em silêncio nos braços um do outro. De tempos em tempos, beijo o topo de sua cabeça e o momento traz tanta paz e completude...
É como se estivéssemos nos curando do tempo que estivemos afastados. Trocando afeto, carinho, amor. Depois de mais algum tempo, ela diz:
— Amei o nosso quarto Henry amei muito a nossa casa, amei mais ainda o fato de eu poder identificar muito de você e do seu toque na maioria dos espaços amor. Tudo aqui me faz lembrar de você, e claro, tem muito de mim. Na realidade a nossa casa tem a nossa cara amor. Ela retrata com perfeição a nós dois, a nossa identidade, lindo.
Ela me olha e dou-lhe um amplo sorriso e digo:
— Eu fico feliz, que você tenha gostado, meu amor, por que foi tudo feito, pensando em você. No entanto, tem mais, você ainda, não viu a parte externa e tenho para mim, que você irá adorar, e a lavanderia também, acho que você não viu, e nem a ampla varanda da sala.
Ela sorri lindamente para mim, e eu concluo:
— Vamos ver então amor, venha.
Tomo a sua mão, e vou até nossa sala no primeiro andar, abro a porta da varanda e ela vai até o parapeito e ali fica, contemplando tudo, o terreno, os jardins. Aproximo-me e a abraço pelas costas e ela recosta e cabeça para trás em meu peito e olhando para cima, para conectar-se com os meus olhos, diz:
— A vista é linda daqui!
— Eu também gostei, amor, e você vai gostar mais ainda, da vista da varanda do nosso quarto.
— Por que não me disse? Eu quero ver.
— Não! Só quando viermos para cá, quero surpresa, porque eu tenho planos...
Ela vira-se de frente para mim e me abraça e diz:
— Hum.... Isto me agrada lindo!
— Que bom, venha.
Puxo-a e após fechar a porta, vamos em direção à lavanderia.
Sei que ela ama as cores que coloquei ali, e digo:
— Como é um lugar de trabalho árduo, para deixar o ambiente menos desagradável, achei melhor investir na beleza visual amor. Na verdade, eu pensei em uma maneira de fazer tudo, aliando beleza, conforto e praticidade para você, inclusive quero que me diga se quer que eu modifique algo, ainda dá tempo linda!
Ela me olha incrédula.
— O que? De maneira alguma, amor. Eu amei tudo e cada detalhe, está tudo perfeito Henry. Nem pense nisto.
— Que bom. Fico feliz que tenha gostado. Eu quero leva-la para ver a ferraria, a reforma dela terminou também, e ficou linda amor, e como houve todo o atraso em função de sua saúde, deu para adiantar bastante a nossa casa na vila. Eu quero leva-la lá também.
— Apesar de ter ido rápido a Ferraria, eu percebi, e o pouco que vi, ficou ótimo! Vi que você reformou a casa de minha mãe também.
— Sim, e inclusive preciso ver algo com você, o projeto inicial era reforma-la e emprestar ao Cedrico para ele se preparar para casar, até que a dele fique pronta. E sua mãe estava morando com a minha avó. Porém, como nos afastamos, ela voltou para lá, eu gostaria de voltar ao plano original e fazer a casa dela no terreno onde a nova casa de minha avó está sendo feita, e o que você acha?
— Ela já havia me falado amor, eu acho que se você quiser, você pode sim, voltar ao plano original. E príncipe, onde eu vou ficar quando eu retornar? Se isto acontecer antes de nós nos casarmos?
— Bem eu havia combinado com você que seria no casarão Valerie. Pois, desejávamos, ter outra “Lua de Mel” aqui no chalé quando voltássemos de viagem. Mas, e agora, o que você acha?
— Vamos manter amor! Eu só me pergunto onde eu irei dormir Henry?
— Onde você quiser amor.
Ela me olha pensativa e diz:
— Se fosse possível, eu queria com você lindo.
— Olha, se fosse em outra época, eu não o faria, devido a sua mãe, e minha avó. Mas, quer saber? Eu não ligo, não estamos fazendo nada além de dormir. E sinceramente, eu não quero nenhum tipo de afastamento sequer com você Valerie, isto é, fora de cogitação para mim amor. E você o que acha?
— Exatamente como você Henry.
Tudo bem então, vamos, eu quero lhe mostrar o quintal e os jardins.
Saímos e trancamos a casa.
Valerie, assim que avista todo o terreno e os jardins, fica maravilhada.
— Henry que delícia ficou aqui amor, eu gostei demais.
