A Força D'um Amor (+18)
34 Capitulo XXXIII – A Incessante Busca Parte II
Rita prime a tecla número cinco:
– Sim?!
– Firmino a Lisa está na linha sete. — Ele clica no número sete.
– Está? – Atende.
– Estou, fala a Lisa Valentino Scott!
– Lisa Valentino?! – Admira-se. Não era um hábito que Lisa telefonasse para as revistas – Como está?
– Bem obrigado! Ahm… – na verdade, Lisa não sabia como abordar o assunto.
– Diga?
– Queria a sua ajuda para um assunto.
– Lisa, diga que, naquilo que eu puder, a ajudo.
– Bom, lembra-se que há cinco semanas o Firmino fez uma reportagem na casa dos Silva Lobo? – Ele pensava que ela iria dizer para editar qualquer coisa – é que eu precisava da morada do Sérgio, se ma pudesse dar, agradecia.
– Para quê?
– Para quê? Para, para, para, para… ora como para quê? Para, para, para – tentava arranjar uma desculpa. – Olhe que sabe, eu conheço a Mafalda Soares, ela é a secretária do senhor vereador, sabe? Não é?
– Sei sim, mas diga-me para quê, necessita da morada?
– Ela e eu, eu e ela somos muito amigas. Ontem ela pediu-me para que eu entregasse uma encomenda na casa de Sérgio deu-me a morada, só que cabeça a minha! Eu não sei onde a pôs… Firmino dá a morada a Lisa.
***
Dora insiste em saber do paradeiro de seu filho.
– Sérgio, diga-me o que fez a Pedro, mas diga-me a verdade!
– Já lhe disse que o seu filho está em Itália com Tomás… – responde o vereador com um certo sarcasmo.
– Acho muito estranho. O Pedro nunca fez isto… de certeza que não me anda a esconder nada?
– Não insista mais, Dora! – Grita Sérgio. – Senão já sabe. – Ameaça-a. – Já reparou que estamos sozinhos, posso muito bem mata-la.
– O Sérgio não era capaz.
– Experimente, Dora!
As lágrimas dela começam a rolar pelas suas faces. Ela já não entendia o marido, o porquê de ele agir assim, daquela maneira. Muitas vezes desculpava-o pelos maus-tratos durante aqueles catorze anos, todas as noites que ele passava fora de casa ou quando ele voltava tarde porque, mesmo nunca esquecendo um grande amor, ela tinha a esperança de se sentir amada ao lado de Sérgio e acordar um dia e poder olhar nos olhos de seu filho sem lhe pedir auxilio.
*
Num hospital em São Paulo, uma filha e o seu pai esperam pela sua mãe e sua mulher que está a ser atendida. O enfermeiro coloca a agulha com a ponta aguçada na seringa, enquanto o assistente ata o braço com o garrote, e outro põe as luvas e o desinfecta com um algodão embebido em álcool. Agarra no membro daquela doce mulher, e espeta a seringa.
– Ai! – Reclama a mulher.
– Já está!
O enfermeiro levanta a proveta, deixando a seringa encher até à medida correcta para a análise.
– Pronto! Já está. – Informa-o a sorrir, levantando-se e dirigindo-se aos tubos de ensaio já previamente abertos. Divide o sangue em vários compartimentos, ao passo que o assistente limpa e desinfecta o braço da paciente e põe-lhe um penso.
Doutora Teresa Cristina levanta-se da cadeira, pega na mala e deita-a às costas:
– Agora? Qual é a minha próxima analise? – Inquire aquela triste e delicada mulher.
– Será mais difícil mais não é hoje, não!
Dr. Teresa sai do gabinete de enfermagem do hospital sorridente. Chega ao pé do marido e da filha:
– Vamo embora, por favor. – Declara enquanto põe os óculos de sol.
– Vamos. – Confirma João – que eu ainda tenho que passar no escritório, antes do almoço.
– Hum, hum.
Os três abandonam aquele hospital. Num cenário ternurento os três dirigem-se ao carro, que é aberto à distância e entram para os seus respectivos lugares. Marlisa segue atrás, João é o condutor e Teresa segue ao lado do marido.
João dá à ignição e mete a primeira velocidade. Todos seguem calados, Teresa olha através do vidro transparente do carro para a rua e vê famílias na rua, alegres com os seus rebentos. Um pai que faz cavalinho com o filho ainda bebé, uma mãe chega perto e pega no filho. Ela olha para João enquanto este conduz e sente-se culpada por nunca ter podido dar a João o prazer de voltar a ser pai. Auto reprime-se por nunca deixar que o seu marido fosse feliz à sua maneira e, agora quase que não tinha tempo para voltar atrás. Por mais esforços que João lhe fizesse para que se sinta amada, ela sabia que não era verdade, que João nunca a amou, e agora muito menos. Irá deixá-la. Será justo p’ra ele?
De repente, João pára o carro, retira a chave da ignição, e chama a mulher ao seu lado, que parece em hipnose.
– Mamãe, chegámos. – Chama Marlisa, do banco de trás, apressando-se a sair do meio de transporte. – Vá, – abre a porta do lado da frente e deixa a mãe sair. — Venha! Deixe o papai ir ao escritório… – auxilia a sua mãe a sair do carro.
Dr. Teresa abraça Marlisa e:
– Oh minha querida, você mi perdoe? – Pergunta a mulher sôfrega. – Me responda!
Marlisa fixa o olhar azul no pai, e este nela.
– O que há pára perdoar?
– Todos os momentos em que não a tratei bem, por todas as hipocrisias, por todas as meias palavras que não lhe disse… – abraça a rapariga.
– Qui é isso, agora? Mamãe…
As duas entram no prédio assim, abraçadas. Pareciam as melhores amigas do Mundo! João Pedro deixa as mulheres em casa.
– Prometo que não demoro, só vou lá para ver se a Dagmar dá contas das tarefas. – Informa ao dar um beijo de despedida na testa de Teresa Cristina e de Mar. A seguir, diz para a filha que o acompanha até à porta.– Tome bem conta dela!
– Não se preocupe, papai!
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