A Garota Da Capa Vermelha - Continuação.
25 EU, ELE E ELA - Capítulo 25
Notas iniciais
POV VALERIE
Eu não poderia deixar de demonstrar o quanto eu estava feliz. E foi bastante irônico perceber que há algum tempo atrás, eu estava tão descontente por minha mãe desejar tanto que eu me casasse com o Henry.
No entanto, hoje, eu é que estou feliz por dar a ela, esta notícia. Eu me senti reconfortada, de certa forma, por compreender que, no fundo, ela estava com razão, em insistir, nesse propósito.
Realmente o Henry me faz muito feliz. E com certeza, será uma dádiva, ela receber uma notícia que a deixará tão contente, depois de tudo o que ela tem passado.
Toda esta consideração, não demorou um minuto. Eu levantei-me do colo do Henry, dando-lhe um selinho antes, e fui em direção à porta, com um imenso sorriso.
— Olá mamãe. Entre.
Ela entrou e me deu um grande abraço. Eu retribuí com carinho. Percebi, quando o Henry se levantou, veio, fechou a porta e ficou ali, a nossa frente, nos observando, com um lindo sorriso no rosto.
Contemplei em seus olhos, puro contentamento. Ele estava orgulhoso, porque ele sabia, que além de nós, estarmos felizes, a minha mãe também estava. E isto o agradava visivelmente.
Eu sorri para o Henry, enquanto me afastava do abraço da mamãe e começava a acariciar os seus cabelos, e eu disse:
— Ah mãe, é muito bom ter você aqui. Eu fico imensamente, feliz. E, eu devo dizer, que, eu tenho novidades. Se bem que... eu sei que para você, não é bem uma novidade. – Eu disse sorrindo olhando dela para o Henry.
— É verdade minha filha. E eu não tenho palavras para expressar o quanto eu estou radiante por vocês. Venha aqui Henry, me dê um abraço, pois, eu já te considero como meu filho.
O Henry se aproximou, e nos evolveu em seu abraço gigantesco e caloroso. Ele beijou o topo da minha cabeça e, logo após o da minha mãe.
— Obrigado Suzette. Como eu já disse, eu devo a você, por ter uma pessoa tão maravilhosa ao meu lado. A sua filha é formidável, eu realmente me sinto honrado por poder tê-la como minha noiva e futura esposa.
Eu sorri para ele, por suas palavras.
— Eu é que fico honrada meu filho, por poder entregar Valerie a você. Sei com todas as certezas, do meu coração, que você, a fará muito feliz. E quanto a você minha filha, eu estou muito orgulhosa por sua escolha. Você me surpreendeu. Eu amo vocês.
— Obrigada mãe, e obrigado Henry. Veja mãe, que lindos, são os meus presentes de noivado.
— Realmente são lindos. O Henry tem bom gosto, filha!
O Henry nos deu um lindo sorriso, mas, com a timidez estampada em seu rosto. Como pode ser tão adorável, o meu príncipe? Dou um sorriso de volta a ele, e erguendo-me, na ponta dos pés, beijo o seu rosto. E, para não o deixar desconfortável, digo:
— Bom, vamos jantar então, depois nós conversamos mais.
Eu disse indo em direção à cozinha. O Henry, já ia seguindo para me ajudar, mas, a mamãe foi mais rápida:
— Não, por favor, sente-se e espere Henry. Por favor, com duas mulheres aqui, sem chance de você ir para a cozinha.
O Henry interviu.
— Eu não me importo Suzette, de verdade.
— Tudo bem, eu sei e admiro isto, mas, não há necessidade, no momento, então, obrigada.
A minha mãe disse, e eu não pude deixar de sorrir com a situação.
Enquanto o Henry se acomodava a mesa, eu e mamãe retiramos os pratos do forno e pegamos a salada.
Eu fui buscar o vinho e a champanhe. Depois, eu busquei as taças. E foi a vez do Henry falar:
— Suzette. No sábado, eu irei levar a Valerie comigo a Grewnville, nós estamos com algumas coisas para resolver por lá, e vamos marcar as passagens dela. Algum problema para você?
— Claro que não, querido, eu já disse, vocês são adultos. Muito embora, eu veja que, uma viajem, a cavalo, é um tanto... incomoda e desconfortável para mulheres.
— Sim, eu sei. – O Henry respondeu. – E, eu te prometo que será a última, eu estarei providenciando uma carruagem, no sábado mesmo, para desfrutarmos, de agora em diante. Mas, eu garanto que, eu serei cuidadoso.
— Obrigada Henry, eu sei que você será. – Mamãe respondeu.
— Então, agora... Vamos comer. Porque eu acho que tudo está maravilhoso. Se bem que, não vale, eu mesma, falar. Contudo, eu fiz todos os pratos, com muito carinho.
Eu disse, me sentando bem ao lado do Henry. Que segurou a minha mão por sobre a mesa.
Servimo-nos e começamos a comer. O Henry foi o primeiro a falar:
— Está uma delícia, mas, não me surpreende. Você cozinha muito bem, meu amor. – E eu dou-lhe um sorriso em resposta. – E, Suzette, hoje nós decidimos, que a Valerie trará o seu vestido de noiva, da viajem a cidade de Made, Livergoorn. Nós acreditamos que lá, ela terá mais opções. Ela também comprará o seu enxoval por lá.
Eu percebi que a mamãe ficou desconfortável, e eu sabia o por que.
— Henry, me desculpe. Eu sei que lá, ela terá mais opções, mas, e... as despesas...
E assim, como faz comigo, ele não permitiu que ela terminasse:
— Hum.... Agora eu entendo de onde a Valerie herdou esta relutância. Veja bem, eu vou logo avisando... deixe que com esta parte, eu me preocupo, tudo bem? Desculpe-me, mas eu já tenho que lidar com estas contestações, o tempo todo, com a Valerie. Então, quando eu sugerir algo assim, já fica subtendido, que todos os gastos, são da minha responsabilidade e preocupação. Fiquem tranquilas, por favor.
O Henry disse um pouco irritado, mas, mantendo o bom humor, muito cavalheiro como sempre.
— Desculpe Henry, não houve intensão, da minha parte, de te aborrecer. – Mamãe disse constrangida.
— Não. Desculpe-me você, mas, é que, é sério, eu e a Valerie, já estivemos em longas discussões sobre isto, e enfim, graças a Deus, nós entramos em um acordo. Então, por favor, eu imploro, não ressuscite isto. Você deve saber, melhor do que qualquer pessoa, como a sua filha é teimosa.