Ela diz contente, e tira as sapatilhas e corre até a grama, e ela começa a pular ali, sentindo a textura com os pés do jeito sapeca que só ela tem.
Mais uma vez, eu fico encantado com esta versatilidade dela de ser uma bela e sensual mulher em alguns momentos, e uma menina sapeca e espontânea em outros, isto me deixa cada vez mais apaixonado, mas, eu confesso, eu adoro mesmo, vê-la tão solta, como uma menina feliz. Seu sorriso e suas risadas são deliciosas. E quando percebe a maneira que a olho, enfeitiçado, ela cora intensamente e para.
Aproximo-me e a abraço dizendo:
— Não pare amor, gosto de te ver assim. É um prazer vê-la tão feliz e descontraída.
Ela sorri e digo-lhe.
— Amor, se não se importar, eu quero voltar mesmo para Livergoorn com você, e ficar lá até Dartanhã te liberar eu posso?
— Claro, deve Henry, eu quero você perto lindo!
— Tudo bem.
Surpreendo-a pegando-a no colo e girando-a muito. Ela sorri alto e de forma muito prazerosa. Quando já estou cansado, me lanço ao chão, com ela sobre o meu corpo com todo o cuidado e digo:
— Princesa, é amanhã que você irá embora?
— Sim, estou pretendendo, após o almoço, algum problema?
— Não, na verdade, eu quero leva-la a um passeio pela manhã amor. Hoje iremos a nossa casa da vila para você conhecê-la e ver como ela está ficando.
— Oba eu quero mesmo ir amor! E amanhã, onde vamos?
Eu a olho intensamente, deito-a na grama e deito-me de lado ao seu lado e ergo-me sobre o cotovelo para olhar em seu rosto, e toco o seu ventre na região de sua cicatriz, e ela arfa e geme, mas, a minha intenção, não era provocar. Então, digo:
— Desculpe, na verdade irei leva-la ao lugar em que a adquiriu. No Lago do Monte Grimor.
Ela sorri lindamente e diz:
— Adorei amor. Poderemos tomar banho?
— Hum, princesa, não sei se é uma boa coisa, primeiro por que nos machucamos lá e segundo por que, da última vez, eu quase morri de tanto desejo. Então, não irei fechar as possibilidades, mas veremos. Valerie, eu preciso te perguntar algo, você chegou a ver Prudence?
Ela me olhou triste.
— Não amor, mamãe até que tentou que eu fosse vê-la e as meninas, mas quer saber? Eu não consegui, depois que eu te vi, fiquei arrasada, o que me fez sentir-me mais triste ainda, por não me lembrar de tudo, inclusive, de que minha amiga estava grávida quando deixei Daggorhorn e que eu sou a madrinha. Então, eu não tive coragem.
Encheu-me de compaixão ouvir aquilo, e percebi o quanto ela estava sofrendo sem mim. Assim, para alegrá-la eu disse:
— Vamos fazer isto hoje? Após o jantar, eu levo você para vê-las você quer?
— Faria isto amor?
— Claro, princesa, tudo para te deixar feliz!
Ela sorri e me beija carinhosamente e diz:
— Tudo bem.
Beijo-a por um longo tempo, e ficamos ali até Aquiles chegar para nos buscar.
***
No dia seguinte as programações são maravilhosas.
A manhã no Monte Grimor foi incrível, Valerie estava muito solta.
Ela amou cada momento, decidimos ficar só no piquenique e passar um tempo deitados numa esteira para aproveitar a paisagem. E, achamos melhor não entrar na água. Para não corremos o risco de nos machucar ou ceder ao desejo. Que a cada minuto se tornava atormentador.
A noite anterior foi bem tranquila, visitamos as meninas, e foi um momento muito emocionante, o do reencontro delas.
Entretanto, também foi muito doloroso. Eu senti o quanto ela lamentava não se lembrar do início da gestação de Prudence, principalmente quando esta comentou alguns momentos que vivenciamos juntos com detalhes.
Valerie chorou muito em meus braços, e aquilo me doeu bastante. E saber que quantas vezes, mesmo inconsciente, eu imputei a ela aquela dor, por desejar que ela se lembrasse, me corroía de culpa...
Ela realmente dormiu comigo em meu quarto e em minha cama. Mas, nos comportamos o tempo todo, conversamos muito, e na hora de deitarmos, lemos a Bíblia juntos e por fim, adormecemos colados um no outro.
O retorno a Livergoorn foi muito bom. Aquiles foi solícito o tempo todo, conversamos demais. Até que Valerie adormeceu em meus braços.
