A Forest in your Ocean

5 Uma terrível coincidência e O encontro 24h Parte I


Louisa

Estava no meu quarto descansando o almoço quando um guarda bateu na minha porta.

–Princesa,a rainha quer falar com você, ela está nos aposentos reais.

–Obrigada, dia a ela que já vou.

Calcei meu salto baixo, não podia me dar ao luxo de andar com saltos gigantescos, eu podia cair e como ficaria meu filho? Sim, eu estava grávida, o reino ainda não sabia,pretendíamos anunciar em uma festa naquela mesma semana, por isso pedimos para as selecionadass virem antes. Bati na porta da suíte real, a rainha mandou que eu entrasse.

–Queria falar comigo Coraline?

–Sim querida, quero lhe perguntar sobre sua irmã.

– O que tem ela?- Digo me sentando na poltrona.

–Você já reparou na semelhança entre ela e a menina 5, a Dallas?

–Sim.

–Tem algo para me dizer sobre isso?

–Olha, foi tudo um terrível acidente, eu sempre soube que teria chance disso acontecer, mas eram bem pequenas, Dallas foi uma escolhida do príncipe, Alasca foi uma escolha do rei.

–Sim, disso eu sei.. Arth nunca escolheria uma cinco.

–Claro. Há dezesseis anos atrás, minha mãe apareceu grávida, mas só eu e meu irmão mais velho sabíamos que aquele filho não era do meu pai. Ouvimos sem querer, uma conversa por telefone entre minha mãe e o pai da criança. Guardamos esse segredo, porém, nasceram duas meninas, Alasca e Dallas, com uma única diferença entre as duas: a cor dos olhos. Minha mãe subornou a médica para dizer que Dallas havia morrido no parto, mas eu e meu irmão sabíamos que não era a verdade, pois minha mãe havia feito um trato com o pai da criança, cada um ficaria com uma e ninguém nunca saberia disso. Os anos se passaram e nunca mais tivemos notícias de Dallas, até o dia do anúncio das escolhidas.

– Você entende que ela tem que saber disso?

– Sim, mas não posso fazer isso, minha mãe não iria suportar.

–Elas tem direito de saber que são irmãs, as pessoas já estão comentando.

–Coraline, minha família vai estar aqui nessa semana mesmo, na festa, posso juntar minha mãe, o pai delas e elas.

–Louisa, vejo quão boas são suas intensões, mas não podemos manter irmãs na seleção.

–Eu sei disso, estou ciente das regras.

–Olha, vamos fazer o seguinte, vamos deixar Brandon decidir, contaremos pra ele, vou dar o prazo de cinco semanas para ele mandar uma das duas embora, sem influência de ninguém a não ser ele mesmo.

–Fico grata Coraline.

–Você é uma ótima moça, Louisa.

–Obrigada, meu Deus, Dallas se tornou uma linda jovem.

–Porque não aproveita essa oportunidade pra se aproximar da sua irmã?

–Posso?

–Claro, mas de um jeito que não pareça estranho. Passe bastante tempo no salão das mulheres.

–Obrigada, bom, agora tenho que ir, vou ajeitar alguns detalhes para a festa do final do semana.

–Sim, aliás, porque não chama as famílias das selecionadas?- Ela piscou pra mim e logo entendi.

–Claro, vou providenciar.

Coraline

Ser rainha nem sempre era um conto de fadas, eu tinha deveres que tinha que cumprir por mais que não quisesse. Naquela mesma tarde, chamei Brandon no meu quarto.

–Mamãe, queria falar comigo?

–Sim querido, temos um grande problema.

–O que houve?

–Filho, você não acha estranho a semelhança entre a Dallas e a Alasca?

–Sim.

–Bom, vou direto ao assunto, elas são gêmeas, foram separadas na maternidade.

–Meu Deus.

–Filho, você tem cinco semanas para tirar uma das duas.

–Alasca, Alasca sai, gostei muito de Dallas.

–Não! Seu pai ficaria muito decepcionado se a primeira a sair fosse uma escolha dele.

–Ora mamãe, você sabe que ela só entrou por ser irmã de Louisa.

–Filho, ser príncipe nem sempre é fácil, a família deles tem muitos contatos.

–Já temos Louisa! Já temos muitos contatos.

–Querido, se mantermos o poder centralizado, nunca o perderemos.

– Tudo bem, mas se depois de cinco semanas eu quiser mandar Alasca embora, ela irá, ou eu irei desistir da Seleção.

–Tudo bem, agora vá, vá se arrumar para o jantar.

Dallas

Quanto mais o jantar demorava, mais eu ficava ansiosa, Brandon toda hora me olhava, eu sempre sorria. Quando finalmente o rei e a rainha saíram e pudemos subir, eu corri para o meu quarto, tomei um banho de banheira refrescante e comecei a me arrumar, logo a Roberta chegou para me maquiar. Quando ela terminou, me olhei no espelho, eu estava pela primeira vez na minha vida, me sentindo uma princesa.