O Henry disse, já em total clima de descontração agora, fazendo-nos todos rir.
— É. Como eu sei! – E mamãe riu mais ainda.
— A é, né? Vocês resolveram se voltar contra mim? Isto não é justo... – Eu disse fingindo indignação.
— Não, eu jamais faria isto, meu amor.
O Henry disse, beijando a minha mão.
— Mas, enfim, outra coisa Suzette, eu não sei se a Valerie comentou, mas, eu pretendo reformar o chalé, assim que ela retornar. E, nós decidimos, mais a pedido de Valerie, que iremos morar aqui. No entanto... eu estou comprando dois terrenos na vila, um para construir uma casa para nós. A ideia é de que, com o outro terreno, nós façamos uma separação igualitária, para então, construir uma casa para você e uma para minha avó. E a que vocês têm hoje, vocês poderão aluga-las para terem uma boa renda para vocês, devido à localização delas. Antes de qualquer coisa, Suzette, nós decidimos em comum acordo. E isto não está sujeito à discussão também, você saberá por que em breve.
O Henry, apertou de leve a minha mão, dando-me um sinal para prosseguir.
— Olhe, mãe, nós chegamos a este acordo, pois, entendemos que será bom, porque, você e a madame Lazar, terão uma à outra por companhia, e poderão estar próximas quando os... nossos pequenos chegarem. E ainda, possuirão uma renda a mais para comodidade de vocês. Inclusive, a sua casa, será reformada para você obter um valor, ainda maior, com o aluguel. Então, o que você acha?
Eu vi em seus olhos, que ela estava emocionada e sem palavras.
— Ah, meus filhos, eu estou sem palavras. – Ela disse com lágrimas nos olhos. – Muito obrigada! Mas, e a sua avó, ela concordou, Henry?
— Na verdade, eu não falei com ela ainda, mas, eu posso garantir que sim, porque, ela havia me pedido para... aproximar você dela. Desculpe tocar no assunto Suzette. Mas, eu a senti, bastante arrependida.
Minha mãe suspirou fundo e disse:
— Eu sei, ela conversou comigo. E... eu acho uma boa ideia. Não há mais por que, guardar ressentimentos. Nós somos uma família agora... e quer saber, de certa forma, eu entendo que se... eu... houvesse me casado com o seu pai, hoje, vocês não poderiam se casar. De certa forma eu sou grata por isto.
Eu e o Henry, trocamos olhares conspiratórios, evidentemente agradecidos pelo fato do Criador, ter escolhido assim. Já pensou? Eu, irmã do meu lindo? Não. Eu não quero, e eu não vou pensar nisso. Eu e ele, tomamos a mão de mamãe ao mesmo tempo e dizemos juntos:
— Obrigada/o.
— Não, obrigada a vocês. – Ela disse com um sorriso. – Olha... pelo rumo da conversa, eu vejo que as coisas estão, bem planejadas e aceleradas...
— Sim, estão. – Foi o Henry que respondeu. – Nós nos casaremos no máximo em um ou dois meses. Vai depender da reforma e do retorno de Valerie. Ah, Suzette, eu me lembrei de uma coisa, a minha avó vai fazer algumas coisas para a reforma, que ficará para o enxoval. E ela pediu a sua ajuda, é possível?
— Claro, Henry! Amanhã mesmo, eu passo lá, para falar com ela.
— Ótimo então.
— Eu, gostaria de propor um brinde ao nosso noivado, a união de nossas famílias, e... a você Suzette, por ter trazido ao mundo, alguém tão especial como a Valerie, e por confiá-la a mim. Eu prometo, que eu passarei o resto dos meus dias, dando o máximo, o tudo de mim, para fazê-la feliz.
Brindamos, e foi à vez da minha mãe falar.
— O meu brinde é, a felicidade de vocês!
— Obrigada/o. – Eu e Henry respondemos juntos.
Assim que brindamos e bebemos, eu servi a sobremesa. E, todos acharam uma delícia.
Resolvi falar com a minha mãe.
— Mãe, eu vou precisar da sua ajuda para preparar as coisas, para o casamento, eu não tenho experiência com isto. E, eu pretendo envolver as meninas também.
— Nossa, será ótimo minha filha. Eu fico feliz e vou sim te ajudar. Como nós já terminamos, eu vou retirar a mesa e ajeitar a cozinha.
— Vamos, eu te ajudo... – Ela não permitiu.
— De jeito nenhum. Vá ficar um pouco com o Henry. E deixe, que eu cuido de tudo. Assim que eu terminar aqui, eu vou para o quarto, ajeitar as minhas coisas. A propósito, onde eu vou dormir?
— Onde você quiser mãe, mas... eu gostaria que você dormisse comigo, relembrando os velhos tempos. O que você acha?
— Gosto desta ideia. Eu vou para o seu quarto, então.
Eu e o Henry, seguimos para a sala, e fomos direto para o sofá.
Eu sentei-me ao seu lado, porém, acabamos nos virando um de frente para o outro. Ele tomou as minhas mãos.
— Eu não disse, que é muito bom, nós fazermos mais quartos?
Eu precisei concordar com ele. Assim, eu afirmei com a cabeça, mostrando que ele estava com razão.
Ele puxou-me para que eu aproximasse o meu ouvido dos seus lábios...
— Eu vou sentir demais, a sua falta hoje... E a propósito, eu amo você, Valerie!
Eu suspirei em seu pescoço, aproveitando para dar um beijo ali, e passar a pontinha do meu nariz, até alcançar a sua orelha.
— Eu também amo você Henry. Eu sentirei a sua falta também, e demais. Amanhã... eu... preciso ver você.
— Claro, eu também, mas, nós já combinamos, fique tranquila. Eu virei meu amor. – Dizendo isto, ele envolveu-me em seus braços. E disse: – Fique calma amor, falta pouco... em pouco tempo, isto não será mais necessário.
— Eu sei. Mas..., tudo bem. – Eu não podia tortura-lo, porque eu sei que seria difícil para ele também.
— O meu coração arde, por ver você assim. Pelo menos, temos um bom motivo para não protelarmos o casamento. Não é? Amanhã mesmo eu vou trazer o desenho, porque nós precisamos conversar. É preciso deixar tudo acertado.
— Tudo bem. Eu não gostaria, de maneira alguma, que o nosso casamento, fosse protelado.
Ao ouvir isso, o semblante do Henry expressou preocupação.
