A Força do Amor

7 A Descoberta do Amor


Notas iniciais
Sexta-feira! Dia de novo capítulo e esse promete, queridos leitores. Como de praxe, agradecendo a galera nova que começou a acompanhar. Sei que tem bastante gente. Sejam bem vindos! Bem vindas também as minhas novas amigas, que comentaram essa semana. Boa leitura, queridos!

Kyara levantou-se naquela manhã com o pensamento no assunto da noite passada e deparar-se com a realidade de ter que partir em algum momento a deixou, estranhamente, desanimada. Legolas, por sua vez sentia uma inquietação, como se o cerco estivesse se fechando ao redor deles. Captava uivos ao redor, e olhos brilhantes e vermelhos, que forçavam a imensidão para alcançá-los.

— Teremos problemas... Pronunciou-se ele.

— Novamente aqueles asquerosos?

— Dessa vez será algo muito pior... Lobos estão no nosso encalço e logo nos alcançarão.

— Se são lobos posso controlá-los.

— Não esses lobos. São Wargs. Criaturas maléficas criadas desde o surgimento do sol e da lua nessas terras.

Legolas falou olhando em volta e forçou sua visão longe, mas nada pôde ver e continuou suas explicações, pensativo.

— Sempre estiveram a serviço do mal e virão com toda a fúria na nossa direção.

Ele pensava numa forma de escaparem dos Wargs, temendo, principalmente pela Kyara. O confronto com essas criaturas violentas seria arriscado demais. Sem perspectiva, suspirou. Definitivamente, já não sabia o que era ter paz.

Kyara notou que ele buscava uma alternativa de fuga, então, emparelhou os cavalos e tocou sua mão conseguindo a atenção dele.

— Temos um acordo, lembra-se? Não carregue tanta preocupação sozinho. Eu não temo o que vem pela frente e digo que poderemos vencê-los.

— Você não imagina o que são essas criaturas. Se o bando for numeroso não conseguirei protegê-la.

— Não preciso de proteção.

— O meu coração não pensa desta forma, Kyara... Ele virou-se para a imensidão... – Não me peça para ignorar minha natureza. Vivo nesse mundo há séculos e a herança de meus antepassados domina meu espírito. Nada posso contra isso, seja você quem for... Ele voltou seu olhar para ela e a encarou... – Não quero ofendê-la com minhas palavras, mas, o que vejo está além da sua aparência. Mesmo sendo destemida, forte e habilidosa, ainda é uma mulher, que caminha com a guerreira. Portanto, eu a defenderei a todo custo.

Kyara nada disse. As palavras dele fizeram o coração dela bater mais forte e a nobreza daquele ser a fez refletir. Pela primeira vez, desde que se tornara uma guardiã, sentiu-se deslocada como se tudo o que se tornara fosse, por um momento, estranho a sua natureza.

— Vamos! Mesmo contrariado, não temos outra opção a não ser seguir em frente.

Por fim Kyara se pronunciou... – Não posso deixar de ser uma mulher, mas isso não me impede de me defender, porque minha natureza também é guerreira, como você acertadamente disse... E levo na bagagem tudo que preciso: a motivação, as habilidades e as ferramentas para tal. Então não tema por mim.

Ele nada disse, mas seu coração não lhe dava sossego e temeu por ela.

Seguiram rápido rumo a Parth Galen. A trilha para chegar até lá passava por grandes encostas rochosas às quais se agarravam saliências, fendas estreitas e bosques de árvores retorcidas. Ele pediu para que não parassem até chegarem a um local mais seguro para acampar.

Já estavam no meio da tarde, seguindo a trilha sobre a encosta da montanha, quando Legolas avistou abaixo, a poucos quilômetros de distância, um bando de Orcs e suas montarias Wargs.

— Kyara, prepare-se!... Aproxima-se um grupo de Orcs e suas montarias. Esses animais são muito ferozes e hábeis. Atacam os cavalos com extrema violência e virão de encontro a nós.

— Vejo um bando, mas estão muito longe para saber quantos são. É melhor enfrentá-los desmontados. Vamos espantar os cavalos. Não quero perdê-los.

— Melhor não. Ficarão assustados e depois vai dar muito trabalho para recuperá-los.

— Não se preocupe com isso, eu os chamo de volta.

