Notas iniciais
YEEEEEEEEY CAP NOVO!
Desculpinha a demora! *u*
TECNICAMENTE AINDA É "HOJE", twilight! (isis)
NÃO ME MATEM, tudo vai melhorar ^^
beijossss

O beco onde ele falou que me encontraria era escuro e úmido. Acho que era em lugares assim que ele morava agora. Andei em silêncio. O fim daquele beco era impossível de se ver. Era muito longo. Então, senti uma mão no meu pulso. O garoto que estava ali não era o meu Rafa.

Ele estava quase esquelético, havia olheiras horríveis em volta de seus olhos e seus cabelos negros estavam completamente bagunçados e compridos. Mas quando ele me abraçou, eu me senti do mesmo jeito de antes.

– Jess, eu achei que você não viria. – Diz, cansado e assustado. Beijei sua testa.

– Por que eu não viria? – Ele me estudou.

– Esse lugar não é bom pra você?

– Esqueceu como eu sou, Rafinha? – Ele sorriu.

– Nem um pouco. Só não lembrava de você ser tão gostosa assim. – Corei e olhei pro chão. – Jess, eu queria que tu viesse porque preciso te dizer umas coisas. Antes que seja tarde demais.

– A situação tá tão crítica assim? – Ele sorriu de leve.

– Jess, eu te amo desde a primeira vez que eu te vi. Sei que não sou melhor que o Nate. Sei disso. Eu sou fraco. Sou fraco porque comecei com essa coisa de drogas porque não tinha o amor correspondido, e agora não vou mais poder sair. Mas eu quero que você saiba que eu vou te amar pra sempre. Não importando o que aconteça comigo. – Então ele me beijou. E eu ouvi barulhos de tiros ao longe. – Porra Jess, sai daqui, rápido! – Corremos de volta pelo beco, mas outros caras nos encurralaram por lá. Nunca pensei em sentir tanto medo na minha vida.

– Caralho. – Murmurou Rafa.

– Quem é essa florzinha? – Perguntou o cara, um monstro, o pescoço era mais grosso que minha coxa, e olha que minha coxa é bem grossa. Mas o jeito como ele falou “florzinha” me deixou muito irada. Por que, por que, as pessoas tinham essa mania irritante de achar que só porque eu era uma menina e baixinha eu era delicada e doce? Já tava indo tirar satisfação com o touro na minha frente quando o Rafa falou:

– Ela é algo em que você nunca vai encostar. – O cara grandão me segurou pelo braço, com um aperto de ferro.

– Ah, é? – Rafa me puxou pro lado e começou a brigar com o cara. A me proteger. Ouvi mais caras chegando e o barulho da polícia. E então o tiro.

Você já sentiu o desespero de ver uma pessoa que você ama muito morta com um buraco na cabeça? Não? Então não faz a mínima ideia de como me senti quando vi o corpo dele cair perto de mim.

Eu queria gritar, mas não saía nenhum som. Para ajudar, a polícia chegou e levou todos nós para o camburão, provavelmente alegando que eu era do grupo deles. Os paramédicos cobriram o corpo dele e eu me senti completamente vazia. Sozinha. Por isso, me deixei ser levada até a delegacia.

POV’S GUTO

A espera parecia interminável, e quando ela irrompeu pelas portas duplas de madeira da sala do delegado, me levantei. Assim que ela me viu, me deu um abraço. Naquele momento, eu parecia ser a única coisa que a segurava ali.

Suas lágrimas vieram desesperadoras, e eu, com medo que a mãe dela a visse daquele jeito, a levei para minha casa.

No caminho, ela ficou em silêncio, abraçada aos joelhos, em choque. Doía vê-la assim, então tentei não olhar.

Chegamos em casa e minha mãe perguntou o que havia acontecido. Lancei-lhe um olhar de “depois te explico” e levei Jess pro meu quarto.

– Vai no banheiro e toma um banho. Depois te dou uma camiseta pra tu vestir. – Ela assentiu, meio zumbi, e entrou no banheiro. Me joguei na cama e fechei os olhos.