— Eu prometo a você Valerie, no que depender de mim, eu irei adiantar tudo. Perdão meu amor, eu percebo que você está realmente angustiada com isto. E, honestamente, eu também estou. Eu procuro não demonstrar para não te deixar pior.
— Eu sei, me desculpe, é mais forte que eu. Na verdade, a viagem é que realmente está me deixando aflita. Porque, se dois dias estão me apavorando assim, imagina, um mês?
Tudo o que conversávamos, era extremamente baixo, longe da possibilidade da minha mãe escutar.
Eu precisava deixa-lo a par de como eu me sentia. Entretanto, eu procurei suavizar o assunto, passando para outros temas.
Estávamos conversando descontraidamente, e o Henry ainda segurava as minhas mãos, quando a minha mãe, se aproximou.
— Eu vou para o quarto, fazer os preparativos para dormirmos, minha filha, fiquem à vontade. Demore o tempo que você precisar, e eu à espero.
Ela se aproximou, deu um beijo em meu rosto, e um no topo da cabeça do Henry, muito embora, ele necessitasse, abaixá-la para isto. Então, ela disse:
— Boa noite Henry. Até mais filha. Amo vocês dois.
— Obrigada mamãe. Eu também amo você. – Eu respondi. Olhei para o Henry, e seus olhos brilhavam.
— Obrigado Suzette. De coração.
Ele levantou-se para abraça-la, e assim que terminaram, ela se foi com lágrima nos olhos. Eu pude ver que os de Henry, também estavam cheios e vermelhos. Ele piscou e duas lágrimas correram em seu rosto.
Assim que ele se sentou, eu puxei-o para perto e beijei o local das lágrimas para secá-las e disse:
— Estou orgulhosa de você Henry, demais. – Ele sorriu...
— Obrigado, mas, isto também é mérito seu. Eu já disse que, eu não conseguiria sem você.
— Eu sempre farei o que for preciso, por você. Nunca duvide disto.
— Eu sei, eu não duvido. E eu também, sempre farei, qualquer coisa, por você. Amor espere aqui, pois, eu preciso buscar algo.
Ele saiu em direção ao seu quarto. Ele não demorou muito e estava de volta com um envelope nas mãos. Ele sustentava um sorriso lindo nos lábios. Eu já estava queimando de curiosidade, quando ele se sentou ao meu lado novamente, de frente para mim, e estendeu o envelope e disse...
— Bom, como eu sei que estas duas noites, serão difíceis e de muitas saudades, eu resolvi fazer isto, para tentar amenizar, ao menos um pouquinho, a saudade. São duas para hoje e duas para amanhã, as datas e horários, estão sinalizadas nos envelopes. Uma para quando você for dormir e outra para quando você acordar, ao todo, quatro cartas, há aí dentro amor, eu demorei um pouco, pois, eu fui modificar a referência delas a você Minha Noiva...
Ele sorriu dizendo isto e prosseguiu:
— Eu quero que, quando você for lê-las, imagine que sou eu ao seu lado, pronunciando cada palavra desta para você... Não é a mesma coisa que estar aqui e dizê-las pessoalmente. Mas, você deve saber que mesmo distante, meu coração está aqui com você, minha linda!
Eu queria falar, mas a minha voz, se, saísse, sairia embargada. Como pode haver alguém, tão perfeito assim? Às vezes eu tenho que tocá-lo, simplesmente para saber, se ele é real, e foi o que eu fiz neste momento.
Eu ergui uma de minhas mãos até o seu peito e toquei o seu coração, sentindo o quanto este homem lindo é real, e está tão vivo, aqui a minha frente, e ainda como num sonho perfeito, é meu noivo. Ele me olhava curioso... então, eu puxei uma grande lufada de ar e disse-lhe:
— Desculpe, eu demorei-me para compreender, que tudo isto é real, e só me nutri de certeza, após tocar o seu coração, para senti-lo, o som mais perfeito da face da terra para mim. A sinfonia perfeita para os meus ouvidos. Obrigada amor, pelas cartas, por você ser exatamente como você é. Eu sei que pode parecer repetitivo, mas, o que eu posso fazer, se eu sinto tanta necessidade de te dizer, e é a mais pura verdade do meu coração? AMO VOCÊ HENRY LAZAR!
Ele não perdeu tempo e veio de encontro aos meus lábios reivindicando cada cantinho da minha boca, num beijo que me levou nas alturas, de tão bom.
Os seus braços, me evolviam com cautela e serenidade. Quando nós nos separamos, ficamos minutos nos olhando, e como era bom fazer aquilo, olhar com intensidade, aquele rosto que representa tanto para mim, memorizando cada detalhe...
Coloquei o envelope com as cartas, sobre a mesinha e conversamos por mais, pelo menos, uma hora. Então, o Henry disse...
— Está tarde e você precisa dar atenção a sua mãe.
Eu sabia que era verdade, mas, o meu semblante caiu com aquelas palavras. O Henry percebeu na mesma hora.
— Valerie você está bem? Eu estou preocupado...
Por mais que eu lutasse, eu não consegui evitar. Os meus olhos se encheram de lágrimas. Imediatamente, eu busquei refúgio em seu peito. Eu não conseguia entender, o por que eu havia ficado, tão triste, com a perspectiva de que estava chegando o momento, dele ir embora, eu já sabia, sabia que não seria fácil, mas, era necessário. Era para eu conseguir lidar com isto.
A única coisa que veio a minha cabeça, é o fato de que, eu havia tomado as bebidas, e talvez, mesmo em pouca quantidade, elas tenham bagunçado o meu emocional. O Henry estava apavorado, sem saber o que fazer. Então, eu expliquei para ele:
— Deve ser a bebida Henry. Desculpe.
Percebi em seus olhos, o desespero... eu creio que, a noite não será fácil para ele também, porque agora, ele ficará preocupado comigo.
Ele suavizou um pouco.
— Tudo bem então. Mas, eu quero que você se lembre, que eu te amo Valerie. E isto... esta situação, vai passar logo, amor...
Dizendo isto, ele trouxe os seus lábios sobre os meus e aquele toque foi muito diferente...
Havia profundidade, desespero e medo, contudo, começou, também, cheio de desejo, urgente.
À medida que o beijo se aprofundava e que os nossos lábios, se moviam em sincronia perfeita, a sua língua percorria a minha boca em busca de explorar cada milímetro possível.
À proporção, que as nossas línguas se tocavam, se uniam e acariciavam, a sua respiração era alterada, o seu coração alçava voos.