Legolas hesitou. Por fim concordou com ela e assim procederam. Logo que avistaram os dois, os Wargs uivaram e rosnaram furiosos, lançando-se a beira do precipício em alta velocidade. O arco de Legolas começou a cantar novamente e, um a um, caíam pelas encostas, rolando morro abaixo, ou atropelavam-se no terreno acidentado, matando também seus cavaleiros Orcs.

Cada grito medonho das criaturas Wargs era a certeza de morte, porque a precisão de quem lançava as flechas não deixava dúvida.

Muitos tombaram, antes mesmo de estarem a uma distância que os ameaçassem, mas, o bando era grande. Kyara lançava suas facas nos Orcs enquanto Legolas matava cada Warg que se aproximava dela.

O primeiro que conseguiu, Kyara lançou uma faca no peito do cavaleiro e, com um grande impulso, enterrou sua espada na garganta do lobo. Em seguida, virou-se numa manobra inesperada e golpeou a cabeça de outro lobo, que se aproximava quase a arrancando fora.

Um Orc tombado da sua montaria ergueu-se pelas costas da Kyara pronto para golpeá-la, quando Legolas lançou sua adaga, perfurando a criatura de um lado ao outro. Kyara, ao notar o ocorrido, encurvou, ligeiramente, a cabeça em sinal de agradecimento.

Mesmo envolvido no tumulto do ataque, algo não estava de acordo com o que Legolas já presenciara em outras batalhas. Os Orcs estavam armados apenas com espadas e a ameaça real era os Wargs, que se dirigiam vorazes para estraçalhá-lo. Entretanto, a ela, as criaturas agiam estranhamente na visão dele, acautelando-se no ataque. Não tinham êxito porque as habilidades dela os impediam de se aproximarem e cada um que entrava no círculo de combate dela, morria.

Quando o confronto já estava no fim, Kyara atingiu o focinho de um dos lobos e o ferimento o deixou alucinado, avançando sobre ela, repentinamente. Para não ser atropelada, agarrou-se as correias da montaria ficando por baixo do animal, que, cego na sua dor, a arrastou para o precipício.

Legolas gritou pela Kyara, mas tudo aconteceu muito rápido. Ele matou a última fera de pé e correu para a encosta. Do alto, via ao fundo o corpo do animal morto entre as pedras, mas não avistava Kyara em lugar nenhum. Gritou por ela e nenhum som chegou aos seus ouvidos. Então, cortou os arreios da montaria de alguns lobos e desceu o penhasco a sua procura.

Não precisou descer muito e logo viu a mão dela despontando entre as rochas mais abaixo. Descendo um pouco mais pôde vê-la caída sobre uma pequena saliência. O coração dele batia descompassado, temendo pelo pior e quanto mais se aproximava mais desesperado ficava.

Ao chegar, assustou-se com o rosto dela ensanguentado. Apreensivo, ajoelhou ao seu lado e verificou o pulso, constatando que estava viva. Os dedos estavam esfolados e lhe faltava uma unha no dedo anelar da mão esquerda. Provavelmente, arrancada quando tentou se agarrar as pedras. Ele acariciou seu rosto chamando por ela. Kyara começou a se mexer, gemendo baixo e abriu os olhos.

— Não faça movimentos bruscos, você pode ter quebrado alguma coisa.

— Se a minha cabeça não se quebrou, então o resto também não.

Ele não pôde deixar de esboçar um sorriso com o comentário dela e a abraçou, ajudando-a a se sentar recostada ao paredão.

— Ah!... Minha cabeça parece que vai explodir.

Gemeu ela, levando às mãos a cabeça e, acidentalmente, esbarrou o dedo sem unha nas pedras fazendo-a gemer ainda mais.

— Está ferida... Vou amarrá-la às minhas costas com essas correias e subirei com você.

— Não acha que sou muito pesada para carregar?

— Não! E mesmo que fosse não há outro jeito. Você caiu uns dez metros e a subida é difícil... Fazendo uma careta, ele continuou... – Se você se olhasse no espelho viria que não está em condições para um esforço desses.

Ouvindo as palavras do elfo ela tocou o ferimento na testa sujando a mão de sangue.

— O corte está muito feio?

Legolas examinou o corte com cuidado... – Apenas um galo enorme próximo à testa com um talho, que, aparentemente, já parou de sangrar. Seu cabelo esconderá o ferimento.

— Dos males, o menor... Kyara olhou para Legolas que a encarava inexpressivo... – Por que me olha assim com essa cara estranha? Estou ferida, não morta.

