Notas iniciais
HELLOOOO
Não demorei muito u-u
ENJOY!

POV’S GUTO

Eu não conseguia respirar, só sei que saí louco daquele hospital. Eu não via os carros na minha frente, não sei como não morri nem matei alguém, mas eu cortava o trânsito como um bêbado.

Não queria nem saber das regras de trânsito naquele momento, só queria ver a Jess. Cheguei em casa e só larguei o carro lá na frente. Subi correndo. Julie estava branca, apavorada. E, no banheiro, estava ela.

A razão da minha vida completamente imóvel e cheia de sangue.

- Eu.. eu não sabia o que fazer... – Chora Julie baixinho. Fui até o ármário e peguei a gaze, tentando não ficar tonto.

- Vamos enrolar os braços dela e levá-la pro hospital. – Deitei-a no meu colo e Julie enrolou os cortes com a gaze. O medo de perdê-la me atingiu com toda a força. Mas que merda, Jessica.

~*~

- Ela está fora de risco. Apesar de que essa mocinha perdeu muito sangue. Essas brincadeiras sempre levam longe demais. – Diz o médico. Ela não queria brincar, pensei. Eu estava com tanta raiva que via tudo enuviado.

- Podemos vê-la? – Fala Julie. O médico assente e nós vamos. Vai primeiro Julie, alegando que eu deveria me acalmar. Enquanto ela estava lá dentro, tentei pensar. Ela estava viva. Viva. Eu precisava ficar calmo. Mas eu não conseguia.

Ela tentara se matar. Isso não me deixava mais calmo. Muito pelo contrário, me fazia pensar em como seria perdê-la, o que está totalmente fora do meu limite de sanidade. Julie saiu e eu entrei, recebendo um olhar de aviso dela.

Jess estava deitada na maca, com soro na veia e os braços completamente enrolados, agora profissionalmente. Seus olhos cansados me fitaram, tristemente. Mesmo com toda a raiva que eu que eu sentia, não pude deixar de me acalmar quando a vi. Bem. Viva. Me apoiei na cama e suspirei.

- Que porra você tentou fazer, Jess? – Ela hesitou por um tempo.

- Deixar sua vida menos complicada. – Sua voz estava rouca, provavelmente pela fraqueza ou por não ter falado por muito tempo. A olhei, exasperado.

- Menos complicada? Você acha que eu tô sendo obrigado a ficar com você? Tentando se matarvocê quase me matou junto! Devia ter visto o tanto de regras de trânsito que eu burlei tentando chegar em casa! Eu só não chorei quando eu te vi porque se a Julie me visse perder a compostura, ela estaria internada também! – Ela me olhava, culpada. Me aproximei. – Eu te amo pra caralho. Você sabe muito bem disso. Agora me diz que porra você tava pensando quando abriu 37 talhos em cada braço! – Ela olhou pras gazes nos braços e eu sentei ao seu lado, no canto da cama. – Me fala. – Digo, mais baixo.

- Sua mãe precisa mais de você do que eu. Eu só estou te desviado do que realmente é importante. Eu só tô deixando sua vida mais difícil. Eu basicamente matei o Rafa, fui ridícula o bastante pro meu namorado engravidar uma piranha e perdi minha melhor amiga. Eu sou um fracasso, um fardo, eu deveria desaparecer. – Me inclinei sobre ela.

- Para com isso, garota. Se você morresse eu não sei se eu... – Hesitei, olhando em seus olhos. – Eu não sei se eu teria controle o suficiente. Você não é um fardo. Você é a menina mais incrível e importante pra mim. Por favor, não dá uma de louca de novo. Eu te amo. – Ela me olhou, os olhos marejados.

- O Nate me dizia isso. – Fechei a mão em punhos, agarrando um pouco do lençol. Só de pensar na sacanagem que aquele imbecil tinha feito com ela, eu sentia uma necessidade de quebrar a cara dele. Mas, invés disso, meneei com a cabeça.

- A diferença é que eu estou sendo verdadeiro. – Me inclinei e a beijei. Seus lábios continuavam enviando as mesmas correntes elétricas pelos meus músculos. Ela levou a mão parcialmente enfaixada até meu rosto e o acariciou, me puxando mais pra perto. Eu queria que aquele beijo durasse pra sempre. Eu não queria deixá-la ali, sozinha. Não queria. Mas aí o médico entrou e tivemos que nos separar. Olhei para ele e sussurrei, no ouvido dela: — Eu tô aqui, ok? Não saio antes que você seja liberada. – Ela sorriu e assentiu, beijando miha testa demoradamente. Dando uma última olhada para ela, saí da sala.