Assim, os seus toques, antes tão hesitantes, em minhas costas, cintura, e no máximo nos meus quadris, agora eram intensos, carregados de vigor e desejo.
As carícias do Henry, mostravam-se sedentas por mais da minha pele. Senti todo o meu interior estremecer quando, de repente, ele desceu as suas mãos, sem relutância alguma, pelas laterais do meu corpo, explorando...
Ele passeou, lentamente, pela cintura, logo após, aventurou-se para os quadris e dos quadris para as coxas. Henry se deteve por um tempo ali, alisando com os seus dedos quentes, a minha carne, que a esta altura, implorava por mais das suas habilidosas carícias.
Lentamente, as suas mãos, voltaram a subir, e, os seus toques agora, eram ardentes. Por onde os seus dedos passavam, deixavam um rastro de calor e uma ânsia por mais daquela sensação. Eu estava imersa em uma emoção tão impetuosa, que outras partes do meu corpo, começaram a despertar, suplicando por atenção.
Ele prosseguiu até próximo à altura da lateral dos meus seios, hesitando claramente ali.
A esta altura, nós estávamos completamente, sem ar. E creio que, para ganhar fôlego, ele passou a descer beijos, deliciosos pelo meu pescoço, em direção ao meu colo.
Seu gesto me surpreendeu, porque não havia dúvida, ele já não estava hesitante. Com esta percepção, ondas de calor e eletricidade passaram a me percorrer de maneira extraordinária, levando-me a acariciar o seu pescoço com os meus lábios, enquanto minhas mãos entrelaçavam-se nas mechas dos seus cabelos.
Eu gemia controlando o volume, pois, eu estava ciente da presença da minha mãe bem ali no meu quarto.
Sem condições alguma de me conter, eu comecei a sussurrar declarações de amor e o seu nome, em seu ouvido, alternando palavras com beijos e leves mordidinhas naquela região.
Pelos tremores que emanavam do corpo do Henry e pelos seus suspiros, eu sabia que eu também o estava enlouquecendo.
Senti quando o calor triplicou em mim e o meu maior ponto de excitação, ficou totalmente, quente e úmido. Exatamente, quando as suas mãos, envolveram em um aperto possessivo, quase toda a minha cintura, de forma que, os seus polegares quase se tocavam na região próxima ao vale dos meus seios.
Ainda que, por sobre o vestido, eu sentia arder o calor das suas habilidosas mãos. Enquanto os seus lábios e depois a sua língua, percorria delicadamente, o meu colo, próximo ao contorno do decote.
Toda a expectativa me enlouquecia, me deixava ardendo de desejo. Eu gemia em seu ouvido, ou beijava o seu pescoço, como resposta por suas ações. As minhas mãos, passaram a deslizar-se em suas costas, seus ombros, seus braços, com as minhas unhas, suavemente cravadas, ora em sua pele onde estava desnuda e ora em sua camisa, onde ela cobria a pele.
Mas, ele claramente vacilou em seu equilíbrio quando eu comecei a descer pela lateral de seu abdômen, em direção a sua barriga. E, ele literalmente congelou nos meus braços quando eu toquei o seu ventre, próximo à altura do cós da calça.
Então, eu sabia... Nós havíamos ido, longe demais.
Lentamente ele volta a percorrer os seus lábios pelo meu pescoço, queixo, e até chegar aos meus lábios.
Suas mãos suavizaram-se em minha cintura, e as minhas, voltaram em direção as suas costas.
Desta vez, as nossas respirações, antes muito ofegantes, agora demoraram a se normalizar e nossos corações também. Porém, à medida que os beijos foram ficando suaves, lentamente eu me afastei dos seus lábios, para procurar pelos seus olhos.
As pupilas ainda estavam bem alteradas. Mas, o que me sensibilizou, foi o seu olhar culpado, como que, me pedindo desculpas, por ter ido tão longe novamente.
Eu dei-lhe um beijo suave, e olhei-o, novamente, procurando transmitir um olhar cheio de amor.
Então, ele pronuncia em palavras o que ele está tentando, me dizer com os olhos:
— Me desculpe... por...
Ele começa a dizer, timidamente e extremamente ruborizado, porém, eu o silencio colocando o indicador em seus lábios.
— Shhhh... — Beijo a sua testa e digo-lhe:
— Não se desculpe, você não tem por que se desculpar. Foi maravilhoso, eu não me arrependo de nada, Henry... lembre-se... eu estou aqui, por que eu quero e por que para mim, é o melhor lugar do mundo para se estar. Em seus braços. Eu amo as suas carícias Henry, os seus toques, os seus beijos, tudo, exatamente tudo.
— Eu sei, mas é que... Eu também amo a forma que você me conduz neste mar de sensações Valerie. Você... você me... enlouquece. Eu de fato, amo isto. Mas, é que... você, tem alguma ideia do quanto você me faz feliz? E o quanto eu temo...
— Shhh. – Eu o silencio. – Sim, pois, você faz exatamente o mesmo comigo. E... eu sei meu amor, você não precisa explicar. Eu amo você do jeito que você é, Henry. Não se preocupe. Dará tudo certo... Eu não estou brava, nem frustrada com você e muito menos triste. Ainda que eu venha sofrer pela sua ausência esta noite, ainda que eu possa até ter, sonhos... sugestivos com você... ainda assim, eu não me arrependo. Eu faria tudo novamente, se precisasse, apenas para estar com você Henry. Eu o amo. E, eu sei que você, na hora certa, vai me recompensar por esta espera.
Eu disse esta parte sorrindo para ele maliciosamente, buscando quebrar a sua tensão.
— Ah Valerie, eu te amo tanto, mas tanto... há momentos, que eu nem sei como isto é possível. Eu me sinto péssimo com esta situação. Pois, é como se... Eu sei que é uma tortura para nós dois, mas, para você, isso tem sido horrível eu posso sentir. Eu quero abrir mão, eu tenho tentado, mas...
— Shhh... Ouça, eu não quero que você abra mão, se não estiver pronto Henry! Por favor. Não faça isto, se for para você ficar se sentindo mal ou culpado depois. De jeito nenhum. É muito melhor passar uma noite ou dias frustrada, na expectativa de algo que ainda virá e será maravilhoso, do que ir até o fim, e ver arrependimento em você, depois. Por favor, isto eu não suportaria, francamente. Então, eu te peço, encarecidamente, se resolva e se decida primeiro. Se, por ventura, você agir no impulso e se arrepender depois, me desculpe, eu tenho que dizer... será demais para mim.