Não acredito que ela presenciou a morte de um cara que foi melhor amigo dela. E depois ela diz que minha vida que é injusta.

Quando ela saiu do banheiro de sutiã e calcinha, eu só não a agarrei porque não era um momento muito bom pra isso. Como alguém pode ser tão gostosa?? Dei-lhe a camisa dos Beatles e ela se vestiu em silêncio. Ficamos nos olhando. Ela em pé, eu deitado. Os olhos dela estavam sem foco e ela começou a chorar.

– Jess... vem cá... – Ela se deitou encolhida do meu lado e eu a abracei. Ela soluçava muito, era desesperador ter que ser forte por ela. Se não fosse assim, eu choraria também.

– Jess, não chora... – Ela soluçou.

– Abriram um buraco na cabeça dele com uma 12, Guto. – Diz, com a voz rouca de tanto chorar. – Eu... foi por minha causa. Se ele não tivesse tentado me proteger, ele ainda estaria vivo.

– Jessica... – Murmurei.

– Devia ter sido eu, eu devia ter morrido! – A virei pra mim e a olhei nos olhos.

– Se você morresse... eu... nem brinca com isso, Jessica. – Falei, sério. Ela me puxou pela camiseta e me abraçou, continuando a chorar. E eu a abracei, querendo de qualquer jeito fazê-la sorrir.

POV’S JULIE

– Quem é Rafa? – Pergunto para JG. Ele segura o skate e senta no murinho.

– Era nosso parça. Mas agora... bem, ele deve estar num lugar melhor que quando ele se drogava nos becos. – Olhei pro chão.

– Sinto muito. – Pedro senta do lado dele.

– O cara era mó parceiro, mas se deixou levar pelo lado errado da força. – Eu ri.

– Por que ele começou a se drogar?

– Por causa da Jess.

– Ele era a fim dela?

– Ele era doido por ela. Amor não correspondido deixa os caras meio loucos. – Diz JG.

– É outra coisa que me deixa meio louco. – Diz Mike, chegando, parando ao meu lado e olhando meu corpo. Cruzei os braços e revirei os olhos.

– O ar ficou pesado de repente, né? – Falei e os guris riram. Mike deu um sorrisinho de lado.

– Ninguém te contou que eu gosto de mina difícil? – Falou, no meu ouvido. O empurrei.

– Então você vai se apaixonar por mim. – Falei, com desdém. – Tchau, pessoal. Tenho que ver a Jess. – E saí.

POV’S MIKE

– Papai, olha aquele corpo! – Falo, quase gemendo. JG ri.

– Ela não vai ficar com você. – Olhei pra ele.

– Assim tu me desanima.

– Ela é tipo a Jess, não é mina de pegar. – Dei de ombros.

– Isso nunca foi impecilho pra mim, vocês bem sabem disso. – JG sorriu.

– Mas ela eu acho que você não pega por pegar. Acho que você vai ficar apaixonadinho por ela. – Diz Pedro.

– Tá tá. Vocês são muito chatos. Será que a Jess tá bem?

– Ela Viu o Rafa ser morto. Temo que não esteja nos seus melhores dias. – Murmura Pedro.

– Eu vou sentir falta dele. – Diz JG. O silêncio fica triste, e eu quebro o gelo.

– Bom, vamos andar né? Sobre rodas, nenhum problema é demais.

~*~

POV’S JESS

Eu me sentia vazia. Completamente vazia. Nem dormir na mesma cama que o Guto e ser paparicada por ele no dia seguinte inteiro me ajudou. Ele avisou minha mãe do ocorrido, e ela entendeu que o melhor seria se eu ficasse por lá. Ela também ficaria muito nervosa e faria mal para mim.

Me senti um fardo. Eu estava dando trabalho pro Guto. Como se ele já não sofresse o suficiente. Eu não era mais que um problema, uma equação sem resposta. Eu não tinha o direito de tirar o foco dele da mãe, que estava em um estado avançado de câncer.

Aliás, ela também estava sendo muito carinhosa comigo. Quase como se fosse minha mãe. Seu nome era Angelina, e ela era realmente materna. Parecia entender o que eu estava passando, e me dava o apoio necessário, com a dose certa de carinho e de afastamento. Acho que se deve ao fato de ter perdido um filho.