— Você teve muita sorte de não morrer.

— Eu sei... Perdoe-me o transtorno. Sinto-me péssima por meu descuido... E suspirou devagar... – Agora terá que fazer esse esforço todo por minha causa.

— Você quase morre e é com isso que está preocupada?... Perguntou Legolas, exasperado.

Naquele momento, ele não sabia se estava feliz com fato dela ainda estar viva ou furioso com sua teimosia em continuar se arriscando tanto.

— Já lhe pedi perdão, não pedi?... Se quiser discutir isso mais tarde, não me oponho. Estará no seu direito, mas agora minha cabeça dói demais para sermões. Sem contar que minhas costas estão acabando comigo, também... E Kyara reclamou de dor, tentando encontrar uma posição mais cômoda.

— Eu não vou discutir com você. Acho que já foi bastante castigada por hoje... Está pronta?

Respondendo que sim com a cabeça, ele a ajudou a levantar-se e procedeu como planejou. Ela o abraçou pelas costas e devagar começaram a escalada. Com muito esforço conseguiram chegar ao topo.

Legolas a desamarrou e a forçou a deitar-se sobre a grama por um instante.

— Como se sente?

— No momento está difícil até para falar... Respondeu Kyara soltando o ar devagar... – A pressão na minha cabeça está muito forte.

— Fique deitada e descanse um pouco.

Legolas ergueu-se e olhou em volta, tentando avistar os cavalos, mas nada encontrou. Também não viu nenhuma outra ameaça, no momento.

— Precisarei fazer um curativo nesse dedo e beber algo para aliviar a dor que sinto... Algo que cure minhas feridas... E começou a se tocar, sentindo ardência em vários pontos do corpo... – Devo estar toda esfolada.

— Temos que encontrar um lugar seguro para passar a noite... A má notícia é que nossos cavalos desapareceram.

— Ajude-me a ficar de pé, por favor. Ainda estou muito tonta para me levantar sozinha.

— Descanse mais um pouco.

— Não, estou bem. A pressão na cabeça já passou e as dores só vão melhorar se eu beber algum remédio... Vou chamar os cavalos e poderemos seguir viagem.

Legolas a ergueu, e, de pé diante dela a impediu de se afastar, levantando seu queixo para examiná-la com mais atenção.

— Estou bem. Arranhei-me tentando me agarrar as pedras e bati com a cabeça e as costas, mas nada que um curativo e ervas não resolvam.

— Tonta e dolorida como está, como pretende cavalgar?

Ela olhou para ele com um sorriso tímido no rosto... – Você me leva em seu cavalo? Se diminuirmos a marcha creio que posso suportar.

Encarando-a sério, Legolas suspirou. Ergueu uma das sobrancelhas descrente da condição dela suportar a cavalgada... – E tem outro jeito?... Dizendo isso ele se afastou e recolheu suas armas... – Vamos. Nós ainda não estamos seguros.

— Legolas!... Obrigada!

Ele a fitou por um segundo e esboçou um sorriso.

Kyara respirou fundo e fechou os olhos, concentrando-se nos animais que queria atrair. Legolas parou afastado dela, observando a grama agitar-se com o vento que circulava ao redor da Kyara e sua pele irradiar um leve brilho azulado. Em instantes ele ouviu Athos relinchar à distância, seguido de Arod e do outro cavalo.

Ao se aproximarem, ele os conduziu até ela. Abriu um dos baús e apanhou um pedaço de pano e água. Rasgou o tecido em tiras e ensopou uma delas. Com cuidado, limpou o sangue do rosto dela e o ferimento da cabeça.

— Sei que não tenho seu talento para curas, mas sua aparência está bem melhor agora... Ela lhe sorriu, tímida... – Dei-me suas mãos.

Legolas retirou com cuidado as luvas que Kyara usava e lavou as mãos dela, com os dedos esfolados. Enfaixou-as dando maior atenção ao dedo com a unha arrancada.

Kyara juntou as mãos enfaixadas levando-as aos lábios e Legolas a abraçou percebendo o quanto ela estava aborrecida.

— Está tudo bem. Não fique assim... Vamos seguir em frente. Abrigados, poderemos tratar das nossas feridas e descansar. Dessa vez é você quem vai beber aquele veneno horrível.