— Eu sei. Mais uma vez me desculpe. E eu prometo, que será maravilhoso. Bom, pelo menos no que depender de mim. Eu farei de tudo, para que seja inesquecível. – Ele disse agora sorrindo um pouco. – E, bom... Eu realmente preciso ir. Amo você minha noiva!
— Também amo você meu noivo! Tenha cuidado.
— Pode deixar. – Dizendo isto, acompanhei-o até a porta e trocamos um caloroso beijo apaixonado, antes dele sair.
POV HENRY
Ela está tão linda! Eu, particularmente, amo vê-la neste vestido azul e verde. Ele combina tão bem com a sua pele e com os seus olhos. Olhos que me atraem que me fazem querê-los sempre em mim. Observando-me, me desejando.
É tentador demais, quando desço dos seus olhos para os seus lábios, seu queixo, garganta, e prossigo até alcançar o... seu colo. Como é lindo. A pele é suave, macia e saborosa. Impossível resistir a ela, eu desejo ardentemente, cada ínfima parte, do corpo de Valerie.
Amar é algo sublime, que nos preenche, nos completa, que nos mobiliza. Nada que fazemos por quem amamos, tem a conotação de um sacrifício. Por que o simples fato de provocar no outro, bem-estar e alegria, nos da um prazer imensurável.
O desejo também, é algo muito forte. Para nós homens, acredito que é ainda mais intenso, pois, tem um amplo componente instintivo.
Mas, ao meu ver, o desejo aliado ao amor, e alimentado por amor, é algo extremamente poderoso, arrebatador e enlouquecedor...
E a coisa toda, fica imensamente mais vigorosa, se os dois sentimentos, são correspondidos na mesma proporção. Eu tenho experimentado isto com a Valerie. É algo tão forte e tão profundo, que chega a ser capaz de destruir a minha sanidade...
Fica difícil demais raciocinar quando eu estou em contato íntimo com ela, é necessário reunir todo, mas, todo o meu autocontrole para conseguir me conter.
Entretanto, ainda assim, há momentos que eu tenho a certeza de que eu não irei conseguir... Contudo, na maioria das vezes, o que me salva, é me lembrar do desejo que eu tenho de tê-la como minha esposa...
Até hoje, isto tem funcionado... no entanto, agora que estamos noivos, e que isto é algo praticamente certo, será que eu continuarei resistindo?
É difícil demais resistir a ela, principalmente quando ela está tão entregue. Quando ela faz questão de mostrar para mim, que me deseja o tanto quanto, eu a desejo, e que está tão pronta para pertencer a mim.
Eu sempre a desejei, sempre, mas, agora eu sinto isto em cada célula do meu corpo. É como o ar que eu respiro, que os meus pulmões anseiam por sua entrada, para me manter vivo.
Todo o meu corpo, cada parte dele, anseia por ela, é como se faltasse um pedaço de mim, que só será restituído, quando eu me unir integralmente a ela.
— Henry... – Ela sussurra em meu ouvido, e aquela voz tão doce, mas carregada de volúpia, é combustível para mim e envia labaredas pelo meu corpo.
— Hum...
É tudo que eu consigo pronunciar...
Rapidamente, eu volto aos seus lábios, e continuo a beijá-la, saboreando cada pedacinho deles, e de sua língua. Enquanto as minhas mãos, percorrem as suas costas.
Em seguida, eu começo a deslizá-las sobre a sua cintura tão fina. Desço-as pelas graciosas curvas dos seus quadris, logo após toco as suas coxas, ainda que, por sobre o vestido, a sensação é sublime.
Então, desço mais um pouco até os seus joelhos. Ali, enquanto eu acaricio a parte de trás dos seus joelhos, lentamente eu vou puxando o seu vestido, até alcançar a barra.
Então, demoradamente, eu volto a subir as mãos deslizando-as pelas suas coxas, trazendo junto, o vestido. Onde os meus dedos vão tocando a sua pele, eles vão deixando rastros de calor. Ela vai ficando arrepiada, e geme em meu ouvido, em seguida, beija e morde, suavemente, o meu pescoço.
O meu aperto em suas coxas torna-se selvagem e altos gemidos, escapam dos meus lábios, quando ela encontra o ponto sensível do meu pescoço, logo abaixo da orelha e morde ali, e em seguida beija.
Então, ela morde de novo e vai intercalando com beijos, em uma lenta e deliciosa tortura. Eu me controlo para poder sentir e saborear cada sensação que me percorre com aquelas carícias.
Ela sabe exatamente o que fazer para me enlouquecer. E ao que parece, com muita precisão.
Enquanto as suas mãos percorrem com suas unhas de forma não tão delicada a pele dos meus braços, do meu ombro por sobre a camisa, da minha nuca e minhas costas. Correntes e mais correntes de eletricidade me percorrem por inteiro. Sinto-me ficar quente, em todas as partes onde os nossos corpos se tocam, e mais evidente, em minha virilha.
A esta altura, eu já estou completamente excitado, e agradecido por eu estar usando calça jeans. Por que, qualquer tecido mais leve, denunciaria muito mais facilmente, que eu não consego me controlar tanto assim. Mas, eu tenho certeza que ela percebe. Principalmente quando faço como agora, onde pressiono os seus quadris contra o meu e ela geme mais uma vez, o meu nome em meu ouvido. Dizendo:
— Henry... Vamos retire. Retire o vestido, meu amor.
Ela puxa os meus cabelos sensualmente, fazendo-me olhar nos seus olhos, e, o que eu vejo ali, me desorienta, pois, é latente o quanto ela me deseja e o quanto ela está entregue a mim.
Eu sei que, nestas horas, ela também busca certezas. Certeza de que eu a quero, de que eu não estou hesitante, de que eu a amo, de que eu desejo torna-la minha. E para me encorajar, ela diz, com carinho:
— Eu te amo Henry, e quero muito você amor...
E quase sempre, é nestes momentos que o meu controle se esvai. Nesta troca de palavras mudas dos nossos olhos, e em sua declaração, ela consegue dizer para mim: não tenha medo... tome posse do que é seu... eu sou sua... você não vai me perder, eu estou aqui.
Exatamente neste gesto, é que, todas as minhas defesas, declinam. E, claro que, eu não consigo deixar de retribuir, a sua declaração...
— Eu amo você demais Valerie, você é a minha vida, é tudo que eu quero para mim, é tudo que eu sempre quis... — E diante daquela batalha, eu não consigo, mais, me conter, eu acabo cedendo...