Eu não queria comer, não queria nem sair dos cantos da casa. Sempre que podia, ficava tão quieta que alguém sempre vinha ver se eu estava acordada.

Não, eu tinha vontade de dizer, eu só quero dormir pra sempre.

Julie também tentava me ajudar. Ela era minha melhor amiga. Eu soube disso no momento em que ela me viu em meu estado deplorável, encolhida na cama do Guto, pela primeira vez. Ela me ajudava em tudo, me empurrava para a realidade.

Os moleques também foram lá. Meu coração se aqueceu só de ver aqueles três idiotas. Eles passaram o dia comigo, fazendo piadas, jogando videogame, me fazendo rir mesmo enquanto eu não queria nem viver. E depois me perguntam por que eu considero meus amigos minha família.

Nick foi também. Se sentiu envergonhado, mas foi. Isso fez toda a diferença. Ele também me acolheu, me entendeu, me deixou chorar, me embalou. Fez o que um irmão mais velho faria. E eu agradeci mil vezes ao longo do dia por ele cuidar tanto de mim. E ele respondeu: “Você cuida bem mais de mim”.

Meus pais também foram, uns três dias depois de saberem que eu estava lá. Conversaram com Angelina e tal, e deixaram que eu ficasse lá, afinal, o pessoal me fazia bem. Mas aí, Angelina passou mal.

Era de noite, acordei com a afobação do Guto (sim, eu ainda dormia na mesma cama que ele) e parecia ser algo importante.

– O que houve, Guto? – Ele enfiou uma blusa, bagunçando todo o cabelo.

– Minha mãe. – Disse, simplesmente, e saiu do quarto à toda. Encostei a cabeça na cabeceira enquanto ouvi o carro dele ser tirado da garagem. O que acontecera? Será que era tão grave?

Abracei os joelhos e fechei os olhos.

Por favor, meu Deus, que não aconteça nada à Angelina. O Guto não merece isso.

Me senti novamente sozinha e inundada de culpa.

Eu odiava me sentir sozinha.

Ficar sozinha e se sentir sozinha eram coisas completamente diferentes. Às vezes, eu amava ficar sozinha, até porque ler com alguém te alugando os ouvidos era bem difícil.

Mas se sentir sozinha... era bem diferente. Eu não gostava de me sentir assim. Era terrível. Então tudo caiu sobre mim, como sempre acontecia quando eu me sentia desse jeito. A diferença é que dessa vez envolvia fatores mais graves.

Guto estava sendo obrigado a me ajudar mesmo quando sua mãe estava com uma doença terminal. Rafa morrera para me proteger. Nate engravidara uma baranga ridícula, e não viera me ver.

Você destrói a vida deles, disse minha cabeça, você é um fardo para todo mundo!

Comecei a chorar e me tranquei no banheiro.

Abri os armários à procura de um remédio, quando as achei.

Brilhantes, afiadas, amigas.

Acho que eu merecia uma morte mais dolorosa que overdose.

POV’S JULIE

Tia Angie estava melhor, mas nada tirava o Guto daquele hospital. Beijei sua testa e falei que ia para casa, ver Jess. Ele falou para mandar um beijo pra ela e eu fui.

Chegando lá, tudo estava muito silencioso. Normalmente, Jess fica vendo TV ou jogando videogame quando está sozinha. Subi as escadas e quando vi que o quarto estava vazio e a porta do banheiro trancada, comecei a me preocupar.

Peguei o molho de chaves na cozinha e abri a porta.

O cheiro metálico invadiu meus pulmões e eu gritei. Gritei e chorei.

O piso de cerâmica branco estava coberto pelo líquido vermelho que jorrava dos incontáveis cortes nos braços do corpo imóvel ali. Com muito esforço para não desmaiar, peguei o celular e na terceira tentativa, consegui ligar para Guto.

Julie? O que houve? – Engoli em seco.

– Guto. A Jess se matou.

Notas finais
E ai?
Ruim?
COMENTEM ♥
Beijinhos