Foi uma alegria imensa a chegada aos Oxford’s, e como o fizemos na no meio da tarde, todos estavam lá. Abraçaram-nos, cuidaram de nós, e era possível ver a satisfação em cada um.
Lanchamos, e a primeira coisa que nós fizemos, após Valerie ajudar a Made, foi preparar algumas coisas para irmos para o nosso refúgio, porém, deixei Valerie ir à frente, com Aquiles para que, antes de sair, eu pudesse ligar e marcar um horário com Dartanhã, no fim do dia e também com Helena.
Liguei também para Constantine para convida-lo para o jantar. Ele aceitou e se mostrou muito feliz.
Quando peguei a trilha para o riacho, identifiquei que agora, realmente estava perto, em breve eu estarei me casando e aquilo me preenche de um enorme sentimento de alegria.
Assim que atravesso a trilha do bosque, eu encontro Aquiles sentado, esperando e ouvindo algo e pergunto:
— Cadê Valerie?
Ele sorri e pede silêncio e aponta um sinal para eu ouvir.
E assim que o faço, eu fico boquiaberto.
Ouço um som claro de alaúde tocando e uma voz feminina firme e límpida cantando, mas, o que realmente me surpreende é a canção.
Sem me conter, sinto as lágrimas descerem. Como ela se lembra? Aquiles nota o meu estado e pergunta:
— Você está bem senhor?
Acho interessante o quanto Aquiles sabe separar as coisas e ser profissional. E digo:
— Sim, só não sabia que ela se lembrava desta canção, foi Elise que a ensinou?
Aquiles sorriu e disse:
— Não senhor, ela tem se lembrado sozinha, de algumas...
— O que?
Eu disse surpreso.
— Então, as memórias...
— Não! Sobre outras coisas não. Pelo menos, que eu saiba não, mas, pelo que vejo, é a terceira música que ela diz começar a surgir do nada em sua cabeça. E ela tem aprendido outras também.
Bem no momento em que Aquiles diz isso, Valerie começa outra música...
A música é maravilhosa e mostra o quanto ela vem sofrendo...
Aquiles me olhava pensativo.
— Aquiles, obrigado por cuidar dela em minha ausência, Marvel me contou o quanto você a ajudou e Made me disse o quanto você procurou manter as boas lembranças dela a meu respeito. Eu nunca conseguirei retribuir o que você fez, mesmo eu agindo de forma impensada.
— Esquece senhor, é passado. Eu sei o quanto estava abalado. Eu verdadeiramente o compreendo. Bem mais do que o senhor possa imaginar.
Havia muita sinceridade em seu olhar.
— Volte a me chamar de Henry, Aquiles. Isto é, se ainda me quiser como amigo, pois, para mim, ainda é um prazer.
Ele sorri, muito sinceramente, e me estende a mão e diz:
— Claro, sempre o será para mim, todos erramos Henry, mas, são os erros as lições que mais nos ensinam.
— Obrigado Aquiles, e eu concordo com você, eu mesmo tenho aprendido muito.
Passamos um tempo desfrutando da melodia que Valerie toca.
— Aquiles, você pode avisar ao Lobo Prateado do jantar para mim?
— Claro senhor, assim que ficar com ela eu vou.
— Posso perguntar algumas coisas sobre ela do período em que eu estive fora Aquiles?
— Claro!
— Ela sentiu a minha falta?
Ele sorriu tristemente e disse:
— Demais Henry, ela chorou muito quando descobriu que você havia ido embora. Quer saber, eu acho que naquele dia mesmo, ela começou a se dar conta de que já o amava, só que o medo, talvez, a tenha impedido.
— Sim, ela me disse que foi isto.
Aquiles sorriu e eu disse:
— Quais eram as reações dela após me ver nas consultas?
— Bem, desde que ela o viu a primeira vez no consultório, ela ficava ansiosa para vê-lo na próxima, ela torcia para vê-lo por lá.
Dou-lhe um sorriso, e ele pergunta:
— Posso lhe perguntar algo? É um pouco pessoal, mas, é algo que eu desconfio.
Abro a guarda para ele...
— Sim, pode.
— Bem eu desconfio, que as mudanças nos horários das consultas, que possibilitaram os encontros de vocês, foram obra sua, estou certo?
Dou-lhe um grande sorriso e respondo:
— Sim, você está certo.
Aquiles sorri e diz:
— Eu sabia, sabia que você não tinha desistido Henry, você estava lutando em silêncio. Fico feliz com isto.