Volto a beijar os seus lábios com intensidade e bem devagar, eu começo a traçar com beijos, o caminho até sua orelha.
Intercalo os beijos com leves mordidas e ela geme para mim. Então, eu começo, ainda lentamente, descer os beijos, por seu pescoço, sentindo ainda mais, o seu delicioso cheiro doce, até alcançar o seu ombro, e ali, eu me perco em mais beijos e mordidas.
Movido por paixão, deslizo a manga do seu vestido, expondo completamente o seu ombro, e só aquela pequena visão de sua pele exposta, é o suficiente para me incendiar por inteiro.
Continuo com os beijos, e ela estremece completamente, quando mordo ali, na parte descoberta... Dou mais um beijo e volto a olhar em seus olhos, que agora, estão tomados por uma escuridão que reflete puro ardor, mas, a expressão do seu olhar, faz-me sentir o quanto sou amado por esta tão linda mulher. E isto me deixa ansioso para oferta-la tudo de mim, o meu melhor.
Como estamos no sofá, ergo-a gentilmente pela cintura sem quebrar o contato com os seus olhos. E ela fica de joelhos sobre o sofá, minhas pernas entre as dela. Então, lentamente, eu vou subindo o seu vestido.
Eu sinto claramente, a minha pulsação enlouquecer a cada parte do seu corpo, que vai tornando-se descoberto: seus quadris, sua barriga, seus fartos seios ainda cobertos pelo sutiã, lindo de renda preta, que combinam com a calcinha.
Sinto-a observar-me atentamente, cada gesto e cada reação. Eu volto aos seus olhos, mergulhando-me neles, ao mesmo tempo em que eu lanço o seu vestido ao chão.
Vejo-a totalmente ruborizada, entretanto, em seus olhos eu vejo amor, desejo, expectativa e entrega, entrega total.
Lentamente, ela vai descendo o seu corpo sobre o meu. Eu me encontro encostado no braço do sofá, e vou a envolvendo em meus braços, circulando minhas mãos, em cada parte desconhecida de sua pele macia, quente e convidativa. Simultaneamente, eu volto a beijar os seus lábios.
Sutilmente, ela se afasta, e desce com suavidade as mãos sobre o meu peito, abdômen, e para ao encontrar a barra da minha camisa. E demoradamente, vai deslizando-a e subindo-a. Afastando-se por um momento, Valerie retira-a por sobre a minha cabeça.
Então, ela volta a me olhar, primeiro nos olhos, e mais uma vez, eu posso sondar ali, toda a extensão do seu desejo e também do seu amor por mim. Em seguida, ela desce o seu olhar para o meu peito e passa-o demoradamente por todo meu abdômen nu.
O meu íntimo se contorce quando ela morde seu lábio inferior, e instintivamente, eu tento erguer-me para me aproximar, mas, eu sou barrado por uma de suas mãos no meu peito, enquanto suavemente, ela se inclina e começa a desafivelar o meu cinto com destreza. Ao terminar, ela brinca com o botão da minha calça e em seguida, desce meu zíper. Ela mantém os seus olhos, fixados nos meus.
Eu não resisto quando sinto os seus dedos, roçarem, sem querer em meu membro. Digo-lhe apaixonadamente...
— Ah... minha princesa, tão linda! O que você é capaz de fazer comigo amor? – Ela dá um lindo sorriso, tímido, porém, provocante...
— Faço qualquer coisa por você meu lindo... meu objetivo é sempre satisfazer você Sr. Lazar, porque amo você, e cada parte deste corpo perfeito...
As palavras dela têm um poder imenso sobre mim, aliás tudo nela tem poder sobre mim.
Ferozmente, eu a puxo para mim e volto a beijá-la, agora com fúria e sou retribuído na mesma proporção.
Suas mãos, embora pequenas, mas, tão habilidosas, começam agora, a traçar cada parte das minhas costas nuas, meus braços e laterais de meu abdômen ora com os dedos, ora com as unhas. Enquanto solto gemidos, suspiros e sussurro seu nome...
— Valerie... amo... você... – E ela responde em meus lábios...
— Assim como... eu amo você Henry...
Deixo os seus lábios em busca de ar, enquanto ela vai em busca de explorar o meu pescoço com os seus beijos, com as mãos entrelaçadas em meus cabelos, puxando-me mais junto a ela.
Desço os meus lábios lenta e torturadamente por seu pescoço, colo até encontrar-me impedido de prosseguir por sua linda peça feminina de renda, que cobre os seus seios. Percorro todo o contorno do bojo com beijos molhados enquanto minhas mãos desabotoam-no nas costas com habilidade.
Afasto-me e lentamente, eu deslizo as suas alças por seus braços, enquanto sou dominado por aquela bela visão dos seus seios, nu. Amo cada parte de Valerie, mas a visão dos seus seios, me dominam e me encantam descontroladamente. Sinto todo o meu corpo, “arder em chamas” naquele momento.
Ao retornar aos seus olhos, vejo todo seu amor e paixão, triplicados pela expectativa. Percebo o quanto é importante para nós, isto, o olhar, a permuta dos nossos olhares. Porque, há tanta conexão e cumplicidade nos nossos atos, que simplesmente é impossível dar um passo sem que aja a confirmação dos nossos olhos. E isto é notório em mim e nela.
Aproximo-me novamente, voltando a beijá-la, e agora, eu subo lentamente as minhas mãos, pela pele tão macia da sua barriga. Sinto-a quente, e os meus dedos, literalmente formigam, quando iniciam os primeiros contatos com os seus seios, ansiosos e desejosos por mais.
Enquanto acaricio delicadamente um de seus seios com uma mão, desço os meus lábios, deixando rastros de calor até encontrar o outro. E avidamente começo a beijá-lo, ora mordiscando ou sugando seu mamilo.
Movida pelo prazer, Valerie sussurra em meu ouvido:
— Ah Henry... – Eu suspiro em resposta e ela estremece em minhas mãos.
— Hum... Valerie. Você gosta? – Digo em seus seios.
— Ah, muito... você é maravilhoso Henry... eu amo você demais. – Ela diz, com a voz entrecortada.
Ela volta a percorrer o meu pescoço com voracidade, com seus beijos.
Sinto uma de suas mãos me afastar levemente, sem quebrar o contato com os seus seios, sinto também, a outra descer pela lateral do meu corpo, de encontro ao meu ventre, até se encontrar na divisa da minha pele com o elástico de minha boxer.
