A Fuga Carpática
8 Demeter
Notas iniciais
De manhã, Andrei se desperta junto com o sol e vai lavar o rosto no rio ao lado. Pouco depois, sai da carroça Jaguar.
- Neste tempo não acho que posso banhar-me no rio de manhã. Passarei frio. Comenta o jovem.
- Você gosta de banhar-se no rio, é? É gostoso no verão, mas logo vem o inverno. É melhor, inclusive, você vestir-se melhor. Responde Andrei.
- Eu não acho roupas muito comfortáveis. Retruca Jaguar.
- Não se preocupe. Eu dou uns bons agasalhos pra você. Tem que cuidar da saúde. Disse Andrei.
Da carroça, saem Hinata e Loredana conversando em voz baixa. Andrei e Jaguar as saúdam.
- Vai demorar até a próxima cidade, domnuli (senhor) Andrei? Interroga Loredana sonolenta ainda.
- Hoje mesmo chegamos a outro ponto comercial meu. Se conseguir lucro, passamos a noite confortavelmente numa hospedaria, bine (certo)?
As meninas lavam os seus rostos e, então, todos sobem na carroça e seguem o leito do rio. Por toda a manhã viajam sem comer nem parar. Por volta do meio-dia todos já estão passando fome. No meio da tarde, chegam a uma pequena cidade, mas não uma vila. Há menos tavernas e comércios do que na anterior, mas tem movimento. Parecia ser uma importante ligação entre centros econômicos, isso deve-se também à localização perto do rio.
Andrei para a carroça e amarra os cavalos próximo a um bar&restaurante. Sem dizer nem pedir nada, desce da carroça e leva as caixas lá dentro. Volta feliz dizendo ao trio:
- Este é um ótimo restaurante da região. Eles têm as melhores comidas e bebidas. Eu sou um de seus grandes fornecedores porque viajo o país e trago o melhor do menu deles. Explica Andrei exibindo um saco de moedas.
- Com isto, podemos passar a noite numa boa hospedaria e ainda ter lucro. Adiciona Andrei feliz.
A carroça segue pela cidadezinha até uma pensão. Andrei amarra os cavalos e vai à recepção checar a qualidade do lugar, mas logo volta e sugere que procurem outro lugar melhor. Perto da saída da cidade, há uma edificação branca e de bom aspecto com as escritas "Hotel Dimitrie". Andrei novamente amarra os cavalos e vai à recepção, porém, desta vez, volta feliz dizendo:
- É um bom lugar. Tem serviço de quarto, café da manhã, janta, um bar e um bom preço. Diz Andrei propondo ficarem no lugar.
- Vamos dar uma olhada. Sugere Hinata.
Todos descem e entram no tal hotel. Logo na recepção, Loredana fita com maus olhos a moça que atende, de cabelos morenos longos e com um laço vermelho, batom rosa e roupa social.
- Eu gostei do lugar. Disse Loredana a Andrei.
- Seja dito e seja feito! Ficamos no hotel. Andrei aceita a ideia.
- Já é bom termos um lugar cômodo para dormir, mas não é bom decidir assim. Disse Hinata a Loredana.
Cada um pega a sua chave separadamente e sobem as escadas. Os quartos ficam todos no último andar e próximos. Seus quartos contam com uma cama de casal bem macia, um armário com cobertas e cabides, banheiro com banheira e chuveiro, uma janela com vista para a cidade, piso de madeira, lustre para iluminar e aquecedor.
Depois de verem os seus quartos, o grupo desce e fica no bar&restaurante do lugar. Eles logo são atendidos e recebem a carta.
- Então, Loredana, sem brinncadeira. O que devo pedir? Sussura Hinata para Loredana.
- Vamos precisar de gordura para passar o inverno. Que tal um Goulyás*? Sugere a jovem.
- Foarte bine (muito bem)! Que seja Goulyás. Concorda Andrei neutro.
Andrei chama um garçon e faz o pedido e inicia uma conversa a fim de evitar os comuns silencios do trio.
- Vocês dormiram bem na carroça? Interroga o homem.
- Sim, sim. No começo não achei que fosse confortável, mas pude dormir bem. Responde Hinata.
- Eu acordei bem descansado! Adiciona Jaguar.
- Ah, sim. O da Loredana eu já sei, mas quais os nomes de vocês? Indaga-se Andrei.
- Este menino é o Răzvan Munteanu e a garota é a Miruna Munteanu. São irmãos. Mente Loredana cobrindo a identidade do par.
A comida chega bem quente. As crianças, que passavam fome desde que estavam na estrada, come em poucas colheradas toda a sopa.
- Você não pediu vinho? O que você tá querendo? Cochicha Hinata no ouvido de Loredana.
