A Fuga Carpática
7 Planície de Dácia
Notas iniciais
- Dar, domnuli, pi dumne'-ta cum ti che'mî (mas, senhor, qual o seu nome)? Loredana quebra o gelo da viagem.
- Meu nome? Eu sou Codreanu, Andrei Codreanu. Nascido no meio da Transilvania, mas viajo por todos os principados unidos. Responde o senhor.
- Mas e você? Pelo sotaque vejo que é de Moldova, certo? Deduz.
- Așa e (isso mesmo)! Meu nome é Loredana Vasile. Eu ficava no mosteiro Argeș. Responde Loredana.
- Mas e esses seus amigos? Eles não parecem ser deste país. Vejo eu que viajei por ele todo. Interroga Andrei.
- Não fala da onde a gente vem não. Sussurra Hinata no ouvido de Loredana.
- Eles são duma vilinha bem isolada nos Cárpatos. Eu os conheci na viagem de casa até o mosteiro. Mente Loredana.
- Daqui a pouco é hora de comer. Alguém tem fome? Não se preocupem, eu pago. Vou fazer bastante lucro com esta mercadoria. Andrei aponta para uma cidade que se aprochega.
- Se você paga, a gente come! Responde Jaguar com um sorriso.
A carroça, então, segue até a cidade, onde Andrei entra num armazém. Depois de cerca de cinco minutos, ele volta à carroça e diz ao trio:
- Levem essas peles que estão aí lá dentro. Manda Andrei.
O grupo vai e volta três vezes até levar todas as peles que estavam na carroça. O homem entra novamente no armazém e retorna com um saco de moedas, isso era o pagamento pelas peles que se tornariam as roupas de inverno, que começa logo.
Pouco mais à frente, Andrei para a carroça e amarra os cavalos próximo dum restaurante chamado "Hanu Burtei (pousada da barriga)", que é relativamente grande.
- Eu também conheço o dono daqui. Já que somos vários, podemos pedir um desconto. Explica Andrei.
Todos descem e entram. Lá veem-se garçonetes em roupas tradicionais de Muntenia com decotes chamativos. Ao sentarem-se à mesa, Andrei pede o cardápio.
- O que vão querer? Este lugar tem tudo do melhor da Dácia. Pergunta Andrei.
- O que devo pedir? Cochicha Hinata no ouvido de Loredana.
- Eu vou querer um pouco de… Loredana fita o decote da garçonete
Hinata cessa a fala de Loredana pisando em seu pé.
- Nós já temos desconto sem a sua ajudinha. Diz Hinata a Loredana começando a ficar inquieta.
- Pode ser trei mititei* para cada um com mămăligă** e água para beber, vă rog (por favor). Diz Loredana com frustração.
Andrei faz o pedido. Em pouco tempo duma espera silenciosa na mesa, chega a comida bem quente. Loredana saboreia-a com muito prazer enquanto Hinata mal a conhece e estranha o seu gosto. Jaguar come rapidamente sem etiqueta alguma.
- O que vocês falam depois da comida mesmo? Pergunta Hinata a Loredana em voz baixa.
- "Sărut mâna pentru masa".
- "Saruto mina pento masa". Hinata solta seu sotaque e teme que Andrei suspeite de algo.
Andrei apenas dá uma risada, mas não comenta nada. Pouco depois Andrei e Loredana terminam e agradecem pela refeição, mas Jaguar, que foi o primeiro a terminar, não disse nada.
Andrei pede a conta e pede que chamem o dono do restaurante. O Dono vem vestido elegantemente com uma calça social, camisa branca e gravata borboleta. Os dois, Andrei e o senhor, matam as saudades um do outro numa longa conversa contando sua trajetória na carreira de quando não se viam. Andrei já logo pede um leve desconto na comida e o dono diz que tudo vai de graça, mas Andrei recusa-se a não pagar nada a um amigo, além do mais, acabara de receber uma quantia generosa do armazém da cidade. É então que o senhor sugere:
- Pois vejamos, se você veio até aqui a cavalo, eu lhe dou uma carroça nova, coberta, com adereços para os cavalos e tudo. Então você me paga somente a conta da comida, bine (certo)?
- Seja dito e seja feito. Concorda Andrei.
- Crianças, esperem-me aqui enquanto eu vou com o meu amigo. Completa.
Andrei e o senhor saem do restaurante por um tempo para escolher a carroça ue justificaria o preço sem vantagens para ninguém.