Provocantemente, ela começa a brincar ali. Ela corre as unhas com delicadeza, toca os pelos daquela região, me fazendo gemer. Quando ela faz um gesto evidenciando que quer retirar a minha calça, deixo brevemente o que estou fazendo e ergo o corpo para auxiliá-la, para que ela possa concluir a tarefa.
Então, eu volto a acaricia-la com uma mão em seus seios e outra em sua cintura, e com meus lábios percorro seu pescoço em direção ao seu ombro, com beijos e mordidas leves, fazendo-a estremecer.
Neste momento, ela suavemente desliza seus dedos desejosos novamente por meu ventre, voltando a tocar os pelos daquela região, fazendo-me gemer e voltar a explorar seus seios com meus lábios, deixando-a enlouquecida, e fazendo-a gemer para mim, o meu nome.
Seus dedos voltam a brincar com o elástico da boxer, percorrendo toda a sua extensão. Lentamente ela segue em direção a parte da frente. Eu estremeço completamente, e a intensidade é tanta, que sou obrigado a abandonar os seus seios, quando ela alcança o meu membro envolvendo-o, mesmo ainda coberto por aquela única peça de roupa que ainda visto, e apertando-o delicadamente.
Ela diz em meu ouvido.
— Gosta Henry? – E aperta-o com força. Me fazendo gemer.
— Sim... Valerie... Muito... – Digo sem forças. E ela pergunta novamente:
— E assim? – Ela pergunta enquanto desliza a mão para dentro da boxer, e envolve todo meu membro com seus dedos, com força e precisão fazendo movimentos de vai e vem.
Eu grito em resposta, enquanto mordo de leve o seu ombro e choco os meus quadris de encontro a sua mão que me provoca, buscando mais. Ela geme alto em resposta e me dá mais, intensificando os movimentos com a mão em meu membro.
Neste momento, ela puxa os meus cabelos retirando os meus lábios do seu ombro, para olhá-la, e, no momento em que abro os meus olhos para olhar os seus...
***
— NÃO... Não é possível é?
Digo completamente arfante enquanto percorro a mão em busca do abajur do meu quarto, na mesinha ao lado da cama. Acendo. O que me faz piscar várias vezes, com o incômodo provocado pela claridade repentina.
Lentamente, a minha visão vai ganhando foco, apenas para perceber que eu estou em meu quarto, na minha cama, em minha casa, sozinho, e sem Valerie...
Eu acabo de acordar de mais um daqueles sonhos maravilhosos e terríveis ao mesmo tempo, com ela. Maravilhosos por que expressam tudo o que eu mais desejo, ela em meus braços, entregue a mim.
E terrível, por que não é real, é mais um, na coleção de fantasias que eu tenho com ela. E neste minuto, eu começo com uma terrível batalha interna com as questões que me assolam.
É isto que dá Henry. Provocá-la, instiga-la e a si mesmo, e na melhor parte, retroceder. A cada tentativa não finalizada, a coisa fica pior, tudo, todo desejo, toda a expectativa, a necessidade por satisfação, fica retida, aprisionada. Buscando uma oportunidade, um momento para extravasar.
No entanto, enquanto eu estou consciente isto não é possível, devido ao meu autocontrole e minhas barreiras emocionais. Porém, quando eu tomo o caminho da inconsciência, permitida pelo sono, onde as resistências desaparecem, tudo vem à tona, e de uma maneira, absurdamente ampliada. O que torna o desespero ao acordar, muito maior.
Mas aí vem a pior parte da minha batalha interior. O Henry Emocional x O Henry Racional.
“Por que é assim? Por que eu não consigo simplesmente ceder, seria tão fácil, eu a quero, ela me quer...”
Porém, juntamente, vem as dúvidas, o medo.
“Se eu der exatamente o que ela quer agora? Ela vai me querer depois? Foi tudo tão rápido. Será que ela me ama? Será que não é apenas o desejo, pois, o que ela mais quer, está sendo negado? Se ela obtiver o que deseja, ela não vai desistir? Ou talvez até, não gostar, eu não sou o Peter... e... foi tão rápido... e claro, tem a questão também, dela não ser somente um divertimento para mim, ela é a mulher que eu amo e desejo como minha esposa, aliás, sempre desejei.”
Então, eu me lembro do seu questionamento, a respeito de que se fosse a sua primeira vez, eu teria ou não, muita intimidade com ela. Claro que eu não teria, eu não correria este risco.
Sim, risco, estar em momentos intensos com Valerie é um risco em todos os sentidos, primeiro, por que, além de amá-la eu a desejo demais, e segundo, por que ela também me ama e também me deseja, e ela é provocativa demais...
Obviamente, eu me sinto muito feliz em saber que aquilo que, eu tanto sonhei e me empenhei em conseguir, finalmente, eu havia alcançado. Fazê-la me amar, e fazê-la me desejar. Eu não posso reclamar disto. E pensando assim, a outra parte de mim confirma...
“Ela te ama sim, ela tem se doado a você, se entregue totalmente e não é só no sentido de desejo, de sexo, é muito mais Henry, ela cuida de você, ela está disponível para curar você, oferecer o que você precisa. Ela deixa que você faça por ela, o que ela jamais permitiu ou permitiria a ninguém. E tem mais, e a falta que ela sente de você? Você já obteve milhares de provas disto, e o sonho? E hoje, antes de vir embora? E, mais... Peter se foi, ele mesmo deu apoio a vocês, ainda que não fosse por você, e sim, por ela. No entanto, quem sabe ele não sabia, não sentia, que de alguma forma, ela já sentia alguma coisa por você, ainda que nem mesmo, ela soubesse. Mas, talvez, ele sentisse isto, visse isto, e por isto, ele impulsionou ela a você. Pense Henry, seja racional.”
Antes que a situação ganhe níveis insuportáveis, eu me levanto, ciente de que, o meu estado ainda é o mesmo: excitado ao extremo.
Eu vou direto para o meu banheiro, retirando o pijama pelo caminho e lançando-o no cesto, pelo seu lastimável estado de suor e... Argh, isto é horrível.
Lá vou eu, para mais um dos meus rituais debaixo da água fria. Meu Deus, eu não aguento mais isto, sinceramente. E vou acabar desenvolvendo uma hipotermia. Aí o meu inconsciente diz, presunçoso para mim:
“A é? Está reclamando? Não poderia ser pior, ou, já não foi muito pior? Quando você não tinha nem a possibilidade que tem agora? Ela é sua noiva. Acorda! Breve, muito breve, ela será sua esposa... O que são dois meses certeiros, para quem esperou anos sem nenhuma perspectiva? É realmente tão ruim assim?”
