A Fuga Carpática
4 O Relevo da Sorte
Notas iniciais
Boa leitura!
O caminho do trem dos piratas é desconfortável e turbulento. O balançar dos trilhos não ajuda que cheguem à porta.
Onde já se pode ver pelo vão da porta uma paisagem de urbanização, os dois nem começam a pensar em que lugar estariam e se seria uma boa ideia mesmo fugir do trem.
Entrando em Voievodatele Dace Unite (Principados Dacos Unidos), o trem segue perto duma plantação de uvas por um relevo mais plano. No horizonte se veem montanham altas com neve no topo.
- Que engraçadas as montanhas brancas. Comenta Jaguar quebrando o longo gelo.
- É claro. Tão altas assim. Com certeza tem neve o ano todo lá. Responde Hinata num ar neutro.
- Neve? O que é isso?
- Ah, sim. Você nunca viu a neve. Não sabe o que perdeu de brincar nela. Comenta a menina puxando boas memórias.
- Oh, você quer dizer que estamos no Grande Império Inca? Disseram-me que eles têm grandes montanhas brancas no topo. Mas não sabia que haviam tantos Karaís (brancos) por aqui.
- Brancos? O que você disse?
- Isso. Gente branca. Mais atrás vi grandes aldeias com muita gente branca nelas.
- Kowai (com medo). Estou começando a temer o que há no fim do trilho. Diz Hinata encerrando a conversa.
Com o trem balançando menos, os dois chegam devagar perto da porta. Com pouca distância, começam a chutá-la. Mas fazem muto barulho e cessam instantaneamente recolhendo suas pernas e fechando os olhos.
Entra um homem bem branco, quase albino, no vagão como se procurasse um bicho. Olha pros dois jovens e pros cantos do lugar. Não vê nada de estranho e volta pra locomotiva dizendo ao maquinista para por menos carvão que fazia ruídos duvidosos.
Quando o homem sai, os dois decidem empurrar a porta com força, porém sem dar nada nos ouvidos dos vilões. Jaguar vê uma barra ligando as duas portas. Quando tenta chutá-la o trem entra nos montes Cárpatos e o jovem perde o equilíbrio. O par continua tentando forçar a barra para abrir a porta, mas mal conseguem alcançá-lo. Já em Oltenia (região da Dácia), o trem passa por uma curva que faz com que a barra salte e a porta se abra. Os dois ficam à beira duma queda.
Os trilhos avançam para uma descida dos montes e os dois aproveitam para impulsionar-se para a saída e caem rolando os montes em direção a um mosteiro com duas grandes colunas em espiral, o mosteiro de Argeș na Oltenia.
Parando de rolar, o par segue até uma árvore e tentar abrir as correntes com o galho, mas todos os galho que encontram quebram. Sem saída, os dois vão até o mosteiro curioso. Um monge os avista da porta e vai até eles perguntando
- Bună ziua (Olá)! Os jovens precisam de algo?
- Onegai (por favor), livre-nos desta corrente! Implora Hinata.
- Stați (esperem) que vou pegar uma ferramenta. Responde o homem que voltou correndo ao mosteiro.
O monge desfaz a corrente com um pé de cabra velho e os leva para dentro.
- Querem chá? Têm fome? sede? sono? Interroga o homem.
- Primeiramente nós precisamos saber onde estamos, senhor. Fala Hinata desesperada.
- Vejo que não são daqui pela fisionomia. Estamos no mosteiro Argeș na Oltenia, Voievodatele Dace Unite. Estão visitando? Quem deixou vocês acorrentados?
- Bom, pra come...
- É uma longa estória, demasiadamente longa. Diz Hinata cessando Jaguar.
Na sala entra uma garota da mesma idade dos dois protagonistas de cabelos ruivos, olhos verdes e vestindo uma roupa tradicional de Moldova (Moldávia).
- O Doamni Zamolxis! Ocê é Pindoramense, é? Pergunta a menina com sotaque Moldávio sem nem saudar
- Isso são modos, Lola? Fala o monge à menina como represália.
- Scuzi, domnuli (desculpas, senhor).
- Sou de Pindorama, sim, senhorita. Sou caiçara. Responde Jaguar sem ligar para os modos da garota.
- Îmi pari bini (muito prazer). Eu sou de Moldova, mas estou ajudando aqui no mosteiro. Responde a jovem com um sorriso.
O par bebe um chá de menta enquanto conversa com a nova amiga sobre o trabalho dela no mosteiro e Hinata tenta não falar nada da briga contra os piratas. Os dois se despedem, agradecem pela hospitalidade e seguem para fora do mosteiro.
- Staț' o le'cî (esperem um pouco)! Pra onde ocês vão? Não querem ficar? Temos quartos livres. A casa é simpres, mai a gente tentamo’ ajudar. Diz a nova amiga querendo saber mais sobre os dois.
- Nós temos que voltar pra briga contra os piratas de minérios. Eles nos cap...
- Nós temos uma vida ocupada, é só isso. Novamente Hinata corta a fala de Jaguar.
- Ocês luta contra os pirata? Deixa eu ajudar! Eu também quero ser mais útil do que esquentar a água do chá. Pede a menina moldávia.
- Vamos conversar um pouco. Propõe Hinata com um olhar desaprovador a Jaguar.
- O que você sabe sobre os piratas, senhorita? Continua Hinata.
- Eles quer trocar o nosso praneta por dinheiro.
- Você sabe o quão perigoso é esta missão? Hinata ainda não se sente aberta à ideia.
- Eu posso ensiná-la a lutar. Eu posso fazer do mesmo jeito que fizeram quando treinavam-me os iluministas. Sugere Jaguar.
- Mas você é um menino, Jaguar. Retruca Hinata.
- Você é menina e foi muito boa no dia em que te vi na mina. Responde Jaguar.
- Mou! Faça como quiser, só não atrapalhe. Diz Hinata nervosa encerrando a conversa.
- Eu posso ir, é? Pergunta a nova amiga.
- Claro, venha conosco. Amanhã começamos o treinamento. Diz Jaguar alegre com uma nova parceira.
- Ocê é Jaguar, é? Meu nome é Vasile, Loredana Vasile, mas pode me chamar de Lola, tá?
- Xé orubeté ndé kûaba resé (Muito prazer em conhecer)! Chamo-me Jaguar como o felino sul-americano. Sou filho do grande Paraguasu com a belíssima Amana.
Notas finais
Tenho aumentado o uso de palavras específicas da cultura de cada personagem, vocês gostaram disso ou acham que ficou meio confuso? Eu falo bem todas essas línguas e gosto muito delas, então não sei o quão estranho pode ficar.
Este capítulo ficou meio longo, mas eu queria apresentar a nova personagem logo!
Muito obrigado por continuar lendo a minha fanfiction!
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