A Força D'um Amor (+18)

39 Capitulo XXXVIII A vingança um passo para a liberdade


Notas iniciais
Finalmente, chega um pouco de acção neste Tomo. Pedro decide fugir, e consegue.

– Mas que história é essa de ele não estar doente?

– Pedro fez uma grande asneira, engravidou uma rapariga…

– Quem? – Tomás deixa cair algumas lágrimas.

– A filha de uma actriz de Teatro, da Sónia Valentino, uma mulher de grandes escândalos que agora deixou o seu marido.

– E agora, se ele vai ser pai, então…

– Ele não pode ser pai. A criança não vai nascer. Tu tens que me ajudar…

– Como?

– Tu amas o meu filho, não é? Vais fazer com que ele se apaixone por ti, — os olhos de Tomás brilham – o resto deixa comigo.

– Mas o Pedro não me ama.

– Mas vai… Não te preocupes.

Pedro abre os olhos, parece-lhe impossível o pai se ter esquecido dele e não lhe vir dar mais nenhuma injecção. O quarto continua a parecer-lhe uma nuvem branca. No entanto, ele solta-se e levanta-se sem fazer barulho. Primeiro move-se até à porta do quarto, trancando-a e tirando a chave. Seguidamente, senta-se na cama com os pés no chão, abre a gaveta da mesa-de-cabeceira e procura algo lá dentro. Apalpa e encontra uma coisa grossa e gelada. Ele sorri e agarra esse instrumento, tirando-o para fora, e procura um interruptor. Massaja, acende uma lente ocular que irradia uma luz branca. Ele aponta para o chão de taco castanho, levanta-se e dirige-se para a casa de banho. Abre as portas de todos os armários por debaixo da bacia, procura frascos com soníferos e seringas. Põe a lanterna na boca e continua a sua busca sem sucesso. Posteriormente, senta-se em cima do tampo da sanita, desiludido consigo próprio até que obtém uma ideia. Resolve abrir o caixote do lixo, e encontra aí os frascos com um pó branco, bem como seringas.

Ele deita tudo em duas seringas e põe água. Agita e transforma-se em liquído. Sérgio nunca fora inteligente, e ele sabia-o bem. A seguir, deita tudo fora pelo ralo da banheira, lava os frascos e enche-os com pó talco, devolve os frascos ao seu lugar no caixote, devidamente fechados e regressa ao quarto já com as duas seringas cheias, deita-se na cama com os olhos abertos e fecha a lanterna. E coloca a mão sobre as seringas.

No primeiro andar, Sérgio sai com Tomás da biblioteca, ambos conversam:

– Então estamos entendidos, não é, meu bom rapaz? – Sérgio bate no braço de Tomás.

– Sim, se no fim eu ficar com Pedro, sim.

– Ficas, claro que ficas, aliás, eu tenho a certeza absoluta que ele te ama!

Ambos sobem as escadas e a par caminham até à porta do quarto de Pedro. No seu interior, este suspende a respiração e acaba por fechar os olhos. A porta abre-se e um clarão entra no quarto. Sérgio deixa Tomás com Pedro e encaminha-se até à casa de banho, abre o caixote e agarra numa seringa. Enche com o que está nos frascos e coloca água sem reparar, agitando. Tomás passa a mão na testa de Pedro, com carinho.

Sérgio volta ao quarto e Pedro agarra nas seringas, uma em cada mão e, quando Sérgio o pica, ele pica-o de volta, a ele e a Tomás. Os dois ficam tontos sentem uma estranha sonolência, bocejam o corpo começa a ficar pesado e, por fim caiem na cama e adormecem.

– Vocês devem estar mais cansados do que eu!

Pedro levanta-se, abre a janela de seu quarto e salta para fora, a tarde ia agradável. Pedro andava tonto devido a ter tomado soníferos, um estranho sono apoderava-se dele.

Mia chega ao aeródromo de Lisboa rodeada da bagagem. Lino espera-a no aeroporto, vestida a rigor vai ao balcão para levantar a bagagem que vem no tapete as malas cor-de-rosa que são postas no carro de bagagem Mia empurra até há porta de embarque. Lino esticava-se no meio da enorme multidão para ver Mia e lá vem ela, entre muitos tripulantes. Olha para Lino, este segue-a com os olhos, sempre com um olhar meigo.

Caminha pelo corredor adiante até acabarem as fitas, depois sai fora de fitas e vai ter com Lino.

– Olá Lino, o papá?

– Olá menina Mia! Já tinha saudades suas…

– Oh Lino, eu fiz-te uma pergunta?

– Menina Mia! Saiba que o seu papá, o Doutor Rossi, não pode estar presente na sua chegada, ele teve que se ausentar.

– Para onde?

– Bom, isso agora não interessa.

– Interessa pois, eu quero que me digas o que é mais importante para o papá do que eu?

– Menina Mia! O seu paizinho anda a trabalhar de mais… foi, foi, foi.

– Para?

– A Rodésia, mas volta daqui a dois dias.

– Levas-me as malas?!

Ambos caminham para o carro, Mia à frente e Lino atrás abre a porta do carro a Mia. Esta entra, enquanto Lino põe as coisas no, porta-bagagens fecha-lhe a porta, e regressa dentro do aeroporto para ir arrumar o carro de ferro. Mia está triste, triste pelo pai não lhe dar o devido valor, e triste por Pedro nunca lhe telefonara conforme lhe prometera.

Pedro chega ao colégio e não sabia quanto tempo teria estado a dormir, sentia – se cansado, tonto acaba por se agarrar às paredes para não cair. Entra num portão, cujo pilar de pedra indicava Prestigie International School.

Pedro segue o caminho passa pelo segurança enquanto este está de costas, entra no caminho que dava acesso directo ao parque em frente do colégio e cai não tendo forças para se levantar arrastasse para lá das escadas de entrada. Na esperança de que alguém visse e o socorresse, porém ninguém passa. Já o colégio tinha fechado.

O dia começa por ficar lilás. O Sol desce no horizonte permanecendo cor de laranja, Pedro tinha sede mas uma enorme vontade de dormir quando um único esforço ele se consegue erguer, agarrado ao ombro, anda com dificuldade encontra um vagão de comboio abandonado nas traseiras do Prestigie e como estava bastante cansado deita a mão à pesada porta, uma força invisível ajuda-o a empurra-la o que a torna leve, ele entra no interior daquele pequeno e desconfortável espaço, e deitasse sobre o chão sujo, mas se calhar não tanto como ele acaba por adormecer.