Enfim, eu descubro que não é. E a esta altura, a água fria... Não, gelada, já bate em meus cabelos, minhas costas, e vai lentamente, apagando o fogo, o calor, pelo menos externamente, do meu corpo.
Começo a iniciativa de ensaboar-me, mas, eu desisto nas primeiras tentativas, porque, até os meus toques, são insuportáveis, porque tudo em mim, está sensível. Que raiva...
Neste momento, eu sou tentado a pensar nela... Como ela está? Como está sendo a sua noite? Será que ela teve algum sonho? E lembro-me da noite em que eu acordei desta mesma forma. Porém, com o desespero de vê-la ao meu lado, motivado pelo medo de que ela acordasse e visse o meu estado.
O quão embaraçoso e constrangedor seria? Lembrando-me agora, é até engraçado...
Quando eu me dei conta, de que ela estava ao meu lado. Eu saí desesperado em busca do banheiro. O pior, foi quando eu saí do banho, ao vê-la acordada. Eu estava sem camisa.
Eu demorei a me dar conta, do seu estado: ela havia tomado banho e trocado de roupas. Foi quando a percepção do que aconteceu com ela, me atingiu. Realmente foi constrangedor. Mas, em compensação, foi na mesma noite em que ela disse que me ama.
Neste momento, tudo parece fazer sentido para mim. É óbvio, eu estou assim, por que antes de tudo, eu a amo, e hoje, eu sei que ela me ama. Ama sim, e claro, o desejo aliado ao amor, principalmente correspondido por ambos, na idade que temos, somos jovens, noivos... É mais que natural ficarmos assim.
Por fim, eu consigo relaxar um pouco e saio do chuveiro. Entretanto, na tentativa de me secar, eu percebo a sensibilidade ainda presente, então, eu meramente, bato levemente a toalha, nos pontos mais encharcados do corpo.
Deixo a toalha no banheiro e vou até a cômoda para vestir somente a parte de baixo de um pijama. Mesmo por que, quando o efeito da água fria passar, sei que o calor será insuportável.
Aumento a velocidade do ventilador e vou em direção à escrivaninha. Olho as horas, duas e meia da manhã. Ótimo, amanhã estarei com olheiras, pois, já sei que a noite está perdida.
Eu sei que Valerie vai perceber e ficar preocupada, ela irá querer saber... E combinamos não mentir um para o outro. A minha sorte é que devido ao seu constrangimento, eu sei que ela não vai querer detalhes, assim como ela não quis da outra vez.
Pego o desenho, desejando terminar o trabalho que comecei. Acrescento os outros dois quartos, com banheiros. Amplio mais algumas coisas...
Ao terminar tudo, começo a rascunhar a casa que pretendo fazer aqui na vila. Quando termino, começo a de sua mãe e minha avó. E descido que amanhã irei fechar as compras dos terrenos. Com tudo que está acontecendo, eu não tenho mais tempo a perder.
Acabando os desenhos, pego um bloco de anotações que eu tenho guardado, para escritas especiais, e começo fazer as cartas para a viagem...
Enquanto escrevo, eu fico imaginando as suas reações ao ler a carta depois que eu sai do chalé e fico tentando prever as reações dela diante da carta de amanhã pela manhã. Consigo escrever muitas das cartas, para mais de uma semana.
Com tudo pronto, vou para a cama, não com a intensão de dormir, mas, de refletir, repensar nos acontecimentos, nos preparativos para o casamento. Reflito sobre as responsabilidades que eu terei a partir de agora.
Penso sobre o dia de hoje, a expectativa com o pedido, à forma maravilhosa que aconteceu. Ela achando que eu faria... faria amor com ela, quando na verdade, eu aproveitei o calor do momento, para pedi-la em casamento. Nem se a coisa toda, fosse programada nos detalhes, teria sido tão bom, tão genuíno.
Depois, veio a pergunta dela, “onde estávamos mesmo”? E a forma com que eu consegui sair da situação. Todavia, mais tarde, após o jantar. Argh... Realmente se as coisas continuarem como estão, eu não sei se vou conseguir continuar mantendo o meu autocontrole.
No momento, esta viagem, é a minha maior aliada. Porém, só de pensar a falta dela, em noites como a de hoje, me apavora. E, será milhões de vezes pior, por que eu não poderei vê-la no outro dia, o meu coração, e o meu corpo inteiro, reclama, por sua ausência, e eu me encolho com o pensamento.
Se não fosse pela reforma do chalé, com certeza, eu pediria a ela que diminuísse o seu tempo fora. No entanto, eu realmente vou precisar de quase um mês.
Penso em nossa viagem a Grewnville no sábado, em como ela será recebida nos locais em que eu costumo frequentar. Imagino como os Lancelot’s, irão recebe-la. Amigos da minha família à tantos anos, torcem tanto por mim, me deram tanto apoio na morte da minha mãe e do meu pai. E também quando Valerie e eu rompemos o noivado da outra vez.
Como será que eles irão se comportar por já me verem noivos? Eles, se quer, fazem ideia que eu estou com a Valerie, que dirá noivo e as portas de me casar. Certamente será uma surpresa para todos.
Penso em como será para Sophie saber que estou noivo. Sophie é a caçula dos Lancelot’s. Araon, é o mais velho, em seguida Érion e depois, Sophie.
Os três e os seus pais, são uma extensão da minha família. Os três filhos, são como irmãos para mim, embora a minha relação seja mais profunda com Araon, que se tornou um grande amigo meu, ao longo dos anos. Érion é o mais parecido comigo, mais centrado, na dele. Já Sophie tem tipo uma paixonite por mim desde a infância. Nada sério. Mas, como ela tem um temperamento difícil e bem implicante, temo por sua reação com Valerie.
Eu conheço-os desde pequenos e os considero demais. A verdade é que no fundo, eu temo por Valerie ir a Grewnville, dela ter aceso a um passado não muito distante meu...
Infelizmente, todos nós cometemos erros... Não que o meu, tenha sido tão grande, mas, certamente algo extremamente vergonhoso. Contudo, isto é coisa para eu me preocupar depois.
Eu fico perdido em pensamentos. Coloco o relógio para despertar, por reflexo, não que eu acredite que eu realmente consiga dormir. Passo mais algum tempo refletindo.
Em algum determinado momento, vejo que já são quatro e quarenta da manhã. Dentro de mais uma hora e um pouco, eu terei de levantar, assim, a inconsciência finalmente me alcança.
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