— Eu também Aquiles, mas, apesar de tudo, creio que Deus tinha os seus propósitos a cumprir, talvez se não fosse pelo afastamento, tão cedo ela reconheceria minha falta.
— Claro, eu tenho pensado sobre isto.
Olho para ele e digo:
— Aquiles quero ir até ela, mais tarde falamos.
— Tudo bem Senhor.
E o tom profissional retornou sem esforço. Aquiles realmente sabe e consegue separar as coisas de forma exemplar.
Saio e me aproximo do riacho. Olho ao longe e Valerie está cantando nostalgicamente. Meu coração fica apertado.
Quando me aproximo dela, antes de me sentar ao seu lado, beijo o topo de sua cabeça, ela me olha e sorri e para de tocar, e eu imediatamente digo:
— Continue amor, está tão lindo!
Ela me olha corada e diz:
— Prefiro você tocando príncipe!
E me passa o Alaúde, e eu digo.
— Tudo bem, mas, só toco se você cantar.
Ela sorri e diz:
— E eu só canto se você cantar comigo lindo!
Não resistindo a um pedido seu, eu digo:
— Tudo bem, o que quer cantar?
— Bem, já há alguns dias que algumas melodias têm aparecido na minha mente com as letras e tudo, mas, eu não me lembro de tê-las aprendido. Mas, pode ser, por que eu não me lembro das aulas de alaúde, no entanto quando você e Elise me deram ele, fluiu. E tem uma que tem vindo forte na minha mente e gosto dela amor, sinto algo, que eu não sei explicar quando a ouço. É algo forte que meche com tudo em mim, até com o meu corpo, pois eu fico totalmente arrepiada!
Quando Valerie me dá a nota para que eu inicie a melodia com o alaúde e começa a cantar, meu coração acelera, por que é a música de quando fizemos amor pela primeira vez.
Então, além de se lembrar, aquilo meche com ela, e ela ainda não sabe o por que.
Isso me da a certeza de que as memórias estão vindo, aos poucos.
Este entendimento, faz-me ver que as esperanças não estão perdidas, talvez seja isto que faltava, eu tirar isto do foco, ela sentir-se segura do meu amor, independente de suas memórias.
E, esta nova compreensão, me emociona, a ponto de eu não conseguir conter as lágrimas.
E mesmo quando canto com ela, elas não param de descer, esforço-me para não perder a linha. Por fim, ela percebe o quanto estou tocado e que está difícil para prosseguir.
Ela levanta-se da toalha que estendeu para sentar-se toma com delicadeza o alaúde de minhas mãos, e o coloca ali, e vem e senta-se em meu colo com uma perna de cada lado do meu quadril.
Toma meu rosto em suas mãos e diz:
— O que foi príncipe?
Tomo sua cintura em minhas mãos, e digo, respirando fortemente antes.
— Eu estou emocionado amor, você pode não se lembrar de que música é esta, mas eu sei, e ela é muito importante para nós, e o que me emocionou mais, foi o fato de você estar tendo algumas memórias ainda que leves, e o que é melhor ainda, por ser de fatos importantes.
Ela me olha e acaricia meu rosto, de forma contemplativa e carinhosa, e diz:
— Eu também, fico feliz, e que música é esta, amor? O que ela representa para nós.
Dou-lhe um sorriso, e digo:
— Ela estava tocando quando nos amamos pela primeira vez Valerie, por isso mexeu tanto comigo.
Ela me olhava de forma tão doce, suas carícias em meu rosto tornaram-se ainda mais suaves, e depois de aproximar seu rosto do meu diz:
— Eu me lembro amor! Estou me lembrando que você me disse isto no coma. E mesmo no coma, ela mexia muito comigo, agora eu sei por que. Amo você Henry e certamente o meu corpo tem as memórias do que você causou em mim quando me fez sua, amor. E elas são tão fortes, que acessou um pedaço desta lembrança na minha mente. E justamente no período em que eu senti mais a sua falta e corri o risco de perder você, o medo de perdê-lo naqueles dias, pode ter provocado isto talvez, resta saber se vai continuar, ou ficará só nestas lembranças.
— Não se preocupe com isto amor. Não importa, se virão outras ou não, importa que você está aqui, e que eu a amo!
Tomo seus lábios naquele momento, com amor, paixão e carinho. E o beijo expressa tudo o que não conseguimos pelas palavras. E nos traz muito conforto.
***
O restante da tarde foi maravilhoso.
Ao final do dia, Suzette, e minha avó chegam juntas com os Lancelot’s. Ananda e Elise também chegam juntas, pois, Érion, passa para busca-las.
