A Force Called Love
17 Dorgas, manolo
Notas iniciais
SORRY PELA DEMORA POTATOES.
Mas eu expliquei da minha mãe e tals, né? pois é.
felicidade suprema, estou de volta ~dança
pelo menos nesse fim de semana.
AMOAMOAMOAMOAMO os comentários de vocês! Na boa, os melhores ♥ awn, amo vocês leitores lindos
Curtam aí muahahahahahaha
Abri os olhos e fiquei olhando para o teto branco. Me levantei e andei até a janela, abrindo a cortina. Tremi de frio. Havia uma fina camada de gelo cobrindo todo o vidro. Fui até o closet e peguei uma blusa de lã, jeans e meu moletom preto da Vans. Calcei pantufas de gatinho e desci para tomar café.
- Bom dia. – Digo, sentando.
- Bom dia, filha. – Diz papai. Só havia ele, eu, Laura e Alice na mesa.
- Cadê Nick e mamãe?
- Nick foi a Porto Alegre com amigos do trabalho, e sua mãe teve que ir mais cedo pra construtora. – Assenti, enchendo a xícara de café quase até a borda. – Não vai pegar leite?
- Preciso de algo forte. – Coloquei apenas uma colher de açucar e bebi tudo de uma vez. Senti o baque da cafeína no sangue e meio que despertei.
- Estou com saudades do Nick. Quero vê-lo.
- Ele chega de tardezinha. – Meu celular bipou.
[faaaaaaaaaaaaaaaaala nigga]
Mike. Sorri involuntariamente.
[nigga?]
[sabe, brow, mana, parcera]
[se um negão te pegar falando isso...]
[to morto, sei. tá em casa já?]
[tô sim, monstrinho]
[que bom, vou dar uma volta de long hoje pelo centro. tenho um extra. tu querer desabafar e andar um pouco?]
[quero sim. obrigada, mike]
[não há de quê, morena]
[me pega daqui a pouco?]
[vou só tomar café e já passo ai]
[tudo bem, até logo]
[té]
Avisei pro meu pai que ia sair e subi pra terminar de me arrumar. Arranquei a pantufa e coloquei um vans. Penteei o cabelo do melhor jeito que deu e fui pra frente de casa. Logo um ruivo apareceu, em cima de um skate e com outro na mão. O abracei forte, e ele retribuiu.
- Ai, Jess. O que aconteceu com você?
~*~
Andávamos pelo centro de Gramado e conversávamos. Eu contei à ele o que rolou nas férias. Ele disse que o Nate não parava de ir à baladas tentando me esquecer.
- E... o que ele faz nessas baladas?
- Geralmente bebe mais de cinco Jack Daniels e... em duas delas... – Ele hesitou.
- Pode dizer, ele ficou com alguém, né? – Ele me olhou, receoso.
- Jess... ele não ficou com alguém. Ele comeu alguém. – Não tirei os olhos dos dele.
- Quem? – A voz saiu meio rouca. Ele balançou o cabelo e ficou em silêncio um tempo antes de dizer o nome.
- Caroline. – Foi como levar uma facada.
- A Caroline que eu conheço??
- Ele estava com o orgulho ferido, e pegou ela por causa do álcool. Da segunda vez, foi pra ela calar a boca, pelo que ele me disse.
- Esse não é o Nate que eu conheço.
- É o que se separar de você fez ele se tornar. Ele te ama, Jess. E eu aposto que você o ama também.
- Claro que amo, não sou vadia como a Caroline. Mas...
- Mas você se apaixonou pelo surfista? – Assenti devagar.
- Ele é tão diferente, Mike. Ele é tão... doce. Não parece que tem 18 anos, parece que tem 15. Ele é o cara perfeito. Mas eu não consigo tirar o Nate da minha cabeça. – Mike meneou a cabeça.
- Isso tá muito The Vampire Diares. – Topei com o ombro no dele.
- Que gay, Mike, você vê TVD? – Ele deu de ombros.
- Uma vez eu queria pegar uma mina fã dessa série e tive que apurar meus conhecimentos. Acabou que ela nem era tão boa de cama assim. – Minha vez de menear a cabeça.
- Garotos são impossíveis! – Ele ergueu meu queixo com o dedo e piscou pra mim.
- Só os descompromissados, my love. – Eu ri e revirei os olhos. Continuamos andando e conversando até que faltou assunto. O frio estava realmente de matar, mas as camadas de roupa ajudavam bastante.