Fui até a sacada e chamei Alasca, ela surgiu na sua sacada.

–Que tal?- Perguntei

Ela deu um sorriso e fechou a porta da sacada, não entendi nada.

Logo depois bateram na minha porta.

–Boa noite senhorita Dallas.

–Príncipe Brandon.- Fiz uma breve reverência ele sorriu.

–Vamos boba.

Ele pegou meu braço e me conduziu até o jardim.

–Pra onde vamos?

–Surpresa.

Fomos andando e chegamos até a margem de um rio, eu conhecia aquele pequeno rio, ele circundava uma parte do castelo. Na borda tinha um barco de madeira com um chapéu daqueles que as senhoras antigas usavam para passear, sombrinhas.

–Oh meu Deus.

–Pode dizer, eu sei fazer um encontro.

–Sim, vossa alteza sabe.- Dei um sorriso.

–Vem.- Ele pegou minha mão e eu entrei no barco, sentei na madeira e abri o chapéu, comecei a girá-lo.

–Que tal?

–Está parecendo uma menininha de conto de fadas.

– Para.

–Mas está mesmo, só que na vida real, não existem fadas madrinhas.

–Só pra quem não acredita.

–E você acredita?

–Não.- Rimos juntos, ele entrou no barco, tirou o paletó, dobrou as mangas da camisa e pegou os dois remos.

– Tem uma cesta de piquenique aqui, quando quiser parar, podemos comer umas frutas, tomar um vinho.

–Qual o plano?

– Como assim?

–Ninguém embebeda uma dama se intensões.

–Eu estaria sendo desrespeitoso se falasse minhas intensões.

Lhe olhei espantada.

–No meu conto de fadas, você era um cavalheiro, não um assanhado.

– Estava de brincadeira e contos de fadas não exitem.

–Eu sei.- Olhei para o céu.- Meu Deus, da cidade não dá pra ver todas essas estrelas.

–Eu sei, essa é uma das minhas coisas favoritas no castelo.

– Deve ser mesmo, então, você me disse que seu romance favorito era Romeu e Julieta, você joga golfe, mas não sei mais nada sobre você...

– Como sabe que eu jogo golfe?

– Você estava com uma bolsa cheia de tacos ontem de tarde.

–Oh sim, já havia me esquecido. Ah, eu sou normal, quer dizer, quase, eu gosto de jogar golfe, mas minha verdadeira paixão são os cavalos, se eu pudesse, passaria o dia todo nos estábulos com eles.

–Adoraria andar à cavalo um dia.

–Então tá, amanhã, depois do café, vamos cavalgar.

–Jura?

–Claro.

–Mas você não tem compromisso com outra menina?

–Só depois da noite de amanhã.

– Quase me esqueci da aposta, aquela traidora da minha irmã.

–Me lembre de agradecer ela.

Já estávamos no barco a quase meia-hora quando ele parou na margem.

–Vamos parar aqui.

–Tudo bem. -Peguei a cesta de pique-nique e ajeitei com ele tudo em cima da toalha. Ele abriu o vinho e nos serviu.

–Sabe, eu tava muito nervoso com a seleção.

– Porque?

– É muito difícil.

– Vai dizer que você não gosta de ter 35 lindos pares de pernas andando entre você?

–É, nem se eu fosse Jesus haveria como negar que isso é bom. Mas é muito ruim, eu me limito a escolher minha esposa entre trinta e cinco jovens.

–Se você pudesse você quer dizer que se daria a chance de se apaixonar?

–Ah, há como me apaixonar por uma de vocês, mas a maioria dos casamentos são por interesse de contatos e tudo mais. Meu irmão, deu sorte de amar a Louisa de cara.

–É.

–Bom, vamos voltar? Já está tarde e não quero que você acorde com olheiras por minha culpa.

Coloque essa música

–Tudo bem.- Recolhemos as coisas e fomos para o barco, no meio do caminho da volta, ele parou de remar e ficou me olhando.

–O que houve?

Ele não disse nada, levantou e começou a andar no barco, ele já estava bem perto de mim quando ele perdeu o equilíbrio. O barco caiu e nós dois caímos na água. Comecei a me debater feito uma idiota até perceber que conseguia ficar em pé na água. Começamos a rir.

– Eu não acredito nisso, você tá bem?- Ele perguntou em meio a risos.

–Sim e você?

– Bem.- Ele começou a se aproximar de mim, colocou a mão no meu rosto e a outra na minha cintura, colou nossos corpos, nem a água conseguiria passar ali.

–Bra...Brand...Brandon...- Ele me beijou, um beijo calmo e tranquilo, tão quanto o movimento da água, me juntei mais a ele, o que era quase impossível, nos separamos quando ouvimos um barulho de confusão e sirenes.

–Fudeu.- Ele me agarrou e me arrastou para o canto.