Dos amigos de Darggorhorn, os únicos que vieram, são Cedrico, Prudence e Rox. O restante, infelizmente ficou.
Todos nos cumprimentam e ficam radiantes em nos ver juntos. A alegria é geral.
Dartanhã e Helena também chegam para as consultas.
Made nos cede a biblioteca para podermos realizar as consultas lá.
Primeiro começamos com Dartanhã. Ele se senta por trás da mesa, e, eu e Valerie em sua frente. E, eu digo:
— Se precisar ficar somente com ela, eu saio.
Dartanhã sorri e diz:
— Não, acho que enfim, chegamos ao momento de fazermos isto juntos, o que acham?
Valerie me dá um imenso sorriso. Até onde eu sei, Dartanhã já vem preparando a nós dois para isto. E eu respondo:
— O que você acha, amor?
Pergunto a ela para que ela opine primeiro, mesmo eu sabendo a sua resposta. E ela responde:
— Eu adoro a ideia Henry.
— Eu também gosto! – Eu digo olhando para ela, e agora para Dartanhã. — Nós, podemos fazer juntos, Dartanhã.
Ele sorri e diz:
— Bem, ao que parece, vocês estão bem um com o outro. A minha percepção está certa? E como foi isto? Falem um pouco para mim sobre o fato, primeiro você Valerie e depois Henry.
Ela sorri amplamente para mim, olhando-me e diz:
— Bem, a sua percepção está correta Dartanhã, estamos bem. Depois de muitos problemas, discursões, percebemos que era difícil continuar um sem o outro, então resolvemos conversar e ouvir o que cada um tinha a dizer. E na verdade percebemos que nossos medos afetaram nossa percepção clara das coisas. E quando tentávamos resolver, acabávamos nos ferindo mais. Até o momento, em que Henry percebeu, que precisaria me ouvir, e eu entendi que eu teria de ouvi-lo. E daí percebemos o quanto estávamos errados e nos precipitamos, mas, entendo que ainda assim, foi bom ter acontecido, porque neste período tendo a oportunidade de estar longe e ao sentir sua falta, eu pude ver que já o amava, e que abrir mão dele doeria demais. Basicamente é isto, e durante este período sem ele, algumas melodias tem surgido em minha mente, e agora que estamos juntos, ao compartilhar com ele descubro que representam algo importante para eu e ele juntos. E o mais interessante, é que só foi acessado quando me encontrei na iminência de perdê-lo.
Dartanhã nos olhava o tempo todo, e anotava em alguns momentos. Ele estava atento a tudo, inclusive ao momento em que Valerie buscou minha mão, e eu a tomei e comecei a acaricia-la e sinto que visivelmente ela relaxou.
Ele agora faz sinal para que eu fale.
— Bem, primeiro quero colocar que cada palavra de Valerie é verdadeira. E quero acrescentar, que a maior parte das percepções erradas eram minhas. Valerie muito pelo contrário, percebeu as mudanças de seus sentimentos logo, foi eu que não consegui enxergar, acho que estava cego, mesmo quando Aquiles ou ela tentaram me dizer, eu não compreendia. Na verdade, esta minha atitude foi que agravou as coisas, ao meu ver.
Dartanhã me olhava o tempo todo. Quando terminei, ele falou:
— Bem há algo mais, que seja relevante eu saber?
— Sim tem...
Eu disse.
— Bem, nós decidimos em comum, que não queremos esperar mais, que pretendemos nos casar logo, dentro de um mês, independente das memórias, pois, ninguém pode garantir que elas voltarão. E traçamos algumas estratégias, baseadas no pensamento, de que, memórias, podem ser reconstruídas ou até substituídas por outras melhores. E é o estamos focando agora. Inclusive esta noite, teremos um jantar de Renovação dos Votos de Nosso Noivado aqui, e você e Helena estão convidados. Mas, precisamos saber, há algum problema nos casarmos logo? Isto pode interferir no tratamento de Valerie? Este é um receio nosso.
Disse cada coisa sempre intercalando os olhares entre Valerie e Dartanhã, com receio de falar algo além, mas, ela confirmava tudo, a cada olhar. Então, Dartanhã disse:
— Claro que irá afetar no tratamento! Ao que me lembre pelo histórico das últimas consultas, a fonte de maior angústia de Sta. Valerie estava relacionada com o casamento, o protelar dele, o desconforto que trouxe a você e ela. Estou correto Valerie?
— Sim está Dartanhã, mas não estou compreendendo...
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