- Você sabe que o Nate não vai desistir de você, né? –
- É bom que ele desista. Não vou mais lembrar que ele existe.
- Tô querendo dizer que se você não ficar com ele por bem, ele vai te forçar a tal.
- Tá dizendo... me... – Ele arregalou os olhos.
- NÃO, vai com calma na imaginação. O Nate te ama, lembra? Ele só vai tentar fazer despertar em você o amor de antes. E pra isso, ele fará de tudo. – Cheguei a me arrepiar.
- Que ele tente.
~*~
Como as minhas colegas são as coisas mais amadas da diretora, elas convenceram-na a fazer uma festa de volta às aulas só para o ensino médio. Sério, não sei com o que aquelas meninas subornam a velha, mas ela deixa elas fazerem o que quiserem naquela escola. A festa começou normal. Eu não tinha me arrumado nada, só as mais vadias tinham. Eu só fui com um jeans no qual eu mesma fiz rasgos com uma caneta, blusa cinza dos Ramones, moletom de zíper branco por cima e all-stars pretos nos pés. Estava com uma trança de lado nos cabelos, e fora para a festa com Nick. Ele deveria estar dentro do ginásio com alguma menina da minha escola. Sim, ele as achava... bonitinhas. Chequei o esmalte vermelho em minhas unhas. Estava entediada, então entrei, para pegar algo pra comer. Assim que me ergui do meio-fio, alguém segurou meu braço por trás.
- Ora ora, se não é a princesa que fugiu do reino! – Rafa.
- Rafael? – Ele estava drogado. Estava com um cheiro esquisito e bem grogue. Maconha na certa.
- Por que escolheu o Nate? Ele não te merece. Você precisa de um homem, como eu! – Olhei bem para ele e meneei a cabeça.
— O que fizeram com você, Rafa? – Ele me puxou pra perto dele. Aquele aperto estava me machucando. O cheiro de droga ficou mais forte e eu me obriguei a manter os olhos abertos.
- Eles me salvaram. Elas são minhas amigas. É só fumar uma ou duas e eu estou melhor. Mas eu ainda preciso de alguém com quem dividí-las. – Diz, me olhando de cima abaixo. Mas não foi como na vez que o Guto fez isso na praia. Foi assustador dessa vez. Tentei me soltar.
- Me larga.
- Não tão rápido, princesinha.
- Ela mandou largar. – Diz uma voz que eu conhecia muito bem. Tão bem quanto meus lábios conheciam os seus.
- Nate! Que prazer! – Diz Rafa, sem soltar meu braço.
- Solta ela.
- Acho que não. – E me cola de novo nele. Depois disso, só senti braços fortes me empurrando pro lado e a briga. Sim, eles estavam brigando. De porrada. Eu estava com medo pelo Nate. Rafa já era agressivo sem drogas, imagina com elas. Mas Nate se desviava bem, e ajudava o fato de Rafa estar grogue. Juntou uma multidão ali. Eu rezava para que ele não se machucasse. Nate jogou Rafa no chão e o imobilizou.
- E se você encostar nela de novo, vou explodir suas tripas. – Diz ele. O som do carro de polícia é ouvido. Algum espectador espertinho resolveu parar com a briga. Com a afobação das pessoas saindo de perto, perdi-os de vista por alguns segundos, e quando retomei, vi o policial levando-os pro carro.
***
- Vai, Nick, são alguns minutos, só pra levar ele pra casa. – Nick estava indeciso. Encostou-se no muro de tijolos e coçou a barba por fazer.
- Mas você vai pra lá sem carteira? Eles vão te prender.
- Vou ter cuidado. Vai, é por uma boa causa. – Ele suspirou.
- Tá bom, vai. – Me jogou as chaves. – Seus CDs estão no porta-luvas. – O abracei e corri pro carro. Nick, sendo meu primo mais velho e mais próximo, me ensinara a dirigir, mesmo antes de ser legal eu ter carteira. Então, às vezes eu tentava a sorte e ia dar uma voltinha no carro dele. Meus pais nem sonham com isso.
Escolhi o CD “Night Visions”, do Imagine Dragons, e coloquei pra tocar. Fui dirigindo até a delegacia e batucando no volante. Aquele CD era muito bom. Desci do carro e entrei no local. Me sentei e fiquei esperando. Uma policial simpática me ofereceu café, e eu aceitei. Bebi tudo de um gole. Coisas passavam pela minha cabeça. O que estaria acontecendo lá dentro? Depois de minutos de tortura mental, eles saíram de lá. Olhei pros dois e cruzei os braços abaixo dos seios. Passei a fingir que Rafa não existia, e me levantei.