Ele se afastou alguns passos para segurar o arreio de Athos, quando Kyara viu uma criatura Orc erguida pelas costas de Legolas, com um instrumento de sopro na boca. Sem pensar em mais nada, atirou-se na direção dele e o empurrou para longe o derrubando entre as patas dos cavalos na mesma hora em que era atingida por espinhos no rosto e no pescoço.

Legolas avançou sobre o Orc e o matou, mas Kyara, em questão de instantes, começou a ver tudo rodando a sua volta e sentiu dificuldade de se movimentar. Ele correu na direção dela para segurá-la impedindo-a de cair. Deitou-a no chão colocando a cabeça dela em seu colo.

— O que houve?

— Fui atingida... Acho que esses Orcs pretendiam me levar com eles... A voz dela saía entrecortada, respirando ofegante. Não conseguia mais se movimentar, nem falar normalmente. Começou a tremer e, aos poucos, seu corpo paralisou... – Ajude-me... Preciso das flores amarelas... E calou-se tentando respirar.

Legolas correu até os cavalos para procurar a tal flor amarela. Como ela não conseguia se mover e já dava sinais de que iria perder a consciência, ele colocou em sua boca um punhado das flores e lhe deu água para que engolisse.

— O que faço agora? O que está acontecendo?... Legolas estava apreensivo.

— Fui dopada... O veneno... da flor... Minha... temperatura... Dito isso, desmaiou.

Legolas olhou em volta sem saber o que fazer. Precisava sair dali, urgentemente, encontrar um local seguro para cuidar dela e esperar até que ela pudesse recuperar a consciência. Amarrou as rédeas dos cavalos a sua sela, colocou Kyara em seu cavalo e montou por trás dela, deixando-a apoiada em seus braços.

Seguiu a trilha até descerem o desfiladeiro. Por sorte encontrou uma fenda na montanha que dava para uma lapa e ali montou acampamento. Preparou uma cama para Kyara com as peles, acendeu uma fogueira e ficou observando o comportamento dela. Soltou os cabelos dela, retirou as botas, a parca de couro, deixando-a de blusa e calça para mantê-la o mais confortável possível. Havia manchas de sangue na roupa, mas os ferimentos eram apenas arranhões.

Pelo que pôde entender, ela teria algum tipo de reação provocada pelas flores que comeu. A preocupação dela era com a temperatura do corpo, que até o momento estava normal e mantinha a aparência de quem dormia.

Legolas acariciou os cabelos dela, quando notou que a temperatura começava a subir. Ele encheu uma vasilha com água e com um pano aplicava-lhe compressas, molhando os lábios dela com pequenos goles. Logo Kyara começou a suar e tremer, demasiadamente. Mesmo molhando-a por completo a água não era suficiente para resfriar o corpo dela e a preocupação dele aumentou vendo a situação agravar-se à medida que o tempo passava.

O corpo da Kyara estava todo manchado com placas vermelhas e seus lábios pareciam brasas. Ela murmurava coisas sem sentido e se sacudia, muitas vezes trincando os dentes. Ele colocou um pano enrolado na boca dela para que o mordesse e continuou na sua luta inútil para baixar a temperatura. Algumas horas se passaram até perceber que, aos poucos, ela voltava ao normal.

Era noite quanto ele finalmente conseguiu estabilizá-la.

Trocou as peles molhadas e as roupas dela vestindo-lhe o roupão branco, e respirou aliviado. Contudo seu alívio foi breve. Pouco a pouco sua temperatura foi baixando e ela começou a tremer novamente. Seus lábios e dedos arroxearam, seu corpo gelou e seus batimentos cardíacos tornaram-se irregulares.

Ele aumentou o fogo, correu para os baús e procurou nas roupas dela algo que a aquecesse. Encontrou um casaco escuro, pesado e comprido, adornado no capuz e nas mangas com um pelo macio acinzentado e a enrolou nele, ficando abraçado a ela, mas não adiantou. Seu sangue parecia ter se congelado. Já não conseguia sentir o pulso, ou o coração dela. Uma mancha arroxeada se formou ao redor dos olhos e seus lábios ficaram negros. Seu rosto havia perdido completamente a cor, dando-lhe uma aparência cadavérica.

Desesperado esfregava os braços e pernas tentando aquecê-la, mas nada adiantava.

Ele a estava perdendo.

Sem recursos e sem saber o que fazer tomou uma medida drástica. Retirou suas roupas e a dela e a abraçou, novamente, enrolando-se no casaco e nas peles de ovelha. Vendo a vida dela se esvaindo, lentamente, implorou aos Valar para que transferissem um pouco do seu poder para ela.