~*~

A gota d’água foi quando eu estava na sala de espera e entrou quele filho da puta.

- Cadê ela? – Não respondi, mas respirei fundo, tentando não voar nele. Julie se levantou.

- Nate, não é uma boa hora.

- Julie, a menina que eu amo quase morreu. – Não aguentei mais.

- AMA? QUE AMA O QUÊ! NA HORA DE ABRIR AS PERNAS DE UMA VADIA, NÃO AMA NINGUÉM, NÉ? – Gritei, e a enfermeira pediu que eu fizesse silêncio.

- Vamos resolver isso lá fora. – Grunhiu ele.

- Eu prometi pra Jess que ficaria aqui até ela ser liberada. – Me sentei. – E, ao contrário de você, eu cumpro minhas promessas.

~*~

POV’S JULIE

Eu saí do hospital. Odiava aquele ar viciado e aquela doença que parecia estar sempre no ar.

Passei a caminhas nas ruas de Canela, que eu conhecia de cor. Infelizmente, outra pessoa também conhecia.

- Hey, hey. – Diz Mike, segurando meus ombros enquanto eu passava quase cega por ele na calçada. – Nem diz mais oi.

- Oi, Mike. – Falo, sem vontade. – Tchau Mike. – Tento passar de novo, mas ele não deixa.

- O que aconteceu? – Diz, parecendo preocupado de verdade.

- Eu... Affe, não vou te explicar no meio da rua, dá licença né. – Ao contrário do que ele esperava que eu fizesse, me virei para a rua e comecei a atravessar, mas ele me puxou de volta e me colou nele no momento em que um caminhão passou a toda velocidade onde eu estivera. Ele me olhou demoradamente e eu me afastei dele, envergonhada.

- Acho que agora eu mereço uma explicação.

~*~

- O QUÊ? – Gritou, se levantando do sofá. Segurei seu pulso e lentamente o puxei de volta. – Mas... por quê? – Eu havia contado sobre Jess. E ele estava pirando.

- Ela está se achando um fardo. – Ele mexeu no cabelo ruivo.

- Ela é louca. Como tá o Guto? – Mordi o lábio.

- Desesperado. Tinha que ver, ele colocou o Nate pra fora do hospital.

- O Nate? Mas ele provoca, né? Qual é, engravidar a Caroline e depois correr pra Jess? – Assenti devagar. – E você, como tá? – Me surpreendi com a pergunta.

- Mal. Minha melhor amiga quase morreu. – Ele me olhou significativamente por segundos.

- Ela vai melhorar. Sabe, a Jess é dura na queda. – Eu ri. COMO ASSIM ELE ME FEZ RIR?!

- Eu sei. Obrigada. – Ele acariciou meu rosto. – Bom, vamos, te levo no hospital. – Digo, me levantando. Ele pareceu voltar a ser o Mike.

- Será que não tem nenhuma maca onde eu possa te deitar e...

- Vamos pro hospital, Mikael. – Cortei ele e o arrastei comigo.

~*~

POV’S NATE

Depois do sermão da enfermeira, me sentei e o Guto também, mas eu podia ver que ele tentava a todo custo controlar a raiva.

A conversa que eu tivera mais cedo com Carol me rodava na cabeça.

- Você vai renegar seu filho? É isso?? – Suspirei, sem olhar para a loira.

- Nem sei se ele é meu filho. – Ela pareceu ofendida e irritada.

- Tá insinuando que eu sou uma vadia? – Olhei pra ela.

- Não, impressão sua. – Ironizei. Ela grunhiu. – Eu não posso ter certeza de que ele é meu filho.

- Pergunta pra qualquer pessoa se eu peguei alguém depois de você.

- Você pode ter engravidado antes! – Ela roçou os lábios em meu ouvido.

- Desista, Nate. Você é meu agora.

Eu odiava tanto essa vadia que, se eu batesse em mulher, ela estaria morta. Fechei meus olhos. O amor da minha vida estava morrendo, e um terço da culpa era minha.

Notas finais
espero que tenham gostado ^^
comentem!!!
beijos!