Enquanto isso, o trem onde estava o trio chega a Berlin na União Germano-Polaca. Num lugar isolado onde os piratas recebiam os minérios está um comparsa de Vladimir esperando. Ele vê a porta do vagão aberta com ele vazio e pega um telefone.
- Privet (alô), Vova? Moj drug (meu amigo), as crianças não estão no trem, ele vinha neste caminho mesmo? Perguntou o homem.
- Chto (o quê)? Como me dizes que eles não estão aí? Deixaram-nos escapar? Não creio que já não posso confiar nesses homens. Responde Vladimir claramente sem nervos.
- Se eles saltaram do trem, provavelmente morreram na própria fuga e, se sobreviveram, não duraram muito neste continente. Retruca o comparsa.
- Eu não posso confiar em "se". Mande os homens procurar por uma nipônica e um pindoramense na faixa de 18 anos em todas as vilas e cidades perto dos trilhos. Ordena Vladimir.
Os piratas passam-se por detetives e interrogam a todos que podem em busca de criançar com as descrições, mas demoram a encontrar, principalmente pela região súdica de Petrograd ter uma mínima densidade demográfica e vilas distantes umas das outras.
Já no restaurante, volta Andrei com um sorriso no rosto e chama o trio:
- Venham, a comida deixou vocês lerdos?
Todos saem do restaurante e admiram a nova carroça. Ela é maior, tem cobertura, rodas emborrachadas na borda e mais firmes, noma atrelagem nos cavalos, que estão cheios de enfeites chamativos. Andrei paga feliz da vida e o grupo sai pela cidade. Pouco depois já param noutro armazém.
- Esta mercadoria não precisam levantar, apenas aguardem um instante.
Andrei entra no armazém e volta com duas caixas de madeira. Coloca-as atrás da carroça e sai para o caminho ao longo do rio Buzău*** dieção ao Siret****. Andam um longo caminho sem parar em mais nenhuma vila. Andrei para a carroça perto do rio e diz:
- Com esta nova carroça não precisamos parar para dormir e nem posso deixar essa mercadoria em qualquer lugar, há muito risco de ser roubada. Explica Andrei.
Ali mesmo, dentro da carroça, dormem as crianças, e lá fora Andrei arma a sua própria barraca para poder vigiar seu veículo.
Durante a noite, levanta-se Loredana e abre uma das caixas de mercadoria silenciosamente. Lá encontra garrafas de Pălinca*****. Apanha uma com um sorriso malicioso no rosto e é parada por Hinata.
- O que você está fazendo? Não precisamos disso, isso é dele. Fala Hinata com a voz baixa.
- Quem disse qu'eu ia consumir? Responde Loredana sinicamente colodando a garrafa de volta na caixa.
- Estou de olho em você! Afirma Hinata.
Todos voltam a dormir para estarem bem em mais um dia de viagem.
Num mosteiro de Oltenia, próximo dos trilhos que cruzavam os cárpatos chega um homem vestido como detetive e, inclusive, com uma insígnia de investigador. O homem pergunta por crianças de fisionomias nipônica e pindoramense. O monge explica-lhe que chegaram duas crianças há cerca de uma semana e que partiram com uma moldávia que trabalhava no mosteiro, mas que desconhece para onde iam.
Notas finais
**Mămăligă é uma comida tradicional romena conhecida como polenta no ocidente.
***Buzău é uma grande cidade da Romênia e também o nome dum rio da região.
****Siret é um rio muito importante para a região de Moldávia, na Romênia.
*****Pălinca é uma bebida destilada muito forte romena. Sua variação mais forte é bebida na Moldávia. Ele tem entre 45 e 60 graus de álcool.
Para o caso de haverem dúvidas eu vou explicar. O povo europeu é um pvo que bebe muito, principalmente vinho e cerveja, mas, diferente do que estamos acostumados a lidar no Brasil, a bebida é uma tradição, e não motivo de baderna. Fiz a personagem Loredana como grande bebedora porque a região de Moldávia na nossa Romênia e o próprio país Moldávia (região de Basarabia, ou Bessarábia) são grandes consumidores de álcool.
Aos que não bebem, não incentivo a beber. A bebida é tradição em várias culturas como degustação e celebração. Aos que bebem, apenas peço que bebam com moderação.
Enfim, têm gostado da aventura? Eu gosto de estórias lentas, então me avisem se eu for devagar demais no caminho do nosso trio.
Obrigado por acompanhar a minha fanfiction.
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