E assim se manteve abraçado a ela noite adentro.

O calor do corpo dele aos poucos a aqueceu e embora fosse muito fraco, quase imperceptível, sentiu o pulso dela novamente. Depois de um tempo ele acabou adormecendo abraçado a ela.

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Kyara despertou na madrugada sonolenta, sentindo-se muito tonta e fraca. A fogueira ainda estava acesa, mas não conseguiu distinguir as coisas a sua volta, notando apenas que estava abraçada a Legolas, com a cabeça apoiada em seu ombro.

Ela inclinou a cabeça para trás e deparou-se com a imagem turva do rosto dele. Piscou várias vezes tentando enxergar melhor até conseguir vê-lo com nitidez. Ele sorriu e tocou seu rosto. Ao sentir o toque da mão dele, ela sussurrou seu nome e devolveu o sorriso.

— Durma. Eu a protegerei de todos os perigos e cuidarei de você... Sua voz terna a acalentava... – Durma.

Sustentando um sorriso fraco ela o abraçou e repousou novamente a cabeça em seu ombro, aconchegando-se ainda mais e dormiu quase que instantaneamente.

— E pensar que, por duas vezes, quase a perdi... Sussurrou Legolas acariciando o rosto pálido da Kyara.

Ele mesmo se sentia esgotado com todos os acontecimentos, mas, a felicidade que sentiu quando constatou que estava viva depois de cair naquele penhasco e, ao vê-la acordada em seus braços, mesmo com o semblante muito abatido, após todo o desespero pelo qual passou temendo perdê-la, o fez entender que toda a turbulência de sentimentos e dúvidas que vivia desde que a conhecera resumia-se a uma única palavra: Amor!

Ele a amava com todas as forças do seu ser.

Nas poucas vezes que pensou sobre o amor foi de uma forma tão serena que agora se assustava com a força desse sentimento. Vendo-a em seus braços, tão bela e tão frágil, seu coração disparou. Queria protegê-la, mantê-la sempre assim junto de si, ser seu abrigo, sua luz e desejou que esse momento não terminasse.

Nunca havia experimentado uma sensação tão maravilhosa como aquela: sentir o contato daquele corpo quente e macio junto ao seu, e contemplar a imagem da mão dela de dedos longos e delicados, repousando suave e quieta em seu peito. Os cabelos da Kyara estavam enroscados no braço dele exalando um perfume floral. Legolas olhava para o rosto dela e via sua boca tão próxima. Desejou profundamente experimentar a maciez daqueles lábios cheios e perfeitos, sentir o seu gosto.

Ele fechou os olhos deixando-se divagar... – O que vai acontecer agora? Deixo-me levar pelo amor que lhe tenho tomando-a como minha esposa?... Era essa a vontade dele, mas o medo de assustá-la e perdê-la o fez recuar... – Ela havia deixado claro que retornaria a sua terra. Seguiria seu destino quando concluísse sua missão, e o amor não faria parte da sua vida... Não! Ela não é indiferente a mim.

De fato, não sabia o que se passava na cabeça dela, mas às vezes percebia um brilho no seu olhar quando a flagrava observando-o e o jeito tímido quando desviava esse olhar, o modo como o tocava quando fazia seus curativos. Algumas coisas, pequenas atitudes lhe davam esperança, no entanto, tudo poderia, simplesmente, não significar nada.

Como suportaria viver sem a presença dela?... Nunca imaginei conhecer alguém que me roubasse o ar e ao mesmo tempo me fizesse sentir tão vivo. Ela tem a delicadeza do orvalho da manhã e a força da tempestade, a fúria do mar revolto e a fragilidade de uma rara flor silvestre... Ele sorriu com seus pensamentos.

Legolas se viu desolado, sem rumo... – Se ela partirá, então será essa a tragédia da minha vida: morrer de tristeza por um amor impossível. Sim, porque não negarei o que sinto por esta mulher. Poderia esconder de todos, nunca de mim mesmo.

Ele a abraçou com mais força beijando-lhe a testa. Já não era mais o mesmo e sua vida nunca mais seria a mesma.

Notas finais
E aí pessoal, o que acharam? Depois daquela uma batalha e duas situações de risco real de morte para a Kyara, Legolas se deu conta que a ama. Espero seus comentários ansiosíssima. Beijocas para todos.