- Vamos. – Falei, saindo. Entrei no carro e segundos depois Nate ocupou o banco carona. Dirigi o caminho inteiro em silêncio, apenas com a música tocando. Paramos na frente de sua casa e eu apertei o volante.
- Desce. – Grunhi.
- Por que foi me buscar?
- Da próxima vez eu não busco. Desce.
- Não. Você me bate, diz que me odeia e que tem nojo de mim e depois, tipo, me resgata na delegacia?
- Desce, Nathaniel. – Ele se virou completamente pra mim.
- Não antes de você me explicar por que você foi me buscar. – Apoiei a cabeça no volante, suspirando.
- Eu não quero falar com você, porra! – Ele ainda me olhava petrificadamente.
- Não vou sair até você me... – Calei a boca dele virando para ele, segurando as laterais de seu rosto e beijando-o. Não foi como nossos outros beijos. Nos outros, eu tinha calma. Nos outros, a gente estava bem. Nos outros, eu não sabia de merda nenhuma que agora eu sei. Colei-o mais em mim e ele agarrou minha cintura. Era incrível como o simples fato de ser com ele, um carro virava o lugar mais confortável para um beijo. Beijei-o por oito minutos e depois nos separamos. Ainda com as mãos no rosto dele (e as dele na minha cintura), olhei bem em seus olhos bicolores e me afastei.
- Desce. – Falo, olhando para o colo enquanto agarro o volante de novo. Ele hesita apenas por alguns segundos dessa vez, e depois sai do carro. Encosto a cabeça no banco e mordo o lábio. Que saudade que eu tinha desse beijo. Apesar de não querer admitir, eu tinha sim. Respirei fundo algumas vezes e olhei para a porta da casa dele. Ele ainda estava ali, parado, me olhando. Olhei para frente, tentei esvaziar a mente e, ao som dos trovões que começavam a soar, voltei para a festa.
***
- São e salvo, campeão. – Falei, jogando as chaves de volta para Nick e sentando na calçada do lado de Gustavo, seu melhor amigo. Ele era como um primo para mim também.
- Ok. E Nate, se ferrou muito? – Dei de ombros, tentando ignorar o formigamento dos meus lábios.
- Nada. Ele é esperto. – Nick só assentiu e começamos a conversar sobre assuntos mais lights. Tênis, como em Canela deveria ter lojas de discos, CDs, instrumentos e camisas de banda, e sobre a chuva que ia cair logo logo.
Quando começou a chover, fomos por carro do Nick, nos despedindo de Gus. No caminho inteiro para casa, Nick batucava no volante, exatamente como eu, a música dos Beatles que tocava no momento. Eu olhava pela janela as gostas caindo e apostava corridas entre elas. Meu cérebro estava viajando. Por quê? Por que eu beijei ele? Essas perguntas me torturavam. Eu não queria ter beijado ele.
“Ah, por favor, chega de hipocrisia, você queria beijá-lo sim senhora”, grita o ser na minha cabeça que eu creio ser minha conciência. E então pensei na Caroline. Ele tinha transado com ela. Em uma balada. DUAS vezes. Tem noção do quanto isso soa idiota? Não? Pois é muito.
Comecei a passar as unhas pelo meu braço. Cada vez mais forte, até causar um arranhão. Continuei arranhando por cima desse corte. Doeu. Minhas unhas estavam compridas. Mas, de certa forma, soltei um pouco da raiva dentro de mim de um jeito que não feriu ninguém.
Chegamos em casa e eu subi direto. Peguei o violão e um caderno. Comecei a rabiscar repetidamente. Sim, um simples encontro com o idiota de olhos castanho-esverdeados me deixa inspirada. Musicalmente inspirada. Olhei pela janela enquanto escrevia, e vi que a luz do quarto dele estava acesa. Um leve som de guitarra se fazia ouvir. Sorri involuntariamente e abaixei o rosto para o caderno novamente.
Notas finais
Como diria a gostosa da Mandy, os erros só aparecem quando a gente posta no Nyah, então se tiver algum, i am so sorry ♥
Amo vocês, potatos.
BEIJO BEIJO BEIJO BEIJO
E um especial pra Mandyzitcha ♥
Fale com o autor