A Fuga Carpática

3 A Viagem Carpática


Jaguar e Hinata estavam tão exaustos que nem acordaram com o raiar do Sol ou o canto dos pássaros. Por volta das dez horas um papagaio pôs-se a comer goiabas duma das árvores que sustentavam a inim do garoto e derrubou a parta da fruta que não lhe importava nele acordando-o assim.

O garoto levanta-se assustado do sono pesado e olha pra cima. Quando vê a ave pega goiabas da árvora para jogar nela. O papagaio faz um escândalo que acorda também Hinata que estava na barraca.

A menina sai ainda com muito sono e olha para Jaguar tacando as frutas.

- Mas o que é isso, garoto? Não ataque a pobre ave. Se quer que ela se vá, seja menos violento. Reclama Hinata que foi tirada do seu sono.

- Aquele ajuru despertou-me enquanto comia goiabas. Retrucou Jaguar.

- Isso não é motivo nenhum. Responde a garota enquanto dá um empurrão em Jaguar.

- Você também está sendo agressiva, Hina! Afirma o menino.

- Isto foi dif... A fala de Hinata é barrada quando a ave defeca em cima dela.

- Anta no sei de (é culpa sua)! Terei que lavar-me, já.

- Eu banho-me toda manhã indiferente disso. Sinto-me mais limpo e me dá energias para um longo dia. Responde o menino seguindo ao caminho do rio.

A menina anda até um lugar mais separado do rio e amarra uma corda a duas árvores. Despe-se e põe a roupa na corda. Os dois banham-se separadamente ainda na mesma atmosfera fria do dia anterior.

Em poucos minutos os dois saem da água. Hinata se seca e veste as roupas enquanto Jaguar apenas apanha do chão suas armas e leva a inim nas costas.

- Você não passa calor? Por que cobre-se tanto? Interroga o menino.

- Que pergunta é essa? EU devia perguntar o porquê de VOCÊ não vertir-se! Retruca Hinata.

- É muito mais confortável assim.

- Hmpf! O meu corpinho não é pra ser visto por qualquer um! Afirma a jovem.

- Pois quando encontramo-nos ontem eu pude ver o seu corpo. O que há de especial e diferente? Está com pereba? Continua Jaguar a interrogar.

- Você é muito ousado! Ontem foi diferente. Mas o que foi? Você gostou tanto assim de mim? Responde a menina já nervosa.

- As garotas da minha tribo caiçara são mais bonitas. Quem sabe com penas e urucum você explore melhor sua beleza?

Hinata não responde e fica claramente vermelha e alterada.

Ainda no caminho do rio os dois seguem rumo ao norte à procura de piratas. Em um ponto, os dois podem avistar do outro lado do Ykatu um grupo de brancos, provavelmente piratas.

- Deveríamos atravessar. Se fizermos uma Ygara (canoa) poderão ver-nos. Diz Jaguar.

- Então nadamos dissimuladamente até lá. Sugere a garota.

- Não conheço este rio tão bem quanto o Juqueriquerê da minha região. Pode ter peixes perigosos ou outros bichos. Afirma Jaguar.

- Você não tem Yuuki (coragem)?

- Yuuki? Pergunta o garoto sem entender.

- Yuuki. Sua vontade não é maior que o seu medo?

- Ah, Piaguaçu (coragem, grande coração)! Claro! Tenho o coração dum Jaguar!

Os dois entras discretamente na água e tentam passar o máximo de tempo submersos para não serem vistos. bem devagar chegam ao outro lado, mas já não havia nada nem ninguém lá.

Repentinamente dois homens põem sacos nas cabeçar de cada um e os leva para algum lugar misterioso. Quando lhe tiram os sacos, os dois estão numa sala fechada e, amarrados, incapazes se sacarem flechas ou tiros de revólver. Também há um senhor de terno careca e com um tapa-olho branco no olho direito.

- Então são estas as crianças que venceram meus homens? Novos e fortes. Por que estão do lado errado? Diz o homem num tom de desaprovação.

- Vocês formam um belo casal. Ficaram aqui juntos até decidirmos o que fazer com vocês. Ah, e, se estão curiosos, o meu nome é Nikolaevich, Vladimir Nikolaevich, mas, vejamos, temos uma relação tão entrosada. Chamem-me de Vova. terminou o homem.

Vladimir deixa a sala e tranca a porta. Os dois tentas levantar para ir até ele, mas estão com os braços nas costas amarrados um ao outro.

- Para de mover-se e deixe-me ver essa fechadura, Jaguar-kun. Manda Hinata.

- Não seja mandona. O meu morubixaba (cacique) está bem longe e já tenho mais de uma dúzia e meia de estações chuvosas para poder mandar em mim mesmo. Retruca o menino levemente nervoso.

- Isto não vai muito longe que estivermos os dois alterados. Ochitsukeyou (acalmemo-nos). Temos que fazer o mesmo caminho até a porta e colaborar. Sugere Hinata.

Os dois andam bem devagar até a porta. Hinata tenta abri-la com seus grampos de cabelo mas os quebra. Ela tenta a noite toda com os grampos quebrados e cai no sono junto a Jaguar. Os dois dormem ali mesmo.

De manhã, Vladimir entra na sala dizendo:

- Privet, moi druz'ja (Olá, meus amigos)! Saúda o senhor.

Dois homens levantam os jovens e os levam para um jatinho com as escritas "Neue Welt Mineralien". Ainda adormecidos sem saber de nada, os dois seguem numa viagem até proximidades de Irkutsk.

Chegando numa pista de pouso secreta ao sul do império de Petrograd. Os dois acordam quando se abrem as portas para que sejam postos num trem. os dois demonstram uma grande resistência mesmo que sejam violentamente agredidos pelos comparsas de Vladimir. Então forçam que tomem calmantes comprimidos e os dois caem novamente em sono profundo. São colocados num vagão sem conforto algum dum trem sem identificação. No caminho turbulento os dois acordas novamente, mas com o balanço do veículo, mas conseguem chegar à porta para tentar uma fuga. Os dois não faziam ideia do quão longe estavam e que provavelmente não conseguiriam sobreviver ou encontrar o caminho de volta em tal situação.

Notas finais
Que aventura. O que será que os dois ainda enfrentarão? Isso é um segredo bem guardado que também é uma explicação do título da fanfic. Pronto, falei demasiado. Têm gostado da estória? Sugestões são muito bem vindas. Eu tenho ideias, mas o objetivo é agradar e surpreender.
Muito obrigado por ler a minha fanfiction.