Loredana faz um sorriso malicioso, mas não retorna a pergunta.
Depois de comer, Andrei chama novamente o garçon, mas não pede-lhe a conta.
- O que vão querer de dessert (sobre-mesa)? Propõe Andrei.
- Eu estou cheia. Comenta Hinata.
- O que é isso? Interroga em voz baixa Jaguar a Loredana.
- Comamos um Tiramisù. Responde Loredana.
Andrei então comanda a sobre-mesa que chega, naturalmente, mais rápido. Jaguar começa devagar, sem conhecer o que era o tal Tiramisù, mas o termina bem satisfeito. Já Loredana o come com mais etiqueta e também se satisfaz. Andrei retira-se para o quarto com a explicação de que deve estar descansado para os negócios de manhã.
- Agora podemo' brincar! Afirma Loredana enquanto retira uma garrafa de aguardente de ameixa de sob o chapeu.
- Você paça o estrago que quiser, eu não terei minha parte nisso! Hinata sobe as escadas ao seu aposento.
- Băiete (rapaz), não quer tentar? Loredana oferece a Jaguar.
- Essa água é tão diferente assim? O menino se deixa levar pela aparência d'água da bebida.
Loredana dá-lhe uma dose.
- Por que alguém faria isso com a água? Comenta o jovem com a garganta queimando.
- Ocê s'acostuma. Tenta mais outra! Loredana quer testar o menino.
Jaguar bebe poucas doses, mas o suficiente para por-se claramente alterado. Loredana, acompanhando-o, bebe um pouco também. Essas doses de Loredana acabam com toda a garrafa e ela põe-se levemente alta, ainda menos do que o rapaz iniciante.
- Dieși (então), o que oxê penxa da, hic, Hinata? Loredana começa a brincar com ele.
- Ixo é muito vago... Ela deixou-me acumpanhá-la depois que perdi minha caravana... Responde ele inocente e tonto.
- Oxê é, hic, xem graxa... graça... Hic. Óia, Eu acho, humildemêntchi, que oxês daria um bão casarr... Loredana tenta maliciar a conversa.
- Poix a primeira coija que ela me dixe foi que eu não era o tchipo dela.
- Oxê bebeu demaix, vou te levar pro seu quarto, hic. Loredana o acompanha subindo as escadas, mas retorna ao bar.
- Que mau, acabou-me a bibida... Loredana Frustradamente comenta para si.
- Quem dixe que eu preciso embibidar exax moxax do hotel pra goxtarim de eu? Completou.
Loredana dexe ao bar novamente e, ao invés de comandar, manda cantadas às garçonetes. Todas a rejeitam e sugerem-lhe que volte ao seu aposento, mas Loredana, alterada, não se deixa levar pela derrota e continua ali até cair no sono.
- Lola? O que houve? Você está bem? Hinata desceu as escadas preocupada com a parceira.
- Shou ga nai yatsu (você não tem jeito)! Comenta Hinata e a leva até o quarto para não despediçar a noite.
Todo o grupo dorme uma boa noite, com a excessão de Loredana, que, novamente, acorda com mal-estar. Andrei passa na porta do quarto do grupo avisando que logo estará na carroça esperando-os. Hinata sai e vai, primeiramente, à porta de Loredana.
- Lola? tá aí? Abre logo. Diz Hinata batendo na porta.
- Hmm? Que foi? Loredana extremamente sonolenta.
- Vamos lá tomar um café. Não educado que você pareça que dormiu mal num hotel tão caro. Hinata preocupa-se em dar boa impressão.
As duas meninas descem até o bar e tomam do café mais fraco**. Jaguar levanta-se em seguida e vai até a carroça.
- Andrei-jara (senhor), está ficando frio. E os casacos que você ofereceu-me? Jaguar não era preparado para o frio.
Andrei, generosamente, dá-lhe roupas de frio bem grossas. Logo depois, vêm as meninas, agora Loredana com boa aparência, mas sonolenta. Todos sobem na carroça e saem à estrada, onde vê-se uma imensa plantação de uvas imediatamente após a cidade.
- Você deve ter se divertido ontem. Comenta Hinata alegrando-se do mal de Loredana.
- Por que elas num gosta de eu? Eu sou de Moldova, a melhor parte da Dácia! Loredana ainda frustrada.
Notas finais
**a cafeína é melhor absorvida com mais água, então, tecnicamente, o café aguado é melhor para despertar do que o forte, como costumamos tomar.
O que acharam? Eu quero focar mais nas personalidades das personagens, será que se sente isso? Se faltar ou sobrar algo na estória, podem mandar sugestões!
Muito obrigado por ler a minha fanfiction!
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